História O bilhete no laço. - Capítulo 5


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Chamada completada


Fanfic / Fanfiction O bilhete no laço. - Capítulo 5 - Chamada completada

Discando...

 

O celular em meu ouvido demonstrava que o número do outro lado da linha ainda não havia atendido a ligação, meu corpo tremia e meu maior medo era ouvir outra voz além da minha fingindo que estava tudo bem.

Estava pronto para desligar o telefone quando comecei a ouvir alguns suspiros do outro lado da linha. Não me contive e dei um enorme grito de susto, eu realmente não queria que aquela chamada fosse atendida.

- Alô??? ALÔ? Quem é? – Perguntei desesperadamente, mas não obtive resposta, apenas suspiros e barulhos de respiração – Você me procurou, não é mesmo? Por que não fala nada? – Eu já estava perdendo a paciência e mandando a pessoa do outro lado ir para todos os nomes sujos possíveis, mas tinha que manter a classe para conseguir descobrir quem era.

Nada e nada.

Completo silencio.

Então comecei a ouvir um choro baixinho, era desesperador, parecia ter uma entidade maligna do outro lado. Ah, só poderia ser isso, mais uma coisa para me atormentar mais do que aquelas tias chatas que me veem e perguntam das namoradinhas.

- Oi – Bem, não era a voz de um demônio como eu esperava, mas era bem estranho ao nível – Não posso falar agora – Fim, desligou.

Como uma pessoa tinha a coragem de desligar o telefone na minha cara e me deixar boquiaberto sem entender nada?

É, aquilo estava ficando cada vez mais estranho.

 

Fiquei pensando tanto naquilo, lembrando daquela voz a todo segundo e forçando-me na tentativa de reconhecer a quem pertencia. Aquela voz era suave e doce, mas estava fraca e baixa, como se alguém tivesse que esconder o que falava ali.

Peguei no sono com o celular no abdômen, a casa toda aberta e a janela escancarada pelo vento gélido que chegava junto a escuridão da noite. Minhas pálpebras pesadas seguravam meu sono profundo e demonstravam tamanho cansaço mental momentâneo.

 

Estava tão escuro e frio.

Poderia sentir cada músculo de meu corpo se comprimir e parecer querer quebrar em mil pedaços. Mesmo com um enorme casaco grosso e vários outros moletons por baixo, meu corpo ainda quase congelava e o medo tomava minha mente.

“Me ajude.” Ouvi um sussurro vindo de minhas costas, mas não tinha coragem suficiente para virar-me e ver o que era, estava tão confuso.

“Me ajude.”

Novamente.

Cada vez mais perto do pé de meu ouvido.

Arrepios.

Senti uma mão tocar meu ombro esquerdo e me virar lentamente para trás, fechei meus olhos automaticamente e pressionei as pálpebras como se não quisesse ver nada além da imensidão da escuridão naquele momento.

Um sopro quente tomou minha face, estava agora mais calmo e mais confiante diante a situação, e abria meus olhos lentamente, deixando algumas frestas para a luz adentrar, mas ainda pressionando um pouco pela escuridão.

 

Acordei.

 

Lembre-me do sonho detalhadamente, aproveitei para anotá-lo em um post-it em cima da mesinha próxima à cama, escrevendo rapidamente para não me esquecer de um só detalhe. Aquele novo delírio tinha muitas ligações com o sonho anterior e eu tinha certeza que não estava sonhando aquilo à toa, parecia ser uma peça de um quebra-cabeça para ajudar-me a montá-lo.

Conferi a hora em meu celular e estava bem tarde, já era domingo e eu não teria tanto tempo para resolver isso na semana.

 Merda, uma chamada perdida.

Era do famoso número que havia anotado como “pessoa esquisita” e não poderia ter perdido aquela ligação. Será que deveria ligar de novo? Se bem que não fazia tanto tempo que o tal serzinho havia me ligado.

Discando...

Chamada atendida.

 

Minhas mãos suavam novamente, era como se um jogo de invocação de espíritos começasse naquele momento e arrepiasse até o último fio de cabelo meu.

- Finalmente você me atendeu – A pessoa do outro lado da linha nem sequer começou a conversa com uma saudação, parecia estar desesperado, a voz estava cansada e ofegante, de alguém que parecia ter corrido uma maratona.

- Oi? – Estava confuso, minhas sobrancelhas se curvaram em completa dúvida, eu não tinha nenhuma amizade com aquela pessoa para que ela falasse tão informal assim comigo... Eu nem sabia seu nome.

- Eu preciso conversar com você. Mas primeiro me prometa três coisas, ok? – Aquilo parecia uma oferta de um jogo idiota de adolescente, mas como estava tão curioso a ponto de me jogar de cabeça naquilo, apenas assenti com a cabeça e afirmei com um resmungo positivo. – Bem, não pergunte nada sobre mim, apenas me chame de Bao, você não precisa saber mais nada além disso.

Que estranho, aquela pessoa estava me ditando ordens como se fosse meu chefe, mas eu não tinha total conhecimento do que aquilo estava se tornando. Eu poderia simplesmente desligar o telefone e fingir que aquilo não era comigo, mas eu sentia que deveria ir a fundo na história.

- Ok, continue, Bao – Respondi seco, não estava mais com a mínima vontade de conversar com ele, minha cabeça pesava e meus olhos estavam cansados, poderia pegar no sono a qualquer momento.

- Segundo, não pergunte e nem tente encontrar endereços, localizações ou qualquer pista que possa revelar a minha localização. – Ah, agora aquilo se passava de um golpe, eu tinha certeza.

- Eu vou desligar essa merda, não ligue mais pra cá – Respondi nervoso, já tinha perdido a paciência com alguém que me ditava regras estranhas e nem sabia meu nome.

- Espere! – Enorme grito de desespero. Assustei completamente, a pessoa estava desesperada do outro lado da linha novamente – Por favor, não desliga...

Ouço um longo suspiro do outro lado da linha, e logo um choro baixinho toma meus ouvidos e acelera meu coração em completo desespero.

Ah, não, eu consegui fazê-lo chorar. Parabéns, senhor Ethan, poderia ser alguma criança idiota do outro lado da linha querendo te zuar porque não tem amigos na escola e você agora consegue fazê-lo chorar? É, eu era um monstro.

Mas espere, aquilo poderia ser um completo jogo emocional, um enorme drama para tentar amolecer meu coração e no final, com toda certeza, esse ser acabaria me pedindo uma boa quantia em dinheiro depois de me contar a sua triste história de vida.

Vamos jogar esse jogo até o final.

Mas não garantia nada que agiria de forma limpa, eu também não poderia confiar em alguém desconhecido.

Não dessa vez.



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