História Sentimentos não são á prova de balas - Capítulo 35


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Amizade, Amor, Bangtan, Bts, Coréia, Jimin, Jungkook, Romance, Suga, Treta
Visualizações 27
Palavras 3.723
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 35 - Brigas e intrigas


- Pode me ajudar com o dever de casa? - ele perguntou quando percebeu que eu não responderia.

- Claro... É de?

- Matemática.

Kwan revirou os olhos e pegou alguns cadernos na bolsa. Ele só estava no terceiro ano, ainda aprendendo contas de adição e subtração, nada de mais, porém ele sentia como se aquilo fosse a maior das duficuldades.

Assim que terminei de ajuda-lo, fomos para a cozinha comer algo. Mamãe ficou na sala, revirando os olhos de vez em quando, e Sook estava no quarto. Nenhum deles estava muito a vontade com minha presença, e eu me perguntava se Kwan era maduro o suficiente para deixar aquilo de lado, ou inocente demais para notar que algo estava errado. Mas ele chorou naquele outro dia, como uma criança. Era isso o que ele era. Todavia, chorar não é um sinal de fraqueza, e mesmo se fosse... Ele ainda seria mais forte que eu.

Os olhares ameaçadores e nem tão discretos que minha omma lançava em minha direção, não me deixaram comer. Eu mal consegui ingerir meia xícara de leite. Meu irmão, em consideração, atacou o pote de biscoitos de um modo que mesmo que eu estivesse com fome, acho que não consiguiria comer.

- Vai com calma - falei - se não estraga o almoço.

- Que horas são?

- Passa um pouco do meio dia. - respondi olhando o relógio.

Apoiei minha cabeça, que estava doendo muito, no balcão, e sorri de leve olhando para a pia. Talvez aquilo fosse um meio do meu subconsciente mentir, dizendo que estava tudo bem. Eu estava acostumada a disfarçar a esse ponto? A ponto da minha reação ter um gatilho imediato para fingir sorrir... 

Massageie o canto dos meus olhos e suspirei. 

Minha mãe estava parada na porta, olhando a mesa, com os braços cruzados, apertando a blusa azul que vestia na hora. Tive coragem de encara-la por mínimos segundos, e pude ver o cansaço de uma idosa atrás dos olhos dela, que mal atingiam os 40 anos ainda. Me perguntava qual das duas estava mais acabada naquele momento.

- Vai fazer o almoço, omma? - Kwan perguntou.

- Tá quase tudo pronto, filho. - ela suspirou e me olhou - só falta terminar algumas coisas, é rapidinho. Está com fome?

- Não muita.

- Pare de comer os biscoitos, senão não fica com fome mesmo.

Eu não comeria ali. Estava completamente incapacitada só de imaginar em sentar-se em uma mesa junto com eles. 

- Eu vou estar no meu quarto, - tomei coragem de dizer - se precisarem...

Ela assentiu com a cabeça, e fez uma careta, na qual eu não consegui determinar o significado.

Deitei na cama, completamente exausta, com a cabeça doendo, a mente cansada e os pés dormentes. Consegui ver alguns desenhos meus que estavam colados na parede e vieram à minha memória alguns flashbacks, como a vez em que fomos a uma restaurante, quando Kwan ainda era bebê. Tinha pouco menos de um ano. Sook pediu um lanche, e meu irmão estava sentado ao seu lado. Antes que começássemos a comer, ele sequestrou um pedaço do lanche de seu pai. Do nosso pai... Era uma criança ladra de lanches.

Senti os olhos pesarem cada vez mais, até tudo esteja escurecer.

...

Acordei com o celular vibrando, e podia ver da janela, que ainda não era noite. 

Me coloquei de pé e sentei na cama novamente, sentindo uma vertigem de repente. 

- Preciso comer... - falei a mim mesma.

Eram 18h. 

Alguém bateu na porta.

- Pode entrar.

- Que bom que já está acordada. - Kwan empurrou a porta - Não se cansa de dormir?

- É aquele ditado, né? "não durmo correndo".

- E também não acorda de bom humor.

- O que foi? 

- Mamãe e papai acabaram de sair. Foram ao mercado.

- Está me dizendo isso por?...

- Sei lá, só pra você saber. Dormiu muito, nem almoçou com a gente. Não está com fome?

- Sim.. muita.

- Eu também!

- Não comeu ainda?

- Comi, mas isso já faz umas 4 ou 5 horas.

Desci as escadas e preparei mais duas xícaras de leite com biscoitos, como hoje mais cedo. Minha fome era muita, mas estava toda dolorida, e ainda cansada. Mal conseguia mastigar, embora estivesse me esforçando, já que não fazia isso direito ultimamente. Mesmo assim, ingeri menos que uma passarinho.

Quando meus pais voltaram, com algumas sacolas e sorrisos no rosto, como se por um momento estivessem esquecido a situação em que nos encontrávamos, ofereci ajuda para guardar algumas coisas, pensando que talvez estivessem mais calmos. Infelizmente, as respostas que obtive foram uma cara de desgosto, e outra de tristeza.

Eu queria tanto pedir desculpas, mas pelo o que? Por tentar dar uma segunda chance a alguém que errou? Isso era um ato condenável? Era motivo para que dois pais ignorassem completamente uma filha? Eu estava sendo tão injusta? Tão inocente? Tão imbecil? Talvez... 

- Sook... - falei quando ele foi buscar a última remessa no carro.

- O que foi?

- Está chateado comigo?

- E isso importa?

- Claro que importa!

Ele lançou em minha direção um olhar de carinho e de ódio ao mesmo tempo. Nunca vi sua testa tão franzida, e seus pés de galinha nunca estiveram tão evidentes.

- Ok.. - sussurrei.

Era óbvio que aquela conversa não levaria a lugar nenhum.

Voltei ao meu quarto, já que não tinha nada para fazer, e peguei meu celular, no qual eu até agora não havia conferido depois de vibrar. Tinha uma foto, foi o Jimin que me enviou. Estavam ele e todos os outros espalhados em um quarto. Suga sorriu para tirar a foto, assim como Jungkook e V. Os demais nem deviam estar prestando atenção. Sorri ao ver aquilo, e disquei o número de telefone dele.

- Alô? - ele atendeu.

- Chegaram em segurança, ou posso finalmente livrar de você? - falei brincando.

- Sinto dizer, mas isso ainda vai demorar um pouco.

- Misericórdia! - rimos - Como foi o vôo?

- Para falar a verdade, dormi o tempo todo.

- Você e o Suga, imagino.

- E o J Hope também. Saímos do avião com a cara toda amassada de sono, e eu, sinceramente, estava dormindo ainda. Dormindo andando.

- Me surpreende que tenha conseguido sair do avião sem nenhum machucado.

- Acredite, também fiquei surpreso! - ele suspirou.

- O que está fazendo agora?

- Criando coragem para arrumar as malas... 

- Entendi..

- Por mim eu deixaria assim, mas o Hobi me mataria. - Ouvi alguém cochichando algo do outro lado da linha, e Jimin retrucou com voz de neném.

- Mentalidade de 7 anos, né senhor?

- Acho que 6.

- 5.

- Estamos brincando de contagem regressiva? 

- Se estávamos, você estragou a brincadeira. - suspirei ao quase cair da cama, pois mal me aguentava sentada.

- O que foi?

- Nada... - respondi seca, quase sem voz - foram alguns dias difíceis.

- Difíceis como?

- Bom... - Eu não precisava incomodá-lo com aquilo, mas já não aguentava mais guardar tudo para mim. - Posso te fazer uma pergunta?

- Quantas quiser.

- Pessoas merecem segundas chances?

- Acho que sim, né.. todo mundo erra. Se alguém está arrependido, não vejo por quê não.

- E se você for magoar alguém, se perdoar outra?

- Por quê? Aconteceu alguma coisa?

- Não.. é... Hipoteticamente falando.

- Hipoteticamente falando? - concordei com a cabeça, mesmo que ele não pudesse ver - Por que alguém ficaria magoado com um perdão? Hipoteticamente...

- Bom.. talvez essa pessoa também tenha sido magoada e... Não conseguiu perdoar.

- Foi algo grave?

- Sim, muito... 

- Chega de hipóteses... Me diz o que foi, me deixou preocupado...

- É que... É complicado.

- Espera aí. -alguns ruídos apareceram do outro lado da linha por alguns minutos - pronto.

- O que foi isso?

- Eu sai do quarto pra gente conversar direito.

- Entendi...

- Olha, Milla... Já não é de hoje que você parece tão abatida, e eu prometi que não te cobraria nada, mas... Você parece péssima. Pode me contar o que foi.

- Você tem que descansar. O vôo foi longo.

- Eu não vou conseguir pregar o olho. Não agora. Não com você assim.

- Acho que tenho um dom - falei - de magoar as pessoas. É só o que eu tenho feito ultimamente.

- Quem você magoou? O que aconteceu?

- Jimin... Você sabe da minha história, né? Brasil até os 4 anos, pai que abandona, vó que morreu, tudo isso,certo?

- Sim.. você já falou sobre isso...

- É que tudo veio à tona nesses últimos dias... O meu pai... O meu pai pelo DNA... Ele apareceu...

- Como assim apareceu?

- Brotou... E me disse uma coisas...

- Milla, começa pelo começo, ok?

Contei para ele toda a história, e fiquei imaginando se ele estava com pena de mim. Porque eu não queria que sentissem pena. Não queria, não precisava. 

- Milla, isso é... Muita informação para um dia só. Nem consigo imaginar o seu estado.

- Eu já não estou tão confusa quanto antes, mas... Minha mãe, Sook... Eles estão muito magoados comigo.

- Tem que falar com eles. Desculpa, é o conselho que tenho para te dar.

- Eu já tentei. Várias e várias vezes, mas eles estão irredutíveis. Eu até entendo minha mãe, mas o Sook.. ele sempre foi mais racional, pensei que me entenderia.

- Ele também tem sentimentos. Às vezes essa parte fala mais alto.

- Eu bem sei disso.

- E se você é como uma filha para ele, obviamente a aparição do seu pai biológico não o agrada. Esperava que ele reagisse soltando fogos, por acaso?

- Não... eu nunca fui de chamá-lo de pai, até porquê quando nos conhecemos eu já sabia que ele não era. Mas, isso não quer dizer que eu não o considere como um. Ou quer?

- Tem que se colocar no lugar dele.

- Acha que não estou tentando? Mas eu também estou magoada! Como posso me colocar no lugar dele, se eles não se colocam no meu?..

- Então se coloque em todos os lugares! Pense e aja como quiser, mas isso não vai ser fácil... - um silêncio pairou na linha por alguns instantes - Olha, se nossa filha viesse com..

- Nossa filha? - interrompi.

- Desculpa... Eu.. ah.. - ele coçou a garganta - Se minha filha viesse com uma dessas, eu não levaria em uma boa. 

- Mas se ela fosse sua filha, não faria muito sentido se...

- E ele não te considera como uma? Não é isso o que você é para ele?

- É sim...

- Só... Só tenta falar com eles. Grita, chora, esperneia, mas faça eles te ouvirem. Eu sei que você é forte o suficiente para isso.

- Espero que sim... - Passei a mão pelo rosto e olhei pela janela - Jimin, me promete uma coisa?

- Fala aí.

- Promete que esses meses vão passar logo? Já tô precisando de um abraço seu. 

- Eu espero que passem...

- Eu sei que isso foi.. extremamente meloso, mas...

- Eu sei... Posso te falar uma coisa?

- Claro que pode! - falei um pouco baixo, meio triste - depois de ter me ouvido, o mínimo que você pode fazer é me falar qualquer coisa também.

- Sabe aquela vez... Em que eu falei que te amava?

- Claro..

Como eu poderia esquecer?

- Não era mentira. Não é mentira. E se alguém ama, então alguém escuta. Escuta, ajuda, e faz tudo por essa pessoa... Sendo assim, você pode me dizer o que quiser, pode me contar tudo. Mesmo que você não corresponda... Eu espero que pelo menos isso você saiba que pode fazer.

- Você sabe que pode fazer o mesmo, não sabe?

- Sei. Pelo menos, acho que sei...

- Como assim?..

- Tá tudo bem confuso para nós dois, principalmente para você.... - ele suspirou pesado, como se o ar não quisesse entrar ou sair - Fica bem, tá?

- Tá se despedindo?

- Acho que você precisa descansar. 

- Eu também... 

- E olha... Independendo de serem 2 horas da manhã aqui.. pode me ligar. Se for pra gritar, chorar, tanto faz...

- Eu sei... E como eu já disse... Pode fazer o mesmo.

- Boa noite, Milla.

- Pra você também.

- São quase 5h da manhã aqui.. - ele riu.

- Então... Boa madrugada?

- Pode ser... Tchau.

E desligou.

Não era uma conversa na qual eu queria ter por telefone, mas estava, sem dúvida, mais tranquila. Eu tinha perdido a conta de quantas vezes Jimin me ofereceu um ombro, e me fez sentir como se eu não estivesse totalmente perdida. 

Apoiei a cabeça no travesseiro, e a imagem do nosso primeiro beijo venha na minha cabeça de repente. Me peguei sorrindo com a cena. Lembrei também do nosso primeiro encontro... O que aquele garoto viu em mim? Eu era uma bagunça. Eu sou uma bagunça.

Eu não lembrava que conseguíamos dormir sorrindo.

.....

Domingo de manhã. 7 horas. 

Alguém já estava de pé. Eu ouvia a bateção de panelas na cozinha. Era minha mãe.

- Se está procurando o caneco, ele sempre fica atrás da panela de pressão.

- Ah, verdade! Obrigada. - ela disse calma, pela primeira vez, mas quando olhou pra mim, ficou sem expressão. 

- Por favor, me diga que vamos ter um café da manhã sossegado.

- Claro... Por quê não?

- Pode me responder direito? Como minha mãe faria? Vamos, fala "claro, filha", sem esse tom seco.

- Fale baixo. - ela mandou, enchendo o caneco com água - Seu irmão está dormindo. 

- E o Sook? Onde está?

- Dormindo também. 

- Precisamos conversar, nós três, como pessoas civilizadas! 

- Milla.... - ela se sentou - o que você espera que nós façamos? Quer que olhemos nos seus olhos e digamos que está tudo bem? Que não estamos magoados? Com raiva? Decepcionados? Porque estamos!

- Mas eu sou filha de vocês!

- Minha filha não me apunharia pelas costas. Você mudou.

- É! é, eu mudei! Nos últimos meses eu experimentei coisas na qual eu nunca pensaria! Tomei decisões que me surpreenderam e eu faria tudo de novo! Milhares e milhares de vezes! Bilhões se precisasse!

- Que gritaria toda é essa? - Sook pareceu descendo as escadas. 

- Não é nada! Esse papo já deu! - minha mãe falou.

- Não! Nã-nã-ni-na-não! - balancei o deu a bati a mão na mesa - Não deu até vocês tomarem vergonha na cara, sentarem nessas cadeiras e ouvirem o que eu tenho para dizer!

- Acha que somos obrigados a te obedecer?

- Não, não são. Mas se querem demonstrar um pingo de maturidade, acabar logo com essa briga de forma pacífica e o mais rápido possível, vão fazer o que eu estou pedindo.

- Você nos traiu. O que pode justificar isso? - minha omma perguntou.

- Então foi isso o que você fez com seu pai? Traiu ele? Porque queira ou não admitir, a história só está se repetindo, e eu tenho a chance de fazer isso mudar!

- Não se pode mudar o passado!

- Mas podemos fazer o presente! Eu posso...

- Não pode nada! - minha mãe avisou - Não pode mudar o passado, não pode me fazer perdoa-lo e se insistir com essa história, pode esquecer que sou sua mãe!

Ela subiu as escadas em uma fúria, mas quando ela estava em meio caminho, dei cheque mate. Consegui deixá-la sem palavras uma vez na minha vida.

- Minha mãe me ouviria, e não me abandonaria dessa forma. Você mudou.

Ela foi para o quarto, e Sook permaneceu imóvel na minha frente, me encarando, como quem não soubesse o que dizer.

- Estão agindo feito crianças. - falei - sabe que nunca abandonaria vocês, ao contrário do que estão fazendo comigo.

- Estamos te abandonando?

- Eu precisava dos meus pais agora. Queria que eles me abraçassem e dissessem que está tudo bem. Mas não é o que estão fazendo.

- Isso não é fácil. Se coloque no nosso lugar. 

- Foi a primeira coisa que eu fiz. Você viu minha reação naquele dia! Sabe que para mim não foi fácil! De que adianta eu tentar entender você, se vocês não fazem o mesmo?

Eu não estava com vontade de chorar. Pelo contrário, nunca me senti tão feliz por ter feito algo. Minha cabeça estava erguida, e eu estava segura de mim mesma. Mas minhas pernas estavam um pouco bambas, e eu estava um pouco nervosa. 

Sook abaixou a cabeça e eu fui ao banheiro para tomar um banho, já que o café não sairia tão cedo. Depois, vesti uma blusa branca de botões pretos e um short cós-alto escuro. Prendi meus cabelos molhados em uma trança de lado, mas alguns fios ficaram caindo sobre minha testa. Quando acabei, meu irmão ainda estava dormindo e meus pais estavam no quarto. Eu ouvia cochichos, e tinha certeza de que aquilo não era um bom sinal. Peguei minha bolsa e meu celular e fui até uma praça e andei um pouco, meio calma, mas ainda pensativa. Ficava me perguntando até quando aquilo iria durar. Pensei "como vai estar a minha relação com eles daqui a 1 ano?". Era algo que eu fazia quando algo estava indo mal, porque eu aprendi que em 365 dias tudo muda, e que eles passam rápido. 

Quando me dei conta, já estava um pouco longe de casa, perto de um café. O mesmo café em que eu e Jimin nos conhecemos. Entrei e procurei minha carteira, mas eu não a achei. Droga! Só não esqueça a cabeça porque estava colada no corpo. Mas eu precisava comer. Em algum momento eu não me aguentaria mais em pé. Tenho comido feito um pássaro nos últimos dias. Me sentei em uma mesa e olhei as horas no celular, eram 8h em ponto. 

Mandei mensagem para o Jimin. De acordo com minhas contas, eram mais ou menos 17h. 

Eu

"Adivinha onde eu estou?"

Guardei o aparelho na minha bolsa e ergui a cabeça. Passei a mão no meu pescoço, tentando aminizar a dor constante daquele lugar. Na mesa a frente, vi com uma xícara de café na mão, um rosto familiar. Era o Sam. Me levantei e sentei na frente dele.

- Sabe que perseguição é crime, né? - falei.

- Olha quem nós temos aqui! - ele olhou para mim e sorriu - Te digo o mesmo.

- Se eu fosse a perseguidora, não me aproximaria. Agora você está bem escondido atrás dessa xícara enorme.

- Destino? Coincidência?

- Perseguição? - perguntei rindo.

Senti meu celular vibrar, era uma mensagem do Jimin.

Jimin

"Onde?"

Eu 

"No café onde nós conhecemos."

- Espero que não esteja ligando para a polícia. - Sam brincou.

- Estou, sim. Vou dar queixa.

- Ah, não. - ele colocou o café de lado - Mas falando sério, o que está fazendo aqui?

- Vim tomar um café... E você?

- O mesmo, como você pode ver.

- Não devia estar trabalhando?

- Folga hoje. 

- Entendi... Mas está um pouco longe do trabalho. Da suposta área onde mora.

- Já que se adiantou no interrogatório. - ele riu - Xeroque Holmes.

- Péssimo trocadilho.

- Eu sei... Minha namorada mora por aqui. Vim passar o final de semana com ela. 

- E está tomando café sozinho?

- Ah... - ele tomou um gole, sem graça.

- Desculpe, devo estar me metendo demais...

- Um pouquinho... - ele riu - mas não tem problema...

- Sinto muito, mesmo assim...

- Eu tenho que ir, inclusive. - ele se levantou - espero te ver de novo. 

- Igualmente.

- Não, eu vou estar de óculos escuros, mais discreto dessa vez.

- 190 tá na discagem rápida!

Ele riu, acenou com a cabeça e saiu.

Meu celular vibrou de novo.

Jimin 

"Espero que as pessoas de camisa branca estejam longe de você...."

"Está melhor?"

Eu

"Um pouco, ainda preciso colocar alguns pauzinhos no lugar..."

Jimin

"Falou com seus pais?"

Eu

"Não falei, eu gritei. Não me deram escolha..."

Jimin

"E adiantou de algo?"

Eu 

"Nem eu sei... Espero que sim"

Decidi voltar para casa, pois como já disse, estava quase desmaiando. 

Cambaliei algumas vezes no caminho, seja em algumas rachaduras na rua ou em algumas pessoas. 

Quando cheguei em casa, Sook estava sentado no sofá, com os olhos vidrados na parede, com uma expressão preocupada.

- O que foi? - perguntei-lhe.

- Sua mãe... - ele parecia tenso - Ela está nervosa. Abalada.

- Desde aquela conversa?

- Pegou pesado com ela.

- Claro, porque ela foi delicada como seda ao falar comigo.

- Você não sabe o que ela passou...

- É, eu não sei. Eu não sei como é passar a vida brigada com as pessoas que mais te amam, e não faço a mínima questão de descobrir. Na verdade é tudo o que eu quero evitar.

- Está vendo?! Essas coisas que você fala, machucam, sabe?

- Eu sei que machuca! Mas a realidade é essa! Tem sido como um tapa na cara ultimamente!

- E a culpa é de quem? - minha omma perguntou, brotando na porta da sala de repente.

- Eu não sei. Me diz você. Tem sido ótima em apontar dedos...

- E você tem sido ótima em me decepcionar, sabia?

- Não é possível que estamos tendo essa discussão novamente! 

- Estão agindo feito crianças, - meu padrasto gritou - as duas! Se querem discutir, ótimo, mas vão fazer isso sentadas, ouvindo o lado uma da outra, sem gritar para não acordar o Kwan, para dar a droga de um basta nessa desgraça uma vez por todas!

- Finalmente! - me sentei no sofá - agora estamos indo a algum lugar!

- Vamos, Mariana, sente-se.

- Eu estou bem aqui.

- Não está, não. Sente, por favor.

Depois de quase 10 minutos, ela se sentou na minha frente.

- Mãe, você sabe que eu nunca a abandonaria, não sabe? - comecei - mas não pode me pedir parasitoses mente ignorar tudo o que tem acontecido! Eu não sou o tipo de pessoa de dá as costas para as pessoas! O Willian errou? Errou? Mas ele quer consertar, e eu acho que uma segunda chance é tudo o que ele precisa!

- Segunda chance? Ele nos abandonou! Como pode defender aquele homem? Só porque ele te disse umas palavras bonitas? É seu padrasto? O homem que te criou, como fica?

- Fica como sempre! Meu pai de verdade! Que me levou para a droga da escola quando eu era criança, foi nas minhas reuniões e me defendeu de muitas das suas broncas! Nada vai mudar! Vocês são meus pais! 

- Como nada vai mudar? Não seja inocente! 

- A única coisa que eu quero mudar, acabar de uma vez, é essa maldita briga! Não quero crescer no meio dessa guerra desgraçada!

- Olha a boca!

- Vão mesmo corrigir meu vocabulário nesse momento?

- Está sendo infantil! Inocente! Não vê que está cometendo um erro! Vai acabar com essa família! - ela se colocou de pé.

- Se você me perdoasse, acabasse com esse conflito, o que seria destruído? Me diz!

- Tudo! Tudo! Eu não queria esse homem na nossa vida! Não precisamos disso! Eu te proibi de ter contato com ele!

- Você está sendo tão... Tão...

Minhas pernas falharam, minha cabeça pesou de repente e eu senti como se meu corpo estivesse flutuando no ar. Tudo escureceu, do nada...




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