História Maybe Someday (Adaptação Clexa) - Capítulo 28


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Anya, Clarke Griffin, Costia, Lexa, Octavia Blake, Raven Reyes
Tags Clexa
Visualizações 227
Palavras 3.897
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite, gente.
Está aqui mais um capítulo. Já está no final, o próximo será o último :(
Enfim, aproveitem.

Capítulo 28 - Capítulo 27


CLARKE


— Não vou.

— Vai, sim — responde Octavia, chutando minhas pernas, que estavam apoiadas na mesa de centro. — Estou entediada demais. Raven vai trabalhar o fim de semana inteiro, e só Deus sabe onde Lexa está e o que está fazendo.

Olho para ela no mesmo instante com o coração quase saindo pela boca.

Ela ri.

— Ah, isso chamou sua atenção. — Octavia pega minha mão e me puxa do sofá. — Estou brincando. Lexa está trabalhando em casa, deprimida e desanimada que nem você está tentando ficar. Agora, vá se arrumar e vamos nos divertir essa noite, ou vamos passar a noite aqui assistindo filme pornô.

Afasto as mãos das dela e vou para a cozinha. Abro o armário e pego uma xícara.

— Não estou a fim de sair essa noite, Octavia. Tive aula o dia inteiro e é minha única noite de folga da biblioteca. Tenho certeza de que consegue encontrar outra pessoa para sair com você.

Pego a caixa de suco na geladeira e encho o copo. Encosto-me na bancada, tomo um gole e fico observando Octavia fazendo bico na sala. Ela fica fofa quando faz isso, e é por essa razão que sempre tento dificultar as coisas.

— Veja bem, Clarke — diz ela, aparecendo na cozinha. Ela puxa um banco do bar e se senta. — Vou esclarecer as coisas para você, OK?

Reviro os olhos.

— Não tenho como parar você, então, vai em frente, pode começar.

Ela apoia as mãos na bancada à sua frente e se inclina para mim.

— Você é uma pentelha.

Dou uma risada.

— Só isso? É isso que precisa esclarecer?

Ela concorda com a cabeça.

— Você é uma pentelha. E Lexa também. Desde a noite que dei seu endereço para ela, vocês duas estão sendo duas pentelhas. Ela só trabalha e fica compondo. Sequer tenta fazer pegadinhas ou armadilhas. Sempre que venho aqui, você só quer saber de estudar. Nunca está com vontade de sair comigo. Nem quer mais ouvir minhas aventuras sexuais.

— Correção — interrompo. — Jamais quis ouvir suas aventuras sexuais. Isso não é novidade.

— Tanto faz — continua ela, balançando a cabeça. — O problema é que vocês duas estão infelizes. Sei que precisa de um tempo e tudo mais, mas isso não significa que você não possa se divertir um pouco enquanto pensa na vida. Eu quero me divertir. Ninguém mais quer sair comigo, e é tudo culpa sua, porque você é a única pessoa que pode dar um fim para o sofrimento de vocês duas agora. Então, é isso mesmo. Você é uma pentelha. Pentelha, pentelha, pentelha. E se quer parar de ser assim, vá se vestir para a gente poder sair e passarmos algumas horas sem ser pentelhas.

Não sei como argumentar contra isso. Sou uma pentelha. Sou mesmo. Pentelha para caramba. Só mesmo Octavia conseguiria resumir as coisas de forma tão simples e direta e que fizesse sentido. Sei que faz alguns meses que estou infeliz, e não ajuda nada saber que Lexa se sente do mesmo jeito. Ela continua infeliz porque está esperando que eu supere seja lá o que for que me impede de procurá-la.

A última coisa que ela escreveu na carta foi "Só diga quando".

Estou tentando lhe dar uma data desde que li a carta, mas tenho muito medo. Nunca senti por nada nem ninguém qualquer coisa parecida com o que sinto por ela, e só pensar que pode não dar certo entre nós é o suficiente para me impedir de dizer qualquer palavra. Sinto que quanto mais esperamos e mais tempo temos para nos curarmos, melhores são as chances de conseguirmos nosso talvez um dia.

Fico esperando até finalmente ter certeza de que ela superou Costia. Fico esperando até saber que ela está pronta para se comprometer totalmente comigo. Fico esperando o momento em que não terei dúvidas de que não serei consumida pela culpa, por me permitir confiar meu coração a outra pessoa mais uma vez.

Não tenho ideia de quando chegarei a esse ponto, e dói saber que minha incapacidade de seguir em frente está impedindo Lexa de fazer o mesmo.

— Agora — conclui Octavia, empurrando-me para fora da cozinha. — Vá se arrumar.

***

Não acredito que me deixei ser convencida por ela. Confiro a maquiagem pela última vez e pego minha bolsa. Assim que ela me vê, balança a cabeça. Arfo e ergo as mãos.

— O que foi agora? — Suspiro. — Não gostou da minha roupa?

— Você está ótima, mas quero que você coloque aquele vestido azul.

— Queimei aquele vestido, lembra? 

— Queimou porra nenhuma — responde ela, me empurrando de volta para o quarto. — Você estava com ele quando vim aqui semana passada. Então pode trocar de roupa para podermos sair.

Eu me viro para ela.

— Sei que você adora aquele vestido e é por isso que usá-lo para sairmos juntas é meio estranho, Octavia.

Ela estreita os olhos.

— Escute, Clarke. Não quero ser grosseira nem nada, mas todo esse clima deprê dos últimos meses a fez engordar um pouco. Sua bunda fica muito grande nessa calça. O vestido azul disfarça um pouco isso, então, por favor, troque de roupa para não me deixar com vergonha de sair com você.

De repente sinto uma vontade enorme de dar um tapa nela, mas sei que Octavia tem um senso de humor peculiar. Também tenho noção de que talvez ela tenha um motivo completamente diferente para querer que eu use o vestido azul, e estou me esforçando para não ficar achando que tem alguma coisa a ver com Lexa, mas quase todas as situações me fazem pensar em Lexa. Isso não é novidade. Só que Octavia é uma garota que parece meter os pés pelas mãos o tempo todo. Então, fico me perguntando se ela está sendo sincera quando diz que engordei. Eu realmente tenho comido demais para preencher o vazio que Lexa deixou na minha vida. Observo minha barriga e dou um tapinha, olhando em seguida para Octavia.

— Você é uma babaca.

Ela concorda.

— Eu sei.

Seu sorriso inocente me faz perdoar na mesma hora a grosseria das suas palavras. Coloco o vestido azul, mas vou ser a maior empata foda para ela essa noite. Babaca.

***

— Uau. Isso é... diferente — digo, observando o local.

Não é como as boates que Octavia geralmente gosta de ir. É bem menor e nem tem pista de dança.

Há um palco vazio, mas não tem ninguém se apresentando. A jukebox está tocando música, e algumas mesas estão ocupadas com pessoas conversando. Octavia escolhe uma mesa no meio do salão.

— Você é tão pão-dura — digo. — Ainda nem me deu comida.

— Compro um hambúrguer quando estivermos voltando para casa — diz ela, rindo.

Octavia pega o celular e começa a escrever uma mensagem de texto. Fico olhando à minha volta por um tempo. O lugar é bem aconchegante. Também é um pouco estranho que Octavia tenha me trazido aqui. Mas acho que ela não tem segundas intenções, porque nem está me dando atenção.

Fica concentrada no telefone e não para de olhar para a porta. Não sei por que ela quis sair essa noite, muito menos por que escolheu este lugar.

— Você que é uma pentelha, na verdade — digo. — Pare de me ignorar.

Ela responde sem nem olhar para mim.

— Você não estava falando nada, então, tecnicamente, não ignorei ninguém.

Fico curiosa. Ela está agindo diferente e parece distraída.

— O que está acontecendo, Octavia?

Assim que pergunto, ela desvia os olhos do telefone e sorri para alguém atrás de mim, antes de se levantar.

— Você está atrasada — diz ela, quando eu olho para trás e encontro Raven se aproximando.

— Vá se ferrar, Octavia — diz ela sorrindo. Octavia a abraça, e as duas ficam alguns segundos constrangedores se beijando.

Estendo o braço e a cutuco quando acho que o casal precisa de uma pausa para respirar. Ela se afasta dela, dá uma piscadela e puxa a cadeira para a namorada se sentar.

— Preciso ir ao banheiro — diz ela para Raven. Depois aponta para mim. — Não saia daí.

Ela diz isso como se fosse uma ordem e fico ainda mais irritada, porque ela está sendo muito grosseira essa noite. Eu me viro para Raven assim que Octavia sai.

— Octavia me disse que você ia trabalhar o fim de semana inteiro — digo.

Ela dá de ombros.

— É, bem, ela deve ter falado isso como parte do plano elaborado que fez para esta noite. Ela me obrigou a vir para que você não fosse embora quando descobrisse. Ah, eu não deveria ter contado nada disso, então finja que não sabe.

Meu coração dispara.

— Por favor, me diga que está brincando.

Ela nega com a cabeça e ergue o braço para chamar o garçom.

— Bem que eu queria estar brincando, porque tive que trocar de turno para poder vir, então terei que dobrar amanhã.

Apoio a cabeça nas mãos, arrependida por ter deixado Octavia me convencer a vir. Quando estou prestes a pegar minha bolsa e ir embora, ela aparece no palco.

— Ai, meu Deus — gemo. — Que merda ela está fazendo?

Sinto meu estômago se revirar. Não faço ideia do que ela planejou, mas seja lá o que for, não pode ser bom.

Octavia bate no microfone e ajusta a altura.

— Gostaria de agradecer a todo mundo que veio essa noite. Não que estejam aqui para este evento em particular, pois é uma surpresa, mas senti necessidade de agradecer mesmo assim.

Ela ajusta o microfone outra vez, olha para a nossa mesa e acena.

— Gostaria de pedir desculpas a você, Clarke, porque me sinto muito mal por ter mentido. Você não engordou, e sua bunda estava linda naquela calça jeans, mas você realmente tinha que usar este vestido hoje. Aliás, você não é uma pentelha. Também menti sobre isso.

Várias pessoas na plateia começam a rir, mas só resmungo e escondo o rosto com as mãos, olhando para o palco por entre os dedos.

— Muito bem, vamos logo com isso. Temos algumas músicas novas para vocês hoje à noite. Infelizmente, não estamos com a banda completa porque — ela olha para o pequeno palco —, bem, acho que não ia caber todo mundo aqui. Então, gostaria de apresentar uma parte do Sounds of Cedar.

Meu coração acelera. Fecho os olhos, e as pessoas começam a aplaudir.

Por favor, que seja Lexa.

Por favor, que não seja ela.

Meu Deus, quando essa confusão vai acabar?

Consigo ouvir a agitação no palco, mas estou com muito medo para abrir os olhos. Quero tanto vê-la que chega a doer.

— Ei, Clarke — chama Octavia no microfone. Respiro fundo para me acalmar, abro os olhos e, hesitante, ergo a cabeça. — Você lembra quando falei que a gente precisa dos dias ruins para manter os bons em perspectiva?

Acho que concordo com a cabeça. Nem consigo mais sentir meu corpo.

— Bem, esse é um dos dias bons, um dos muito bons. — Ela ergue a mão e indica minha mesa.

— Será que alguém pode servir uma dose para aquela garota? Ou qualquer coisa que a faça se soltar um pouco.

Ela leva o microfone até o banco ao seu lado. Meus olhos estão fixos nas cadeiras vazias.

Alguém coloca uma dose em cima da minha mesa, então viro o copo, devolvendo-o à mesa bem há tempo de vê-las entrando no palco. Anya aparece primeiro, e Lexa vem logo atrás, carregando o violão.

Ai, meu Deus.

Ela está linda.

É a primeira vez que a vejo no palco. Sempre quis vê-la se apresentando desde o instante que ouvi seu violão na varanda, e aqui estou eu, prestes a assistir a minha fantasia se tornar realidade.

Ela está igual à última vez que a encontrei, só que... maravilhosa. Acho que ela já era maravilhosa na época. Só não me sentia bem em admitir isso quando eu sabia que ela não era minha.

Mas acho que não tem mais problema, porque, caramba, ela é linda. Lexa parece muito confiante e dá para perceber o motivo. Seus braços parecem ter sido criados com o único objetivo de carregar um violão. O instrumento se encaixa nela de forma tão natural, quase como se fosse uma extensão do próprio corpo.

Não há nenhuma sombra de culpa em seus olhos como sempre havia no passado. Ela está sorrindo, como se estivesse realmente empolgada com o que está prestes a acontecer. O sorriso enigmático ilumina seu rosto e todo o local. Pelo menos, é a impressão que eu tenho. Apesar de percorrer várias vezes a plateia com os olhos até chegar ao seu lugar, ela não me vê de imediato.

Ocupa o banco do meio, Anya se senta à esquerda, e Octavia, à direita. Lexa faz uma pergunta na Língua de Sinais para a amiga, que aponta para mim. Ela me encontra na plateia. Tapo a boca com as mãos e apoio os cotovelos na mesa. Ela sorri e assente, enquanto meu coração dispara. Não consigo sorrir, acenar ou mexer a cabeça. Estou nervosa demais para me mover.

Anya se inclina para a frente e fala ao microfone.

— Temos algumas músicas novas...

Sua voz é interrompida quando Lexa puxa o microfone para si e se aproxima.

— Clarke — diz ela. — Algumas dessas músicas compus com você, e outras para você.

Consigo perceber uma pequena mudança em como ela está falando. Nunca a ouvi dizer tantas palavras de uma vez. Também parece enunciá-las de forma mais clara do que nas poucas vezes que falou comigo antes, como se sua imagem tivesse ganhado mais foco. Fica óbvio que ela andou treinando, e saber disso faz meus olhos se encherem de lágrimas, mesmo antes de escutar as músicas.

— Se você ainda não está pronta para dizer, tudo bem — continua ela. — Vou aguardar o tempo que for necessário. Só espero que não se incomode com a interrupção dessa noite.

Ela se afasta e olha para o violão. Anya se aproxima do microfone e olha para mim.

— Ela não pode ouvir o que estou dizendo, então vou aproveitar para avisar que Lexa está exagerando. Ela não quer mais esperar. Precisa que você a aceite mais do que precisa de ar. Então, por favor, por tudo que há de mais sagrado, diga o que tem para dizer hoje à noite.

Sorrio enquanto enxugo as lágrimas.

Lexa toca os acordes iniciais de “Meu Problema”, e finalmente entendo por que Octavia me fez usar este vestido. Anya começa a cantar, e fico completamente imóvel enquanto ela usa a Língua de Sinais para traduzir cada palavra da música enquanto Lexa se concentra nas cordas do violão. É maravilhoso assistir as três juntas no palco, testemunhar a beleza que elas conseguem criar com algumas palavras e alguns violões.

***


LEXA


Quando a música acaba, olho para ela.

Clarke está chorando, mas suas lágrimas vêm acompanhadas de um sorriso, e era exatamente o que eu esperava encontrar quando erguesse os olhos do violão. Vê-la pela primeira vez desde que me despedi dela com um beijo causou um efeito muito maior em mim do que eu esperava. Estou me esforçando ao máximo para me lembrar do motivo de estar aqui, mas tudo que quero é largar o violão, correr até ela e beijá-la loucamente.

Em vez disso, mantenho os olhos fixos nos dela enquanto começo outra música que escrevemos juntas. Toco os primeiros acordes de “Talvez um dia”. Ela sorri e leva a mão ao peito, enquanto assiste a minha apresentação.

É em momentos como este que agradeço por não ouvir. Não ser distraída por nada permite que eu me concentre totalmente nela. Sinto a música vibrar em meu peito enquanto observo seus lábios acompanharem até o último verso.

Planejei tocar mais algumas das músicas que compomos juntas, mas vê-la me fez mudar de ideia.

Quero tocar as novas que escrevi para ela, porque realmente preciso ver sua reação ao ouvi-las.

Começo uma, sabendo que Octavia e Anya não terão o menor problema em acompanhar a mudança. Seus olhos brilham quando ela percebe que nunca ouviu essa música, e Clarke se inclina na direção do palco, concentrando toda sua atenção em nós três.

***


CLARKE


Há apenas 26 letras no nosso alfabeto. Seria de imaginar que existe um limite do que alguém pode fazer com essa quantidade de letras.

Entretanto, essas 26 letras podem provocar infinitos sentimento numa pessoa, e esta música é a prova disso. Nunca vou entender como algumas palavras juntas podem mudar alguém, mas esta música e estas palavras estão me fazendo mudar completamente. Sinto que meu talvez um dia acabou de chegar, neste exato momento.


FICAR COM VOCÊ

O vento sopra em meu cabelo

Noites assim, são o fim

Eu e você assim, tão longe

Nunca vi estrelas brilharem tanto

Elas cantam algo feito pra nós dois

Mas só eu posso ouvir

E se eu pedir que cantem só pra você

Tudo que eu sinto, tudo que vivi

Tudo que me resta é te fazer me ver

Quero ficar com você

Guardar memórias que eu não esqueci

Quero ficar com você

E nunca mais deixar você partir

Quero ficar

Quero ficar com você

O seu lugar está tão vazio

E sei que sozinha me deixo ir

A lugares em que tudo é frio

Traz de volta o seu calor

Devolve aquela estrela que me iluminou

Nunca mais vou te perder, amor

Volta logo, faz tudo brilhar

Como a estrela que eu não paro de olhar

Jura que não vai mais se apagar pra mim

Quero ficar com você

Guardar memórias que eu não esqueci

Quero ficar com você

E nunca mais deixar você partir

Quero ficar

Quero ficar com você



***


LEXA


Termino a música e não me dou tempo de olhar para Clarke antes de começar a tocar outra. Tenho medo de olhar para ela e esquecer toda a força de vontade que ainda me mantém no palco. Quero muito ir até ela, mas sei como é importante que escute a próxima música. Também não quero tomar a decisão final. Se ela não estiver pronta, vou respeitar sua escolha.

No entanto, se no final desta música ela ainda não estiver pronta para começar a vida que tenho certeza que poderíamos ter juntas, não sei se algum dia ela se sentirá pronta.

Mantenho os olhos fixos nos meus dedos enquanto dedilham o violão. Olho para Anya, e ela se aproxima do microfone, começando a cantar. Olho para Octavia, que faz alguns sinais.

Olho lentamente para a plateia no intuito de encontrá-la de novo.

Nós nos entreolhamos.

Eu não desvio o olhar.

***


CLARKE


— Uau — sussurra Raven.

Seus olhos estão fixos no palco assim como os meus. E como os de todo mundo ali. As três garotas formam um time e tanto, mas saber que Lexa escreveu as palavras que escuto especificamente para mim me deixa muito impressionada. Não consigo desviar os olhos. Mal me mexo ou respiro durante toda a música.


SÓ ESTÁ COMEÇANDO

O tempo passou

Tão rápido que acabou

Você acerta

E então percebe como errou

E em todo esse tempo eu

Pensei em ti

Sei que o que a gente viveu

Nos trouxe aqui

Vem viver, comigo

Estou te amando

Se permite, nossa vida

Só está começando

Você guardou

Seu coração e se fechou pro amor

Voltei só pra

Te resgatar e acabar com a dor

E em todo esse tempo eu

Pensei em ti

Sei que o que a gente viveu

Nos trouxe aqui

Estou te esperando

Abre os braços e me faz

Ficar até o fim

Deixa o que passou pra trás

Vem viver, comigo

Estou te amando

Vou viver, contigo

Só diga quando


***


LEXA


Não desviamos o olhar uma da outra. Durante toda a música, sua atenção está voltada para mim, e a minha, para ela. Quando a canção chega ao fim, não me mexo. Espero que sua mente e sua vida cheguem logo ao seu coração, e espero que isso aconteça rápido. Esta noite. Agora mesmo.

Ela enxuga as lágrimas e levanta as mãos. Ergue o indicador esquerdo e aproxima o direito desenhando um círculo ao seu redor até a ponta dos dedos se tocarem. 

Não me mexo.

Ela acabou de usar a Língua de Sinais.

Acabou de dizer “quando”.

Nunca esperei vê-la usando sinais. É algo que eu nunca pediria para ela fazer. Aprender a se comunicar comigo durante todo esse tempo que passamos separadas é a coisa mais impressionante que alguém já fez por mim.

Estou balançando a cabeça, sem conseguir processar que essa garota quer ficar comigo e que ela é perfeita, linda, bondosa e, merda, eu a amo tanto.

Clarke está sorrindo, mas eu continuo paralisada, em choque.

Ela ri da minha reação e repete o sinal várias vezes.

Quando, quando, quando.

Anya sacode meu ombro e olho para ela, que sorri.

"Vá logo!", sinaliza ela, indicando Clarke com a cabeça. "Vá pegar sua garota". Largo o violão no mesmo instante e saio do palco. Ela se levanta da mesa assim que me vê indo em sua direção. Está a poucos metros de distância, mas não consigo chegar rápido o bastante. Noto seu vestido e digo a mim mesma que preciso me lembrar de agradecer a Octavia. Tenho a impressão de que ela teve alguma coisa a ver com isso.

Fito seus olhos cheios d´água quando finalmente chego até ela. Clarke está sorrindo e, pela primeira vez desde que a conheci, nos entreolhamos sem qualquer culpa, preocupação, arrependimento ou vergonha.

Ela joga os braços em volta do meu pescoço, e a puxo para mim, enterrando o rosto no seu cabelo. Seguro sua cabeça apoiada no meu corpo e fecho os olhos. Continuamos abraçadas como se tivéssemos medo de nos afastar.

Sinto que ela está chorando, então me afasto apenas o suficiente para encontrar seus olhos. Ela ergue a cabeça, e nunca vi lágrimas mais lindas.

— Você usou a Língua de Sinais — digo em voz alta.

Ela sorri.

— Você falou. Bastante.

— Não sou muito boa nisso — admito.

Sei que minhas palavras são difíceis de entender e ainda fico constrangida quando falo, mas adoro ver o brilho que surge em seus olhos assim que ela ouve minha voz. Isso me dá vontade de enunciar cada palavra do mundo aqui e agora.

— Também não sou boa — responde ela, se afastando e erguendo as mãos para usar os sinais. — Octavia tem me ajudado. Só conheço cerca de duzentas palavras, mas estou aprendendo.

Já se passaram vários meses desde a última vez que a vi, e embora eu estivesse tentando acreditar que ela ainda queria ficar comigo, tinha minhas dúvidas. Eu estava começando a questionar nossa decisão de esperar antes de iniciar nosso relacionamento. Mas nunca imaginei que ela pudesse usar esses meses para aprender a se comunicar comigo de uma forma que nem meus pais se importaram em aprender.

— Acabei de me apaixonar completamente por você — declaro para ela. Olho para Raven que continua sentada à mesa. — Você viu isso, Raven? Acabou de me ver me apaixonar por ela?

Raven revira os olhos, e sinto Clarke rindo. Olho para ela.

— É sério. Tipo, há vinte segundos. Eu me apaixonei de vez por você.

Ela sorri e responde bem devagar para que eu consiga ler seus lábios.

— Eu me apaixonei primeiro.

Quando a última palavra passa por seus lábios, eu a devoro com a boca. Desde o segundo que fui embora, afastando-me desses lábios, não pensei em mais nada, a não ser no momento em que sentiria o gosto deles de novo. Ela me dá um abraço apertado e me beija com intensidade, depois com delicadeza, em seguida mais rápido e então mais devagar, em todos os ritmos possíveis. Eu a beijo de todas as formas que posso, porque planejo amá-la de todas as maneiras que eu puder. Este beijo compensa todas as vezes em que nos recusamos a ceder aos nossos sentimentos, todos os sacrifícios que fizemos. Este beijo compensa as lágrimas, o sofrimento, a dor, as lutas e a espera.

Ela vale tudo isso.

Ela vale muito mais.


Notas Finais


Beijos :*


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