História Pax - Capítulo 1


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Categorias Once Upon a Time, Pax
Personagens David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Henry Mills, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Pax, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Vovó (Granny), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emmaswan, Henrymills, Reginamills
Visualizações 138
Palavras 3.471
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bom, essa ideia eu tive ao ler o livro Pax e será totalmente utilizada o contexto dela. Recomendo que todos leiam Pax de Sara Pennypacker, é aquele livro que te da mais vida e alegria.
A historia é totalmente Swanqueen.

Capítulo 1 - Pax 01


O barulho do carro fazia Henry ficar com o estômago enjoado cada vez mais e, Pax estava olhando para a janela como sempre fazia quando ia passear, mas aquele não era um simples passeio. O garoto se sentia a pessoa mais traíra do mundo, olhando para o banco da frente Henry podia ver o pai feliz demais com aquela decisão tomada.

Os olhos de Henry começaram a lacrimejar mesmo lutando com força para não se deixar levar. Deveria ser um bebezão por esta chorando, mas tudo tinha dado errado de uns dias para cá. Só queria esta em casa com sua raposa e sua mãe, não queria ter que deixar os dois para trás como estava fazendo.

- Henry, não precisa chorar, Pax é um bom bicho de estimação, ele é forte e sabe se virar - Seu pai falou do banco dá frente.

- Você sabe que isso é mentira, ele é uma raposa domesticada, mal deve saber se limpar sozinho.

A dor que Henry sentiu ao ouvir as palavras de seu pai foi como um soco no estômago. Ele iria deixar Pax, seu melhor amigo para trás, e iria para uma casa nova durante seis meses, além de ter que deixar sua raposa na beira da estrada não muito movimentada. Única coisa negociável foi o local em que Pax deveria ser deixado e esse era a rodovia que ficaria não muito distante da sua casa e da casa que iria morar, o local também não era movimentado, como Pax nunca aprendeu a sobreviver em uma rua movimentada o lugar era tecnicamente seguro para uma raposa.

Pax saiu da janela e veio em direção ao menino, podia sentir as lágrimas salgadas no rosto do garoto, podia sentir a tristeza, mas não conseguia entender onde estava o motivo. A raposa rodeou o menino com o nariz como sempre fazia quando ele voltava para casa, não havia sangue e nenhum hematoma. Henry estava bem, não estava ferido e isso significava que iria ficar bem para Pax.

- Aqui - Henry sussurrou entregando o pedaço de maçã que estava escondido em seu bolso para a raposa, mas ela já sabia que o menino carregava consigo o pedaço da maçã, um pote da manteiga de amendoim e seu saco de ração. Podia sentir o cheiro das coisas favoritas do menino na mala, Pax até ponderou se deveria abrir a mala para o menino se sentir melhor com o cheiro das coisas que sempre o fazia melhorarem.

Pax comeu a maçã no mesmo momento em que Henry colocou na frente de seu focinho.

- Eu vou voltar para você, então tente não ir muito longe - Henry sussurrou para a raposa. As palavras ditas não faziam sentido para o animal, mas ele resolveu ficar quieto e lamber a mão do menino - Eu volto, apenas espere por mim Pax.

Quando o carro freou avisando que estavam no local de destino, Pax ficou animado, ele adorava passear, seu garoto sempre o levava para correr. 

Robin abriu a porta de trás do carro e encarou o filho abraçado com a raposa, com o rosto escondido na pelagem vermelha do animal, permanecia chorando e Pax ainda não sabia o porquê, não importava, estava ali para proteger o garoto.

- Henry, sua tia está te esperando, sabe que não tenho muito tempo para voltar - Robin falou pegando o Pax do colo do menino - É só uma raposa, você sabia que uma hora iriamos ter que devolvê-lo para a natureza.

Com Pax no colo de seu pai, Henry podia ver que a raposa não gostava nada dele, Pax mordiscava a mão do pai que estava em volta do seu corpo o segurando distante do menino, não era aquela mordida que machucava, mas alertava que a raposa não queria que Robin o tocasse, sempre foi assim.

Quando Robin colocou a raposa no chão e Henry veio logo atrás com o pote da manteiga de amendoim e o saco de ração, Pax correu para longe do homem e se aproximou do menino.

- Aqui tem comida Pax - Henry falou ajeitando enquanto seu pai o encarava - São apenas seis meses - Mentiu Henry, ele iria voltar antes, iria pegar Pax de volta.

A raposa nem percebeu que algo estava errado quando seu brinquedo favorito foi arremessado longe, Henry sempre jogava o soldadinho de plástico para ele buscar, era um ótimo truque como Henry mesmo dizia. Pax diferente das outras vezes demorou um pouco mais para achar o soldadinho, o local tinha tantos cheiros, mas aquele soldado tinha cheiro do seu menino e aquele cheiro Pax encontraria em qualquer lugar.

Quando finalmente voltou ao local onde Henry estaria esperando pode constar que o menino não estava mais ali, assim como o pai e o carro não estavam, desesperado Pax desejava que seu menino estivesse em algum lugar por ali, aquela nova brincadeira não estava sendo nada divertida para ele. Pax sentiu o cheiro do menino próximo à árvore e correu aliviado, mas era apenas um pano ao lado da comida que o garoto tinha deixado. Henry tinha o abandonado.

 

 

 

 

Sem ficar muito tempo para o filho tentar se acostumar à casa da tia, Robin precisou ir. Regina estava no quarto com Henry, os dois não sabiam o que falar sobre isso. Ela já tinha o alimentado, falado sobre como as coisas iriam funcionar e de como estava feliz por Henry ficar esse tempo ao seu lado.

Ao passar o olho pelo local, Henry pode constatar que aquele quarto tinha sido da sua mãe, podia ver o tom hortelã claro que Zelena sempre gostava e, ao olhar de baixo da cama Henry achou uma caixa para surpresa da Regina, ela tinha limpado o quarto da irmã e não se lembrava de ter deixado nada ali. Henry sabia do esconderijo, pois a mãe sempre contava em suas historias divertidas.

- Ela me contou que escondia os bens mais preciosos aqui - Henry deu de ombros ao colocar em cima da cama a caixa como se fosse à coisa mais valiosa e de fato era.

Regina suspirou, estava sendo difícil demais para a morena. Ao passar o olho pelo quarto ela podia se lembrar da irmã a convidando para dormir juntas para as noites de pijamas e também as brigas. Ela podia sentir tudo ao passar o olho pelo quarto, Zelena era uma ótima irmã, mãe, filha e mulher. Regina sentia que nunca chegaria aos pés da irmã, sabia que talvez não fosse a melhor pessoa para ficar com o filho da irmã por alguns meses.

- Henry - Regina falou pegando a cadeira e sentando de frente para o menino- Eu não imagino o quanto deve está sendo difícil para você, mas eu tentarei fazer de tudo para ajudá-lo.

Henry fez que sim com a cabeça tirando os olhos da caixa da mãe.

- Aqui você tem um computador, mandei colocar ontem para você e seus trabalhos escolares - Regina sorriu para o garoto- Aqui tem um celular caso precise falar comigo - Regina entregou o aparelho para o menino.

Henry olhou para aquilo com os olhos arregalados, ali estava o mal da tia Regina, como sua mãe sempre dizia. Zelena era contra algumas tecnologias para Henry por conta da idade e da sua forma que tinha escolhido viver, ela era apaixonada pela natureza e as coisas que proviam dela, uma das maiores brigas que Henry se lembrava da mãe era por conta disso. Henry se lembrou de um aniversario que convidaram ele para ir, Zelena ficou indignada quando Robin o levou para festa e deixou o menino comer tudo que não deveria.

- Eu não quero - Henry negou o presente voltando a olhar para caixa, estava com tanto medo de abrir. Ele fez o certo em negar o celular, sua mãe nunca o deixaria ao menos perto daquela porcaria.

Regina suspirou e apoiou a mão em sua própria coxa, sabia que seria difícil para os dois, mas não tanto assim.

- Henry, isso não é negociável - Regina falou fazendo o menino encara-la assustado, ela nunca tinha ditado regras para o garoto e para uma primeira vez estava se saindo muito bem - Esse celular não é para brincadeiras ou jogos e sim para comunicação, algo que vamos precisar enquanto você ficar aqui e eu trabalhar fora.  

Henry deu de ombros novamente.

- Minha mãe nunca aprovaria isso - Henry falou pegando o aparelho e colocando ao lado da caixa.

- Escute, Zelena era minha irmã e eu sei que ela não aprovaria nada disso, mas tem coisas que são necessárias - Regina falou chamando a atenção do menino- Podemos trocar por um modelo mais simples, para que seja de fato somente para nossa comunicação, mas por enquanto quero que você ande com ele, só até se adaptar. 

Henry no fundo sabia que só ficaria com celular até ela ir dormir, ele não ficaria um minuto se quer sem Pax, ele iria atrás de sua raposa, já tinha traçado um plano e estava tudo pronto para isso.

- Tudo bem – Sussurrou fingindo que realmente estava querendo se adaptar ao lugar, coisa que o menino achou que nunca aconteceria com ele. A casa da tia era a mesma casa que sua mãe cresceu, mas não era sua casa de fato. Zelena tinha se mudado assim que pode para o mais longe da sociedade, ela acreditava que não existia nada mais maléfico que o próprio ser humano, acreditava que o dinheiro e os bens de valores estragavam as pessoas e de fato estava meio correta, no fundo Henry sempre soube que sua mãe tentou o proteger o máximo de tudo que poderia lhe causar mal.

- Eu encontrei algo hoje – Regina falou colocando a mão ao bolso e tirando uma fotográfica velha- Estava nas coisas da sua mãe e acho que você deveria ficar com ela.

A foto estava velha, Henry podia ser o cheiro da poeira que existiu ali antes de sua tia maníaca por limpeza retirar com muito cuidado para não danificar a mesma. Ali estava sua mãe mais nova, podia ver as sardas e o cabelo ruivo chamar a atenção, ao seu lado estava um cachorro e sua tia ao lado, Regina era bem mais nova que a mãe, mas podia ver que era muito mais semelhante à tia do que a mãe.

- Você tem os olhos dela.

- Obrigado pela foto e tudo que comprou para mim – Henry falou encarando a foto.

- Por nada, Henry esse cachorro da foto se chamava Lola, sua mãe a resgatou bem filhote – Regina falou passando o dedo na foto, quando Henry percebeu que a tia estava próxima, o menino afastou assustado- Elas eram inseparáveis.

Ele e Pax deveriam ser assim, sua mãe nunca o perdoaria se deixasse um animal abandonado em uma rodovia qualquer. Henry ponderou se contava para tia sobre a raposa, mas se contasse e as coisas descem errado, ela saberia onde o encontrar e isso era muito ruim para seu plano.

- Legal – Respondeu sem animo- Eu acho que vou dormir.

Regina percebeu que o menino não queria muito contato e suspirou um pouco aliviada por isso.

- Certo, a escola fica a duas quadras daqui, pensei que poderia ir a pé como todos os meninos fazem e se não for do seu agrado o ônibus para na esquina – Regina apontou a direção pela janela aberta- Fique bem e durma bem, sabe onde é meu quarto certo?

O menino fez que sim ansioso para que a tia fosse logo dormir, assim que ela finalmente se afastou fechando a porta para dar privacidade ao menino, Henry abriu a caixa, ali estava algumas coisas que a mãe contou que tinha guardado com tesouro, ele estava com o tesouro e teria que esconde-lo em um novo lugar.

Henry sentiu suas emoções agitarem. Durante todo o dia, por todo o percurso até ali, a ansiedade vinha se revolvendo, se enroscando dentro dele como uma cobra, só esperando o momento certo para dar o bote. Henry podia ouvir algo em sua cabeça dizer: Você não deveria estar aqui. Alguma coisa ruim ira acontecer, porquê você não esta onde deveria.

Um coiote uivou tão perto que fez Henry pular de susto e se lembrar de algo ruim. Quando tinha cerca de cinco anos, Henry encontrou sua mãe ao lado de um canteiro de tulipas vermelhas, triste. Metade das tulipas estava intacta, mas a outra metade estava no chão.

“Foi um coelho. Deve achar os talos uma delicia, o diabinho.”

Quando anoiteceu, Henry e o pai montaram umas armadilhas para pegar o coelho. No inicio Henry achou que as armadilhas machucaria o coelho, mas o pai garantiu que nunca faria isso com o coelho convencendo o mesmo de colar. Quando o alarme soou cedo, Henry correu até o quarto da mãe, ele próprio queria leva-la para ver a surpresa.

A armadilha estava caída de lado no fundo de um buraco recém- aberto na terra, com pelo menos um metro e meio de largura. Dentro, um filhote de coelho, morto. Não havia nenhuma marca no corpinho dele, mas a gaiola tinha marcas de mordidas, e todo o solo em volta fora arranhando.

“Coiotes”, disse Robin tentando se aproximar do filho “Devem ter tentado entrar e acabaram matando o bichinho de medo.”.

Zelena abriu a armadilha, pegou o corpinho sem vida e o levou á bochecha.

“Eram apenas tulipas. Só algumas tulipas.”

Henry encontrou a cenoura com a ponta mordida e a jogou o mais longe que conseguiu. Em seguida, a mãe colocou o filhotinho em suas mãos e foi buscar uma pá. Com o dedo, Henry traçou o contorno das orelhas do bichinho, que se abriram como uma folha de samambaia, e as patas, tão minúsculas, e o pelo macio do pescoço, molhado das lagrimas da mãe.

 Quando Zelena voltou, ela tocou o rosto de Henry, que ardia de vergonha.

“Esta tudo bem. Você não sabia”.

Mas não estava tudo bem. Depois disso, ele passou um bom tempo vendo coiotes toda vez que fechava os olhos.

A lembrança fez a serpente da ansiedade atacar com tanta força que o menino ficou sem fôlego. Tanto na noite em que os coiotes mataram o coelho quando agora, Henry não estava onde deveria estar. 

Abandonar Pax não era o certo a ser feito.

Henry já tinha perdido muito tempo. Pegou da mala uma calça cargo, uma camiseta de manga comprida e um suéter de lã, além de algumas meias e cuecas. Amarrou o suéter na cintura e colocou o restante na mochila. Um canivete no bolço da calça. Carteira. Hesitou por um minuto, decidindo entre qual tênis levaria, escolheu o tênis all star que sua mãe tinha lhe dado.

Com o celular, Henry traçou o melhor caminho que pode com o mapa, mesmo sua mãe sendo contra tecnologia, seu pai não era. Robin ensinou o filho varias vezes a traçar o mapa para viagens simples com o carro escondido de sua mãe. Henry aproveitou o momento para pegar seu saco de dormir e alguns mantimentos de forma delicada para sua tia não acorda com o barulho, aproveitou o momento para deixar um bilhete em cima da mesa: Pensei em conhecer a escola antes dos alunos chegaram e por isso fui mais cedo. Obrigado por tudo”.

Henry observou o quarto uma ultima vez. Seu olhar se demorou na bola e na luva de beisebol, até, enfim, ir até lá e enfiar ambas na mochila. Não pesava muito.

 Chegando a beirada da janela, Henry poderia se lembrar de como sua mãe contava que fazia para sair escondido de sua avó e assim fez, poderia imaginar a mãe fazendo o mesmo para encontrar o filho da vizinha ou até mesmo seu pai.

 

Não procurar uma lanterna foi o primeiro erro de Henry para a viagem até a raposa. Após iluminar o caminho por cerca de duas horas, a lua mergulhou atrás de densas nuvens. Já estava longe o suficiente da casa da tia, poderia achar algum lugar no mato para finalmente pode descansar. O pé estava cheio de bolhas já e logo iria amanhecer.

Pensou em Pax, onde ele estaria dormindo naquele momento? Estava molhado? Estava com medo? E a fome será que já tinha batido?

- Estou chegando – Disse Henry em voz alta- Aguente firme.

Henry resolveu antes de continuar comer algo, pegou as passa e comeu uma de cada vez, tomou pequenos goles de agua entre uma e outra. Comeu mais lentamente que consegui-o. Henry se levantou, estava na hora de continuar sua busca por Pax. O chão do local era esponjoso e cheirava a turfa, o menino teve que ir pelo meio do mato para sua tia ou ninguém o ver e acabar o pegando nessa fuga. Ele se segurou em um galho para içar o corpo da poça. Mas era tarde demais, já sentia a agua gelada do terreno pantanoso entrando em seu tênis. No entanto ao voltar para a área mais alta do terreno, ele cometeu outro erro, bem mais grave.

Prendeu o pé direito de em algumas raízes e caiu. Pode sentir a dor que uma pontada o proporcionou. Henry decidiu ficar ali alguns minutos se preparando para levantar e finalmente ir em diante, mas na verdade estava se segurando para não gritar de dor. Quando finalmente tomou coragem para prosseguir notou que não conseguia andar.

 Ali parado sem conseguir andar Henry percebeu uma cabana, mais parecia um celeiro na verdade. Com ajuda de um galho o garoto se levantou e começou a pular até o mesmo.

Com muito cuidado para não fazer barulho, Henry consegui-o entrar no celeiro e se estabilizar em algum lugar escondido para conseguir chegar ao menos de manha para ir atrás de sua raposa, talvez o pé só precisasse desse tempo para pode voltar ao normal.

Ao fechar os olhos Henry se perguntou como tinha chegado até ali, lembrou-se do exercício que a psicóloga passou para treinar pensar em coisas positivas. Ele precisou ir cerca de sete meses depois da perda da mãe.

A psicóloga, uma mulher de olhos gentis e uma comprida trança grisalha, disse que não tinha problema, não tinha problema algum pensar em coisas negativas, mas que ele deveria achar pensamentos bons para balancear um pouco os sentimentos que tinha.

“Deve ter sido difícil para você. Um dia qualquer, sua mãe ir para o hospital e nunca mais voltar”.

Henry nunca respondia, mas se lembrava da sensação de exatidão que aquelas palavras despertavam nele, a mesma sensação que durava àquela hora de sessão, como se finalmente estivesse no lugar certo e não houvesse mais nada certo que bater aqueles carrinhos e ouvir que deveria ter sido difícil para ele.

Até que, um dia, a psicóloga disse outra coisa.

“Henry, você sente raiva?”

“Não”. Respondeu sendo sincero. “Nunca”

Naquele dia Henry foi embora para casa sozinho, seu pai tinha lhe esquecido de buscar. A pergunta ficou em sua cabeça “Henry, você sente raiva?”. Na hora de responder Henry tinha certeza que não, mas durante o caminho a certeza já tinha ficado para trás. Sua mãe poderia ter ido ao medico e feito o que fosse o necessário para ficar viva, abdicar das quimioterapias era o mesmo de abdicar de ver Henry crescer. De certa forma, Henry sentia raiva, só não sabia do que ainda.

Quando chegou a casa o pai estava bebendo, Henry se lembrar de dizer que nuca mais voltaria aquele lugar. O pai não discutiu. Na verdade, pareceu ficar aliviado com a noticia.

Mas as perguntas que assombravam a noite era “Será que a psicóloga gentil sabia que desde o início que ele tinha ficado com raiva naquele ultimo dia de vida da mãe? Que tinha feito uma coisa horrível? Que a mãe não o levou junto para o hospital como punição? Será que ela o culpava pelo o que tinha acontecido?”

Meses depois, Henry conheceu Pax, graças a uma raposa que encontrou atropelada na beira da estrada. Fazia pouco tempo que vira o caixão da mãe sendo baixado, e ele sentiu que precisava fazer o mesmo com o corpo do animal. Foi procurar um bom lugar para isso quando encontrou a toca, com mais três filhotes, os corpos já enrijecidos e frios, e uma bolinha de pelo cinza ainda quente respirando. Era Pax. Henry o colocou no bolso do casaco e levou para casa.

“Vou ficar com ele”, Avisou Henry.

“Tudo bem, tudo bem”, respondeu o pai. “Pode ficar por um tempo”

O filhote passou a noite toda choramingando. Ao ouvir aquilo, Henry pensou que, se pudesse ir de novo á psicóloga de olhos gentis, ficaria batendo os carrinhos de brinquedo dia e noite, sem parar, para sempre. Não por raiva. Só para que todos vissem.

Pensar em Pax e sem seus melhores momentos fez com que Henry adormecesse de forma bem rápida naquele celeiro. 


Notas Finais


Bom, no proximo cap teremos Emma Swan e um pouco de interação SwanQueen <3 Espero que gostem.


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