História Silêncio - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Revelaçoes, Romance
Visualizações 3
Palavras 1.591
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Demorei um pouquinho, mas tá aí.
Boa leitura.

Capítulo 5 - Família Perfeita


Fanfic / Fanfiction Silêncio - Capítulo 5 - Família Perfeita

Quando Lucile me disse que o dia não seria fácil nem se passava por minha mente o quão difícil ele poderia vir a ser.

Os dias nunca são fáceis quando você tem de fingir ser algo completamente diferente do que é e viver numa realidade diferente da sua; porém há dias e dias.

Há dias nos quais algo faz com que a jornada de mentiras se torne mais suportável e há dias nos quais nada colabora com sua vida. São aqueles dias em que tudo parece conspirar contra você.

E, meus amigos, hoje está sendo um desses dias.

Até mesmo as pequenas coisas parecem estar dando incrivelmente errado, ou talvez eu esteja sendo dramática demais, porém acho muita coincidência o chuveiro de meu banheiro queimar bem no dia em que mamãe descobriu sobre a traição de papai.

E o pior, ela descobriu que ele a traía com a irmã "promíscua" de Anthony, o moço do apartamento 16- A, irmã a qual ela vivia julgando.

Juntando-se a esse aglomerado de "coincidências" nada agradáveis estava o fato de que teríamos de comparecer à mais um dos jantares empresariais de papai e fingirmos ser uma família perfeitamente feliz; quando, na verdade, não o éramos.

Se há algo que eu odeio mais do que fingir ser quem não sou, é ter de fingir ser quem não sou em meio à um monte de amigos de meu pai e ouvi-los falar o quão bom é ter um filho hétero que cursa uma boa universidade. Isso me dá náuseas.

Primeiro porque meu irmão não está em uma universidade, segundo porque não sou homem e piorou hétero.

Normalmente meu irmão nem ao menos botaria os pés nessas reuniões de papai, afinal, o dito cujo tinha vergonha de Lucas e nem ao menos considerava seu filho, todavia hoje ele estava sendo obrigado a ir.

É aquele velho e bom preconceito com quem não quer ter um curso superior. Qual é a dificuldade em entender que não ter um curso superior não faz da pessoa menos capaz?

Steve Jobs estava aí pra provar isso. Ele não concluiu seus estudos em Harvard e olha só o que conseguiu conquistar.

Por mais incrível que possa parecer, ele também era considerado um vagabundo por meu pai. Vai entender a mentalidade do ser humano.

—Você está bem? -pergunto para minha mãe que apenas me lança um olhar severo, creio que o teatro já tenha começado

—E por que não estaria? Tenho uma família maravilhosa...

—Um marido que a trai... -digo simples

E é nesse ponto que as coisas ficam ainda mais estranhas.

Sinto um tapa ser desferido em meu rosto e a olho indignada me perguntando o que diabos se passa na cabeça de minha progenitora.

Levo minha mão ao local onde ela bateu e o acaricio, não doeu à ponto de me fazer chorar, todavia isso não me impede de estar surpresa. Ela nunca havia feito isso, nem ao menos quando a avisei sobre o suposto caso que papai tinha.

Creio que as coisas doam mais quando descobrimos o quão verídicas elas são, sendo assim, não a atormentarei mais com este fato, se ela quer viver com quem a traí, que viva.

—Nunca mais fale assim de seu pai! Ele é um homem maravilhoso e um ótimo pai. -ela diz convicta da veracidade das palavras que saem de sua boca, no fundo, devia estar pedindo a Deus que tal premissa se tornasse verdadeira

Me seguro para não rir em sua cara. Houve um tempo no qual meu pai foi um ótimo marido e um pai ainda melhor, porém este tempo ficou para trás. Nossa realidade hoje se diverge completamente da nossa realidade de alguns anos atrás. O que, ao meu ver, é uma pena.

Pode ser que nossa família sempre tenha sido assim, problemática, e eu apenas não tenha visto isso devido às máscaras usadas por meus pais, um dia as máscaras caem e revelam a verdadeira personalidade de quem as vestem.

Saio do apartamento sem me preocupar em dizer para onde eu vou, preciso espairecer um pouco antes de encarnar a personagem completamente feliz com a vida que leva.

Quando dou por mim, estou batendo na porta do 16-A.

Anthony a abre e me olha de maneira confusa, nós já havíamos conversado algumas vezes, ele é um bom rapaz, um doce de pessoa. Creio que sua confusão se deva ao fato de todas as nossas conversas anteriores terem sido realizadas no elevador. Eu nunca dei as caras em seu apartamento... até agora.

—Olá Amy. -ele diz por fim- Ao que devo a honra de sua visita? -Tony pergunta ao que sede espaço para que eu entre

—Para ser sincera com você, nem ao menos sei o motivo de ter batido em sua porta. -rio- Acho que preciso desabafar com alguém, sabe, antes que eu pire de vez.

—Sinta-se a vontade. -ele aponta para o enorme sofá de veludo vermelho- Estava fazendo um chá preto -comenta enquanto entra na pequena cozinha- aceita?

—Por favor.

—Com ou sem açúcar?

—Sem.

Anthony volta para a sala, me entrega uma xícara de porcelana contendo o chá e se senta ao meu lado em silêncio; certamente estava esperando que eu começasse o meu desabafo desesperado.

Eu podia ter procurado Lucy, entretanto isso não seria de muita serventia, visto que ela havia ido para a casa de sua avó na cidade vizinha e eu odeio desabafar por telefone.

—Minha mãe descobriu que o marido a trai.

Digo de um jeito tão normal que tal assunto poderia ser facilmente comparado com aquelas conversas do chá da tarde realizado pelas senhorinhas do bairro.

—Sinto muito...

—Não sinta, ao menos não por isso. Eu já tinha avisado ela, estava tão nítido sabe? Apenas ela não percebia, ou fingia não perceber... o verdadeiro problema nisso tudo é que hoje teremos um dos milhares de jantares de negócios do meu pai e teremos de fingir ser uma família perfeita enquanto ouço seus amiguinhos falando atrocidades. -respiro fundo- Não sei se tenho paciência o suficiente.

—Amy, eu não te conheço muito bem e, provavelmente, não sou a melhor pessoa no mundo para te dar um conselho nesse nível, mas se eu estivesse em seu lugar eu faria o que meu coração mandasse fazer. Se você acha que ajudaria fingir ser o que não é enquanto está nesse jantar, o faça, caso contrário seja apenas você... é só ser educada e fingir não ter ouvido os comentários inoportunos. Eu sei que é difícil, porém ninguém nunca disse que seria fácil.

Mas ninguém nunca disse que seria tão difícil também. -ele assente

—Não existe um manual que nos ensina como viver, como passar por todos os obstáculos que nos cercam e como nos superar e provar do que somos capazes, temos de fazer isso por nós mesmos. Vou dizer algo que acredito que já saiba; a vida de ninguém é fácil. A grama do vizinho sempre aparenta estar mais verde e saudável do que a sua, porém tenho certeza de que se você der uma segunda olhada, vai perceber o quão ruim ela está. Nenhuma família é perfeita, Amy, e as coisas nunca são fáceis quando o tópico familiar está envolvido.

—Obrigado. -sorrio e beberico meu chá- Acredito que eu tava precisando desse choque de realidade em minha vida. -digo sincera- Acho que já vou, desculpe lhe incomodar.

—Imagina, precisando, sabe onde me encontrar. -termino meu chá e me levanto

—Digo o mesmo pra você.

Ele se levanta e me acompanha até a porta; nos abraçamos brevemente e eu caminho até o elevador. Hora de me arrumar e fingir ser quem não sou, só peço aos deuses que os amigos de meu pai não sejam tão escrotos quanto foram no último jantar; não sei se minha cara de paisagem e meu silêncio perdurarão por tanto tempo se eles o forem.

----------

Sabe quando você revira seu guarda-roupas inteiro, não encontra nada que fique bem em você e começa a pensar que não tem roupas quando, na verdade, tem um caminhão delas? Este é meu dilema neste exato momento.

Nenhum de meus vestidos estão ficando realmente bons e meu pai odeia que as mulheres da família saiam de calça quando estão junto à ele.

"Vocês tem de demonstrar feminilidade, calças são vestimentas pra machos!"  -é o que ele sempre nos diz

O quão misógina e machista uma pessoa pode ser em apenas uma frase? Penso que alguém tem de avisa-lo de que mulheres podem, sim, usar calças, na real, podemos usar o que bem entendermos.

O difícil é enfiar isso na cabeça dura dele, sendo assim estou evitando a fadiga de ouvi-lo ordenando que eu troque de roupa porque "filha minha não anda igual macho".

Acabo optando por um vestido preto, liso e super simples. Minhas sandálias pretas acompanham o look junto de uma maquiagem leve e um penteado nada elaborado.

Desço as escadas e me deparo com a família perfeita.

—Todos estão tão lindos! Vamos tirar uma foto para recordar deste momento! -papai diz com uma falsa animação

Todos nos juntamos e pousamos para a selfie que seria tirada, a música Dollhouse, da Melanie Martinez, se passa em minha mente.

"Sorria para a foto, pouse com seu irmão. Você não quer ser uma boa irmã!?"- e é com este trecho em mente que sorrio amarelo enquanto a foto é tirada

Saímos de casa em silêncio, entramos no carro; ainda em silêncio e seguimos até o restaurante escolhido para a realização do jantar. O silêncio no carro era algo surreal e extremamente constrangedor, todavia, ninguém ousaria quebrá-lo.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...