História Minha tristeza - Capítulo 1


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Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bom, aí está, como me sinto, como aconteceu e como ainda me afeta...

Capítulo 1 - Capítulo único


 No velório do seu Zé, a choradeira era geral. Morreu aparentemente jovem, saudável, foi um derrame, muito do injusto, o que ocorreu com seu Zé. De aparência lusitana, sempre divertido e bem disposto. Disposto a trabalhar, mesmo já aposentado, disposto a ajudar quem precisasse. Dizia que não acreditava em Deus, mas tinha um retrato de Jesus e uma Bíblia. Cuidava da esposa, dona Zarta, uma idosa negra de saúde afetada, sempre reclamando, mal humorada. Cortava as unhas do pé dela com alegria, fazia tudo por ela com alegria.

Foi pai de seis crianças: Duas meninas e quatro meninos. Uma das meninas, Rosangela, morreu quando criança. Sobraram Morce, Rosemary, Maurice, Marcus e Marcius.

Seu Zé via os defeitos de seus filhos, via o ódio entre os irmãos, mas fingia não ver. Estaria ali para controlar e cuidar de seus filhos. E foi o que ele fez até a madrugada passada, ele pôs ordem no quintal de sua família.

E ele não se rendeu fácil para o maldito AVC, ah não, seu Zé brigou pela vida, ele queria cuidar mais, queria amar mais, viver mais. Pôde não.

 

Todos os filhos casaram.

 Morce não teve sucesso com Rosa, tiveram uma filha Tainá, antes do divórcio. Agora Morce morava com os pais. Tainá era casada com Jota e tinha uma filha, Marie.

 Rosemary teve um primeiro casamento, pouco feliz com Milson. Ele ficou paraplégico graças a um tiro nas costas, de um vagabundo armado que anunciou o assalto. Mesmo debilitado ele a insultava, e depois de anos cuidando dele, veio o divórcio. Agora ela era casada com Marco, porém se conhecerem em idade avançada, ela não pôde ter um filho para cuidar.

Maurice casou com Ana, tiveram três filhos: Blenda, Luca e Maurílio. Os três ainda eram solteiros e viviam com os pais. Uma família grande e aparentemente feliz.

Marcus era casado com Mocinha, com quem teve dois filhos. Jessie e Gabo também solteiros até o momento.

Marcius foi o ultimo a casar. Sua esposa Zuleika lhe deu três filhos: Tani, Matias e Yara. Ninguém sabia dizer o porquê, mas essa era a família mais afastada do restante.

 

O dia passado foi um alvoroço. Morce avisou sua filha que seu Zé havia passado mal e ido para o hospital, ponto. Mas não foi tão tranqüilo quanto ele fez parecer.

Ele dormia tranqüilo, no quarto ao lado dos pais, quando acordou com a mãe gritando. Levantou apressado correndo para lá, seu Zé não acordava e virava os olhos, já viu um AVC? Pois era assim que seu Zé tava. Ele correu para o banheiro embutido no quarto dos idosos buscando água para acordar o pai. Não acordou. Tapas no rosto... Marcius ia passando pela entrada da casa, quando ouviu a agitação, entrou preocupado deparando com a cena trágica: a mãe chorava desconsolada e o irmão chacoalhava o pai. Pensou muito não, ligou pra emergência, enquanto Morce conseguia despertar o pai. O velho Zé levantou apressado, se desvencilhando do filho mais velho, rumando o banheiro, perdeu a força das pernas, desequilibrou, pobre Zé, urinou nas roupas, o olhar triste, mas não conseguia falar. A ambulância até que não demorou, mas seu Zé não queria ir, olhava magoado para a esposa, do fundo sabia que seria a ultima vez que veria a mulher que amava há 50 anos.

Quando os paramédicos saíram carregando seu Zé, Blenda estava na janela do quarto e viu o estado todo, se alarmando, chamou pela mãe e foram pra casa da avó descompassada.

Tainá avisou o marido que a noite, quando chegasse do trabalho iriam pra casa do avô. Aguardar noticia e alta dele. Era forte, morria assim não seu Zé, ia enterrar os filhos e esposa, ele ia por ultimo.

Ninguém ficou feliz, assim acreditamos, mas todo mundo sabia que o velho era duro na queda, logo mais tava em casa pestanejando e fazendo gracejo.

Tainá praticamente pousou na casa deles, foi embora depois das duas da manhã, exigindo saber da mínima notícia, consolou a vó “esquenta não, ele já volta”.

Chegou em casa as três da manhã, pôs Marie na cama, olhou pro marido e disse “sensação ruim no meu peito” “deixa disso, o velho é forte”.

Maurice estava passando a noite no hospital com o pai, ainda inconsciente. Foi nada bom, lá pelas duas e muitas da madrugada o velho piorou, a ala se agitou e ele foi posto fora.

Demorou nada, o doutor veio, os olhos já diziam, mas só quando ouviu foi que se permitiu chorar como criança, que dor forte Maurice recebeu ali sozinho. Bastou não, precisava reconhecer o corpo do pai... Pendurado em um gancho, que nem carne em açougue. Conseguia parar de chorar? Não...

Três e meia da manhã Ana se desperta, o celular vibrava, gostou “anão, coisa boa a essa hora era rara. Atendeu, os olhos arregalou, não tinha como, pensou um pouco e foi ver Blenda que assistia TV, “que foi mãe? Tem que descansar pra trabalhar” “ Minha filha... seu vô faleceu...” e mais choro. Recompôs.

Morce mexia no computador, sempre virava a madrugada assim, uma batida na porta e foi rápido em atender, viu Ana de olhos inxados, vermelhos, negou com a cabeça, já sabia, mas não queria. “Sinto muito”. Chorou pouco.

Zarta acordou com o filho a balançando suave “oi, oi filho” “ mãe, o pai... ô mãe” chorou com ela.... “Chora não meu filho, chora não” “mãe eu não choro se a senhora não chorar” foi difícil demais, mas engoliram o choro. Com falsa calma, foram dando a noticia para os demais, e ninguém a queria receber.

Oito horas Tainá acorda assustada, procura o celular pra ver se tem noticia, e boa. Mensagem de Jessie, abriu “Tainá o vô morreu” desesperou depois pensou e respondeu “graça não tem, ele já ta em casa?” “to brincando não”.

Ligou pro pai “ta tudo bem?” “graças a Deus e com você?” suspirou aliviada “bem. E o vô?” “ vem pra cá” soube ali... Chorou tanto, como doía, o marido acordou “que foi mulher?” “ meu vô” e chorou mais e mais. Deixou Marie com Rosa e foi.

Chegou e viu a vó chorando na poltrona da sala “minha vó” a abraçou “Tainá seu vô” “eu sei” a apertou olhou ao redor não viu o pai. Caminhou pela casa buscando Morce e o achou na cozinha, pensativo, o abraçou chorando e ele também chorou.

Logo rumavam para o velório, os primeiros que chegaram foram Marcus, Tainá, Jessie, Tani e Jota.

Tani foi a primeira a recuar, passou mal de ver seu vô de aço ali, Jessie chorou contida amparando o pai, Jota acariciou as costas de Tainá que resmungava “não, não, não.

...” Logo se apartaram quase todos, menos Tainá, ela não saia de cima do caixão, seu vozinho tava tão lindo no paletó azul marinho, queria trocar de lugar com ele. Outros chegaram, saíram e ela lá sofrendo. Fez um escândalo danado em dado momento, tamanha era sua dor. Viu quando a vó chegou, e só doeu mais “meu Deus, como meu velho ta bonito, olha pra ele Morce, num ta lindo?” Morce não chorou só cuidou da mãe.

Na hora de enterrar, Tainá queria não, deu show no velório. Zarta não quis ver.

E foi levado o caixão para o local determinado. Tainá não teve vergonha de chorar alto, o pai abraçou “porque pai?” .

Foram pra casa da vó, não era mais a casa dos avós, era só da vó.

Entrou no quartinho onde o vô escondia pra ouvir musica, pôs o chapéu dele e chorou olhando as fotos, ficou ali bom tempo.

Depois, no quintal juntou as três que brincavam quando pequena, Blenda, Jessie e Tainá. Deram risadas das artes do vô, choraram juntas...

Nesse dia também teve a primeira briga entre Morce e Marcius... Dias depois a velha passou mal,porque teve desavença entre Morce e Marcus... Depois entre Maurice e Marcius... Zuleika e Ana... Blenda e Marcius.... Morce e Marcius... Ana e Marcius...

O problema era Marcius, então ele foi embora pro norte com a família. Mas não parece que o problema foi embora não... Porque a rachadura não fechou, quase ninguém se fala, se vê... Quase Zarta não sorri.... Acho que o problema não era o Marcius, era quem faltou pra controlar o Marcius, o Marcus, o Morce, o Maurice... A tropa toda...

Já faz três anos que seu Zé morreu, mas a desavença ta bem viva, Zarta bem triste, a família bem longe de ser o que já foi. E o respeito, acho que morreu com seu Zé.

Já faz três anos que todas as noites, Tainá chora a morte do vô, nunca parou de doer e ela acha que nunca vai. Na verdade só aumentou a dor há algumas semanas, quando ela se deu conta que não consegue lembrar o som da voz dele...

 


Notas Finais


Sei que ta grotesco... a escrita sem detalhes e tudo mais... Mas é apenas um desabafo... se conseguisse juro que encorpava mais, quem sabe futuramente. Obrigada por ler!


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