História Sem direção (Destiel e Sabriel) - Capítulo 36


Escrita por: ~

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Categorias Supernatural
Personagens Castiel, Crowley, Dean Winchester, Gabriel, Gadreel, Jo Harvelle, John Winchester, Miguel, Sam Winchester
Tags Conflitos, Destiel, Drama, Homoafetividade, Romance Gay, Sabriel, Supernatural
Visualizações 87
Palavras 4.041
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura

Capítulo 36 - Teorias e conspiração


 

- Ei, Dan? - Miguel passou o braço sobre seu abdomen, se aconchegando melhor sobre a cama. - Te chatearam de novo, não foi? - Indagou suavemente, apertando o garoto mais forte de encontro ao seu peito.

- Não Mi, não me fizeram nada.

E pelo respirar alto de Miguel, Adam sabia que ele não se satisfez com a resposta curta. No entanto, Milligan não tinha nada mais elaborado para verbalizar, nem mesmo animo para fingir melhor que nada importante havia acontecido naquele dia. Não que Adam desse algum grau de importância para qualquer coisa vinda de Rafael, ele estava longe de se fazer mais do que um estorvo na vida do garoto, bem longe. Mas acontece que dessa vez havia sido mais que uma provocação, e Adam ainda estava bastante abalado com o desenrolar disso tudo, quase traumatizado, diria.

Sua cabeça queria encontrar uma resposta óbvia para explicar a estranha abordagem feita no banheiro masculino. Adam já secava suas mãos quando ele apareceu, sozinho, todo contido com as mãos nos bolsos, fazendo o garoto entrar em posição de alerta, por que no fim, nada de bom vinha de Rafael, menos ainda de um todo comedido e quieto. Suspeito? Com certeza! Ele tinha o direito de desconfiar, não tinha? E estava certo no final das contas...

- Tenho a noite toda... Se quiser me contar. - Persistiu Miguel, beijando sua bochecha demoradamente.

- Mas eu não tenho, Sam não me deixa dormir fora quando eu tenho aula. - Devolveu ácido.

- Certo. - Respondeu Miguel, encerrando o caso.

"Certo", Adam repetia a sentença, mesmo sabendo estar tudo errado. A começar por estar evitando falar com Miguel, sendo grosseiro com o cara que amava por causa de um desgraçado como Rafael. Um babaca imbecil que fez dos dias de Adam um inferno desde que pisou naquele colégio, e o por quê ele nunca entendeu. Rafael foi cruél em suas palavras e atitudes, e Adam não conseguia esquecer, ele não podia. Milligan sentiu na pele cada humilhação, chorou sozinho por todas as coisas que aprontaram com ele, e agora queria chorar novamente pela raiva em ter sido beijado pelo mesmo garoto.

Era...simplesmente humilhante.

Sua vontade era de gritar sua raiva sempre que passava e repassava aquele beijo em sua memória. A cara de pau que ele teve de agarra-lo e o jeito nojento que a língua de Rafael invadiu sua boca irradiava sua revolta por cada poro, indignado por ter sido tocado por alguém que até um dia atrás o tratava como lixo. Adam simplesmente era incapaz de processar o acontecido, queria entender o que possuíu aquele projeto homofóbico para agarra-lo contra a parede fria do banheiro.

Era bem provável que acabasse com um AVC antes de chegar a uma conclusão, decente e menos perturbadora, que acreditar que Rafael vinha resguardando algum resquício de sentimento por sua pessoa esse tempo todo, mesmo que uma mera atração. Seria mesmo uma pena para ele se essa fosse a resposta, pois Adam era muito bom em guardar rancor, e o que ele e seus amigos fizeram continuava bem fresco em sua memória. O garoto não era perfeito afinal. Tinha muitos sentimentos negativos acerca de Rafael, muitas memórias desagradáveis e uma aversão imensa ao beijo que aconteceu. 

Sim, ele ainda sentia a tensão causada pela raiva de pensar que preferia ter levado um soco a isso. Bom... ao menos fez valer seus treinos com seu irmão Dean quando o acertou nas partes baixas com o joelho em uma força potente o bastante para deixa-lo estéril, seguido de um soco, não necessário, quando o primeiro golpe já havia o deixado sem ação.
Dean fez um bom trabalho, tinha que reconhecer ser muito boa a sensação de se defender sem medo, além da confiança que crescia em alguns níveis. Assumia a falta que fazia os treinos, principalmente agora que precisava urgentemente extravasar sua raiva. Adam queria mesmo estar falando com Dean agora, mas seus irmãos eram outro fator complicado em sua jovem vida.

Apesar de estarem mais reservados quando o assunto eram as saídas de Adam para o apartamento de Miguel, principalmente vindo de Sam com quem ele vivia, ele sabia faltar muito para deixar de ser alvo das desconfianças e proteção equivocada de ambos. Podia parecer paranóia, mas o garoto desconfiava que alguma surpresa viria desse silêncio todo, e essa mesma intuição paranóica dizia que ele não ía gostar de saber do se tratava.

Boa parte dessa preocupação girava em torno de Miguel, afinal, seu namorado era o único alvo que sua família desejava atingir. Apesar da confiança que Adam sempre demonstrava quando queria convencer Miguel de que ninguém o afetaria, em seu intímo ele tinha receio, medo de que prejudicassem seu namorado por sua causa. De alguma forma Dean e Sam se sentiam traídos por Miguel, parecia bem lógico que sua intuítiva preocupação se dirigissi a ele. E a pequena angústia se expandia dentro de sí conforme o silêncio aumentava, em um sinal de alerta.

Adam sentiu o mesmo incomodo quando seu pai mencionou visitar Samuel pela primeira vez, descobrindo pouco depois que compraria uma passagem só de ida para a vida de seu irmão desconhecido. Um choque, sem dúvida, ficou mágoado com seu pseudo-abandono, ressentido e inconformado, principalmente durante o início conturbado de sua instalação na cidade, no colégio e na vida da família Winchester. 

Mas estava tudo bem, isso já eram águas passadas. Com o tempo Adam conseguiu se habituar a casa e as pessoas com quem agora vivia. Sam não era um irmão ruim quando não tentava bancar o pai superprotetor para cima dele, e Gabe era fácil de conviver. Dean também marcou uma presença legal em seus dias difíceis, mas o melhor presente recebido desse semi abandono de seu pai estava abraçado com ele na espaçosa cama de casal.

Ao menos algo bom saiu de tudo isso, dessa vez...

"As vezes coisas boas podiam sair de circunstâncias ruins"... Tinha que concordar sempre que pensava em Miguel e em tudo que ele representava para sua vida. Essas definitivamente não eram as melhores circunstâncias, não estava tendo seus melhores dias e nem tinha um modelo ideal de relacionamento, mas Miguel ainda fazia parecer que tudo andaria melhor enquanto estivesse ao seu lado. Ele tinha um jeito único de dizer a Adam sem precisar realmente dizer que estava "valendo a pena". Ele fazia de seus dias uma realidade aceitável mesmo quando estava ausente. Chegava a parecer bobo pensar em seus problemas quando se dava conta de que tinha Miguel, e no quanto o amor que sentia amenizava os outros sentimentos ruins que as circunstâncias traziam.

Então Adam sentiu-se mal quando percebeu a maneira grosseira com a qual o havia tratado minutos atrás...

Inclinou-se para o lado na intenção de olhar Miguel, só para se deparar com um semblante fechado e pensativo adornando sua face. Ok, talvez conversar fosse uma alternativa para aquele momento. Miguel tinha o direito de saber o que acontecia com ele, Miguel queria saber o que acontecia com ele. Guardar tantos pensamento só o fazia remoer teorias e ideias que o deixava ainda mais irritado. Talvez Rafael fosse uma conspiração do universo para atormentar sua vida, quem saberia dizer? Ele não sabia...e tentar achar uma resposta para todos os conflitos envolvendo Rafael, o tirava do sério. Partilhar o acontecido seria bem mais que desencargo de consciência, mas também seria uma forma de se aliviar da sensação ruim que Rafael deixou. Miguel era seu amigo antes de qualquer coisa, era com ele que Adam falava quando se sentia sozinho e perdido desde que chegou ali, e agora não poderia ser diferente.

E Adam contou tudo a Miguel...

***

- Não é infantilidade Castiel, que droga, da pra ficar do meu lado. - Gabe pedia, irritado com o irmão, que insistia que ele estava sendo imaturo e infantil.

Infantil? Como Castiel podia dizer que ele estava sendo infantil? Ele só estava tentando não pirar, mas seu irmão só sabia dizer o quanto ele era "infantil"... Por que seria bem mais maduro "jogar as cartas na mesa e discutir o problema, ao invés de adiar o inevitável", pois, segundo seu Cassie, "Gabe deveria agir como um homem adulto e suficientemente maduro para apontar o problema para Sam", resolvendo no diálogo, claro, e não ignorar Samuel e enxotá-lo para o sofá na hora de dormir como vinha fazendo a desde o dia anterior, sem nem mesmo dar uma desculpa plausível para o ato. 

Pode-se dizer que Sam ficou bastante confuso, e até um pouco magoado com o tratamento que Gabriel vinham dando a ele, e não pode deixar de questionar o comportamento frio e hostil, teoricamente surgido do nada. Sem causa, como Sam disse, exigindo em meio ao seu desespero pessoal que Gabriel conversasse com ele, no entanto Gabe não tinha mais disposição para nenhuma discussão.

Acontece que Gabriel estava cansado a algum tempo, se fazendo de cego para evitar atritos, relevando desculpas esfarrapadas e agindo como se, no fundo, não soubesse que eram mentiras. Só que dessa vez ele não estava disposto a ceder e fingir que nada acontecia, tão pouco afrontaria Sam com a verdade quando esperava que ele mesmo viesse procurá-lo quando entendesse o desprezo de Gabe e se tocasse que ele não engolia mais suas desculpas baratas.

No começo ele estava disposto a evitar a atual e desagradável situação, ignorandoas pequenas faltas de Sam, parte por receio e em parte por que era comodo fingir que estava tudo bem, mesmo quando algo em sua cabeça dizia o contrário. Algo estava errado em toda aquela aquela atenção que Sam dava ao seu celular, como também nos encontros com os amigos, mais frequentes que o normal. A cada saída Gabe criava uma nova paranóia em sua cabeça, imaginando com quem ele realmente pretendia se encontrar. Contudo, a cada vez que Sam voltava atencioso, calmo e mais prestativo que o normal, Gabe se desarmava, incapaz de sustentar suas conspiratórias teorias sobre traição. E guardar suas desconfianças para sí mesmo parecia o jeito mais maduro de lidar com o que não tinha certeza.

Mas isso foi antes dele ver mais do que gostaria e deveria.

Não foi intencionalmente que pegou o celular de Samuel, acidentalmente esquecido e desbloqueado em cima da cama, na pressa de buscar uma água para Gabriel que passava mal, além de atender o pedido de um chá calmante. Ele estava com muita sede, okay? E também precisava de um chá para seu mal estar, não tão mal assim... Certo, possívelmente ele pode ter parecido um pouco dramático demais quando sugeriu que estaria passando mal, mas ainda não era sua culpa que Sam tenha esquecido a porcaria do celular em cima da cama para qualquer um ver, e ele cuidadoso o pegou para avaliar seu conteúdo, sem nenhuma intenção além de averiguar o que prendia a atenção de Sam, já que Samuel se mostrou vidrado no aparelho a noite inteira.

Jéssica! A distração de Sam tinha nome, e era Jéssica.

Gabe quase quis xinga-lo por isso, queria também machucar Sam por estar omitindo suas conversas como se não fossem nada, como se sua suposta amiga não estivesse roubando seu tempo e sua atenção apenas para ela... E o ciúmes queria fazer Sam morrer aos poucos, da mesma forma que ele vinha morrendo com toda aquela afeição nas palavras trocadas por ambos. Mas no fim Gabriel terminou reagindo de uma maneira surpreendentemente dissimulada, guardando a raiva e a decepção como se isso não estivesse o sufocando por dentro, não conseguindo dizer nem um terço das ofensas que queria com muito gosto dirigir para Samuel e sua grande "amiga", Jess.

Amiga, ele poderia assim dizer, pois por acaso não encontrou nenhum fato comprometedor como tinha certeza que iria encontrar, contrariando ainda mais sua revolta, que buscava por conversas das quais jogaria para cima de Sam cheio de razão sem pensar duas vezes. No entanto, ele não tinha como provar sua teoria, ele só sabia que Sam vinha escondendo uma "amizade", alguém que segundo suas próprias palavras, "gostava demais", sendo isso o suficiente para machucar.

Samuel mentia descarado quando dizia estar falando com Crowley ou qualquer outro que claramente não eram essa garota. Gabe pensou que ele teria alguma razão forte para esconder isso, chegou a sugerir mais de uma vez que se tratava de uma amante, ele estava convicto. Contudo, o baixinho não encontrou mais do que um monte de besteiras sobre a "expetacular rotina de Jess", e a maior causa da decepção de Gabe, pedidos de conselhos e desabafos intímos de Sam, tão intímos que nem mesmo Gabe tinha conhecimento, até aquele momento.

A frustração que se apoderou de sua pessoa foi inexplicável, ele não queria acreditar que Sam vinha trocando segredos e conselhos antes de falar com ele. Gabriel deveria ser a primeira opção, droga. Ele teria entendido suas preocupações e dilemas, aliás, era exatamente nisso que Gabe vinha pensando, admirando seu marido mentiroso por sua força em lidar sozinho com os problemas.

Mas pelo visto ele não andava tão solitário quanto Gabriel pensava.... 

Saber sobre Jess foi de certa forma um baque!

A revelação fez Gabriel pensar, o que mais seu marido poderia estar escondendo? E nem mesmo as poucas evidencias o impediram de alimentar sua desconfiança como nunca antes tinha feito. E se os tais encontros na "suposta" cafeteria, como indicava nas mensagens, fosse mais do que uma conversa casual? Então Gabe passou a pensar que havia sido uma boa escolha pedir o chá, pois ele chegou mesmo a precisar...

- Sam mentiu pra mim. - Gabe olhou pra Cas com decepção. - Não consigo mais confiar nele, Cassie, não consigo.

- Eu sei, Gabe, sei como é. - Castiel falou, abraçando seu irmão. - Venho passando por esse processo de "confiança" com Dean. - Castiel abriu um sorriso quebrado. - Mas...Com você é diferente Gabe, você não tem certeza.

- E preciso Castiel? - Gabriel fitou seu irmão como se olhasse uma criança... "inocente demais para juntar dois mais dois". - Meu sweetie, você é muito ingênuo...

(...)

Castiel voltou para casa pensando a respeito do que seu irmão disse: Sam, as mensagens e todo o resto. Para Gabe, as circunstâncias pareciam bastante óbvias, e ainda assim Cas não conseguia acreditar que seu irmão estava sendo enganado, não da forma que ele colocava os fatos, pelo menos. Talvez ele fosse mesmo ingênuo, um pouco lento em certas situações, mas não conseguia achar em Sam o mentiroso dissimulado que Gabriel insinuava que ele era, pois Samuel precisaria ser um tremendo canalha para cuidar tão bem de seu irmão enquanto estava as escondidas com outra pessoa.

No entanto, em algo Cas tinha que lhe dar razão.... Mentiras sem dúvida acabavam com qualquer confiança.

Castiel entendia bem o que seu irmão queria dizer nesse aspecto, quebra de confiança era quase uma rotina em torno dos que o rodeavam, tanto que Cas já se considerava um veterano no assunto. As pessoas tinham o péssimo hábito de esconder fatos importantes, mentir e até mesmo fazer as coisas por suas costas. Lisa era um bom exemplo disso, e também o mais marcante. 
Foi um embate terrível passar por cima de tantos enganos para manter um casamento que, sinceramente, ele nunca quis terminar. Nunca! Mas foram tantas decepções que, em um momento de desespero, Cas se viu obrigado a se afastar de Dean sem pretensão de voltar. Atitude que durou até o Winchester procurá-lo dizendo exatamente o que ele precisava ouvir, fazendo Cas começar a dar razão aos sentimentos que não chegou a ser capaz de superar, remoendo tudo aquilo que ele queria esquecer, fazendo-o se questionar. Foi uma fase bastante problemática para Castiel, pensar em Dean e em tudo o que ele foi capaz de fazer, a indiferença, traições e tantas brigas que Cas sabia que poderiam ter sido evitadas, mas, que no entanto não foram. Eles chegaram tão longe, Cas desceu tão fundo...E ainda assim Castiel o amava. 

Havia aquela parte dentro de sí que dizia que Dean iria mudar se Cas lhe desse uma nova chance, que ele estava arrependido e só precisava de uma oportunidade para demonstrar e... Caramba! Castiel nunca se sentiu tão dividido em toda sua vida. Contudo, nada do que se passou poderia ser mais difícil do que confiar novamente, voltar a agir como se as mentiras nunca tivessem existido e não desconfiar de cada saída de Dean, por mais inocente que essas fossem.

E Cas ainda não havia recuperado plenamente sua confiança, e nem sabia se um dia recuperaria... Ele não fazia ideia, realmente não fazia...

No entanto, esse era um dos efeitos coláterais que ele se dispôz a encarar, e Dean vinha se saindo bem, muito bem, para falar a verdade. Seu loiro estava se esforçando bastante, ajudando Castiel em tudo que podia, em parte para agradar o moreno, mas também como forma de reatar o companheirismo que eles haviam perdido com os longos dias de conflitos passados, além de estar controlando como podia seu temperamente difícil. E Cas não queria e nem cobraria mais do que Dean vinha lhe dando... Não quando estavam indo tão bem, e quando ele mesmo havia cometido tantos erros, quem sabe até piores do que os de Dean Winchester. Realmente, não estava em posição de julgar, Não que tivesse muitas reclamações recentes, de qualquer forma. 

Dean estava andava na linha com ele, agindo de acordo, e sendo bem mais cooperativo do que de costume. E como para provar sua teoria, ao chegar em casa Castiel pode escutar alguns ruídos vindos da cozinha...

- Dean? - Cas chamou enquanto trancava a porta.

Silêncio...

Castiel deixou a jaqueta no sofá da sala, seguindo em direção a cozinha e os barulhos que iam aumentando conforme se aproximava.

- Dean! - Chamou novamente, em uma feliz surpresa com a bagunça que o loiro armava.

- Hey Cas. - O Winchester se virou para ele, um sorriso torto de quem estava mais que perdido. - Fiz o jantar, seu prato preferido. - Apontou para as panelas que mexia no fogão.

Então Castiel parou para observar melhor o cenário a sua volta....

Panelas um pouco sujas de molho, um celular conectado no que parecia um video auto ajuda e um Dean Winchester usando um avental azul bebê. E Dean ficava ótimo vestindo um avental enquanto bancava o chefe gourmet, uma cena rara, que Cas teve o prazer de apreciar pelos próximos 60 segundos que passaram antes de se desprender do cenário para envolver Dean num beijo. A resposta foi quase instantânea, a boca de Dean sugando seu lábio e as mãos contornando os musculos tensos de suas costas veio tão rápido que Cas quase não conseguiu acompanhar.

Mas, tão logo o moreno retomou seu intento, agarrando Dean com quase tanta força com que era agarrado. A recíprocidade com que correspondia cada beijo, mordida e caricía era indiscutível. Castiel puxava Dean com a mesma empolgação que o loiro, desatando o nó do avental ao passo que Dean dedilhava seu cinto, na pretensão de tirá-lo. E enquanto se esforçavam para se desfazerem de suas roupas, o jantar, carinhosamente preparado por Dean, tornou-se plano de fundo da atração principal que acontecia na bancada da cozinha, onde Dean prendia Castiel ao seu corpo.

Cas sorriu ao que Dean retirava suas calças, sendo tão prestativo quanto o loiro ao ajuda-lo com a mesma tarefa, tendo em poucos minutos um Dean completamente nu, assim como ele se encontrava. Cas se via exposto, o Winchester afundando seus dedos em sua pele clara, marcando sua cintura enquanto o moreno buscava sua boca, matando em seu beijo qualquer divagação anterior sobre inseguranças que não existiam em seus momentos de intímidade.

- Ah Cas...como eu adoro isso. - Dean sussurrou, seguindo na sequência um caminho de beijos sobre todo o pescoço de Castiel.

E mais rápido do que Cas esperava Dean o virou, descendo os beijos pelas suas costas enquanto Castiel apoiava suas mãos na bancada, inclinando-se mais em sua posição ao sentir as mãos, tão carinhosamente brutas de Dean, segurarem seu quadril no lugar. A excitação do loiro o instigando a cada vez que era pressionada contra sí, e Castiel só queria que as preliminares acabassem...

- Dean va...

- Espera Cas. - E Dean o soltou de repente. - Eu vou buscar o lubrificante, não sai daí.

Dean o beijou na nuca, disparando para o quarto na sequência, deixando um Castiel ansioso na cozinha. Ansioso e excitado, Cas se afastou da bancada pensando se deveria ter impedido Dean de parar...Eles poderiam ter dado um jeito, não poderiam? Contudo, no fundo Castiel apreciou o ato de preocupação, Dean só queria fazer do jeito mais confortável, e pensando nisso Castiel resolveu que o melhor era terminar o que começaram no quarto afinal de contas.

E o moreno já recolhia suas roupas quando se interrompeu. O celular de Dean tocava insistente, chamando como vinha fazendo a semana toda sem que o loiro atendesse as repetidas chamadas. Quando questionado o motivo de tantas recusas, o Winchester explicou ser uma insistente vendedora querendo convence-lo a fechar um pacote de seguros. Cas então aconselhou-o a bloquear o número, e foi o que Dean fez, ou pelo menos disse ter feito já que o horário da ligação batia coincidentemente com algumas ligações anteriores.

Rapidamente ele checou o celular buscando ver o contato. "Número desconhecido" dizia o telefone. E sem pensar duas vezes Castiel atendeu.

- Alô. - Cumprimentou educado, pronto para recusar qualquer oferta de compras por seu marido.

- Agora atende os telefonemas do Dean, "Cas"?

A irônia com que foi cuspido seu apelido o desarmou. Castiel não esperava que ela ainda tivesse cara para procurar Dean Winchester por qualquer meio que fosse, nunca depois de tudo. No entanto, ela teve. E ainda conseguia ser descarada o bastante para falar com ele destilando sarcásmo. Como se não fosse o suficiente continuar procurando seu marido...

- Dean não quer falar com você, e eu não quero que continue ligando para ele, então pare de procura-lo, Lisa. Esse é meu último avis...

- Se não o que? Vai se livrar de mim como fez com seu filhinho? - E Cas sentiu o ar faltar a menção da criança que ele nunca chegou a ter. - Vocês Novak's foram contemplados com um dom raro, sabia? Fiquei muito surpresa quando vi sua ficha, no começo pensei que a "coisinha" fosse do Dean, mas se fosse você não teria se livrado dela desse jeito, ou teria? - A morena parecia deliciada em falar sobre cada segredo que Cas jurava estar muito bem trancado.

Mas, ao que parecia, estava enganado.

- O que você quer? - Indagou, controlando o enjoo que subia a cada sentença venenosa de Lisa.

- Tenho um tempo livre essa noite, roadhouse está bom pra você? - E Lisa não conseguia conter o tom de triunfo a cada palavra.

- Daqui meia hora. - Marcou, lutando para manter o controle de sua voz.

Castiel encerrou a ligação com um gosto amargo na boca, sua vida estava por um triz e ele sabia que Lisa não hesitaria em acionar o gatilho. Perfeito! Isso era tudo que ele precisava nesse momento, uma chantagista barata empenhada em sabotar sua relação, segurando o segredo que poderia arruínar sua vida de tantas formas diferentes, que Cas morria só de pensar. Castiel sentia o seu sangue gelar enquanto vestia sua roupa sem o menor indício da excitação anterior, preocupado e atrapalhado demais até mesmo para trabalhar um plano que não envolvesse negociar com uma serpente traiçoeira como Lisa Braeden...

- Eu não sabia onde estava, quase não enc...Por que se vestiu? - Dean perguntou quando finalmente colocou seus olhos em Cas.

Um Castiel pálido e excessivamente sério, que encontrou encostado na mesma bancada em que se divertiam.

- Aconteceu alguma coisa? - Dean deixou a pergunta vagar com uma dose de preocupação.

- Lisa! 

A resposta simples e direta, tão chocante para Dean quanto a própria conversa telefonica fora para Castiel.

- Cas eu n...

- Não Dean. Não fala nada. - Cas atravessou a cozinha ficanco frente a frente com o Winchester. - Por favor...Não precisa dizer, Dean. - E Castiel segurou o rosto em expresso conflito do loiro, do seu loiro, beijando-o antes que ele decidisse se justificar novamente.
 



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