História O futuro de Júpiter - Vkook - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Ficção, Mpreg, Romance, Vkook
Visualizações 21
Palavras 2.602
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Lemon, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Survival, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Nova Identidade


Fanfic / Fanfiction O futuro de Júpiter - Vkook - Capítulo 2 - Nova Identidade

Estou no meio da entrada da garagem, olhando para a casa. É cor de rosa suave, quase como cobertura de bolo, e fica elevada uns três metros, sobre os pilotis de madeira. Há uma palmeira na frente. Na parte de trás há um píer que se esconde pouco menos de vinte metros mar a dentro.

Namjoon sai carregando a ultima caixa. Algumas sequer foram desembaladas depois da ultima mudança. Ele tranca a porta e deixa as chaves na caixa de correio, ao lado. São duas horas da manha. Nam veste short caqui e camisa pólo preta. Esta muito bronzeado, e a barba por fazer dá a impressão de abatimento. Ele também esta triste com a partida. Joga as caixas na parte de trás da caminhonete com o restante das coisas.

-É isso – diz.

Eu faço que sim com a cabeça. Olhamos para a casa e ouvimos o vento batendo nas folhas da palmeira. Estou carregando um saco de aipo.

-Vou sentir saudades daqui – comento. – Mais do que dos outros lugares.

-Eu também.

-Hora do fogo?

-Sim. Quer cuidar disso ou prefere que eu faça?

-Eu faço.

Nam pega sua carteira e a joga no chão. Eu pego a minha e faço o mesmo. Ele caminha te a caminhonete e volta trazendo passaportes, certidões de nascimento, cartões do seguro social, talões de cheque, cartões de credito e do banco, e joga tudo no chão. Todos os documentos e tudo o que se relaciona a nossa identidade neste lugar, tudo forjado e fabricado. Pego no automóvel uma pequena lata de gasolina que mantemos para emergências e despejo sobre a pilha reduzida. Meu nome atual é Kim Chengun. Minha historia atual é que cresci na China e me mudei para cá por causa do trabalho do meu pai, que é programador de sistemas. Kim Chengun esta prestes a desaparecer. Risco um fósforo e jogo no meio da pilha, e o fogo começa imediatamente. Mas uma vida que se vai. Como sempre fazemos, Namjoon e eu ficamos para ver as chamas. “Adeus, Chengun, foi um prazer conhecer você” penso. Quando o fogo se extingue, Nam olha pra mim.

-Temos que ir .

-Eu sei.

-Essas ilhas nunca foram seguras. É difícil sair delas rapidamente, difícil fugir. Foi tolice vir para cá.

Eu balanço a cabeça, indicando que concordo. Nam esta certo, e eu sei disso. Mas ainda reluto em ir embora. Viemos para cá porque eu queria. Pela primeira vez Namjoon me deixara escolher nosso destino. Ficamos por 10 anos, e esse foi o período mas longo que passamos em um lugar desde que deixamos Júpiter. Vou sentir falta do sol e do calor. Vou sentir saudades da lagartixa  que ficava me espiando na parede todas as manhas enquanto eu tomava o café. Embora haja literalmente milhões de lagartixas no sul do Japão, juro que aquela me seguia até a escola e parecia estar em todos os lugares. Vou sentir falta dos temporais que parecem chegar do nada, de como tudo é parado e silencioso no inicio da manha, antes de as gaivotas chegarem. Vou sentir falta dos golfinhos que as vezes aparecem quando o sol se põe. Vou sentir saudades até do cheiro de enxofre das algas marinhas que apodrecem na praia, de como ele preenche a casa e invade nossos sonhos enquanto dormimos.

-Livre-se do aipo, eu vou esperar na caminhonete- Nam diz. – Esta na hora.

Eu entro em um bosque fechado à direita da caminhonete. Há três cervos esperando. Jogo o soco com aipos diante deles e me inclino para afagar um de cada vez. Os animais permitem, porque a muito venceram o medo. Um deles levanta a cabeça e olha para mim, os olhos negros e inexpressivos me encarando. Chega a parecer que ele está me dizendo algo. Sinto um calafrio na espinha. Ele abaixa a cabeça e continua comendo.

-Boa sorte, amigos. – digo, depois ando até a caminhonete e me sento no banco do carona.

Observamos pelos retrovisores enquanto a casa fica cada vez menor, até que Nam entra na estrada principal e ela desaparece. É sábado. Imagino o que esta acontecendo na festa, sem mim. O que estão falando sobre o modo como sai de lá e o que dirão na segunda- feira, quando eu não aparecer na escola. Gostaria de ter me despedido. Nunca mais verei ninguém que conheci aqui. Nunca mais vou falar com nenhum deles. E nunca saberão o que sou ou por que parti. Depois de alguns meses, talvez anos, é provável que ninguém pense mas em mim.

Antes de chegarmos a estrada estadual, Nam para a fim de abastecer a caminhonete. Enquanto mexe na bimba, eu examino um atlas que ele guarda entre os bancos. Nós o temos desde que chegamos a este planeta. Traçamos linhas indo e vindo de todos os lugares onde já moramos. A esta altura elas já atravessam todos os países. Sabemos que devemos nos livrar do atlas, mas ele é o único objeto que conservamos e que retrata nossa vida. Pessoas comuns tem fotos, vídeos e diários; nos temos um atlas. Ao examiná-lo, percebo que Nam fez um linha do Japão a Coréia do sul. Quando imagino Seul, penso em prédios, robôs e pessoas gentis. Sei que as placas dos carros de lá tem escrito “O coração de tudo”. Não sei dizer o que é “tudo”, mas acho que vou descobrir.

Nam volta ao carro. Ele comprou dois refrigerantes e um saco de batatas fritas. Partimos na direção da balsa, que vai nos levar ao sul da Coréia. Ele estende a mão para pegar o atlas.

-Acha que há carros voadores em Seul? – eu brinco.

Ele ri.

- Imagino que haja alguns. E talvez até tenhamos a sorte de encontrar televisões portáteis e comida de graça.

Eu movo a cabeça, concordando. Talvez não seja tão ruim quanto imagino.

- O que acha do nome “Jeon Jungkook”? – pergunto.

-Foi esse que escolheu?

-Acho que sim –respondo. Nunca foi Jeon antes, nem Jungkook.

-Não é possível encontrar nada mais comum. Eu diria que é um prazer conhecê-lo, Sr. Jeon.

Eu sorrio.

-É, acho que gosto de Jeon Jungkook.

-Vou montar seus documentos quando pararmos.

Um quilometro e meio depois estávamos fora da ilha, cruzando o mar. A água passa por baixo de nos, calma, e a luz da lua brilha, salpicando de branco as ondas ao longe. Tenho vontade de chorar, mas me contenho. Não que esteja triste por deixar o Japão, mas estou cansado de fugir. Cansado de inventar um nome a cada ano. Cansado das novas casas, das novas escolas. Fico me perguntando se algum dia poderei parar.

                                                           ^///^

Paramos para comprar comida, abastecer e providenciar novos telefones. Escolhemos uma parada de caminhoneiros, onde comemos bolo de carne e macarronada com queijo, uma das poucas coisas que Nam admite ser melhor que qualquer comida de Júpiter. Enquanto fazemos a refeição, ele usa o laptop para fazer os novos documentos com nossos novos nomes. Vai imprimir tudo quando chegarmos e, para todos os feitos, seremos quem estamos dizendo.

-Tem certeza de que quer Jeon Jungkook? – ele pergunta.

-Tenho.

-Você nasceu em Busan, no interior da Coréia.

Eu dou risada.

-De onde tirou isso?

Nam sorri e indica com o queixo duas mulheres sentadas algumas mesas adiante. As duas são lindas. Uma delas está usando uma camiseta com a inscrição “Fazemos melhor em Busan”.

-É para lá que vamos em seguida – ele revela.

-Por mais estranho que possa parecer, espero ficar muito tempo em Seul.

-É mesmo? Gosta da idéia de viver lá?

-Gosto da idéia de fazer alguns amigos, de ir a mesma escola por mais que alguns meses, de, quem sabe, ter uma vida de verdade. Eu estava começando a fazer isso no Japão. Foi muito legal, e pela primeira vez desde que chegamos a terra eu me senti quase normal. Quero encontrar um lugar e nele ficar.

Namjoon parecia pensativo.

-Já olhou suas cicatrizes hoje?

-Não. Por que?

-Por que isso tudo não tem a ver com você. Trata-se da sobrevivência do seu povo, quase inteiramente destruído, e de mantê-lo vivo. A vez que eu senti seus pais morrerem... a vez que um de vocês, um sangue real, morre...nossas chances diminuem. Você é o único herdeiro, o próximo da fila. Há uma raça inteira de assassinos cruéis a sua caça. Vamos nos mudar ao primeiro sinal de problemas, e isso não esta aberto a discutição.

Nam dirige em todo o trajeto. Entre as paradas e a confecção dos novos documentos , a viagem dura trinta horas, mas ou menos. Eu passo a maior parte do tempo cochilando ou jogando videogame. Por causa dos meus reflexos, consigo dominar a maioria dos jogos muito depressa. O Maximo que demorei para virar um jogo foi cerca de um dia. Os que mas gosto são os de guerras alienígenas e espaciais. Finjo que estou novamente em Júpiter, combatendo os inimigos, derrubando –os, transformando-os em pó. Namjoon acha isso esquisito e tenta não me encorajar. Diz que precisamos viver no mundo real, onde guerra e morte são de verdade, não uma encenação. Quando finalizo o ultimo jogo, levanto o olhar. Estou cansado de ficar sentado no carro. O relógio no painel marca 19:58. Bocejo, esfrego os olhos.

-Falta muito?

-Estamos quase chegando- responde Nam.

Já escureceu, mas ainda há uma claridade pálida a oeste. Passamos por casas e mas casas, depois por campos desertos e, fora isso, por arvores que vão até onde a vista pode alcançar. Exatamente o que Namjoon gosta: um lugar pacato, para passarmos despercebidos. Uma vez por semana ele passa seis, sete, até oito horas na internet, atualizando uma lista de casas desocupadas mundo a fora que se enquadram em seus critérios: Lotadas, dentro da área urbana e com disponibilidade imediata. Ele me contou que teve de fazer quatro tentativas, um telefonema para Dakota do sul, um para o Novo México e um para a Coréia, até finalmente achar o aluguel de onde vamos morar agora.

Após alguns minutos, vemos as luzes esparsas que indicam a grande cidade. Passamos por uma placa que anuncia: “Bem- vindos a Seul.”

-Puxa!- eu comento. – Este lugar é ainda maior do que aquele em Montana onde moramos.

Nam esta sorrindo.

-Acha que isto aqui é o paraíso de quem?

-Das maquinas, talvez? Dos famosos?

Passamos por um posto de gasolina, um lava rápido e um cemitério. Então surgem os prédios, construções de metal colados uns aos outros. Quase todos estão com as janelas decoradas para o Natal. A calçada atravessa os grandes jardins e leva as portas. Uma rotatória marca o centro da cidade, e no meio dela há a estatua de um homem em um cavalo, empunhando uma espada. Namjoon para. Nos dois olhamos a estatua e rimos, na esperança de que jamais apareça por ali mais alguém com espadas. Ele passa pela rotatória e o sistema de GPS do painel nos manda fazer uma curva. Seguimos para oeste, saindo para a periferia.

Percorremos cerca de seis quilômetros antes de virar a esquina numa alameda de cascalho, depois passamos por mais restaurantes, que provavelmente ficam repletos de gente no verão, e atravessamos mais ou menos um quilometro e meio de casas. Finalmente a encontramos, escondida no meio da vegetação não reparada: uma caixa de correspondência de metal enferrujado com letras pretas pontadas na lateral: 17 RD. Ali esta o numero 17 da estrada do velho moinho.

-O hospital mas próximo fica a três quilômetros – Namjoon diz, entrando na propriedade.

O mato invade a estrada de cascalho, cheia de buracos com água lamacenta. Nam para e desliga o motor da caminhonete.

-De quem é aquele carro?- pergunto, apontando para o SUV rosa atrás do qual Namjoon acabou de estacionar.

-Deve ser do corretor de imóveis.

A casa é emoldurada pelas arvores. Na escuridão ela tem um certo ar sombrio, como se o ultimo morador tivesse ido embora por medo, por ter sido expulso ou fugido. Eu saio do carro. O motor estala e posso sentir o calor que emana dele. Pego minha mala na carroceria e fico ali parado, segurando-o.

-O que acha?- Nam pergunta.

A casa tem um andar só. A fachada é de madeira. Boa parte da pintura branca já descascou. Uma das janelas da frente esta danificada. As telhas pretas parecem empenadas e prestes a quebrar. Três degraus de madeira levam a uma pequena varanda coberta e mobiliada com cadeiras bambas. O quintal é comprido e maltratado. Há muito tempo a grama não é molhada.

-Parece o paraíso. – respondo.

Começamos a caminhar juntos, e, neste estante, um homem loiro e bem-vestido, mais ou menos na idade de Namjoon, aparece na porta da casa. Ela está de roupa social e segura uma prancheta e uma pasta. Tem um Black Berry preso ao cós da calça. Ele sorri.

-Sr. Kim?

-Sim – Namjoon confirma.

-Sou Kim Seokjin, corretor da Imobiliária Paradise. Conversamos ao telefone. Tentei ligar mais cedo, mas seu numero parecia estar desligado.

-Sim, infelizmente a bateria acabou a caminho daqui.

-Há, eu odeio quando isso acontece – ele diz e se aproxima de nos para apertar a mão de Nam. Ele pergunta meu nome e eu respondo, apesar de me sentir tentado, como sempre, a dizer simplesmente Chengun. Enquanto Nam assina o contrato, ele me pergunta minha idade e conta que tem um filho mais ou menos da faixa etária, que estuda no colégio local. O homem é muito simpático, amigável e nitidamente adora conversar. Nam devolve o contrato e nos três entramos na casa.

A maioria dos moveis esta coberta por lençóis brancos. Os que ficaram de fora ganham uma camada de poeira densa e insetos mortos. Parece que a tela nas janelas vai quebrar se a tocarmos, e as paredes são revestidas de compensado barato. Há dois dormitórios, uma cozinha modesta com piso de linóleo verde-limão e um banheiro. A sala de estar é grande e retangular, e fica na frente da casa. Há uma lareira no canto mas afastado. Eu entro e jogo minha mala na cama do quarto menor, que tem um pôster grande e desbotado de um jogador de basquete num uniforme laranja.

-Venha se despedir do Sr. Kim – Namjoon grita da sala.

O Sr. Kim esta na porta com Nam e me diz para procurar pelo filho dele na escola, pois podemos ser amigos. Eu sorrio e respondo que sim, isso seria ótimo. Assim que ele vai embora começamos a descarregar o carro. Dependendo da rapidez com que deixamos um lugar, podemos viajar com pouca bagagem, o que significa levar as roupas do corpo, o laptop de Nam e a Arca com entalhes intricados que nos acompanha a todos os lugares. Ou carregar algo mais: normalmente os outros computadores  e o equipamento que Nam usa para estabelecer um perímetro de segurança e pesquisa na internet notícias e eventos que possam ter a ver conosco. Desta vez estávamos com a arca, dois bons computadores, quatro monitores de teve e quatro câmeras. Também temos algumas roupas, embora poucas peças que eu tenha usado no Japão sirvam para a vida em Seul. Nam leva a arca para o quarto dele e carregamos todo o equipamento para o porão, onde ele será instalado, de forma que nenhuma visita possa ver nada. Assim que levamos tudo para dentro, ele começa a conectar as câmeras e ligar os monitores.

-Não teremos internet até amanha cedo. Mas, se quiser ir à escola, posso imprimir toda a sua nova documentação.

-Se eu não for, vou ter que ajudar a limpar a casa e a terminar de instalar tudo?

-Vai.

-Eu vou para a escola- anuncio.

- Então, é melhor ter uma boa noite de sono. 



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