História Os Segredos do Universo - Capítulo 29


Escrita por: ~

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Categorias Got7
Tags Got7, Jackbum, Jackson, Jaebum, Jaeson
Visualizações 42
Palavras 1.238
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Perdoem os erros, dêem suporte a fic e boa leitura 💙

Capítulo 29 - .06


Fanfic / Fanfiction Os Segredos do Universo - Capítulo 29 - .06


QUANDO CHEGAMOS A TAEGU, MINHA TIA MIA já tinha falecido.

Na missa, só havia espaço para ficar de pé. Era óbvio que ela tinha sido amada profundamente por todos. Todos exceto sua família. Éramos os únicos lá: minha mãe, meus irmãos, eu e meu pai.

Pessoas que eu não conhecia chegavam para mim e perguntavam:

— Jaebum?

— Sim, sou eu.

— Sua tia adorava você.

Fiquei com tanta vergonha. Por tê-la deixado às margens da minha memória. Tanta vergonha.


Meus irmãos foram embora depois do funeral.

Minha mãe e meu pai ficaram mais um pouco para fechar a casa da minha tia. Minha mãe sabia exatamente o que fazer, e para mim era quase impossível imaginá-la no limite da sanidade mental.

— Você tem me observado o tempo todo — ela comentou certa noite em que assistíamos a uma tempestade se formar.

— Tenho?

— E tem estado calado.

— Ficar calado é meu normal. Por que não veio ninguém? — perguntei. — Meus tios e minhas tias? Por que não vieram?

— Eles não aprovavam o modo de vida da sua tia.

— Por que não?

— Ela viveu com outra mulher. Por vários anos.

Franny — eu disse. — Ela vivia com Franny.

— Você lembra?

— Lembro. Um pouco. Não muito. Ela era simpática. Tinha olhos verdes. Gostava de cantar.

— Elas eram namoradas, Jaebum.

— Certo — eu disse, confirmando com a cabeça.

— Isso incomoda você?

— Não.

Continuei a brincar com a comida no prato. Olhei para o meu pai. Ele não me esperou perguntar.

— Eu adorava Mia — ele disse. — Era uma mulher generosa e decente.

— Você não se sentia incomodado por ela viver com Franny?

— Isso incomodava algumas pessoas — ele disse. — Seus tios e tias, Jaebum, eles não suportavam.

— Mas e você? Ficava incomodado?

O rosto do meu pai assumiu uma expressão estranha, como se quisesse conter a raiva. Acho que a raiva se dirigia à família da minha mãe. Também acho que ele sabia que aquele sentimento era inútil.

— Se a gente ficasse incomodado, acha que deixaríamos você ficar aqui com ela? — ele falou, para depois dirigir o olhar para minha mãe.

Minha mãe acenou com a cabeça e tomou a palavra:

— Quando voltarmos para casa, queria lhe mostrar umas fotos do seu irmão. Você quer?

Ela estendeu a mão e secou as lágrimas do meu rosto. Eu não conseguia falar.

— Nem sempre tomamos as decisões corretas, Jae. Mas fazemos nosso melhor.

Fiz que sim com a cabeça, mas as palavras não vinham. As lágrimas silenciosas continuaram a rolar pelo meu rosto como se houvesse um rio dentro de mim.

— Acho que magoamos você.

Fechei os olhos e fiz as lágrimas pararem. E então disse:

— Acho que estou chorando de felicidade.


Telefonei para Jackson e avisei que voltaríamos dentro  de  alguns  dias.  Não contei sobre minha tia. Só que ela tinha me deixado a casa dela.

— Quê?

— Sim.

— Uau.

— Uau mesmo.

— A casa é grande?

— É, bem grande.

— O que você vai fazer com a casa?

— Bom, aparentemente um amigo dela quer comprar.

— E o que você vai fazer com todo esse dinheiro?

— Não sei, não pensei sobre isso.

— Por que você acha que ela deixou a casa pra você?

— Não faço ideia.

— Bom, pode pedir demissão do Charcoaler.

Jackson, sempre capaz de me fazer rir.

— Mas e você? O que tem feito?

— Estou trabalhando na drogaria. E meio que ficando com um cara — ele disse.

— É?

— É.

Queria perguntar o nome, mas não perguntei.

Ele mudou de assunto. Eu sabia quando Jackson mudava de assunto.

— Meu appa e minha omma estão apaixonados por Perninha.


Ainda estávamos em Taegu no festival da lua. Fomos ver os fogos de artifício.

Meu pai me deixou beber uma cerveja com ele. Minha mãe tentou fingir que não concordava, mas, se fosse verdade, ela não teria deixado.

— Não é sua primeira cerveja da vida, né, Jaebum?

Não ia mentir para ela.

— Omma, eu avisei que quando quebrasse as regras, faria escondido.

— Verdade — ela concordou. — Você avisou.

— Você não dirigiu depois, dirigiu?

— Não.

— Jura?

— Juro.

Bebi a cerveja lentamente enquanto assistia aos fogos de artifício. Me senti uma criança.

Adorava fogos de artifício, as explosões no céu, os “ahhh”, “ohhh”, “uhhh” da multidão.

— Mia sempre dizia que Franny era o Festival da Lua.

— Palavras muito bonitas — comentei. — E o que aconteceu com ela?

— Morreu de câncer.

— Quando?

— Uns seis anos atrás, acho.

— Você veio para o funeral?

— Sim.

— Você me trouxe?

— Não.

— Ela sempre me dava presente no Natal.

— Devíamos ter contado a você.



Meus pais decidiram que havia segredos demais no mundo. Antes de deixarmos a casa de minha tia, minha mãe pôs duas caixas no porta-malas do carro.

— O que é isso? — perguntei.

— As cartas que escrevi a ela.

— O que você vai fazer com isso?

— Dar a você.

— Mesmo?

Imaginei se meu sorriso era tão grande quanto o dela. Talvez do mesmo tamanho. Mas não tinha a mesma beleza.


Fiquei no banco de trás na viagem de volta para Seul. Podia ver meus pais de mãos dadas. Às vezes, trocavam olhares. Olhei para o deserto. Pensei na noite em que Jackson e eu tínhamos fumado maconha e corrido pelados na chuva.

— O que você vai fazer no resto do verão?

— Não sei. Trabalhar no Charcoaler. Sair com Jackson. Malhar. Ler. Coisas assim.

— Você não precisa trabalhar — meu pai disse. — Tem o resto da vida para fazer isso.

— Não me importo de trabalhar. Aliás, o que faria? Não gosto de ver TV. Estou isolado da minha própria geração. E só posso culpar você e minha omma por isso.

— Bom, daqui pra frente você pode assistir TV sempre que quiser.

— Tarde demais.

Os dois riram.

— Não é engraçado. Sou o cara mais quadrado com quase dezoito anos. E é tudo culpa de vocês.

— É tudo nossa culpa.

— Isso, é tudo culpa de vocês.

Minha mãe virou a cabeça para trás apenas para conferir se eu estava sorrindo.

— Talvez você e Jackson pudessem viajar juntos. Quem sabe acampar ou algo assim…

— Melhor não.

— Você devia pensar nisso — minha mãe disse. — É verão.

É verão, pensei. Eu não parava de pensar no que a sra. Wang tinha dito.


Não se esqueça da chuva.


— Tempestade à frente — anunciou meu pai. — E estamos prestes a entrar nela.

Olhei para fora, para as nuvens negras à frente. Abri a janela e senti o cheiro de chuva. Era capaz de sentir o cheiro da chuva no deserto antes mesmo de começar. Fechei os olhos. Pus a mão para fora e senti a primeira gota. Era como um beijo. Um beijo do céu. Uma ideia reconfortante. Algo que Jackson pensaria. Senti outra gota e mais outra. Um beijo. Um beijo. Outro beijo. Pensei nos sonhos que vinha tendo, todos sobre beijo. Mas nunca sabia quem eu beijava. Não conseguia ver. E então, de repente, estávamos bem no meio de um temporal. Subi o vidro e senti um frio súbito.

Meu braço estava molhado, e a manga da camiseta, encharcada.

Meu pai encostou o carro.

— Não dá pra dirigir assim — explicou.

Não havia nada além da escuridão, das cortinas de chuva, de nossa admiração silenciosa.

Minha mãe segurou a mão de meu pai.

Tempestades sempre me faziam sentir tão pequeno. Embora os verões fossem quase totalmente feitos de sol e calor, para mim os verões eram as tempestades que iam e vinham. E ficava o sentimento de solidão.

Será que todos os garotos se sentiam sozinhos?

O verão não era feito para garotos como eu. Garotos como eu pertenciam à chuva.


Notas Finais


Coração chega apertar por saber que está quase acabando, já passamos da metade e agora seguindo ao fim

só queria avisar ❤️


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