História Meu Romeu - Capítulo 18


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Categorias Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli
Personagens Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli
Tags Ruggarol, Sou Luna
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Palavras 5.683
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 18 - Aposta Certa


 

Depois de assumir que me ama desse jeito inesperado e semi delirante, Pasquarelli continua a grunhir e gemer por horas.

Como era de esperar, ele não fala.

O balão de esperança no meu peito murcha lentamente.

Quando me aninho ao lado dele e tento dormir, ele se enrola em mim como se fosse uma jiboia possessiva. E me faz sorrir.

Ainda está escuro quando me dou conta dos dedos roçando minha pele, empurrando minha camisa e alisando minha barriga.

— Ruggero?

Ele pigarreia.

— Está esperando que algum outro cara esteja aqui na cama? Porque não estou tão doente que não consiga dar uma surra nele.

Sua voz ainda está terrível, mas há algo reverberando nela que me arrepia toda.

— O que você está fazendo?

— Nada. Só queria sentir sua pele.

Quando ele fala, percebo um pouco de aspereza que me preocupa, mas sinto sua testa e ela está fria. A febre finalmente baixou.

— Como está se sentindo?

— Com tesão.

Ele move a mão mais pra cima, então dedos quentes acariciam minhas costelas.

— Quero você.

Ele pressiona seu corpo contra o meu, gostoso e duro na minha coxa, mexendo o quadril de uma forma que não deixa dúvidas do quanto exatamente ele me quer.

— Ai, Deus...

Meu corpo reage sem consultar meu cérebro, e eu envolvo meus braços nele.

— Karol...

Ele desliza a mão para o meu seio e o apalpa gentilmente por cima do sutiã. O efeito avassalador desse toque se espalha por todos os meus membros. Sinais de alerta disparam em minha mente. Se eu não pará-lo agora, todos os meus argumentos sobre por que eu não deveria deixá-lo me tocar assim vão perder o sentido. E vou voltar para onde estava quatro dias atrás.

— Ruggero... precisamos parar.

Ele recua e olha para mim.

— Acha que não consigo ver o quanto você me quer? Está praticamente rasgando minha camisa.

— Não é essa a questão.

— Não, a questão é que você quer que eu continue, mas só nos seus próprios termos. Como seu namorado.

— É errado eu precisar saber que lugar ocupo na sua vida?

— Droga, Sevilla, sinceramente até agora você não sabe como eu me sinto? Sou bom ator, mas em relação aos meus sentimentos fui estupidamente transparente.

— Preciso ouvir você dizer. — Minha voz é um leve sussurro.

— Eu te disse mais cedo.

— Achei que não estava acordado.

— Estou acordado agora.

— Então diga de novo.

Ele se inclina e beija minhas têmporas, então minha bochecha, então o mais próximo que consegue chegar da minha boca sem de fato tocar meus lábios.

— Eu te amo, Karol. Não queria, mas amo. Agora... por favor... — Ele beija meu pescoço novamente, com lábios tão macios e entregues enquanto segue com a mão até o botão do meu jeans. — Fique quieta e me deixe tocar em você. Já faz muito tempo. Estou surtando.

Fecho os olhos enquanto ele abre o botão e abaixa o zíper. Então, tudo o que posso fazer é jogar minha cabeça no travesseiro, porque ele está enfiando os dedos na minha calcinha e toda minha noção de realidade se desintegra completamente. Seus dedos são fortes e seguros, e me fazem arquear e ofegar enquanto ele aperta cada botãozinho meu de prazer; incitando ruídos que são altos demais nesse quarto escuro e silencioso.

Seus dedos se movem em círculos, sua respiração quente no meu pescoço, minha mente girando e tudo dentro de mim dá voltas.

Eu gemo, porque o que ele está fazendo não é o suficiente. Preciso de mais. Tudo dele.

— Por favor — sussurro, colocando a mão e o tocando através de sua cueca, grande e duro.

Jesus, Sevilla...

Tento puxá-lo mais para perto de mim, agarrando-o e lentamente movimentando minha mão para cima e para baixo.

— Ruggero, por favor...

Ele faz um som grave e envolve os dedos nos meus.

Karol, pare. Você não sabe o que está fazendo.

— Sei, sim. Quero você. Amo você também.

— Você... o quê?!

— Ruggero... dentro de mim... amo você.

Karol!

Então sou sacudida, e, quando abro os olhos, Pasquarelli cestá olhando para mim, a testa franzida e a respiração pesada. O sol já está se espalhando pelo quarto.

Ofego com minha tensão pré-orgasmo se esvaindo, e me dou conta de onde estou.

Uma das minhas mãos está me pressionando firmemente entre as coxas e a outra...

Ai, Deus.

A outra está na frente da cueca de Pasqaurelli, agarrando seu pau incrivelmente duro.

— Ai, Deus.

Eu o solto, então ele se senta puxando os cobertores sobre si.

— Você estava sonhando.

— Me desculpe.

— Falando e... me agarrando...

— Ai, Deus. — Meu rosto queima de vergonha.

— Quanto tempo eu...?

— Alguns minutinhos.

— Sinto muito.

Ele suspira.

— Tudo bem.

— Não, não está. Eu, eu... abusei de você. Sou uma pervertida.

Cubro o rosto com as mãos e solto um grunhido, humilhada demais até para olhar para ele.

— Droga, Sevilla, para com essa vergonha toda. Não é sua culpa. No começo, achei que você estava acordada e tinha... sabe... mudado de ideia sobre transarmos. Mas daí você começou a falar e vi que você estava dormindo. Eu podia ter parado, mas sou homem, portanto, sou geneticamente programado para não tirar a mão de uma mulher do meu pau.

Puxo os joelhos contra o peito e olho para ele.

— Você disse que eu estava falando. O que eu disse?

Ele franze a testa e pega o cobertor, pigarreando.

— Foi um sonho. Não importa.

— Eu gostaria de saber.

Ele tosse e toma um golinho d’água da garrafa na mesinha de cabeceira, o tempo todo sem olhar para mim.

— Você estava murmurando. Dizendo que me queria ou sei lá. Não deu para entender bem.

Minha garganta se aperta. Ele está mentindo.

Baixo a cabeça nos braços e solto um gemido de lamento.

Ele me ouvir dizer a palavra com “A” já foi bem ruim, mas o pior é saber que eu falei a sério. Nunca senti isso por ninguém. Um dia ele era apenas um cara que me irritava horrores, e agora, sem nenhum aviso ou permissão, ele é outra coisa. Alguém diferente.

Necessário e insubstituível.

Se isso é amor, então é idiota.

— Sabe, você também fala enquanto dorme. — Estou determinada a não ser a única no purgatório.

Ele me lança um olhar cortante.

— O que eu disse?

Aperto os olhos.

— Você não se lembra?

Ele olha para mim por longos segundos e a quantidade de pânico que vejo é imensa. Ou ele lembra e está arrependido ou não lembra e está morrendo de medo de ter dito. De um jeito ou de outro, não consigo o que eu quero.

— Não se preocupe com isso. Você estava tão fora de si que eu mal pude te entender. Vamos combinar que murmúrios durante o sono devem ser ignorados, tá?

Ele fica em silêncio até ser atingido por uma grande crise de tosse. Seu corpo se curva e ele pega vários lenços enquanto quase sufoca no que expele dos pulmões. Esfrego suas costas até que o ataque passe.

— Você devia tomar uma ducha — sugiro conforme esfrego entre suas omoplatas.

— É, acho que sim. — Ele soa cansado.

Ele sai da cama e segue para o armário para pegar uma cueca limpa. Olha para mim antes de olhar de volta para a gaveta.

— Você dobrou minhas cuecas.

Eu dou de ombros.

— Algumas. — Só aquelas que revirei como uma tarada completa.

— Você é estranha.

— Agora me conte uma novidade, queridinho.

Quando a porta do banheiro se fecha, eu me jogo de volta na cama e suspiro. Não havia imaginado que cuidar do meu ex-não namorado doente seria uma experiência tão humilhante.

Estou prestes a ir à cozinha para preparar o café da manhã quando o telefone de Pasquarelli toca.

Na tela aparece “Casa” e penso que pode ser Eliza, então atendo.

— Telefone do Ruggero, aqui é a Karol.

Há uma pausa.

— Karol? Aqui é Maria Pasquarelli.

Meu estômago salta na garganta e minha voz falha.

— Ah, oi, sra. Pasquarelli.

Uma menina atendendo o telefone do filho logo de manhã cedinho. Pegou mal.

— Então, Karol, como ele está?

— Ele está no banho.

— Ah. Sim.

— Por isso atendi. Tomando uma ducha.

— Entendi. Então, você...

— Só de passagem. Sei o que pode parecer, mas só quero que saiba que não há nada rolando entre mim e Ruggero. Não estamos dormindo juntos. Bem, na verdade dormimos noite passada, mas isso foi sono mesmo, se entende o que quero dizer. Ele estava bem chapado. Do remédio para tosse. Ele está doente. Bem doente.

Belisco meu nariz tentando conter a tagarelice.

— Na verdade, ele não precisa de transplante de pulmão nem nada, mas está doente o bastante para que alguém precise cuidar dele. É o que estou fazendo aqui. E atendendo o telefone dele. Óbvio. Uau, seu filho toma uns banhos longos, hein?

Pode me matar.

Há uma risadinha de leve e eu aceito como uma deixa para apenas respirar.

Meu rosto está mais quente do que a superfície do sol.

— Karol, está tudo bem. Eliza nos contou no jantar ontem que ele estava doente e que ela pediu que você bancasse a enfermeira. Obrigada por ter aceitado. Sei que meu filho não é um paciente dos mais agradáveis. Quando era criança, a gente tinha de suborná-lo com bonecos das Tartarugas Ninja para que ele tomasse o remédio.

É adorável demais e suportável de menos pensar em Pasqaurelli como uma criança birrenta.

— Sério?

— Temo que sim.

Uma enorme crise de tosse vem do banheiro e escuto a sra. Pasquarelli estalar a língua.

— Duvido que tenha ido ao médico.

— Não foi, mas está parecendo bem melhor hoje.

— Isso é melhor?

— Hu-hum.

— Pobrezinho. — Ela faz uma pausa. — Na verdade, Karol, fico feliz que estejamos conversando. Vai para sua casa para o feriado de Ação de Graças?

— Hum... não. Só posso pagar uma viagem este ano, e meus pais querem que eu vá no Natal.

— Então estará livre?

— Acho que sim.

— Ótimo. Quero que venha ficar com a gente em Nova York.

— Ah... sra. Pasquarelli.

— Por favor, me chama de Maria.

— Maria, não sei. O Ruggero...

— Isso não tem nada a ver com ele. Você é amiga da Eliza também, e ela adoraria que você viesse. Além do mais, não podemos deixar você passar o Dia de Ação de Graças sozinha. Seria uma tragédia.

— Ainda assim não sei se...

— Bobagem. Não aceito não. Você vem e ponto final.

Antes de eu ter chance de discutir, Pasquarelli emerge do banheiro de peito nu, apenas de cueca. Esfrega uma toalha no cabelo e tosse antes de balbuciar:

— Quem é?

Seguro minha mão sobre o bocal.

— Sua mãe.

Ele tosse novamente e aponta para o telefone.

— Maria? Ruggero saiu do banho. Está totalmente vestido, devo acrescentar. Bem, não totalmente. Não está usando camisa, mas todas as partes importantes estão cobertas. — Ai, pelo amor de Deus. — Bom falar com você.

— Para mim também, Karol. Te vejo semana que vem.

— Hum, é. Tá.

Pasquarelli pega o telefone de mim e se senta no canto da cama.

— Oi, mãe. — Ele mal tem voz. — Pareço pior do que me sinto. Não preciso ir ao médico. Sim, já tô tomando antibiótico.

Ele para de falar um pouco e olha para mim.

— É, a Karol está cuidando bem de mim. Estou bem melhor hoje.

Ele escuta por alguns segundos, então franze o cenho.

— Você o quê?

Ele fica vermelho de raiva e avança passando por mim na sala. Mesmo que ele abaixe a voz para um sussurro áspero, ainda posso ter uma ideia do que ele está dizendo.

— Mãe, que diabos? Podia ter ao menos me consultado.

Eu olho para a pilha de livros no canto e travo a mandíbula. Eu não deveria estar ouvindo isso.

— Sim, eu gosto dela, mas... Jesus... é mais complicado do que isso.

Não precisa ser, mas é.

— Não, ela não é minha namorada. Ela ir aí vai ser esquisito pra caralho.

Eu me sento no canto da cama e balanço a cabeça. Ele preferia mesmo que eu passasse o Dia de Ação de Graças sozinha?

Realmente supervalorizei os sentimentos dele por mim.

Pasquarelli fala com a mãe por mais alguns minutos. Mas não consigo mais entender o que ele está dizendo.

Melhor assim.

Quando ele volta ao quarto, joga o telefone na cama e avança para o armário. Depois de pegar uma camiseta, ele enfia sobre a cabeça e bate a gaveta.

— Você está bem?

— Sim.

— Está irritado.

— Está tudo bem.

— Então minha ida para o Dia de Ação de Graças ia ser bem esquisita?

Ele suspira.

— Karol...

— Por que ia ser esquisita?

Ele passa os dedos pelo cabelo.

— Você viu meu pai e eu juntos. Não tem como eu te sujeitar a isso de novo.

Minha respiração falha.

— Tá. Se é o que você quer.

Ele me olha e se senta ao meu lado.

— Karol, não é que eu não queira você lá, mas...

Antes de ele poder continuar, é atingido por uma crise de tosse.

Quando passa, ele se joga de volta na cama, exausto.

Acho que terminamos de falar sobre o Dia de Ação de Graças.

Eu me inclino e esfrego suas costas.

— Tem alguma coisa que eu possa fazer?

Ele balança a cabeça.

— Só estou cansado. E meu peito dói. — Sua voz está um lixo.

Pego alguns analgésicos e remédio para tosse. Depois de tomar todos, ele rasteja para debaixo das cobertas.

Eu me sento ao lado dele e acaricio seu cabelo.

— Sabe, minha mãe tinha um livro escrito por esse autoproclamado swami que acreditava que a desarmonia em nossos corpos nos deixa doentes se não nos damos o que nossa alma precisa. Tipo, se não dizemos o que estamos sentindo, temos dor de garganta; ou se fazemos algo que sabemos que é errado, ficamos com dor de cabeça.

Os olhos dele estão turvos quando ele olha para mim.

— E se temos uma dor de garganta, dor de cabeça e infecção no peito, estamos... o quê? Emocionalmente prejudicados? Doentes do coração?

Dou de ombros.

— Me diga você.

Ele tosse.

— Parece bem certo. Acho que minha mãe te convidou para o feriado de Ação de Graças porque acha que você podia me consertar.

Passo um dedo na testa dele.

— Não tinha percebido que você estava quebrado.

Ele dá uma risadinha.

— Talvez não quebrado, mas sem dúvida nenhuma com defeito.

— Não acredito nisso.

— Depois de como eu te tratei, você deveria saber. — Ele suspira e se afasta de mim. — Eu não bato bem, Sevilla. Não entendeu isso até agora?

Acaricio suas costas.

— Se eu fosse traída por meu namorado e minha melhor amiga, eu também não bateria bem.

Ele fica em silêncio por alguns segundos.

— Por mais que eu queira botar a culpa toda nisso, eu já estava ruim bem antes.

— Antes quando?

— Sempre. — Ele não olha para mim quando fala. Talvez seja mais fácil para ele assim. — Quando criança, fazer amigos era difícil para mim. Eu tinha problema em demonstrar afeto. Sempre me senti meio... errado.

 

Ele fica em silêncio por um longo tempo. Bem quando eu imagino que ele esteja dormindo, ele volta a falar, num sussurro.

— Um dia, meus pais me sentaram e me disseram que eu passei os primeiros anos da vida num abrigo para crianças. Não me lembro, mas ouvir o que eles falavam simplesmente me deu um ataque de pânico. Eu tinha quase três anos quando eles me adotaram.

Três? Ai, Deus.

Eu costumava pensar que as inseguranças dele eram, de certa forma, exageradas pela proeza dramática dele, mas parece que ele tem questões com abandono reais e justificadas.

Acaricio seu braço, tentando lhe oferecer apoio.

Sua respiração é fraca.

— Nunca contei isso a ninguém. Mas com você... — Ele se vira de costas e me olha com olhos cansados. — Não sei se meus pais desistiram de mim porque eu tinha problemas ou se fiquei com problemas quando desistiram de mim, mas o resultado é o mesmo. Depois que soube da adoção, toda vez que meu pai perdia uma competição minha ou cancelava planos de fim de semana, eu achava que era porque eu não era seu filho verdadeiro. Foi quando começamos a brigar. Eu era apenas um moleque perdido e fracassado de quem ele e a minha mãe tiveram pena.

— Ruggero, não...

— De repente, fazia sentido haver algo de errado comigo. Como se eu fosse um impostor na minha própria vida. E isso me deixou irritado pra caralho, porque eu imaginei “por que me importar?”. Sabe? Por que continuar fingindo? Nem sou um filho ou irmão verdadeiro. Não sou nada real. Talvez por isso eu seja um bom ator. Todo personagem que interpreto é mais real do que eu.

Tiro minha mão do seu cabelo e acaricio seu rosto. Ele fecha os olhos, e os músculos da mandíbula tencionam e relaxam.

— Ruggero, para com isso. Já vi o suficiente da sua família para saber que você é absolutamente real para todos eles. Eles te adoram, até seu pai. E quanto a mim, nunca conheci ninguém mais real do que você em toda minha vida. Cada dia você me inspira a deixar de ser o que os outros querem e apenas ser eu mesma. Então, não ouse ficar sentado aí e dizer que você não é ninguém. Você está cercado de gente que te ama, apesar do seu empenho em afastá-las. Se isso não é real, eu não sei o que é.

Espero que ele discuta, mas, para minha surpresa, ele não discute. Em vez disso, ele estuda meu rosto, com o olhar intenso e a testa franzida.

— Estou cercado de gente que me ama, é?

— Por que isso te surpreende? — pergunto, acariciando a testa dele. — Você é meio que incrível.

A expressão dele muda, e parece que um sorriso está tentando escapar de um labirinto de confusão. Se não fosse tão atraente, eu acharia engraçado.

— Eu só... Eu não... — Ele fecha os olhos, apertando-os, e me puxa para ele. Eu passo os braços ao redor dele enquanto ele inspira o ar numa inspiração trêmula.

Não falamos mais nada, mas não parece que precisemos. Ele me contou tanto sobre as razões do seu jeito de ser que decidi que isso não importa mais. Se e quando ele finalmente tiver a coragem de estar comigo, vou aceitá-lo.

Inferno, já o aceitei completamente.

 

 

No dia seguinte, Pasquarelli praticamente me expulsa de seu apartamento. Não de uma forma ruim. Apenas de uma forma “um de nós deveria estar indo à aula”. Quando ligo para ele de noite, ele parece bem melhor. Sua voz está voltando, e ele me diz que as crises de tosse diminuíram.

Esse dia acaba sendo loucamente cheio. Quando o telefone toca, já estou cochilando na cama.

Eu olho para a tela e sorrio quando vejo quem está ligando.

— Oi, dodói.

— Ei.

É loucura que uma palavrinha dele possa me deixar tonta de felicidade. E nem é uma palavra muito especial, só um cumprimento monossilábico. Ainda assim, sinto um sorriso idiota estampado no meu rosto como papel de parede vagabundo.

Achei que as coisas ficariam esquisitas entre nós depois que ele me contou que era adotado, mas não ficaram. No mínimo, parece que me contar isso foi como tirar um peso das costas.

Ele ainda não disse nada sobre avançar com nosso relacionamento a um nível de mais intimidade, mas pelo menos não estamos longe um do outro.

— Por que você não está dormindo? — quero saber.

— Dormi o dia todo. Agora estou bem acordado.

— Toma o remédio pra tosse, vai te apagar.

— Tomei, mas ainda não fez efeito. Provavelmente não é uma boa ideia ficar falando com você agora. Tenho tendência a dizer coisas idiotas sob o efeito daquele troço.

— Não idiotas, apenas coisas que você não me contaria em condições normais. Adoro aquele remédio pra tosse. Aprendi mais sobre você nos últimos dois dias do que no ano todo.

— Mesmo assim, você ainda está falando comigo.

— É um fardo, mas alguém tem de carregá-lo.

Ele ri. Que som lindo.

Fica em silêncio por um segundo, então recomeça a falar.

— Olha, Karol, estive pensando...

— Hu-hum. — Consigo sentir seu nervosismo pelo telefone.

— Eu... eu sei que fui um babaca no outro dia quando minha mãe ligou, mas... quero que você venha para o feriado. — A voz dele fica mais suave. — Acho que não posso passar todos esses dias sem ver você. Liguei para minha mãe e disse para ela deixar o quarto de hóspedes preparado.

Estou abismada. E inacreditavelmente emocionada.

— Ruggero...

— Você não tem outros planos, né?

— Bem, meio que tenho. Comprei uma porção individual de peru. Não sei se posso desistir disso na última hora. Veio com um molho “sabor cranberry”.

— Ah, bom, pois é. É uma comida congelada deliciosa. Precisa de tempo para se decidir então? Não quero pressionar nem nada, mas você sabe que a Maria tem uma empresa de bufês gourmet, né? Sem pressão.

Dou uma risada.

— Bem, colocando assim, eu adoraria ir.

Alguma coisa me diz que essa conversa está estranhamente parecendo coisa de namorados. Resisto à tentação de saltar da cama e dançar de felicidade.

— Legal. Te pego amanhã à noite. Onde você vai estar?

— Você não vai para a aula amanhã? — Meu estômago se contorce ao saber que não vou vê-lo de manhã.

— Não. Preciso de mais um dia para acabar de vez com a tosse. Além do mais, vou precisar de toda minha força para sobreviver a este fim de semana com meu pai. Então, onde posso te pegar?

— Bem, amanhã de tarde vamos todos nos reunir na casa do Agustín para uma noite pré-feriadão.

— Tá, apareço lá. Dirigimos para Nova York para jantar com minha mãe e meu pai, e voltamos na noite de domingo.

A ideia de passar quatro dias em Nova York já é bem estonteante, mas saber que vou estar com o Pasquarelli todo esse tempo? A palavra “êxtase” é a única capaz de traduzir o que estou sentindo.

— Pasquarelli, devo me preocupar por você estar sendo todo... bonzinho... de repente?

Ele ri.

— Talvez. Com certeza está me matando de medo. Tome cuidado com o que deseja, Sevilla. É tudo o que posso dizer.

— Pfff. Pinóquio queria ser um menino de verdade, e deu tudo certo.

— Verdade. Mas ele perdeu a cara de pau para sempre. Pense nisso.

Eu rio. Quando ele boceja, alguns segundos depois, eu me junto a ele.

— Vá dormir — ele diz. — Te vejo amanhã de noite.

— Tá, certo.

Quando desligamos, me sinto como uma dessas paleontólogas que trabalham com um pincelzinho e passam anos limpando lentamente grãos de terra para revelar uma relíquia ou um tesouro precioso por baixo. Estou achando que Pasquarelli não ia gostar que eu o chamasse de relíquia, mas sorrio mesmo assim.

 

 

Quando o relógio marca seis horas na noite seguinte, a maioria dos meus colegas de turma está caminhando para ficar bem estragada. Alguns foram para casa visitar suas famílias, mas a maior parte vai esperar até o Natal, como eu. O feriado de Ação de Graças é apenas uma desculpa para ficar bêbado por quatro dias.

Carolina se senta no sofá perto de onde estou, bebericando uma margarita gigante e acompanhando a música com a cabeça. Eu me sento ao lado dela, e minhas pernas balançam, nervosas, enquanto espero Pasquarelli aparecer.  Carolina pede que Agustín me arrume outra bebida para me ajudar a esfriar a cabeça. Tenho certeza de que não vou conseguir esfriar a cabeça agora, nem se estivesse vestida de urso polar e mergulhada em nitrogênio líquido.

Estou observando Malena e Gaston esquentarem a pista de dança com uns movimentos impressionantes quando se deslocam e revelam Pasquarelli parado na porta.

Há uma grande saudação no momento em que as pessoas o veem e se juntam ao redor dele como se ele fosse uma criatura mítica há muito perdida.

Perguntam como ele está e dizem que sentiram sua falta. Emília o abraça. Agustín bate nas costas dele. E mesmo que ele sorria e responda, seu foco fica sempre em mim.

Mal consigo respirar.

— Uau — Carolina cochicha ao meu lado. — Essa versão esquisita de bronquite que Pasquarelli teve aumentou seu apelo sexual? Porque... droga. O moleque está bonito.

Ele está vestido de jeans preto e suéter azul-escuro com gola em V. O cabelo está caótico e a barba, recém-feita. Não consigo parar de olhar. Ele parece um pouco cansado, mas bem menos pálido do que a última vez que eu o vi. Tenho a mais estranha vontade de caminhar até ele, me enrolar no seu torso e me grudar nele como uma craca.

Claro que se eu fizesse isso com a minissaia que estou usando eu pareceria uma craca extremamente vagaba. Do tipo com as quais as outras cracas iam evitar conviver para fofocar pelas costas depois.

Eu me levanto e vou até ele. Preciso estar perto dele.

Quando paro na sua frente, Agustín está no meio de uma história sobre como Michael simulou se masturbar na aula de interpretação hoje, e como Erika surpreendeu a todos elogiando-o por ser corajoso.

— Juro, cara — Agustín comenta quando todo mundo ri. — Por trás daquela cara de vaca durona, Erika é uma completa tarada.

Pasquarelli sorri para mim e enfia as mãos nos bolsos quando eu balbucio “oi” para ele.

— Ei.

Agustín bate no ombro dele.

— Quer uma bebida? Cerveja? Uma dose de uísque?

— Não, valeu. Nós não vamos ficar muito tempo.

— Nós? Quem é nós?

— Sevilla e eu.

Agustín olha ao redor e ergue as sobrancelhas.

— Você e Sevilla? Ora, ora. O que está rolando aqui?

Por um momento, há pânico nos olhos de Pasquarelli, mas ele respira fundo.

— Ela vai passar o feriado comigo em Nova York.

Ah.

Uau.

Agustín nos encara, espantado. Nessa hora, Michael e Emília se juntaram a ele.

Posso sentir minha boca aberta, mas estou chocada demais para fechá-la.

— Sério? — Agustín pergunta. Pasquarelli assente e Agustínse vira para mim. — Sevilla, seu cara misterioso não vai ter algo a dizer sobre você passar o tempo com o bonitão aqui? Quer dizer, ele viu vocês dois em Romeu e Julieta, né? Essa poderia ser uma burrice épica.

Tento pensar em algo para desviar a atenção de Benasconi, mas acaba que não é preciso. Pasquarelli toma conta do assunto.

— Na verdade, Agustín — ele engole em seco, nervoso —, eu sou o cara misterioso dela. E estou completamente tranquilo com o fato de ela passar um tempo comigo.

A sala fica num silêncio mortal. A música parou, e, se eu escutar com cuidado, consigo ouvir o vento soprando nas folhas lá fora. Paro de respirar, aterrorizada com a possibilidade de acordar desse sonho incrível se eu fizer o menor movimento.

Agustín alterna o olhar entre mim e Pasquarelli, descrente.

— Desculpa, mas como é que é? Você é o cara de quem ela falou? O imbecil que não dorme com ela?

Pasquarelli olha feio e dá a ele um sorriso curto.

— É. Sou eu. O imbecil em carne e osso.

Ai, meu Deus. Por favor, não me deixe acordar. Permita que seja real.

Há uma enorme pausa antes de Agustín socar o ar e gritar.

— Êeeeeeee!

A sala explode com conversas e Agustín se vira e bate as mãos nas pessoas atrás dele.

— Tudo bem, todo mundo que colocou que Sevilla estava saindo com outra pessoa e não com o Pasquarelli pode pagar. Aposta é aposta, gente! Território conquistado! Repito, território conquistado! Alguém me lembre de pagar a Erika.

A sala parece a bolsa de valores de Nova York, com dinheiro e fichas sendo levantados no ar enquanto as pessoas riem e conversam.

— Espera aí! — Pasquarelli grita e olha feio para o Jack. — Você... apostou que eu e Sevilla estávamos juntos?

O rosto de Agustín despenca.

— Bom, sim. Mas foi tudo de brincadeira, cara. Vocês dois têm trocado olhares melosos um com o outro por meses a fio. Tínhamos de zoar isso de alguma forma.

— Cara! — A voz de Pasquarelli é seca. — Não faço olhar meloso.

Michael bate levemente no ombro dele.

— Desculpa te decepcionar, cara, mas faz, sim. Sorte que vocês dois tiveram boas críticas em Romeu e Julieta, porque, na vida real? Vocês são uma porcaria interpretando.

Pasquarelli olha para mim, chocado. Eu me aproximo e coloco a mão no peito dele.

— Hum, então. Uau.

Ele pisca e balança a cabeça.

— Que diabos acabou de acontecer?

— Boa pergunta.

Ele fica parado lá por alguns segundos como um peixinho dourado vendo a ação ao redor dele com um olhar confuso. Só quando eu passo para a pele no decote do seu suéter é que ele sai do transe e volta a olhar para mim.

— Oi. Sou a Karol Sevilla. Acho que não nos conhecemos.

Sei que é meio sarcástico, mas é a verdade. Quem é esse cara aberto e falante na minha frente?

As orelhas dele ficam rosa.

— Hum, é... Oi.

— Então, isso foi... inesperado.

— É. Mas inesperado bom, né?

Como ele pode pensar o contrário quando estou sorrindo para ele como se estivesse chapada?

— Inesperado muito bom. Você pretendia assumir a gente quando veio aqui hoje?

— Não. Bem, sim. Quer dizer, eu não tinha certeza, mas quando te vi eu... acho que nos últimos dias percebi que o que quero com você é mais forte do que o que me assusta. E estou cansado de me privar. É exaustivo pra caralho. Quero ficar com você.

Coloco meus braços em torno do pescoço dele. Preciso reconhecer que ele só olha ao redor uma vez para ver quem está nos observando antes de focar em mim.

— Para de surtar.

A respiração dele fica mais rápida quando ele me encara.

— Me faça parar.

Puxo sua cabeça para baixo. Quando ele me beija, é suave e cuidadoso, mas a forma como inspira e aperta seus braços ao meu redor me diz que sua reação é tudo menos moderada. Há vários gritos de aprovação à nossa volta, mas os ignoramos. É meio fácil quando estou totalmente concentrada em resistir à vontade de me tornar uma craca periguete.

Ele me beija com mais força, e mesmo tomada de tesão consigo ficar impressionada que ele esteja sendo tão firme na frente de todo mundo. Sei que é algo grande para ele.

Estou orgulhosa.

Ele recua quando toda a sala aplaude, e mostra um bem-humorado dedo médio para todos enquanto me leva pelo corredor para o escritório vazio. Fecho a porta atrás de nós e ele suspira aliviado, passando os dedos pelo cabelo.

— Viu? Depois de todas essas semanas de segredo e negação, foi tão difícil assim?

Ele me puxa contra ele, sem pudor de passar a mão na minha bunda enquanto me encara.

— Sevilla, posso dizer com absoluta honestidade que sim, foi, sim, extremamente difícil.

Ele me beija de novo, menos contido agora, e me empurra em direção à parede. Está grunhindo de uma forma que me faz querer rastejar para dentro da garganta dele e me esfregar na sua laringe. Os sons que faço são vergonhosamente altos. Esperei por tanto tempo que ele se soltasse e se entregasse a essa coisa entre nós que agora a realidade é melhor que a fantasia. Não há hesitação. Não há pudor. Ele está me beijando como se tivesse medo de parar. Como se estivesse tentando compensar todos esses longos dias de separação. Parte de mim ainda está convencida de que isso não é real, mas, quando ele me levanta para poder se esfregar em mim, eu decido não me importar. O que quer que seja, vou aceitar.

— Precisamos parar — ele diz, beijando minha clavícula.

Agarro o cabelo dele.

— Claro. É a melhor solução para todo esse tesão ardendo na gente. Bom plano.

Ele segura meus seios e os acaricia por cima da minha roupa.

— Não brinque comigo.

— Então não diga coisas idiotas tipo “precisamos parar”.

— Bom argumento. Não assumi a gente na frente de todo mundo para você continuar sem tocar meu pau. Disso eu tenho certeza.

— Que bom.

Não consigo controlar muito a respiração enquanto o toco sobre o jeans. Ele coloca a mão na parede atrás de mim e baixa a cabeça.

— Jesus Cristo.

Eu o aperto através do tecido, e ele abaixa mais a cabeça até sua testa encostar na minha.

— Correndo risco de ser zoado de novo — ele se afasta, quase sem ar —, você devia mesmo parar de fazer isso. Nós meio que temos de pegar a estrada agora se quisermos encontrar meus pais para o jantar.

Relutando, tiro a mão. Ele dá um passo para trás e suspira.

— Mas acho que podemos esperar só mais um minutinho. Agustín provavelmente apostou que vou sair daqui com o pau duro.

— Talvez eu devesse investir uma grana. Eu podia faturar alto.

— Especialmente se continuar aí com essa sua saia não existente.

— Gostou?

— Se eu dissesse que não, você tiraria?

— Só tem um jeito de saber.

Ele explora debaixo da minha saia, longos dedos roçando a minha coxa.

— Ruggero. — Estou sem ar. — Se você for por esse caminho, com certeza não iremos a lugar nenhum tão cedo. Sabe disso, né?

— Sei. Só que tenho uma namorada muito gostosa e quando estou com as mãos nela eu perco o controle.

Todo o ar se esvai dos meus pulmões.

— Está admitindo que sou sua namorada? Finalmente?

Quando ele responde, sua voz é suave.

— Sim, Karol. Você é minha namorada.

Meu estômago dá voltas.

Acho que nunca vou me cansar de ouvir ele dizendo essa palavra daqui para frente.

Apesar de ele estar sorrindo, há também um leve pânico no olhar dele.

— Só dizer isso já te faz surtar, né?

— Um pouquinho.

— Acha que pode se acostumar?

Ele acaricia meu pescoço e pensa por um segundo.

— Espero que sim. Eu quero.

Meu sorriso tosco de papel de parede está de volta.

— Eu também.

Ele sorri e eu o envolvo com meus braços, sabendo que ele não vai mais me afastar.

— Era disso que você tinha medo? — pergunto quando brinco com o pelo na base da sua nuca. — Porque, mesmo que eu não tenha muita experiência com esse tipo de coisa, acho que você está indo bem até agora.

O sorriso dele some.

— Sevilla, preciso te avisar novamente que sou uma droga em relacionamentos. Já deixei bem claro isso, né?

Eu fico na ponta dos pés para beijá-lo.

— Vamos ficar bem. Pare de racionalizar tanto.

Ele assente e suspira, e, por um momento, está completamente entregue.

Desse jeito, ele é a coisa mais bonita que já vi.


Notas Finais


Bom é isso, espero que gostem estamos na reta final...Faltado apenas mais três capítulo para o final da primeira aventura e aprendizado em relação ao verdadeiros sentimentos e claro para nós dar continuidade "Minha Julieta" outro fenômeno de aprendizado..
Beijinhos no ar e bom capítulo... Amo vocês


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