História Só mais um trago - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Poesias, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 1 - Sweet smoke


 

Suspirei soltando a fumaça aos poucos. Fumava de maneira lenta, sentindo cada músculo do meu corpo relaxar com o ato. Traguei uma ultima vez antes de apagar o cigarro no batente da varanda. Fechei os olhos me concentrando na música vinda de dento do meu apartamento. Era a perfeita trilha sonora, a letra me refletia por completo. Uma minúscula parte de mim se sentiu incomodada, mas o resto de mim sentia-se conformada com a verdade que a música transmitia. 

"Perdedor, solitário. 

Um covarde que finge ser durão 

Meio delinquente. 

No espelho, você é 

Apenas um perdedor 

Um solitário, um imbecil coberto de cicatrizes. 

Lixo sujo. 

No espelho sou eu" cantei de maneira mórbida o refrão. 

Logo um sorriso debochado se formou em meus lábios, estava rindo da minha própria desgraça, havia enlouquecido, mas não por completo. 
Gargalhei como uma psicopata. 
Perceber que estava a beira da loucura me fez rir, não por achar graça da situação, mas por ter certeza que desataria a chorar quando a sanidade que me restava tomasse conta da minha mente. 

Ainda gargalhando, entrei e fui em direção ao amplificador, deixando seu volume ao máximo. Em seguida me joguei no tapete, iniciando um choro acompanhado novamente do refrão melancólico. 
Em meio aos soluços grunhia de dor, meu estômago me punia pela falta de comida. Mas a vontade de chorar em cima do tapete era maior, a fome teria de esperar. 

[...] 

As horas se passaram, minhas lágrimas caiam com menor frequência. O Sol já havia se posto, logo Jackson chegaria. 
Eu não queria envolvê-lo. Eu tinha que me levantar e esconder a carteira de cigarros, lavar meu rosto e trocar as roupas empesteadas com o cheiro da nicotina. Mas eu simplesmente não me movia, minha visão escurecia pouco a pouco. Quis gritar por socorro, mas um nó na minha garganta tornou isso impossível, maldito orgulho. 

Pude ouvir a porta ser destrancada, e a musica desligada.
 "Droga" foi a única coisa que consegui pensar antes de ver os coturnos de Jackson vindo em minha direção, logo tudo ficou escuro. Apenas ouvia a voz desesperada dele gritar por ajuda. 

Senti meu corpo ser carregado. Jackson repetia diversas vezes: "Aguenta firme!".       Eu queria poder respondê-lo, acalma-lo fazer com que se sentisse melhor, mas me encontrava totalmente inútil, mais do que estava acostumada. 
Logo pude ouvir outras vozes, que faziam diversas perguntas direcionadas a Jackson, que apenas repetia como um disco riscado "Não sei!" 
Senti ser colocada no que presumia ser a maca, logo uma agulha furou meu braço. Aos poucos perdi a consciência. As vozes se tornaram mais distantes, e a dor foi se aliviando. 

[...] 

Abri os olhos de maneira abrupta, me sentei  para observar melhor onde me encontrava. 
Um quarto de hospital, já era de se esperar.
Retirei com cuidado a máscara de oxigênio, seguindo para os diversos fios conectados a mim. Mas ao retirar o primeiro, a porta do quarto foi aberta. 
 Suspirei aliviada ao ver que era Jackson, e não uma enfermeira. Ele me fitou com um olhar reprovador, mas isso não me impediu de continuar a puxar os cabos.

"Crise de ansiedade... porque não me contou?" Disse encostando na parede.

"Não enche Jackson."  falei me levantando indo em busca das minhas roupas.

"Isso é sério! O médico disse que você aparece com frequência no pronto-socorro, e que isso acontece pelo menos uma vez ao mês." disse me entregando as roupas de dentro de uma sacola que estava junto a ele.

"É... e daí? Eu sempre acabo viva, intacta, em perfeito estado." Falei seguindo para o banheiro, trocando a camisola de hospital por uma calça jeans clara com alguns rasgos e um camisetão branco de manga comprida com a frase 'bicht please' estampada.

"Ele também disse... Que suas visitas tem se tornado mais frequente nas últimas semanas." Deu uma pausa e se aproximou da porta do banheiro. " Isso tem haver com o lançamento do novo livro?" Perguntou receoso. 

Um silêncio se formou, junto a um nó em minha garganta. Olhei fixamente para o espelho, observando cada traço do meu rosto, cada fio de cabelo caído sobre meus olhos azuis. Soprei o curtos e finos fios negros de cabelo, que atrapalhavam minha visão. Apoiei as mãos na pia, encarando mais de perto o reflexo. Soltei um suspiro, embaçado levemente o espelho. Baixei a cabeça fitando o ralo da pia, pensando na possibilidade de fugir por ele, evitando Jackson, que me forçaria a fazer um tratamento que me entupiria de remédios e não resultaria em nada além de mais um ataque. Levantei o rosto e coloquei o cabelo pra trás da orelha. Sai do banheiro fitando Jackson com a típico olhar de falsa confiança. 

"Você parece melhor." Disse esboçando um sorriso mínimo.

'As pessoas só acreditam em mentiras, porque queriam que elas fossem verdade.' Filosofei sozinha.

Terminei de recolher minhas coisas e saímos em direção ao nosso minúsculo apartamento. Andamos em silêncio durante as 2 primeiras quadras, mas a mula do Jackson quebrou o perfeito silêncio daquela madrugada.

"O médico parecia ser próximo a você." Disse fazendo uma expressão de 'moon face' 

Ri de maneira debochada de sua expressão, mas logo voltei a ficar séria, deixando o mesmo confuso.

"Digamos que....ele é mais distante do que deveria" disse soltando um ar de suspense.

"Sinceramente ....Você é incompreensível, Elize Miller." Disse desistindo de nosso diálogo.

Agradeci mentalmente por voltarmos ao doce e magnífico silêncio, que durou o resto da caminhada.

[...]

Logo que entramos no apartamento, me sentei em frente ao computador. Abri os arquivos buscando a últimas anotações feitas. 
Comecei a teclar com força e velocidade, liberava todos os sentimentos acumulados por atrás da máscara de durona. 
Era um misto de angústia e raiva que causavam uma certa queimação no peito e só cederia de uma maneira, escrevendo. Então me concentrei em dar uma surra na teclas.

[...]  

Enquanto teclava/socava, o meu celular começou a tocar. 
Olhei com desprezo para o visor que indicava o nome do dono de grande parte dos meus pensamentos mais obscuros. Observei o celular vibrar e repetir o irritante toque do Justin Bieber que havia colocado especificamente para ele.
Jackson parou de trabalhar imediatamente ao perceber que não 'socava' mas o teclado. Ele me olhou curioso como se pedisse uma explicação. 
Eu apenas levantei o aparelho para que ele pudesse ver o nome de Max em destaque na tela. 
Isso foi o suficiente para ele demonstrar um sorriso carregado de piedade. 
Max e eu tivemos um tipo de relação, se é que pode se chamar aquilo de relação. 
Não nós 'relacionávamos' mais, por alguma parte não lúcida da minha insana mente, associei sua ausência a um dos sentimentos mais desprezíveis, saudade.
Deixei de lado o celular e tentei ignorar a música irritante.
Alguns minutos se passaram e logo Jackson interrompeu minha digitação.

"Porque não atendeu? Você disse que tinha superado ele." disse sem tirar os olhos de seu computador 

"Hm...às vezes a saudade é melhor companheira que a decepção." disse me levantando e indo em direção ao quarto. 

"Sente saudades dele!?" gritou indignado.

"É complicado" disse quase como um sussurro.

Jackson veio até a porta do quarto com esperanças de que continuássemos a discutir, mas apenas o ignorei tomando alguns analgésico e me jogando na cama, da onde eu não pretendia sair por um longo tempo. 
Me deitei de costas para ele, que continuava encostado na soleira da porta. Logo entendeu que sua pergunta ficaria sem resposta, bufou frustrado indo embora. 
Fechei os olhos tentando dormir um pouco.


Notas Finais


Obrigada por ler.


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