História Secret Admirer - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, V
Tags Fluffy, Taekook, Vkook
Visualizações 75
Palavras 4.944
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Fluffy, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura ♡

Capítulo 1 - Único.


— Essa foi a última semana de provas. Em breve a nota de vocês estará disponível no site. — o professor terminou de recolher os seus livros. — Tenham um bom final de semana.

Todos os alunos respiraram de forma aliviada. Sabiam que a semana de provas era estressante e não podiam esconder a felicidade ao ver que ela finalmente havia terminado. Claro que isso não diminuía o nervosismo para saberem as notas, já que a maioria sabia que não tinha ido muito bem. O único que devia estar confiante ali era Jeon Jungkook, um dos garotos mais inteligentes da sala.

O jovem guardou seus materiais e caminhou lentamente até a saída, não estava com pressa e não era como se tivesse muito o que fazer em sua casa. Na verdade, sua rotina se resumia em três coisas bem comuns: estudar, comer e dormir. Não que se orgulhasse disso, mas digamos que já tinha se acostumado.

— Ei, Taehyung!

Olhou para quem gritava e pode reconhecer Park Jimin, um garoto baixinho bem popular na escola. Virou-se então para Taehyung, que corria em direção ao amigo e pulou em seu colo.

— Finalmente acabou a semana de provas! — comemorava o loiro. — Sabe o que isso significa?

— Passar a tarde jogando vídeo game? — arriscou o moreno e viu o outro assentir. — Sinto como se eu tivesse doze anos de novo.

— Bem, é que sua altura- — o Park lhe dirigiu um olhar mortal e Taehyung apenas riu. — Eu estou brincando. Vamos logo que não quero mais ver escola por hoje.

Jungkook observava os dois se afastarem e não pode evitar sentir inveja de Jimin. Tinha inveja de qualquer pessoa que se aproximasse do Kim, na verdade. Era chato ter que observá-lo de longe. Aliás, era essa uma das partes não mencionadas de sua rotina: admirar Kim Taehyung.

Mas claro que nem sempre foi assim...

 

 

“— Tem um garoto novo no segundo ano! — exclamava uma garota que se sentava na sua frente. — Ele é tão lindo!

— Se controle, Minah. Aposto que ele nem é tão bonito assim. — dizia a menina, de modo indiferente. — Vá estudar.

— No intervalo eu te mostro ele e você vai ver como está errada. Kim Taehyung é um deus grego!

Claro que Jungkook achou aquela conversa irrelevante e revirou os olhos. Tudo o que as duas faziam era falar sobre garotos o dia inteiro ao invés de estudarem. Perguntava-se por qual motivo elas frequentavam a escola então. O pior é que não podia fazer nada, apenas tentar prestar atenção no que o professor dizia e se focar nos estudos.

No entanto, enquanto caminhava pelos corredores do colégio, pode ver Park Jimin e seus amigos. De início, o ignorou e continuou andando, mas assim que viu o garoto de cabelos loiros que estava ao seu lado, fez questão de parar e admirá-lo. Não costumava perder seu tempo fazendo esse tipo de coisa, principalmente quando estava atrasado para aula, mas o corredor inteiro tinha parado para observar o tal garoto novo; Era ele Kim Taehyung?

— Eu disse que esse colégio era legal, não disse? — dizia Jimin e o loiro assentia. — Agora vem, preciso te mostrar nossa sala!

Assim que o loiro foi embora, Jungkook ficou parado o vendo se afastar. Não era do tipo que acreditava em amor à primeira vista, mas Kim Taehyung com seu sorriso retangular, pele bronzeada e cabelos cor de ouro tinha o feito acreditar.”

 

Queria voltar ao tempo em que Taehyung não era um aluno de seu colégio. Naquela época não se atrasava para aulas por estar o observando e muito menos tinha dificuldade para entender a matéria já que o loiro não saia de sua mente; Era tudo tão mais fácil.

Jungkook nunca tinha se apaixonado. Não porque não queria, mas sim por nunca ter achado alguém que realmente lhe chamasse atenção. Estava acostumado a andar sozinho, sem amigos ou colegas, então de certa forma era como se já tivesse se acostumado com a solidão. Porém tinha uma necessidade de ter o Kim por perto — mesmo que fosse de longe e não diretamente como tanto gostaria.

Certo dia entrou no banheiro. Antes que pudesse se dirigir a cabine, ouviu um choro. Achou estranho, mas não fez nada, apenas ouviu os murmúrios do desconhecido que eram algo como “eu sou idiota!”, “ele nunca vai me amar!” e coisas do tipo. Viu o trinco da porta mexer, e em um ato meio infantil, se escondeu na primeira cabine. Por sorte, o até então desconhecido não notou e saiu da cabine, indo lavar o rosto. Jungkook espiou pelo vão da porta e pode ver quem era: Kim Taehyung.

— Esqueça ele. Você merece alguém melhor. — o loiro dizia para si mesmo. — O que eu estou dizendo... Eu nunca vou conseguir ninguém. Nem mesmo ele.

O coração de Jungkook se apertou naquela hora. Não sabia sobre quem Taehyung estava falando, mas certamente queria matar quem o fez pensar daquela forma.

Por fim, o loiro saiu do banheiro e Jungkook ficou ali, tentando pensar em tudo o que tinha acontecido. Primeiro teve a certeza de que Taehyung estava envolvido com alguém e provavelmente terminou o namoro — ou seja lá o que ele tivesse com a tal pessoa —, e depois, pensou na parte do “ele.” Isso significava que Taehyung era gay? Jungkook ficou boquiaberto já que o que mais via eram garotas dando em cima do loiro — um dos principais motivos para Jungkook nunca se aproximar. Mas se ele não era hétero...

Saiu do banheiro e foi para a sua sala. Bufou ao ver as duas fofoqueiras conversando sem parar. Queria apenas tentar estudar, estava pedindo demais?

— Eu acho que eu sei qual o motivo. — dizia Minah.

— Mesmo? Qual?

— Se controle, Yoonjo. — revirou os olhos e tentou falar mais baixo, achando que ninguém, incluindo o Jeon, não ouviria. — Eu fiquei sabendo que ele saiu com um garoto do terceiro ano.

— Um garoto? — a menina assentiu. — Então ele é...

— Gay. Chocante, não é? Eu sei. — a garota bufou. — Mas quem sabe não temos uma chance agora.

— Mas ele é gay.

— Aposto que consigo fazer ele virar hétero em uma semana. — disse aos risos, fazendo a garota lhe dar um tapa e rir juntamente, enquanto Jungkook apenas observava a cena com uma careta. — Mas enfim, é meio impossível se aproximar dele. Vejo-o falando com a escola inteira, mas amigos mesmo ele tem apenas Min Yoongi, Kim Namjoon e Kim Seokjin. — bufou. — É frustrante.

— Sim. Queria ao menos ser amiga dele.

— É, eu também.

As duas finalmente calaram a boca. O professor explicava a matéria, mas mesmo assim Jungkook não conseguia prestar atenção. Só queria saber de Kim Taehyung. E foi aí que ele pensou em outra coisa, que talvez pudesse mudar as coisas entre ele o Kim: iria ser um admirador secreto. Coisa de filme clichê? Certamente, mas era a única esperança para Jungkook. Queria fazer isso não só para demonstrar o que sentia pelo Kim, mas para poder fazê-lo sorrir também, e torcia para dar certo.

O que dificultava ainda mais a vida de Jungkook era que o loiro era do segundo ano. Justamente por isso não teria como deixar o bilhete em lugares fáceis como sua mesa ou mochila, por exemplo. Decidiu então esperar que todos os alunos fossem embora naquela terça-feira, e quando viu que a escola estava vazia, parou em frente ao armário do outro e colocou o papel pela brechinha do mesmo. Não sabia qual reação ele teria no dia seguinte, mas ia fazer questão de olhar.

Já na quarta-feira chegou mais cedo do que deveria e ficou aguardando o rapaz se dirigir em direção ao armário. Por algum tipo de milagre, nenhum amigo do loiro estava do lado naquela hora. Jungkook começou a suar frio assim que o viu abrir o armário e pegar o pequeno papel azul. Viu a curiosidade que estampou os olhos do Kim ao ler “você tem um sorriso lindo, Taehyung. Por favor, continue sorrindo”. O loiro olhou para todos os lados, procurando o autor do bilhete, e Jungkook apenas se escondeu atrás da parede. Quando olhou novamente, viu o outro sorrir largamente e guardar o papel no bolso. Sentiu seu coração tremer com aquele pequeno ato e não pode evitar sorrir junto.

Taehyung sempre achou seu sorriso estranho, sem graça e nada bonito, justamente por isso ficou tão feliz em ler o bilhete. Não tinha ideia de quem tinha escrito aquilo, mas agradecia porque, seja lá quem tivesse mandando, tinha tornado o seu dia melhor. Estava cansado de passar os últimos dias chorando pelo namorado — ou melhor, ex namorado. Precisava ouvir alguma coisa que o deixasse verdadeiramente feliz, e por incrível que pareça, aquele papel tinha conseguido.

— Desde quando você sorri tanto assim, Tae Tae? — perguntava Jimin enquanto sentava-se ao seu lado. — Aconteceu alguma coisa?

— Só estou feliz. — não quis entrar em mais detalhes e Jimin não insistiu. — Você sabe se o Hoseok veio para aula hoje?

— E porque você ainda se importa? — encarou o amigo, que deu de ombros. — Você é melhor do que isso, Taehyung. Esqueça aquele idiota.

Sem discutir com o amigo, apenas pegou o caderno e passou a estudar. Ou fingir que estava estudando. Em sua mente, só se passava quem seria o autor ou autora daquele bilhete.

 Depois do primeiro bilhete, vieram outros. O loiro não podia evitar sorrir com cada um deles, e Jungkook sorria junto por ver que, mesmo que de uma forma estranha e não convencional, estava se aproximando do Kim.

Certo dia resolveu ir mais além e colocar o bilhete no armário do vestiário. Os outros alunos, incluindo Taehyung, estavam jogando e não voltariam tão cedo. Deixou um bilhete simples, elogiando o desempenho do mesmo durante o jogo. Mas claro, não é como se Jeon Jungkook fosse o garoto mais sortudo do mundo. Ouviu algumas vozes, reconhecendo uma como a de Jimin e se escondeu na mesma hora na outra parte do corredor. Ainda assim poderia ouvir a conversa.

— Eu desisto de tentar jogar basquete!

— Mas você foi bem. — dizia o Kim, tentando animar o amigo.

— Eu fui péssimo!

Taehyung não discutiu, apenas deu alguns “tapinhas” de incentivo nas costas do amigo.

— Ainda vai voltar pra outra partida?

— Tenho escolha?

— Não. — riu o agora moreno. — O treinador te mataria caso você fizesse isso.

Abriu seu armário para pegar uma toalha e, claro, encontrou mais um daqueles bilhetes. Nem se importou se Jimin iria ler ou não, o garoto já sabia sobre os bilhetes mesmo.

Você joga muito bem, Taehyungie~

Obs: belos músculos

O rapaz não pode evitar rir e Jimin fez uma careta.

— Fala sério, até quando você vai ficar recebendo esses bilhetes?

— Jimin... — suspirou. — Eu gosto de receber eles.

— Entendo, eu sei que o que está escrito aí é bonitinho, fofo, tanto faz. — pegou o papel. — Mas do que adianta ela te mandar isso e nunca se declarar?

Ela? Jungkook engoliu em seco.

— Não importa quem seja, hora ou outra vai se revelar.

— Isso já tem dois meses, Taehyung. Se a pessoa gostasse mesmo de você, já teria se declarado.

— Esses papéis são uma declaração.

— Estou dizendo pessoalmente. Afinal, vão se beijar via papel também? — brincou o mais baixo e recebeu um tapa do outro. — Você sabe que eu tenho razão!

— Eu não quero pensar nisso. — Jungkook deu um suspiro aliviado ao ver o Kim lhe defendendo de certa forma.  — Quer dizer, me afeta sim não saber quem é. E muito. A pessoa escreve coisas tão lindas nesses bilhetes, mas nunca está aqui pra me dizer isso... É frustrante.

— Você tem belos músculos. — dizia Jimin, imitando a voz de uma garota e Jungkook revirava os olhos. — Taehyungie, eu te amo!

— Vai se ferrar, Park. — riu do amigo. — Agora vamos antes que o treinador nos mate.

Quando teve a certeza de que os dois tinham ido embora, Jungkook saiu dali também. Andou de modo cabisbaixo e pouco se importou com algumas pessoas esbarrando em si no caminho.

As palavras de Jimin e do próprio Taehyung tinham o afetado. Ele queria sim poder ter Taehyung ao seu lado, dizer tudo o que sentia, segurar sua mão, o abraçar quando ele precisasse; O problema era sua timidez, seu medo de levar um fora, que nada desse certo... Quer dizer, Jungkook já não se achava a pessoa mais bonita ou interessante do mundo, então como poderia ficar com alguém tão único como Kim Taehyung?

Foi para sua casa, e de modo meio frustrado, passou à tarde em sua cama. Não se importava com mais nada.

 

E voltamos para o ponto onde Jungkook observava Taehyung e seu amigo caminharem juntos pela saída do colégio. Ele estava livre das provas, poderia facilmente fazer o que quisesse. E o que queria agora, era finalmente se declarar. Não pensou bem em como faria isso, apenas decidiu que faria.

Seguiu para o restaurante de seus tios, que tinham lhe oferecido um emprego alguns dias atrás e Jungkook não pode recusar. De início, achou que seria um garçom, mas o que acabou mesmo sendo foi um estúpido urso de pelúcia. Confuso, certo? Acontece que o Jeon tinha que vestir uma fantasia enorme de urso e sair entregando panfletos para qualquer pessoa que passasse em uma pracinha ali perto. Quis matar os seus tios, no entanto não o fez porque eles eram sua família, e depois que o salário não era tão ruim assim.

Quando finalmente terminou o serviço e se despediu dos seus tios, pode ver Taehyung adentrar o restaurante. Estremeceu ao ver o outro olhar em sua direção, e quando pensou em lhe acenar ou puxar assunto, o mesmo desviou o olhar e voltou a conversar com alguns colegas. Saiu de lá de modo derrotado e foi para sua casa. Quando deitou em sua cama, decidiu de uma vez por todas: ia se declarar e seria logo, sem enrolação.

Foi na segunda-feira que deixou o último bilhete no armário do Kim. Nem sequer tentou ver sua reação, apenas o colocou ali e saiu correndo para sua sala enquanto imaginava como as coisas aconteceriam nos próximos dias.

Taehyung quase não acreditou quando viu o papel. Achou que a admiradora tinha parado com eles alguns dias atrás, por isso não pode evitar pegar o papel apressadamente e lê-lo com mais pressa ainda.

Estou cansado de manter isso em segredo. Se quer saber quem é o garoto que vive te mandando esses bilhetes, me encontre às quatro horas no restaurante Jeong, perto da pracinha. Eu estarei lá, te esperando.”

Então seu admirador era um garoto? E ele ia mesmo se relevar? Sentiu seu coração falhar por alguns segundos e teve que ler de novo para ter a certeza que não tinha entendido nada errado. Quando teve a certeza, sorriu e quase saiu gritando pelos corredores — o que Jimin não deixou que acontecesse — e seguiu para sua sala, aguardando ansiosamente para saber quem era.

Enquanto Taehyung pedia para o tempo passar rápido, Jungkook queria que ele passasse lentamente.

Estava ansioso, não saberia como o moreno iria reagir ao saber quem ele era. Podia sim ter decidido se relevar, mas ainda tinha o mesmo medo de rejeição que antes.

Quando o sinal bateu, caminhou de modo preguiçoso até o restaurante. Teria que entregar aqueles benditos panfletos, mas por sorte, só faria isso até o horário em que o Kim chegasse.

Fez o de sempre: entregou os panfletos, foi ignorado por algumas pessoas, as crianças pulavam em cima de si e berravam. Nada fora do normal. O problema foi quando viu o Kim chegar cinco minutos mais cedo e esperar de modo ansioso na porta. Jungkook se desesperou e quase correu para trocar de roupa, mas uma garotinha não o soltava de jeito nenhum.

— Eu tenho que ir embora agora, ok?

— Ai meu deus, você fala! — a garotinha lhe olhava de modo surpreso e o apertava ainda mais. — Eu não vou deixar você ir, nunca!

Jungkook murmurou alguns xingamentos que a garota não poderia ouvir, e quando finalmente se livrou da mesma, pode ver a garota correr chorando para os braços de Taehyung.

— O que foi, Taehee?

— Ele não quer brincar comigo!

O rapaz olhou para onde a irmã apontava, notando então alguém fantasiado de urso. Pegou a menina no colo e caminhou até lá.

— Me desculpe, ela é meio grudenta. — brincou e deixou que a menina voltasse para o chão, apertando novamente o urso. — Taehee, não aperte tanto!

— Mas ele é tão fofo!

— É sim, ele é. — ria o mais velho. — Mas ursos não gostam de ser apertados.

— Não? — questionava a garota com curiosidade e Taehyung assentiu.

— Diz pra ela.

A pequena Taehee olhou para o urso, esperando que ele falasse algo e Jungkook apenas congelou. Afinal, era Kim Taehyung na sua frente!

— E-eu não gosto de ser apertado. — repetiu de modo incerto e a pequena lhe soltou na mesma hora, gerando uma risada do moreno. — Bem melhor assim.

— Podemos ficar com ele, Tae Tae? — olhava para o irmão com os olhinhos brilhando, vendo o negar. — Por favor, por favor!

— Não tem espaço na nossa casa. Além disso — se ajoelhou para ficar na mesma altura que a irmã —, ele roubaria todo o seu cereal. Você quer que ele roube? — ela negou. — Então, não podemos ficar com ele.

— Ursos não são tão legais... — murmurava em tom triste. — Ah, olha! Um cavalo!

A garota correu para o outro lado, onde tinha alguém fantasiado de cavalo e abraçou as pernas do mesmo assim como tinha feito com Jungkook alguns minutos atrás.

— Ela adora animais, principalmente ursos... Coisa de criança, sabe?

Jungkook concordou e sorriu — mesmo que o mais velho não pudesse ver.

— Eu percebi.

Taehyung assentiu e tudo ficou quieto. Devia dizer alguma coisa? Não sabia bem o que dizer, aliás, estava ali pra se declarar, mas tinha tudo ido por água abaixo já que estava usando aquela fantasia ridícula.

— Então, o que você faz aqui? — arriscou e viu o outro parecer surpreso.

— Eu tinha um encontro. Quer dizer, tenho... Mas não sei bem com quem. — riu nervoso e coçou a nuca.

— Não sabe?

— Bem, é que quem marcou aqui comigo foi um admirador secreto e, como diz o nome, eu não sei quem é. No entanto, ele está demorando e eu estou ficando preocupado. Acho que ele desistiu de vir?

Não sabia por que estava discutindo um assunto daqueles com um cara vestido de urso, mas o Kim estava tão desesperado que precisava aliviar o nervosismo de alguma forma.

— Ele seria louco se desistisse.

O olhou de modo surpreso para o tal cara fantasiado e viu ele tirar a cabeça de urso, revelando ser um garoto aparentemente mais novo que si e de cabelos escuros. A franja estava um pouco bagunçada e colocava em sua testa, provavelmente por causa do suor já que aquela fantasia parecia bem quente.

— Olha, eu- — começou Jungkook, mas foi interrompido.

— Taehyung?

O mais novo ficou quieto assim como Taehyung ao ver Jung Hoseok se aproximar.

— Hoseok?

— Eu mesmo. — sorriu de modo sacana para o moreno.

— Espera, você é o meu-

— Calma aí. — viu o outro pegar o celular e desligar. — Você não quer entrar?

O Kim sorriu e seguiu o Jung. Enquanto isso, Jungkook continuava em seu lugar. Não era possível que aquilo estava acontecendo.

Faça alguma coisa, Jeon Jungkook!, murmurava para si mesmo. Espiou os dois sentados em uma mesa e viu Hoseok se afastar alguns minutos depois enquanto falava no celular. Mesmo sem querer, acabou ouvindo a conversa.

— Sim, eu estou cancelando o nosso encontro, Yoongi. E não, não estou nem aí. — dizia de modo ríspido. — E daí? Não posso sair com ele novamente? Me desculpe mas ele ficou ainda mais lindo agora que pintou os cabelos de preto.

Jungkook olhava incrédulo para cena. Quis bater em Jung Hoseok, mas perdeu a chance assim que ele desligou o celular e voltou para o restaurante, falando com Taehyung. O seu Taehyung.

Pouco se importou se estava com a roupa de urso, andou assim até sua casa e se amaldiçoou por ser tão burro.

 

 

O Jeon caminhava até o refeitório do colégio. Ainda estava abalado com que tinha acontecido alguns dias atrás. Condenava-se por ser tão burro e sentia tudo piorar ao ver Taehyung andando de mãos dados com o Jung. Ah, se ele soubesse...

— Você fica bem melhor sem a roupa de urso.

Olhou assustado para trás e viu Kim Taehyung parado atrás de si.

— Eu te assustei? Me desculpe. — disse de modo preocupado, mas o Jeon não esboçou expressão nenhuma. — Você se lembra de mim, certo? Eu fui ao restaurante esses dias e minha irmã quase te matou sufocado. — brincou e um sorriso nascer no canto dos lábios do mais novo.

— Eu lembro sim.

— Eu sou Kim Taehyung. — eu sei. — E você é...

— Jeon Jungkook. — disse apressadamente.

— Você estuda aqui faz tempo? Eu nunca te vi na escola.

Mas você que é o garoto novo, pensou em dizer, mas logo constatou que era tão invisível ali que ele não lhe ver era algo normal.

— Eu sou do primeiro ano. — justificou.

— Eu entrei aqui esse ano, vai ver é por isso. — sorriu. — Se você estivesse com aquela roupa de urso, eu certamente te reconheceria. — brincou novamente, o fazendo rir.

— Devo vir com ela então?

— Não, agora eu já sei quem você é. Aliás, minha irmã odeia ursos agora e a culpa é toda sua.

— Minha?

— Claro! Eu tive que mentir pra que ela te soltasse, e pra isso, falei sobre os cereais.

— Eu nem gosto de cereais...

— Mas ela acha que ursos gostam. Agora todo santo dia ela confere os cereais pra ter certeza de que nenhum urso não vai roubar.

— Então você traumatizou sua irmã.

— Basicamente.

Os dois riram e o mais velho pegou seu lanche.

— Foi legal falar com você. — disse o Jeon, deixando o outro surpreso.

— Também foi legal falar com você. — sorriu daquele jeito que o Jeon tanto gostava. — Te vejo por aí?

— É, acho que sim...

O Kim se afastou e acenou para o garoto. Jungkook não pode evitar sorrir junto. Tinha mesmo falado com Kim Taehyung? Era um tanto surpreendente para si. Só que tudo que é bom dura pouco e pode ver o mais velho dar um selinho no namorado. Fez uma careta com a cena e sentou-se em uma das mesas do refeitório de modo irritado. Pelo menos era um começo.

 

Com o tempo, começou a se aproximar do Kim. Ele vinha no restaurante lhe visitar às vezes e até mesmo o levava pra casa quando estava muito tarde. Claro que Jungkook sabia que ele fazia isso por ser mais velho e de certa forma era obrigado a cuidar de si, mas ainda assim era bom.

— Hoseok é tão irritante. — murmurou enquanto encarava o celular.

— Eu não te entendo. — o maior lhe observou. — Se você não gosta do jeito que ele te trata, por que ainda insiste em continuar com ele?

— Porque eu ainda vejo ele como o cara que me mandava aqueles bilhetes lindos. — comentou e sorriu um pouco, fazendo Jungkook soltar um suspiro, se sentindo derrotado. — Ele não é tão ruim assim...

— Só acho que você merece mais.

Foi tudo o que o Jeon disse antes de sair e voltar a entregar os panfletos.

Taehyung às vezes se questionava como Jungkook poderia ser tão mais maduro e inteligente que si. Muitas vezes se sentia inferior ao amigo. De todo jeito, agradecia por ter sua companhia. Nesse pouco tempo, o Jeon foi como uma luz em sua vida. Era ele quem o ajudava com os estudos, ria de suas piadas ridículas, o ouvia quando precisava e era um dos poucos capazes de aguentar suas crises de riso com Park Jimin. Tão diferente de Hoseok. No entanto, ainda amava seu namorado... Ou pelo menos achava que sim.

— Tae, pode pegar mais panfletos em minha bolsa? Esses já estão acabando.

Taehyung assentiu e pegou a mochila do menor. Procurou pelos papéis no primeiro bolso e não achou, mas quando fuçou o segundo, achou mais do que procurava.

 Os bilhetes azuis.

— Mas o quê...

Ao ver que o Jeon se aproximava, tirou os panfletos e entregou para o amigo, que notou o semblante estranho que tinha em seu rosto.

— Você tá bem?

— Eu estou... Ótimo. — sorriu forçado e Jungkook não insistiu, apenas disse ‘ok’ e voltou ao trabalho. — Jungkook é o meu admirador secreto?

 

 

— Obrigado por me trazer aqui, Taehyung. Mas você sabe que não precisa fazer isso, não é?

— Mas eu sinto que devo.

— Sua casa é longe, você vai chegar mais tarde lá e está bem escuro agora e-

— Eu não me importo.

O menor sorriu sem graça e assentiu.

— Sabe, eu andei pensando no que você disse. — o mais novo pareceu não lembrar. — Sobre Hoseok...

— Você não tem que levar a sério o que eu digo.

— Mas você tinha razão. Eu terminei com ele hoje mais cedo.

Jungkook pareceu surpreso, mas não disse nada, o que deixou o Kim apreensivo.

— E você está bem?

— Mais ou menos. Quer dizer, eu descobri que não era ele quem escrevia aqueles bilhetes. — bufou de modo triste. — Eu só queria que, seja lá quem fosse, voltasse a me escrever, sabe? Eu precisava disso agora.

— Achei que você estivesse cansado dos bilhetes... — murmurou em tom baixo mais para si do que para o outro. — Eu sinto muito.

— Não tem pelo o que sentir, eu estou bem. — mordeu os lábios e encarou o mais novo. — Eu vou indo agora.

— Eu vou entrar. Te vejo amanhã?

— Claro.

Viu o menor abrir a porta e lhe acenar brevemente. Queria que ele tomasse alguma atitude, mas conhecia Jeon Jungkook o suficiente pra saber o quão tímido ele era para fazer isso. Talvez fosse esse o motivo para ele ter começado com os bilhetes. Só esperava que o menor ouvisse o que ele tinha dito sobre querer os bilhetes de volta.

E como esperado, dois dias depois lá estava um bilhete em seu armário. Deu uma risada baixa e o leu:

Parece que estamos voltando ao início, não é? Mas eu vou estar aqui novamente. Desculpe por não ter aparecido aquele dia.

Não disse nada, apenas guardou o papel e seguiu para aula. Se Jungkook achava que voltariam para o início, estava muito enganado. Já sabia exatamente o que fazer.

 

Jungkook sabia que o Kim estava na aula de educação física e foi colocar outro bilhete em seu armário. Dessa vez usou o armário que ficava nos corredores ao invés do vestiário já que tinha medo de ser pego.

No entanto, teve uma surpresa ao notar que o armário estava aberto. Um tanto receoso, abriu a porta do mesmo e foi checar se estava tudo em ordem. Livros, casaco, estojo, caderno, bilhete. Bilhete?! Pegou o mesmo na mesma hora, notando que era parecido com um daqueles que costumava mandar para Taehyung. Só não se lembrava de ter colocado algum naquele dia. Para ter a certeza, foi lê-lo.

Nunca vou me perdoar por achar que alguém como Jung Hoseok escreveria coisas tão lindas. Na verdade, acho que eu nunca seria capaz de descobrir sozinho quem escreveu tudo isso. Só sei que você, meu caro admirador, roubou meu coração.

Não sei dizer quantas vezes sorri ao ler um bilhete seu ou a ansiedade que me tomava ao querer te conhecer. Acho isso de admirador secreto um tanto clichê, afinal, que tipo de pessoa seria louca o bastante para me mandar apenas bilhetes durante dois meses? E ainda mais bilhetes me elogiando? Tem que ser muito louco mesmo. Ou no caso eu devo ser o louco por ter me apaixonado por você. Mas não me culpo. Você me conquistou com suas palavras, e também, com o seu jeito. Sei o quão tímido você é e como deve corar até mesmo escrevendo esses bilhetes. Porém sei também o quão frustrado você deve ter ficado aquele dia por não ter conseguido se declarar. Deu tudo errado, não deu? Mas foi melhor assim; Porque foi naquele dia que conheci você, para depois te encontrar na escola e virarmos amigos. E foi virando seu amigo que eu descobri que você é muito melhor do que eu imaginava. Você  esteve aqui o tempo todo, e eu fui burro de não perceber.

Seja através desse pedaço de papel ou atrás de uma fantasia de urso, seja meu de uma vez por todas Jeon Jungkook.”

O moreno não soube o que fazer. Olhou novamente para o papel e se perguntou quem teria escrito aquilo. Não podia ser Taehyung, não mesmo.

— Eu ainda estou esperando a resposta.

Virou-se e notou o mais velho ali, lhe encarando com um sorriso doce nos lábios.

— Foi você que-

— E quem mais seria? — interrompeu o mais novo e riu. — O quê? Só você pode fazer esses bilhetes? É um tanto injusto.

— Como você descobriu?

— Sua mochila. Você me mandou pegar os panfletos e eu vi os bilhetes azuis.

— Eu sou tão idiota. — murmurou para si mesmo e o outro negou na mesma hora, aproximando-se do menor e tocando o seu rosto.

— Você não é idiota. Você é lindo. — viu o outro corar. — E é fofo também. — viu o menor rir e mostrar aqueles dentinhos, que se assemelhavam — no melhor  dos sentidos — a um coelho. — E é meu?

— Por que está dizendo isso em tom de pergunta? Você sabe que eu já sou.

O maior riu e não hesitou em unir seus lábios ao do menor. O mais engraçado é que nunca tinha sentido aquela sensação. Aquele beijo não se comparava aos de Hoseok, que pareciam totalmente vazios agora. Com Jungkook sentiu aquele sentimento que deveria sentir quando se beijava alguém: amor.

Jungkook não pode evitar sorrir em meio ao beijo e se afastar minimamente, analisando o rosto do mais velho para ter certeza de que tudo isso era real e indagou:

— Você também é meu?

— Sempre fui.


Notas Finais




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