História Sempre nos seus sonhos - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Tags Drama, Gay, Narusasu, Naruto, Nsn, Romance, Sasuke, Sasunaru, Shounen Ai, Sns, Yaoi
Visualizações 45
Palavras 1.926
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Inesperado.


Naruto notara que uma família mudara-se para a vizinhança algum tempo atrás. Para a casa em frente à sua, na verdade. Mas isso não era de seu interesse, não naquele momento. Ele não conhecia ninguém naquela casa, não arriscaria entrar nos sonhos deles assim. Além de ser tremendamente rude, ele não queria ser traumatizado vendo as fantasias sexuais de ninguém - como aconteceu com o vizinho da casa do lado, Jiraya. O loiro nunca pôde olhar para o homem com os mesmos olhos sabendo exatamente os fetiches estranhos que tinha.

Não, ele ficou na sua, conversando e brincando com amigos, procrastinando dever de casa, não dando atenção alguma aos vizinhos da frente. Nunca imaginaria que aquela casa viraria foco de sua atenção em pouco tempo.

Somente se importou em saber quem eram aquelas pessoas na segunda-feira. Tudo ocorria normalmente, Kiba tentava convencer Shikamaru a dar-lhe um plano para trazer seu cachorro para dentro da escola, Chõji continuava a comer batatas fritas e relaxar, Sakura brincava com Ino e Hinata preparava-se para a aula no fundo da sala, Naruto fazia o que lhe vinha à telha. E então, o menino e o professor entraram, ambos novos, e quebraram todo o equilíbrio da sala.

O professor era um homem de cabelo prateado - Naruto imediatamente perguntou-se se era pintado -, com uma cicatriz num olho que mantinha fechado e uma postura relaxada. O garoto atrás dele não se parecia nada com ele; os cabelos e os olhos eram negros, a pele, pálida e o rosto delicado, perfeitamente proporcional, e seu olhar era desconcertantemente vazio, como d'um cadáver.

Era óbvio que eles eram novos, ninguém os tinha visto antes, logo, capturaram toda a atenção da sala - principalmente das meninas, que encararam sem pestanejar o garoto de olhos negros. O professor logo se apresentou com um entusiasmo meio forçado, ou até irônico, como "Hatake Kakashi, o professor de sociologia", mas preferia que os alunos chamassem-no de "Kakashi-sensei". O menino ao seu lado deu um suspiro e murmurou, olhando para o chão:

— Sasuke.

E nada mais. Metade da sala não o ouviu, o que incluía Naruto, mas não teve a chance de pedi-lhe para repetir antes d'ele andar apressadamente até uma banca e arrumar seus materiais para a aula. O professor não deixou ninguém falar mais nada antes de começar a explicar o assunto enquanto escrevia um bando de coisas estranhas no quadro sem fazer esforço algum.

Quando chegou a hora do intervalo, Naruto ainda não sabia se queria ser amigo do menino novo ou não; ter novos amigos era sempre bom, mas ele parecia tão vazio que deixava o loiro desconfortável. Felizmente, ele não precisou pensar muito sobre isso. No tocar do sino, as garotas correram para bater papo com o menino e nem dez segundos passaram-se antes dele se levantar e, sem dizer nenhuma palavra, andar para fora da sala, fechando a porta da sala com um bam.

As garotas não pareceram importar-se muito com aquilo, mas os garotos tomaram como um convite para guerra. Ninguém na maldita escola jamais recebera tanta atenção de tantas garotas ao mesmo tempo, muito menos tratara-as tão friamente. Naruto sentiu irritação e amargor emergir; ele nunca fora bem tratado de graça, sempre teve que dar seu melhor, persistir e mostrar seu valor, chamando atenção e se exaustando, até que as pessoas começassem até aceitá-lo.

Ainda assim, aquele menino recebeu atenção e calor de graça e ainda jogou-os fora. Naruto sempre se considerou um homem clemente, mas ele simplesmente não suportava ingratidão. Ele viu logo que não suportaria aquele novato.

O resto da escola passou sem muita diferença, exceto que o foco de todas as conversas e todos os olhares era o menino de cabelos negros e, de vez em quando, o professor de cabelo pintado. Mas quando a escola acabou, Naruto já formulara um plano para pôr aquele esnobe no seu lugar; como alguém igual a todo o resto. Fizera isso com Neji, com Gaara, não seria difícil fazê-lo com o novato.

***

Depois de uma tarde jogando jogos pelo computador e fingindo estudar para escapar do sermão da sua mãe, Naruto finalmente foi para cama. Tinha imaginado já, algumas vezes, qual discurso poderia dar ao maldito novato. Já que ele tinha algum controle sobre sonhos, talvez mudar a estrutura do sonho para mostrar exemplos de porque tratar as pessoas mal é idiotice e coisa ruim fosse uma boa. Então ele caiu no sono com um sorriso nos lábios.

Entrar em sonhos era uma tarefa somente ligeiramente difícil. Ele meio que se desconectava do próprio corpo e flutuava por aí, sem forma, mas não tinha muito controle sobre isso. Sentia-se tonto, leve demais, algumas vezes ia para muito longe e se dissipava, acordando com um salto. Por isso, ficou feliz que os dois tinham mudado-se exatamente para a casa em frente à dele - ou achava isso. Ele se aproximou da casa e olhou por uma janela, encontrando o menino de cabelos negros enrolado num monte de lençóis.

Teria sorriso se pudesse. Atravessou a janela e se aproximou mais um pouco do menino, antes de inevitavelmente ser sugado para dentro do sonho dele.

Não foi bem como o loiro esperava. Ele piscou os olhos e estava numa espécie de vilarejo remoto, estranhamente detalhado. Uma das coisas que ele aprendera com o passar dos anos era quão inconsistentes sonhos e vagos sonhos eram. Era andar por um desenho feito pelo subconsciente de alguém. Mas aquele lugar era estranhamente vívido e detalhado. Naruto ouvia cigarras cantando, as nuvens bloqueavam a luz da lua cheia e o vento era frio e forte. Mais importante que tudo era a atmosfera horrivelmente pesada. Não havia um sinal de vida, de qualquer lugar. As casas estavam vazias, as luzes apagadas, e no ar, havia pura intenção assassina.

Naruto sentiu um arrepio, considerando sair daquele lugar. E então percebeu: onde estava o novato? Pelo que Naruto aprendera, os sonhos se baseavam no lugar onde seus donos estavam, desapareciam com a distância. Era tudo muito confuso, tenso e assustador, mas o loiro estava mais determinado e curioso que assustado.

Andando pelas casas, ele notou que somente uma era diferente. Ela se distorcia e tremulava, vez dando um ar de harmonia e calor, vez sendo o lugar mais tenebroso e mortífero por ali. Mordendo o lábio, o loiro entrou ali. Instantaneamente, viu algum líquido escuro escorrendo pelas paredes brancas - ele não pôde dizer o que era. Respirou fundo e continuou a andar, ouvindo como o chão rangia sob o peso dos seus pés e preocupado que alguma coisa fosse emergir detrás d'uma das portas entreabertas. Aquilo certamente era um pesadelo, afinal.

E em algum ponto, ele ouviu um berro de horror ecoar pela casa. Uma vez, duas vezes, e então choro e um milhão de perguntas sendo gritadas ao mesmo tempo até que outro berro ecoasse. Lição de moral para dar ou não, Naruto agora se sentia obrigado a acordar o pobre novato; não importa quão terrível ele fosse, não merecia aquilo. Começou a correr pela casa, procurando de onde vinham os gritos, até encontrar uma porta completamente fechada. Abriu-a, entrou no cômodo e viu a cena mais horrível da sua vida.

O menino estava de pé, olhando direto para as três pessoas em sua frente. Um homem e uma mulher estavam sentados, e outro homem segurava uma katana em posição de execução. A katana desceu rapidamente e então o menino berrou, correndo em direção aos dois cadáveres no chão. Ele tentou segurar os corpos, e depois ajeitar as cabeças, parecendo completamente desesperado, e então virou-se para o assassino à sua frente, perguntando as milhares de perguntas enquanto soluçava e chorava e as lágrimas molhavam todo o seu rosto. O homem pegou-o pelo colarinho, levantou-o no ar e deu-lhe dois socos, antes de lançá-lo para cima e chutá-lo para longe.

Se a porta estivesse fechada, o menino teria batido de costas na porta, mas já que Naruto abriu-a e estava imóvel, observando a cena sem saber o que fazer, ele veio voando para cima do loiro. Os dois ficaram bem confusos por um momento. O novato olhou para Naruto com dois olhos vermelhos esbugalhados, mas nada perguntou. Naruto, por sua vez, tomou o tempo para notar quão diferente aquele menino parecia. Frágil, pequeno, desesperado, os olhos assombrados, mas cheios de vida. Nem uma sobra da apatia que exalava durante a aula.

O chão rangiu e Naruto olhou para cima. O homem se aproximava, mecanicamente. Num impulso, o loiro pegou o braço do novato e saiu correndo, desesperado para dar o fora dali. Mas o novato não quis cooperar tanto assim.

— Os meus pais estão lá dentro! Quem é você?! Solte-me! — Exclamou, soando aterrorizado.

Seus pais já foram, agora você está em perigo, idiota! — Naruto gritou.

Ele não era geralmente tão insensível, mas não tinha tempo para pensar sobre isso antes de tirá-los de lá. Tinha um homem assassino atrás deles, e mesmo num sonho, isso não era reconfortante. Naruto respirou fundo e tentou se concentrar para mudar o cenário - algo a ver com ninjas ou comida seria ideal. Mas não funcionou, ele ainda estava correndo naquela vila sinistra. Por quê? Que sonho era aquele?

N'algum lugar da sua mente, surgiu a ideia: é uma memória. Ele não pôde dizer exatamente d'onde veio esta conclusão, mas fez sentido no momento. Então, talvez, no momento que ele entrasse num território que o outro garoto não conhecesse, ele conseguisse manipular o sonho novamente. Então eles correram, correram e continuaram a correr por o que pareceu horas, antes de, d'um instante ao outro, entrarem num cenário completamente branco.

Os dois caíram no chão liso, exaustos, corações acelerados e respirações superficiais. Com o canto do olho, Naruto viu o homem se aproximar, mas conseguiu distorcer sua imagem e fazê-lo sumir. Ele e o garoto encararam o nada por algum tempo, antes d'ele perguntar:

— Quem diabos é você?

— Uzumaki Naruto! — O loiro respondeu, dando seu sorriso automático e esperando que o outro garoto dissesse seu nome de volta.

Ele não fez isso. Ao invés disso, envolveu um braço ao redor do torso do loiro, enterrando a cabeça em sua camisa, soluçando e chorando e murmurando várias vezes:

— Obrigado, obrigado, obrigado...

***

Naruto acordou com lágrimas nos olhos e uma dor terrível no coração.

Ninguém jamais se mostrara tão frágil para ele, nem mesmo seus pais, e nossa, mesmo ele próprio escondia sua tristeza de si mesmo atrás d'um sorriso. Claro, o menino deve ter feito aquilo somente por ter sido um sonho e ele não ter total controle sobre o próprio corpo, mas ainda assim. Naruto não conseguiu tirar a imagem dele chorando e agradecendo da própria mente.

Desceu, comeu café da manhã e foi para a escola com pensamentos incômodos. Eu vi demais. Ele vai se lembrar de mim pela manhã? O que foi aquele pesadelo? Foi mesmo uma lembrança? Foi metafórico? Ou aquilo realmente aconteceu? É um pesadelo recorrente? Eu posso ajudá-lo? Eu vou ajudá-lo? Sua mãe ficou preocupada e perguntou se ele queria mesmo ir à escola, mas ele insistiu que sim.

Quando chegou lá, o garoto de cabelos negros e olhos mortos já estava lá. Naruto tentou passar despercebido, mas fazê-lo era difícil quando se tem cabelos loiros e olhos azuis vibrantes. Dois passos dentro da sala e o olhar vazio do menino desviou-se para o preocupado de Naruto e imediatamente, este olhar foi preenchido de reconhecimento. Naruto mordeu o lábio e torceu que o menino não fosse muito esperto.

Aquela situação ficou muito mais complicada que ele jamais haveria esperado.



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