História Para Sempre - Jikook - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, V
Tags Bangtan Boys (bts), Hoseok, Jikook, Jimin, Jungkook, Kokmin, Minkook, Seokjin, Taehyung, Yaoi
Visualizações 98
Palavras 2.677
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 14 - Capitulo 14.


Fanfic / Fanfiction Para Sempre - Jikook - Capítulo 14 - Capitulo 14.

A festa já acabara havia muito tempo, todos os convidados já tinham ido embora, quando, deitado em minha cama, fiquei pensando em Jisoo, no que ela dissera sobre Suga estar preso por aqui, em como eu era culpado por isso. Sempre achei que meu irmão já tivesse seguido em frente e viesse me visitar por vontade própria. Porque, tipo assim, não sou eu quem o convido para vir me ver: é ele que aparece, quando bem entende. E quando não está comigo... bem, provavelmente fica batendo perna em algum lugar do Céu. Sei que Jisoo só está querendo ajudar, como uma espécie de irmã mais velha mediúnica, mas o que ela não percebe é que não quero ser ajudado; que mesmo que eu deseje voltar a ser um garoto normal e levar a vida que eu levava antes, compreendo também que tudo isso faz parte de meu castigo. Esse dom terrível é o que mereço por todo o mal que causei, pelas vidas que interrompi. Agora só me resta aceitar isso — e fazer o possível para não prejudicar mais ninguém.

Quando, enfim, caí no sono, sonhei com Jungkook. Um sonho tão forte, tão intenso e tão movimentado que parecia real. De manhã, no entanto, só restavam fragmentos desse sonho, imagens fugidias, sem pé nem cabeça. A única lembrança clara era de nós dois correndo por um vale gelado, varrido pelo vento — na direção de algo que eu não podia ver muito bem.

— Que deu em você hoje? Por que tanto mau humor? — pergunta Suga, empoleirado na beira de minha cama, vestindo uma fantasia de Zorro. 

— O Halloween já acabou sabia? — digo, olhando para o chicote que ele bate contra o chão.

— Dã. — Suga faz uma careta e continua a açoitar o carpete. — Gostei da fantasia, e daí? Acho que vou me vestir assim todos os dias.

Diante do espelho, coloco os dois pequenos brincos que sempre uso e arrumo meus cabelos.

— Não acredito que você vai continuar se vestindo assim — observa Suga, torcendo o nariz de desgosto. — Achei que tivesse descolado um namorado. — Ele larga o chicote, pega meu iPod e começa a bisbilhotar quais músicas estão gravadas.

Olho para trás, perguntando-me o que exatamente ele tinha visto.

— Alô-ou? Na festa? Na piscina? Ou será que você estava só ficando?

Arregalo os olhos, mais vermelho que um tomate.

— O que você sabe sobre ficar, garoto? Só tem doze anos! E que história é essa de me espionar?

Ele revira os olhos e diz:

— Me poupe, vai. Como se eu fosse perder meu tempo espionando você quando tenho coisa muito melhor pra ver. Pra sua informação, apenas cheguei na piscina exatamente na hora em que você estava empurrando a língua pra dentro da garganta do Kookie. Preferia mil vezes não ter visto aquilo, pode acreditar.

Balanço a cabeça e abro a gaveta da cômoda, — Kookie? — transferindo minha irritação com Suga para os moletons lá dentro.

— Bem, sinto muito decepcioná-lo, mas o cara não é meu namorado porcaria nenhuma. Nem falei com ele desde... — digo, odiando os embrulhos que sinto no estômago. Depois, pego um moletom cinza e visto pela cabeça.

— Posso espioná-lo se você quiser. Ou assombrá-lo! — Ele ri.

Olho para Suga e exalo um suspiro. A ideia até que não é má; por outro lado, sei que preciso tocar minha vida adiante, virar a página e esquecer tudo o que aconteceu.

— Fica fora dessa história, tá bom? — digo por fim. — Se você não se importa, prefiro ter uma experiência normal no colégio.

— É você quem sabe. — Ele sacode os ombros e deixa o iPod de lado. — Mas, pra seu governo, Jackson está disponível de novo.

Recolho minha pilha de livros e outros objetos e coloco na mochila, surpreso por não me sentir nem um pouco melhor com a novidade.

— É verdade. O Mark deu um toco nele na noite de Halloween, ao pegar o cara dando uns amassos num coelhinho da Playboy. Só que não era um coelhinho de verdade, era Kunpimook Bhuwakul fantasiado.

— Sério? Está brincando! E como é que voce conseguiu pronunciar isso?

Tento visualizar Bhuwakul fantasiado de coelhinho da Playboy, mas não faz sentido.

— Palavra de honra. Infelizmente, também tem se comportado como outra pessoa. Agora é um.. aish entende? — sussurra Suga. — Desses que dão mole pra todo mundo. — E volta a chicotear o chão.

Levo um tempo para assimilar toda essa bizarrice.

— Sabe, é muito feio isso que você está fazendo, essa mania de bisbilhotar a vida das pessoas — digo, mais preocupado com uma possível espionagem da minha própria vida do que com a dos meus amigos. — É muita falta de educação, você não acha? — Jogo a mochila nas costas e sigo para a porta do quarto.

Suga ri e diz:

— Não seja ridículo. É ótimo ficar em dia com o pessoal de nossa antiga vizinhança.

— Você vem comigo ou não? — pergunto, impaciente.

— Vou. E quem chegar por último é mulher do padre! — ele exclama. Sem pensar duas vezes, dispara rumo à escada e desce escorregando pelo corrimão, a capa preta de Zorro esvoaçando.

Quando chego à casa de Tae, ele já está esperando do lado de fora, dedilhando o teclado do telefone.

— Só... mais... um... segundo... e... pronto! — Tão logo entra no carro, vira-se para mim e diz: — Pode ir soltando a língua. Quero saber de tudo! Do início ao fim. Todos os detalhes sórdidos, não me esconda nada.

— Do que você está falando? — Arranco com o carro e lanço um olhar de advertência na direção de Suga, agora sobre o colo de Taehyung, soprando no rosto dele e rindo ao vê-lo tentando ajustar o quebra-vento da janela.

Tae vira-se para mim, balançando a cabeça:

— Alô-ou? Do Jungkook, é claro! Ouvi dizer que vocês dois se atracaram à beira da piscina, cenas de pegação explícita sob a luz do luar, beijos tórridos, mãos pra todo lado e...

— Não viaja, garoto. — Mesmo já sabendo do que se trata, digo isso, louco para dar fim a esse tormento.

— Olhe, a notícia já se espalhou por aí, portanto nem adianta negar. Eu ia ligar pra você ontem, mas papai confiscou meu telefone e me arrastou pro campo de beisebol, só pra me ver rebatendo como uma garota! — Tae ri. — Você perdeu o espetáculo! Desmunhequei o máximo que pude, ele ficou hor-ro-ri-za-do. Pra ver se o mala me deixa em paz! Mas, voltando a você. O confessionário começa agora. Desembuche. — Sacudindo a cabeça num gesto de impaciência, ele acrescenta: — Foi a maravilha que todos nós imaginamos?

Dou de ombros e mais uma vez olho de relance para Suga, mandando que ele fique quieto ou desapareça.

— Sinto muito desapontá-lo — digo finalmente. — Mas não rolou nada.

— Não foi isso que me contaram. A Hyorin disse que...

Sei muito bem o que a Hyorin disse, portanto não preciso que alguém repita em voz alta.

— Tudo bem, a gente se beijou — vou logo dizendo. — Mas só uma vez. — Mesmo sem olhar, posso ver a expressão de desconfiança no rosto dele, o risinho de malícia que desponta nos lábios. — Ou duas, sei lá. Não estava contando — resmungo, e minhas bochechas começam a arder, as mãos ficam ensopadas de suor, nem sei direito pra onde olhar. Fico torcendo pra que Tae não perceba nada. Porque repassei o tal beijo tantas vezes na cabeça que ele ficou tatuado em meu cérebro.

— E... — ele diz, ávido por mais detalhes.

— E... nada — digo, aliviado ao ver que Suga já se mandou.

— Ele não ligou? Não mandou um e-mail? Um torpedo? Não voltou à sua casa? — Tae engole em seco, visivelmente transtornado, já imaginando o que isso pode significar não só para mim, mas também para o futuro de nosso grupinho.

Balanço a cabeça e mantenho os olhos fixos no trânsito, irritado comigo mesmo por não ser capaz de lidar melhor com tudo isso, odiando o nó que sinto na garganta, as lágrimas que ameaçam brotar a qualquer instante.

— Mas o que foi que ele disse antes de ir embora? Quais foram as últimas palavras dele? — pergunta Tae, determinado a encontrar alguma faísca de esperança diante da abominável realidade dos fatos.

Dobrando uma esquina, relembro nossa estranha e repentina despedida à porta. Em seguida, olho para Tae, engulo em seco e digo:

— Ele tirou a pluma do meu cabelo e pediu pra guardar de lembrança.

Só agora me dou conta de um mau sinal: ninguém leva um suvenir de um lugar ao qual pretende voltar muitas vezes.

Sequer preciso ler o que Tae está pensando. Seus olhos já dizem tudo.

— Pode falar — eu digo, balançando a cabeça enquanto estaciono.

Apesar da decisão irrevogável de não pensar mais em Jungkook, confesso que estou um tanto decepcionado ao chegar à aula de inglês e constatar que ele ainda não está na sala. Isso, claro, faz com que eu pense nele mais ainda e, segundos depois, já estou à beira da obsessão.

Quer dizer, para mim, nosso beijo foi algo bem mais sólido e transcendental que um amasso de dois ficantes, mas isso não significa que ele pense da mesma forma. Só porque vi estrelas e ouvi sininhos não quer dizer que ele tenha visto e ouvido também. Afinal, por mais que eu tente, não consigo apagar da memória a imagem dele e esse tal Hoseok juntos em minha casa, um perfeito Conde Fersen com sua idílica Antonieta. E eu ali, no banco de reservas, emperiquitado como um perfeito idiota.

Estou prestes a ligar o iPod quando Lee e Jungkook irrompem na porta, rindo e tagarelando, dois botões de rosa branca na mão dele. Ele o acompanha até a carteira e caminha em minha direção.

Imediatamente começo a remexer em meus papéis, fingindo que não estou vendo.

— E aí? — ele diz, e acomoda-se na carteira a meu lado. Como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse dado em cima de mim e fugido às pressas menos de 48 horas antes.

Deixo a cabeça cair numa das mãos e forço um bocejo, como se estivesse entediado ou exausto depois de inúmeras atividades interessantes, passando as páginas de um caderno com dedos tão trêmulos que deixo meu lápis cair.

Depois de me abaixar para pegá-lo, dou de cara com uma tulipa vermelha sobre o tampo da carteira.

— Que foi? Suas rosas brancas acabaram? — pergunto, e começo a revirar livros e cadernos como se tivesse algo muito importante a fazer.

— Jamais daria a você uma rosa branca — ele diz, os olhos buscando os meus.

Mas não olho de volta. De jeito nenhum vou participar desse joguinho sádico. Apenas pego minha mochila e finjo estar procurando algo dentro. E mentalmente solto um palavrão quando vejo que ela está recheada de tulipas vermelhas.

— Pra você, só tulipas — diz Jungkook, sorrindo. — Só tulipas vermelhas.

— Ah, que ótimo pra mim — resmungo. Jogo a mochila no chão e escorrego para a extremidade oposta da cadeira, o mais longe possível dele. Não faço a menor ideia do que tudo isso possa significar.

Hora do almoço. Fico uma pilha de nervos só de pensar que daqui a pouco posso me encontrar novamente com Jungkook. E com Lee; embora não tenhamos nos falado desde a noite de sábado, aposto que ele ainda quer me ver pelas costas. E quando chego à nossa mesa, apesar de todo o discurso que reparei durante a aula de química, fico completamente sem palavras ao deparar com ele.

— Ora, ora, quem vem lá... — Hyorin diz, olhando para mim.

Sento-me no banco ao lado de Tae, mas ele sequer nota minha presença, tão ocupado que está com seus torpedos. Fico pensando se já não é hora de procurar novos amigos. Não que alguém vá me aceitar, claro.

— Eu estava dizendo ao Tae — continua Hyorin — que vocês mandaram muito mal de não terem ido pra Nocturne com a gente. Mas ele insiste em me ignorar. — Ela faz uma careta na direção dele.

— Porque fui obrigado a ouvir você tagarelar durante toda a aula de história! Depois você continuou falando, falando, falando, e acabei chegando atrasado à aula de espanhol. — Ele balança a cabeça e segue digitando no telefone.

— Você está com ciúmes só porque perdeu a balada — retruca Hyorin, indiferente. Depois olha para mim e tenta se corrigir: — Não que sua festa não estivesse boa, porque estava, claro. Boa pra caramba. Só que... minha praia é outra, entende? Quer dizer... você sabe do que estou falando, não sabe?

Limpo minha maçã na manga do moletom, nem um pouco disposto a ouvir sobre essa tal de Nocturne, sobre a praia dela, muito menos sobre Hoseok. E quando enfim levanto o rosto, levo um baita susto ao reparar que Hyorin trocou as lentes de contato amarelas por novas, agora verdes.

Um tom de verde tão familiar que me deixou arrepiado.

Um verde que só pode ser descrito como... verde-Hoseok.

— Você devia ter visto! Tinha uma fila enorme na entrada, mas, assim que viram a Hoseok, deixaram a gente passar na frente de todo mundo. E ninguém teve de pagar! Nem pra entrar nem por nada! Uma noite inteira de boca-livre! Tem mais: acabei dormindo no quarto dele. Hoseok está hospedado no St. Regis, numa suíte maravilhosa, mas só até encontrar um apê definitivo. Ah!, você tinha de ver...Vista pro mar, jacuzzi, minibar hiperabastecido, o diabo a quatro! — Hyorin fica olhando para mim com seus novos olhos verde-esmeralda, esperando por um entusiasmo que simplesmente não sou capaz de sentir.

Aproveito a oportunidade para examinar melhor o aspecto dela. O rimel agora está mais suave, e a sombra, mais esfumada; o habitual batom vermelho-sangue foi substituído por outro, mais próximo do rosa; até os cabelos, esticados a ferro desde que a conheço, agora estão mais leves e ondulados. Quanto às roupas, o gótico de sempre deu lugar a um vestidinho de seda. 

— Como está sua relação com Jungkook?  — Hyorin pergunta para mim, como se eu tivesse a obrigação de responder.

Dou uma mordida na maçã e faço que não sei.

— Que foi? Achei que vocês estivessem de rolo, não estão? — ela insiste.

Mas, antes que eu possa responder, Tae levanta o rosto do telefone e lança na direção dela aquele olhar cuja tradução poderia ser: Cuidado, campo minado!

Hyorin passa os olhos por mim e por Tae, suspira e diz:

— Tudo bem, tudo bem. De qualquer modo, Jimin, eu queria que você soubesse de uma coisa. Não estou mais bolada com essa história do Jungkook, tá? Desculpe se andei meio estranha com você nesses últimos dias. Já passou. Sério. — Ela sorri e oferece o dedo mindinho para selar nossa paz.

Meio sem jeito, ofereço o meu também e, assim que entrelaçamos os dedos, entro em sintonia com a energia dela, espantado ao ver que Hyorin realmente está sendo sincera.

Quer dizer, dois dias atrás ela me via como o inimigo número 1, mas agora, mesmo sem motivo aparente, tudo voltou ao normal.

— Hyorin... — De início fico na dúvida se devo seguir em frente, mas depois penso: Ah, que se dane, não tenho nada a perder.

Ela olha para mim, sorrindo e esperando.

— É que... Bem, quando vocês estavam lá... na Nocturne... por acaso... vocês não... viram o Jungkook? — Paro e espero, Tae me fulminando com o olhar, e Hyorin me encarando, visivelmente confusa. — É que ele foi embora lá de casa pouco depois que vocês saíram... então pensei que...

Hyorin faz que não com a cabeça.

— Não, não vi o cara — diz, e limpa o glacê dos lábios com a ponta da íngua.

Mesmo sabendo que não devo, escolho esse momento para dar uma olhada geral nas mesas espalhadas pelo pátio, como sempre organizadas num rigoroso sistema de castas.

Obedecendo à hierarquia alfabética, vou da mesa Z (nossa própria, a da minoria) à mesa A (dos VIP’s), morrendo de medo de encontrar Jungkook e Lee por lá, trocando beijos num leito de rosas brancas ou fazendo algo ainda pior.

Mas tudo está tranquilo, todos nas mesmas atividades de sempre. Nenhuma flor brotando do nada, pelo menos por hoje.

Só porque Jungkook não está lá.



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