História O Escuro da Noite - Volume 1 - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Palavras 4.212
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 6 - Promíscua


Fanfic / Fanfiction O Escuro da Noite - Volume 1 - Capítulo 6 - Promíscua

Levantei da cama já com um pressentimento ruim sobre o dia de hoje. Sabia que algo poderia acontecer, tanto que não dormi direito à noite.

Eu suava frio. "Algo está errado...", eu pensava isso toda vez que enfiava uma colher de cereal ao leite dentro da boca. Minhas mãos estavam gélidas assim como os meus pés, o que não era muito comum acontecer comigo. Quantas vezes eu não acreditei que o motivo de meus pés e mãos estarem tão frios é o efeito do clima intenso de outono?

Mas então percebi que, talvez, eu não devesse me preocupar tanto com esse sentimento estranho. Era provável que tudo fizesse parte da minha esquizofrenia, de modo que, talvez, esse sentimento nem existisse de verdade.

Cerro meu punho que não segura a colher a fim de tentar aquecer um pouco a minha mão. E é nesse momento em que Bonnie entra na cozinha.

- Julie, Julie! Veja isto! - Aquele projeto de gente entra correndo na cozinha com algo em mãos, algo que parece ser uma folha de papel.

- Nossa, o que é? - Pergunto, virando-me na cadeira em sua direção e apoiando as mãos em minhas coxas.

- Veja só o meu desenho.

Bonnie entrega-me a folha de papel contendo um desenho em uma de minhas mãos, e o observo com cuidado. Na verdade, é um monte de garranchos... mas quem se importa? Ela tem cinco anos!

Pelo o que consigo interpretar, aparenta ser um homem bem alto, que usa um chapéu e roupas elegantes. O cabelo vermelho.

- Quem é esse? - Pergunto, ainda encarando o desenho.

- É o Jay! - Bonnie responde, alegremente. - O que achou?

- O desenho é lindo... mas quem é Jay? 

- É o meu amigo imaginário. Eu converso com ele toda a noite!

Pronto! É só em momentos como esse em que verdades são esclarecidas. Eu já devia ter imaginado... é por isso que não durmo à noite.

Nos dias em que meu estado psicológico está digamos normal - estes dias em que não tenho sonhos insanos -, são os dias em que não durmo, pois sempre ouço a voz de Bonnie vindo do quarto dela. Das  onze à meia noite. Nunca entendia o motivo de ela sempre falar sozinha à noite. E no dia seguinte, não recordava-me de perguntar sobre isso.

"- Bonnie! Vá dormir!" - Eu gritava do meu quarto.

Mas este é o dia em que minha dúvida é esclarecida. Ela fica conversando com esse tal de Jay! Talvez eu invente alguma coisa convincente o suficiente para fazê-la parar de falar sozinha na hora em que durmo, mas não vou pensar nisso agora.

- E como é ele, esse tal de Jay? - Pergunto, apenas por curiosidade.

- Ele é muito alto e muito grande! - Bonnie gesticula. - Tem o chapéu estranho e os cabelos vermelhos. Eu adoro ele!

- Mas ele é só assim? Alto e dos cabelos vermelhos? - Eu pergunto. E não entendo direito o por quê de eu estar tão interessada no assunto.

- Eu não sei. - Ela responde com sua voz infantil. - Eu não consigo vê-lo direito pois ele insiste que eu mantenha as luzes apagadas enquanto ele estiver em meu quarto.

- E você não sente medo dele? - Solto, sem intenção.

Ela abre um sorriso.

- Por que eu teria medo dele? Ele é meu melhor amigo. E eu confio nele!

Algo nisso me assusta um pouco. Será que ela tem noção de que está delirando? Mas ela tem cinco anos... e consegue ter mais amigos (confiáveis) que eu.

Eu lembro-me de que na época em que eu ainda tinha sua idade, eu tinha vários amigos, estes dos quais eu brincava e conversava... Hoje, já não é mais assim. Nem as criaturas estranhas que surgem em meu subconsciente ficam comigo - estaria agradecida se eles, no mínimo, me atormentassem à noite. Mas nem isso acontece.

- Agora, preciso fazer xixi. - Bonnie comenta, logo saindo da cozinha e correndo pela sala à procura do banheiro.

Rio de suas ações. Crianças, só vocês para esbanjarem tanta alegria e inocência.

...

Caminho lentamente pelo corredor da escola, quase chegando em minha sala, sempre encarando o chão. Não tenho o costume de encarar pessoas. Nada ao redor me interessa, e até que é divertido ver o chão "movimentar-se" enquanto se está caminhando. Algo faz-me recordar da noite anterior, de modo que me deixa um pouco constrangida ao constatar que eu havia aceitado fazer aquilo. Mal me passou pela cabeça de que, talvez, coisas ruins pudesse acontecer.

Ao chegar ao meu armário, logo o destranco, tomando posse de meus materiais de Biologia e Anatomia. Adoro essas disciplinas. Acho tão fascinante ter conhecimento sobre a composição do seres vivos - de preferência, seres humanos. Acho interessante saber do que somos feitos, de como somos feitos. Saber que nossa composição é feita apenas de carne, e não da maneira que agimos. Se fosse por isso, a grande maioria dos alunos daqui já teriam morrido graças à isso.

Sinto todos os pêlos do meu corpo se eriçarem a partir do momento que sinto algo se arrastar pelo meu... traseiro? Olho para o meu lado esquerdo: é um garoto da minha sala que me olha com um olhar um tanto sedutor. Foi ele quem passou a mão na minha bunda? É inacreditável. Para minha sorte, ele não apertou.

Com os livros em mãos, ignoro o que acabou de acontecer, fechando meu armário e logo em seguida caminhando para minha respectiva sala de aula. Meu rosto esquenta quando sinto os olhares dos alunos que estão presentes na sala vindo na direção de minha pessoa. O contraste das expressões dos rostos dos alunos é inacreditável. As meninas me encaram com um certo desgosto - nada fora da normalidade. Os garotos... estão estranhos. Balbuciam coisas nos ouvidos dos colegas, coisas das quais não consigo compreender. Sempre me olhando e abrindo um leve sorriso em minha direção. É difícil ignorar isso enquanto tento chegar ao meu assento, tanto que sinto minhas mãos transbordarem de suor.

Ajeitando as armações em meu rosto, vou até a mochila para pegar um livro que estava lendo em casa. Um drama. Concentro-me somente nas palavras que aquelas páginas possuem, porém logo percebo o quanto minhas ações são inúteis. Eu não consigo prestar atenção na porra do livro, esses olhares tiram completamente minha concentração.

Falta uns dez minutos para o professor entrar na sala de aula. Aproveito esse tempo para correr até ao banheiro. O meu refugio. Ao entrar em um box, rapidamente sento na tampa do vaso sanitário, apenas para me sentir longe daqueles olhares estranhos.

O meu celular vibra no bolso da calça.

Quase que instantaneamente, logo o levo à mão para ver as notificações. Uma mensagem da Layla. A mesma veio pelo Whatsapp.

"JULIET, FICOU DOIDA? PERDEU O RESTO DE SUA SANIDADE?" - leio a mensagem da Layla. Fofa, não?

"Layla, o que está insinuando?" - mando, um pouco pasma.

"Como assim? Não foi você?".

"Do que está falando?".

"Oh, merda...".

Ouço algumas meninas adentrarem o banheiro, pelo menos umas três. Sempre cochichando sobre coisas completamente irrelevantes. Mas algo prende minha atenção.

- Eu sempre soube o quanto ela era falsa. Já não gostava dela antes, e agora ela se revelou vadia. - Reconheço essa voz. É uma das cretinas da minha sala.

- Tudo era apenas uma máscara. Sabe, o jeito anti-social, aquela estranheza... tudo fazia parte do showzinho dela apenas para chamar atenção. - Outra mocréia.

- E aposto que aquele ruivo nem é natural.

Estão falando de mim?

Já era de se imaginar. Essas meretrizes nunca perdem a oportunidade de me xingarem pelas costas ou, simplesmente, na cara.

Sinto o meu celular vibrar novamente.

É a Layla:

"Já visitou o seu Twitter hoje?".

E sem que eu perceba direito, já estou direto no site. Esforço-me para encontrar algo suspeito, mas as minhas tentativas são falhas.

"Layla, ainda não encontrei.".

"Vá ao seu perfil, então. Tenho certeza de que você encontrará.".

Com um único toque, já estou no meu perfil. No início, fiquei com um pouco de medo do que poderia ser, do que o suposto assunto se tratava. E havia razões para isso. Eu acreditava ser somente um sentimento, e isso me aliviava um pouco.

Mas não é. Não é um sentimento. É um fato. Algo que arruinará minha vida...

Vejo claramente o meu semi-nude como o post mais recente do meu Twitter. Com mais de 565 curtidas. Mas eu não postei essa foto! Minhas curvas são claramente bem desenhadas, e a lingerie cabe perfeitamente em meu corpo.

A foto vazou. Vazou pelo meu perfil.

Fico boquiaberta, logo arregalando os olhos ao ver aquela imagem. Agora tudo faz sentido. Aqueles olhares, aqueles comentários... tudo isso por conta dessa maldita foto. Para as garotas, sou uma vadia sem vergonha. Para os garotos, sou uma vadia gostosa. E constatar isso faz lágrimas de tristeza escorrerem pelos meus olhos.

Sem mais alternativas sobre o que fazer com minha vida, reúno toda coragem que ainda existem em meu ser para logo caminhar até a sala de aula. Deixo meus cabelos ruivos caírem por sobre os olhos na tentativa de esconder o meu rosto vermelho e todas as lágrimas. Por que logo comigo? O que fiz de tão ruim em minha vida para merecer tantas decepções e incertezas? Tá na cara que essas perguntas nunca serão esclarecidas. Então, abaixo minha cabeça sobre a mesa na intenção de tentar ignorar tudo isso, mesmo eu já estando ciente de que talvez seja muito difícil.

...

Ouço o barulho do apito perto de meus ouvidos e logo começo a correr. 

É fácil ultrapassar cada uma dessas garotas, e quando percebo, já estou na metade do percurso. Estamos na aula de Educação Física treinando atletismo, aula esta na qual sempre me destaco como a número um. Digo, não que eu seja diferente nas outras disciplinas. Mas esta me anima ao saber que deve ser praticada.

Quando chego ao final, já estou intensamente suada. Fui a vencedora, já que cheguei primeiro. Antes que a professora nos libere da aula, a mesma vem até mim para me parabenizar pelo esforço. Agradeço, com um sorriso no rosto.

Quando chego ao vestiário, espero sentada em um banco. Eu só tomo banho após todas terem tomado primeiro. Tenho vergonha de me expor aos olhos dos outros, e ainda tenho medo do que elas possam fazer comigo.

- Sua vadia! - Uma delas grita em minha direção e as demais começam a rir.

Nada digo, nada faço. Apenas tento ignorar, com o sangue fervendo em minhas veias. Minha cabeça está um pouco abaixada, e encaro seu rosto apenas com os olhos. É claro que isso não a intimida, mas não é exatamente isso que quero. Na verdade, eu nem sei direito o que quero agora. Mas nada disso importa; depois de um tempo ela se afasta, logo me ignorando.

É necessário que eu espere cerca de trinta e cinco minutos até todas acabarem de tomar banho e se embelezarem. Um saco. Estou somente de toalha, esperando que todas saiam do recinto para que eu possa fazer o que quero.

Finalmente estou só, e um alívio invade o meu peito. Caminho até um chuveiro, deixando a toalha por sobre um banco e ficando completamente nua. Abro a torneira da água morna. Sinto o líquido insípido, inodoro e incolor de temperatura ambiente entrar em contato com meu corpo, e isso faz com que eu sinta cada músculo meu relaxar. Fecho meus olhos, para que o prazer de sentir essa água maravilhosa em minha pele se intensifique. Solto um suspiro, passando as mãos pelos cabelos molhados.

Procuro pelo sabonete, logo o esfregando pela minha pele delicadamente, sentindo aquele objeto sólido, porém escorregadio, brincar por entre as partes do meu corpo. O cheiro de erva doce é maravilhoso, me causa uma cerca nostalgia. Ele insiste em cair da minha mão, mas logo o pego, impedindo-o que o faça.

Quando termino com o banho, enrolo-me na toalha branca e macia. O cheiro do amaciante do tecido mostra-se bastante presente, e fungo intensamente, fazendo com que o perfume da toalha penetre deliciosamente em minhas narinas. Isso faz com que eu relaxe, então solto um suspiro. O clima está calmo, está leve. É difícil me encontrar presente em lugares ou momentos como este, onde tudo é tão quieto, mas ao mesmo tempo, tão extasiante. Esse é o prazer da minha vida: a quietude, o silêncio. Oportunidades como esta são impossíveis na minha vida, a não ser que seja após um banho fresco e relaxante em um ambiente completamente calmo.

A vida não é assim. Sua vida não é assim. Ela não pode ser assim...

E não será.

Um estrondo faz com que eu volte à realidade. Não um estrondo, mas um barulho demasiadamente alto e que me deixa desconfortável. Em seguida, ouço diversas vozes masculinas em que os indivíduos, aparentemente, estão rindo e interagindo. Um arrepio invade a região onde se localiza a minha espinha dorsal. Os pêlos dos meus braços estão completamente eriçados, então percebo o quanto estou assustada; percebo que estou com medo. Medo do que possa acontecer comigo. Fecho meus olhos por um motivo que ainda não compreendo, mas é uma ação completamente inútil. Nada do que meu corpo fizer influenciará em nada que - seja o que for - venha acontecer.

Viro meu rosto em direção à porta quando ouço o barulho se intensificar, e fico completamente pasma ao ver, pelo menos, uma dúzia de garotos entrando no banheiro feminino, este no qual estou (ou antes estava) sozinha. Alguns deles estão sem camisa por terem acabado de voltar da aula de Educação Física, e outros garotos, os que fazem parte da liga de basquete, permanecem com o uniforme ou parte dele.

Christian Patrickson está aqui dentro. Está de tênis e bermuda, só isso. Uma parte de mim fica satisfeita em vê-lo deste jeito, e sinto vergonha de mim mesma por sentir prazer nisso. Mas outro lado da minha personalidade me lembra do que estou passando neste exato momento:

Todos os garotos (inclusive Christian) vêm andando pacificamente em minha direção, então a bomba de desespero explode dentro de mim. Uns sorriem, outros riem para os amigos e outros fazem gestos obscenos. E sei que todas essas ações se tratam de mim, do fato de todos eles terem me encontrado somente de toalha em um banheiro feminino, no qual estava sozinha.

Eu realmente não sei como reagir à isso, sempre considerando o fato de que não sou capaz de pensar racionalmente sob pressão ou em um momento de vulnerabilidade. O que é terrível - pavoroso e assustador - em um momento como este.

Eu estou praticamente nua dentro de um banheiro feminino onde contém uma dúzia de garotos sem camisa que estão atrás de mim - ou do meu corpo...

Vadia! Vadia! Vadia!

Minhas pernas não permitiram que eu recuasse ou me escondesse. Devido à isso, permaneço imóvel.

- Olha, olha! Vejam só a nossa vadiazinha!

Desta vez, não foi Christian. Mas sim, seu melhor amigo Peter Thompson, que (sem camisa) se aproxima demais de mim, colocando sua mão direita atrás de minha nuca. Como ele é alto, me sinto uma criança do tamanho da Bonnie em comparação à sua altura, e isso faz com que eu fique cada vez mais apavorada.

Os outros garotos ficam ao redor nos observando. Concentro meu olhar em Christian: está encostado na parede com os braços cruzados, o rosto inexpressivo. Não consigo compreender o motivo de ele estar assim.

Agora, sobre o comentário de Peter: eu não era a bruxinha?

- Não encoste em mim! - Bravamente, retiro sua mão de minha nuca, e o mesmo finge espanto.

- Qual o problema, vadia? - Ele me encara, mas ignoro seu olhar. Faço isso olhando para o chão. - Não gosta quando lhe toco?

- Eu acabei de tomar banho! Quando você me toca, você me suja! E eu odeio sujeira. Principalmente a sua, seu babaca!

Evidentemente, não respondi isso. Não tenho coragem suficiente a ponto de dar uma resposta dessas à um garoto que possui 1,85 de altura. Mas, em compensação, dou um tapa bem forte em seu rosto, fazendo o barulho do tapa se instalar rapidamente no ambiente, calando a boca de todos que insistiam em balbuciar. Até o próprio Patrickson se assustou - talvez não esperasse por isso de forma alguma.

Mas não é o silêncio que me assusta. Thompson deve ter ficado cerca de três segundos e meio com a cara virada para a direita (em um ângulo exato de 45 graus). Até que vira seu rosto em minha direção e fita meus olhos verdes. Um calafrio percorre meu corpo. Ainda me encarando, Thompson passa a mão pelos cabelos loiros e lambe levemente os lábios. Executa tudo isso sempre com a visão focada em mim.

- Gostou de me tocar? - Ele pergunta de maneira maliciosa e com um olhar um tanto promíscuo. Olha para trás para encarar os amigos. Então, me encara novamente. - Pois agora é minha vez de tocar você!

Foi como algo que eu não pude sentir devido à velocidade do movimento da mão pesada e máscula de Peter, mas eu senti. É impossível não sentir. É como quando se joga handbol e alguém, acidentalmente (ou talvez não), arremessa a bola bem na sua cara. E isso fez com que eu caísse no chão. Passando a mão no rosto, tenho a sensação de ter minha pele cozida, frita e/ou assada. Uma sensação horrível, da qual desejo nunca sentir novamente.

Concluindo, Peter Thompson acabou de me dar um tapa na cara.

Talvez eu já esperasse por isso, talvez não. Ele é o tipo de cara previsível, mas ao mesmo tempo, não é. É como um meio termo, e é isso que mais odeio nesse garoto. Não consigo e nem posso prever suas ações, já que o mesmo adora surpreender as pessoas. Isso é péssimo para mim, eu abomino surpresas.

E este é o problema focal. Caída aqui no chão e com as mãos no rosto, sem esperanças de que eu seja socorrida por alguém, já não sei o que esperar dele. Mantenho os olhos fechados instintivamente. As pernas, as fecho propositalmente, já que não estou usando nenhuma espécie de roupa íntima - além de que tem mais de uma dúzia de meninos aqui!

- Gostou disto, sua puta?

A partir do momento em que ouço sua voz pronunciar tais palavras - até onde meu tato funciona -, posso entender que Peter está sobre mim, sentado em meu ventre com as pernas para os lados do meu corpo. Abro meu olhos para vê-lo, mas minha visão está um pouco embaçada, dificultando cada vez mais a situação para mim.

Com meus dois punhos cerrados, Thompson pega em meus pulsos com uma única mão muito fortemente. Sim, com muita força. Então, eis que ouço aquela quantidade absurda de garotos dentro de um banheiro feminino começar a gritar coisas como "Isso, pegue ela!", ou "Dê uma lição nessa vadia!".

Até que ouço:

- Exponha ela para todos! Exponha ela de verdade!

Peter sabe muito bem o que isso quer dizer, e eu também sei disso... Não há maneiras de escapar, e já tenho conhecimento de que não sairei ilesa. O fato é que estou completamente em desvantagem: estou fisicamente, psicologicamente e espiritualmente fraca, além de que há alguém sobre meu corpo impedindo meus movimentos de defesa.

Ainda com meus pulsos acima de minha cabeça, Thompson me encara com um sorriso carregado de malícia, encarando profundamente os meus olhos. Esses olhos azuis que queimam minhas retinas. Desvio o olhar olhando para o meu lado direito, onde apenas visualizo a forma física da parede de azulejos brancos e antigos. Não preciso nem imaginar o que ele pretende fazer comigo, mas, inevitavelmente, isso acontece. Milhões de coisas rodam minhas cabeça - coisas impropriamente imorais -, de modo que me deixa enjoada o bastante para sentir meu estômago se revirar completamente e o meu almoço vindo... mas ele não é liberado.

- Olhe para cá! - Ele rosna, logo pegando em meu maxilar e virando-o em direção ao seu rosto, obrigando-me a encará-lo; algo do qual não tenho prazer nenhum em fazer. O que ele quer comigo? Sei que não sou uma das melhores pessoas do mundo, mas acredito que nunca tenha dado motivo para ele sentir tanta raiva e/ou ódio de mim.

Faço um grande esforço para tirar meus pulsos de sua mão - que é gigante - movimentando os membros inferiores e dando joelhadas em suas costas. E quando percebo, estou me debatendo sob o seu corpo, como uma lunática completamente fora de controlo no qual Thompson está tentado deter ou acalmar. É isso que qualquer um pensaria ao ver a cena.

Como foi feito anteriormente, recebo outro tapa na face, desta vez, um com muito mais força. E é suficiente para que eu fique completamente imóvel.

- Fique quieta! - Peter diz.

Os olhares que nos cercam me secam, mas não deixar de lutar. Não posso ser uma menina fraca para sempre. "Dane-se suas palavras, eu faço o que eu quiser!", penso. E tal frase é o suficiente para que eu me encha de energia e coragem para que eu me remexa muito desprevenidamente a ponto de assustá-lo e fazê-lo largar os meus dois pulsos instintivamente; então, levanto meu tronco e revido o tapa dado em meu rosto.

Mas ele também não desiste.

Tudo acontece muito rapidamente: Peter tenta me dar outro tapa para me fazer cair, mas logo desvio de sua mão. Ele coloca cada mão em cada ombro meu, e tenta me fazer deitar por si só, enquanto ouvimos a multidão gritar. Para minha infelicidade, isso funciona. Até que levanto, e ele tenta me fazer cair novamente. Então, faço algo que me deixa completamente cética: por instinto - apenas por instinto -, eu acabo socando o lado esquerdo do seu maxilar, fazendo com que, em seguida, Thompson cuspa sangue.

Os olhares, que antes eram de euforia, agora são de espanto. Espanto, susto e incredulidade. Ninguém esperava por isso. Até o próprio Christian não soube como esconder sua expressão de espanto.

Até que ele volta a me encarar. O seu olhar de ódio e fúria me deixa completamente insegura, e cada vez mais vulnerável. E, com um simples movimento rápido e preciso, Thompson, ferozmente, tenta insistentemente arrancar a minha toalha, logo saindo de cima de mim. Fico completamente desesperada, e luto contra ele, dando o máximo de mim para que isso não aconteça. Sinto-o utilizar toda sua força, mas jogo-me para trás segurando o pequeno nó feito por mim na toalha que está acima de meus seios. Então, solto um grito.

- Pare, Peter! - O desespero, a força e a luta transparecem em minha voz.

Aperto minhas mãos para manter o nó firme, mas já estão vermelhas, e Peter tenta puxá-la cada vez com mais força. O meu lado físico cede, e acabo soltando. E, com isso, Thompson arranca a toalha de meu corpo, deixando-me completamente nua aos olhares dos outros. Então, esse era o seu plano o tempo todo?

- Sua vadiazinha gostosa! - Peter diz de pé e lambendo os lábios.

Meu rosto esquenta de raiva e rubra de vergonha. O mais rápido possível, viro para o lado da parede fechando as pernas e cobrindo os seios com as mãos. Meus olhos são fechados fortemente por instinto. E sinto lágrimas quentes escorrerem pelo meu rosto.

- Nossa! - Fala Thompson, dando uma risada. - E pensar que por trás de toda aquela bruxaria haveria um anjo...

Ele fica de joelhos em minha frente, logo subindo em meu corpo novamente (como da última vez) e pegando meus dois pulsos, colocando um em cada lado da minha cabeça. Deixando meus seios completamente à mostra. Fazendo o resto dos garotos babarem de luxúria.

Então, continua:

- Só que essa anjinha, certamente, saiu do inferno. Para ter este corpo, esta é a única justificativa provável.

- Por favor, me deixe em paz! - Peço, implorando por misericórdia. Minhas lágrimas puderam fazer isso.

- Mas acabar com a diversão tão cedo? Nós mal começamos a brincar.

"Parece que todos querem brincar comigo...".

Fecho novamente os olhos, logo liberando mais lágrimas. Já não sei mais o que esperar agora, tudo o que resta é aceitar as coisas sujas e podres que esse(s) babaca(s) fará(ão) comigo, já que não existe mais alternativas na minha vida. Só me resta sofrer...

- Que merda está acontecendo aqui?

Ouço uma voz de autoridade, e uma luz de esperança brilha na direção da "plateia": minha professora de Educação Física. Peter sai de cima de mim, e sinto vontade de soltar um grito de alívio, finalmente tendo em mente o fato de que não serei abusada.

Após a professora ter expulsado todos os garotos do banheiro, ela corre em minha direção, logo me ajudado a levantar. Mesmo completamente nua, abraço-a fortemente, sabendo que foi ela quem me saltou daquele momento de terror.

- Foi horrível! - Comento, por entre as lágrimas. - Aconteceu tudo tão rápido! Eu achei que eles... - não consigo terminar a frase, e isso faz com que mais lágrimas caia do meu rosto.

- Eu sei, querida. - Ela tenta me confortar. - Eles serão devidamente punidos por isso. Você não precisa se preocupar.

Saio de seu abraço e a encaro séria e preocupada.

- E se eles fizerem de novo? - Minha voz expõe meu desespero.

- Eles não vão fazer de novo. Eu te garanto.

Ela pega a toalha jogada no chão e me cobre, logo pegando as minhas roupas e pedindo para que eu as vista. Assim que faço, ela encara meu rosto e limpa um pouco de sangue que escorre pelo meu nariz, por algum motivo. Provavelmente, Peter dever ter feito algo na hora que eu não tenha percebido, algo que tenha feito escorrer sangue do meu nariz.

Abraçando meu ombro, caminho com ela em direção à saída.

- Venha, vou levá-la à enfermaria.


Notas Finais


Olá, meus leitores que eu amo tanto (não é falsidade, amo vocês mesmo)! Gostaria de agradecer a quem teve a paciência e coragem de ler até aqui, já que a história está muito grande. E é justamente por isso que estou aqui: vim falar que vou tentar diminuir o tamanho dos capítulos, já que eu tenho a consciência de como está grande. O problema é que sou muito perfeccionista, e para mim nada está bom, por isso sempre acrescento cada vez mais palavras. Desculpem-me por isso. Prometo que vou dar uma diminuida.

Outro problema que vim esclarecer aqui trata sobre o seguinte: vou demorar um pouco (lê-se muito) para atualizar o próximo capítulo por falta de meios de escrever. O que quero dizer é que, no momento, estou em um aparelho eletrônico (celular e notebook), e por isso, sugiro que não esperem acordados.

Só isso, mesmo. Obrigada.


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