História Pain, Dead and Salvation - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Mitologia Hindu
Tags Tragedia
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Palavras 13.238
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


Oi seus ser humanoides, alignigenas das galáxias do spirit.
Como eu já havia avisado antes, eu mudei umas coisinhas no primeiro capitulo e juntei com o segundo, então assim que esse capitulo for postado os dois primeiros capítulos e o aviso serão apagados.
Já peço desculpa pelos erros ortográficos, eu sou meio cega sabe que mesmo revisando umas trocentas vezes ainda vai ter algo de errado.
Deixem nos comentários as vossas opiniões que são muito importantes para mim. E por favor no terceiro capitulo, já avisando logo, não pensem que eu tomei uma batida de Toddynho e Dollynho quente tá.
Muito obrigada e chega de enrolação.

Capítulo 1 - O ínicio de tudo


 A música calma, tocada por violinos, pianos, que em alguns minutos se tornou agitada, fazendo com que todos os convidados da festa dançassem de forma animada.

  Eu apenas os observava, esgueirada no pilar com detalhes trabalhados a ouro atrás de mim, com um sorriso de lado, enquanto bebericava o vinho tinto na taça sobre as minhas mãos frias. E observando o salão, vejo um belo jovem sorrir enquanto vinha em direção ao pilar que se encontrava a metros de mim.

   – Não parece estar se divertindo. – Disse o jovem me dirigindo à palavra com um sorriso bobo no rosto.

   – Bem, não gosto muito de festas. – Respondi dando um sorriso e tirando os cabelos vermelhos do rosto. Já que esse estava preso em um coque frouxo com o resto solto e cacheado.

   – Eu também não gosto de festas, mas minha mãe me obriga a ir nelas – Ele disse pegando a taça de vinho de minhas frias e pálidas mãos – Eu nem me apresentei, que falta de educação, meu nome é Anthony, qual o seu?

  – Meu nome é Kali.

 – Vai beber? – Ele perguntou, aleatoriamente, apontando para minha taça de vinho.

 – Não – Respondi de forma divertida; dei um sorriso e o vi beber todo o liquido da taça de vidro a colocando de volta em minhas mãos.

   – Agora tenho que ir, foi uma honra te conhecer. – Disse ele beijando as costas da mina mão direita.

    – Não seja tão formal. E também foi um grande prazer te conhecer, espero te ver em lugares que não sejam em festas chatas. – Disse tentando dar um sorriso simpático, e com possível sucesso, ele apenas correspondeu o meu sorriso com um ainda mais bonito e mais simpático que o anterior.

  Vi ele se distanciando, ele era um jovem alto, de bom porte, tinha os cabelos castanhos que iam até os ombros, mas estavam presos com um laço azul, olhos de cor verde, trajava uma roupa da corte real, um casaco longo azul, uma blusa branca de colarinho alto com um lenço da mesma cor ao redor do pescoço, uma calça preta e sapatos também pretos, era muito belo e atraente, percebi varias outras garotas no salão olharem para ele, mas eu não me atraia pela sua beleza, o que a de errado comigo, minhas irmãs já estão noivas. Meu irmão mais velho concorda em eu não querer nada, ele diz que no momento certo vou encontrar a pessoa certa, não pela aparência e sim pelo que ela é. Se eu perder meu irmão não faço ideia o que vai acontecer comigo, mas bem tenho certeza de que não vou ficar neste castelo com esse rei.

    De longe o vi tendo uma “discussão” com uma mulher mais velha; daria trinta e cinco para ela; que se parecia muito com ele; isso é ela era muito bonita; devia ser a mãe dele.

     Alguns minutos depois dessa “discussão” ele veio novamente até minha direção; se ele for me contar o que aconteceu, vão durar dez segundos na minha cabeça e vai sumir; dessa vez com um olhar triste, de cachorro abandonado, um olhar de quem foi desprezado. Parece que a coisa foi feia, mas não me importa e nem é da minha conta.

      – Droga. – ele tentou falar baixo para que eu não o escutasse, mas foi inevitável não ouvir o xingamento; se é que isso é um xingamento; ele estava muito próximo de mim; gostaria que não estivesse não quero ser obrigada a ouvir os problemas dos outros, não me importo com os ricos, eles tem tudo, por que ainda reclamam de tudo?

     – O que aconteceu? – Falei tentando parecer preocupada; foi involuntário perguntar, eu realmente não queria ter perguntado. De verdade eu tento me importar com os nobres, mas não desce.

     – Come se você se importasse. – Como ele sabe. Ele disse de forma sarcástica e seria de um jeito que me irritou muito e me subiu uma vontade de tacar um pedaço de ferro na cabeça daquele imbecil; como se estivesse errado, mas me incomodei com o jeito que ele falou, com o tom usado pra falar comigo, que estava tendo a boa vontade de ouvir os problemas desse desgraçado, como se eu não tivesse já muitos problemas pra resolver e ainda teria que ouvir e aconselhar ele; e matar essa coisa.

    – Eu me importo – Mentira– O que aconteceu? – Por que eu ainda to aqui, tanta coisa boa pra fazer, e eu to aqui me importando com esse verme?  E na verdade eu nem me importo com ele, estou cagando pra vida pessoal dele. Como disse não me importo nem um pouco com os nobres, tão pouco pra ele.

   – Minha mãe. – Ele disse, descendo as costas no pilar e sentando no chão, eu apenas sentei ao lado dele ajeitando meu vestido branco, se meu vertido sujar por causa desse imbecil eu juro que mato ele (o vestido é a única coisa que tenho da minha falecida mãe). Por um momento senti pena dele; soque não; queria falar que morrer é um jeito fácil de livrar-se dos problemas; mas não é uma coisa legal a se dizer a alguém.

   – O que ela fez? – Perguntei mais curiosa; sou a encarnação da curiosidade só pode; do que com pena, sorte, que na minha voz soou o contrario.

   – Ela disse para mi... – Nesse momento todas as velas se apagaram causando, certo medo entre os convidados, mas eu nunca tinha me sentido tão bem assim na minha vida, me senti segura.

    As grandes portas do salão se abriram revelando uma mulher de idade avançada, que aparentava uns 70 anos. Ela era iluminada pela luz da lua cheia atrás de si. Reacendeu todas as velas com um estalar de dedos.

   Ela me olhou repentinamente, com um olhar obsessivo e possessivo.

   – Eu a quero! – Disse bem alto, apontando em minha direção, com seu longo dedo de unha grande.

   –De maneira nenhuma eu darei a você minha filha! –Meu “pai” respondeu se levantando do seu trono, já desembainhando sua espada.

  – Se ela não vier comigo, jogarei uma praga no seu e nos reinos vizinhos ao seu. – Ela disse determinada com a ameaça, mas ainda sentia que ela era benigna.

   – Eu vou. – fale sem me importar, estava cansada da vida que tinha, achei que morrer nas mãos de uma bruxa pra salvar o povo que eu amo; e sim eu me importo com meu povo e faria qualquer coisa para ajudá-lo; faria-me bem.

    – Maneira nenhuma! – o jovem e meu “pai” protestaram imediatamente; olá a vida não é de vocês, e agora que eu fui perceber, eu sou uma trouxa mesmo, como não percebi isso antes, o rei não se importa mais com seu povo, por isso está um caos lá fora, o reino empobrece e o rei enriquece mais, cada vez mais rico com a desgraça do povo e com as guerras.

    – Nossa! Agora?! Isso é hora de tentar dar uma dei pai super protetor?! Você foi ausente minha vida inteira, e você só aparecia para me dar broncas e me dar sermões inúteis! E quando eu mais precisei de você onde você estava? Eu prefiro não prosseguir por haver crianças nesse salão, e elas não precisão deixar de ser crianças tão cedo como eu deixei. Você nunca se importou comigo, tive que me virar desde que me entendo por gente, sempre tomei minhas próprias decisões e agora que SEU POVO mais precisa de você vai abandoná-lo! É sua cara fazer isso, você nunca se importou com ninguém além de si mesmo! Você enriquece a custas dos outros, o povo morre e você não está nem ai com isso, enrique através de guerras e mais guerras!  Você não se importa mais nem... – Fui interrompida pelo rei; recuso-me a chamá-lo de pai, e você está se perguntando se meu irmão super protetor não vai me impedir, não ele não vai, ele me conhece e sabe que não vou mudar de idéia quanto a isso. E ele me apóia em salvar o povo que o rei renegou.

  – Você só tem 14 anos não está em posição pare me desobedecer, tanto como pai como rei! – Esperei ele falar para fazer o que eu sei fazer de melhor, desprezar os ricos, e nobres.

 – Não me interrompa! E você não é meu pai! Nunca foi nem nunca será! E eu não sigo mais nenhuma ordem sua! – Rebati com tanto desprezo por ele na voz, e comecei a encará-lo com um olhar assassino que só eu sei fazer, de uma maneira tão fria e cruel que ele recuou dois passos.

  Sai em direção a ora nas grandes portas do castelo, e surpreendentemente ele e reagiu a minha atitude.

    – Como ousa falar assim comigo, e eu como rei a proíbo de dar mais um passo sequer.

   – E você como rei deveria proteger o seu povo! E por que sacrificar todo seu povo pra salvar alguém que você odeia?! E é por isso que eu tenho nojo de você e de suas atitudes, como pode uma adolescente de 14 anos ser mais sabia e responsável com suas obrigações que o próprio rei dessa bosta que você ainda chama de reino! Um reino existe para você proteger as pessoas que vivem nele – o rebati com ódio.

 – Vá e se por algum acaso colar os pés nesse reino novamente vai ser acusada de bruxaria e será morta. E assim que passar desse portão não será mais minha filha.

  – Eu nunca fui. – falei em um tom baixa, mas ainda audível a todos do salão.

 Sai do castelo sem um pingo de remorso.  A bruxa que tarde era uma velha de 70 anos se tornou uma moça jovem com não mais que 20 a 22 anos de idade muito bela; bela, sexy, com cara da encarnação da inteligência, com beleza pra dar vende e ainda vai sobrar; e gentil.

  Ela me levou até sua casa, um pequeno chalé no meio da floresta, estava caindo os pedaços, parecia estar ali ha séculos, ela falou que aquele lugar pertencia a um casal que infelizmente morreu com a epidemia que teve no rei no há alguns anos, ela não pediu, mas mandou-me ir dormir; ela mandou de um jeito muito legal e gentil; pois no dia seguinte sairíamos cedo.

  Pela manhã pegamos dois cavalos, um era marrom bem escuro e o outro preto, colocamos nas costas dos cavalos pra depois colocar as celas.

  Estávamos a caminho de um reino que ela não me contara, mas precisávamos passar pelo meio do vilarejo para sairmos da li. O dia estava melancólico, o céu fechado com nuvens escuras e cinzentas criando vários tons de cinza. O vilarejo estava um caos, casas destruídas o povo estava morrendo com a fome, grande parte das casas estavam destruídas, as crianças estavam magras, e choravam muito, os impostos aumentavam a cada mês, senti uma tristeza apertar meu coração.  Estávamos sob grandes sobretudos, passamos por esse vilarejo sem sermos reconhecidas, e enquanto caminhávamos guiando gentilmente os cavalos com suas regias , percebi o quanto o rei não prestava, ele não valia um centavo, como ele pode deixar tudo aquilo do jeito que estava. Fui tirada de meus devaneios por uma voz suave e doce ao meu lado.

 – É por isso que escolhemos você – ela disse olhando para mim- Seu pai o rei, nunca fez nada pelos pobres, o dinheiro das guerras vão para ele ou para os de classe alta, ele e os ricos sempre desprezaram os pobre e os de classe baixa. Ele nunca teve um coração bom, depois da morte de sua esposa ele ficou ainda pior. Escolhemos você pelo seu coração, você conhece a dor, mesmo sendo criada na realeza, sempre teve garra, vontade matar, queremos que use essa vontade esse ódio para o bem.

  Eu olhei para ela com uma cara surpresa, como assim “nós escolhemos você”?

 – Me desculpe, usei o termo errado, não é “nós escolhemos você” e sim “ouvimos falar de uma filha bastarda do rei”. Sem querer te ofender nem nada ta.

  – Não ofendeu. Mas como assim “nós”?

  – Vai entender quando chegarmos.

  – Mas... Afinal, onde estamos indo?

  – Estamos indo a Camelot.

   – Certo... Mas isso é quase uma semana de caminhada, e de cavalo seriam cinco dias.

  – Não se preocupe, temos um lugar para parar durante esses dias.

 Montamos nos cavalos e começamos a cavalgar lentamente. Muito lentamente, mas era calmo então não me incomodava nem um pouco.

  Estávamos entrando em outro reino, quando dois guardas nos param, mando nos tirarmos nossos capuzes, que escondiam nossos rostos.

  – Aonde duas moças tão bonitas como vocês vão indo com tanta pressa assim? – um dos guardas perguntou; e detalhe, nós estávamos andando que nem duas tartarugas, até duas lesmas mortas iriam mais rápido do que a gente; olhando-nos com um sorriso um tanto quanto mal, se é que você me entende. – Por que não vão mais devagar, e nos contam de onde vieram e aonde vão? – Esse homem não entende que não dá pra ir mais devagar que isso?

  – Vamos a qualquer lugar que não seja da sua conta – nunca imaginei que aquela moça que falava suave poderia ser tão curta e grossa como foi... Gostei disso.

 – Olha aqui moça, você não tem permissão para entrar nesse reino, então se coloque em seu lugar, então vamos nos acalmar e conversar um pouco... O que acham? – disse o outro guarda subindo a saia do meu vestido passando a mão em minha cocha o outro guarda também começou a assediar a bruxa ao meu lado, ah, mas eu fiquei brava, mas tão brava que desembainhei a espada do guarda e o acertei bem no coração, fazendo-o cair de joelho no chão, sorte minha não ter mais ninguém em volta de nós, à bruxa; sim vou continuar a chamar ela assim até essa me contar seu nome; bem... Quebrou o pescoço do outro guarda com um estalar de dedos.

     Nós adentramos a cidade e; finalmente; lembrei-me que não perguntei o nome da bruxa.

     – Hein... – comecei a falar – Eu não perguntei qual é o seu nome.

     – Meu nome... Meu nome é Merlin. – Bruxa respondeu – E qual é o seu nome?

     – Meu nome é Kali. – Disse a Merlin; finalmente, já estava na hora.

     – Kali... “Kali”... –Em vez da voz suave de Merlin, uma voz masculina e um pouco rouca me chamando em um tom que fosse para me acordar.

      Levantei-me de uma cama hospitalar, sentei-me na beira da cama meio tonta, olhei para o lado e vi o medico que cuidava de mim naquele hospício, ele era o único que era legal comigo.

       – Sonhou com o que dessa vez? – Ele me perguntou de forma gentil. Ele era como um pai para mim e também um ótimo conselheiro. Ele era medico e psicólogo no hospício. Sim eu estou em um hospício.

      – Sonhei com uma bruxa... –Falei hesitante, com medo de ser julgada por ele, mas o conhecia e sabia que não faria. – Ela me tirava do castelo do Rei mau, que me ameaçava de morte... Ela aparentava ter setenta anos, mas logo que saímos do castelo ela se tornou uma moça muito bela e inofensiva até certo ponto. – contei a história de forma desleixada e ele... Bem ele me conhecia bem de mais pra não perceber isso. Mas não queria detalhar a história, não queria falar que parecia uma lembrança e não um sonho como qualquer outro.

    – Eu sei que não é só isso... Mas não vou lhe pressionar falar – Ele me entende tão bem que tenho medo de algo acontecer e ele me abandonar, e ele é tudo o que eu tenho, e como já disse o único pai que eu tive que realmente se importa comigo.

    – Esses “sonhos” estranhos estão cada vez mais freqüentes... – disse dando ênfase na palavra “sonhos”.  – Já é de manhã? – perguntei, pois nem de longe parecia ter amanhecido.

    – Sim, já amanheceu. E hoje você pode sair pela cidade. – ele disse mexendo dois dedos como se fossem pernas andando.

     Eu ri um pouco da cara que havia feito e falei:

     – Já é fim de maio?

      – Já é fim de junho. – Ele me respondeu com uma cara de preocupado.

     – Como me acharam? E como eu apaguei por tanto tempo? – Perguntei com uma expressão seria, já descendo da cama que era um pouco alta, ou era baixa.

     – Desde que te encontraram tentando fugir daqui no ultimo dia de abril, pelo que parece receberam informação de dentro do hospital, eles te apagaram com algum tipo de erva que eu desconheço, e foram assim esses dois meses. Eles pegaram suas armas, e os soldados do rei e o próprio rei ficou sabendo que uma garota, internada nessa casa pode ter informações valiosas para a nova guerra que irá começa para tomar o reino próximo a esse. E que essa garota tem porte de armas pesadas, e estão todas guardadas aqui, e quando eles descobriram confiscaram todas.

      – Eu estou confinada nessa merda há três anos e eles nunca vieram aqui antes. Quem poderia ter passado minha localização, E quando eles vão passar aqui? – Perguntei pegando minhas roupas para sair daquele lugar; olha ele pode ser uma ótima pessoa, pode cuidar de mim, mas eu vou fugir desse trambolho e me enfiar em algum lugar em que nunca me achem, onde eu possa ficar só, sem que transformem minha vida em um inferno, e em fim encontrar o que procuro; fui até o banheiro em meu “quarto”.

      – Eles vão passar aqui 07h00min em ponto. Para buscar as armar e... – O senti hesitar um pouco, um pouco não muito – Eles também estão atrás de você.

      – Eu sei, é claro que viriam atrás de mim. – Sussurrei a ultima parte não queria ser mal educada com ele. –  E afinal que horas são?– Perguntei sem entender muito bem o que estava acontecendo, estava perdida, de certa forma.

     – Eu sei que é meio obvio que eles viram atrás de você, e por isso é para sair daqui o mais rápido o possível, aqui. – Estava saindo do banheiro, quando ele jogou aos meus pés uma sacola de pano cheia. – Estão ai todas as armas que eles pegaram. E são... 6h25m.

    – Como conseguiu, achei que estivessem confiscadas. E como não te impediram? Mas, a questão é se eu fugir, como você fica?

   – Eles não são os seres mais cuidadosos do mundo. E não se preocupe comigo. Siga seu caminho sai do país, e não deixe que te reconheçam.

  – O que vai acontecer com você? – Perguntei preocupada com o que aconteceria com ele quando eu saísse daquele trambolho; sim vou ficar chamando essa merda de trambolho.

   – Já disse para não se importar comigo, eu vou ficar bem. Mas não pode ser reconhecida, e com essas roupas fica ainda mais suspeita do que já é. – Ele me disse, já estendendo um vestido longo e um corpete, como os que as moças nobres usavam, para eu não ser reconhecida. – Coloque isso, acho que nem eu te reconheceria se usasse isso.

   Ouvimos barulhos de portas sendo arrombadas, no final do corredor e chegando cada vez mais perto.

    – Eles não iriam vir apenas sete horas? –Perguntei sussurrando.

   – Eles chegaram mais cedo.

  – Então vamos. – Disse puxando ele pelo braço. Mas ele não se movia.

  – Ka, eu vou apenas te atrapalhar, vou ser um peso para você nessa viagem, já estou velho, não preciso sair daqui. E vai ficar tudo bem comigo. Agora vai e pega a sua roupa e as armas e vai.

  Os passos se aproximaram, Ed deu um soco forte em si mesmo, o olhei assustada.

– Por que fez isso seu louco? – Perguntei nervosa.

– Se você sair daqui, e eu estiver inteiro vão pensar que eu te ajudei e que sei sua localização. Não irá ser bem nem para mim e nem para você

Peguei minhas coisas e fui dar um abraço nele, e esse colocou um papel no meu bolso e sussurrou em meu ouvido:

  – Leia isso apenas quando for para bem longe. Prometa para mim que não vai voltar.

  – Prometo. Mas vai ter que jurar que vai ficar bem.

 – Eu juro que vou ficar bem.

    Peguei minhas coisas e sai pela janela, velha e quebrada, me virei rapidamente para dar uma ultima olhada, e sai daquele trambolho chorando.

    Se algo acontecer a ele, não vou conseguir continuar, ele é tudo que eu tenho a única pessoa nesse mundo de merda que já se importou comigo, a única família que eu tenho e estou deixando.

    Decidi ficar próxima daquele trambolho até a noite para garantir que ele ficaria bem entes de eu partir, quando o sino da igreja tocou indicando que já era meia noite, eu fico preocupada, pois os guardas não saíram de lá ainda, o que estariam fazendo até agora lá?

   Minha pergunta foi respondida mais rápido do que eu esperava. Comecei a ouvir gritos, dentre eles reconheci a voz de Ed, como de pedisse por socorro, eu me aprontei e corri até aporta do trambolho, mas antes de eu entrar, em um pulo me escondi atrás de uma parede, os guardas saíram de lá ensangüentados, o cheiro de sangue ficou extremamente forte, e eles pegaram um isqueiro e jogaram dentro do estabelecimento que por fora era de tijolos, mas por dentro era todo de madeira.

    Em segundos sai do meu esconderijo me revelando aos guardas, nem me importei, entrei correndo, alguns vieram atrás, outros foram parados pelas chamas que aumentavam pelo batente da porta de entrada. Imediatamente subi as escadas de madeira, estava tão desesperada, que dei um escorregão que me atrasou um pouco.

    Corri com os guardas atrás de mim, eu corria para o meu quarto onde foi a ultima vez que vi o Ed. Consegui felizmente despistar os guardas, entrei no quarto e encontrei Ed caído no chão, com ferimentos extremamente graves, ele sangrava muito, parecia estar assim há um tempo, corri até ele e o ergui o segurando pela nuca e pelas costas, me aproximei e ele sussurrou algo com grande dificuldade em meu ouvido:

    – Ka... Eu não mandei você ir embora... Vai e recomece... Eu sempre fui um peso para você, e me escute com muita atenção, mesmo que o mundo pareça ou esteja contra você... Não desista... Sei que se alto mutila... Que varias vezes tentou suicídio... Mas só vou falar uma única vez... – Ele aumentou o tom da voz, ficando mais autoritário, colocando um pedaço de papel em meu bolso – Não desista... Continue, não importa a situação, você sempre será minha princesinha... E sempre terá alguém que se importe com você... Mesmo quando parecer que tudo acabou; sempre terá um amanhã para você... E essa carta é para você e somente você. Leia apenas quando sair do país.

    Eu comecei a entrar em pânico, desespero, uma tristeza tão grande tomou meu ser, quando vi Ed morrer meus braços, lagrimas quentes começaram a escorrer pelo meu rosto, comecei a passar a mão pelo rosto ensangüentado dele enquanto eu o molhava com minhas lagrimas. O quarto que até então estava apenas eu, Ed e um silencio trágico e fúnebre, foi invadido pelos guardas, que quando eu m virei para trás para os olha, desembainharam suas espadas e as apontaram para mim, meus olhos já vermelhos de tanto chorar, os encararam com tanta fúria que esses recuaram três passos, senti a tristeza dar lugar para a raiva, o ódio tomou meu corpo sem mais nem menos, fazendo-me pegar a única arma que eu possuía uma adaga que guardava dentro de uma pequena bainha de couro, peguei a adaga, e em um movimento simples, mas ainda sim rápido, me abaixei e cortei funda a perna de um deles, sai correndo, eles vieram atrás de mim, mas eu sou mais rápida, vantagens de ser baixa, fui novamente por trás; essas crianças nunca aprendem que não se pode baixar a guarda, que tipo de guardas eles são; pulei no ombro de um, ganhando impulso para um salto, pulei e cortei os olhos de um deles o segando e fazendo que não me seguisse mais. Ele começou a sangrar, criando uma grande poça de sangue no chão, outro foi o socorrer, o que me deu tempo de sair dali o mais rápido possível. O fogo fazia o cheiro de sangue se intensificar. E isso nem me incomodava mais.

    Estava totalmente ensanguentada, queimada e machucada me despi e sai assim de lá suja de sangue, um pouco queimada, descalça, cortada e machucada. Escondi-me e coloquei a roupa que recebi de Ed; era um vestido preto, com um corpete também todo preto que marcava um pouco meus seios, não sou reta, mas nenhuma “Cobra”; o corpo de Ed foi queimado pela chamas do local, eu queria poder ter feito um enterro decente a ele, mas não se pode andar com um cadáver pelas ruas de Londres sendo perseguida para piorar.

    Sai caminhando descalça, pelo chão das escuras ruas de Londres, naquela fatídica noite. E me dei conta de uma coisa... Eu não tenho para onde ir, e a carta que ele me deu me tentava a abri-la ali mesmo, mas vou obedecer a seu ultimo pedido.

     Eu não tenho aonde ir... Não tenho ninguém para me aconselhar nessa jornada de merda, estou ferrada. E eu sou oficialmente órfã, sem absolutamente ninguém e com um belo mandado de busca, ou melhor, de morte. Com pena de morte, fugir e quase matar quatro guardas de ordem direta do rei, é eu definitivamente estou ferrada. E eu que não vou perder minha vida para esse rei de merda, que abandonou seu povo só para se enriquecer, pensando dessa maneira fui andando até sair da cidade, entrei em uma clareira e começou a nevar, me esqueci de que era...  Inverno?

    Um som no meio da mata me tirou de meus devaneios me deixando em alerta, quando algo saiu daquela escuridão, sendo iluminado apenas pela luz da lua, vi que era um lobo, mas um lobo bem grande. Era uma alcatéia, entrei em um local perigoso demais e não vou matar nenhum deles, por pena e só vai piorar as coisas. O alfa; aparentemente; se aproximou de mim, ele sentiu o cheiro de sangue humano, subiu os olhos vermelhos escarlates e olhou fundo nos meus... E até onde eu sei lobos não tem olhos vermelhos.

O lobo estava parado bem próximo a mim, olhando fundo em meus olhos. Seus olhos vermelhos escarlates me fitavam com apreço, não curiosos, mas sim com fúria, muita fúria, ele tentava me passar medo com o olhar, pareciam amaldiçoar o dia em que nasci.

   Ele me circulava como urubu atrás de carniça, farejando todo o meu corpo, observando o sangue que ainda escorria pela minha pele suada. Ele possuía pelagem branca, cinza e um pouco preta, criando um degrade muito belo e os olhos escarlates, esse possuía uma cicatriz no olho esquerdo, deixando-o branco com tons bem leves de vermelho. O focinho longo como o de uma raposa, presas longas, esse ameaçava com rosnados, apresentando-me suas presas amareladas, era perceptível ver de que acabara de se alimentar, parte de suas patas estavam cobertas por sangue.

 Olha de verdade eu amo lobos, mas esses não estão para brincadeira. Lobos podem se alimentar, mas sempre tem espaço para mais. E acredito que esse “mais” seja eu, e não quero virar sobremesa de cachorro.

Tentei afastar-me lentamente, eles acabaram de comer, se eu não apresentar ser inimiga eles me deixariam partir sem problemas, eu acho.

 O meu plano evidentemente falhou, então, sai correndo. Um grande erro quando se está em meio a vários lobos não satisfeitos.

O que logo a pouco me olhava, me parou; pouco depois quatro lobos me cercaram, impedindo minha passagem.

Eles rosnavam para mim, tentando me amedrontar, igual a uma presa ferida. Não queria ferir nenhum, além do mais só pioraria a situação que me prendia. Mas que outra escolha eu tinha? Acredito que aquele ditado seja verdade agora “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.” estou praticamente nessa situação, só que no plural.

 O que fiz foi bem simples, eu me sentei no chão. Eles me olharam indignados com o ato, no momento parecia boa idéia. O ruim é que havia caçadores por essa região. Então fazendo exatamente um minuto que me encostei ao solo abaixo de mim, eu cai, e foi bem em um buraco, fundo para me fazer feliz.

Eu estava presa em um buraco, os lobos me olharam vitoriosos. Parece que não iam me matar por fome, e sim por eu ter invadido o território deles. Eu acho. Talvez estivessem procurando um lugar maior para ficar, e estão apenas de passagem.

Bem, naquele momento isso não me importou muito. Estava exausta, precisava dormir. Sentei-me no terreno seco cheio de terra e raízes, não me importei por estar suja.

 Encostei minha cabeça nas paredes de terra, e não demorou em que o sono tomasse meu corpo casando.

– Kali. Que nome belo, sua mãe que o escolheu? – Merlin me perguntou calmamente subindo em seu cavalo.

– Foi...

Disse olhando a paisagem ao meu redor. As muitas árvores e montanhas enfeitavam o local onde nos encontrávamos.

Meu sonho foi interrompido por um barulho de queda, abri lentamente meus olhos e me deparei com uma mulher de cabelos longos e negros, pele morena provavelmente era descendente de alguma tribo, essa mulher trajava um vestido branco, e por cima um corpete preto definindo suas curvas e seios medianos, diria que ela tem 1,67m de altura, tinha um brinco de pena azul e verde que atravessava a parte de cima da orelha direita na horizontal, usava um batom vermelho vivo e bem chamativo, sapatos de cor preta.

A mulher desconhecida veio em minha direção abaixando e estendendo um cantil de água, eu aceitei e dei um gole na água gelada, e devolvi para a moça que o fechou logo me estendendo a mão para eu me levantar.

Olhei para cima e vi, já era de manhã. O tempo passou tão rápido assim?

Saímos do buraco, e pelo que pude perceber os lobos tinham saído, olhei fixamente para mulher a minha frente.

 – O que aconteceu com você para ficar desse jeito? – Perguntou a moça de voz doce e suave, surpreendentemente não me viu como inimiga.

Olhei para mim mesma, vendo os machucados e lembrando-me do que aconteceu na noite anterior, não pude evitar, deixei cair sorrateiramente uma lagrima pelo meu rosto, que foi rapidamente secada.

– Eu também gostaria de entender... – Falei de modo sereno ainda que em um tom triste.

– Eu posso te ajudar a entender o que aconteceu. Se os guardas do rei estão atrás de você. Talvez o seu passado seja a chave para você entender.

– Eu não me lembro de nada do meu passado. E como sabe que os guardas do rei estão atrás de mim? – Indaguei meio sonsa. – Mas... Eu posso realmente confiar em você? Eu nunca te vi na minha vida.

– Pode confiar em mim. Eu não vou te entregar ao rei, ele também está me procurando. Venha comigo, vou cuidar de você.

Eu não neguei ajuda, estava ferida, suja, com fome e sem ter onde ficar, e, além disso, ela parecia ser gentil, “inofensiva”.

Entramos na mata e em outra clareira pequena tinha um pequeno chalé, puis-me a entrar no local. A mulher pediu para que eu tirasse as roupas sujas, fosse tomar um banho que essa me daria roupas novas.

 E assim fiz, tirei minhas roupas sujas, tomei um banho tirando todo o sangue que cobria o meu corpo. Vesti as roupas novas que a moça me deu. Uma sai branca, blusa preta e espartilho também preto.

 Ela pediu para que eu me sentasse e esperasse que essa estiva preparando algo para comermos. Eu não tinha reparado na casa quando entrei então dei uma boa olhada no lugar, casa feita de madeira e pedra, uma sala não muito grande, portas de madeira de pinheiro que davam para dois quartos e uma cozinha. Eu notei também ter um quadro não muito grande na parede esquerda da sala, não consegui definir direito o que era, mas... Pareciam flores?

– Um dia você vai saber o que é aquele desenho. – A voz gentil da moça quebrou o silêncio do local. – To.

A moça estendeu um prato com sopa e eu o peguei.

– Obrigada. Eu nem perguntei seu nome.

– Meu nome é Kaolin. E o seu?

– Meu nome é Kali... – Simplesmente não sabia o que falar – Muito obrigada. Se não for incomodo, e ...  Por que os guardas do rei estão atrás de você?

– Pelo mesmo motivo que você. Pessoas como nós que queremos o bem de todos e nos impomos contra as regras de um rei que vive a custa do seu povo, que não aceita essa injustiça com todos. – Ela disse isso de uma maneira esperançosa.

– Eu não consigo me lembrar de nada do meu passado, e o rei quer minha cabeça por causa dele.

– Do que se lembra? – Ela me perguntou curiosa, ela parece não saber de muito, mas eu aprendi do jeito difícil que nós nunca podemos subestimar ninguém – Talvez possamos fazer você se lembrar aos poucos.

– Apenas do meu segundo ano na casa psiquiátrica de Londres.

– Quantos anos você ficou no hospital psiquiátrico? – Ela perguntou com uma cara um tanto quanto surpresa por uma menina como eu estar internada em hospital psiquiátrico.

– Seis.

– Quantos anos você tem? – Ela perguntou com um tom preocupado.

– Dezesseis. E pelo que eles dizem, eu passei seis anos da minha vida em um hospital psiquiátrico, com suposta chances de ter um caso muito grave de esquizofrenia. – Disse tomando a sopa morna.

– E você tem esquizofrenia? – Ela me perguntou com um tom de que possivelmente me mantiveram em cativeiro por conta do meu passado, que no caso eu sou completamente inocente por não saber.

– Não. Acho que é por causa da medicação. – Disse lembrando-me dos medicamentos que tomava.

– Como eram os remédios que tomava? – Ela perguntou. Ela vai realmente me ajudar, quem sabe até me ajudar a lembrar do meu passado.

– Eles eram separados, eu tomava seis por dia. Os dois de manhã eram pequenos e cilíndricos de cor branca com um cheiro de ervas doninhas. Os dois à tarde eram grandes e redondos de cor meio rosada, tinha cheiro de algum tipo de erva... Só não me lembro qual. E os dois à noite eram médios e redondos com um tom laranja. – Falei em um tom e uma cara infantil fazendo a moça rir, mas ainda assim manter um semblante preocupado em sua face, com o que acabei de falar.

 – Bem... Pela sua descrição não eram remédios para esquizofrenia. Os da manhã eram para grandes esforços físicos, era como uma droga que aumentava a adrenalina servia para você estar sempre disposta a fazer tudo e não terem problemas já que isso retardava sua capacidade mental, o da tarde era como um anestésico relaxaria sua mente, deixando-a com uma vulnerabilidade maior, propensa a esquecer as coisas com mais facilidade. Provavelmente quando você entrou lá, eles trataram você apenas com isso, apagando suas memórias e diminuindo a dose com o passar dos anos. E o da parte da noite era para evitar danos consideráveis perante aos outros medicamentos como uma overdose pela quantidade que você tomava. – Ela disse isso apenas com as descrições que dei impressionando a mim, eu não disse que nós não podemos subestimar os outros e eu aprendi do jeito difícil tive que perder o Ed para saber que subestimar alguém é um passaporte grátis para a desgraça.

Então quer dizer que ao invés de me ajudarem eles estavam me drogando... Deve ser por isso que o Ed se sentiu tão culpado aquele dia... Mas isso já é outra história.

– E todas aquelas armas que estava carregando? São suas?

– Ed me mandou eu levá-las. Bem... Acho que sim, mas não me lembro de telas, as moças falavam que eu carregava aquelas armas antes de entrar no hospital...

– Dentre “suas” armas, você tem uma katana?

– Sim, por quê?

– Quero treinar você. E vou ensinar direito.

– Certo. – Concordei com o que ela planejava, eu queria treinar, mas sem um sensei seria muito difícil. – Quando começamos?

– Amanhã bem cedo.

Passou à tarde e a noite, do dia em que ela me encontrara logo no dia seguinte como já estava acostumada a me levantar cedo, acordo vesti e fui para a cozinha me deparando com Kaolin na cozinha preparando o café da manhã.

– Bom dia – Ela disse de forma alegre e com um sorriso muito alegre no rosto, que ate levantou meu animo.

Olhei pela janela e vi o céu limpo, e logo me lembrei que antes de ontem eu podia jurar e apostar meu pé que estava nevando.

– Hein... Antes de ontem não estava nevando?

– Nevando? Você bateu a cabeça muito, mais muito forte mesmo, em uma viga de aço, querida antes de ontem e ontem não nevou, mas Maximo que aconteceu foi uma leve garoa, mas nevar, nevar não nevou não. – Ela falou de uma forma muito engraçada.

– Mas eu podia jurar e apostar meu pé esquerdo, que estava nevando.

– Bem. Você com certeza absoluta perderia seu pé, porque não nevou, você deve ter confundido com as cinzas de uma casa na cidade que pegou fogo. – Ela disse de insensível, mas ela não tem culpa ela não sabe o que realmente aconteceu.

Bem, ela deve ter percebido que eu estava envolvida no incêndio e que ela pode ter associado o incêndio no hospital psiquiátrico Becknham, minha fuga, os ferimentos e o fato de que provavelmente eu fiz uma expressão chateada quando ela falou daquele jeito do incidente de duas noites atrás.

– Me desculpe. – Ela disse baixo olhando para o chão –  Bem vamos tomar café e ir começar o seu treinamento que temos muito o que fazer hoje.

   Assenti e fui tomar o café, ficamos conversando um pouco e ela queria tentar uma coisa para recuperar minhas lembranças. Quando terminamos fui lavar a louça suja, e ela agradeceu.

Dias vão, dias vem e nada de recuperar as memórias. Mas uma noite fora diferente, tinha sonhos desconexos que me agoniavam um pouco, e logo esses sonhos se tornaram pesadelos agonizantes, o rosto ensangüentado de Ed ficara marcado em minha mente, eu me lamentava se não tivesse saído e tivesse ficado ninguém teria morrido; o hospital não teria pegado fogo, crianças inocentes que só queriam um lar não teriam morrido.

 Naquela manhã acordei em um pulo olhando pela janela e vendo que o sol não nascera ainda, o frio era muito grande, não conseguiria voltar a dormir nem se quisesse. Levantei-me e fui lavar o rosto, ma troquei, algumas horas depois Kaolin apareceu na cozinha me fitando com um ar preocupado, o dia realmente seria frio, pela janela percebi o céu escuro, com grandes nuvens de tempestade se aproximando do, tomamos o café da manhã. A essa altura do campeonato nós já havíamos ficado bem intimas.

 – Não vamos poder treinar. Parece que uma tempestade está chegando. – Kaolin disse olhando fixamente para o céu através da janela da cozinha. – Olha... Se não estiver preparada tudo bem; mas eu queria aproveitar esse dia chuvoso para tentar recuperar suas memórias...

– Eu adoraria tentar – Me pronunciei aquela manhã com um tom meio abalado pela noite que tive, olhando fixamente para o céu escuro. – E já está mais que na hora de eu saber a verdade, do porque aquele rei maldito está atrás de mim.

– Olha, eu não discordo que aquele rei não presta, mas uma coisa que o pajé me ensinou foi não amaldiçoar ninguém pela manhã se não seu dia não vai bom...

Ri pelo comentário que essa fez que também riu, mas logo ficou séria levantando-se de sua cadeira, arrumando as coisas e logo preparando o que iríamos usar.

 Ela preparou um chá de ervas, para que eu pudesse relaxar e começássemos. Ditei-me na cama de seu quarto.  Fechei os olhos quando ela começou a falar, eu fui levada a um tempo muito antes que eu pudesse imaginar que seria levada...

 A música calma, tocada por violinos, pianos, que em alguns minutos se tornou agitada, fazendo com que todos os convidados da festa dançassem de forma animada.

  Eu apenas os observava, esgueirada no pilar com detalhes trabalhados a ouro atrás de mim, com um sorriso de lado, enquanto bebericava o vinho tinto na taça sobre as minhas mãos frias. E observando o salão, vejo um belo jovem sorrir enquanto vinha em direção ao pilar que se encontrava a metros de mim.

   – Não parece estar se divertindo. – Disse o jovem me dirigindo à palavra com um sorriso bobo no rosto.

   – Bem, não gosto muito de festas. – Respondi dando um sorriso e tirando os cabelos vermelhos do rosto. Já que esse estava preso em um coque frouxo com o resto solto e cacheado.

   – Eu também não gosto de festas, mas minha mãe me obriga a ir nelas – Ele disse pegando a taça de vinho de minhas frias e pálidas mãos – Eu nem me apresentei, que falta de educação, meu nome é Anthony, qual o seu?

  – Meu nome é Kali.

 – Vai beber? – Ele perguntou, aleatoriamente, apontando para minha taça de vinho.

 – Não – Respondi de forma divertida; dei um sorriso e o vi beber todo o liquido da taça de vidro a colocando de volta em minhas mãos.

   – Agora tenho que ir, foi uma honra te conhecer. – Disse ele beijando as costas da mina mão direita.

    – Não seja tão formal. E também foi um grande prazer te conhecer, espero te ver em lugares que não sejam em festas chatas. – Disse tentando dar um sorriso simpático, e com possível sucesso, ele apenas correspondeu o meu sorriso com um ainda mais bonito e mais simpático que o anterior.

  Vi ele se distanciando, ele era um jovem alto, de bom porte, tinha os cabelos castanhos que iam até os ombros, mas estavam presos com um laço azul, olhos de cor verde, trajava uma roupa da corte real, um casaco longo azul, uma blusa branca de colarinho alto com um lenço da mesma cor ao redor do pescoço, uma calça preta e sapatos também pretos, era muito belo e atraente, percebi varias outras garotas no salão olharem para ele, mas eu não me atraia pela sua beleza, o que a de errado comigo, minhas irmãs já estão noivas. Meu irmão mais velho concorda em eu não querer nada, ele diz que no momento certo vou encontrar a pessoa certa, não pela aparência e sim pelo que ela é. Se eu perder meu irmão não faço ideia o que vai acontecer comigo, mas bem tenho certeza de que não vou ficar neste castelo com esse rei.

    De longe o vi tendo uma “discussão” com uma mulher mais velha; daria trinta e cinco para ela; que se parecia muito com ele; isso é ela era muito bonita; devia ser a mãe dele.

     Alguns minutos depois dessa “discussão” ele veio novamente até minha direção; se ele for me contar o que aconteceu, vão durar dez segundos na minha cabeça e vai sumir; dessa vez com um olhar triste, de cachorro abandonado, um olhar de quem foi desprezado. Parece que a coisa foi feia, mas não me importa e nem é da minha conta.

      – Droga. – ele tentou falar baixo para que eu não o escutasse, mas foi inevitável não ouvir o xingamento; se é que isso é um xingamento; ele estava muito próximo de mim; gostaria que não estivesse não quero ser obrigada a ouvir os problemas dos outros, não me importo com os ricos, eles tem tudo, por que ainda reclamam de tudo?

     – O que aconteceu? – Falei tentando parecer preocupada; foi involuntário perguntar, eu realmente não queria ter perguntado. De verdade eu tento me importar com os nobres, mas não desce.

     – Come se você se importasse. – Como ele sabe. Ele disse de forma sarcástica e seria de um jeito que me irritou muito e me subiu uma vontade de tacar um pedaço de ferro na cabeça daquele imbecil; como se estivesse errado, mas me incomodei com o jeito que ele falou, com o tom usado pra falar comigo, que estava tendo a boa vontade de ouvir os problemas desse desgraçado, como se eu não tivesse já muitos problemas pra resolver e ainda teria que ouvir e aconselhar ele; e matar essa coisa.

    – Eu me importo – Mentira– O que aconteceu? – Por que eu ainda to aqui, tanta coisa boa pra fazer, e eu to aqui me importando com esse verme?  E na verdade eu nem me importo com ele, estou cagando pra vida pessoal dele. Como disse não me importo nem um pouco com os nobres, tão pouco pra ele.

   – Minha mãe. – Ele disse, descendo as costas no pilar e sentando no chão, eu apenas sentei ao lado dele ajeitando meu vestido branco, se meu vertido sujar por causa desse imbecil eu juro que mato ele (o vestido é a única coisa que tenho da minha falecida mãe). Por um momento senti pena dele; soque não; queria falar que morrer é um jeito fácil de livrar-se dos problemas; mas não é uma coisa legal a se dizer a alguém.

   – O que ela fez? – Perguntei mais curiosa; sou a encarnação da curiosidade só pode; do que com pena, sorte, que na minha voz soou o contrario.

   – Ela disse para mi... – Nesse momento todas as velas se apagaram causando, certo medo entre os convidados, mas eu nunca tinha me sentido tão bem assim na minha vida, me senti segura.

    As grandes portas do salão se abriram revelando uma mulher de idade avançada, que aparentava uns 70 anos. Ela era iluminada pela luz da lua cheia atrás de si. Reacendeu todas as velas com um estalar de dedos.

   Ela me olhou repentinamente, com um olhar obsessivo e possessivo.

   – Eu a quero! – Disse bem alto, apontando em minha direção, com seu longo dedo de unha grande.

   –De maneira nenhuma eu darei a você minha filha! –Meu “pai” respondeu se levantando do seu trono, já desembainhando sua espada.

  – Se ela não vier comigo, jogarei uma praga no seu e nos reinos vizinhos ao seu. – Ela disse determinada com a ameaça, mas ainda sentia que ela era benigna.

   – Eu vou. – fale sem me importar, estava cansada da vida que tinha, achei que morrer nas mãos de uma bruxa pra salvar o povo que eu amo; e sim eu me importo com meu povo e faria qualquer coisa para ajudá-lo; faria-me bem.

    – Maneira nenhuma! – o jovem e meu “pai” protestaram imediatamente; olá a vida não é de vocês, e agora que eu fui perceber, eu sou uma trouxa mesmo, como não percebi isso antes, o rei não se importa mais com seu povo, por isso está um caos lá fora, o reino empobrece e o rei enriquece mais, cada vez mais rico com a desgraça do povo e com as guerras.

    – Nossa! Agora?! Isso é hora de tentar dar uma dei pai super protetor?! Você foi ausente minha vida inteira, e você só aparecia para me dar broncas e me dar sermões inúteis! E quando eu mais precisei de você onde você estava? Eu prefiro não prosseguir por haver crianças nesse salão, e elas não precisão deixar de ser crianças tão cedo como eu deixei. Você nunca se importou comigo, tive que me virar desde que me entendo por gente, sempre tomei minhas próprias decisões e agora que SEU POVO mais precisa de você vai abandoná-lo! É sua cara fazer isso, você nunca se importou com ninguém além de si mesmo! Você enriquece a custas dos outros, o povo morre e você não está nem ai com isso, enrique através de guerras e mais guerras!  Você não se importa mais nem... – Fui interrompida pelo rei; recuso-me a chamá-lo de pai, e você está se perguntando se meu irmão super protetor não vai me impedir, não ele não vai, ele me conhece e sabe que não vou mudar de idéia quanto a isso. E ele me apóia em salvar o povo que o rei renegou.

  – Você só tem 14 anos não está em posição pare me desobedecer, tanto como pai como rei! – Esperei ele falar para fazer o que eu sei fazer de melhor, desprezar os ricos, e nobres.

 – Não me interrompa! E você não é meu pai! Nunca foi nem nunca será! E eu não sigo mais nenhuma ordem sua! – Rebati com tanto desprezo por ele na voz, e comecei a encará-lo com um olhar assassino que só eu sei fazer, de uma maneira tão fria e cruel que ele recuou dois passos.

  Sai em direção a ora nas grandes portas do castelo, e surpreendentemente ele e reagiu a minha atitude.

    – Como ousa falar assim comigo, e eu como rei a proíbo de dar mais um passo sequer.

   – E você como rei deveria proteger o seu povo! E por que sacrificar todo seu povo pra salvar alguém que você odeia?! E é por isso que eu tenho nojo de você e de suas atitudes, como pode uma adolescente de 14 anos ser mais sabia e responsável com suas obrigações que o próprio rei dessa bosta que você ainda chama de reino! Um reino existe para você proteger as pessoas que vivem nele – o rebati com ódio.

 – Vá e se por algum acaso colar os pés nesse reino novamente vai ser acusada de bruxaria e será morta. E assim que passar desse portão não será mais minha filha.

  – Eu nunca fui. – falei em um tom baixa, mas ainda audível a todos do salão.

 Sai do castelo sem um pingo de remorso.  A bruxa que tarde era uma velha de 70 anos se tornou uma moça jovem com não mais que 20 a 22 anos de idade muito bela; bela, sexy, com cara da encarnação da inteligência, com beleza pra dar vende e ainda vai sobrar; e gentil.

  Ela me levou até sua casa, um pequeno chalé no meio da floresta, estava caindo os pedaços, parecia estar ali ha séculos, ela falou que aquele lugar pertencia a um casal que infelizmente morreu com a epidemia que teve no rei no há alguns anos, ela não pediu, mas mandou-me ir dormir; ela mandou de um jeito muito legal e gentil; pois no dia seguinte sairíamos cedo.

  Pela manhã pegamos dois cavalos, um era marrom bem escuro e o outro preto, colocamos nas costas dos cavalos pra depois colocar as celas.

  Estávamos a caminho de um reino que ela não me contara, mas precisávamos passar pelo meio do vilarejo para sairmos da li. O dia estava melancólico, o céu fechado com nuvens escuras e cinzentas criando vários tons de cinza. O vilarejo estava um caos, casas destruídas o povo estava morrendo com a fome, grande parte das casas estavam destruídas, as crianças estavam magras, e choravam muito, os impostos aumentavam a cada mês, senti uma tristeza apertar meu coração.  Estávamos sob grandes sobretudos, passamos por esse vilarejo sem sermos reconhecidas, e enquanto caminhávamos guiando gentilmente os cavalos com suas regias , percebi o quanto o rei não prestava, ele não valia um centavo, como ele pode deixar tudo aquilo do jeito que estava. Fui tirada de meus devaneios por uma voz suave e doce ao meu lado.

 – É por isso que escolhemos você – ela disse olhando para mim- Seu pai o rei, nunca fez nada pelos pobres, o dinheiro das guerras vão para ele ou para os de classe alta, ele e os ricos sempre desprezaram os pobre e os de classe baixa. Ele nunca teve um coração bom, depois da morte de sua esposa ele ficou ainda pior. Escolhemos você pelo seu coração, você conhece a dor, mesmo sendo criada na realeza, sempre teve garra, vontade matar, queremos que use essa vontade esse ódio para o bem.

  Eu olhei para ela com uma cara surpresa, como assim “nós escolhemos você”?

 – Me desculpe, usei o termo errado, não é “nós escolhemos você” e sim “ouvimos falar de uma filha bastarda do rei”. Sem querer te ofender nem nada ta.

  – Não ofendeu. Mas como assim “nós”?

  – Vai entender quando chegarmos.

  – Mas... Afinal, onde estamos indo?

  – Estamos indo a Camelot.

   – Certo... Mas isso é quase uma semana de caminhada, e de cavalo seriam cinco dias.

  – Não se preocupe, temos um lugar para parar durante esses dias.

 Montamos nos cavalos e começamos a cavalgar lentamente. Muito lentamente, mas era calmo então não me incomodava nem um pouco.

  Estávamos entrando em outro reino, quando dois guardas nos param, mando nos tirarmos nossos capuzes, que escondiam nossos rostos.

  – Aonde duas moças tão bonitas como vocês vão indo com tanta pressa assim? – um dos guardas perguntou; e detalhe, nós estávamos andando que nem duas tartarugas, até duas lesmas mortas iriam mais rápido do que a gente; olhando-nos com um sorriso um tanto quanto mal, se é que você me entende. – Por que não vão mais devagar, e nos contam de onde vieram e aonde vão? – Esse homem não entende que não dá pra ir mais devagar que isso?

  – Vamos a qualquer lugar que não seja da sua conta – nunca imaginei que aquela moça que falava suave poderia ser tão curta e grossa como foi... Gostei disso.

 – Olha aqui moça, você não tem permissão para entrar nesse reino, então se coloque em seu lugar, então vamos nos acalmar e conversar um pouco... O que acham? – disse o outro guarda subindo a saia do meu vestido passando a mão em minha cocha o outro guarda também começou a assediar a bruxa ao meu lado, ah, mas eu fiquei brava, mas tão brava que desembainhei a espada do guarda e o acertei bem no coração, fazendo-o cair de joelho no chão, sorte minha não ter mais ninguém em volta de nós, à bruxa; sim vou continuar a chamar ela assim até essa me contar seu nome; bem... Quebrou o pescoço do outro guarda com um estalar de dedos.

     Nós adentramos a cidade e; finalmente; lembrei-me que não perguntei o nome da bruxa.

     – Hein... – comecei a falar – Eu não perguntei qual é o seu nome.

     – Meu nome... Meu nome é Merlin. – Bruxa respondeu – E qual é o seu nome?

     – Meu nome é Kali. – Disse a Merlin; finalmente, já estava na hora.

     – Kali... “Kali”... –Em vez da voz suave de Merlin, uma voz masculina e um pouco rouca me chamando em um tom que fosse para me acordar.

      Levantei-me de uma cama hospitalar, sentei-me na beira da cama meio tonta, olhei para o lado e vi o medico que cuidava de mim naquele hospício, ele era o único que era legal comigo.

       – Sonhou com o que dessa vez? – Ele me perguntou de forma gentil. Ele era como um pai para mim e também um ótimo conselheiro. Ele era medico e psicólogo no hospício. Sim eu estou em um hospício.

      – Sonhei com uma bruxa... –Falei hesitante, com medo de ser julgada por ele, mas o conhecia e sabia que não faria. – Ela me tirava do castelo do Rei mau, que me ameaçava de morte... Ela aparentava ter setenta anos, mas logo que saímos do castelo ela se tornou uma moça muito bela e inofensiva até certo ponto. – contei a história de forma desleixada e ele... Bem ele me conhecia bem de mais pra não perceber isso. Mas não queria detalhar a história, não queria falar que parecia uma lembrança e não um sonho como qualquer outro.

    – Eu sei que não é só isso... Mas não vou lhe pressionar falar – Ele me entende tão bem que tenho medo de algo acontecer e ele me abandonar, e ele é tudo o que eu tenho, e como já disse o único pai que eu tive que realmente se importa comigo.

    – Esses “sonhos” estranhos estão cada vez mais freqüentes... – disse dando ênfase na palavra “sonhos”.  – Já é de manhã? – perguntei, pois nem de longe parecia ter amanhecido.

    – Sim, já amanheceu. E hoje você pode sair pela cidade. – ele disse mexendo dois dedos como se fossem pernas andando.

     Eu ri um pouco da cara que havia feito e falei:

     – Já é fim de maio?

      – Já é fim de junho. – Ele me respondeu com uma cara de preocupado.

     – Como me acharam? E como eu apaguei por tanto tempo? – Perguntei com uma expressão seria, já descendo da cama que era um pouco alta, ou era baixa.

     – Desde que te encontraram tentando fugir daqui no ultimo dia de abril, pelo que parece receberam informação de dentro do hospital, eles te apagaram com algum tipo de erva que eu desconheço, e foram assim esses dois meses. Eles pegaram suas armas, e os soldados do rei e o próprio rei ficou sabendo que uma garota, internada nessa casa pode ter informações valiosas para a nova guerra que irá começa para tomar o reino próximo a esse. E que essa garota tem porte de armas pesadas, e estão todas guardadas aqui, e quando eles descobriram confiscaram todas.

      – Eu estou confinada nessa merda há três anos e eles nunca vieram aqui antes. Quem poderia ter passado minha localização, E quando eles vão passar aqui? – Perguntei pegando minhas roupas para sair daquele lugar; olha ele pode ser uma ótima pessoa, pode cuidar de mim, mas eu vou fugir desse trambolho e me enfiar em algum lugar em que nunca me achem, onde eu possa ficar só, sem que transformem minha vida em um inferno, e em fim encontrar o que procuro; fui até o banheiro em meu “quarto”.

      – Eles vão passar aqui 07h00min em ponto. Para buscar as armar e... – O senti hesitar um pouco, um pouco não muito – Eles também estão atrás de você.

      – Eu sei, é claro que viriam atrás de mim. – Sussurrei a ultima parte não queria ser mal educada com ele. –  E afinal que horas são?– Perguntei sem entender muito bem o que estava acontecendo, estava perdida, de certa forma.

     – Eu sei que é meio obvio que eles viram atrás de você, e por isso é para sair daqui o mais rápido o possível, aqui. – Estava saindo do banheiro, quando ele jogou aos meus pés uma sacola de pano cheia. – Estão ai todas as armas que eles pegaram. E são... 6h25m.

    – Como conseguiu, achei que estivessem confiscadas. E como não te impediram? Mas, a questão é se eu fugir, como você fica?

   – Eles não são os seres mais cuidadosos do mundo. E não se preocupe comigo. Siga seu caminho sai do país, e não deixe que te reconheçam.

  – O que vai acontecer com você? – Perguntei preocupada com o que aconteceria com ele quando eu saísse daquele trambolho; sim vou ficar chamando essa merda de trambolho.

   – Já disse para não se importar comigo, eu vou ficar bem. Mas não pode ser reconhecida, e com essas roupas fica ainda mais suspeita do que já é. – Ele me disse, já estendendo um vestido longo e um corpete, como os que as moças nobres usavam, para eu não ser reconhecida. – Coloque isso, acho que nem eu te reconheceria se usasse isso.

   Ouvimos barulhos de portas sendo arrombadas, no final do corredor e chegando cada vez mais perto.

    – Eles não iriam vir apenas sete horas? –Perguntei sussurrando.

   – Eles chegaram mais cedo.

  – Então vamos. – Disse puxando ele pelo braço. Mas ele não se movia.

  – Ka, eu vou apenas te atrapalhar, vou ser um peso para você nessa viagem, já estou velho, não preciso sair daqui. E vai ficar tudo bem comigo. Agora vai e pega a sua roupa e as armas e vai.

  Os passos se aproximaram, Ed deu um soco forte em si mesmo, o olhei assustada.

– Por que fez isso seu louco? – Perguntei nervosa.

– Se você sair daqui, e eu estiver inteiro vão pensar que eu te ajudei e que sei sua localização. Não irá ser bem nem para mim e nem para você

Peguei minhas coisas e fui dar um abraço nele, e esse colocou um papel no meu bolso e sussurrou em meu ouvido:

  – Leia isso apenas quando for para bem longe. Prometa para mim que não vai voltar.

  – Prometo. Mas vai ter que jurar que vai ficar bem.

 – Eu juro que vou ficar bem.

    Peguei minhas coisas e sai pela janela, velha e quebrada, me virei rapidamente para dar uma ultima olhada, e sai daquele trambolho chorando.

    Se algo acontecer a ele, não vou conseguir continuar, ele é tudo que eu tenho a única pessoa nesse mundo de merda que já se importou comigo, a única família que eu tenho e estou deixando.

    Decidi ficar próxima daquele trambolho até a noite para garantir que ele ficaria bem entes de eu partir, quando o sino da igreja tocou indicando que já era meia noite, eu fico preocupada, pois os guardas não saíram de lá ainda, o que estariam fazendo até agora lá?

   Minha pergunta foi respondida mais rápido do que eu esperava. Comecei a ouvir gritos, dentre eles reconheci a voz de Ed, como de pedisse por socorro, eu me aprontei e corri até aporta do trambolho, mas antes de eu entrar, em um pulo me escondi atrás de uma parede, os guardas saíram de lá ensangüentados, o cheiro de sangue ficou extremamente forte, e eles pegaram um isqueiro e jogaram dentro do estabelecimento que por fora era de tijolos, mas por dentro era todo de madeira.

    Em segundos sai do meu esconderijo me revelando aos guardas, nem me importei, entrei correndo, alguns vieram atrás, outros foram parados pelas chamas que aumentavam pelo batente da porta de entrada. Imediatamente subi as escadas de madeira, estava tão desesperada, que dei um escorregão que me atrasou um pouco.

    Corri com os guardas atrás de mim, eu corria para o meu quarto onde foi a ultima vez que vi o Ed. Consegui felizmente despistar os guardas, entrei no quarto e encontrei Ed caído no chão, com ferimentos extremamente graves, ele sangrava muito, parecia estar assim há um tempo, corri até ele e o ergui o segurando pela nuca e pelas costas, me aproximei e ele sussurrou algo com grande dificuldade em meu ouvido:

    – Ka... Eu não mandei você ir embora... Vai e recomece... Eu sempre fui um peso para você, e me escute com muita atenção, mesmo que o mundo pareça ou esteja contra você... Não desista... Sei que se alto mutila... Que varias vezes tentou suicídio... Mas só vou falar uma única vez... – Ele aumentou o tom da voz, ficando mais autoritário, colocando um pedaço de papel em meu bolso – Não desista... Continue, não importa a situação, você sempre será minha princesinha... E sempre terá alguém que se importe com você... Mesmo quando parecer que tudo acabou; sempre terá um amanhã para você... E essa carta é para você e somente você. Leia apenas quando sair do país.

    Eu comecei a entrar em pânico, desespero, uma tristeza tão grande tomou meu ser, quando vi Ed morrer meus braços, lagrimas quentes começaram a escorrer pelo meu rosto, comecei a passar a mão pelo rosto ensangüentado dele enquanto eu o molhava com minhas lagrimas. O quarto que até então estava apenas eu, Ed e um silencio trágico e fúnebre, foi invadido pelos guardas, que quando eu m virei para trás para os olha, desembainharam suas espadas e as apontaram para mim, meus olhos já vermelhos de tanto chorar, os encararam com tanta fúria que esses recuaram três passos, senti a tristeza dar lugar para a raiva, o ódio tomou meu corpo sem mais nem menos, fazendo-me pegar a única arma que eu possuía uma adaga que guardava dentro de uma pequena bainha de couro, peguei a adaga, e em um movimento simples, mas ainda sim rápido, me abaixei e cortei funda a perna de um deles, sai correndo, eles vieram atrás de mim, mas eu sou mais rápida, vantagens de ser baixa, fui novamente por trás; essas crianças nunca aprendem que não se pode baixar a guarda, que tipo de guardas eles são; pulei no ombro de um, ganhando impulso para um salto, pulei e cortei os olhos de um deles o segando e fazendo que não me seguisse mais. Ele começou a sangrar, criando uma grande poça de sangue no chão, outro foi o socorrer, o que me deu tempo de sair dali o mais rápido possível. O fogo fazia o cheiro de sangue se intensificar. E isso nem me incomodava mais.

    Estava totalmente ensanguentada, queimada e machucada me despi e sai assim de lá suja de sangue, um pouco queimada, descalça, cortada e machucada. Escondi-me e coloquei a roupa que recebi de Ed; era um vestido preto, com um corpete também todo preto que marcava um pouco meus seios, não sou reta, mas nenhuma “Cobra”; o corpo de Ed foi queimado pela chamas do local, eu queria poder ter feito um enterro decente a ele, mas não se pode andar com um cadáver pelas ruas de Londres sendo perseguida para piorar.

    Sai caminhando descalça, pelo chão das escuras ruas de Londres, naquela fatídica noite. E me dei conta de uma coisa... Eu não tenho para onde ir, e a carta que ele me deu me tentava a abri-la ali mesmo, mas vou obedecer a seu ultimo pedido.

     Eu não tenho aonde ir... Não tenho ninguém para me aconselhar nessa jornada de merda, estou ferrada. E eu sou oficialmente órfã, sem absolutamente ninguém e com um belo mandado de busca, ou melhor, de morte. Com pena de morte, fugir e quase matar quatro guardas de ordem direta do rei, é eu definitivamente estou ferrada. E eu que não vou perder minha vida para esse rei de merda, que abandonou seu povo só para se enriquecer, pensando dessa maneira fui andando até sair da cidade, entrei em uma clareira e começou a nevar, me esqueci de que era...  Inverno?

    Um som no meio da mata me tirou de meus devaneios me deixando em alerta, quando algo saiu daquela escuridão, sendo iluminado apenas pela luz da lua, vi que era um lobo, mas um lobo bem grande. Era uma alcatéia, entrei em um local perigoso demais e não vou matar nenhum deles, por pena e só vai piorar as coisas. O alfa; aparentemente; se aproximou de mim, ele sentiu o cheiro de sangue humano, subiu os olhos vermelhos escarlates e olhou fundo nos meus... E até onde eu sei lobos não tem olhos vermelhos.

O lobo estava parado bem próximo a mim, olhando fundo em meus olhos. Seus olhos vermelhos escarlates me fitavam com apreço, não curiosos, mas sim com fúria, muita fúria, ele tentava me passar medo com o olhar, pareciam amaldiçoar o dia em que nasci.

   Ele me circulava como urubu atrás de carniça, farejando todo o meu corpo, observando o sangue que ainda escorria pela minha pele suada. Ele possuía pelagem branca, cinza e um pouco preta, criando um degrade muito belo e os olhos escarlates, esse possuía uma cicatriz no olho esquerdo, deixando-o branco com tons bem leves de vermelho. O focinho longo como o de uma raposa, presas longas, esse ameaçava com rosnados, apresentando-me suas presas amareladas, era perceptível ver de que acabara de se alimentar, parte de suas patas estavam cobertas por sangue.

 Olha de verdade eu amo lobos, mas esses não estão para brincadeira. Lobos podem se alimentar, mas sempre tem espaço para mais. E acredito que esse “mais” seja eu, e não quero virar sobremesa de cachorro.

Tentei afastar-me lentamente, eles acabaram de comer, se eu não apresentar ser inimiga eles me deixariam partir sem problemas, eu acho.

 O meu plano evidentemente falhou, então, sai correndo. Um grande erro quando se está em meio a vários lobos não satisfeitos.

O que logo a pouco me olhava, me parou; pouco depois quatro lobos me cercaram, impedindo minha passagem.

Eles rosnavam para mim, tentando me amedrontar, igual a uma presa ferida. Não queria ferir nenhum, além do mais só pioraria a situação que me prendia. Mas que outra escolha eu tinha? Acredito que aquele ditado seja verdade agora “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.” estou praticamente nessa situação, só que no plural.

 O que fiz foi bem simples, eu me sentei no chão. Eles me olharam indignados com o ato, no momento parecia boa idéia. O ruim é que havia caçadores por essa região. Então fazendo exatamente um minuto que me encostei ao solo abaixo de mim, eu cai, e foi bem em um buraco, fundo para me fazer feliz.

Eu estava presa em um buraco, os lobos me olharam vitoriosos. Parece que não iam me matar por fome, e sim por eu ter invadido o território deles. Eu acho. Talvez estivessem procurando um lugar maior para ficar, e estão apenas de passagem.

Bem, naquele momento isso não me importou muito. Estava exausta, precisava dormir. Sentei-me no terreno seco cheio de terra e raízes, não me importei por estar suja.

 Encostei minha cabeça nas paredes de terra, e não demorou em que o sono tomasse meu corpo casando.

– Kali. Que nome belo, sua mãe que o escolheu? – Merlin me perguntou calmamente subindo em seu cavalo.

– Foi...

Disse olhando a paisagem ao meu redor. As muitas árvores e montanhas enfeitavam o local onde nos encontrávamos.

Meu sonho foi interrompido por um barulho de queda, abri lentamente meus olhos e me deparei com uma mulher de cabelos longos e negros, pele morena provavelmente era descendente de alguma tribo, essa mulher trajava um vestido branco, e por cima um corpete preto definindo suas curvas e seios medianos, diria que ela tem 1,67m de altura, tinha um brinco de pena azul e verde que atravessava a parte de cima da orelha direita na horizontal, usava um batom vermelho vivo e bem chamativo, sapatos de cor preta.

A mulher desconhecida veio em minha direção abaixando e estendendo um cantil de água, eu aceitei e dei um gole na água gelada, e devolvi para a moça que o fechou logo me estendendo a mão para eu me levantar.

Olhei para cima e vi, já era de manhã. O tempo passou tão rápido assim?

Saímos do buraco, e pelo que pude perceber os lobos tinham saído, olhei fixamente para mulher a minha frente.

 – O que aconteceu com você para ficar desse jeito? – Perguntou a moça de voz doce e suave, surpreendentemente não me viu como inimiga.

Olhei para mim mesma, vendo os machucados e lembrando-me do que aconteceu na noite anterior, não pude evitar, deixei cair sorrateiramente uma lagrima pelo meu rosto, que foi rapidamente secada.

– Eu também gostaria de entender... – Falei de modo sereno ainda que em um tom triste.

– Eu posso te ajudar a entender o que aconteceu. Se os guardas do rei estão atrás de você. Talvez o seu passado seja a chave para você entender.

– Eu não me lembro de nada do meu passado. E como sabe que os guardas do rei estão atrás de mim? – Indaguei meio sonsa. – Mas... Eu posso realmente confiar em você? Eu nunca te vi na minha vida.

– Pode confiar em mim. Eu não vou te entregar ao rei, ele também está me procurando. Venha comigo, vou cuidar de você.

Eu não neguei ajuda, estava ferida, suja, com fome e sem ter onde ficar, e, além disso, ela parecia ser gentil, “inofensiva”.

Entramos na mata e em outra clareira pequena tinha um pequeno chalé, puis-me a entrar no local. A mulher pediu para que eu tirasse as roupas sujas, fosse tomar um banho que essa me daria roupas novas.

 E assim fiz, tirei minhas roupas sujas, tomei um banho tirando todo o sangue que cobria o meu corpo. Vesti as roupas novas que a moça me deu. Uma sai branca, blusa preta e espartilho também preto.

 Ela pediu para que eu me sentasse e esperasse que essa estiva preparando algo para comermos. Eu não tinha reparado na casa quando entrei então dei uma boa olhada no lugar, casa feita de madeira e pedra, uma sala não muito grande, portas de madeira de pinheiro que davam para dois quartos e uma cozinha. Eu notei também ter um quadro não muito grande na parede esquerda da sala, não consegui definir direito o que era, mas... Pareciam flores?

– Um dia você vai saber o que é aquele desenho. – A voz gentil da moça quebrou o silêncio do local. – To.

A moça estendeu um prato com sopa e eu o peguei.

– Obrigada. Eu nem perguntei seu nome.

– Meu nome é Kaolin. E o seu?

– Meu nome é Kali... – Simplesmente não sabia o que falar – Muito obrigada. Se não for incomodo, e ...  Por que os guardas do rei estão atrás de você?

– Pelo mesmo motivo que você. Pessoas como nós que queremos o bem de todos e nos impomos contra as regras de um rei que vive a custa do seu povo, que não aceita essa injustiça com todos. – Ela disse isso de uma maneira esperançosa.

– Eu não consigo me lembrar de nada do meu passado, e o rei quer minha cabeça por causa dele.

– Do que se lembra? – Ela me perguntou curiosa, ela parece não saber de muito, mas eu aprendi do jeito difícil que nós nunca podemos subestimar ninguém – Talvez possamos fazer você se lembrar aos poucos.

– Apenas do meu segundo ano na casa psiquiátrica de Londres.

– Quantos anos você ficou no hospital psiquiátrico? – Ela perguntou com uma cara um tanto quanto surpresa por uma menina como eu estar internada em hospital psiquiátrico.

– Seis.

– Quantos anos você tem? – Ela perguntou com um tom preocupado.

– Dezesseis. E pelo que eles dizem, eu passei seis anos da minha vida em um hospital psiquiátrico, com suposta chances de ter um caso muito grave de esquizofrenia. – Disse tomando a sopa morna.

– E você tem esquizofrenia? – Ela me perguntou com um tom de que possivelmente me mantiveram em cativeiro por conta do meu passado, que no caso eu sou completamente inocente por não saber.

– Não. Acho que é por causa da medicação. – Disse lembrando-me dos medicamentos que tomava.

– Como eram os remédios que tomava? – Ela perguntou. Ela vai realmente me ajudar, quem sabe até me ajudar a lembrar do meu passado.

– Eles eram separados, eu tomava seis por dia. Os dois de manhã eram pequenos e cilíndricos de cor branca com um cheiro de ervas doninhas. Os dois à tarde eram grandes e redondos de cor meio rosada, tinha cheiro de algum tipo de erva... Só não me lembro qual. E os dois à noite eram médios e redondos com um tom laranja. – Falei em um tom e uma cara infantil fazendo a moça rir, mas ainda assim manter um semblante preocupado em sua face, com o que acabei de falar.

 – Bem... Pela sua descrição não eram remédios para esquizofrenia. Os da manhã eram para grandes esforços físicos, era como uma droga que aumentava a adrenalina servia para você estar sempre disposta a fazer tudo e não terem problemas já que isso retardava sua capacidade mental, o da tarde era como um anestésico relaxaria sua mente, deixando-a com uma vulnerabilidade maior, propensa a esquecer as coisas com mais facilidade. Provavelmente quando você entrou lá, eles trataram você apenas com isso, apagando suas memórias e diminuindo a dose com o passar dos anos. E o da parte da noite era para evitar danos consideráveis perante aos outros medicamentos como uma overdose pela quantidade que você tomava. – Ela disse isso apenas com as descrições que dei impressionando a mim, eu não disse que nós não podemos subestimar os outros e eu aprendi do jeito difícil tive que perder o Ed para saber que subestimar alguém é um passaporte grátis para a desgraça.

Então quer dizer que ao invés de me ajudarem eles estavam me drogando... Deve ser por isso que o Ed se sentiu tão culpado aquele dia... Mas isso já é outra história.

– E todas aquelas armas que estava carregando? São suas?

– Ed me mandou eu levá-las. Bem... Acho que sim, mas não me lembro de telas, as moças falavam que eu carregava aquelas armas antes de entrar no hospital...

– Dentre “suas” armas, você tem uma katana?

– Sim, por quê?

– Quero treinar você. E vou ensinar direito.

– Certo. – Concordei com o que ela planejava, eu queria treinar, mas sem um sensei seria muito difícil. – Quando começamos?

– Amanhã bem cedo.

Passou à tarde e a noite, do dia em que ela me encontrara logo no dia seguinte como já estava acostumada a me levantar cedo, acordo vesti e fui para a cozinha me deparando com Kaolin na cozinha preparando o café da manhã.

– Bom dia – Ela disse de forma alegre e com um sorriso muito alegre no rosto, que ate levantou meu animo.

Olhei pela janela e vi o céu limpo, e logo me lembrei que antes de ontem eu podia jurar e apostar meu pé que estava nevando.

– Hein... Antes de ontem não estava nevando?

– Nevando? Você bateu a cabeça muito, mais muito forte mesmo, em uma viga de aço, querida antes de ontem e ontem não nevou, mas Maximo que aconteceu foi uma leve garoa, mas nevar, nevar não nevou não. – Ela falou de uma forma muito engraçada.

– Mas eu podia jurar e apostar meu pé esquerdo, que estava nevando.

– Bem. Você com certeza absoluta perderia seu pé, porque não nevou, você deve ter confundido com as cinzas de uma casa na cidade que pegou fogo. – Ela disse de insensível, mas ela não tem culpa ela não sabe o que realmente aconteceu.

Bem, ela deve ter percebido que eu estava envolvida no incêndio e que ela pode ter associado o incêndio no hospital psiquiátrico Becknham, minha fuga, os ferimentos e o fato de que provavelmente eu fiz uma expressão chateada quando ela falou daquele jeito do incidente de duas noites atrás.

– Me desculpe. – Ela disse baixo olhando para o chão –  Bem vamos tomar café e ir começar o seu treinamento que temos muito o que fazer hoje.

   Assenti e fui tomar o café, ficamos conversando um pouco e ela queria tentar uma coisa para recuperar minhas lembranças. Quando terminamos fui lavar a louça suja, e ela agradeceu.

Dias vão, dias vem e nada de recuperar as memórias. Mas uma noite fora diferente, tinha sonhos desconexos que me agoniavam um pouco, e logo esses sonhos se tornaram pesadelos agonizantes, o rosto ensangüentado de Ed ficara marcado em minha mente, eu me lamentava se não tivesse saído e tivesse ficado ninguém teria morrido; o hospital não teria pegado fogo, crianças inocentes que só queriam um lar não teriam morrido.

 Naquela manhã acordei em um pulo olhando pela janela e vendo que o sol não nascera ainda, o frio era muito grande, não conseguiria voltar a dormir nem se quisesse. Levantei-me e fui lavar o rosto, ma troquei, algumas horas depois Kaolin apareceu na cozinha me fitando com um ar preocupado, o dia realmente seria frio, pela janela percebi o céu escuro, com grandes nuvens de tempestade se aproximando do, tomamos o café da manhã. A essa altura do campeonato nós já havíamos ficado bem intimas.

 – Não vamos poder treinar. Parece que uma tempestade está chegando. – Kaolin disse olhando fixamente para o céu através da janela da cozinha. – Olha... Se não estiver preparada tudo bem; mas eu queria aproveitar esse dia chuvoso para tentar recuperar suas memórias...

– Eu adoraria tentar – Me pronunciei aquela manhã com um tom meio abalado pela noite que tive, olhando fixamente para o céu escuro. – E já está mais que na hora de eu saber a verdade, do porque aquele rei maldito está atrás de mim.

– Olha, eu não discordo que aquele rei não presta, mas uma coisa que o pajé me ensinou foi não amaldiçoar ninguém pela manhã se não seu dia não vai bom...

Ri pelo comentário que essa fez que também riu, mas logo ficou séria levantando-se de sua cadeira, arrumando as coisas e logo preparando o que iríamos usar.

 Ela preparou um chá de ervas, para que eu pudesse relaxar e começássemos. Ditei-me na cama de seu quarto.  Fechei os olhos quando ela começou a falar, eu fui levada a um tempo muito antes que eu pudesse imaginar que seria levada...


Notas Finais


Agradeço a todas as pessoas que leram a minha historinha até agora. :)


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