História Reason Why - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Shadowhunters
Personagens Personagens Originais, Raphael Santiago, Simon Lewis
Tags Saphael
Visualizações 24
Palavras 2.108
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Estou pensando seriamente em troca o nome desse episódio por Um Litro de Lágrimas
Leo: Ainda mais pq vamos ter todo trabalho de acertar o ep

Capítulo 14 - Fita 7 Lado A (13 Reason Why)


Fanfic / Fanfiction Reason Why - Capítulo 14 - Fita 7 Lado A (13 Reason Why)

Eu… eu não… eu não tenho mais nenhuma condição de continuar ouvindo isso.

Não depois de saber que antes de morrer, Simon sofreu a pior forma de violência que pode existir.

Não depois de ouvir com todas as letras que ele foi abusado.

Não sabendo que amanhã, eu vou dar de cara com Bryan Miller, e que vou sentir uma vontade tão louca de matar ele.

Não só bater. Matar. Vê-lo morto.

Só Deus sabe o tamanho da minha raiva agora.

Raiva de Simon ter passado por tudo isso sozinho. E por ter feito essas fitas, que são uma verdadeira tortura.

Raiva de cada pessoa que não teve o mínimo de decência com ele!

E raiva de mim, por não ter percebido há tempo que havia alguma coisa errada com ele. Por não ter tido mais coragem.

Por mim agora, eu queimava essas fitas, e deixaria que tudo fosse exposto. Todos veriam que o Bryan não passa de um estuprador- Não que todos já não saibam disso, mas pelo menos ele seria exposto pra polícia.

Todos veriam que Courteney Kristen não passa de uma falsa. Que Gab Lane não passa de uma insegura que não sabe valorizar a porra de uma amizade. Que Mark Reynond e James Parker não passam de mentirosos. E que Tyler Laos não passa de um puta Stalker. Que Henry Asher não é tão legal assim e  que não sabe receber um Não.

Todos veriam o lado mais pobre e sombrio dessas pessoas. Isso seria justiça para morte de Simon.

Mas todos também veriam o quanto eu fui fraco naquela noite.

Isso não importa agora.

Ainda tem uma fita.  A última fita.

O último lado dessa história. Uma última pessoa que fez algo pro Simon. Ou deixou de fazer alguma coisa por ele.

A última vez que eu vou ouvir a voz dele.

A última pessoa que fez ou não fez algo a ele.

Eu vou ouvi-lo. Por uma última vez.

Mas não aqui.

Me levanto do sofá, com os miados de protesto de Presidente Miau.

Vou em direção ao único lugar que poderia me oferecer o mínimo de estrutura para esse momento.

O Jardim.

Sentando embaixo da grande árvore que tinha ali, eu respiro fundo e enxugo as lágrimas, mesmo sabendo que elas vão cair de novo.


Uma… última… tentativa.

Ele está sussurrando. O gravador está bem pertinho de sua boca e, a cada intervalo entre suas palavras, posso ouvir sua respiração.

Estou dando mais uma chance à vida. E, desta vez, vou buscar ajuda. Vou pedir ajuda, porque não consigo fazer isso sozinho.

Eu já tentei.

Não tentou, Simon. Eu estava ali, por você, e você me mandou embora.

É claro que, se estivesse escutando isso, eu fracassei. Ou ele fracassou. E, se ele fracassou, o negócio está fechado.

Só resta uma pessoa entre vocês e está coleção de fitas: o sr. Potter.

Não! Ele não pode ficar sabendo disso.

O sr Potter é nosso professor, meu e de Simon. Eu o vejo todos os dias. Não quero que ele saiba nada sobre isso. Meter um adulto nessa história, uma pessoa do colégio, vai além do que eu imaginava.

Sr. Potter, vejamos como o senhor se sai.

Um som de zíper abrindo. Um barulho como se ele estivesse guardando alguma coisa. Simon está quadrado o gravador dentro de algum lugar. A mochila? O casaco?

Ele bate na porta.

Bate novamente.

-Simon! Fico feliz que tenha vindo.

A voz abafada, mas é ele. Sério, mas amável.

-Entre. Sente-se aqui.

Obrigado.

Nosso professor, mas também o orientador dos alunos com sobrenome de G a N. O orientador de Simon.

- Você está acomodando? Quer um copo de água?

Estou bem. Obrigado

- Então, Simon, em que posso ajudar? Sobre o que você gostaria de conversar?

Bem, isso… não sei, na verdade. Simplesmente sobre tudo, eu acho.

- Isso pode demorar um pouco.

Uma pausa longa. Longa demais.

É só que… as coisas… tudo está tão difícil neste momento.

Sua voz treme.

Não sei por onde começar. Quer dizer, até que sei. Mas é tanta coisa, e eu não sei como resumir tudo.

- Você não precisa resumir tudo. Por que não começamos por como você está se sentindo hoje?

Nesse exato momento?

- Nesse exato momento.

Neste exato momento, me sinto perdido, eu acho. Meio vazio.

- Vazio como?

Simplesmente vazio. Simplesmente nada. Não me importo mais.

-Com o que?

Faça ele contar. Continue fazendo perguntas, mas faça ele contar.

Com tudo. Com a escola. Comigo mesmo. Com as pessoas da minha escola.

-E com seus amigos?

O senhor terá que definir o que são amigos se quiser uma resposta para essa pergunta.

-Não me diga que não tem amigos, Simon. Eu vejo você pelos corredores.

É sério, eu preciso de uma definição. Como a gente sabe o que é um amigo?

-Alguém com quem você pode contar, quando…

Então, eu não tenho nenhum. É por isso que estou aqui, não é? Estou contando com o senhor.

-Sim. Você está. E fico contente que esteja aqui, Simon.

O senhor não sabe como foi difícil marcar essa reunião.

- Minha agenda estava razoavelmente tranquila está semana.

Não difícil de agendar. Difícil de chegar até aqui.

-Mais uma vez, estou contente que esteja aqui, Simon. Então, me diga, quando você sair dessa sala, de que maneira gostaria de as coisas fossem diferentes?

O senhor está querendo saber como pode me ajudar?

-Sim.

Acho que… eu não sei. Não sei ao certo o que esperar.

-Bem, o que você precisa, neste exato momento, que não está conseguindo ter? Vamos começar por isso.

Preciso que a coisa pare.

-O que precisa parar?

Preciso que tudo pare. As pessoas. A vida.

Recuo na árvore.

-Simon, você tem noção do que acaba de dizer?

Ele tem noção, sr Potter. Ele quer que o senhor repare no que ele disse e o ajude.

-Você disse que quer que a vida pare, Simon. A sua vida?

Nenhuma resposta.

-É isso que você queria dizer, Simon? São palavras muito sérias, você percebe?

Ele sabe todas as palavras que saem da boca dele, sr Potter. Ele sabe que são palavras sérias. Faça alguma coisa!

Eu sei. São mesmo. Sinto muito.

Não peça desculpas. Converse com ele!

Eu não quero que minha vida acabe. Por isso que estou aqui.

- Então, o que aconteceu, Simon? Como foi que nós chegamos a esse ponto?

Nós? Ou como foi que eu cheguei a esse ponto?

-Você, Simon. Como foi que você chegou a esse ponto? Sei que não dá pra resumir tudo. É um efeito bola de neve, estou certo? Uma coisa em cima da outra. Coisa demais, não?

É difícil de mais.

-A vida?

Outra pausa.

Espalmo a mão na base do tronco da árvore. Machuca, mas não tanto quanto ouvir isso.

-Pegue isso aqui. Uma caixa intera de lenços, só pra você. Nunca foi usada.

Uma risada. Ele conseguiu fazer ele rir!

Obrigada.

-Vamos conversar sobre a escola, Simon. Para que eu possa ter uma idéia de como você chegou a esse ponto.

Tá.

-Quando você pensa na escola, qual é a primeira coisa que lhe vem a cabeça? O que ela representa pra você?

Um lugar. Apenas um lugar onde cheio de pessoas com quem eu sou obrigado a conviver.

-E isso é difícil pra você?

Às vezes. Com certas pessoas mas também com... todo mundo.

-Você pode ser mais específico?

Olho para o topo da árvore, a lua está brilhando de forma muito linda essa noite.

É difícil porque eu não sei quem vai… o senhor sabe… ser o próximo a me pegar. Ou como vai acontecer.

-O que você quer dizer com “pegar”?

É difícil explicar. Só faz sentido se o senhor tiver ouvido alguns boatos a meu respeito.

- Eu não ouvi. Os professores, especialmente um professor que tem o cargo de orientador, tendem a ficar fora das fofocas dos alunos. Não que a gente não tenha nossas próprias fofocas.

A seu respeito?

O sr Potter ri.

-Depende. O que você ouviu?

Nada. Estou brincando.

-Mas você vai me contar se ouvir alguma coisa.

Eu prometo.

Não faça piadas, sr Potter. Ajude-o. Volte para Simon. Por favor.

-Quando foi a última vez que um boato… surgiu?

É assim mesmo. Nem todos são boatos.

-Certo.

Não. Escute…

Por favor, escute.

Uns anos atrás, eu fui eleito… senhor sabe, em uma dessas enquetes. Bem, não foi realmente uma enquete, mas alguém que teve a estúpida idéia de fazer uma lista. Uma coisa tipo “melhores e piores”

Ele não respondeu. Será que ele viu a lista? Será que sabe do que ele.esta falando?

E as pessoas têm reagido aquela lista desde aquela época.

-Quando foi a última vez?

Ouço ele tirar um lenço de papel da caixa.

Recentemente. Numa festa. Eu juro que foi a pior noite da minha vida.

-Por causa de um boato?

Muito mais que um boato. Mas, em parte, sim, por causa de um boato.

-Posso saber o que aconteceu nessa festa?

Não foi exatamente nessa festa. Foi depois.

-Nessa festa que você citou, estamos falando de um garoto?

Sim.

Ele soltou um suspiro profundo.

-Não vou julgá-lo, Simon, mas você fez alguma coisa, nessa noite, da qual você se arrepende?

Só o fato de eu ter aparecido lá já é um arrependimento.

-Aconteceu alguma coisa com essa garoto- e você pode ser totalmente sincero- que poderia ser considerado ilegal?

Pode ser chamado assim, eu acho.

-Álcool?

Não da minha parte, pelo menos.

-Drogas?

Eu não sei. Eu já disse. Foi depois da festa.

-Alguém fez alguma coisa com você, Simon? Algo que não foi consentido?

Silêncio. Simon não respondeu, mas acho que ficou subentendido o que aconteceu.

-Você está pensando em dar queixa na polícia?

Não. Eu… não.

Solto todo o ar dos pulmões. Teria sido tão melhor se você tivesse denunciado tudo deis de o começo.

-Então, quais são suas opções?

Não sei.

Fale pra ele, sr Potter. Fale pra ele quais são as opções que ele pode ter.

-O que podemos fazer pra te ajudar, Simon? Juntos.

Nada. Já passou.

-Bem, se você não quer dar queixa, você tem duas opções.

Quais? Quais são?

Ele parece ter alguma esperança. Está depositando esperança demais nas respostas dele.

-Uma delas é confronta-lo. Podemos chamá-lo aqui, para discutir o que aconteceu nessa festa. Posso chamar vocês dois fora da…

O senhor disse que havia duas opções.

-A segunda, sem querer ser insensível, Simon, é seguir em frente.

O senhor quer dizer, não fazer nada?

-É uma opção, e é disso que estamos falando. Veja bem, uma coisa aconteceu, Simon. Eu acredito em você. Mas se não quer dar queixa e não quer enfrentá-lo, você precisa considerar a possibilidade de seguir em frente, deixando isso pra trás.

E se isso não for uma possibilidade? E aí, como fica? Porque adivinhe uma coisa, sr Potter: ele não fará isso.

Deixar isso pra trás?

-Ele é da sua turma, Simon?

Está no último ano.

-Então, vão embora no ano que vem.

O senhor quer que deixe isso pra trás.

Não é uma pergunta, sr Potter. Não interprete assim. Ele está pensando em voz alta. Não é uma opção, porque ele não vai fazer isso. Diga a ele que o senhor vai ajudar.

Um barulho de coisas roçando umas nas outras

Obrigado, sr Potter.

Não!

-Simon. Espere. Não precisa ir embora.

Reprimindo o grito na minha garganta, eu me levanto do chão.

Não!

Acho que é isso.

Não deixe ele sair!

Já consegui o que buscava.

-Acho que temos mais coisas para conversar, Simon.

Não, acho que já destrinchamos tudo. Preciso seguir em frente e deixar isso pra lá.

-Não é deixar pra lá, Simon. Só que às vezes não resta nada a fazer a não ser seguir em frente.

Não deixe ele sair! Não deixe ele sair dessa sala!

O senhor está certo. Eu sei.

-Simon, não entendo por que você está com tanta de ir embora.

Porque preciso levar as coisas em frente, sr Potter. Se nada vai mudar então é melhor eu levar tudo em frente, certo?

-Simon, do que você está falando?

Estou falando da minha vida, sr Potter?

Uma porta se abre.

-Simon, espere.

Uma porta se fecha. O zíper se abre.

Passos. Passos ganhando velocidade.

Estou descendo o corredor.

A porta dele está fechada atrás de mim. Ela permanece fechada.

Sua voz está clara. Mais alta.

Uma pausa.

Ele não vem.

Me apoio na árvore. Pressiono minha cabeça com força contra o tronco. Minhas têmporas estão latejando, mas eu não tocou nelas. Não esfrego. Deixo doer.

Ele está me deixando ir embora.

Acho que me expressei com muita clareza, mas ninguém deu um passo para me impedir.

Quem, Simon? Sua família? Eu? Você não foi muito claro comigo.

Muitos de vocês se importam comigo, mas ninguém se importou o suficiente. E isso… isso é o que eu precisava descobrir.

Mas eu não sabia o que você estava passando, Simon.

Eu descobri.

Os passos continuam. Mais rápidos. Como as minhas lágrimas escorrendo pelos olhos agora.

E eu sinto muito.

Esse é o fim da fita 13.

Não tenho mais nada a dizer.7

Num estalo, o gravador é desligado.

Com a cabeça contra a árvore, eu sigo a chorar. Eu acho que os vizinhos podem me ouvir. Mas Foda-se, eu não consigo acreditar que acabo de ouvir as últimas palavras de Simon Lewis, as últimas de toda a minha vida.

“Não tenho mais nada a dizer”. Quanta ironia. Você não tinha mais nada a dizer e se calou para sempre.

Alguns não sentiram vontade de dizer “Eu sinto muito”. Alguns ficaram com raiva de Simon, por ele ter se matado e colocado a culpa em todo mundo.

Eu teria ajudado, se ele tivesse deixado. Eu teria ajudado porque queria ele vivo.

Com esse pensamentos e lágrimas nos olhos, eu vejo o mundo ficar escuro.


Notas Finais


Deu trabalho
Mas é o penúltimo

Tchau e bom dia
Boa tarde/noite/madrugada pra quem tem insônia


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