História Reflexos - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anti-suicidio, Depressão, Depressões, Luz, Motivacional, Psicologia, Psicológico, Sadfic, Suícidio, Tóxica, Tóxico, Trevas, Winter Challenge
Visualizações 8
Palavras 1.760
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Violência
Avisos: Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bom dia, boa tarde, boa noite e boa madrugada!

One-Shot criada especialmente para o Winter Challenge. Você pode ver as outras one-shots desse desafio no meu perfil, caso queira, mas não é necessário a leitura destas para o entendimento desta one.

POR FAVOR, não a leia caso os temas suicídio e depressão lhe deixem desconfortável. Há menção direta disto, assim como violência doméstica. Não é nada grave, não se preocupem, mas estão avisados!

Caso tais temas não lhe incomodem, fique a vontade para ler! E sim, foi por causa disto que eu coloquei "+12". Boa leitura, espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo Único - Reflexos


Ele não entendia como as coisas haviam tomado aquele rumo. Algum tempo atrás, tudo era tão diferente!

A começar, ele conseguia ver a cor do mundo. O vermelho da maçã, o verde da grama, o preto no céu, o roxo, o azul e o verde da galáxia, e, é claro, o colorido dentro de cada pessoa. Agora, tudo isso virou um conjunto de lembranças velhas e dolorosas, servindo apenas para lembra-lo de que tudo o que enxergava era o preto e branco.

Também havia as “coisas de dentro”. Depois de certo tempo enxergando apenas o preto e branco, e, consequentemente, não vendo mais as cores que o deixavam feliz, ele começou a se cansar. Havia feito de tudo: Pediu conselhos a uma velha colega sua, fez magias para enxergar, criou mais de três máquinas funcionais e aptas a verem todas as trilhões de cores existentes e estudou sobre o tema, mas de nada adiantava: Aparentemente, nenhuma coisa possível lhe daria a capacidade de enxergar e sentir a felicidade.

Assim sendo, começou a parar de fazer suas caminhadas pelo mundo, pois não se sentia mais à vontade. Seus dias se resumiram as suas atividades, que não eram muitas, e conversar com sua irmã. Ela era a única que lhe fazia se sentir bem no meio daquele pesadelo, mas nem sempre ela podia estar com ele: Tinha um trabalho extremamente importante, e, por causa disto, era obrigada a viajar de quando em quando.

Foi aí que ele começou a se sentir para baixo. Começou com a dor de cabeça pequena que ele simplesmente ignorava. Haviam coisas piores a se preocupar. Mas, aos poucos, aquilo começou a piorar. Agora seu pescoço também doía, assim como as orelhas, os olhos, a boca, o nariz... Tudo lhe era muito incômodo.

Então, para não piorar tudo, ele começou a ficar cada vez mais trancado em seus inúmeros aposentos, apenas fazendo o seu trabalho. Parou de sair, e, inclusive, aquela velha colega que eu mencionei alguns parágrafos atrás começou a se preocupar. Ela vez pequenos encontros, aonde bebiam chá, conversavam e observavam o belíssimo céu. Mas aquilo havia perdido o encanto, e, assim, ele parou de ir em tais encontros.

Sua irmã, novamente, era sua única luz. Ela o salvava daquele inferno e o fazia companhia diariamente, deixando-o mais alegre, mesmo que fosse por apenas alguns segundos ao dia. Tais ações eram as únicas que o encantavam, e, assim, eram o suficiente para mantê-lo vivo e bem por alguns dias.

As coisas foram piorando. E ele não se importava mais, pois tinha a irmã do seu lado. Entretanto, no que chamaríamos de “agora”, ela estava viajando pela primeira vez em anos. E céus, aquilo o torturava. Ficar sem ela o estava matando de dentro para fora, e, feito um louco, notando que ela demorava cada vez mais para voltar, ele mesmo fora buscá-la.

Ele parou depois de três dias, pois não aguentava: Quando colocava seus inúmeros pés e braços para fora de seus aposentos, uma sensação terrível atingia seu núcleo, colocando-o para baixo. Era como uma explosão de coisas ruins tão forte que até mesmo o ar se afastava, deixando-o sem conseguir respirar. Os mortais chamariam aquilo de “ataque de pânico”, mas tal palavra parecia fraca demais para descrever a sensação.

Duas semanas haviam se passado depois daquilo. E sua velha colega o chamara para conversar. E, como um desesperado, ele fora em tal “encontro” apenas para descobrir que ele poderia morrer se continuasse daquele jeito. Ele não queria morrer, mas a única forma de evitar isto era fazendo algo aterrorizante e perturbador.

Teria que fazer uma “conversa interna”. E antes que você venha rir, saiba de algo: Uma “conversa interna” era uma forma de magia muito poderosa para acessar o próprio subconsciente. Era algo perigoso, arriscado e muito ruim, pois todos os demônios internos estavam lá, prontos para atacá-lo. Não era recomendado ter uma “conversa interna”, mas aquilo era uma emergência. Portanto, ele fizera tal coisa.

Estava em seu quarto principal. Tudo que teve que fazer foi fechar os olhos e desejar.

XxX

Ele estava caindo no meio do vazio. Não havia estrelas no céu ou grama no chão: Era tudo oco e feito de trevas. Quando atingiu o chão, segurou-se para não gritar: Havia atingido a água mais horrivelmente gelada e escura que o possível era capaz de fazer. Céus, fora horrível! Mas ele era forte, e, assim, arrastou-se pelo vazio.

O chão parecia atingir ângulos estranhos, e, durante a caminhada, ele pudera jurar que o céu e o piso haviam trocado de lugar. Mas o vazio continuava a mesma coisa, e, depois de mais cinco minutos, ele parou. Encarou o alto e gritou a plenos pulmões:

“POR QUÊ?!”

Nada foi-se dito até que, exatos vinte e nove segundos depois, um grito fora escutado. Ele sentiu seu corpo ficar arrepiado e imediatamente começou a correr na direção do som.

Pela primeira vez em anos, ele vira uma luz dentro daquela escuridão. Piscou os olhos, impressionado, e estendeu as mãos enquanto corria. Bateu o rosto numa portinhola pequena e apertada demais para o seu corpo poder entrar, mas a abriu de qualquer jeito.

Dentro da salinha, havia uma menina encostada na parede, chorando, enquanto uma mulher muito mais velha segurava um pedaço de madeira. Na frente daquela adulta, havia um moço corpulento e de mau-olhar, esfregando as mãos uma na outra.

“Não machuque minha filha!”, dissera. “Eu estou cansada de você! Nós estamos cansadas! Saia da nossa casa!”

O homem nada disse. Apenas se aproximou e soltou um rugido animalesco enquanto seus dentes ficavam anormalmente afiados assim como as unhas de suas mãos e pés. A mulher e a menina gritaram, mas continuaram em suas respectivas posições.
O telespectador fechou os olhos e chorou, pois não podia fazer nada para impedir aquilo. As coisas simplesmente aconteciam, e tudo o que ele fazia era pegar a negatividade e afastá-la das pessoas, assim, talvez, apenas talvez, elas não iriam até a ruína. E, quando os abriu, teve vontade de chorar: A mulher estava caída no chão, enquanto as garras do homem sangravam.

A menininha chorou, desesperada, chamando pela mãe. Ele podia sentir que a vida dela estava lentamente sumindo, assim como toda uma história, lembranças, sentimentos, esperanças e sonhos. E tudo o que ele podia fazer era testemunhar aquilo, como num filme muito ruim em que se chora do começo até o final.

O homem rugiu novamente, e ele sentiu, lá no fundo de sua alma entristecida, que a menininha não iria sobreviver. E céus, o que aconteceu a seguir fora um rumo extremamente inesperado de eventos, pois, lá no fundo, uma voz lhe dizia “chega, eu não quero mais isto”.

Ele também rugiu e atravessou a porta, ignorando os arranhões e a eventual dor que sentira ao passar por um espaço tão minúsculo. E assim, o homem e a menininha o encararam, ambos surpresos, enquanto ele abria sua boca cheia de dentes afiados e empurrava MEDO para longe.

O homem, que era o pai da menininha, no dia seguinte iria estar não na cadeia, mas livre e solto por aí. Mas a mãe dela sobreviveria para contar a história de como as trevas empurraram seu ex-marido para fora de sua vida. No sentido literal e figural.

Ele saiu da salinha, novamente passando pela portinha, mas não fechou a porta. A menininha o encarou no fundo dos olhos e lhe soprou um desenho: Nele, havia um monstro, uma criança, uma guerreira e um herói.

Ele não conseguiu segurar as lágrimas, pois pela primeira vez em anos ele havia visto algo com cor, assim como havia feito uma ação significativa. A menininha falou uma última coisa antes de sumir com a sua mãe:

“Eu acredito em você”.

Mas ela não disse isto para “ele”, pois ele já havia entendido aquilo no momento em que suas mãos frias encostaram no papel. A menininha com tranças fofas havia falado aquilo para você, que está lendo neste exato momento. E eu, como narradora, não pouparei essa bendita e maldita quarta-parede, pois eu sei que é exatamente isto o que você precisava ouvir.

Pois, assim como “ele”, você, com “V” maiúsculo (ou “Eu” com “E” maiúsculo, no seu caso), também precisa de ajuda. Pois todos nós, eventualmente, lidaremos com problemas. Alguns deles podem nos matar, mas a maior parte é quase-inofensiva. E está tudo bem ter um problema, como também está tudo bem chorar por algo que lhe pareça estúpido. E está tudo bem querer ficar na cama chorando. Mas não está tudo bem querer cortar os pulsos, amarrar uma corda no pescoço ou se jogar de uma ponte. Isso significa que você, assim como “ele”, precisa de ajuda. E na vida real não há uma “conversa interna” para você se ajudar.

Eu sei que é assustador, mas as vezes ir ao psicólogo ou contar para alguém sobre sua situação talvez seja uma boa ideia. Pois apenas pessoas muito especiais poderão lhe ajudar em tais horas críticas. E acredite naquela menininha que disse que acredita em você, pois está é a verdade.

Talvez você não precisa de ajuda. Mas alguém vai precisar. E quando essa pessoa precisar de ajuda, diga um “eu acredito em você” de coração. Pois às vezes, isso muda tudo.

O que aconteceu com “ele” depois disto, você se pergunta. E eu lhe digo:

Ele caminhou pelo vazio novamente, mais perdido e choroso do que nunca. Encarou o céu e viu a Lua pela primeira vez em dias, e, assim sendo, começou a chorar. Entretanto, quando fitou a água, viu o seu reflexo e simplesmente não pôde acreditar: Havia um menininho no lugar de um monstro.

Ele também chorava, mas ele carregava consigo inocência e cor de memórias de anos atrás. Ele se lembrava da época em que as coisas eram fáceis, e sim, era complicado se lembra daquilo. Mas, pelo menos no agora, ele estava lutando contra aquilo.

Foi quando uma mão saiu da água, pegando-o pelo braço e o puxando para dentro. Ele Ficou tão assustado que parou a “conversa interna” imediatamente. Ficou deitado na cama por dez minutos antes de se levantar, apenas para ver que conseguia identificar um pouco de vermelho em sua visão. Chorou novamente, pois saberia que teria que fazer mais “conversas internas”...

Como também teria que derrotar cada demônio que existia dentro de si. Um a um.

Mas estava tudo bem: Ele tinha um pouco de esperança, e, apesar do desespero, ele também tinha a irmã e a colega para ficarem do seu lado.

“Vai ficar tudo bem”, é o que eles diriam.


Notas Finais


Espero que tenham gostado! E sim, tudo é uma metáfora a depressão.

Observações: Caso você esteja querendo se matar, saiba que eu acredito em você, assim como todo mundo. Por gentileza, procure ajuda e NÃO se mate. Sua vida é muito importante, e é mais importante ainda você estar vivo e lutando contra seus problemas. E sim, você está lutando contra eles diariamente, mesmo que não ache isto.

Obrigada por ler!

Bye-bye!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...