História O Caminho da Andorinha - Capítulo 29


Escrita por: ~

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Categorias The Witcher
Personagens Cirilla "Ciri" Fiona Elen Riannon, Geralt de Rivia, Personagens Originais, Yennefer de Vengerberg
Tags Ciri, Geralt, Iorveth, Roche, Saskia, The Witcher 2, The Witcher 3, Vernon Roche
Visualizações 8
Palavras 3.555
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Magia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 29 - Sangue Temeriano


Foi um assobio que despertou Ciri. Ela não tinha certeza se era uma cantiga de bardo sobre as desventuras de uma prostituta elfa ou um hino militar de Teméria, mas a jovem de cabelos brancos pouco se importou. Ao abrir seus olhos, percebeu que não sabia onde estava. O lugar era frio e escuro. Uma pequena brecha de luz era tudo que lhe restava de “janela”. A umidade do lugar, de teto e parede de pedras maciças e repleta de goteiras, tornava o ambiente ainda mais frio. Numa vã tentativa de gerar algum calor, Ciri tentou esquentar os braços, roçando a palma de suas mãos sobre eles. Logo a jovem notou que estava sem suas armas. Suas botas também haviam sido removidas, mas ao menos ela ainda vestia alguma roupa.

Ao ouvir algo naquele lugar além de goteiras e ruídos de ratos, Ciri se levantou. Som de passos lentos ecoavam. A jovem aproximou-se da porta, impaciente.

-Hey!

Um guarda apareceu sobre a fresta. Ao ouvi-lo falar, Ciri foi praticamente agredida por seu mau hálito, a atacar suas narinas.

-Então a Bela Adormecida acordou.

-Onde estou?

-No inferno.

-Responda! – exigiu Ciri. – Eu quero saber onde estou, e porque estou aqui!

-O que foi, vadia? Tá agitada porquê? Quer que eu vá aí e te dê uma acalmada, quer? – disse o homem, fazendo um gesto obsceno. Em outras circunstâncias, aquele homem pagaria por tamanha grosseria, mas Ciri sabia que estava em desvantagem. Sem saber o que fazer, a jovem logo decidiu usar seus poderes e abrir um portal para escapar dali. Ela fechou seus olhos. Tentou. Tentou. E nada.

O que está acontecendo? Por que não está funcionando?

Logo Ciri se deu conta do porquê. Dimerítio, o famoso mineral que neutralizava qualquer tipo de magia. Aquela era uma cela revestida dele em seu estado bruto, Ciri não sabia se era coincidência ou proposital. Bem o que ela precisava.

Sem ter o que fazer, a jovem sentou-se. Procurou fazer como Geralt lhe instruíra e meditar. Nunca foi boa nisso, mas curiosamente, naquele lugar tedioso, ela conseguiu. Meditou por sabe-se lá tanto tempo, até ouvir mais passos. Imaginando ser o mesmo guarda insolente, Ciri permaneceu em estado de meditação, até que ouviu a cela se abrir. Imediatamente a jovem abriu seus olhos e se deparou com um homem estranho. Usava roupa de arcano e uma crespina vermelha na cabeça.

-Cirilla Fiona Elen Riannon. Rainha de Cintra, Princesa de Brugge e Duquesa de Sodden, herdeira das Ilhas de Ard Skellig e An Skellig e Suserana de Attre e Abb Yarr. Esqueci alguma coisa? Espero que não.

Calma. Ciri era capaz de ouvir a voz de Geralt a tranquiliza-la, mas a jovem bruxa sabia que estava em maus lençóis. Presa, confinada em um lugar coberto de dimerítio a bloquear seus poderes, e nas mãos de um homem que sabia quem ela era.

-Quem é você? – disse Ciri, sem demonstrar medo na voz.

O sujeito riu malignamente.

-Ah, lembrei-me de um. Leoazinha de Cintra. Conheci sua avó, Calanthe. Vocês são extremamente parecidas, devo dizer. Até mesmo a empáfia, digna de uma Rainha, parece transbordar em você. Ainda não entendo como alguém de sua linhagem pode ter aceitado viver como uma camponesa sem eira nem beira. Posso aludir esse fato bizarro de sua personalidade aos seus poderes extremamente excepcionais de Fonte estarem afetando o seu cérebro?

Ciri agarrou-se a grade, com os dentes cerrados, como uma predadora. Desespero começou a toma-la, quando ela percebeu que aquele homem sabia quem ela verdadeiramente era. E pior: o que ela era capaz de fazer. Ela era tão valiosa quanto um saco de diamantes de Kovir.

-Me solte!

-Paciência, criança. Na hora certa, você será solta. Na hora certa. Assim que Morvran Voorhis conseguir derrubar aquele imbecil do seu pai, ele te libertará.

-E por que ele faria isso? – sacudiu Ciri a grade. – Por que ele não me entregaria a Emhyr e receberia uma fortuna?

O feiticeiro riu de sua ingenuidade.

-Talvez tenha sido uma benção para você, dar as costas ao seu legado. Pois com esse seu raciocínio medíocre para a política, você não duraria um mês sentada no Trono da Cidade das Torres Douradas. Mas permita-me elucida-la. Entregar você a Emhyr seria dar mais fôlego à Chama Branca, o que é a última coisa que deseja Morvran Voorhis.

-Ele deseja matar Emhyr. – concluiu Ciri. – E se tornar Imperador de Nilfgaard.

-Sim, o que não deveria ser nenhuma surpresa. Emhyr pensou que Morvran se contentaria com a coroa de um reino nortenho em frangalhos, como a Teméria. Admito, entretanto, que isso lhe deu alguns anos de alívio, pois Morvran esteve ocupado demais nos últimos tempos para pensar em conspiração. Mas desde que assumi o posto de Conselheiro, ele pôde ter um pouco de fôlego para tramoias políticas. Espero que não fique triste em saber de nossos planos, pois eu sei que Emhyr é seu pai...

-Emhyr não é meu pai. – disse Ciri, com rispidez.

-Ah, posso ver daqui um pouco de ressentimento com a Chama Branca. Bonita, poderosa e ressentida com o maior inimigo de Morvran Voorhis. Parece que Voorhis tinha razão quando disse que você seria uma esposa perfeita para ele.

Ciri arregalou seus olhos verdes, assustada.

-O quê?!

Enquanto o feiticeiro se afastava, caminhando em direção ao corredor, Ciri passou a se agitar. Segurou as grades com cela e as balançava, em vão.

-Volte aqui! Me solte! Seu covarde desgraçado, abra esta cela! Abra!

Isso não pode estar acontecendo... Não pode...

 

 

§§§§§§§§§

 

 

            Uma carroça atravessava velozmente – ou, na medida do possível – as estradas esburacadas que levavam até o Castelo de Leftengord, o senhor soberano das terras de Lathlake. O céu já tomava uma cor alaranjada e o cair da noite seria eminente, o que só apressava ainda mais o passo dos cavalos, conduzido por uma elfa acobertada por um capuz.

            Roche estava deitado na carroça, escondido em meio a caixas contendo frascos de inúmeras fragrâncias, que o temeriano sabia se tratarem de preparados e elixires que Turiel comercializava pela região. Estava escondido por baixo de um cobertor velho, sem ter qualquer noção do que estava acontecendo ao seu redor.

            -Estamos chegando. Prepare-se. – avisou Turiel, enquanto conduzia os cavalos. À medida que a carroça perdia velocidade, Roche preparava-se. Embainhou sua espada leve e a segurou próxima do peito, pronto para atacar caso algo desse errado.

            -Boa noite, senhores. – Roche pôde ouvir a voz de Turiel, calma e serena.

            -O que faz aqui, elfa? – perguntou um dos guardas.

            -Elixires para o Barão e sua família. Estou atendendo a uma entrega de emergência.

            -Ninguém me avisou de nenhuma entrega... – estranhou o guarda. Turiel passou a adotar um tom mais vacilante na voz, que fez Roche se irritar.

            -Bom, eu recebi um recado de que deveria entregar os elixires para... Para a Baronesa! E você sabe, ela é uma mulher complicada e...

            -Eu vou verificar.

            Roche ouviu passos se distanciando dali. Certamente, o tal guarda desconfiado estava indo verificar se Turiel dizia a verdade. Hora de agir.

            -Er, rapaz? Você pode me ajudar a descarregar essa carroça?

            Um suspiro irritado foi tudo que Roche pôde ouvir. Certamente, o guarda não estava tão disposto assim a ajuda-la. Ao ouvir passos cada vez mais próximos da carroça, Roche se preparou. Aquele guarda teria uma surpresinha e tanto quando fosse puxar o pano que cobria a carroça.

            -Mas que...?

            Uma espada atravessada em sua garganta o silenciou para sempre. Como um chafariz carmesim de sangue, o guarda levou suas mãos ao pescoço, numa vã tentativa de conter o sangramento. Afogava-se em seu próprio sangue, olhando fixamente nos olhos de seu assassino, até cair ao chão.

            Turiel observara a tudo estarrecida. Claramente estava em choque. Decerto porque jamais vira alguém morrer assim, diante de seus olhos, imaginou Roche. Seus olhos encontraram os dele. Horror e frieza. Por fim, Turiel chegou a uma inevitável conclusão: ela estava disposta a ir longe para salvar Anais. Mais longe até do que ela poderia imaginar.

            -Vamos logo, antes que o outro retorne e perceba que é uma armação. – puxou-a de seu devaneio Roche, ainda espada em riste. Turiel sacudiu nervosamente a cabeça em afirmação, seguindo o temeriano pelos arredores do castelo. De fato, a entrada lateral, destinada aos lacaios, era a menos protegida. Boa parte dos soldados do Barão se concentrava nas proximidades do portão principal. Ainda assim, precisavam atravessar o pátio para ter acesso às dependências do Barão, onde possivelmente estava Anais. Um pátio com um enorme vai e vém de soldados. Até mesmo o mais estúpido deles notaria um temeriano a passar acompanhado de uma elfa.

            Enquanto observava os arredores à procura de potenciais ameaças, os olhos de Roche acabaram por encontrar carruagens luxuosas próximas aos estábulos, adornadas ricamente com brasões que o temeriano conhecia muito bem.

            -Maravel, Kinbolt, Lunarty... O que tantas Casas Temerianas fazem aqui? – balbuciou Roche, ainda tentando conjecturar o que tantos nobres faziam em um lugar tão medíocre como Lathlake. Ficaria perdido em pensamentos, se Turiel não cutucasse em seu ombro.

            -Lá está a nossa ajuda. – avisou Turiel.

            Uma elfa com roupas de criada cuidando de um jardim foi tudo que Roche percebeu.

            -Ótimo, mas não poderemos atravessar esse pátio cheio de soldados sem sermos vistos. Precisamos de sua distração, e onde ela está? – resmungou o temeriano. Como uma reposta a sua reclamação, um enorme rugido cortou o ar, estremecendo-o. Por alguma razão que ele não sabia explicar, aquele rugido lhe era familiar. Muito familiar.

            -Aí está nossa distração. – decretou a elfa, olhando para os céus. Roche parecia não compreender o que estava acontecendo até ver uma fera negra a sobrevoar pelos céus, formando uma enorme sombra projetada sobre suas cabeças.

            -Caralho! – surpreendeu-se Roche, imediatamente reconhecendo o enorme dragão negro que sobrevoava e rugia a metros de sua cabeça. Embora estivesse longe de seus olhos, Roche saberia reconhecer em qualquer lugar o dragão que atacou Foltest no cerco aos La Valette e também deu as caras em Loc Moinne.        

            -Sabia que aquela pária tinha alguma coisa a ver com esse dragão do caralho! – resmungou Roche, juntando erroneamente os pontos. Turiel riu. No fundo, era melhor assim. Ela duvidava muito que ele acreditasse que, na verdade, Saskia era o dragão, de qualquer modo.

            O pátio esvaziou-se, com os soldados a se reunir e contemplar com profundo medo o enorme e raro dragão, que a princípio nada mais fazia além de rasantes perigosos. Foi uma distração pequena, mas o bastante para que Roche e Turiel se aproximassem do castelo.

 

 

 

            Dethmold contemplava o horizonte, observado das janelas abertas do castelo. O sol era agora nada mais que uma vaga lembrança. A escuridão da noite já havia tomado o céu. Estava na hora, decretou o feiticeiro.

            -Voorhis?

            O feiticeiro chamou a atenção do Rei, que mais uma vez contemplava seu mais novo “brinquedo”. Ao menos, era assim que Dethmold olhava para aquele pequeno objeto de metal capaz de atirar pequenas esferas que, embora parecesse pouco, fazia um enorme estrago em melancias e porcos abatidos. O objeto tinha tanta precisão quanto uma besta, mas possuía a vantagem de caber em apenas uma mão. Um inusitado bônus obtido com a armação para colocar Mahakam contra os Filhos da Teméria, e que agora, o Rei se deliciava em possuir.

            -Está na hora, Sua Majestade.

            -Ótmo. Já não era sem tempo. – disse o Rei, escondendo-o em sua roupa. O Rei e o feiticeiro caminharam até a pequena sala, onde Cavaleiros Negros guardavam as meninas.

            -Vamos lá, meninas. Em fila. Quero uma fila por altura. Da menor para a maior.

            Dando leves batidas com as mãos, Dethmold ordenou e as meninas obedeceram. Anais e Dora se separaram. Apesar de ser mais velha que Anais, Dora não tinha sua estatura, ficando à frente da jovem. Muitas jovens camponesas estavam expectantes pelo Ritual. Comentavam aos sussurros sobre como seria a vida de uma princesa, sobre os vestidos, castelos e príncipes que conheceriam. Anais ficara o tempo todo calada. Tinha vontade de sacudir todas aquelas meninas pelos ombros, de alertá-las do grave perigo que estavam correndo – e por causa dela.

            As jovens percorreram os apertados corredores do castelo, escoltadas por Cavaleiros Negros, até uma enorme porta de carvalho. A porta subitamente se abriu, com o estalar de dedos de Dethmold, revelando aos olhos de todas as jovens um suntuoso Salão, que deveria ser o Salão Principal do Castelo de Leftengord. Entretanto, não foi apenas o belíssimo mármore que decorava o chão, ou as generosas mesas de banquetes postas por ali, que chamaram a atenção das jovens camponesas. Havia muita gente ali. Homens e mulheres, bem-vestidos e de distinção. Claramente nobres. Pareciam dispersos, entretidos em conversas e risadas, até se silenciarem diante da presença das jovens camponesas, que subitamente se envergonharam ao serem notadas por gente tão importante.

            -Primeiro você, jovenzinha. – disse, voltando-se a uma menina de cabelos loiros.

            Quando a menina se deitou sobre a mesa de mármore, o Rei deu alguns passos e ordenou aos presentes naquela sala para que se levantassem.

            -Convoquei vocês, caros nobres, para que fossem testemunhas de que a verdadeira Anais La Valette realmente foi encontrada. Cada um de vocês representa sua Casa e poderá levar à sua família a notícia de que a filha bastarda do Rei Foltest, a quem muitos camponeses chamam de “A Redentora”, foi finalmente descoberta por mim.

            Um burburinho tomou os nobres. Voorhis continuou.

-Uma vez revelada a identidade de Anais La Valette, anuncio meus planos de casamento para com ela, mantendo no Trono da Teméria a linhagem real do Rei Foltest, como a Teméria tanto deseja.

Algumas meninas na fila se agitaram, encantadas com a possibilidade de ser Rainha. Anais sacudia sua cabeça discretamente, em negação, enquanto Voorhis permanecia a discursar.

-Provaremos aos rebeldes Filhos da Teméria que Anais La Valette, a quem chamam de “A Última Esperança da Teméria”, está do lado dos nobres, a quem eles devem obediência!

Metade dos nobres parecia satisfeita, assentindo com a cabeça. Aguns cochichavam entre si, especulando sobre o futuro da Teméria, caso a jovem realmente fosse encontrada. Voorhis jamais reuniu representantes da Casa Temeriana daquela forma. Se estava fazendo insso, concluiu alguns, é porque ele encontrou a jovem – e mais do que isso, poderia provar em público que era a Anais verdadeira.

 -Agora, peço aos senhores que fiquem em silêncio e se atém ao ritual, prestado pelo meu Conselheiro Dethmold. Aos leigos, este é o Ritual de Sangue, conhecido por atestar herdeiros em todo o Norte...

-E de uso proibido, até mesmo pelas feiticeiras. – retrucou repentinamente um nobre, recebendo apoio dos demais. Voorhis aborreceu-se por ser questionado, mas disfarçou sua raiva.

-Dethmold, pode começar.

            Ignorando os protestos da maioria dos nobres, o feiticeiro retirou uma seringa grande do bolso e aplicou na jovem. Imediatamente, a jovem começou a tremer fortemente. O feiticeiro rolou de olhos. Já imaginava qual era o resultado. Quando a jovem começou a tremer e salivar, os nobres presentes se chocaram, horrorizados. Especialmente, quando uma coloração azul começou a tomar a pele da garota, que segundos depois, fechou os olhos e morreu.

            -Não era Anais La Valette. – disse Dethmold, com frieza.

            Dando alguns passos para perto das meninas, o Rei deu mais uma palavra.

            -Como puderam ver, apenas aquela que carrega o Sangue Real sobreviverá ao teste. – disse friamente, fazendo todas as meninas se desesperarem. Algumas caíram em prantos, mas nada disso comoveu o Rei. – Se a verdadeira Anais La Valette está ciente de sua verdadeira identidade, é melhor que se revele agora, ou do contrário, carregará em suas mãos a morte de cada umas das jovens que não sobreviverem. Pois eu não hesitarei em testar uma a uma, até encontrar a verdadeira. Dethmold, continue.

            -Você, minha jovem. – disse o feiticeiro, tomando o braço de Dora, para desespero de Anais.

            -Não... – balbuciou a menina, ao ver Dora trêmula e sendo posta sobre a mesa. Quando o feiticeiro estava prestes a aplicar a seringa em Dora, Anais o interrompeu com o grito.

            -Pare com isto! – disse, com grande autoridade. –Eu sou a verdadeira Anais La Valette!

            Todos os nobres tomarem-se de pasmo, começando a cochichar. O Rei riu, tomando Anais bruscamente pelo braço.

            -Espero sinceramente, jovenzinha, que não seja um blefe seu, pois acaba de passar a vez de sua amiguinha. – disse, enquanto Dethmold retirava Dora daquela mesa e a empurrava para longe.

            -Não faça isso, Anya! Você irá morrer! – gritava Dora, em vão. Anais foi deitada à mesa, olhando firmemente nos olhos de Dethmold, que subitamente tomou-se de satisfação.

            -Ela me parece bastante familiar, Sua Majestade. Carrega muitas características físicas da Baronesa La Valette. Estou quase certo de que é ela.

            Para desgosto de Anya, o Rei tomou-a pelo rosto, segurando em seu queixo com força, obrigando a jovem a olhar em seus olhos. Anais sentiu seu estômago se revirar ao ver Morvran Voorhis sorrir vitoriosamente.

            -Tem razão. Bastante parecida com Maria. Aplique de uma vez esta seringa, Dethmold. Se ela realmente for a filha de Foltest, sobreviverá. – disse o Rei, impaciente. Os nobres tomaram-se de expectativa, observando o feiticeiro erguer a seringa e injetá-la no braço da menina.

            Um forte silêncio tomou o recinto.

            Segundos se passaram. Não houve reação.

            Mesmo com resistência de Anais, o Rei a tomou pelo braço.

            -Caros nobres, eu lhes apresento a verdadeira Anais La Vallete!

            Surpresa e abismação pôde ser escutada por todo o lugar. Algumas camponesas que estavam na fila para receber a seringa do teste começaram a se curvar perante Anais, o que irritou Morvran. O Rei estava prestes a fazer um comentário qualquer, mas o urro gutural de uma fera o interrompeu.

            -O que diabos foi isto? – estranhou Morvran.

            Para abismação dos presentes, um guarda nilfgaardiano apareceu, esbaforido.

            -Dragão!

            Pânico tomou o Salão. Os nobres começaram a correr, assustados. As meninas aproveitaram a chance para fugir dali. Anais tentou fazer o mesmo, mas Morvran a conteve.

            -Você não sairá viva daqui, sua fedelha! Destroçarei o seu corpo e farei todos acreditarem que foi devorada pelo Dragão. Realmente uma pena, uma jovem acabar devorada por uma fera, estando tão prestes de reaver tudo que é seu de direito. Providenciarei um belo desfecho para a filha de Foltest. – cochichou Morvran em seu ouvido. Apesar de assustada, Anais desceu delicadamente sua mão, alcançando o cabo da espada que Morvran trazia atada em sua cintura. Aproveitando-se do susto do Rei perante mais um urro do Dragão, Anais deu-lhe um forte pisão no pé, que fez o Rei cambalear para trás, e com grande destreza, arrancou sua espada, desembainhando-a e pondo-se de guarda.

            -Acha que sabe usar isto, garotinha? – disse o Rei, sem qualquer temor.

            Anais avançou para golpeá-lo. Morvran usou suas aulas de esgrima. Estando desarmado, sua melhor defesa foi esquivar-se. Em uma das esquivas, porém, foi surpreendido por um movimento ágil da menina. A dor o fez retrai-lo e com tristeza o nilfgaardiano viu o corte formado em seu braço.

            -[Sua selvagem nortenha, imunda!] – resmungou o nilfgaardiano, em seu idioma. – [Vou fazê-la pagar pela sua ousadia!]

            -[Tente a sorte, seu nilfgaardiano de merda!] – respondeu a menina, em nilfgaardiano, para pasmo de Morvran. Onde, afinal, ela aprendeu a falar nilfgaardiano?

            Anais estava prestes a atacar o Rei mais uma vez, mas sentiu algo queimar sua mão. A dor fez a jovem soltar a espada, e neste mesmo instante, a arma voou para longe. Ao voltar seus olhos, ela percebeu que foi Dethmold quem lhe lançou um feitiço.

            Desarmada, a jovem tentou correr, mas o feiticeiro a atirou outro feitiço, fazendo-a cair ao chão pateticamente, como se tivesse sido golpeada por uma forte corrente de ar. Anais tentou se levantar, mas percebeu que suas pernas estavam presas ao chão, congeladas. Seu coração se acelerou quando o Rei e Dethmold se aproximaram dela.

            -Mate-a, Dethmold! – ordenou Morvran. – Essa pirralha já me irritou o bastante.

            -Como queira, Sua Majestade.

            Ao ver que o feiticeiro apontou seu dedo em sua cabeça, Anais fechou seus olhos. Era seu fim. Chegara muito perto? A menina jamais soube. Vernon Roche nunca mais apareceu para vê-la, e se aparecesse, não teria nenhum Trono para dá-la. O Trono agora pertencia a Nilfgaard, e graças a ele. Ele entregou o Trono para os inimigos de seu pai. Talvez porque achasse que esta era a melhor saída e acabou sendo enganado. Pouco importava agora. Sua jornada estava terminando, e pelas mãos daquele homem asqueroso que por tanto tempo ocupou seus pesadelos em sua infância.

            -Ffrwydrad!

            Com a menção da palavra élfica, Dethmold foi golpeado, voando pelos ares e sendo jogado contra um vitral, sumindo em meio a estilhaços de vidro. Morvran voltou seus olhos para trás e percebeu que foi uma elfa quem lançara o feitiço.

            -Turiel! – exclamou Anais, radiante por vê-la ali, a ajuda-la. – Atrás de você!

            Sem que percebesse, Turiel foi atacada por outro feitiço de Dethmold, mas a elfa o rebateu com seu cajado. Munido de cajados, ambos os arcanos começaram a lutar. Turiel envolveu-se em uma áurea elétrica, deixando Dethmold em grande dificuldade.

            -Sua protetora está ocupada demais para te proteger. Você não me escapa mais, pirralha. Você morrerá pelas minhas mãos! – disse o Rei pegando sua espada que estava sobre o chão e avançando contra a jovem. Quando prestes a golpeá-la, Anais fechou seus olhos e tentou se proteger. Só o que ouviu, no entanto, foi o tilintar forte de uma espada ao bloquear o golpe de Voorhis.

            -Hoje não.

            -Roche! – exclamou Anais, surpresa em vê-lo depois de tanto tempo.


Notas Finais


E FINALMENTE ESSES DOIS SE ENCONTRARAM!!! <3

Espero que tenham gostado desse cap. No próximo, teremos mais desse reencontro.


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