História O Filho de Netuno - Capítulo 26


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Reyna Avila Ramírez-Arellano, Suga, V
Tags Adaptação, Bts, Heróisdoolimpo, Kookv, Namjin, Percyjackson, Taekook, Vkook, Yoonmin
Visualizações 25
Palavras 2.242
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Saga, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura amores ^^

Capítulo 26 - XXVI - Jungkook


NÃO FOI TÃO DIFÍCIL QUANTO ELES PENSARAM. Os gritos e o cortador de grama ajudaram.

Eles haviam trazido jaquetas esportivas leves com seus suprimentos, então se agasalharam contra a chuva fria e andaram por alguns quarteirões, a maioria por ruas desertas. Dessa vez Jungkook foi esperto e trouxe a maioria dos seus suprimentos do barco. Ele até colocou a carne seca macrobiótica no bolso do casaco, caso tivesse que lidar com mais alguma baleia assassina.

Eles viram um pouco de tráfego de bicicletas e alguns caras sem-teto estremecendo nas portas, mas a maior parte dos moradores pareciam estar nas suas casas.

Enquanto desciam a Glisan Street, Jungkook olhava melancolicamente para as pessoas nos cafés, saboreando café e doces. Ele estava prestes a sugerir que parassem para o café da manhã quando ouviu uma voz descendo a rua que gritava:

— HÁ! TOMEM ESSA, GALINHAS ESTÚPIDAS! — Seguido pela aceleração de um pequeno motor e vários grasnados.

Jungkook olhou para seus amigos.

— Vocês acham...?

— Provavelmente — Namjoon concordou.

Eles correram em direção ao som.

Passado o próximo quarteirão, encontraram um grande estacionamento aberto, com calçadas arborizadas e fileiras de caminhões de alimentos de frente para a rua em todos os quatro lados. Jungkook já tinha visto caminhões de alimentos antes, mas nunca tantos em um só lugar. Alguns eram simplesmente caixas de metal sobre rodas, com toldos e balcões de servir. Outros eram pintados de azul, roxo ou bolinhas, com grandes banners na frente e painéis de menu coloridos e mesas do tipo ‘faça você mesmo’ de cafés ao ar livre. Um anunciava um taco Coreano/Brasileiro, o que soou como algum tipo de culinária radioativa ultra-secreta. Outra oferecia sushi no espeto. Uma terceira estava vendendo um sanduíche de sorvete de fritas.

O cheiro era maravilhoso – dúzias de diferentes cozinhas cozinhando ao mesmo tempo. O estômago de Jungkook roncou. A maioria dos caminhões estava aberta, mas dificilmente havia alguém por perto. Eles podiam comprar tudo o que quisessem. Sanduíche de sorvete de fritas? Ah, isso parecia bem melhor que gérmen de trigo.

Infelizmente, havia mais coisas acontecendo do que apenas culinária. No centro do lote, atrás de todos os caminhões de comida um velho em um roupão, estava correndo por toda parte com um cortador de grama, gritando para uma revoada de mulheres-pássaro que estavam tentando roubar comida de uma mesa de piquenique.

— Harpias — Jin disse — O que significa...

— Que é o Fineu — Namjoon adivinhou.

Eles correram pela rua e se espremeram entre o caminhão Brasileiro/Coreano e um chinês vendedor de rolinho primavera e burrito. As traseiras dos caminhões não eram de longe tão convidativas quanto a frente. Elas estavam cheias de pilhas de baldes de plástico, latas de lixo transbordando e varais improvisados com aventais e toalhas molhadas penduradas. O estacionamento em si não era nada mais que um quadrado de asfalto quebrado, salpicado de grama.

O cara de roupão era velho e gordo. Era quase totalmente careca, com cicatrizes na testa e um amontoado de viscosos cabelos brancos. Seu roupão estava sujo de ketchup e ele continuou a correr por todo lado em seus distorcidos chinelos de coelhinho cor de rosa, balançando seu cortador de grama a gás em direção à meia dúzia de harpias que pairavam sobre sua mesa de piquenique.

Ele era claramente cego, seus olhos eram de um branco leitoso e geralmente errava as harpias por muito, mas continuava fazendo um bom trabalho rechaçando-as.

— Afastem-se, galinhas sujas! — Ele berrou.

Jungkook não estava certo do porque, mas tinha a vaga sensação de que harpias deveriam ser mais gordas. Essas pareciam esfomeadas. Seus rostos humanos tinham olhos encovados e bochechas ocas. Seus corpos estavam cobertos de penas e de suas asas despontavam minúsculas mãos enrugadas. Elas usavam sacos de tecido esfarrapado como vestidos. À medida que mergulhavam para a comida, elas pareciam mais desesperadas do que zangadas. Jungkook sentiu pena delas.

WHIRRRR! O velho balançou seu cortador de grama. Ele raspou nas asas de uma das harpias. A harpia gritou de dor e voou para longe, deixando uma trilha de penas amarelas pelo caminho.

Outra harpia circulava mais alto que as demais. Ela parecia menor e mais jovem, com penas vermelho-vivo. Ela olhava cuidadosamente, procurando uma abertura e quando o velho lhe deu as costas ela fez um mergulho selvagem em direção à mesa.

Ela agarrou um burrito com suas garras, mas antes que pudesse escapar, o velho cego balançou seu cortador de grama e atingiu-a nas costas muito fortemente, Jungkook estremeceu. A harpia gritou, derrubou o burrito e voou para longe.

— Ei, pare com isso! — Jungkook gritou.

As harpias entenderam isso da maneira errada. Elas olharam para os três semideuses e imediatamente fugiram. A maioria delas voou para longe e se empoleiraram nas árvores ao redor do estacionamento, olhando desanimadamente para a mesa de piquenique. A harpia de penas vermelhas que fora atingida nas costas voou vacilantemente pela Glisan Street e desapareceu de vista.

— HÁ! — O cego gritou em triunfo e desligou seu cortador de grama. Ele sorriu vagamente na direção de Jungkook. — Obrigado estranho! Sua ajuda é muito apreciada.

Jungkook controlou sua raiva. Ele não pretendia ajudar o velho, mas lembrou-se de que precisavam de informações.

— Hum, tanto faz — Jungkook se aproximou do velho, mantendo um olho no cortador de grama. — Eu sou Jeon Jungkook, esse é...

— Semideuses — disse o velho — sempre consigo sentir o cheiro de semideuses.

Jin franziu a testa.

— Cheiramos tão mal assim?

O velho riu.

— Claro que não meu querido. Mas você ficaria surpreso em descobrir quão afiados ficaram os meus sentidos desde que fiquei cego. Eu sou Fineu, e vocês... esperem, não me digam...

Ele alcançou o rosto de Jungkook e cutucou-o nos olhos.

— Ow! — Jungkook queixou-se.

— Filho de Netuno — Fineu exclamou — pensei ter sentido o cheiro do oceano em você Jeon Jungkook. Eu também sou um filho de Netuno sabia?

— É, ok — Jungkook esfregou os olhos.

Apenas sorte que ele fosse parente desse velhinho. Esperava que nem todos os filhos de Netuno compartilhassem do mesmo destino. Primeiro você sai por ai carregando uma bolsa de couro. Antes que perceba você está correndo por aí em um roupão, chinelos de coelhinho rosa, perseguindo galinhas com um cortador de grama.

Fineu se virou para Jin.

— E aqui... Cheiro de ouro e terra profunda. Kim Seokjin, filho de Plutão. E ao seu lado, o filho de Marte. Entretanto há muito mais em sua história Kim Namjoon...

— Sangue Antigo — Namjoon murmurou. — Príncipe de Pilos. Blá, blá, blá.

— Poriclimeno, exatamente! Ah, ele era um cara legal, eu adorava os argonautas!

O queixo de Namjoon caiu.

— Espera, Pori quem?

Fineu sorriu.

— Não se preocupe, eu conheço a sua família. Aquela história sobre seu bisavô? Ele não destruiu realmente o acampamento. Mas que grupo interessante. Estão com fome?

Namjoon parecia ter sido atropelado por um caminhão, mas Fineu já havia mudado de assunto. Ele acenou em direção à mesa de piquenique. Nas árvores próximas, as harpias guinchavam miseravelmente. Mesmo faminto como Jungkook estava, não podia pensar em comer com essas pobres harpias o assistindo.

— Olha, eu estou confuso — Jungkook disse. — Nós precisamos de algumas informações. Nos disseram...

— ...Que as harpias estavam afastando a comida de mim — Fineu terminou. — E que se vocês me ajudassem, eu ajudaria vocês...

— Algo assim — Jungkook admitiu.

Fineu riu.

— Essas são notícias velhas. Parece que estou passando fome?

Ele acariciou sua barriga, a qual era do tamanho de uma bola de basquete superinflada.

— Hum... não — Jungkook disse.

Fineu agitou seu cortador de grama em um amplo gesto. Os três se abaixaram.

— As coisas mudaram, amigos! — ele disse. — Quando eu recebi o dom da profecia, éons atrás, é verdade que Júpiter me amaldiçoou. Ele mandou as harpias para roubar minha comida. Vejam vocês, eu tinha uma boca um pouco grande. Eu revelava muitos segredos que os deuses tentavam guardar — ele se virou para Jin. — Por exemplo, você devia estar morto. E você... — ele se virou para Namjoon. — Sua vida depende de um pedaço de madeira queimado.

Jungkook franziu a testa.

— O que você está dizendo?

Jin piscou como se tivesse sido esbofeteado. Já Namjoon, parecia que o caminhão tinha engatado a ré e atropelado ele outra vez.

— E você — Fineu se virou para Jungkook. — Bem, você nem mesmo sabe quem é. Eu poderia te contar é claro, mas que graça isso teria? E que Brigid O’Shaughnessy atira em Miles Archer em O Falcão Maltês. E Darth Vader é o pai do Luke. E o Vencedor do próximo campeonato de futebol americano será...

— Já entendemos. — Namjoon murmurou.

Jin apertou sua espada como se ele estivesse tentado a esquartejar o velho.

— Então, você falou demais e os deuses te amaldiçoaram. Por que pararam?

— Ah, eles não pararam — ele arqueou suas sobrancelhas numa expressão que dizia dá pra acreditar? — Eu tive que fazer um acordo com os argonautas. Eles também queriam informações, vejam só. Eu disse que se matassem as harpias eu cooperaria. Bem, afugentaram essas criaturas nojentas, mas Íris não os deixaria matar as harpias. Um ultraje! Então, dessa vez quando minha patrona me trouxe de volta à vida...

— Sua patrona? — Namjoon perguntou.

Fineu lhe dirigiu um sorriso perverso.

— Gaia é claro. Quem vocês acham que abriu os portões da morte? Seu namoradinho aqui entende bem o que é isso. Gaia não é também sua patrona?

Jin desembainhou sua espada.

— Eu não sou... Eu não... Gaia não é minha patrona.

Fineu parecia estar se divertindo. Se ele ouviu a espada sendo puxada não pareceu se importar.

— Ótimo, se você que ser nobre e ficar do lado perdedor é problema seu. Mas Gaia está acordando, ela já reescreveu as regras da vida e da morte. Estou vivo de novo! E em troca de minha ajuda, uma profecia aqui, outra ali, ganho meu mais caro desejo. A mesa foi virada, por assim dizer. Posso comer o que eu quiser o dia inteiro, e as harpias tem que assistir e passar fome.

Ele acelerou seu cortador de grama e as harpias gemeram em suas árvores.

— Elas são amaldiçoadas — o velho homem disse. — Elas só podem comer da minha mesa, não podem deixar Portland e como as portas da morte estão abertas elas não podem nem morrer. É lindo.

— Lindo? — Namjoon protestou — elas são criaturas vivas. Por que você é tão malvado com elas?

— Elas são monstros — Fineu disse — e malvado? Esses cérebros de penas me atormentaram por anos!

— Mas era seu dever — Jungkook disse, tentando se controlar — Júpiter lhes ordenou que fizessem isso.

— Oh, mas eu estou irado com Júpiter também — Fineu concordou. — No tempo certo Gaia cuidará para que os deuses sejam apropriadamente punidos. Eles fizeram um horrível trabalho em governar o mundo. Mas por hora estou gostando de Portland. Os mortais não me dão nenhuma importância. Pensam que sou apenas um velho louco espantando os pombos.

Jin avançou em direção ao vidente.

— Você é terrível! — Jin disse a Fineu. — Seu lugar é nos campos de punição.

Fineu zombou.

— De um morto para outro, mocinho? No seu lugar eu não estaria falando. Você começou a coisa toda! Se não fosse por você Alcioneu não estaria vivo!

Jin cambaleou para trás.

— Jin — os olhos de Namjoon se arregalaram. — Do que ele está falando?

— Há! — Fineu disse. — Você vai descobrir logo, logo, Kim Namjoon. E então veremos se você continua tão carinhoso com o seu namorado. Mas vocês não estão aqui pra isso, certo? Querem encontrar Tânatos. Ele está sendo mantido no covil de Alcioneu. Claro que eu posso lhes dizer onde fica. Claro que posso. Mas primeiro vocês terão que me fazer um favor.

— Esquece — Jin disse asperamente. — Você está trabalhando para o inimigo. Devíamos te mandar de volta para o Mundo Inferior nós mesmos.

— Vocês podem tentar — Fineu sorriu. — Mas duvido que eu fique morto por muito tempo. Vejam vocês, Gaia me mostrou o caminho mais fácil para voltar para cá. E com Tânatos nas correntes, não tem ninguém pra me manter lá em baixo. Além disso, se me matarem nunca descobrirão meus segredos.

Jungkook estava tentado a deixar Jin usar sua espada. Na verdade, ele queria estrangular aquele velho ele mesmo.

Acampamento Júpiter. Ele disse a si mesmo. Salvar o acampamento é mais importante. Ele se lembrou de Alcioneu provocando-o em seus sonhos. Se eles perdessem tempo vagando pelo Alasca à procura do covil do gigante, os exércitos de Gaia iriam destruir os Romanos... e os outros amigos de Jungkook, quem quer que eles fossem.

Ele cerrou os dentes.

— Qual é o favor?

Fineu lambeu os lábios com avidez.

— Tem uma harpia que é mais rápida que as outras...

— A vermelha — Jungkook supôs.

— Eu sou cego! Eu não sei a cor! — O velho resmungou. — De qualquer forma, ela é a única que me dá trabalho. Ela é astuta, essa aí. Sempre faz o que quer, e não se junta às outras. Ela me deu isso.

Ele apontou para as cicatrizes em sua testa.

— Capture essa harpia — ele disse. — Tragam-na até mim. Eu a quero amarrada onde eu possa ficar de olho nela, por assim dizer. Harpias odeiam ficar amarradas. Isso lhes causa dor extrema. Ah, eu vou gostar disso. Talvez eu até a alimente para que ela dure mais.

Jungkook olhou para seus amigos. Eles entraram num acordo silencioso: Eles nunca iriam ajudar esse velho repugnante. Por outro lado, precisavam da informação. Eles precisavam de um plano B.

— Oh, podem ir conversar — Fineu disse despreocupadamente. — Eu não ligo. Só lembrem-se de que sem minha ajuda sua missão irá falhar e todos que vocês amam nesse mundo irão morrer. Agora saiam! Tragam-me aquela harpia!



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