História Romeu e Romeu - Capítulo 11


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Categorias Originais
Tags Escola, Garotos, Romance Gay, Yaoi
Visualizações 41
Palavras 1.650
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Depois de um quase hiato, retornei, Espero que gostem do capítulo ;) Bjs

Capítulo 11 - Vínculos


– Para este exercício, vamos trabalhar a confiança – Estava dizendo o professor. Chamá-lo de “professor” era quase engraçado para Felipe. O rapaz era jovem e parecia legal, o que fazia com que destoasse da maioria dos seus professores e que fazia com que as aulas de teatro parecessem bem mais interessantes. Apesar de ter entrado por “livre e espontânea pressão” de Amanda, depois de algumas semanas, o garoto estava até gostando das aulas. O grupo se reunia no auditório da escola, e até o estilo da aula era diferente das aulas convencionais: Todos, incluindo o professor, se dispunham sentados no chão, facilitando a interação e o diálogo entre o grupo.

Algumas semanas... Pensou.

Também há algumas semanas estava meio distante de Marcos. Depois da festa e a quase briga dos dois. Felipe já estava meio arrependido de ter falado aquelas coisas pra Marco. Talvez tenha até exagerado em tudo aquilo e devia desculpas ao amigo. Mas tinha vergonha e não sabia como se desculpar.

– Enquanto turma de teatro, nós precisamos estabelecer relações de confiança uns com os outros, pois isso tanto nos fortalece enquanto equipe como torna a atuação mais fluida e dinâmica, e menos mecânica – Continuou o professor. – Para tanto, formem duplas. Vamos ver se vocês confiam em seus colegas.

Felipe ainda tentou falar com Amanda para esta ser sua dupla, mas, quando se virou para a garota, ela já tinha agarrado o braço de Henrique, que pareceu meio acanhado. A personalidade do garoto era totalmente o oposto da desinibição de Amanda.

– Eu e o Henrique vamos formar uma dupla, né, Rique? – Disse ela, com um olhar malicioso e parecendo já prever os pensamentos de Lipe. Ele não tinha falado pra amiga sobre seu desentendimento com Marcos, mas Amanda era o tipo de pessoa que não precisava que ninguém lhe contasse o que estava acontecendo. Era sensitiva.

Droga, Amanda.

– Podemos fazer juntos, Marco? – Perguntou Lipe, acanhado.

Marcos deu de ombros.

– Claro, Lipe.

– Vejo que as duplas já estão formadas. Pois bem, o exercício é simples: Uma pessoa fica atrás e outra na frente. A da frente vai fechar os olhos e jogar o corpo para trás, enquanto o de trás vai segurá-la. Quando tiverem terminado, troquem de posição e repitam a mesma coisa. Podem começar.

– Parece tranquilo – Felipe ouviu Henrique dizer.

– Eu posso me jogar primeiro – Disse Marcos – Tudo bem pra você?

– Pode ser. – Disse Lipe, se posicionando atrás do amigo – Você confia em mim?

– Você nunca me deixou na mão. – Respondeu Marcos, fechando os olhos e se jogando. Felipe não sentiu resistência ou medo algum da parte de Marcos. Pelo visto, o amigo realmente confiava nele. A única parte difícil foi conseguir manter-se segurando Marcos, que se mostrou bem pesado. Ou ele mesmo que seria fraco? A segunda hipótese parecia mais provável.

Quando chegou a sua vez de ficar na frente, Felipe teve certo receio, mas logo fechou os olhos e se jogou de encontro aos braços de Marcos, que o segurou firmemente. Quando abriu, seu olhar se encontrou com o do outro, que disse:

– Te peguei.

Ficaram daquele jeito por uns 3 segundos, até que Marcos ajudou Felipe a se recompor. Quando todos terminaram o exercício com suas respectivas duplas, o professor pediu para que fossem trocando de duplas até que o tivessem realizado com todos. Não demoraria tanto tempo assim, afinal, um número não muito grande de alunos se inscreveu para o teatro.

Felipe foi realizando o mesmo procedimento com outras pessoas e notou que algumas tinham mais dificuldade em cair para trás esperando que outras – muitas vezes desconhecidas – as segurassem. Ele mesmo não tinha tanta facilidade assim. Porém, com o exercício, a maioria foi perdendo o medo e desenvolvendo confiança nos outros membros do grupo, bem como o professor tinha previsto.

– Muito bem – Disse o professor, quando todos tinham terminado. – Um último exercício, antes de encerrarmos por hoje. O anterior tinha por objetivo desenvolver a nossa confiança uns com os outros, mas, além disso, enquanto grupo de teatro, precisamos desenvolver a nossa intimidade e estreitar nossos laços. Só assim poderemos fazer um bom trabalho nos palcos. Pensando nisso, quero que vocês beijem cada pessoa nessa sala.

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Ele só pode ter enlouquecido. Pensou Marco.  Beijar todo mundo?

Depois das palavras do professor, um pequeno alvoroço tomou conta da sala, até que ele interviu.

– Se acalmem. Como ainda estamos no início, vamos começar por coisas mais leves. Não precisam tocar os lábios, por enquanto. Só se quiserem. Por hora, podem dar dois beijos em cada pessoa, um de cada lado da bochecha. E joguem fora a timidez, vocês estão no teatro.

Ainda assim, aquela situação era difícil para Marcos. Beijar cada pessoa? Incluindo os meninos? Aquilo não poderia acabar bem. O que as pessoas iriam pensar? Além do mais, aquilo poderia despertar certas coisas no garoto que ele já vinha tentando abafar. Se não fizesse, porém, poderiam achar que tinha algo de errado com ele e desconfiar mais ainda.

Droga. Só queria sumir. O que eu faço?

– Então, garotas – Disse Amanda. – Não vão começar?

Além de Marco, Henrique e Felipe não pareciam estar muito animados com aquilo.

– Er... Acho que vou passar essa – Disse Marco.

– Qual é, Marco... – Respondeu a garota – Está com medo disso?

– Não estou com medo de nada – Respondeu Marco, rapidamente.

Amanda deu de ombros.

– Você que sabe. – Disse, por fim, a garota, se afastando e começando a realizar o exercício proposto pelo professor.

Quer saber? Vamos acabar logo com isso.

Marco se levantou e foi atrás dos colegas do teatro. Começou a dar os beijos nas garotas, pois era mais fácil assim. Porém, logo apareceu um garoto na sua frente. Não parecia nada tímido e tinha uma cara maliciosa.

Por favor, não tem como fugir disso?

Deus pareceu não ouvir. Enquanto Marco permaneceu imóvel, o garoto se aproximou e deu um beijo de cada vez, primeiro na bochecha esquerda e depois na outra. Era impossível não notar a diferença daquele beijo para o de uma garota. Acreditava cada vez menos que a sua “situação” iria se resolver. Quando o garoto terminou, fitou seus olhos nos de Marcos.

– Acho que é sua vez – Disse, sorrindo.

Marcos, então, deu dois beijos rápidos no garoto e continuou andando, procurando outras pessoas. Beijou outras garotas e garotos, mas, como havia constatado, era bem diferente com os garotos. Cada um deles era um mundo de sensações, e, por mais que tentasse, não conseguiria fugir daquilo. Na verdade, se tornava mais instigado a experimentar.

Parecia ter terminado com todos, até que sobrou apenas o seu grupo de amigos. Chegou em Amanda e Henrique e disse:

– Eu preciso fazer isso com vocês? – Perguntou, sarcástico.

– O quê? Vai perder a oportunidade de me beijar? – Rebateu Amanda.

Marcos riu e trocou os beijos com a amiga. Depois, fez o mesmo com Henrique. Ao final, perguntou:

– Cadê o Lipe?

– Ele disse que precisava ir ao banheiro – Respondeu Henrique.

– Humm – Respondeu Marcos.

– Fica triste não – Disse Amanda, pegando em seu ombro – Você pode ter outras oportunidades de beijar ele.

Marcos revirou os olhos.

– Ha há. Que engraçado.

O professor encerrou a aula e os alunos começaram a sair.

– Você não vem, Marco? – Perguntou Amanda.

– Vou esperar o Lipe voltar – Respondeu. – Preciso falar umas coisas com ele.

– Okay. Até mais.

Marcos acenou e ficou esperando Felipe. O auditório rapidamente foi esvaziado, de modo que quando o amigo voltou, Marco foi o único a permanecer.

– Nossa... – Disse Lipe. – Uma ida rápida ao banheiro e, na volta, não tem mais ninguém?

– Eu sou ninguém, então? – Perguntou Marco.

Felipe riu. Um momento de silêncio se seguiu até que Marco disse:

– Então, Lipe... Sobre aquela festa... Desculpa por ter passado dos limites lá e ter te dado trabalho. Vou me controlar das próximas vezes pra que isso não se repita. Prometo.

– Tudo bem, Marco – Disse Lipe, segurando o braço em uma tímida posição. – Eu falei muita coisa pra você, e amigos deveriam cuidar uns dos outros sem jogar isso na cara, no dia seguinte. Acho que sou eu quem te devo desculpas.

– Da minha parte, está desculpado. Só não quero ficar brigado com você.

– Da minha também – Respondeu Lipe.

– Um abraço, então?

Felipe assentiu e abraçou o amigo. Era bom abraçar Lipe de novo. Pelo pouco tempo que passaram distantes, Marco já sentia falta do amigo.

Quando terminaram o abraço, Felipe disse:

– Bom, hora de ir pra casa.

– Não tá esquecendo de nada? Perguntou Marco.

Felipe pareceu confuso.

– Eu deveria?

– Você saiu sem terminar o exercício. Ainda falta me beijar. – Disse Marcos, brincando.

– Ah, vai cobrar isso, é? – Perguntou Lipe, rindo. – Tudo bem, então.

Lipe se aproximou novamente do amigo e beijou ambas as bochechas. Se, para Marco, o beijo das meninas não era nada em relação ao dos meninos, o de Lipe parecia estar em um patamar superior. Fazia a espinha de Marco se arrepiar.

Como pode?

Quando Felipe terminou, o ambiente não parecia tão descontraído.

– Bom, acho que já vou – Disse ele, tentando se virar, mas sendo impedido por Marco, que o segurou pelo braço.

– Ainda não – Disse. – Minha vez.

Marco puxou Lipe e o beijou em uma bochecha após a outra, até que terminou e ficou com o rosto próximo ao dele. Com o clima do momento, uma súbita vontade tomou conta dele, que não pôde resistir e o beijou nos lábios.

Aquilo pareceu ter esperado muito tempo pra acontecer. Foi lento, porém intenso. Marcos sentia que Felipe tinha se entregado por inteiro ao beijo, e não tinha vontade de se libertar dele. Seus lábios pareciam se encaixar perfeitamente, o que tornava o beijo delicioso e viciante.

Marcos estava trêmulo, mas não conseguiu se separar dos lábios de Felipe até que ficou sem fôlego. Quando terminou, olharam-se, e Marco não sabia bem porque tinha feito aquilo. Quase se sentia arrependido. Não conseguia dizer uma palavra, até que Lipe quebrou o silêncio:

– É... Eu preciso mesmo ir agora. – Disse, virando-se e quase correndo em direção à porta.



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