História Merman - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Teen Wolf
Personagens Allison Argent, Claudia Stilinski, Derek Hale, Erica Reyes, Isaac Lahey, Mieczyslaw “Stiles” Stilinski
Tags Allisaac, Sterek, Teen Wolf
Visualizações 64
Palavras 3.535
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Helloooooo

Capítulo 7 - Couple


— Não entendo — eu disse a Derek na praia no dia seguinte. — Quer dizer, não consigo entender o fato de alguém ir tão fundo na água a ponto de seus pés não poderem tocar o chão sem a cabeça afundar, mas o que eu realmente não entendo é entrar por livre e espontânea vontade em uma água que pode arrastar e puxar a gente para baixo assim que bate nos tornozelos.

— Isso significa que você não vai querer ir à aula de surf que marquei para você hoje? — Derek pareceu desapontado.

Olhei para ele.

— Você marcou uma aula de surfe para mim? — ele não sabia tudo sobre o acidente de dois anos atrás, mas sabia o bastante para não me inscrever em algo para repetir o feito.

Ele sorriu.

— Sim. E depois vamos saltar de pára-quedas e bungee-jump. E, se der tempo, podemos tentar atravessar o fogo.

— Que bom que estou usando meus tênis à prova de fogo.

Ele deu um sorrisinho e começou a andar em direção a um aglomerado de carros estacionados ao longo da praia.

Fui atrás dele, imaginando mais uma vez como eu estava feliz por ter ouvido sua batida na porta dos fundos, duas horas antes. O Subaru não estava na garagem quando voltei do Betty no começo da noite do dia anterior e só apareceu quando já era quase meia-noite. Assim que vi o carro, consegui relaxar o suficiente para me deitar no sofá e tentar dormir. Meus olhos se abriram às cinco horas e, por volta das seis, tomei banho e abaixei o volume da TV e do rádio, para poder ouvir Derek, caso ele batesse à porta. Ele apareceu às oito, trazendo mais vitamina e sanduíches de ovo. Por volta das 8:30, estávamos no Subaru indo para Beacon Beach, o lugar preferido dos amigos de Isaac para surfar. E agora descobriríamos se os amigos sabiam alguma coisa que nós não sabíamos.

— Maior confusão! — um rapaz vestindo roupa de mergulho estava dizendo quando me aproximei do meio círculo de jipes e picapes velhos. — Ele sumiu. O Zack passou para pegá-lo para o churrasco que estávamos fazendo, mas o cara não estava lá.

— E não aconteceu nada desde então? — Derek perguntou. — Nenhuma ligação? Nenhum e-mail?

O rapaz — seu nome era Mark, lembrei-me dele de uma foto de Isaac com os amigos que Alisson havia tirado no verão passado — fez que não com a cabeça.

— Nada. Nem uma única palavra. A gente achou que fosse demais para ele.

— Demais? — Derek perguntou.

Notando a minha presença, Mark fez um sinal com a cabeça em minha direção.

— Esse gatinho é seu namorado?

— Na verdade... — comecei, sentindo as bochechas queimarem.

— Então você está tipo, apaixonado — ele continuou antes que eu fosse capaz de esclarecer nosso relacionamento. — Você abre os olhos de manhã e a primeira coisa que pensa é no garoto. Quer saber como ele está, o que está fazendo, quando vai vê-lo de novo. Fica pensando nisso o dia todo. Você fala disso com quem estiver a fim de ouvir, incluindo seus melhores amigos que, obviamente, respeitam você, mas depois de um tempo, por causa do tipo de preocupação que só os amigos de verdade têm, questionam seriamente sua sanidade. E você faz todo tipo de plano, planos legais, tipo faculdade, quando mal entra na cabeça do restante da galera o fato de que só temos dois anos para ter uma ideia do que fazer.

— Pareço obcecado — Derek disse, estendendo a mão para puxar de leve meu moletom.

— Você não faz ideia — Mark se curvou e pegou a prancha na areia. — Você vive e respira esse garoto. Fala dele o tempo todo, sai cada vez menos com os amigos, está cego para as outras pessoas por mais gostosas e a fim que elas estejam e, algumas são muito gostosas e estão mesmo a fim de você e, no final, você amolece e diz que na verdade ama aquele garoto.

Derek olhou para baixo, de repente interessado nas pedras de várias cores a seus pés.

— Não é só isso. Você diz aos amigos que ama o garoto. Que, como você sabe, é muita areia para o seu caminhãozinho.

— Estou obcecado e bobo — Derek concordou.

— Não pegue tão pesado consigo mesmo — Mark disse, dando de ombros. — Seus amigos não pegam. A galera pode pensar que você está pouco na área, mas sabe que você não estaria assim por causa de qualquer garoto. É só porque é ele. Ele é diferente.

Senti meu rosto corar e, em silêncio, lembrei que Derek e eu não éramos, de fato, o casal em questão.

— Seja como for, o garoto é para você. Comida, água, ar, sono... São detalhes. Tudo sem importância — Mark suspirou e olhou em direção à água. — E daí o garoto morre. Acaba. Vai embora. É levado como um peixe.

Senti meus joelhos um pouco fracos. É claro que era para esse caminho que a bela história estava se dirigindo, mas como aconteceu com Isaac e Alisson, a trágica reviravolta ainda parecia vir do nada.

— E depois? — perguntei, principalmente porque Derek estava me observando com atenção e eu queria que ele soubesse que eu estava bem.

Mark virou-se para nós.

— E depois você foge, porque a única coisa pior do que o garoto ter ido embora é você ainda estar aqui.

Derek fez uma pausa, aparentemente tentando entender a perspectiva de alguém que tinha passado muito mais tempo com seu irmão no último ano do que ele próprio.

— Mas por que não ficar perto dos amigos? E da família? E de todo mundo que se preocupa comigo? Por que simplesmente desaparecer sem dizer para onde estou indo?

— Se ele se fosse — ele disse, fazendo um sinal com a cabeça em minha direção novamente —, você ia mesmo querer todos aqueles olhares voltados para você? As perguntas? As boas, porém inúteis, tentativas da galera de mostrar compaixão? Principalmente das pessoas que não sabiam mais como você era sem ele?

Tentei processar isso tudo. Isaac amava Alisson. Não gostava dela simplesmente. Não gostava só de ter uma parceira leal na cama. Alisson sentia o mesmo? E se ele era tão importante para ela, se eram tão importantes um para o outro, por que ela fez o possível para convencer a todos que o relacionamento deles não passava de uma aventura casual de verão? Ela até saiu com vários garotos do cursinho de Hawthorne durante o ano letivo. Se ela sentia algo tão forte por Isaac, por que perder tempo com outra pessoa?

— Não, acho que não — Derek finalmente respondeu, me puxando de volta para a conversa.

— Cara, o que você está esperando?

Três rapazes vestindo roupa de mergulho, aparentemente empolgados e exaustos ao mesmo tempo, vieram em nossa direção arrastando a prancha na areia.

— Se você não cair nessa logo, vai ser tarde demais — um dos surfistas advertiu Mark.

Derek olhou para a água, o meteorologista interno nele deu o alerta.

— Ei — disse o surfista, notando Derek e dando tapinhas no ombro dele—, jogando conversa fora sobre a garota do Isaac, cara? Ele vai voltar quando o nevoeiro aparecer.

— Tá irado lá — continuou outro surfista. — As ondas estão com o dobro do tamanho de vinte minutos atrás e continuam vindo mais rápidas, mais fortes e mais altas.

— Isso é normal? — perguntei.

— Nem sonhando — disse Mark.

— Estão grandes até para ondas de inverno, quando a colisão com a costa realmente agita as coisas — Derek olhou para a água com cautela.

— Bom — Mark disse, prendendo o leash da prancha ao tornozelo —, a gente tira o chapéu para o aquecimento global. Ruim para a humanidade, mas ótimo para a galera de Maine.

— Só mais uma coisa — disse Derek assim que Mark foi em direção à água. — Você sabia que o Isaac saiu da marinha no ano passado e estava trabalhando no Lighthouse?

Mark parou de repente.

— O quê?

— A gente conversou com Monty alguns dias atrás. Ele disse que Isaac deixou de aparecer sem avisar no verão passado. Ele descobriu onde meu irmão estava por meio de um dos patrocinadores do Lighthouse.

Mark trocou olhares com os outros surfistas, que estavam caídos na areia para se recuperar.

— Vocês não sabiam? — Derek insistiu, uma vez que não disseram nada.

— Não — Mark disse, continuando em direção à água. — E estou surpreso com a notícia, levando em conta como Isaac deu duro para manter o Lighthouse longe daqui.

— Ele foi a todas as reuniões do conselho na cidade por um ano — um dos surfistas explicou. — Ele panfletou, conversou com os jornais. Fez até um abaixo-assinado e saiu de porta em porta, recolhendo centenas de assinaturas. Ele era contra a chegada do Lighthouse. Achava que o empreendimento acabaria com a cidade e quebraria o negócio de gente como o Monty. Até se encontrou, sozinho, com os caras do dinheiro. Ele os encostou na parede em uma das reuniões e só os deixou sair quando concordaram com um almoço.

Era como se Derek tivesse ouvido que o céu estava verde e que a chuva, na verdade, saía do chão. Entendi o sentimento. Todo mundo sabia que Isaac era preguiçoso; esse era o principal motivo pelo qual minha mãe não achava que ele era bom o suficiente para Alisson. Era difícil imaginá-lo não só se preocupando tanto assim com a cidade, mas também fazendo todo esse esforço para preservá-la.

— Eles almoçaram? — eu perguntei.

— Almoçaram. No Betty, por insistência do Isaac, o que, na verdade, acabou sendo uma péssima ideia. Ele queria que os caras sentissem o verdadeiro sabor de Winter Harbor, para que percebessem o que já existia ali e deixassem a cidade em paz, mas isso só fez com que desejassem o empreendimento ainda mais.

Tentei imaginar Isaac e um par de ternos sentados em uma mesa no Betty. Fiquei imaginando se foi Zara que os atendeu, se o jeito encantador dela com clientes do sexo masculino tinha levado os homens de terno a ultrapassar os limites.

— Olhem — outro surfista disse, fazendo força para ficar em pé. Olhamos para a água no momento em que Mark ficou bem agachado na prancha. Ele tentou se levantar duas vezes, mas colocou as mãos para trás perto dos pés quando a onda quebrou e se levantou, fazendo-o perder o equilíbrio. Ele tentou mais uma vez, balançando de um lado para o outro enquanto suas pernas se endireitavam. A onda veio ainda mais alta, com a crista chegando na frente. Olhei para Derek que, ao que parecia, estava registrando mentalmente a altura e o comportamento estranho da onda.

Os rapazes vibraram quando Mark surfou por três segundos antes de mergulhar na água. Fiquei sem respirar até a cabeça dele surgir na superfície. Quando ele sorriu em nossa direção e deu um soco no ar com a mão fechada, eu finalmente respirei.

— Obrigado pelas informações, galera — Derek disse enquanto Mark corria em nossa direção. — Foi bom ver vocês.

— Se cuida, cara — Mark disse, apertando a mão de Derek. — Se ficarmos sabendo de alguma coisa, com certeza entraremos em contato.

— Obrigado! E é melhor pararem logo. Pelo visto, vocês têm cerca de quinze minutos antes de tudo isso aqui ficar debaixo d'água.

Eles olharam para as coisas espalhadas pela areia, evidentemente pensando, como eu, como isso era possível. A beira da praia estava há pelo menos quinze metros de distância.

— Você se incomoda se eu tirar algumas medidas? — Derek perguntou depois de andarmos em silêncio até o carro. — Não vai demorar muito.

— Tudo bem. Precisa de ajuda? — vi quando ele pegou uma mochila e uma caixa de plástico no banco de trás.

Ele olhou para o céu e depois em direção à água. Examinou o horizonte antes de se virar e olhar para meus pés.

— Você está de tênis.

— À prova de fogo — eu o lembrei.

— Tudo bem então — ele me deu um sorrisinho. — Eu poderia usar um par extra de mãos.

Ficou evidente quase no mesmo instante por que meu calçado era uma preocupação; a água estava subindo mais rápido do que ele havia previsto. Olhei para a esquerda quando nos desviamos para a direita e vi os amigos de Isaac recolhendo pranchas e equipamentos enquanto a espuma das ondas que quebravam na praia chegava aos carros. Levando em conta o movimento da água, tínhamos de agir rápido.

Chegando a uma fileira alta de pedras há quatrocentos metros do começo da praia, Derek abriu a mochila, me entregou uma fita métrica e tirou dela uma pilha de cadernos. Ele pôs um caderno e três frascos plásticos no bolso da jaqueta.

Escalou a pedra menor, ficou de joelhos e estendeu uma das mãos em minha direção. Ele me puxou facilmente, como se eu fosse um travesseiro e não uma pessoa com quase setenta quilos.

— Segure uma das pontas da fita e fique de olho na lateral da pedra — ele disse. — Se a água começar a chegar mais para trás de onde você está, acompanhe. Você deve estar no mesmo nível da quebra o tempo todo. A fita precisa ficar o máximo possível no mesmo nível. Vou puxar quando chegar ao fim da fileira e depois vamos estender na lateral para que eu possa ter uma medida mais precisa.

— Entendi — eu o observei subir e passar por cima das pedras como o Homem-Aranha com uma blusa de lã marrom.

Fiquei de joelhos e me arrastei até a beira da pedra. Olhando de cima, vi uma fina camada de espuma se dissolvendo na areia. A água estava quebrando a alguns metros de distância, por isso me arrastei para a direita até que uma onda se quebrasse logo abaixo de mim. Minha cabeça respondeu bruscamente quando respingos dispararam para todos os lados, cobrindo a rocha e meu rosto.

A água subiu rapidamente. Derek mal teve tempo de se levantar da última rocha, fazer anotações e descer novamente antes de eu ser levado pela água e correr para a esquerda. As ondas eram tão grandes que era difícil medir o intervalo, mas julguei o movimento de acordo com o lugar onde o repuxo parecia mais concentrado.

Dez minutos depois, finas linhas de água salgada escorriam pelo meu rosto e pelos cabelos molhados grudados na testa. Derek puxou a fita métrica pela última vez. Ele fez sinal de positivo com o polegar e eu soltei a minha ponta.

— Impressionante — ele disse, saltando para a minha pedra. — Quer dizer, maluco, estranho e nada natural, mas... Impressionante. A maré está se movendo mais de dois centímetros por minuto — ele abriu o zíper da blusa de lã e segurou o colarinho.

— Isso não é normal? — imaginei, levantando-me para ajudá-lo a tirar a blusa molhada, que ficou presa em seus ombros.

— Nem um pouco.

Olhei para o lado enquanto ele arrumava a camiseta. As circunstâncias estressantes estavam claramente mexendo com as minhas emoções. Eu havia visto Derek sem camisa várias vezes, mas, agora, dar uma simples olhada para seu abdômen nu deixava meu rosto corado.

— As marés se movem cerca de três metros a cada seis horas, ou quase trinta centímetros a cada trinta minutos. Rápido o suficiente para se perceber depois de um tempo, mas não rápido o bastante para se notar enquanto está acontecendo. Nesse ritmo, as marés estão subindo trinta centímetros a cada doze minutos.

— Isso é mais que o dobro da velocidade normal — calculei rapidamente.

— Exatamente — ele balançou a cabeça. — Loucura.

— Loucura também é você não parece notar que está tremendo e ficando com a boca roxa — peguei sua mochila e a caixa de plástico no lugar onde ele as jogara. — Temos de voltar para o carro.

— Você tem razão — ele juntou as mãos na boca e soprou nelas. — Ainda temos muita coisa a fazer.

Ele pulou na areia e eu lhe joguei suas coisas. Ele enfiou a caixa de plástico na mochila, colocou-a nas costas e ficou na base da rocha.

— Essa é a parte mais fácil — ele disse, quando não me mexi imediatamente. É só fazer de conta que está descendo uma escada.

— As escadas não costumam ficar em ângulo de noventa graus — eu disse, olhando para o chão lá embaixo.

Ele esperou que eu olhasse para ele. Quando olhei, sua expressão estava séria. Sua preocupação comigo conseguiu, por um instante, ocupar o lugar de seu entusiasmo com a surpreendente descoberta científica que havíamos acabado de fazer.

— Venha devagar — ele disse. — Eu pego você.

Ele me tinha nas mãos. Eu sabia o que ele queria dizer, que como sempre, ele não me deixaria cair, mas não pude deixar de me perguntar se não havia algo a mais em suas palavras.

A água espirrou lá de baixo e eu balancei a cabeça para tirá-la do rosto. Eu me virei, ajoelhei e pus um pé, depois o outro, na beirada. Mantendo todo o peso do tronco em cima da pedra, escorreguei os dedos do pé na lateral até se encaixarem em pequenas fendas no granito. Quando meus pés estavam firmes, levantei um pouco o tronco que estava em cima da rocha e me desloquei lentamente para trás.

“Buuuuuuuu!!”

Os olhos pretos de Alisson brilharam diante de mim. Suas mãos cinzentas estavam em minha cintura, os braços machucados me puxavam para baixo, para fora da pedra. Em pânico, eu me soltei da parte de cima da rocha e meus pés escorregaram. Caí no chão e meus tênis, de alguma forma, bateram na areia molhada primeiro. Arrastei-me para trás antes que eles afundassem e a água chegasse até mim, envolvendo meus tornozelos.

— Está tudo bem.

Olhei para o oceano logo atrás de Derek, que ainda estava de braços estendidos em minha direção, pronto para me pegar se eu precisasse.

— Stiles — ele disse delicadamente, vindo em minha direção.

Uma onda quebrou. Prendi a respiração enquanto ela recuava, meio que esperando que Alisson se levantasse da areia, assim como a onda estava fazendo. Mas ela não estava ali. É claro que não estava. A areia estava limpa, exceto por alguns pedaços de algas e uma casca quebrada de caranguejo.

Meus olhos se moveram para as mãos de Derek, bronzeadas, fortes e cheias de vida e eu as agarrei. Estavam frias e molhadas, mas finalmente pude respirar quando elas começaram a sentir o calor das minhas. Enquanto estávamos ali, lutei para resistir à súbita e irresistível vontade de soltar as mãos e lançar meus braços ao redor do corpo dele.

— Está tudo bem — ele disse, dando um passo mais para perto. — Você está bem.

Eu realmente não queria soltar as mãos de Derek, mas sabia que tinha de fazer isso, principalmente se quiséssemos voltar para o carro sem ter de nadar em parte do trajeto.

Relutante, soltei as mãos dele, tomando cuidado para não olhar para ele ou para trás dele, em direção à água. Quando começamos a voltar pela praia, tentei ignorar a sereia que gemia baixinho em algum lugar distante.

 

 

 

Vinte minutos depois estávamos no Subaru, com as janelas abertas e o aquecedor ligado, seguindo em direção a Winter Harbor. Fiquei olhando para as árvores que passavam sem vê-las de fato, me perguntando o que eu estava fazendo ali e por que tinha envolvido o coitado do Derek nisso tudo.

Alisson se foi. Acabou. Foi levada como um peixe. Que diferença fazia por que ou como? Ou o que realmente tinha acontecido antes? A verdade era que ela não voltaria. Por mais difícil que fosse aceitar isso, era a única verdade e, tinha de ser mais fácil lidar com isso do que tentar desenterrar o que minha irmã não queria que eu soubesse e, quando eu aceitasse o fato, tudo poderia voltar ao normal. Não ao jeito normal de antes, mas ao modo como seria dali em diante.

— Derek — comecei com um suspiro, pronto para me desculpar e dizer exatamente isso. Eu me virei para ele, já triste por me imaginar sozinho no carro voltando para Boston e os longos dias de verão sem ele.

Mas ele não me ouviu. Derek olhava para frente, com os olhos arregalados e a boca formando uma fina linha. Segui seu olhar enquanto o carro foi ficando mais lento até que parou.

A estrada estava bloqueada por três viaturas da polícia, um caminhão do corpo de bombeiros e uma ambulância. Sinalizadores formavam um círculo em volta deles como diamantes e luzes piscando lançavam um estranho brilho vermelho nas árvores ao redor. Doze funcionários do serviço de emergência corriam de um lado para o outro, policiais falando pelo rádio, bombeiros usando machados na floresta e paramédicos preparando a ambulância.

Outros dois paramédicos surgiram por entre as árvores iluminadas carregando uma maca coberta. Eles a levantaram para colocá-la na ambulância, e a mão cinzenta e pesada de alguém que estava debaixo do lençol branco caiu.

As marcas roxas e amarelas eram visíveis a seis metros de distância. Ao me virar, concentrei-me nas luzes vermelhas que iluminavam a mata e nos bombeiros carregando machados. Em pouco tempo, os funcionários do serviço de emergência se reuniram na estrada e, pude ver claramente por entre as árvores.

— Derek — eu disse baixinho, esquecendo de imediato tudo o que havia pensado sobre ir embora de Winter Harbor e voltar para Boston. — Eles abriram um caminho até a praia.


Notas Finais


Leiam minhas outras fics amores ❤
Até!!!


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