História Merman - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Teen Wolf
Personagens Allison Argent, Claudia Stilinski, Derek Hale, Erica Reyes, Isaac Lahey, Mieczyslaw “Stiles” Stilinski
Tags Allisaac, Sterek, Teen Wolf
Visualizações 78
Palavras 3.558
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Só que que tô amando esse Derek universitário?

Capítulo 6 - Promoted


— Quando você vem para casa?

— Oi, mãe — eu disse.

— Seu pai disse que você não está dormindo — a voz dela estava tensa.

Eu era capaz de imaginá-la com seu inconfundível terninho preto e o laptop aberto na mesa da cozinha.

— Eu estou dormindo.

— Seu pai disse que não.

— Quando? — era inútil ficar irritado, mas eu não estava com disposição para sermão. — Quando ele disse isso?

— Hoje de manhã.

— São 7h30. Papai se virou na cama e disse “Stiles não está dormindo” antes de você pular da cama e cair na esteira?

Mamãe fez uma pausa.

— Stiles, eu não vou pedir desculpas por me preocupar.

— Ótimo — peguei mais leve. — Eu peço.

— Obrigada. Agora, como você está de verdade?

— Eu estou bem, de verdade.

— Você está fazendo o que se propôs a fazer aí? Vai começar uma exposição maravilhosa no Museu de Belas Artes neste fim de semana e eu consegui ingressos para a recepção VIP. Será uma festa no jardim. Eu vi um terno maravilhoso na Saks que ficaria deslumbrante em você.

— Acho que não vou voltar a tempo. Mas obrigado por se lembrar de mim.

— Querido, sei que isso é difícil e não o culpo por querer se esconder. Você acha que não preciso dizer a mim mesma que tenho de sair da cama todos os dias?

Na verdade, eu sabia disso, mas sabia que não deveria dizê-lo em voz alta.

— Mas as pessoas precisam de outras pessoas, principalmente em momentos como este. Foi por isso que voltei a trabalhar.

— Tem pessoas aqui comigo — eu disse.

— Tem? — sua voz se levantou. — Quem?

Olhei para a porta da cozinha em direção ao Betty. Talvez fosse melhor deixar aquilo quieto por enquanto.

— Derek. Ele está por aqui.

— Stiles — ela disse, parecendo mais preocupada agora, como se eu tivesse dito que Derek e eu tínhamos acabado de nos casar em Vegas. — Não sei se isso é uma boa ideia.

— Por que não? Você adora ele. Ele era o único em quem vocês sempre confiavam toda vez que você, o papai, o senhor e a senhora Hale saíam.

— Sim, eu sei, mas agora as coisas são diferentes.

— As coisas sim, mas o Derek não — fiz uma pausa. — Ele está cuidando de mim. Achei que isso deixaria você feliz.

— O que me deixaria feliz seria você voltar para casa. A festa será sábado à noite. Por que você não relaxa hoje, pensa no assunto e me liga de manhã?

Eu não mudaria de opinião, mas disse a ela que parecia uma boa ideia e desliguei. Mamãe tinha razão em uma coisa: estar perto de pessoas ajudava. Isso se confirmou quando voltei para a casa do lago vazia na noite anterior. Eu havia deixado as luzes acessas a televisão e o rádio ligados naquela manhã, mas depois de passar o dia todo com Derek, eles só serviam como lembretes patentes de que eu estava sozinho mais uma vez. Pensei em convidar Derek para ver um filme — cheguei a pegar o telefone e discar o número —, mas desisti da ideia. Já tínhamos passado tanto tempo juntos e o dia havia sido cansativo; ele provavelmente precisava de um tempo. O que explica por que eu já estava no Betty Chowder House às 7:30 da manhã seguinte.

— De volta tão cedo?

— Bom dia — eu disse, saindo do carro. Louis estava em pé fumando um cigarro na escada que levava à porta da cozinha. Theo estava ao seu lado tomando café.

— Excelência — Louis disse, dando uma longa tragada no cigarro e deixando a fumaça sair lentamente —, você não vai encontrar ninguém que goste mais de diversão do que eu, mas o verão mal começou. Talvez você deva ir com mais calma.

— Talvez deva considerar a possibilidade de um acompanhante — Theo disse com um sorriso. — Costumo trabalhar durante o dia, por isso ficaria feliz em ajudá-lo a se manter longe de problemas durante a noite.

— Obrigado pela oferta — eu disse, começando a subir os degraus. — Mas eu estou bem. Meu café da manhã no Betty não só teve um efeito curativo, mas foi preventivo. Talvez eu nunca fique doente de novo.

Segurando o cigarro entre os lábios, Louis abriu a porta para mim.

— Paige está mexendo com a prataria. Talvez ela aceite sua ajuda.

— Eu saio às sete! — Theo disse depois que passei.

Corri para dentro e logo encontrei Paige. Ela estava debruçada sobre uma grande caixa vermelha de plástico nos fundos do salão principal, atirando facas e garfos em uma bandeja com divisórias.

— Duas vezes em três dias?

Eu me virei em direção à voz logo atrás de mim e apertei a ponta dos dedos contra as têmporas. Talvez eu tenha me precipitado quando disse que o café da manhã de Louis tivera poderes preventivos, porque aquela rápida enxaqueca que tive dois dias antes, quando estava me dirigindo à cozinha do Betty pela primeira vez, estava de volta.

— Há outros vinte restaurantes na cidade.

Meus olhos estavam apertados por causa da dor, mas o olhar zangado da garçonete diante de mim era bastante visível.

— Deixe-me adivinhar... Não tem reserva?

— Não — reconheci que era a garçonete que tinha falado comigo perto da lixeira dois dias atrás. — Mas...

— Stiles!

Sorri quando um punhado de utensílios caiu fazendo barulho na caixa.

— Paige, você está vendo escorregadores? Gangorras? Uma caixa de areia?

— Calma Z — disse Paige, aparecendo atrás de mim. — Ele não está aqui para brincar. Ele está aqui para trabalhar.

“Z”. Abreviação de Zara, garçonete extraordinária, a que havia gritado com a Paige do pé da escada que leva à varanda dois dias atrás. Eu podia ver a semelhança, ambas tinham o mesmo cabelo escuro e olhos azuis prateados — embora os traços de Paige fossem mais suaves, mais singelos, mas considerando a personalidade das duas, ainda era difícil acreditar que fossem parentes.

— Só estou aqui para ajudar — expliquei, não querendo causar problemas a Paige. — Temporariamente.

Zara apertou os olhos.

— O Betty Chowder House é um estabelecimento de cinquenta anos. Pessoas de toda a Nova Inglaterra vêm para cá por causa da nossa famosa sopa de lagosta. Temos excelente reputação e não vamos correr o risco de manchá-la só porque a minha brilhante irmãzinha achou que um aliado no trabalho poderia deixar a seleção da prataria mais interessante — ela puxou um bloco e uma caneta do bolso do avental. — Você já trabalhou em um restaurante?

Dei uma olhada para a Paige.

— Não exatamente, mas...

— Z, Louis disse que tudo bem. Eu acho que você estava ocupada demais cortejando seus clientes e não percebeu, mas ele deixou o Stiles ajudar na cozinha outro dia e, ele não quebrou nada. Isso já deve servir como algum tipo de credencial.

Esperei, me sentindo envergonhado, desajeitado e também impressionado. Era evidente que Zara estava acostumada a estar no controle de tudo.

— Vocês vão trabalhar em equipe — Zara finalmente disse. — Paige vai estar à frente e, Stiles, você vai ser as mãos extras. Assim que um prato, uma tigela, um copo, um vidro de ketchup, um saco de açúcar ou qualquer outra coisa escorregar por entre os dedos dela e for em direção ao chão, pegue.

— Fico longe da prataria? — Paige perguntou.

Zara olhou para ela.

— Você deixa uma única coisinha bater no chão e seu amiguinho está fora e você volta para a Spoon Central.

Paige deu um gritinho assim que Zara saiu, então pegou a minha mão e me fez passar com ela pela porta da cozinha.

— Paige — eu disse quando chegamos a um armário nos fundos da cozinha —, não me leve a mal, mas se você é uma ameaça física assim para o Betty, como é que ainda está aqui? Quer dizer, Zara meio que parece implicar com você... E se o Betty é tão movimentado e a reputação tão importante assim, então você não acha que eles estão um pouco apreensivos por manter alguém que, na opinião deles, precisa de...

— Uma babá? — sorrindo, ela pegou um avental em uma prateleira e o ergueu para minha aprovação. — A Z é a única que acha que preciso ser monitorada como uma criancinha em uma sala cheia de tomadas. E, já que ela é minha irmã mais velha com um jeito esquisito de controlar, eu a perdôo.

Tirei o avental das mãos dela.

— Mas você quebra um monte de coisas, não quebra?

— Com certeza! — ela me entregou um bloco e uma caneta. — E seria melhor se minhas mãos não fossem tão escorregadias? Talvez... Pouparíamos algum dinheiro, isso é certo, mas também haveria um enorme buraco entre os funcionários em se tratando de diversão.

Amarrei o avental em volta da cintura e peguei o bloco e a caneta.

— Mas o que importa para a maioria das pessoas é o fato de eu estar aqui. E, quando digo “a maioria”, me refiro a todos, menos Z — ela se inclinou em minha direção. — Não sei se você percebeu, mas a minha irmã não é a pessoa mais fácil de lidar do mundo.

— Sério? — brinquei.

Ela puxou a parte de baixo do meu avental até ficar uniforme.

— O pessoal não gosta muito da Zara, mas os clientes, principalmente os homens, a adoram. Graças à genética e a certo charme, ela consegue persuadir o cliente a comprar bebidas mais caras em vez de refrigerante, convencer os pais a pedirem algo além de queijo quente para os filhos enjoados e levar o marido a incentivar a esposa preocupada com o peso a aceitar um sundae ou brownie. Isso tudo sem fazê-los acreditar que não pensaram em nada disso — seus olhos se encontraram com os meus. Se Zara não fizesse entrar pelo menos mil dólares em gorjetas por noite, estaríamos fechados.

— E vocês nunca estão fechados.

— E a gente divide as gorjetas.

Assenti com a cabeça.

— Então o pessoal tem de lidar com ela.

— Por meu intermédio. Eu amenizo as coisas, filtro, traduzo, não importa. Se a Z correr para cá gritando que um prato está demorando, eu venho correndo atrás para acalmá-la — ela fez uma pausa com a mão na porta vai e vem. — Sou ótima no meu trabalho, pelo menos nessa parte com a Z, mas mesmo que não fosse, eles ainda assim teriam de aguentar.

— Por quê?

Ela deu uma risadinha.

— Nossa família é dona do restaurante. Betty é minha avó.

Antes que eu pudesse fazer mais perguntas, ela passou pela porta da cozinha.

Felizmente a manhã passou rápido. Segui as ordens de Paige o tempo todo, observando como ela se movia de maneira eficiente, apesar das mãos escorregadias. Houve apenas dois quase acidentes: uma xícara de café e um prato de pão, mas eu disparei na direção dos dois e evitei que quebrassem.

— Como já é meio-dia? — perguntei quatro horas depois, enquanto dobrávamos guardanapos atrás do balcão do bar.

— Você poderia, por favor, ir cuidar de seu velho amigo?

Zara veio voando para o nosso lado. Minha cabeça latejou no mesmo instante e, fiquei imaginando se eu poderia ficar tão ansioso perto de uma pessoa a ponto de meus nervos esgotados causarem uma reação física tão imediata e dolorosa assim.

— Hum, Z, estou meio enrolada — Paige disse.

— Hum, P, ninguém está mais enrolada do que eu. E eu não tenho tempo nem paciência para as brincadeiras idiotas daquele cara.

— Você nunca tem paciência. Você só precisa saber como falar com Oliver.

Dava para ver que a Zara não sabia o que mais a incomodava: um cliente cuja simpatia ela não conseguia conquistar ou o fato de haver algo que Paige sabia fazer melhor que ela.

Zara franziu a testa.

— Vou tentar mais uma vez. Se ele não morder a isca, eu desisto. Para sempre.

Paige abriu o guardanapo que estava dobrando sobre o balcão, apoiou os cotovelos nele e sorriu.

— Pronto para uma pausa?

Eu me encostei ao seu lado no balcão.

— Quem é Oliver?

— O arqui-inimigo de Zara — ela se virou para mim. — Desculpe. Pareci feliz demais com isso, não pareci?

— Radiante, na verdade.

— Não dá para evitar — ela disse, observando Zara ziguezaguear pela sala em direção a um homem mais velho, de cabelos mais brancos e mais crespos que os do papai. Ela olhou para o relógio. — Meio-dia e dois. Bem na hora.

Zara parou a poucos metros da mesa. Esticou o rabo de cavalo e ajeitou o avental. Seus ombros subiram e desceram quando respirou fundo.

— Oliver é o único cliente que ela não consegue entender — Paige disse. — Ele chega exatamente no mesmo horário todos os dias e sempre se senta na parte que ela atende. Ela já fez de tudo, ofereceu pratos por conta da casa, descontos, uma mesa maior, apesar de espaço significar dinheiro e ele estar sempre sozinho. Sério, ela já usou todas as cartas que tem na manga.

— Por que ele não se senta na parte de outra pessoa?

Ela balançou a cabeça negativamente.

— Não faço ideia. A gente oferece, mas ele não aceita. Mas a melhor parte é a reação dele. Veja só o que ele faz quando ela tenta falar com ele. É clássico!

Estávamos bem distante e o lugar estava muito barulhento, mas não houve dúvida quanto à reação de Oliver, que foi ignorá-la completamente. Ela falou e esperou. Falou de novo e esperou outra vez. Na terceira tentativa, ela parecia indicar algumas sugestões de café da manhã no cardápio em cima da mesa e, quando isso não inspirou uma conversa, ela olhou com cara feia para Paige por cima do ombro.

— É como se ela nem estivesse lá — Paige suspirou feliz.

Era verdade. Oliver não apenas não disse nada, mas também ficou olhando pela janela como se Zara fosse uma das plantas altas nos vasos espalhados pelo salão. Peguei outro guardanapo e comecei a dobrá-lo enquanto Zara caminhava em nossa direção cuspindo fogo.

— Ah, não! — Paige disse.

Zara parou no meio do salão. Ela se inclinou para ouvir um de seus clientes, cuja cara fechada e o prato cheio indicavam um problema.

— Isso não vai dar certo. Ela já está uma pilha! — Paige se virou em minha direção. — Parabéns, Stiles! Você vai ser promovido.

Minhas mãos meio dobradas gelaram. Eu não queria ser promovido.

Eu nem queria trabalhar ali. Eu só não queria ser eu mesmo por algumas horas.

— Preciso que pegue o pedido de Oliver. Ele vai querer duas fatias de torrada de trigo integral com geléia de uva, um ovo cozido, meia toranja e uma xícara de chá preto. Moleza. Basta sorrir e deixar que ele mesmo diga.

— Louis! — Zara gritou. — Hoje você acordou, sorriu em frente ao espelho e pensou como era bom trabalhar no McDonald's?

— Paige — eu disse enquanto ela andava de costas em direção à porta da cozinha, que ainda balançava depois de Zara disparar por ela. — Eu não acho que...

— Tenho que ir! — ela disse indo atrás de Z enquanto os gritos na cozinha ficavam cada vez mais altos.

Meus olhos ficaram pregados na porta vai e vem até que ela desacelerou e parou. Ciente de que não tinha escolha, principalmente porque gostava de Paige e não queria desapontá-la, me virei e atravessei o salão. Em pouco tempo cheguei onde Zara havia estado momentos antes, segurando um bloco de notas e uma caneta.

— Oliver? — perguntei tão baixinho que ele provavelmente não teria ouvido nem se eu tivesse me inclinado e perguntado a dois centímetros de sua orelha. E, mesmo assim, eu ainda teria minhas dúvidas, já que pude ver a ponta de um pequeno aparelho auditivo marrom em meio à penugem branca.

Seus olhos levaram cerca de dez segundos para me encontrar. Primeiro aterrissaram no logo da sereia nadando em meu avental e ficaram ali, sem expressão, antes de subirem lentamente.

Ele não parecia feliz, mas pelo menos tinha me notado. Animado com o progresso, dei um sorriso mais largo.

— Oi — tentei novamente, orgulhoso quando pude realmente me ouvir. Ele espremeu os olhos e parecia pensar em como responder.

Olhei mais uma vez em direção à porta da cozinha. Meu coração disparou quando ela se abriu, mas se acalmou quando outra garçonete que parecia irritada apareceu. Virei-me outra vez para Oliver no momento em que ele terminava de brincar com o aparelho auditivo. Eu estava para me apresentar como amiga de Paige, mas parei quando seus olhos passaram de fendas suspeitas para discos atordoados.

— Torrada de trigo integral, certo? Com geléia de uva? E um ovo cozido e uma xícara de chá? — fui em frente, determinado a sair dali. — O que vai ser mesmo? Camomila? Limão? E se eu trouxer todos os sabores que temos para que você possa escolher?

Ele olhou para mim e eu quis que seus olhos piscassem. Como isso não aconteceu, fitei seu olhar e, lentamente, estendi a mão para pegar o cardápio. Meus dedos pairavam um centímetro acima dos lanches especiais do Betty quando ele bateu a mão na mesa.

Dei um pulo para trás. O burburinho no salão diminuiu, e quem comia perto de nós ficou olhando com curiosidade. Seus olhos estavam maiores do que dois pires quando ele levantou o cardápio da mesa. Ele o segurou em minha direção e apontou para as letrinhas no fim da página. Hesitei antes de me inclinar para ler o que ele queria, tentando não notar que seu indicador estava cinza, descamando na junta e tremendo.

— Chá preto?

Seu dedo tremeu intensamente e bateu no cardápio uma vez.

— Chá preto — repeti, me afastando. — Ótimo. Vou levar o pedido agora mesmo.

Virei-me e corri para a porta da cozinha.

— Parece que você não entende o que os seus erros podem fazer com a gente.

Pus a mão na cabeça enquanto passava pela porta vai e vem.

— A mulher é alérgica a queijo! — Zara gritou. — Desmaia, cai no chão, me faz chamar uma ambulância às pressas e morre de alergia. E o que você faz? Enche a omelete dela de queijo prato e cheddar.

— Essa é a omelete especial de hoje — Louis gritou. — Se a mulher não queria queijo, ela que não pedisse. Ou talvez a garçonete não tenha explicado direito a ela o que tinha na omelete especial de hoje.

— Tudo bem, gente — Paige gritou mais alto que todos eles, batendo uma colher de pau em uma panela vazia. — Não temos tempo nem pessoal para continuar essa estimulante discussão. A mulher viu o queijo antes de comer. Não houve nenhum dano, nenhum vacilo. Louis vai preparar a omelete que ela escolher e Zara vai pedir desculpas e oferecer o prato por conta da casa.

Corri para trás do balcão enquanto Zara dava ordens na cozinha, com seu escuro rabo de cavalo balançando de um lado para o outro.

— Peguei o pedido de Oliver — eu disse quando Paige se virou para mim. — Onde eu...

— Você pegou o pedido do Oliver?

Fiz uma pausa.

— Peguei!

— Você é uma estrela — ela pegou uma bandeja da mesa atrás dela. — Outros já tentaram, mas ninguém conseguiu, a não ser eu. E agora você.

Olhei para a bandeja quando ela a pôs no balcão diante de mim. Ali estava o pedido de Oliver, até com a xícara de chá saindo fumaça.

— Eu não tinha certeza se ele falaria com você, o que não diz nada sobre você, mas muita coisa sobre ele, por isso preparei o pedido assim que voltei para cá.

— Ótimo! — eu disse. — Mas tem certeza de que não quer levar?

— Tenho de ficar por aqui até a Z voltar. Às vezes, o que vem depois faz mais estrago do que a coisa em si — ela saiu à procura de Louis, que estava batendo panelas em cima do fogão. — Ah, você pode perguntar como é que andam os textos dele ou elogiar seus desenhos.

Eu estava prestes a perguntar o que ela queria dizer com aquilo quando Zara irrompeu pela porta novamente.

— Tudo bem, vamos tentar isso aqui. É muito complicado — Zara gritou do outro lado da cozinha. — Ela quer uma omelete com cogumelos e espinafre. Eu não sou chef, mas tenho certeza de que significam ovos, cogumelos e espinafre sem queijo prato, cheddar ou suíço.

Enquanto Louis batia ainda mais alto nas panelas, levantei a bandeja do balcão e fui em direção à porta. Com os olhos voltados para a água que espirrava da xícara, consegui de alguma maneira atravessar o salão sem esbarrar em ninguém e sem deixar cair nada. Fiquei tão aliviado quando vi que estava quase completando a tarefa que só notei o caderno e os lápis de carvão espalhados pela mesa de Oliver depois que pus ali o prato de torradas.

— Como anda a escrita? — olhei para o caderno aberto. As páginas estavam cheias de letras pequenas e confusas, mas consegui decifrar as palavras maiores no alto. — A história completa de Winter Harbor, volume cinco? Eu não sabia que havia tanta coisa assim para saber sobre uma cidade tão pequena.

Oliver levou bruscamente o caderno contra o peito, revelando um bloco de desenho por baixo. Seu dedo indicador cinza e trêmulo batia no bloco e meu braço sacudiu inesperadamente, fazendo algumas gotas de água quente caírem pela borda da xícara de chá. Quando meus olhos se voltaram para o desenho, ficaram tão grandes quanto os de Oliver, porque a figura claramente representava um lugar muito específico, impossível de imaginar, a menos que você tivesse estado lá... Os penhascos de Chione.


Notas Finais


Dêem uma passadinha no meu perfil amores, tem mais sterek por lá !!
😘


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