História Olhos Oblíquos - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~Otpeotp

Postado
Categorias EXO
Personagens Kai, Sehun
Tags Bruxaria, Bruxos, Egito, Fanfuck, Gatos, Idade Média, Kai Bruxo, Kaihun, Otpéotp, Sehun Híbrido, Sekai, Sekaiéotp
Visualizações 208
Palavras 4.158
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Magia, Misticismo, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Primeiramente: ATRASADA ESTOU, MAS A FIC POSTEI!
Deu certo trabalho, pq eu não sabia exatamente oq fazer (eram muitas ideias pra um tema só e decidir qual foi difícil, MAS CONSEGUI!). Pois bem, eu escrevi isso tudo ouvindo a musiquinha da morte da Lily em Harry Potter (link das notas finais), sugiro que façam o mesmo, viu? Q é pra ter mais impacto! POSKAOSPK

AVISO IMPORTANTE: Você que pediu o plot, sei q vc pensou em começar na idade média, mas é q eu precisava de um motivo pra eles se tornarem oq foram, e sério, gatos, egípcios adoradores da Deusa Bastet, foi impossível não colocar. Combinou muito! MAS JURO Q A IDADE MÉDIA TEM MAIS FOCO! Espero mesmo não ter te decepcionado, estou bem nervosa. PERDÃO POR QUALQUER COISA!
> Não revisei, DESCULPA QUALQUER ERRO!
> Eu amei o tema.
> Deixa eu calar a boca senão as notas vão sair maiores do que a fic.
SENHA: Ohpenthedoor (poarr milka)

Capítulo 1 - Único: Um toque do Destino


Não é engraçada a forma como o Destino, tão grandioso em sua forma, gosta de brincar conosco?

 

Uma brincadeira de criança, um tabuleiro com peças feitas de plástico. Ele, o Destino, se deleita ao transformar absolutamente tudo, sem dúvidas ou medo das consequências. Faz da coincidência algo premeditado e a premeditação algo inesperado.

 

Tudo é imprevisível, exceto para si mesmo.

 

Você nunca sabe o que e quando irá ocorrer, até que, finalmente, aconteça.

 

Seu primeiro movimento, um jogar de dados ao acaso, sem grandes expectativas, começou há muitos, muitos anos atrás.

 

Quando no horizonte se fazia presente o Sol, quando povo cultivava a esse ser anônimo, assim como muitos outros, mas de extremo poder, sem vendas nos olhos e apenas suas crenças em mãos. Quando a areia parecia feita de ouro e suas peles morenas derretidas em bronze. Quando as pirâmides podiam tocar-lhe o céu em magnitude, quando os Deuses eram cultuados, quando existia um motivo muito maior que a ganância para se abrir os olhos ao ver, mais uma vez, a paisagem brilhando em dourado com o amanhecer.

 

No antigo Egito é que tudo teve seu início, infundado e sem muito interesse daquele que fazia duas pequenas almas distintas cruzarem seus caminhos. O destino, certamente, gostava de interferir, entretanto, acima de tudo, ele fazia sempre o primeiro passo, e o resto? Deixava ao acaso. Ele gostava de jogar e nenhum bom jogo se é feito com mãos maiores controlando as peças por debaixo dos panos.

 

Em 1336 a.C. aos nove anos, Tutancâmon, filho de Aquenáton – antigo faraó – assumiu seu posto no trono. Conhecido pelos mais íntimos como Jongin, parecia ter nascido com um beijo do Sol sobre sua pele. Oh, ele era belíssimo. Com certeza não puxara a seus antigos descendentes. Com olhos pequenos e oblíquos, a pele dourada, lábios fartos e postura altiva, diziam os antigos que os Deuses o haviam feito com muito orgulho, como se tivesse “um toque do Destino” sobre si. Egípcios e suas observações sábias.

 

Naquela época, eles respeitavam os Deuses acima da própria vida ou de qualquer regalia existente. Com suas cabeças de animais e suas analogias encantadoras, existiam sempre aqueles que se destacavam e com certeza, Bastet, a Deusa da Fertilidade, era uma delas. Com sua pintura dourada e cabeça de gato, dava aos felinos o ar divino. Ninguém os tocava, cultuados como, cada um, filho da própria Deusa, parte de si.

 

E esse foi o exato começo.

 

Aos nove anos, quando sentou ao trono onde um dia fora de seu pai – agora morto – não resistia aos impulsos de sua curiosidade ao, quase a cerimônia inteira, deixar que sua atenção fosse tomada por um simples gato, de pelugem negra como a noite e olhos verdes como a farta colheita que o ano lhes presenteou. Em sua mente, ao observar o felino pular por entre as enormes estátuas, quase imperceptível, com todos ao seu redor de cabeças baixas, embora tivessem uma adoração inquestionável para si; pensava no quão... Humano ele parecia ser. Como a consciência, com a ausência dos instintos, o tornava tão majestoso.

 

Esse fora o primeiro encontro entre os dois, o primeiro passo do qual o Destino, ao acaso, resolvera dar.

 

Gatos eram incontroláveis. Não existiam donos, não existiam terras e muito menos um ser que os obrigasse a fazer algo que não queriam. Gatos eram indomáveis, faziam sempre o que lhe era de seu desejo. Era incontestável que naquela época suas consciências, devido à ligação direta com o divino, fossem tão evoluída para simples “bichanos”. No Egito, eles eram Deuses e, para Jongin, aquele em particular era fascinante.

 

Quantas vezes o pequeno faraó não escapava de suas obrigações para, simplesmente, correr atrás daquele felino instigante? Noites em claro a procura daquele gato, encontros importantes sem sua presença porque, simplesmente, queria entender o porquê de toda manhã o animal sumir e toda noite adentrar por seus aposentos, de modo gatuno, como plumas em suas patas, e vigiar-lhe o sono por toda madrugada. Toda noite, desde seus nove anos, ele entrava em seu quarto, parava em frente a sua cama e o olhava fixado durante horas, até finalmente o sol nascer e a figura negra desaparecer diante de seus olhos castanhos.

 

Jongin achava aquilo incrivelmente... Fascinante.

 

Um dia, sem muitas expectativas, esperara acordado até dar meia noite em ponto. Embora o felino fosse terrivelmente discreto em seus afazeres, para o faraó os seus passos tornara-se quase previsível. Sentado entre os lençóis de algodão, observando o simples luar iluminar a paredes que constituíam seu quarto, o homem observava o gato durante minutos a fio, notando como o mesmo não movia um centímetro sequer. Apenas estava ali, parado, sentado em suas patas traseiras, com os olhos fixados nos seus.

 

Extraordinário, diria. Embora fosse o Faraó, Jongin nunca havia se sentido tão próximo de um Deus como naquele momento.

 

— Venha até aqui. — ditou rouco, tampando a pele desnuda e um pouco gelada por conta do vento frio com o lençol branco. O felino, mais uma vez, não se mexera. De fato, era quase cômico ele ser o único que não obedecia a suas ordens e não possuía medo ao lhe fitar nos olhos. Afinal, dois Deuses não cegariam um ao outro. Jongin suspirou frustrado; não era acostumado a coisas que não seguiam o que mandava. Arrastou-se sobre a cama e estendeu a mão, esperando que o felino viesse até si.

 

Surpreendentemente, ele viera.

 

A passos calmos e sem medo, ao invés de esfregar-se em sua mão, ele deu a volta e pulou sobre a cama, caminhando pelo terreno como se estivesse conhecendo o mesmo. Obviamente, Jongin ficou surpreso, mas em certo respeito deixou com que o felino continuasse a quitar sua curiosidade. Quando o fez, finalmente; o gato preto parou ao seu lado e lhe ergueu os olhos.

 

— Por que vem aos meus aposentos toda noite?

 

O gato nada respondera, obviamente, deixando o quarto em um silêncio contemplativo. Olhos castanhos em orbes verdes fluorescente. Era como uma eclosão, tão bonitos.

 

— Tens um nome?

 

Recebera o silêncio novamente, contudo, dessa vez, acompanhando de um pequeno manejar de cabeça. O felino, com a ponta de seu nariz, encostou-se ao braço moreno e desnudo do faraó, achando graça dos pelos que ali residiam. O sol nascia aos poucos no céu, iluminando parcamente o local. O gato não gostava de muita claridade, embora fosse particularmente encantado pelo ouro. Jongin tinha a pele beijada pelo sol e era graciosamente instigante para si.

 

— E qual seria?

 

Jongin, um dia, descobriria a resposta para aquela pergunta.

Mas não agora.

 

O animal pulou de sua cama e sumiu mais uma vez, como sempre fazia. Contudo, quando a noite caiu e a ansiedade do faraó não mais cabia no peito, o gato aparecera novamente em seu quarto. Dessa vez, ao invés de apenas zelar seu sono escondido entre as pedras no chão, pulou em sua cama e, confortavelmente, deitou-se com o focinho na exata direção do rosto do moreno. A noite inteira, não dizia nada, apenas se observavam.

 

Até a inevitável morte de Tutancâmon, aos dezenove anos.

 

Naquela fatídica madrugada, onde o céu escuro estava ainda mais enegrecido, e a tormenta de uma tempestade deixava na porta de todos que ali viviam certo pesar no coração, Jongin deixou o plano dos vivos e partiu com Anúbis em sua caminhava para, quem sabe, outra vida.

 

Naquela noite, Oh Sehun, o gato cultuado como um dos filhos de Bastet, a sua imagem e semelhança, velou a travessia da alma do Faraó até o reino dos mortos.

 

O moreno, com o corpo virado para cima e os braços descansados retos ao lado do tronco, não era capaz de ver o gato em cima de sua barriga, no exato Chacra do estômago, ajeitando o corpo peludo sobre a pele dourada. Os olhos verdes sempre tão acesos, agora com um brilho opaco enquanto observava Jongin morrer lentamente em meio ao sono profundo. Não existia um porquê para aquele repentino adeus à vida. Os Deuses o queriam, os Deuses o teriam.

 

Mas Sehun também o desejava, mesmo sendo algo impossível.

 

No meio daquela morte, o Destino, quebrando uma de suas regras, moveu mais uma peça. Havia consequências para cada ato seu, entretanto, não havia temores para com os mesmos. Oh, fadado ao movimento taciturno do que não cabia mais a si, não poderia, até sua última vida, regozijar-se inteiramente do que Jongin pudesse lhe oferecer. Fosse ódio ou amor, nunca estariam completos.

 

Não até que abandonasse suas raízes por completo.

 

Sehun também morrera, sobre o corpo do outro, juntando as duas almas pela travessia na estrada dos mortos. Almas ligadas por uma tragédia, ainda que vista como algo majestoso pelo povo. O gato viera para levá-lo, o gato viera para trazê-lo.

 

O gato e seu Faraó, agora, em uma nova vida.

 

 

 

[...]

 

 

 

Por muitos séculos esperaram, esperaram por mais uma chance, piedosos e embebedados de saudade, um pelo outro.  A chance de se verem mais uma vez, encontrar-se com a alma que lhe fora proposta serem um do outro. Um amor que lhe fora dados de bandeja, mesmo que nada viesse de graça, nem mesmo para o próprio Destino, que tão descabido, quis uni-los. Mais uma e outra vez.

 

Nasceu assim, Kim Jongin, mais uma vez. Seu nascimento, antes tão glorioso, hoje representava nada mais do que a fuga desesperada da crueldade.

 

Em meados de 1437, na Suíça, ao juntar suas poucas roupas, de tecido fino, em uma mão e na outra o único livro que conseguia carregar que se salvara do ataque que os militantes haviam feito ao vilarejo escondido onde morava. Homens, montados em cavalos esbeltos e trajes de prata, atearam fogo em cada casebre e aldeão que ali havia. A mulher, morena de traços orientais, grávida de nove meses, corria por entre a floresta desesperada, sentindo o frio pelo inverno rigoroso que estava tendo aquele ano e, ainda assim, não usava nada mais do que um longo sobretudo negro.

 

Em sua barriga, dores fortes e contrações se davam, tão intensas que lhe obrigou a deitar-se sobre o chão frio, pois em pé não conseguia mais se sustentar. O tronco pesada, os olhos estavam turvos e ela não fazia a mínima ideia se sobreviveria àquele parto em meio à neve, sendo perseguida pelos seguidores do Papa. Não sabia se o frio era pelo suor que escorria ou o vento forte que quase a levava. E sentia-se tão fraca que não pensava ser impossível a brisa forte lhe carregar para onde desejava. O sangue lhe manchava as coxas e o vestido longo, ao que o único apoio que encontrava era o livro de capa azulada que tinha em mãos.

 

Se antes Jongin nascera beijado pelo Sol, dessa vez a gélida neve quase lhe sufocou a vida.

 

Ainda com a visão turva, a mulher rezou. Rezou com todas as suas forças. Aos Deuses e aos elementais; aos espíritos ajudantes e a natureza. Rezou para que, ao menos, seu filho sobrevivesse. E como se a prece fosse ouvida por um espírito familiar, um gato branco, se camuflando entre os flocos brancos, aparecera em sua frente. Não era grande, não era forte e não demonstrava nem mesmo um perigo sequer. Mas era poderoso, era um ser sobrenatural, e olhando-o nos olhos verdes fluorescente, ela deu a vida a outro ser humano.

 

Com um sorriso pequeno e a imagem do pequeno chorando entre suas pernas, os Deuses a levaram do mundo dos vivos.

 

O gato, que presenciou a cena e não deixou o local por nenhum momento, mais uma vez observava outra vida esvair-se. Os olhos familiares, misteriosos e de pouca segurança, miraram o bebê que aos poucos parava de chorar. Ele morreria ali sem nem ao menos ter a chance de conhecer o mundo. No fundo, cavalos e gritos vinham do começo da floresta, tochas e armas. Estavam procurando o único sobrevivente do lugar.

 

Mas a entidade mágica não o deixaria partir novamente daquela forma, não daquela vez.

 

Em um sopro leve, o pelo deu lugar a uma pele lisa e esbranquiçada, as garras e patas a pernas e mãos; e o corpo felino, agora, era o de um garoto que não possuía nada mais do que cinco anos. Pequeno e nu, o mesmo pegou a criança no colo, retirando da mãe deste a capa e o envolvendo para que não sentisse frio. E antes que homens que carregavam a morte consigo viessem para levá-los, Sehun sumiu por entre a floresta com a criança em seus braços e o livro azul no outro.

 

O viu morrer e o viu nascer. E estava destinado a estar do seu lado por quanto tempo fosse necessário.

 

 

 

 

Durante anos o garoto cresceu quieto e com Sehun ao seu lado. Como parceiros de longas datas, o menino era muito esperto e sobreviveu como podia a vida dura que tivera. Sem pai, sem mãe e sem dinheiro. Apenas um livro velho, de capa dura e cor azul, e um gato branco ao seu lado. Todo dia antes de dormir ele lia e relia as mesmas palavras, descobrindo do que se tratava antes mesmo que tivesse idade o suficiente para ter consciência dos próprios atos. O felino nunca o abandonara, um segundo sequer, na vida medíocre em que este se encontrava.

 

Aos dez anos, Jongin era muito mais consciente do segredo dos universos do que os camponeses daquela cidade suja. Esgueirando-se entre as pedras e esquecendo até mesmo a própria honra, roubava poucas frutas para sobreviver e passava a noite sonhando com o dia em que seria bom o suficiente para dar vida as palavras nas páginas amareladas. E em uma madrugada fria, tão fria quanto à de seu nascimento, Sehun apareceu em sua verdadeira forma para si.  Uma única vez e deveria ser a última.

 

Seria a última.

 

E quando fizera seus dezessete anos mais uma vez, enquanto fugia de mais uma caçada às bruxas, Oh se transformou novamente. “Será somente para protegê-lo” sussurrava enquanto cuidava do ferimento grave que o moreno tinha na perna, devido ao corte de uma adaga. Com a sabedoria antiga da qual ainda possuía, o tratara com ervas e folhas que nem ao mesmo eram encontradas por aqueles terrenos. Entretanto, por Jongin, Sehun iria até mesmo ao fim do mundo se isso significasse salvar sua vida e não vê-lo perecer em sua frente mais uma vez.

 

Contudo, o Destino, em sua brincadeira de criança, podia ser, incontáveis vezes, alguém cruel.

 

— Por favor, não. — Jongin agarrara sua mão naquela noite, com os dedos frios e o rosto pálido. Embora temesse pela morte, não era dela que corria todos esses anos. Era da solidão. — Não se transforme. — pedira em uma suplicia suave, com um pequeno riso preso aos lábios ao ver os olhos inseguros do outro. — Eu não quero me sentir sozinho enquanto morro. — os olhos ainda felinos, pequenos e puxados, encheram-se de lágrimas ao escutar essas palavras. Apertando fortemente a mão morena, a entidade não saiu de seu lado por um mísero segundo, do nascer ao se pôr do sol, ele permaneceu como havia pedido ao seu lado. Como um humano.

 

No entanto, Jongin não morrera aquela noite.

 

E Sehun não descumpriu o que lhe foi pedido.

 

Em novas terras, em um novo ano, Kim completou seus dezoito anos com uma saúde feita de ferro e um sorriso que derretia o ser com o coração mais rochoso existente. No novo vilarejo, escondido de todo o mal e a ignorância humana, os dois viviam quase como uma família feliz. E mesmo que nas madrugas frias o moreno não tenha abandonado a esperança de que pudesse orgulhar sua mãe ao seguir cada um daqueles rituais, ao estudar cada erva e contemplar a natureza como um ser único e mediúnico, fingir ser só mais um não era o que lhe trazia infelicidade. Nada lhe traria esse infortúnio se Oh ainda estivesse ao seu lado.

 

Para os camponeses, uma breve mentira de que eram apenas irmãos que perderam sua mãe muito jovem era o que bastava. Moravam longe deles, mesmo assim. Embora não fossem pessoas ruins, a privacidade era o que mais valia para o dois, pois ela lhes trazia segurança. Contudo, viver solitários lhe custava muitas coisas, e a chance de amar alguém era uma delas. Ao provar o sabor da vida, Jongin apaixonou-se por seu próprio protetor.

 

— Por que me escolheu? — perguntou certa noite, sentado sobre a raiz de uma grande árvore no meio do bosque ao qual moravam. Sehun mexia sobre a terra negra, sujando as falanges brancas enquanto sorria brevemente. A energia que sentia ao entrar em contato com uma entidade tão única como a natureza, o sentir da vida percorrer e se interligar por cada folha, flor e planta era algo que nem mesmo os Deuses saberiam classificar.

 

Com um olhar curioso, o ser levantou os olhos verdes; e se Jongin prestasse bastante atenção, poderia ver mundos e fundos nascerem e morrerem naquelas íris únicas.

 

— Porque somos destinados. — ditou suavemente, sorrindo ao tirar os dedos da terra e sentar-se em frente ao moreno. — Eu e você. Um ao outro.

 

Até quando lhes fosse possível.

 

Kim inclinou-se sobre a raiz e aproximou os rostos, segurando as bochechas brancas e geladas, hipnotizado com o brilho raro que tinha nas orbes alheias.

 

— Para sempre? — perguntou. Porque, sim, naquele momento, o seu maior desejo era o de que aquele ínfimo segundo se tornasse eternizado.

 

Sehun sorriu.

 

— Eu não sei... Não sou o dono do tempo.

 

Mas eles tinham o agora. E nesse agora, seus lábios encontraram-se pela primeira vez, selando a primeira jogada do acaso naquele jogo entre as divindades.

 

Os lábios, desejosos, esquentavam o corpo um do outro. As mãos, ásperas e calejadas, procuravam tocar-se em adoração em cada pequena parte macia da derme alheia. Sehun tocava a pele morena, quente sob seus dedos, com a adoração de um fiel ao seu divino e Jongin lhe retribuía com suplicias e ofegos, segredos e devoção. Porque entre os dois, naquele momento, não havia mais o portador da magia e aquele quem dela usufruía; não havia a entidade que o protegia e o protegido. Existia, apenas, dois amantes que se amavam e trocavam carícias sem o medo da insegurança. Sem o medo do depois.

 

Kim beijou-lhe os lábios incontáveis vezes, por tantos minutos que lhe roubava o fôlego para si em uma brincadeira egoísta. Tocou-lhe o corpo por tantas horas, tantos dias que ainda era capaz de sentir cada dígito quente no dorso quente. Durante meses viveram do mel e do amor, deleitando-se do pouco que poderiam dar um ao outro, mesmo que para eles fosse ainda mais do que jamais desejaram. Suas paixões eram puras, suas ambições eram castas, e o pouco que ofereciam, não mais do que isso pediam. Eles eram felizes, apesar dos pesares, naqueles poucos meses em que se amaram como se não houvesse um amanhã; eles eram genuinamente felizes.

 

Entretanto, o que o Destino nos dá, o Acaso nos tira.

 

Pobres almas... Bastou-lhe somente um beijo para vossas felicidades fossem tomadas, desabando como um castelo de areia em meio à tempestade.

 

Em uma noite fria de um inverno rigoroso como há muito não enfrentavam, justamente como e no dia em que Jongin viera a Terra, completando finalmente seus dezenove anos, ele fora embora mais uma vez. Amarrado a um mastro, com a palha sobre os seus pés e os camponeses a sua volta, o moreno observava com lágrima nos olhos a cada um que um dia lhe tratou gentilmente gritar para que fosse queimado na fogueira, como o demônio pagão que era. E não importava o quanto Sehun tentasse, ele não conseguia passar por aquela multidão. Ao lado do mais novo, estava o livro azul de sua mãe.

 

— Ele enfeitiçou o próprio irmão e o corrompeu!

 

— Ele é um demônio!

 

— Queimem o maldito bruxo!

 

“Por favor, não! Não!” Sehun implorava aos berros, as lágrimas eram pesadas em seu rosto, o pulmão não mais funcionava. Sua voz falhava em meio aos gritos desesperados, a garganta ardia em uma dor agonizante como vergões quentes em sua pele. O vento corria por toda a floresta, movendo as árvores e derrubando galhos; e quanto mais Oh suplicava, mais forte a ventania se tornava. Os aldeões o seguravam com ódio, cuspindo profecias de morte e maldições sem um pingo de remorso ao ver outro ser humano definhar sem honra e piedade em sua frente.

 

Quando finalmente um homem alto apareceu, trajando uma bata vermelha e anéis de ouro pesado, quase caindo de seus dedos, segurando a enorme tocha em chamas na cor de um sangue vívido, com a alma de um assassino refletido em seus olhos; Jongin dera o seu último sopro de vida. E um grito de morte. O velho, na mais cruel forma humana possível, jogou-lhe o fogo sobre os pés do moreno, propositalmente, vendo como a palha era corroída uma por uma, até finalmente devorar o maldito bruxo que tanto imploravam para que fosse aniquilado.

 

Novamente, mais um desses demônios bastardos fora dizimado daquelas terras abençoadas.

 

Sem saberem que os malditos demônios eram eles mesmos.

 

Jongin gritou, gritou o quanto podia, enquanto cada pedaço de sua carne borbulhava e derretia, com os olhos febris e a alma ainda cândida, chorando por piedade. Embora os fiéis gritassem que o fogo do inferno fosse lhe purificar o corpo, Kim não tinha pecados hediondos para oferecer a um lugar tão cruel. Seu erro era o de amar a outro homem, o de mentir pela própria proteção, e o de acreditar que o divino era muito mais do que riquezas e um homem sentado em um trono feito de ouro, dizendo-lhes que o céu é o bom e tudo abaixo do mesmo era ruim.

 

Quem eram esses homens que pregavam o certo e o errado, enquanto pecavam ao matar pobres inocentes?

 

Quando os gritos cessaram e o cheiro de carne podre passeou pelo ar, um silêncio sepulcral deu-se início. Ninguém dizia nada, as páginas do livro de bruxas ainda queimava e o fogo teimava em não se apagar em meio à palha seca, querendo permanecer ali para honrar mais um espírito que dava adeus ao mundo dos vivos. As crianças, horrorizadas com aquela cena animalesca, choravam e vomitavam no chão; os velhos reclamavam do cheiro fétido no ar, e o homem que se dizia ser santo, tinha a mais pura e cruel satisfação ao observar os restos de Jongin queimarem e as poucas cinzas serem levadas com o vento.

 

Naquela noite, quando Sehun caiu de joelhos, assombrado com a imagem da qual seus olhos tiveram a tragédia de presenciar, o céu chorou pela primeira vez no ano.

 

Ainda aturdido com o fogo assustador em sua frente, nem mesmo notou quando a neve começou a cair e cobriu cada um ali com pequenos pontos brancos, trazendo frio para as peles amarguradas e a verdadeira solidão de quem assistiu perder, mais uma vez, o seu amado. Ainda ajoelhado no chão, cada camponês olhou para o céu, admirados com a beleza dos flocos claros sobre suas cabeças, hipnotizados. E no solo, Oh desistia mais uma vez de continuar sua jornada.

 

Não viveria por muito mais tempo, não se não tivesse Jongin ao seu lado.

 

Porque aquela era a consequência que o Destino lhes deu. Sehun veria seu amado morrer, em cada uma de suas nove vidas – o presente de Bastet quando fora criado como um felino –, até que não lhe sobrasse mais nenhuma. Até que não mais fosse ligado com suas raízes. Até perder sua própria divindade.

 

Enquanto a neve caía, quebrou pela primeira vez uma de suas promessas e transformou-se mais uma vez em um gato. No meio de todos aqueles assassinos, que agora lhe olhavam atordoados, apavorados com o fato do diabo ainda estar vivo e caminhar em meio à eles, agarrando os próprios filhos e lhe lançando pedras com os dedos trêmulos. O felino parou em frente às poucas palhas ainda não corroídas, exatamente onde estava o moreno, como fazia há muito séculos antes nos aposentos do faraó. E com um último ato de devoção ao homem que amava, jogou-se em meio fogo, derretendo cada parte sua, até que sua essência se esvaísse completamente em meio a fogueira.

 

E a última coisa que aqueles aldeões se recordavam daquela noite, eram as íris de Sehun, agora douradas pelo reflexo fogo, os fitando com mágoa e rancor, orando para que em outra vida Jongin não sofresse mais em seu leito de morte.

 

Pobre garotinhos... Nem mesmo o Destino pôde salvá-los desta vez.

 

Porém, os dados ainda rolavam e Oh Sehun e Kim Jongin ainda tinham mais sete vidas pela frente, para viverem cada uma delas lado a lado, até que entre o Destino e o Acaso houvesse, finalmente, um vencedor.

 

 

 

 

 

Mas deixe-me lhes contar um segredo, algo que há muito, muito tempo já fora premeditado:

 

Eu, o glorioso Destino, nunca perco um jogo...

 

E jamais irei.


Notas Finais


LINK DA MÚSICA: https://www.youtube.com/watch?v=sfU_sC7m2cA

EU ESPERO QUE TENHAM GOSTADO, ASSIM, FALANDO DE VERDADE! Pq eu to muito nervosa e com medo de que tenha ficado bosta, é a minha primeira Sekai, sério mesmo. Me desculpa se não foi o esperado por vcs, enfim... KKKK Eu mto nervosa mesmo. Obrigado por me deixarem participar e espero revê-los outra vez! <3 COMENTEM AI SIM QUE QUERO SABER OQ ACHARAM!
Até mais, obrigado por lerem e pelo carinho! Um beijo!

Quem quiser uma Chanbaek cheirosa: https://spiritfanfics.com/historia/como-capturar-um-pokemon-10702514


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