História New Start - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Henry Mills, Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Roland, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emma Swan, Hot, Lana Parrilla, Once Upon A Time, Ouat, Outlawqueen, Regina Mills, Robin Hood, Roland, Romance, Sean Maguire, Seana, Zelena
Visualizações 104
Palavras 6.901
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiii, gente. Então, depois de tanto tempo, cá estou eu. Espero mesmo que não tenham desistido de mim! Perdão pela demora, por favor. As coisas estão corridas agora, quem estuda sabe! Eu possivelmente não conseguirei atualizar o próximo tão rápido, mas prometo tentar. Saibam que, em dezembro, as atualizações tanto de Royals quanto de New Start serão bem mais frequentes, afinal, estarei de férias - tuts tuts.

Capítulo 4 - Se magoasse.


Fanfic / Fanfiction New Start - Capítulo 4 - Se magoasse.

"Você é precipício

Já sabia disso 

Mesmo assim

Pulei.


Adoro quedas"

@da.arte (instagram)




Regina

Senti meu coração perder algumas batidas quando olhei para baixo e vi meu mais velho sobre um cavalo, vindo em direção à minha casa. Eu estava no quarto, na sacada, olhando um pouco para o horizonte enquanto esperava os criados terminarem de fazer o jantar. Havia um homem adulto ao lado do meu filho, que logo reconheci. Era o louco que tinha tentado fazer de mim uma idiota. Meus dedos seguraram o apoio com mais força, ao passo que ia sendo tomada por imensa ansiedade. Não sabia se ficava nervosa por ver Henry novamente e, dessa vez, aparecendo aparentemente por conta própria, ou se ficava nervosa por ver aquele homem de novo. Já não havia feito escândalo o suficiente de manhã?

Quando avançou, poderia ter defendido à mim mesma com magia. Porém, anos atrás, quando meu menino estava bravo comigo, uma das coisas que fizeram com que nossa relação melhorasse foi eu renunciar toda aquela feitiçaria. Comecei a pensar que talvez se me acostumasse a não usá-la para tudo, poderia reaproximá-lo. Por isso, quando aquele homem desconhecido abriu os braços parecendo querer me agarrar, deixei que os guardas me protegessem. Precisava provar que não era dependente de obras sobrenaturais.

Os rapazes se aproximaram da entrada e os perdi de vista. Saí da sacada e aguardei que uma serviçal viesse anunciá-los. Dentro de mim existia a esperança de Henry entrar no quarto sem bater alegando ter ido fazer uma visita surpresa. Logicamente, minhas expectativas foram renegadas.

Pedi que a mulher deixasse que subisse e viesse conversar comigo à sós em meu aposento. Assim fez. Minutos depois, ouvi duas batidas leves na porta e permiti a entrada.

A cabeça do adolescente apontou para dentro e ele deu um sorriso sem mostrar os dentes. Abriu mais um pouco e adentrou sozinho. Me segurei para não perguntar sobre o homem que o havia acompanhado. Não era bem vindo em minha casa.

— Meu amor! — exclamei assim que Henry entrou. Caminhei até ele e lhe dei um abraço apertado, este que retribuiu, mas não parecia confortável. Não tanto como ficava quando nos tocávamos em Storybrooke.

— Oi, Regina — disse apenas. Ouvi-lo me chamar pelo nome soava como um barulho incômodo. Já havíamos passado dessa fase. Atualmente, deveria chamar-me apenas de mãe.

— Como você está? — O libertei do abraço e segurei em seus ombros, curvando um pouco a coluna para que ficássemos do mesmo tamanho. — Ando sentindo muito a sua falta, sabia?

— Estou bem, e... Pois é. Sei que não estou muito presente nas últimas semanas, mas estou aqui agora. — Levantou as mãos como se quisesse mostrar si mesmo para mim.

— É isso que importa. — Sorri, procurando puxar assunto. — Contaram sobre Roland?

— Ah, sim... Minha mãe disse que viria morar com você — disse com desdém.

Emma ele chamava de mãe.

— Por que não fica também? — propus. Poderia ser precipitado, mas eu queria tanto que meu filho ficasse assim como quando ainda era só uma criança. Depois que a salvadora quebrou a maldição, ele passava apenas um dia ou outro comigo. Sempre sentia saudade e desejava que voltasse atrás.

Levantou as sobrancelhas e deu um passo para se afastar, como se tivesse ouvido um absurdo.

— Não, Regina. Não foi pra isso que vim aqui.

É claro. Ele nunca abriria mão da vida que tinha atualmente. Que tolice a minha.

— Eu só achei que tinha sentido saudade. Eu estou com saudade — enfatizei. Meu filho olhou pra baixo e engoliu em seco. Ficou óbvio que queria evitar uma situação daquelas. Soltei seus ombros e fiquei com as costas ereta. — Pode vir quando quiser, está bem? Para morar ou apenas visitar. O importante é vir. — Sorri.

Apenas assentiu, ainda evitando olhar para mim.

Me afastei um pouco, tentando seguir o conselho de David sobre como lidar com adolescentes, e recordei do homem que o acompanhava na entrada. Virei-me de frente para ele e dei início ao novo assunto:

— Aquela pessoa que chegou com você. Quem é?

O rapaz ergueu rapidamente a cabeça e pôs a mão na altura da face. Estalou o dedo do meio e o dedão, como se tivesse acabado que se lembrar do que realmente havia ido fazer ali.

— Foi sobre isso que vim falar. — Deu alguns passos para trás até chegar perto da porta e fazer um sinal, chamando alguém para entrar.

Soube imediatamente que pedia que o falso Robin viesse aos meus aposentos. Antes que o impedisse, o homem pôs os pés no quarto e Henry começou a falar no instante em que me viu negar com a cabeça e ameaçar dizer algo.

— Preciso que o contrate. Esse é um guarda do Palácio da minha avó e garanto que é muito competente no que faz. — Deu dois tapas nas costas do novo amigo, como se quisesse mostrar a mim tamanha era sua intimidade. — Não é mesmo, Maguire? — perguntou em tom de voz alto.

Maguire? Isso provou-me com quem estava lidando. Aquele indivíduo era mesmo um loroteiro perigoso. Além de tentar me enganar e mentir em relação ao nome, fazia o mesmo com minha criança. Será que se manteve preso numa caverna durante as últimas décadas, totalmente afastado de qualquer outro ser humano, para não saber do que eu era capaz? Será que ninguém havia lhe dito que com Rainha Má não se brinca?

Mudei para melhor, isso era verdade. Não era mais dona de tal título. No entanto, se alguém ferisse Henry de qualquer forma, não tenho certeza se conseguiria me segurar. Era ele minha fraqueza. Estava disposta a contar isso ao farsante de maneira educada, ressaltando que não gostaria de ter de fazê-lo provar do resto de trevas que havia em mim.

— Não vou contratá-lo — disse somente.

Encarei a face do mais velho com seriedade, deixando claro meu incômodo com sua presença. Ele olhava para mim de forma diferente, como se enxergasse esperança. Quase abri a boca para avisar que, se era aquilo que procurava, deveria procurar uma tal pele branca como a neve, lábios vermelhos como sangue... E toda aquela coisa.

Eu poderia dar esperança, oportunidade a qualquer um. Menos para ele. Robin estava morto e era o amor de minha vida. Que ser humano em boas faculdades mentais ou com o mínimo de bom senso brincaria com uma coisa dessas?

— Ah, é claro. — Henry olhou para ele e lançou-lhe um sorriso travesso. — Deve ser por causa da nossa diversão.

— Que diversão? Henry, você conhece esse homem há quanto tempo? Sabe o que ele...

— Eu sei, Regina. — Revirou os olhos. — Aquilo tudo, com você, foi uma brincadeira.

Haviam armado me enganar? Desejei do fundo de meu coração que tivesse entendido errado. Meu próprio filho era aquele que escandalizava-me com a maldade de zombar de minha dor. Uma fenda se abriu entre meus lábios e um sopro de ar saiu rápido. Abaixei os olhos, tentando engolir tal informação, mas logo os levantei, negando-me a crer em tal coisa. É claro que minha criança nunca faria algo do tipo.

— O que quer dizer?

— Isso desse cara ser o Robin. Quer dizer, na verdade ele é, mais ou menos.

Arqueei as sobrancelhas, esperando que continuasse.

— O nome desse guarda é Robin Maguire e nos conhecemos há um mês. Fizemos amizade num dia que inventei de ir caçar com David e acabei me perdendo. Depois de um tempo, entrei em perigo com alguns homens estranhos e Robin me salvou, levando-me até meu avô novamente. Ah, e também houve o dia em quê meu cavalo se descontrolou e não conseguia pará-lo. Essa foi a segunda vez que Maguire livrou-me da morte.

O fato daquele homem que conquistara meu desprezo se chamar Robin, incomodava-me abundantemente.

Encarei o dito herói e notei que seu olhar se mantinha baixo. Não exalava mais esperança, e sim, constrangimento.

— Estou contando-lhe tudo isso para que saiba o quão verdadeiramente competente é, e para que o recompense de alguma forma. Meus avós não souberam fazer isso muito bem, tanto que o demitiram, mas acredito que você preza um pouco mais pela minha vida, não é? Daria um bom pagamento ao responsável por eu estar vivo agora.

O tom de meu filho era estranho, como se ditasse uma ordem, ou quisesse me chantagear. Naquele momento escrevi um lembrete mental para que tivéssemos uma conversa séria antes de sua partida.

— Por que Branca e David mandariam esse grande herói embora se é assim tão competente? — indaguei.

— Estamos com superlotação na guarda. Ele não foi o único a perder o emprego. Mas, adquirimos tanta amizade que prometi que lhe daria um bom trabalho, num bom lugar, para que não saísse perdendo.

Aquela história era muito estranha. O Castelo de minha enteada até poderia ter muitos guardas, mas, se sobrasse, ela os mandaria para o exército, certo? Porém, se tivesse alguém tão especial como o falso Robin, demitiriam outra pessoa em seu lugar. Mas decidi encorajar meu filho a continuar contando.

— Sei... Claro — falei pausadamente. — Contudo, você disse algo sobre uma diversão. Do que se tratava mesmo?

O guarda encarou seu companheiro, o tempo todo em silêncio. Pelo menos tinha boa educação.

— Espero que não se importe, mas há alguns dias que apostei algo com ele. Resumindo, perdeu a aposta e como castigo precisou fazer qualquer coisa que eu pedisse. — Senti um frio na espinha com a expectativa, ansiando veemente que meu eterno pequeno príncipe ainda fosse apenas isso. Um pequeno, carinhoso e generoso príncipe que nunca faria nada para machucar sua mãe. — Mandei que viesse até você e fingisse ser o Robin que namorou um dia.

Meu filho pronunciara cada uma das palavras com naturalidade, como se fosse o mesmo que desejar bom dia. Aquilo foi como um soco no meu estômago. Estava claro que havia mudado completamente. Não era mais o menino que criei. Algo grave havia cruzado seu caminho, destruindo a essência da qual tanto me orgulhava. Falou sobre Locksley da forma mais leve do mundo, como se nunca tivesse importado, como se não doesse. Além disso, ria pelas minhas costas enquanto observava minha cara de ódio ao tempo que ouvia o impostor me zombar mais cedo. Henry não teve um pingo de piedade e não medira as consequências. Durante toda a vida, desde o momento em que me tornei sua mãe, nunca senti meu coração desfalecer em decepção como naquele instante, quando descobri que toda a bondade que existia no dono de minha fraqueza, havia simplesmente evaporado.

— Henry... — falei quase de forma inaudível. — Como pôde fazer isso comigo?

Nem conseguia discutir ou descrever em palavras altas para que pudesse saber o tremendo erro que havia cometido. Era como se eu não reconhecesse meu próprio filho.

— Ah, Regina, nos desculpe, foi só uma brincadeira de mal gosto. Eu sei, a culpa foi toda minha. Não desconte sua mágoa em Maguire, ele não foi não responsável por nada, estava apenas seguindo ordens. — Caminhou até mais próximo de mim e sentou na cama, deixando apenas eu e o guarda de corpo ereto. — Então, que tal ter um guarda competente e muito obediente, como acabei de provar, ao seu dispor? — propôs animadamente juntando as mãos.

Era inacreditável a forma como o adolescente tratava aquele assunto tão sério. Seria mesmo possível que existisse uma camada de algo tão grosso sobre seus olhos que o impedia de enxergar a desastrosa atitude que havia tomado? E, ainda por cima, insistir no erro e querer que eu contratasse aquele indivíduo? Nunca. Era demais para mim.

Levei os olhos até o mais velho, que parecia ainda mais constrangido. Por um momento, imaginei que talvez também estivesse desconfortável com a situação. Mas, por quê? Era o protagonista de toda a mentira e agora mostrava-me estar chateado? Era só o que faltava. Ou, talvez, aquilo também fizesse parte do jogo deles. O olhar triste que o falso Robin lançou para mim poderia fazer parte do plano. Também não tinha o mínimo de piedade. Queria ver se fosse ele em meu lugar.

— Regina? — Henry voltou a perguntar. — E então? A vaga é do meu grande amigo aqui?

Não consegui responder, por mais que meu cérebro gritasse incontáveis “não!” de forma desesperada.

— Ah, vamos lá, pare de fazer drama! — Levantou e bateu as mãos nas coxas. — Foi só uma brincadeira. Não consegue lidar com isso? Pelo amor de Deus!

— Henry... — Foi a primeira vez que ouvi a voz do mais velho após nosso primeiro encontro pela manhã. — Pare. Agora. — Seu tom soava firme e sério, como se fosse não um pedido, mas sim, uma ordem para que meu filho parasse de falar.

Ele devia ter prestado atenção em minhas feições e percebido o quão magoada fiquei com a atitude de minha não mais tão criança. Hesitei no mesmo momento. Era um estranho que soube exatamente o que eu queria: que o menor se calasse. Era como se já me conhecesse. Leu meus pensamentos tão rápido e com tanta facilidade que senti-me assustada. Porém, sua coragem me impressionou mais uma vez. Em toda a vida como Rainha, nunca, nenhum dos guardas foi capaz de interromper uma conversa minha. Mesmo que talvez fôssemos próximos por conta do cargo de chefia. Muitos presenciaram principalmente diálogos meus com minha mãe, na qual ela muito me magoava, e nenhum se sobrepôs a travar meu sofrimento. Apenas Maguire.

— O que foi? — o mais jovem perguntou. — Estou tentando te ajudar, se é que não percebeu.

— Está magoando sua mãe, se é que não percebeu — enfatizou as últimas palavras.

— Você quer ou não esse emprego? — respondeu quase gritando.

Robin mirou-me com a visão e percebi na feição que estava arrependido de alguma coisa, como se estar ali fosse um erro. Diria que também sentia vergonha. Como era difícil saber quando uma pessoa desconhecida estava sendo verdadeira ou não... Droga! Todavia, por mais que isso me assustasse, existia uma certeza em mim que dizia que o homem não estava sendo um farsante. Pelo menos não naquela hora. Era como se eu reconhecesse aquele olhar, aquelas verdades ditas em silêncio.

— Desculpe, Reg... Majestade. — Abaixou o rosto novamente. — Não foi minha intenção causar tudo isso. — Me observou de novo. — Por favor, aceite meu sincero pedido de perdão. Nunca quis magoá-la fingindo ser alguém que não sou. — Engoliu em seco, passando-me a impressão de que aquelas palavras estavam saindo com dificuldade.

Não soube o que responder. Se apenas pudesse ter certeza que estava de fato arrependido seria mais fácil, no entanto, não podia ignorar o fato de que, querendo ou não, havia tocado em uma ferida ainda não cicatrizada.

— Você o perdoa, mãe? — Henry voltou a se manifestar. Para aquilo ele me chamava do que eu realmente era. O comportamento me passou uma má impressão. Enquanto estávamos conversando normalmente era “Regina”, quando quis pedir algo, tornou-se “mãe”. Lutei para ignorar o fato.

Em resposta à sua pergunta, pensei por um momento. Encarei Robin e parei para refletir. Seu peito subia e descia, numa respiração intensa. O azul dos olhos transmitia uma tempestade de sentimentos implorando para que fossem acalentados. As mãos estavam escondidas atrás do corpo, ao tempo que tentava manter a postura o mais ereta possível. Não sabia o que dizer em relação à tal pergunta. O que mais aprendi ao decorrer dos últimos anos, foi do valor do perdão. Perdoar e ser perdoado era um dos maiores requisitos, se não o maior, para uma pessoa viver em paz. Senti a veracidade daquilo na própria pele e me esforcei para conseguir identificar o que se passava em Maguire. Estava realmente arrependido ou aquilo era mais uma mentira?

— Se arrependeu de fato, Sr. Maguire? — expus meu pensamento em palavras altas, atenta à reação e aos olhos daquele homem, decidida a descobrir seu caráter.

— Com todo o meu coração. Nunca lhe causaria qualquer tipo de sofrimento de propósito. — Seu cenho estava levemente franzido, enquanto eu enxergava a ansiedade tomando conta de seu espírito.

Torci os lábios e os umedeci em seguida. Relaxei os braços e suspirei, tentando fazer o julgamento o mais rápido possível. Observei minha criança que olhava-me tensa, como se tudo dependesse da resposta.

Não podia ignorar tudo o que havia vivido. Aprendi o que é fazer algo terrível e se arrepender amargamente mais tarde. Não pude aceitar ficar do outro lado dessa vez, como se eu fosse a vítima. Se aquilo era uma das duas coisas da qual Robin precisava, então teria. Porém, seria a única atitude bondosa que arrancaria de mim.

— Perdoo você, Maguire.

Henry sorriu de orelha a orelha e fechou os punhos. Ergueu-o até a altura do rosto e abaixou os braços rapidamente, comemorando.

O guarda também sorriu, mas sua reação foi diferente. O ato foi terno e aliviado, como se aquilo fosse a única coisa que desejasse. Suspirou e assentiu, pronunciando logo depois:

— Muito obrigado, Majestade, não sei como posso agradecer.

Talvez estivesse pensando que, junto com o perdão, ganhara também o emprego. Tolo. Isso seria algo mais difícil de conquistar. Por mais que eu fosse fazer esforço para esquecer sua atitude infeliz, também não lhe abriria todas as portas como se tudo já estivesse perfeitamente bem.

— Tem minhas desculpas, mas não o trabalho.

A alegria do mais jovem rapidamente se foi.

— Como? — questionou.

— Posso perdoar seu amigo. No entanto, não o quero trabalhando em minha corte.

— Regina, eu vim aqui só por causa disso! Fiz a viagem à toa? — ele vociferou.

Definitivamente não era coisa de minha cabeça. Henry me procurou apenas por interesse, não tinha saudades de verdade. Não sentia minha falta como eu sofria pela dele. Jogou na minha cara que Robin foi o único e verdadeiro motivo de sua vinda. Aquela conversa estava me destruindo.

Eu podia ser forte em relação à muita coisa. Podia engolir e relevar tudo e ainda assim continuar em pé, pegando todas as dores e as camuflando para que nunca viessem à tona e me transformassem novamente no monstro que fui um dia. Porém, quando essa dor era em relação à minha cria... Ah, isso não... Isso era insuportável. Esta era a verdadeira e literal palavra que cabia em tudo relacionado aos meus sentimentos em relação à Henry nos últimos meses, mas especialmente naquele instante: Insuportável. Minha decepção era insuportável.

— Eu disse pra você parar! — Robin bradou na mesma altura que meu filho. Em outra situação, eu o repreenderia e discutiria sobre quem estava pensando ser para falar daquela forma com ele. Contudo, eram amigos. Talvez Henry o ouvisse mais do que à mim.

— Pare de me mandar ficar quieto, Robin! Vou voltar a perguntar e quero que você decida de uma vez: Quer ou não esse emprego? — o adolescente pronunciou as últimas palavras pausadamente.

Pensei que a resposta do guarda seria imediata. Um “sim” sairia de seus lábios e seria apenas isso. Mas, na verdade, refletiu por um tempo que me pareceu uma eternidade. Olhou para mim, de forma que senti-me intimidada. Sua intensidade atingia meu corpo com força, como ondas eletromagnéticas ainda mais acentuadas que o normal. Como se algo dissesse que estávamos ligados. Estranho. Eu mal o conhecia e sua presença podia causar algo tão vivo e ao mesmo tempo complexo em mim? Tratei de afastar os pensamentos. Era óbvio que só estava sentindo aquilo por conta dos sentidos à flor da pele que meu filho causara. Nada era real. Podia ser a tristeza e carência falando mais alto.

Robin continuou pensando até observar meu rosto e destinar-me um sorriso triste e sutil. Seu tom de voz tornou-se ameno quando abriu os lábios e pronunciou o que eu não esperava ouvir:

— Não. — Demorou mais alguns segundos para completar. — Não assim.

— Mas que diabos está dizendo? — Henry quase gritou inconformado. Assustei-me quando ouvi tal expressão sair da boca dele.

— É isso mesmo. Não foi assim que combinamos. Está tratando esse assunto como se não importasse e não percebe o quanto está magoando sua mãe. Sua mãe, Henry! — Foi o momento de Maguire perder a pose e assumir um papel mais protetor. Espere, pensei, protetor? Protegendo a mim?

— Essa é sua resposta final? — Henry indagou.

— Com certeza — o mais velho respondeu. Estava visivelmente chateado com a atitude de meu menino.

— Então, o que está esperando, Robin? — o adolescente vociferou — Saia daqui. Eu tentei de verdade ajudar você e me esforcei dando o máximo de mim até que conseguiu estourar o limite de minha paciência. Desisto de você. Faça o que sabe de melhor: vá embora pedir ajuda a outro idiota por não saber fazer nada sozinho!

— Já chega! — bradei com convicção.

O mais jovem mal tinha terminado a frase e arranquei uma força que nem percebi estar em mim naquele momento para repreendê-lo. Vê-lo dizendo coisas tão insensatas à Robin desencadeou o empurrão que precisava para colocar limites naquele garoto.

— O que está acontecendo com você?! Veja o jeito que está falando com ele! Isso é lá maneira de tratar as pessoas? — falei, com as sobrancelhas arqueadas e o dedo levantado na direção dele. — Por que está assim, Henry? Sempre me deu tamanho orgulho por ter tanto cuidado e afeto pelos outros, o que mudou?

Emburrado, o jovem bufou e cruzou os braços.

— Não vou dizer nada enquanto ele ainda estiver aqui. — Inclinou a cabeça na direção de Robin.

O mais velho, por sua vez, fitou-me, aguardando uma resposta. Como havia me impressionado com atitudes e com sua presença que curiosamente me dava uma sensação singular, abri os lábios para dizer algo que não tinha certeza se era o certo a fazer:

— Pode se retirar, por favor, Sr. Maguire. Porém, fique pelo corredor. Falarei com você daqui a pouco.

No mesmo segundo, me arrependi por estar claramente tomando uma decisão errada.

O homem sorriu para mim e assentiu. O observei sair do quarto, fechando a porta.

— Por que gritou comigo na frente dele? — o garoto questionou. — Tem ideia da vergonha que me fez passar?

— E você? Por que gritou comigo, que sou sua mãe e mereço muito mais do que esse respeito inexistente que está me dando? Esperava outras coisas de você, Henry, outras atitudes. Imaginei que, ao passo que fosse crescendo, amadurecesse e desse ainda mais valor à boa educação que fiz questão que tivesse.

— Você se acha muito boa, mas, na verdade, não sabe de nada. Eu mudei, Regina, lide com isso!

Meu filho atacava-me pedras e pedras, nunca pensando em parar ou em quando é que havia começado a doer. Me respondia de forma áspera, deixando-me inconformada.

— Mudou? Ora, se já não percebi — ironizei. — Anda falando palavrão, desrespeitando-me e fazendo o mesmo com pessoas que só querem seu bem. Aquele homem salvou sua vida mais de uma vez e é assim que retribui? Não foi isso que ensinei! Aliás, não foi isso que eu, Emma, Branca e David ensinamos a você. Quatro pessoas já não são mais suficientes para tentar colocar algo de bom na cabeça de uma criança?

A última palavra pareceu revoltá-lo ainda mais.

— Não sou criança! Para o seu governo, tenho quinze anos e sei de muito mais do que vocês todos imaginam.

— É mesmo, Henry? Então, diga, do que é que você sabe? — Caminhei até ele, desejando profundamente conseguir tirar aquela perversidade de meu menino.

O garoto pensou se deveria dizer o que visivelmente sabia. Olhou para o chão e suspirou. Caminhou até meu encontro e pronunciou com convicção:

— Sei que algo ruim espera por você. Não tenho certeza do que é e nem do que essa coisa quer, só sei que você está diretamente envolvida e quero ver quando conseguir alcançá-la.

As palavras me fizeram arrepiar. Do que meu filho poderia saber que era assim tão grave? Será que inventava aquilo apenas para me assustar? Mas, acima de tudo, o que mais me magoava era a forma como dizia. O tom de voz grosseiro, não media palavras ou vírgulas, simplesmente pronunciava o que desse vontade. Para ele, si próprio era quem verdadeira e somente importava ali.

— Do quê está falando? — questionei.

Minha cria deu-me as costas e começou a andar rápido até a porta. Agora, fugir era a melhor opção, não é? Podia não ser criança, mas agia como uma.

— Henry, volte aqui agora! — bradei. Fui ignorada, obviamente.

Quando percebi que o menino começara a andar mais rápido sem a intenção de parar, corri até ele, lutando para alcançá-lo. As portas do quarto se abriram e passamos por ela, ainda discutindo.



Robin

Saí do aposento de Regina à pedido da mesma — e ordens de seu conturbado filho — e caminhei até o corrimão da escada, que não ficava muito longe da porta de seu quarto. Estava esperançoso, mas ao mesmo tempo chateado e duvidoso.

Esperançoso pois ela quis falar comigo, e ainda por cima, pediu com calma, o que fez-me pensar que poderia ser um sinal para que ela não tivesse uma má notícia a dar. Sentia-me também chateado, afinal, Henry fez tudo da maneira mais equivocada que poderia ter feito. Sei que o que eu e meu amor tivemos foi real, assim, é claro que o período de luto foi uma época complicada para ela. Não gostava muito de pensar em Regina sofrendo, isso era como um imã que puxava a tristeza para se juntar a mim e só se fosse no fim do dia, quando deitasse a cabeça no travesseiro para tentar relaxar e não pensar nisso, e sim, em seu sorriso que tanto iluminava minha vida.

Henry havia feito tudo errado. Estragou tudo o que tínhamos combinado. No caminho do Castelo de Branca ao Castelo de Regina, ele teve toda a ideia de dizer que, o fato de eu ter dito ser quem sou, era fruto de uma brincadeira com ele. Uma aposta. Não gostei da ideia e avisei que isso a faria ter ainda mais raiva de mim e, ainda por cima, ficar magoada com ele. O garoto não pareceu se importar. “Só preciso deixá-los juntos. Isso fará com que o que há de errado comigo logo se concerte”, foi o que disse. Imaginei que, se fosse em outra época, o príncipe teria tido uma ideia mais saudável, porém, quando tentei intervir, perguntou se eu tinha outra opção, e é claro que a resposta foi não.

Todavia, coloquei-me a querer sair do plano quando começou a tratar a própria mãe de forma tão maldosa. A respondia sem o mínimo de consciência ou consideração. Ver o rosto de meu amor com aquela expressão de profunda decepção fora demais para mim. Queria poder dizer ao garoto algumas verdades, no intuito de controlá-lo, mas esforcei-me a lembrar de que, naquele instante, eu não era Robin de Locksley, e sim, Robin Maguire.

Por fim, também sentia-me duvidoso pelo fato de não fazer ideia se a monarca havia sentido algo bom sobre mim ou sobre nós. Será que enxergara minha sinceridade e o quão desconfortável fiquei por ter precisado viver um momento tão delicado como aquele? A única coisa que queria fazer era abraçá-la e mandar que Henry lhe pedisse perdão. Sabia que a havia machucado muito. Se Roland me dissesse palavras tão ríspidas, daria uma bronca, mas também ficaria magoado por ter tido tal atitude.

Fiquei debruçado no corrimão durante pouco tempo, mas o suficiente para me virar assim que ouvi os gritos da Rainha mandando que seu filho parasse para ouvi-la.

Não sabia para onde ir, se deveria ficar ali ou sair para deixá-los à sós. No entanto, Henry caminhava tão rápido em minha direção para descer os degraus, que imaginei que nem faria diferença sair ao não.

— O que quis dizer quando disse que queria ver quando essa tal coisa ruim conseguisse me alcançar? — Regina perguntou nervosa, enquanto se aproximavam cada vez mais. — Está me desejando o mal, Henry?

— Não quero falar com você. Vir aqui foi um erro. Ficarmos sem nos ver é o melhor que fazemos. — O garoto começou a descer a escadaria.

— Não pode dizer isso. Eu sou sua mãe!

O mais jovem parou no meio do décimo degrau e se virou, olhando em direção à mulher.

— Não é não! — bradou. — Emma é minha mãe! Você só foi alguém que me tirou a vida que eu realmente queria ter, que deveria ter sido ao lado dela! Você não significa nada pra mim, já devia ter percebido isso!

Aquilo me atingiu em cheio, e olha que nem era em relação à mim. Deslizei o olhar vagarosamente até a morena ao meu lado, que estava paralisada. Meu coração ficou acelerado e quase repeti o palavrão que o garoto havia dito, de volta para o dono. A dor no peito da Rainha era quase palpável, de tão óbvia e visível. Havia parado de correr e relaxado os braços, como se tivesse desistido. Desejei arrancar aquela dor e passar para mim, assim ela não precisaria mais sofrer.

Henry continuou olhando para ela e percebi que ele havia notado que falara algo que terminara de destruir os sentimentos da mulher que o criou. Engoliu em seco e virou-se, voltando a correr até o térreo para ir embora. Dessa vez, Regina não foi atrás. Ainda paralisada, ela ficou observando seu filho correr enquanto uma lágrima escorreu de seu rosto sem que ela fizesse o mínimo de esforço. A gota rolou por todo o seu rosto até que perdesse o adolescente de vista. Assim, se virou na direção oposto e andou rápido até o próprio quarto.

Tive certeza de que, depois daquilo, ela ia afogar sua dor em ainda mais lágrimas.

Pensei em ir atrás de Henry, porém, possivelmente começaria a gritar de tanto brigar com ele. Além disso, alguém naquele Castelo precisava mais de mim do que um moleque ingrato e revoltado.

Caminhei até a porta da suíte da monarca e ouvi o barulho de vidro se quebrando. Como a entrada já estava escancarada, me infiltrei e pude flagrá-la jogando frascos ou vasos de qualquer coisa na parede, acompanhada de sua magia.

Seu rosto havia adotado uma feição de raiva e desespero que eu nunca havia visto antes. Ela atacava os objetos sem parar, e seu rosto ficava cada vez mais vermelho.

— Regina, pare! — Nem me lembrei que deveria tratá-la como “majestade”, apenas desejava acalmar a tempestade que existia dentro do ferido peito do meu amor.

Ela me ignorou, como eu já esperava que fizesse, e continuou com a atividade.

Sabia que ela possivelmente me odiava, mas toda aquela situação parecia aumentar a intensidade do nervosismo a cada segundo. Mesmo sendo arriscado, eu precisava fazer a única coisa que sabia que poderia melhorar aquilo.

Aproximei-me dela devagar e comecei a falar da forma mais serena que conhecia:

— Ei, está tudo bem. — Repeti a frase mais três vezes, enquanto me aproximava cada vez mais. — Ele já foi embora, mas eu estou aqui e estou do seu lado. — Regina continuava atacando os objetos na parede, porém em menor velocidade, e agora chorava incansavelmente. O rosto ficara ainda mais vermelho, ao tempo que sua expressão de choro ganhou força e as lágrimas caíam e escorriam uma atrás da outra, sem prévia para o fim. — Está tudo bem agora. Eu estou do seu lado, estou com você. Tudo bem.

A Rainha deu alguns passos para longe de mim, enquanto mantinha um espelho pendurado no ar, pronto para ser lançado contra a parede mais próxima. Cobriu a boca com a mão esquerda e silenciou um grito que sei que estava preso na garganta.

Vê-la daquele jeito partia meu coração. Era como se tudo parasse de fazer sentido ou como se as coisas do mundo, até as flores mais lindas, perdessem a cor. Tudo se tornasse branco e preto, e eu só fosse estar bem quando pudesse ter a certeza e a paz na alma que dizia que meu amor também estava.

Voltei a caminhar lentamente até ela, ignorando o fato de ter preferido se afastar e chorar só.

— Sei o que está sentindo e sei que é insuportável — falei, calmo. — Mas tem que se acalmar agora. Não é assim que vamos resolver as coisas.

Fui chegando cada vez mais próximo, então ela deixou que o espelho caísse no chão, por conta da desconcentração que eu estava lhe proporcionando. Sua mão tremia e ela a abaixou e abraçou o próprio ventre, ao tempo que a coluna se inclinava ainda mais para frente, demonstrando a força que fazia enquanto tempestades de dor escorriam dos olhos vermelhos.

— Deixe eu tentar te ajudar, está bem?

Assim que consegui ficar literalmente ao lado do meu amor que continuava chorando profunda e eminentemente, pude observar suas bochechas encharcadas de tanta água, a maquiagem borrada abaixo dos olhos e a dolorosa expressão de padecimento que vinha do âmago de seus sentimentos e saía pelas gotas pesadas e carregadas de desgosto e agonia. Naquele segundo, decidi que cumpriria meu objetivo sem pensar novamente nos riscos que corria ou em qual seria a reação da morena quando eu o fizesse. Uma angústia se apoderou de minha alma e me fez implorar aos céus que me ajudassem a conseguir acalentar meu bem mais precioso, foi aí que parei de olhar para sua situação e coloquei a mão em sua cabeça, puxando-a devagar para que escondesse o rosto no vão entre meu ombro e pescoço, o lugar onde poderia chorar, desabafar e descansar o quanto quisesse, que nada no mundo atrapalharia.

Ela fez o que eu queria que fizesse mas demorou um pouco para afrouxar os dedos que estavam presos na mão fechada e relaxá-los, descansando-os em meu peito. Passei o braço livre por cima de suas costas, enlaçando-a forte, a fim de que aquele ato fosse capaz de amenizar a sensação e desespero interminável que assombrava seu coração.

Regina soluçava e eu podia sentir sua barriga se chocando levemente com a minha ao passo que os suspiros iam ficando mais intensos. Ouvia os murmúrios de sua voz que ainda guardava o grito silencioso que talvez não sairia naquele fim da tarde. Levou a mão até minha roupa e enrolou os dedos até que ficassem bem presos e puxou o tecido, buscando usar força para descontar o sentimento horrível em algo e fazê-lo sair de si.

Uma de minhas mãos acariciava o couro cabeludo em vários lugares, no propósito de utilizar o amor que tinha por aquela mulher para incentivar sua calma a retornar.

Ela se apertou ainda mais no lugarzinho guardado para ela no meu pescoço, e continuou derramando a dor que a pessoa que ela mais amava no mundo havia causado. Henry tinha caprichado em abrir um grande buraco no coração da morena, e eu não poderia estar mais estressado e inconformado com ele. No entanto, aquele era o momento em que eu ficaria do lado de minha mulher para fazê-la se recuperar, me acertaria com o filho dela mais tarde.

Shiii... Está tudo bem agora — sussurrei em seu ouvido. Contive-me à tentação de beijar seu rosto, afinal, se me atravesse, ela se afastaria no mesmo instante. Limitei-me a abaixar a cabeça e encostá-la na dela.

Alguns minutos foram se passando até que consegui acariciar os punhos fechados com calma, e ela os abriu. Foi parando de soluçar sem se afastar de mim e eu desejava que seu abraço nunca se finalizasse. Fechei os olhos e senti o coração do meu amor batendo fortemente abaixo do meu e perguntei-me se a sensação era recíproca.

Ela moveu o próprio corpo alguns centímetros para trás, mas não eram suficientes para sair de perto. Afrouxei os braços, ela finalmente se viu livre, então arrastou o pé no chão, para que ao menos pudéssemos olhar nos olhos um do outro, já que ainda estávamos tão próximos. Não me restringi a abaixar a visão e admirar sua boca entreaberta, que ainda respirava intensamente. Quis puxar a nuca mais uma vez e colar-me aos lábios vermelhos tão deliciosos que apenas o meu amor tinha. Com medo de que percebesse meu desejo, mirei seus olhos novamente e a ouvi pronunciar um pedido de desculpas baixo e fraco.

— Está tudo bem. — Sorri. — Venha cá. — Me coloquei ao lado dela e abracei seu corpo com um braço, levando-a devagar até que pudesse se sentar na cadeira mais próxima: aquela que ficava na frente da penteadeira. Me ajoelhei no chão ao seu lado, quase encostado nas pernas cruzadas, e encontrei um lenço atrás de um dos únicos frascos que ela não havia quebrado e levei devagar até seu rosto. Deslizei suavemente o tecido pelas bochechas enquanto minha namorada encarava meus olhos, parecendo querer ler o que eu estava sentindo ou pensando. Esperava que conseguisse, assim veria que meu único desejo no mundo era protegê-la de tudo e qualquer coisa ruim que existisse. Não que Regina Mills precisasse ser protegida, ela já era boa o suficiente sozinha, mas isso não queria dizer que eu não deleitava-me com a sensação de ter podido ao menos acalentar seu coração e deixá-la com algum sentimento que a fizesse se acalmar.

Quando terminei de secar, pus o pano no mesmo lugar que o havia encontrado, e observei seus olhos turbulentos que desviaram-se dos meus. Parecia envergonhada.

— Desculpe novamente, eu... Não sei o que deu em mim — informou.

— Não ligue para isso, e também não ligue para as coisas que Henry vem dizendo atualmente. Prometo que terei uma conversa séria com ele, mas antes, preciso ter certeza que você ficará bem.

Ela sorriu sutilmente, fazendo-me acompanhá-la de forma praticamente automática. Minha preciosidade tinha o riso mais lindo do mundo, mesmo que, naquele momento, não o estivesse revelando por inteiro.

— Quer conversar sobre isso? — arrisquei.

Ela suspirou e levantou a cabeça por um momento, para depois me observar novamente.

— Você acha... — Sua voz saiu embargada, então ela tossiu de leve, limpando a garganta para conseguir terminar a frase. — Você acha que isso é culpa minha? Digo, ele era tão bom antigamente, será que fiz ou falei algo que fez seus ideais mudarem?

Um sentimento de compaixão se instalou em meu peito. Só queria abraçá-la novamente e repetir o mantra do dia “está tudo bem”. Segurei sua mão e olhei no fundo de seus olhos.

— Regina, nunca mais repita isso. Você é uma mãe maravilhosa e criou seu filho melhor do que qualquer outra pessoa criaria. Também não sei o que há de errado com ele, mas precisa ter fé que isso vai se resolver. Pode ser que seja apenas uma fase. Henry vai se arrepender e virá aqui pedir-lhe desculpas.

— Eu não teria tanta certeza.

— Então eu terei por nós dois. — Segurei sua outra mão e a beijei. Seria o máximo que meus lábios provariam dela naquele dia.

Regina parou de falar e observou minha face, como se estivesse descobrindo-me. Ficamos nos olhando por breves segundos até que ela desviou o olhar e suspirou.

Nossos rostos estavam separados por o que eu chamaria de quinze centímetros.

Quinze centímetros.

Um pequeno impulso e eu me afogaria naquele mar de formosura, virtuosidade e perfeição que era aquela mulher. Minha mulher. Quanto tempo precisaria esperar para chamá-la daquele jeito em voz alta de novo?

Tirou as mãos das minhas e limpou o molhado dos olhos, tentando fingir que já estava bem, mas eu sentia que não.

— Então, Sr. Maguire...

— Só Robin, por favor.

Ela hesitou, parecendo não gostar da ideia, mas acabou assentindo.

— Robin — repetiu. — Não quero te atrapalhar com meus problemas.

— Não está atrapalhando. Estou aqui por você.

Regina pensou um pouco, avaliando minhas palavras.

— Quer dizer, pelo seu emprego? — ela questionou.

Na verdade, minhas palavras queriam dizer que eu estava ali literalmente por ela. Para acalmá-la, protegê-la e amá-la. Estava lá para fazer de tudo para plantar a felicidade em sua vida, mesmo que talvez ela nunca fosse descobrir quem eu era de verdade, se eu conseguisse arrancar-lhe um sorriso, já seria suficiente.

— Não só por isso — falei olhando em seus olhos. Sabia que trabalhando para ela e conseguindo vê-la todos os dias era o único jeito de recuperar seu amor. Aquela parecia a melhor chance que teria para me manter junto, e aquela era a única opção. — Mas, sobre isso... A senhora realmente não permitirá minha permanecia aqui?

A Rainha estudou minha expressão e correu o olhar por todo o resto de minha face. Não sei se foi apenas impressão minha, mas senti que havia parado por alguns segundos para observar minha boca, e logo desviara.

— Posso confiar em você, Robin?

Sorri verdadeiramente enquanto respondia:

— Com todo o seu coração.

Regina retribuiu o ato e abaixou o olhar, para logo levantá-lo mais um vez. Se preparou para responder e meu peito se encheu de alegria ao ouvir a resposta.

— Então, a vaga é sua.



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