História Nicotine - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Bts, Jimin, Jiminie, Jiminnie, Park Jimin
Visualizações 19
Palavras 4.497
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bom... eu exclui as partes postadas pois estava confuso d+
Achei melhor postar tudo junto já q completei o cap.
Aconselho a ler novamente para maior entendimento.
Boa leitura 😇

Capítulo 3 - Spring


Fanfic / Fanfiction Nicotine - Capítulo 3 - Spring

Capítulo Dois

 

Meus pés correram em disparada de encontro a mansão, parei perto da porta para poder recuperar o folego de minha corrida. Curvei-me sobre os joelhos respirando com calma e de maneira profunda, o que diabos ele estava fazendo lá em cima? Olhei para o cabo claro da vassoura, havia duas digitais minhas manchadas de vermelho marcadas no cabo da mesma. Recompus-me e entrei na cozinha, todos trabalhavam para o jantar da madame e seu filho se é que descia de seu quarto para tal ato.

Ninguém me deu atenção quando atravessei a cozinha a passos apressado em direção ao meu quarto, ao entrar minha mãe me olhou de maneira aliviada provavelmente achando que tinha me perdido nos arredores da mansão. Ela arrancou a vassoura da minha mão e começou a varrer o cômodo, uma nuvem de poeira se ergueu pelo quarto enquanto a vassoura trabalhava de um lado para o outro. Pensei em contar a minha mãe o que havia presenciado minutos atrás, mas eu nem sabia ao certo o que tinha visto. Achei melhor omitir isso por enquanto, até entender o que estava acontecendo. 

Uma coisa era certa, aquele era o filho da madame. Não tinha como ser outra pessoa além dele, os únicos homens na casa eram os empregados e não tinha como ser um deles lá em cima. Eu queria ter visto ao menos seu rosto, minha curiosidade era enorme com relação a ele por algum motivo desconhecido. Talvez esse mistério todo que o cerca me fez criar uma expectativa sobre ele e uma curiosidade enorme. Mesmo estando aqui a nem cinco horas, era notável que ele tinha algum tipo de doença para sua própria mãe o esconder a oito chaves. Sejamos honestos, provavelmente poucos o conheciam e raramente metia o rosto para fora daquele quarto. 

Mas quem era eu para questioná-la? Ela é a mãe, deve saber oque faz para o bem de seu único filho. Por mais errado que sege tal coisa. Soltei um espirro quando a poeira me invadiu as narinas, abanei a mão para afastar o pó que chegava a mim. Sentei-me na única cama presente no quarto, observando minha mão naquele ritmo frenético com a vassoura pude voltar a meus pensamentos. 

Perguntava-me por quanto tempo ele estava trancado lá em cima. Meses? Anos? Dias? Quem poderia saber em que estado ele se encontrava? Será que ia a escola assim como eu? Se continuasse nesse ritmo com minhas perguntas ia acabar enlouquecendo rapidamente, eu mal havia chegado e já estava agitada com tudo isso. Era realmente estranho alguém dominar minha mente em tão pouco tempo e nem ao menos eu saber ao certo o porque ou quem ele era. 

 

❁ ...... ❁ ...... ❁ ......

 

A noite logo chegou fazendo o sol sumir de maneira lenta e preguiçosa em meio as nuvens gordas, a noite era mais fresco que o dia o que deixava o quarto numa temperatura perfeita para se dormir no primeiro vez de verão. Empurrei a janela e a tranquei deixando o vidro aberto para que ficasse arejado, o vento passava entre os vãos na janela de pouco em pouco. Cobertas foram jogadas ao chão formando uma grande pilha para fazer outra cama, nós duas não cabíamos na cama de solteiro. O quarto ficou iluminado pela luz fraca da lâmpada de LED em formato circulares. Minha mãe já estava com os pés descalços sob as cobertas.

- O que a senhora está fazendo? – Perguntei enquanto observava seus movimentos.

- Deitando? – Respondeu ela com um tom alegre, seus olhos expressavam que seu ato era o mais óbvio do mundo. 

- Pode deitar na cama, deixa que eu deito nessa pilha. – Relatei já a puxando de maneira delicada pelo cotovelo.

Sua boca se abriu em protestos e reclamações, mas eu já havia me apoderado da pilha de modo que ela se conformou em deitar na cama após apagar a luz e deixar o quarto na penumbra. Mesmo já ambas deitadas, seus protestos continuaram insistindo que eu deitasse na cama. Levou minutos para que ela se calasse e caísse em um sono leve. Apaguei logo depois de maneira espichada na cama, o chão duro se fazendo presente em meio a meu sono. 

 

❁ ...... ❁ ...... ❁ ......

 

Logo os fracos raios solares invadiram as frestas na janela iluminando o pequeno quarto na manhã de domingo, passei as costas das mãos em meus olhos fechados como uma forma de espantar a preguiça. Os abris e sentei-me na pilha do colchão, olhei pra a cama e a encontrei vazia, no entanto arrumada. Arrastei para fora das cobertas, minhas costas gritavam de dor e eu podia jurar ouvir um crack quando ergui os braços para me espreguiçar. 

Tirei a roupa de dormir e vesti a primeira que tirei na cômoda, era domingo e eu não fazia ideia do que fazer na Flórida, não conhecia nada e tão poucos tinha amigos aqui. Se fosse no Canada eu já estaria correndo pela praça com as crianças da vizinha, berrando pela casa cantando minhas músicas favoritas enquanto ajudava minha mãe a limpar casa canto da casa.

Soltei um suspiro, eu já estava sentindo falta de tudo isso. Mas entendia nossas necessidades pessoais para estarmos aqui. Após a morte de minha irmã , eu e minha mãe perdemos todo o foco no trabalho. Ela trabalhava para uma fabrica de costura, a fabrica sempre tinha muitos pedidos e, como ela não dava conta sozinha, eu a ajudava com o que conseguia. Outro suspirou escapou de meus lábios, as costuras começaram a ir para a revisão e sempre havia erros bobos, mas graves para os donos do negócio. Erros bobos para uma costureira de mão cheia não podia acontecer e, de certo modo, eles estavam certos. Mas minha mãe não tinha culpa por estar tão fragilizada.

Esse emprego foi como uma luz para nós, era a salvação de nossas vidas. Por isso ela aceitou, antes de sua decisão ser tomada ela comunicou e explicou tudo a mim. Eu realmente me senti aliviada pelo fato da salvação de nossa conta bancária, mas não queria largar tudo lá. Isso me detonou por dentro. 

Sai do quarto e me encaminhei a cozinha, minha mãe estava sentada com a Eulália em uma mesa redonda de mármore, uma xícara de café na frente de cada uma. Assim que escutaram meus passos na cozinha viraram para me olhar.

- Fleur! – Minha mãe abriu um sorriso assim como sua nova amizade. – Quer tomar café? – Ofereceu ela após tomar um gole curto do conteúdo da xícara.

- Claro. – Assenti, minha barriga doía de fome e aquele cheiro de café recém feito fez minhas pupilas dilatarem de desejo por experimentá-lo.

A Eulália se levantou e serviu uma xícara de café para mim e colocou alguns bolinhos de queijo e massa em um prato para acompanhar o café, sorrio e logo devorei um dos bolinho. Minha barriga resmungou em agradecimento. 

- Retomando o assunto... – Começou ela, o olhar fixo no da minha mãe. – A única coisa que precisa fazer é arrumar os cômodos. – Minha mãe assentiu de maneira frenética anotando tudo em sua mente. – Com certeza a madame já lhe avisou para não entrar no quarto do filho dela, não é?

- Sim, uma das ordens ao qual ela exigiu mais competência. – Observou minha mãe ao tomar mais um gole. 

Enfiei mais um dos bolinhos recheados na boca sentindo o queijo se derreter em minha língua, o assunto havia se voltado para o filho da madame, Dylan. Passei a prestar mais atenção na conversa agora que o assunto era esse.

- Eu não o vi no café da manhã. – Comentou minha mãe com as sobrancelhas franzidas. – Ele não estava em casa?

Eulália se permitiu sorrir e tomou o último gole de sua xícara de porcelana branca, pousou a mesma no centro de um pequeno prato apropriado para tal objeto.

- Ele vive aqui Magda. – Disse ela, suas mãos pousadas sobre o colo. – Ele raramente saí de sua caverna. – Ela riu de maneira delicada com sua referencia no final da fala.

-Nunca!? – Minha mãe a olhou com os olhos arregalados de surpresa com tal informação revelada. 

Isso não era total surpresa para mim, eu já tinha certa desconfiança com relação a isso.

- Como eu disse, raramente. – Confirmou ela com um balançar de cabeça. – Não é culpa dele, a mãe dele não o deixa sair e... – Ela se calou no ato, desviou o olhar para o relógio redondo e branco pendurado na parede acima da geladeira e soltou um assovio. – Preciso fazer o almoço ou me atrasarei.  

De maneira desajeitada levantou da mesa com a xícara em mãos e foi em direção a pia, uma escapatória um tanto excelente eu diria. Mas por quanto tempo as coisas ainda continuariam oculta?

O barulho de talheres se inicio quando uma garota emergiu pela porta principal da cozinha, possuía cabelos louros tão claros que pareciam brancos de encontro a luz do dia, os olhos eram dá cor de mel, o que combinava com sua pele clara. 

- Clarice! – Eulália exclamou parando de lavar a louça em meio a pia, a garota lhe lançou um olhar entediado. – Chegou cedo.

- Não tinha nada para fazer em casa então resolvi vir aqui. – Disse ela, sua voz era meio rouca como se estivesse gripada ou algo assim. – Mais tarde irei para a biblioteca.

- Poderia levar a Fleur. – Aconselhou ela  e seu olhar pousou em mim, os olhos cor de mel me encarando com certa desconfiança. – Fleur – ela me chamou e eu a olhei, desviando a atenção da sua cópia mais nova. – Está é minha filha.

Está informação extra rolou pelo meu cérebro, mas era evidente que havia certo parentesco entre as duas, afinal a semelhança era incrível. Seus lábios se contrariam até formarem uma linha fina rosada com gloss cor de pêssego, a ideia de me levar junto não a agradou nem um pouco pelo que aparentava. 

-Claro. – Tentou transmitir um pouco de entusiasmo forçado. – Podemos sair depois do almoço, o que acha? – Seu olhar se voltou a mim novamente e eu apenas assenti.  

Alguma coisa nela estava errada, seus olhos tinham uma expressão angustiada, seu corpo se jogou á cadeira perto da mãe que já preparava o almoço para a família. Minha mãe foleava o jornal da semana que encontrara para passar o tempo, o domingo havia chegado com o sol escaldante berrando acima de nossas cabeças. Era uma manhã imprópria para sair a menos que quisesse fritar como uma ovo na calçada.

- Como anda a escola? – A voz da Eulália se sobressaiu ao barulho das panelas. – Faz tempo que não vejo o Tae. Ele está bem?

- Ah... Ele está ótimo. – Seu tom vacilou e sua mentira teria sido descoberta se sua mãe não fosse tão ingênua. – Logo volta a frequentar a casa. – Seus olhos se apertaram e um sorriso se abriu, pequenas linhas se formaram na testa de minha mãe. Ela também havia notado o tom vacilante na voz garota. 

A faca batia de encontro aos legumes sobre a tabua de cortar, vapor subiam das panelas abertas em direção ao teto e as nossas narinas lhes proporcionando um aroma delicioso. Algo como carne de porco a molho de água de legumes cozinhava em uma das panelas fumegantes, a passos pesado o motorista, Woo, entrou na cozinha. Suas mãos grandes ajeitavam o capelo que amassavam seus cabelos pretos, sentou-se em um banco ao lado do de Clarice, as mão cruzadas sobre a bancada que havia pequenos potes de vidros contendo inúmeros temperos. 

Clarice mexia os quadris sob o banco de maneira desconfortável, estava inquieta por alguma razão. Acho que assim como para mim, Woo lhe causava certo desconforto. Sua estrutura me lembrava muito a de um gorila, daqueles quietos no entanto muito bravos.

- Fleur! – Minha mãe acenava para chamar minha atenção para si. -  O que está havendo com você?

- Nada... – Murmurei a encarando. 

- Anda tão perdida desde ontem – observou ela, eu nunca conseguia esconder nada de minha mãe. Ela tinha um dos piores dons dados por Deus. – Algo a incomoda?

- Claro que não, o que poderia me incomodar? – Respondi sua pergunta com uma outra, um sorriso leve brincando em meus lábios. 

- Não sei, é o que estou tentando descobrir desde ontem. – Retrucou elas, seus olhos fixos em mim como os de uma águia antes de capturar sua vítima indefesa. – Ah, encontrei marcas de sangue no cabo da vassoura... – Nada escapa de seus olhos, não é mesmo? – Você se cortou?

Meus olhos estavam fixos nos da minha mãe, mas eu sabia que os ouvidos de todos os três presentes no local estavam atentos a nossa pequena troca de comentários. 

- Sim, estava passeando perto de algumas roseiras que vi aqui perto. – Comentei da maneira mais natural que podia, o que não era totalmente mentira, havia roseiras enfeitando as janelas mais baixas. – Quando fui buscar a vassoura mamãe! – Complementei quando seu olhos se tornaram mais intensos e questionadores. 

Não sabia ao certo o motivo pelo qual não podia contar a ela sobre o garoto lá em cima, eu havia me convencido de que era pelo fato de que eu mesma não sabia mas... não era isso. Algo em minha mente dizia para não contar nada e eu apenas estava obedecendo a mim mesma, fazendo o que eu achava certo. Por mais que parecesse errado omitir tal coisas por inúmeros motivos. Ele podia ter se machucado seriamente lá em cima, seu corpo podia estar caído no chão já sem vida ou gravemente ferido.

Eu já havia lido muitas matéria sobre isso em jornais na antiga cidade, além de trabalharmos bastante o assunto durante as aulas. Era algo que preocupava bastante a sociedade, pelo menos por lá. Aqui era tão parado e tedioso, que a única preocupação era quando a grama precisava ser aparada novamente. Levantei-me da cadeira e pedi licença a mamãe para lavar o rosto, o calor me deixa com náuseas. 

Parei perto uma escada enorme que dava para o segundo piso, os degraus eram feitos de mármore branco assim como o piso que revestia toda a mansão. O corrimão era de um parecido com gesso, pequenos enfeites em revelo subiam pela lateral da escada a dando um charme discreto. Subi degrau por degrau dando no corredor acima que não possuía nada além de portas, uma janela que iluminava o corredor e uma mesinha com um vaso de flores meio murchas e alguns porta retratos. Tomada pela minha curiosidade, aproximei-me da mesinha. O vaso transparente continha lindas tulipas amarelas, entre elas jazia um cravo branco com alguns espinhos em seu caule, algumas das flores continham sua folhas marrons e murchas devido a falta de cuidados. 

Peguei um dos dois porta retratos que ali havia, o primeiro continha uma foto em tons escuros, era antiga. Suas bordas estavam amareladas e havia falhas no papel. Um casal se encontrava diante de uma mansão, um pouco menor que a está, a mulher vestia um lindo vestido bege com rendas e sapatilhas brancas, o cabelos caindo restos em suas costas. Do seu lado estava um homem com a expressão fechada, barba por fazer e cabelos encaracolados pretos, seus olhos escuros se afundavam na pele judiada pela idade. Podia ser a madame e seu marido afinal. Guardei-a no mesmo lugar e peguei a outra, nesta havia um menino solitário vestido de terno cinza-chumbo, os cabelos pretos penteados de maneira exagerada com metade do cabelo forçando um topete sobre o outro lado da cabeça, os sapatos possuíam um tipo de brilho que o flash dá câmera devia ter capturado, deviam estar bem engraxados. Um riso interno me invadiu a mente, antigamente as pessoas se vestiam de maneira um tanto peculiar.

O cenário da foto era mais alegre, o menino estava sentado em um banco entre rosas brancas. Seus pés estavam a uns dois palmos do chão. Sua expressão foi o que mais me chamou a atenção, diferente da outra, seus lábios carnudo se contraiam de maneira triste. Ele não estava contente por estar ali. Seus olhos escuros fitavam o gramado abaixo de seus pés como se quisesse se esconder embaixo da terra úmida. Um leve arrepio percorreu por todo meu braço me fazendo largar a foto de imediato na mesinha de vidro. 

- Não! Está louco! – Um grito emergiu em meio ao corredor, uma voz masculina semelhante a que eu ouvirá cantando. – Suma!

Espreitei-me pelo corredor me aproximando de uma porta entreaberta mais no final do mesmo, as mesmas palavras se repetiam várias vezes de sua boca, sua voz se tornando mais aguda e desesperada. Eu só precisava dar uma pequena olhada por aquela fresta, apenas uma olhada e nada mais. Agachei-me um pouco quando me aproximei o suficiente para olhar lá para dentro, meu corpo foi se aproximando mais... mais... e mais!

- O que está fazendo aqui em cima? – Os gritos sessaram e o sangue parou de circular pelo corpo, meu corpo ficou duro igual pedra, plantado no mesmo lugar devido ao ato de ter sido pega.

Virei-me de maneira cautelosa quando meu corpo voltou a me obedecer, Woo estaca parado com os braços cruzados no meio do corredor. Minhas bochechas perderam a cor e minha mente começou a pensar em uma desculpa para o fato de estar quase invadindo o quarto que nem os funcionários podiam.

 - B-banheiro. – Falei imediatamente, as consoantes iniciais saíram em um gaguejo culposo. – Estava procurando o banheiro.

- O banheiro para funcionários é lá embaixo – seus olhos avaliavam meu rosto. – Não deveria estar aqui em cima, pode ter problemas por isso.

Isso soou muito como alguma espécie de ameaça, caminhei a passos longos por ele e passei pelo mesmo descendo as escadas de dois em dois. Ele me acompanhou até uma porta branco embaixo da escada, sua presença era um tanto desagradável.  Abri a porta e entrei no banheiro, era todo revestido de azulejos brancos, um chuveiro colocado no canto perto de uma pequena janela, um vaso sanitário e a pia com um espelho mediano pendurado em cima na parede. Encarei meu reflexo no espelho por um momento, minha pele era branca quase igual a uma folha de papel oficio, os olhos azuis se destacavam em minha face, os cabelos lisos avermelhados caindo em cima doa ombros terminando o caimento perto de meus seios. 

Poucas sardas manchavam a pele acima do nariz dando um charme especial ao meu rosto, apoiei as mãos nas laterais da pia. Meus olhos encaravam o reflexo no espelho, pisquei os olhos e a cópia em meu espelho fez o mesmo. Abri a torneira fazendo a água jorrar em direção ao ralo, levei as mãos em colcha até embaixo da água e a despejei toda em meu rosto. Água pingava de meu queixo, pequenas gotas misturadas as outras de encontro ao ralo.

Peguei a toalha branco que estava pendurada no apoio, a toalha branca felpuda  secou cada gota de água do meu rosto. Coloquei a mesma no lugar e sai do banheira, Woo não estava mais ali. Provavelmente estava fazendo seus afares para a madame. Voltei para a cozinha, as panelas estavam tampadas e Eulália picava mais temperos verdes para logo os seguida os colocar em um dos recipientes de vidro que estava quase vazio. Sentei na cadeira em que estava e esperei a hora passar. 

 

❁ ...... ❁ ...... ❁ ......

 

Após a hora do almoço sai junto com Clarice como haviam planejado, a acompanhava com as mãos escondidas no bolso canguru do moletom. Clarice estava com uma mochila perdurada em um dos ombros, o vestido de comprimento mediano era simples e florido, as sapatilhas pretas bem engraxadas. Seu visual era a de uma perfeita moça comportada e de família. 

- Quando chegou na famosa mansão da madame Park? – Perguntou ela esfregando os lábios um no outro para espalhar o brilho entre eles. 

- Ontem. – Respondi observando a rua em que estávamos, o asfalto se estendia longamente pela rua entre duas calçadas largas para passar um carinho de mão, a cada um metro de calçada havia uma árvore plantada de porte médio, as casas eram todas do mesmo tamanho em tons pastéis, duas áreas de grama bem verdes se encontravam em todas as casas e no meio delas um caminho reto com pedras que davam a pequenas escadas de, no mínimo, dois degraus de concreto. – Onde estamos? 

- Estamos quase chegando a casa do Tae. – Avisou ela mordendo o lábio inferior em meio a um sorriso, ela olho para os lados e parou de andar de repente. 

Parei ao seu lado a esperando, achei que ia amarrar os tênis ou olhar alguma placa para se localizar, mas ao invés disso ela jogou a mochila no chão e arrancou o vestido do corpo revelando um calção preto curto e uma blusa curta rosa, que deixava mostrar a barriga graças ao nó feito para tal ato. Ela abriu a mochila e guardou o vestido lá dentro, caminhou até a lixeira mais próxima e atirou a mochila lá dentro. Deu uma mexida nos cabelos e voltados a andar.

Eu não sabia o que pensar ou falar disso, por algum motivo, que eu não possuía conhecimento, ela tirara o próprio vestido em meio a uma rua cheia de casas. Está certo que possuía uma roupa embaixo da peça, mas mesmo assim podia ter uma maníaco escondido entre as cortinas de qualquer uma dessa casas nas nossas laterais.

- Tae! – Ela gritou e acenou de maneira eufórica para um garoto que estava na calçada, na frente de uma casa, mais adiante. 

Ela agarrou meu pulso e saiu correndo me puxando em direção ao garoto com cabelos vermelhos igual ao tom de uma ameixa madura. Conforme nos aproximávamos eu podia notar seus perfeitos dentes brancos a mostra em um sorriso largo, suas roupas eram em tons escuros e largas, os tênis brancos se destacando em seu corpo. As mechas vermelhas caiam sob seus olhos cobrindo sua testa da pele clara, os olhos castanhos e puxados, que indicavam sua natalidade, fitando nós duas.

- Bonita! – Disse ele apertando os dentes e seus lábios tocaram os de Clarice. – A quanto tempo hm?

- Verdade. – Ela sorriu com os lábios encostados um no outro. – Desde que pegaram você bêbado e dando uns amaços com aquela garota do último ano atrás da escola. 

- Não tenho culpa – protestou ele com um ar meio ofendido. – Ela deu mole e eu... Bom! Não vamos aos detalhes, não é?

Seus olhos voltaram a mim e nos encaramos por alguns segundos que mais pareceram horas, o sorriso não sumira um segundo sequer de seus lábios avermelhados. 

- Teremos companhia hoje? – Ele indagou. – Podia ter me avisado, teria conseguido mais bebida.

Bebida?

- Eu não bebo! – Falei rapidamente, balançando a cabeça negativamente, Clarice soltou um suspiro tedioso. 

- Eu não fazia ideia que teríamos companhia, mas tenho certeza que ela não nos atrapalhará. – Ela fitou-me demoradamente.

- Deixa de ser careta! – Ralhou o Tae rindo alto. – Podemos ir logo? Estou derretendo embaixo desse sol! – Reclamou com a voz manhosa.

Clarice passou o braço ao redor do de Tae e saímos andando ao final da rua, eu não fazia a menor ideia de onde estávamos indo, mas para a biblioteca não era. Eu andava um pouco afastada de ambos, sempre fui muito reservada com pessoas desconhecidas e ela parecia não gostar muito de mim. Acho que atrapalhei o que quer que os dois fossem fazer nessa tarde quente. 

- Não fique ai atrás! – Tae virou o rosto me olhando por cima de seu ombro, esticou o braço e puxou-me, enganchou o seu no meu e andamos assim, ligamos por uma corrente de braços. – Conte-me mais sobre você Fleur-chan!

- O que exatamente? – Eu olhava atentamente a estrada velha pela qual havíamos entrado em determinado momento. 

- Estado Civil? – Brincou ele dando uma piscadela, um tapa voou em direção ao seu ombro proporcionado por Clarice. – Eu estou brincando! 

Por um segundo passei a acreditar que algo rolava entre eles, mas esqueci a ideia na mesma velocidade em que a pensei. 

- Como veio parar na Flórida? – Agora ele havia feito uma pergunta séria e aguardava por minha resposta, os olhos atentos em mim.

- Oportunidade de emprego melhor. – Disse apenas, não havia motivos para dar mais informação que isso.

- Você não é de falar muito. – Observou ele. – Eu queria mais detalhes, mas logo se solta bonita! – Ele tinha o costume de chamar as mulheres de bonitas, uma das primeiras coisas que aprendi sobre o Tae.

 

❁ ...... ❁ ...... ❁ ......

 

Adentramos uma trilha de terra entre uma floresta, eu apenas deixava o Tae me guiar já que estava colado a mim. Enquanto andamos pelo trilha, pedaços de mato se grudaram em meus tornozelos e sapatos me fazendo suspirar. Ele contou um pouco de sua vida para mim, seus pais moravam em Seattle, Washington, devido ao trabalho acumulado durante as férias, e, como seu filho mais novo era um rebelde sem causa (palavras dele), acharam melhor o mandar para viver com a tia e a prima na Flórida. 

A tia não dava muita importância para os atos dele desde que não se metesse com a polícia, isso explicava o fato do maço de cigarros que carregava consigo no bolso da calça folgada. A sobrinha, Margaret, tinha apenas cinco anos e vivia tentando passar batom nos lábios vermelhos do mesmo. Quando ele contou isso não pude evitar soltar um riso ao imaginar a cena da sobrinha correndo atrás pela casa com um batom rosa ou roxo em mãos.

 Contou um pouco sobre o irmão mais velho, Bae, que havia ficado na Coréia para cuidar da empresa da família por lá. Sua família estava completamente dividida e eu tentei me colocar no lugar dele em meio a essa situação. Apesar de tudo o sorriso iluminava seu belo rosto em todos os momentos, talvez ele esteja feliz de todo modo.

A trilha levava a um pequeno riacho bem no meio do matagal, algumas pedras grandes se encontravam como enfeites perto da margem barrenta, a grama era uns três dedos alta causando leves arrepios na parte exposta dos tornozelos e pequenos mosquitos, que mais pareciam pontos pretos com asas, passavam zumbindo perto de meus ouvidos me fazendo cerrar os dedos.

Tae jogou-se sob uma das pedras, os tênis jogados em um canto em meio ao verde, seus pés dentro da água provocando pequenas ondulações na superfície meio marrom devido a mistura de barro e água. Puxou o maço dos cigarros, prendeu nos dentes e o acendeu com uma jogada rápida de isqueiro. Balançou os pés igual uma criança enquanto a fumaça subia em meio as árvores, para a imensidão conhecida como céu. Clarice havia se esticado no chão, não parecia tão incomodada quanto eu com relação a grama que pinicava.  

Sentei na outra pedra perto do Tae na tentativa de fugir da grama, ele olhou-me de soslaio e passou os dedos pelas mechas vermelhas as jogando para trás, o cheiro de nicotina envolvendo todo ar ao nosso redor.

 


Notas Finais


Obg por ler :3


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