História O bilhete no laço. - Capítulo 6


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Não olhe para mim


Fanfic / Fanfiction O bilhete no laço. - Capítulo 6 - Não olhe para mim

– Por favor, não desliga...

- Ei, garoto, só aceito essas condições com uma coisinha – Digo em tom firme, não me deixando levar pelo fator emocional exposto na situação – Eu quero ver seu rosto, favor iniciar uma chamada de vídeo aqui – Ordenei, esperando uma resposta cabível para minha condição.

- Hã? Por que? Não, não, é que... – Ótimo, agora ele estava desesperado e gaguejando, mal conseguia entender tudo o que ele falava e misturava algumas palavras aleatórias juntas.

- Tu tá possuído por acaso? Não to entendendo nada, porra, fala direito – Perdi um pouco da paciência com o decorrer do tempo, confesso. E já estava chegando ao meu limite, a minha educação estava me abandonando aos poucos.

- Desculpa, mas meu celular não tem nada dessas modernidades – Longa pausa demorada entre as palavras, soluços e suspiros. E o choro voltou, mas agora mais gritante.

- Ok, ok – Disse com indiferença, não ia me dar ao luxo de cair nesse draminha vagabundo – E por que você ainda tá enchendo meu saco? – Continuei a falar, ignorando o choro vindo do outro lado da ligação.

Chamada terminada.

Ah, quem ele pensa que é para desligar na minha cara de novo sem falar nada? Nessa altura do campeonato minha irritação já havia tomado conta da minha cabeça e eu estava decidido de acabar com toda aquela gracinha rapidamente.

Discando...

Discando...

Nada.

Maravilha! Agora ele nem tinha a coragem de me atender e voltar a falar comigo até que eu pudesse desmascará-lo e denuncia-lo a polícia.

Desliguei meu celular, taquei-o para algum canto do quarto e saí em disparada com minha moto para algum lugar qualquer da cidade. Eu precisava de um tempo para diluir tudo aquilo, e até esquecer pouco a pouco.

Não deveria ter comprado bebidas alcoólicas pelo caminho, voltar seria complicado, arriscado demais. Mas como já não estava raciocinando direito mais, nem me importei.

Sentado de frente para o mar, na imensidão da escuridão da noite, apenas deixando o vento gelado e o silêncio grotesco da natureza tomar meus sentidos. Fechei os olhos e fingi que não existia, pensando como o mundo poderia ser melhor sem mim.

A água gelada tocava a ponta de meus pés descalços e os passos no vazio da escuridão demonstravam completamente o que acontecia com a minha vida. Não importava se tinha que ir trabalhar no dia seguinte, se tinha que cumprir horários no meu último ano da faculdade, se tinha que pelo menos ligar para minha família para dizer que estava tudo bem.

Bem, não estava.

Nunca realmente tudo esteve bem.

Mas ninguém chegou a perguntar a verdade.

Todos esses anos, todas as pessoas ao meu redor tinham suas próprias vidas, e eu era apenas um garoto problemático e solitário que não fazia parte da vida delas, eu era uma peça que não encaixava em nenhum dos quebra-cabeças.

 

Amanhã, com toda certeza, mal conseguiria me por de pé sem antes milhares de comprimidos para dor de cabeça e resfriado, pareceria que tinha voltado de uma guerra.

Pensando por outro lado, era sim uma guerra, uma guerra contra meus pensamentos torturantes, era uma luta todos os dias.

 

 

Abri os olhos lentamente, não fazia ideia como havia conseguido chegar em casa com vida, infelizmente. Tomei um banho longo, daqueles com a água queimando para te acordar por completo e lavar todas as dores da alma.

Fui para o trabalho, indiferente, fazendo tudo automaticamente com os pensamentos na lua. Não poderia largar tudo agora, o final do ano estava próximo, poderia arrumar um emprego melhor, no qual pudesse ganhar mais e trabalhar com o que realmente gostava.

Na saída, já quase na hora de ir para a faculdade, correu uma lembrança repentina do dia anterior. Aquele serzinho que ficava me ligando, e desligando na minha cara, contou-me que não tinha nenhum aparelho bom suficiente para conversar por vídeo comigo, não? Então vamos mudar isso agora.

Comprei um aparelho que possibilitava ligações por chamada de vídeo, não era tão caro como esperava, mas quase chorei passando meu cartão e sentindo a dor assim que chegasse o dia do pagamento.

A que ponto chegamos, não é mesmo, sr. Ethan? Comprando um celular para um desconhecido apenas para conseguir ver seu rosto.

Eu estava surpreso com a minha capacidade de ser moldado pelas palavras daquele garoto. E se ele vendesse o aparelho para comprar drogas? E se ele só queria abusar da minha boa vontade e arrancar meu dinheiro? Agora não tinha mais volta, tudo já tinha sido feito.

 

Ressuscitei meu aparelho celular depois de tratá-lo como merda, colocando-o na carga e ligando imediatamente para o tal número.

Ele tem que atender, agora.

 

- Oi – Começou timidamente, até parecia que não era um completo fdp na minha vida.

- Oi – Soou mais como um resmungo, mas fazer o que, minha paciência tinha acabado novamente. – Tem alguma rede social? Nem vem com drama, por favor, já to irritado a sema inteira – Continuei, nem me importando se soava grosso demais.

- Aquela que te mandei mensagem... Que você ignorou – Ora ora, esse moleque apelava para o drama, de novo.

- Cê é de câncer, meu filho? – Brinquei, dando um riso maléfico no final – Brincadeiras à parte, mas por que eu deveria ter te respondido? Eu nem te conheço – Bufei irritado.

- Eu só queria alguém para conversar... Se você está se sentindo muito incomodado comigo, pode desligar que eu não vou te atormentar de novo – Merda, merda, merda, mil vezes. Ele tinha tocado no meu ponto fraco.

Solidão.

Meus olhos se encheram de água e quase engasguei com as palavras, ele me ganhou naquele segundo. Conseguiu fazer-me calar a boca e não saber o que falar depois.

Longos segundos torturantes de silêncio.

- Desculpa – Comecei, me sentindo o maior retardado do mundo por ceder àquele drama todo – Eu sou meio nervoso a maioria das vezes, minha vida é uma merda, então sem querer as vezes eu jogo isso nas pessoas – Continuei, agora falando rápido demais, dessa vez era eu que estava me embolando com as palavras.

- Tudo bem – Aquela voz soava extremamente doce aos meus ouvidos sem nenhum resquício de maldade.

Eu estava começando a confiar nele.

E isso não era nada bom.

- Eu comprei um celular pra você – Voltei a falar, agora totalmente sem graça – Não leve isso pro lado de que eu seja um riquinho metido e que queria te dar isso por diversão, não... Eu nem sei como que vou pagar isso no outro mês, mas ok – Tremi, a minha voz ia se tornando cada vez mais rouca e falhada pelo medo repentino.

- Hã? Pra que isso? Desculpe-me, mas eu não pedi nada, nem que gastasse seu dinheiro comigo – Ah, não, como ele poderia soar tão fofo e delicado em apenas uma única frase? Eu nem sabia se aquilo era verdade ou só um jogo com a minha cara.

Que merda é essa que eu estou pensando? Eu nem o conhecia direito.

- Aceite, por favor, eu vou te ajudar com o que quiser – Falei firme dessa vez, por algum motivo me sentia orgulhoso por dar e receber toda aquela atenção – Quer ser meu amigo? Aceite isso, só me mande algum endereço para que você possa pegar o pacote, eu juro que não irei atrás de você, se esse é seu medo – Agora sim parecia uma criança sozinha no primeiro ano do fundamental implorando por amigos.



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