História Oblivion - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Jikook, Kookmin, Minkook, Yoonseok
Visualizações 9
Palavras 3.679
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello ~~ quase que eu não apareço mais...
Primeiramente, eu tenho que agradecer a crzyrainbowstar (BusanCity) pela nova capa/banner da fic! Ficou tão bonito quanto eu achei que ficaria, estou amando ela <3
E agora mais um capítulo ^^

"É difícil nunca saber onde pertenço".

Capítulo 3 - In our bed full of sadness


Fanfic / Fanfiction Oblivion - Capítulo 3 - In our bed full of sadness

3

"In our bed full of sadness"

.

Eu não sabia dizer em qual momento eu me apaixonei por Jungkook e fiz desse sentimento como uma bola de neve interminável. Quando notei pareceu como se ele estivesse ali o tempo inteiro e apenas eu não fui capaz de ver que existia. Também não sabia dizer quando quis me esforçar para que ele me notasse, para que retribuísse o que eu sentia ou quando soube que estava ferrado até ao pescoço.

As coisas apenas fluíram de maneira onde parecia que até mesmo o universo conspirava para dar certo. Ele devolvia meus olhares longos, permitia que eu me aproximasse pouco a pouco, aceitava quando eu o chamava para sair, até mesmo deixava que eu pegasse discretamente em sua mão quando estávamos juntos no elevador. Soava como se ele sentisse o mesmo e que apenas esperou por um passo meu.

Era aniversário de Yoongi quando eu o beijei. Não sabia dizer o que nos fez finalmente ter a coragem que precisávamos, mas quando fomos para o canto da sala e conversamos naquele tom baixo que usávamos apenas quando entrávamos no nosso mundo particular era como se dentro de nós dois tivesse nascido a certeza de que estávamos enfim prontos.

Nós queríamos. Nós.

Eu ainda me lembrava perfeitamente de como havia sido beijar aqueles lábios bonitos pela primeira vez. Eram tão macios quanto deveriam ser e, ao mesmo tempo, fortes da forma que eu ansiava. Em Jungkook não existia esse aspecto delicado e frágil, nele havia firmeza, intensidade e até mesmo, porque não, um toque áspero e amargo.

Não éramos meninos ou dois adolescentes que não sabiam o que faziam ou que não compreendiam o que eram. Nós sabíamos muito bem o que estava acontecendo, o que cada um estava sentindo e não tivemos medo algum de nos entregar naquele momento e por um longo tempo depois eu continuei a lembrar daquela noite.

Ora, a quem quero enganar? Eu lembro até hoje.

Quando ficávamos sozinhos e eu olhava em seus olhos pequenos, eu parecia ser capaz de ver uma imensidão de coisas em seu tom castanho, mas nem todas eram claras para mim. Ele por vezes me olhava como se tivesse a expectativa de algo ou talvez fosse apenas eu que estivesse esperando alguma coisa, pois por mais que em seus olhos eu visse que ele queria ficar, era como se seu corpo e mente demonstrassem que ele queria ir.

Jeon Jungkook era um paradoxo.

Seus olhos… Dizem que os olhos são a janela da alma e nisso eu realmente acredito e talvez fosse por isso que os olhos de Jungkook fossem as coisas mais belas e caóticas que eu já vi. Neles eu via uma imensidão eterna ao lado de um rio de lágrimas.

 

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Boas risadas soavam ao fundo do bar e se perdiam em meio a tantas outras e ao som de música. Na mesa, copos de bebida pela metade, alguns petiscos e um celular onde passava alguns vídeos curtos gravados anos antes e que era o motivo de toda a graça.

Hoseok e Jimin tinham saído juntos. Julho já havia passado e com isso conseguiram ganhar alguns dias de folgas abençoadas, os dois amigos resolveram então sair um pouco e se divertir como não faziam há meses. Sair com todos seria muito bom, mas os dois juntos tinham um certo tipo de personalidade que sempre os fazia desfrutar muito bem de qualquer situação onde estivessem.

Os vídeos que viam eram da época dos primeiros anos do grupo. Riram de como eram seus cabelos, suas roupas e como pareciam delinquentes e bobos alegres sempre que se viam diante de uma câmera e claro aproveitaram para caçoar dos outros que não estavam por perto.

— Você era ridículo Jimin! – Hoseok explodiu em risadas ao ver os vídeos antigos de seus lives – era tão magrelo!

— Cala boca, pelo menos eu não era como você que exibia esses músculos murchos e se achava o Hulk!

Riram um pouco mais de suas próprias imagens, mas pareciam se divertir ainda mais quando viam Yoongi. A forma como o rapper sempre se esforçava para parecer o mais legal entre eles, não que achassem que Yoongi não fosse legal, mas eles se divertiam tanto com aquele tipo de vídeo que mal conseguiam mirar a tela do celular.

— Chega, Hobi, eu não aguento mais rir desse jeito! – Jimin bloqueou a tela do celular e tentou respirar fundo para se acalmar – relembrar essas coisas é muito bom.

Realmente era. Sempre que pegavam fotos ou vídeos antigos, eram tomados por uma grande nostalgia como se todo o caminho que percorreram passasse em suas mentes outra vez, vivendo sensações antigas. Era engraçado, gratificante e extremamente saudoso e por mais que às vezes se envergonhavam por certas coisas que já fizeram, sabiam que se voltassem no tempo fariam tudo outra vez.

— Acho que entre nós o único que sempre pareceu melhor foi o Jungkook, não é?

— É. Jeon sempre foi o mais bonito e talentoso. – Quando Hoseok ouviu o sobrenome do maknae ser dito naquele tom largado junto com um leve entortar dos lábios de Jimin, ele entendeu que talvez fosse melhor não falar sobre Jungkook.

Hoseok respirou fundo e preferiu dar um gole em sua bebida para ajudar a pensar. Jimin sempre tinha um tom desinteressado quando falava sobre Jungkook, mas sabia que internamente era o contrário, ele tinha muito mais do que interesse, apenas tinha um coração machucado. Sempre que ele usava o sobrenome do outro era a certeza de que as coisas saíram do rumo.

Preferia não conversar com ele sobre aquilo, por mais que já tivesse tentado e falhado, contudo, sempre conseguiu conversar com Jungkook sobre a tribulação que o casal passou. O rapaz às vezes se expressava de modo confuso sobre o que houve, mas mostrava a mesma faceta que o homem ao seu lado: tristeza.

Achava que o pior lado tinha ficado com Jimin. O homem não tinha entendido nem metade de tudo o que aconteceu e no fim não teve com quem desabafar. Sabia que naquela época ele foi visitar os pais e voltou um pouco melhor, mas achava que somente aquilo não era suficiente.

Por outro lado Jungkook o alugou por longas horas apenas para que tivesse um apoio depois do término sofrido. Teve o vislumbre da faceta mais oculta de Jungkook e não gostava de vê-la, mas tão rápido quanto viu aquilo, Jungkook tornou a se fechar, pois ele não era como um livro aberto onde todos podiam ver, mas se assemelhava a um diário cheio de sentimentos e fechado à chave.

— Vocês precisam se resolver. – Hoseok disse após um período de silêncio. Talvez se Jimin falasse um pouco, pudesse se sentir melhor.

Vocês, quem? – Jimin sabia de quem ele falava, mas se fazer de desentendido por vezes era sua forma de fugir de assuntos que não queria falar.

— Jungkook e você. – Hoseok o olhou seriamente – Já faz dois anos, cara.

— Não tem nada para resolver. Nós dois conversamos normalmente, trabalhamos bem juntos e algumas vezes até conseguimos fazer alguns fanservices que os fãs pedem. Isso já não é o bastante?

— Não sei, me diga você: isso é o bastante?

“Não”.

— Sim, já é o suficiente para mim.

Jimin era um homem transparente e o fato de ser alguém que não escondia as suas emoções, o tornava alguém sincero. Hoseok via o quanto ele ainda estava quebrantado, tanto quanto Jungkook, mas era como se as feridas que ainda não fecharam tivessem se tornado uma imensa barreira entre eles.

— Vamos lá, Jimin, eu sou seu amigo. – Hoseok aproximou a sua cadeira do outro – eu quero ajudar. Eu estou vendo que mesmo depois desses anos as coisas continuam iguais. Quer enganar quem? Todo mundo sabe, até mesmo o Jungkook, que nada mudou.

— Mudou sim, mudou mais do que você imagina. – Jimin já começava a se irritar com aquele assunto. Por mais que soubesse que Hoseok tinha boas intenções, aquela era uma ferida que não queria tocar.

— E o que mudou?

Não queria falar sobre aquilo, não naquele momento, aliás, não havia momento algum em que quisesse conversar sobre aquele assunto. Para quê mexer em corpo que já estava morto?

A verdade era que Jimin também tinha medo. Receava falar mais do que deveria e reviver coisas que já deveria ter deixado no passado. Ele precisava esquecer ou quem sabe enganar a própria alma. Era nessas horas que Jimin sabia que tinha de dizer a maior mentira que já tinha criado, uma mentira que contava quase todos os dias para si mesmo na esperança de um dia acreditar nela.

— Eu não o amo mais.

Balela.

Jimin desviou o olhar quando Hoseok intencionou rebater e o outro percebendo que o assunto já estava deixando o ambiente angustiado, resolveu se calar, mas não acreditava naquilo, não quando os olhos de Jimin pareciam clamar pelo contrário.

Ele ainda amava e, quem sabe, muito mais do que antes.

— Até, Hobi. Vou voltar mais cedo.

Hoseok não impediu que ele fosse embora, que deixasse o copo ainda pela metade e que saísse com o semblante tão caído que o fez se arrepender de ter tocado no assunto. Jimin não sabia mentir e por isso fugia antes de deixar que algo mais profundo seu escapasse.

— No fim, esses dois babacas não são tão diferentes. — Suspirou – e o maldito foi embora sem pagar a parte dele. Droga.

 

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Jimin não esperava voltar para casa tão cedo naquela noite, tinha a expectativa de passar mais horas ao lado de Hoseok bebendo e se divertindo e quem sabe ter de ser arrastado para a sua casa pela madrugada por conta da bebida. Era um plano até mesmo divertido em sua mente, mas Hoseok tinha de estragar tudo falando sobre aquilo que não queria saber.

Sabia que no fundo o outro apenas queria o ajudar, por mais que não achasse que precisava daquilo. Estava bem, vivo e dando um passo adiante a cada dia. Isso já não demonstrava que não precisava de conselhos e palavras programadas? A única coisa melhor que isso era não ver a cara de Jungkook por um bom tempo, mas isso se tornava impossível uma vez que moravam e trabalhavam juntos, mas isso também não era mais um problema, pois aprendeu a lidar com Jungkook e com toda a seriedade que ele se esforçava em manter. Em outras palavras, aprendeu a jogar o mesmo jogo.

Porém quando o táxi que havia pegado chegou em sua casa, Jimin teve a certeza de que teve de respirar fundo e suspirar várias vezes para acreditar no que estava vendo. Aquilo seria algum tipo de destino infeliz?

Pagou pela corrida e saiu do carro normalmente, mas antes de ir para a entrada do dormitório, andou até a figura que estava sentada na calçada com uma garrafa de soju em uma das mãos como se fosse completamente normal fazer aquilo perto da meia-noite e em uma rua vazia e silenciosa. Sentou ao lado do outro e permaneceu em silêncio, não conseguia pensar em nada para falar naquele momento.

Não se surpreendeu quando Jungkook lhe ofereceu a bebida e sem pensar duas vezes deu um gole. A bebida não o acalmava, apenas fazia sua cabeça pesar mais do que já estava.

— O que está fazendo aqui? – Finalmente perguntou devolvendo a garrafa ao outro.

— Ainda não sei. Eu decidi comprar soju, mas depois eu voltei e decidi ficar te esperando. Hoseok me falou que sairiam juntos hoje.

— E decidiu que me esperar na calçada no lugar de dentro de casa seria uma boa ideia?

— Eu queria ficar sozinho e você sabe que dentro de casa estão os outros hyungs.

— E se eu só chegasse de manhã?

— Então eu continuaria aqui.

Jimin riu soprado para não xingar Jungkook por ser um infeliz complicado. Seria mais fácil se ele mandasse uma mensagem ou ligasse perguntando se demoraria pra voltar, mas contrariando qualquer senso comum, ele preferiu ficar sentado na calçada. Jungkook conseguia surpreender quando queria.

— Você se drogou? – Jungkook achou graça na pergunta.

— Não seja idiota, Jimin, eu nunca usei drogas.

Jimin se sentiu ligeiramente incomodado por ser chamado pelo seu primeiro nome. Esse tipo de intimidade era algo que julgava já ter perdido com o outro e por isso mesmo apenas o tratava pelo seu sobrenome. Por que Jungkook não podia seguir seu script?

— Você é um estranho, Jeon.

— Não me chame assim, eu não gosto.

Jungkook o olhou com a feição séria e Jimin tentou desviar daquele olhar, mas não conseguiu. O outro parecia realmente incomodado de ser chamado pelo seu sobrenome, mas o que ele queria reclamando por ser chamado daquela forma? Queria que Jimin voltasse a chamá-lo de Kookie ou que tivessem intimidade outra vez? Jimin não podia permitir aquilo. Não podia.

— Eu fico incomodado quando fala meu nome como se não me conhecesse – Jimin soltou um som desdenhoso – Qual o problema?

— Mas eu realmente não te conheço, não é?

Inferno. Lá estava o ponto crítico entre eles outra vez e Jungkook entendendo sobre isso preferiu não argumentar sobre o assunto. Sabia que sempre que entravam naquele nível era comum que acabassem cuspindo coisas que machucavam e Jungkook se sentia cansado.

— Vamos entrar, eu não quero ficar aqui fora a noite inteira.

Entraram em silêncio, ainda se sentindo deslocados e incomodados e enquanto Jimin fechava a porta, Jungkook entrou, trocou seus sapatos, passou reto pelos seus hyungs que estavam na sala assistindo televisão e sentiu que tinha liberdade o suficiente para entrar no quarto de Jimin e Hoseok, indo se sentar na cama de Jimin enquanto deixava a garrafa de soju no chão. Ficou olhando para o nada enquanto esperava pelo outro e por mais que dissesse a si mesmo que não sabia o que estava fazendo ali, sabia que era uma mentira deslavada, ele entendia muito bem o que estava fazendo.

Esperou Jimin entrar no quarto e fingiu não ter visto a expressão desgostosa do outro ao perceber sua figura sentada na cama. Notou que ele fingiu que não o estava vendo, pegando roupas e indo se trocar no banheiro, xingando alguma coisa por ter tropeçado nisto e, por fim, ir até a cozinha para beber água. E depois de minutos ele apareceu novamente no quarto, se sentando ao seu lado outra vez para que juntos olhassem o nada. Pareciam não ter assunto, não encontravam palavras e nem ações a realizar e, de certa forma, ficar daquele modo em silêncio era um pouco nostálgico. Quantas vezes já ficaram em silêncio, apenas compartilhando da companhia um do outro?

Eram um belo casal de problemáticos.

— Posso dormir aqui?

Jungkook o olhou, porém Jimin demorou algum tempo para que retribuísse o olhar, estava pensando em como a sua noite que prometia risos e bebidas havia se transformado em ter o rapaz ao seu lado pedindo para dormir em sua cama. Em que ponto tudo começou a virar de cabeça para baixo?

Talvez há dois anos.

— Tem certeza que não está drogado? – Jungkook sorriu.

— Absoluta.

— Você é um estranho.

— Você já disse isso. – Foi a vez de Jimin sorrir.

— É sempre bom repetir, vai que uma hora você acredita e procura um tratamento.

Jimin pensou em negar aquele pedido, afinal, não havia nenhuma razão para que o outro desejasse dormir em sua cama. Algo em seu peito se incomodava com a possibilidade que tê-lo ao seu lado daquela forma por uma noite completa, pelas conversas que poderiam ter e por novos momentos que compartilhariam. Ele não queria aquilo, desejava que Jungkook voltasse para seu quarto, que fingissem que aquilo nunca aconteceu e que se permitissem ficar em paz.

Mas no fundo ele sabia que não poderia mentir para si mesmo e por mais que parte de si quisesse evitar, no momento em que ouviu aquele pedido, soube que a sua resposta seria afirmativa, pois por mais que o tempo tivesse passado, ainda lhe era natural que Jungkook quisesse ficar ao seu lado, assim como lhe seria normal sempre aceitá-lo quando quisesse ficar.

— Se quer dormir, então vamos logo. – Jimin levantou-se da cama – mas já adianto que é provável que eu deite e já durma, estou cansado. – Na verdade não estava, mas quem sabe com aquilo as palavras pudessem ser evitadas.

Jimin começou a arrumar sua cama e Jungkook manteve o sorriso pequeno em seu rosto. Aquele momento estava sendo um tanto esquisito, porém ainda tinha um certo ar de ser natural, como se estivesse no lugar certo. Não era capaz de compreender como podiam ser daquela maneira.

Jungkook apenas saiu do quarto para se preparar para dormir e quando voltou vestia um pijama estampado que tinha ganhado de Taehyung no seu aniversário do ano anterior. Ele ainda tinha um pequeno sorriso nos lábios quando enfim se deitou na cama do mais velho.

— Você é um folgado, Jeon.

— Eu sei. – Jungkook respondeu com certo humor, mas não deixou de se sentir incomodado por ser chamado por seu sobrenome. Era informal demais, frio, distante.

Jungkook não gostava de distâncias.

Jimin até pensou em mudar de ideia quando se deitou ao lado do rapaz, talvez não fosse tarde demais mandá-lo ir dormir no próprio quarto. Era notável que estavam sem graça, com os corpos duros e até mesmo com certo receio de se encostarem, porém ainda assim existia aquela pontinha morna dentro do peito que parecia dizer que na verdade estavam no lugar certo.

Como é que tinham chegado àquele ponto? Não lembrava.

“Por que ainda parece ser tão natural?”

Jungkook deitado ao lado de Jimin também passou a encarar o teto. Não sabia como agir, seu corpo estava duro e cogitava que demoraria muitas horas até ser vencido pelo sono e dormir, mas que até lá sua mente seria um ciclone desorientado que não levaria a lugar nenhum.

— O que está fazendo aqui mesmo? – Jimin repetiu a pergunta e ouviu um suspiro, sabia que Jungkook se corroía com a resposta.

— Feche os olhos. – Jungkook pediu com a voz baixa.

— Irá me beijar por acaso? – Riu da própria pergunta – se for, já digo que não quero.

— Deixa de ser idiota, Jimin. Apenas feche os olhos.

Mesmo não querendo, Jimin fechou os olhos e tentou relaxar diante daquela situação. Sentiu Jungkook se mexer e pouco depois o corpo mais alto e morno se encostava no seu. Sua mão esquerda foi tomada pelas mãos do outro e até mesmo sentiu a leve aspereza de seus dedos. Jungkook encostou a cabeça em seu peito e teve a certeza de que ele ouvia seu coração.

Não esperava por aquela aproximação e sua mente lhe gritava para que o afastasse e mandasse dormir em seu próprio quarto, que criasse uma distância segura para que não se machucasse depois, mas algo em si estava tão saudoso daquilo que apenas deixou que ele ficasse por perto. Doeria, ele sabia, mas não lutou contra.

— Não sei o que estou fazendo aqui, mas eu não conseguia ficar em casa e nem dormir. Então… eu apenas quis ficar perto de você, sem ter nenhuma razão. Eu não sei o que há, Jimin… – deixou sua voz morrer.

“Mas sei que se chama saudade”.

— Hoseok e eu vimos nossos vídeos antigos hoje, – Jungkook não entendeu a mudança abrupta de assunto, mas preferiu não interferir – vi o quanto nós éramos um bando de esquisitos que achavam que tinham estilo, mas bem… deu certo, não é? Mas mesmo sendo tão estranhos, você sempre foi o mais bonito. Irritante. – Jungkook riu com aquilo.

— O quanto isso é relevante com o que eu falei?

— Não sei. Você apareceu do nada no meu quarto falando coisas sem sentido, talvez eu fiquei contagiado e estou falando coisas sem sentido também. – Jungkook tornou a rir e Jimin sorriu com o som de seu riso – Agora durma, quem sabe quando acordar o seu senso comum volte ao normal.

Ficaram em silêncio após aquilo, mas nenhum parecia disposto a dormir. Algo parecia faltar, como se tivesse sido perdido inúmeras peças de um grande quebra-cabeça. Eles sentiam preso no peito palavras que queriam ser soltas. Eles queriam liberdade, porém engoliam tudo e trancafiavam a sete chaves.

Depois de alguns minutos, Jungkook sussurrou o nome de Jimin algumas vezes, mas o vocalista fingiu que estava dormindo. Tinha receio do que o outro queria lhe falar. Jungkook suspirou e se aproximou um pouco mais, começando um breve carinho no dorso da mão de Jimin, quase como se quisesse crer que realmente estavam compartilhando aquilo.

— Sinto sua falta.

A confissão soou tão baixa quanto os outros sussurros, mas tão sofrida que fez Jimin abrir os olhos e mirar a cabeleira castanha que estava em seu peito. Se Jungkook fosse um pouco mais esperto, veria o quanto seu coração acelerou com aquilo. Três palavras que acabaram com a sua guarda.

O que Jungkook queria fazendo aquilo? Por que depois de tanto tempo?

Queria responder que também sentia saudade, que não queria deixar de sentir o morno de sua pele e nem a respiração calma que batia em seu peito. Queria dizer, ou melhor gritar, já que Jungkook destruía sua paciência, que queria tê-lo outra vez, tentar de novo em todos os pontos em que deram errado e fazer dar certo. Acordar ao seu lado, beijar os lábios macios e voltar a amá-lo por todos os dias.

Jimin queria fazer tudo outra vez, mas no final preferiu se calar. A ferida no peito ainda falava mais alto.

Voltou a fechar os olhos e prometeu a si mesmo que fingiria que não tinha ouvido aquilo. Pela manhã Jungkook sairia de sua cama, deixaria um espaço vazio ao seu lado e com isso ele creria outra vez que já não adiantava lutar em batalha que já se perdeu.

Apenas não contava que Jungkook sabia que ele estava acordado e que uma nova dor o atingiu quando não recebeu reação alguma, mas no fim não se surpreendia. Dois corações amargos e armados costumavam se ferir.

 


Notas Finais


<3


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