História O Favela e a Mimada - Capítulo 17


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Comedia, Drama, Romance
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Palavras 1.471
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - 17


Acordei com a sol queimando o meu rosto, abri as pálpebras devagar por causa do incômodo que a luz causava em minhas vistas, sorri ao vê aquele teto e me lembrando da noite maravilhosa que tive, mas uma incerteza me atingiu, e se ontem ele estivesse bêbado? E por isso disse tudo aquilo, olhei pro lado e me deparei com uma linda imagem, uma imagem que eu queria ver pelo resto da minha vida, JP dormindo, como um lindo anjo de boca aberta, ele parecia uma criança que tinha acabado de tomar um banho depois de um longo dia no parque.


— Não sabia que eu era tão lindo ao ponto de você ficar me apreciando enquanto durmo.


Ele se gaba e eu senti minhas bochechas queimarem, o empurro


— Você é um idiota.


Falo ainda corada e me sento na beira da cama prendendo meu cabelo em um coque.


— Ah não prendi não, você fica tão linda de cabelo solto.


Ele fala com sua voz incrivelmente grossa, ficava sempre assim de manhã, e eu amava isso, olho pra ele.


— Não perguntei nada a você.


Falo séria me levantando e o mesmo pega meu braço me puxando e eu caí na cama, o mesmo sobe em cima de mim, prendendo meus braços ao lado da minha cabeça.


— Você sabe que eu não gosto quando você é grossa comigo.


Fala de um jeito sexy e eu dou um sorriso.


— Ae? E você vai fazer o que?


Falo em um tom desafiador e ele dar um sorriso de lado.


— Isso..


Fala e começa a me fazer cócegas.


— JP


Falo entre risos e me contorcendo na cama, o mesmo ria, continuando com as cócegas, até que algo em seu bolso toca, o mesmo levanta e atende.


— Chefia? Da pra vim aqui na boca rápidão?


Ouço a voz do TH do outro lado da linha.


— Já to indo TH.


Fala JP olhando pra mim.


— E fala pra patroinha que eu mandei um beijo.


Fala e JP franzi a testa.


— Ta mandando beijo pra minha mulher por que? tá maluco é mermão? Broco sua testa.


Fala fingindo esta irritado e ouço a risada do TH do outro lado da linha, me fazendo rir também.


— Vou ajeitar os bagulhos aqui.


Fala TH e desliga, JP vem até mim.


— Tenho que ir pra boca


Me dar um selinho.


— Não vai tomar café?


Pergunto o vendo coloca o cinto.


—  Eu como qualquer coisa no Ricardão.


Fala me dando mais um selinho e pega sua blusa que estava no criado mudo e coloca no ombro.


— Vou almoça em casa.


Fala passando pela porta e me fazendo o perder de vista, suspiro e levanto da cama, prendendo meu cabelo novamente que solto da hora que cair na cama, fui em direção ao banheiro e me olhei no espelho, a maquiagem estava toda borrada e parecia que eu estava de máscara, JP deve ter usado droga, só assim para ser chamada de linda, lavo meu rosto e sinto algo remexendo no meu estômago e novamente o enjôo, abro a privada e jogo tudo pra fora, será que eu realmente estava grávida? Quando terminei dei descarga e lavei a boca começando a fazer minhas higiene matinal, abrir o chuveiro e entrei no mesmo sentido a água quente escorrer pelo meu corpo, sem deixar que ela encostasse no meu cabelo, fazia mal pra ele.



Quando terminei coloquei minha roupa no cesto de roupas sujas e fui até o guarda-roupa enrolada numa toalha, peguei uma cueca boxe preta em uma das gavetas e vestir, abrir a porta e peguei uma blusa preta do JP, vestir a mesma, ajeitei meu coque e desci as escadas com os pés descalços, indo direto para cozinha vendo dona Rita cozinhando algumas coisa, me encostei no batente da porta.


— Ai que susto minha filha.


Ela fala assim que me vê colocando a mão no peito.


— Não sabia que estava tão feia assim.


Falo rindo indo até a mesma e a abraçando.


— Eu senti tanta falta de você.


Ela fala acariciando minha cabeça, sorriu e me afasto dela.


— Também sentir sua falta, ninguém cozinha como você.


Falo com um sorriso e ela dar risada.


— To começando a achar que você gosta mais da comida do que de que de mim.


Ela fala rindo e eu assobio olhando pros lados.


— É né… Então…


Falo disfarçando e a mesma dar uma gargalhada, eu me sento na cadeira perto do balcão ficamos conversando um pouco até ela colocar o meu café, e comentar o quanto JP estava diferente nesse último mês que ficamos brigados, que nunca viu ele daquela maneira e que eu tinha o mudado, apesar que pra mim eu continuava o mesmo idiota de sempre.


Quando terminei coloquei o meu café na pia e subir, prometir a Emma que ia sair com ela e a Vitória, ela já deve ter ligado pra mim umas cem vezes, cheguei no quarto e procurei minha bolsa por todo lugar, até que a encontrei pendurada no guarda-roupa, fui até a mesma e peguei meu iphone e tinha treze chamadas (05 da Vitória e 8 da Emma)  perdidas e 3 mensagens.


“Viih: Posso saber onde vc ta? Por que não atende minhas ligações? aposto que ta trepando”


Emma: Mel me atende por favor, eu to ficando preocupada com vc, lembre que eu to GRÁVIDA”


Sorriu ao vê as mensagens de minhas amigas, e antes de abrir a terceira e vejo que é de um número privado, um arrepio subiu de mim dos pés à cabeça algo me dizia que não era uma coisa boa.


Número Privado: Olha aqui dondoca, isso não vai ficar assim n tlgd? Eu ainda vou te pegar e vou fazer tu aprender a nunca mais mexer com o macho dos outros, vou fazer tu se arrepender de ter nascido e se metido entre mim e o JP.


Meu coração se apertou, eu sabia que essas meninas faveladas eram capaz de qualquer coisa para ficar com o JP, ele é como se fosse o Brad Pitt ou o Oliver Queen da favela, todas os querem, eu estava com medo, eu não queria morrer…


— Mel?


A voz do JP me tira dos meus pensamentos e eu olho para o mesmo escondendo o celular atrás de mim.


— Pra mim você iria voltar apenas no almoço.


Falo rezando para que ele não perceber a pontada de medo em minha voz.


— Não tinha mais nada pra fazer na boca, então vim passar um tempo com minha mulher.


Ele fala tirando sua arma da cintura e jogando a mesma em qualquer canto da sala, como esse ato pode se tornar normal na vida de uma pessoa? Ter uma arma colada em seu corpo o tempo todo, matar pessoas, eu não conseguia entender por mais que tentasse, eles não sentiam nada em tirar a vida de uma pessoa?


— Não é bom tirar a vida de uma pessoa, se é isso que você está pensando.


Ele fala me fazendo perceber que eu estava olhando fixamente para a arma, o mesmo vai tirando a camisa e eu aproveito pra guarda o iPhone na bolsa.


— Então por que você tira?


Pergunto olhando para o mesmo, que apenas riu com ironia e joga sua camisa na cama.


— Eu não tiro por que gosto e se por que é necessário.


Ele fala indo em direção ao banheiro.


— Como pode ser necessário tirar a vida de uma pessoa? E se ela tiver família? Filhos…


Falo e o mesmo bate na parede irritado e olha pra mim.


— Você pensa que eu não sei disso amor? Eu me culpo todos os dias pelas vidas das pessoas que tirei quando puxei aquele gatilho, eu deixei crianças órfãs e esposas viúvas, mas eu não podia fazer nada, no mundo em que eu vivo você só tem duas escolhas: Ou você mata, Ou você morre.


Ele fala alterando sua voz no início, mas logo depois de acalmá passando as mãos pelo meu cabelo.


— Eu sei que pode ser difícil pra você entender, mas tudo o que eu aprendi desde pequeno, é como usar uma arma e matar aqueles que se auto nomeiam meus inimigos, com 11 Anos, eu dei um tiro no peito do policial que tirou minha mãe de mim, tudo porque eu estava com medo dele também tirar a única coisa que me restava: Esse morro.


Ele fala com seus olhos marejados e eu vou até o mesmo sem dizer ao menos uma palavra, e o abraço, eu não queria o vê chorar, eu não queria o ver sofrer, ele era uma das pessoas que tinham se tornado especiais para mim desde que pisei meus pés no morro, antes só de pensar que eu estaria apaixonada por um traficante eu queria morrer, mas hoje, eu percebo que os traficantes podem ser pessoas normais, com suas dores, com seus momentos, seus medos, assim como qualquer outra, sinto o mesmo envolvendo seus braços na minha cintura, e naquela hora é como se eu me esquecesse de tudo, e de todos, só estivesse nos dois no mundo.





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