História Sob o pretexto da guerra - Capítulo 29


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fate/Stay Night, Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works, Fate/Zero, Mitologia Grega, Rurouni Kenshin (Samurai X)
Personagens Shirou Emiya
Tags Archer, Fate/stay, Rin, Saber
Visualizações 51
Palavras 3.551
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Fate/Stay não me pertence e seus personagens também não.
O intuito dessa fanfic é totalmente interativo e sem fins lucrativos.
Por isso, não me processem, por favor. Não tenho como pagar uma fiança e da cadeia não dá pra postar.


Boa leitura!

Capítulo 29 - Sonho


Sonhos são manifestações inconscientes do que aconteceu no seu dia-a-dia, que sua mente tentou reprimir. Seja por um motivo de proteção, seja pelo simples fato de não ter sido interessante o bastante pra ser assimilado enquanto seu cérebro estava ativo. Quando o corpo entra em modo de descanso, é a hora da cabeça repassar os dados vividos. Tem quem lembra. Tem quem não lembra. Tem quem usa disso pra basear sua vida. Tem quem até se assusta com o que sonhou, mas se esquece nos primeiros cinco minutos acordado.

Sonhos são algo realmente interessantes. Eles são uma abertura imensa, onde você se livra dos pudores e vive, em imaginação, o que não faria na vida real.

Seria a melhor maneira do Graal conversar com alguém, caso precisasse.

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Aquele cenário era conhecido à Rin. Ela reconheceria a casa de Shirou em qualquer circunstância, apesar de que, dessa vez, estava ligeiramente diferente. O prédio era o mesmo, o terreno era o mesmo, os galpões, a oficina, mas, enquanto entrava pelo quintal, notou que algo tinha mudado. Era como se Shirou tivesse redecorado, mas não com itens de decoração. Parecia que ele tinha mudado a alma do lugar. Era mais rústico, menos elegante. Deu de ombros e invadiu a sala, pra procura-lo.

- Shirou? – estranho ele não estar a sua espera. Aliás, o que ela estava fazendo ali?

Ouviu passos vindo de dentro da casa, do quarto talvez. Enquanto isso, reparou que o interior do lugar também estava diferente. Tinha aquela mesma sensação de quando viu a parte de fora.

- Tohsaka?! O que foi? Aconteceu alguma coisa?

O coração parou de bater.

Aquela voz não era a de Shirou. Virou de frente pra quem a chamava, mas sabia quem encontraria. Os olhos já estavam arregalados.

- Archer?!

Ele a olhou confuso. Mas tinha os mesmos olhos risonhos de seu amigo querido.

- Archer? Essa é nova... – e riu, coçando a cabeça.

Rin não entendeu nada. Olhou tudo em volta, como se tivesse procurando alguma câmera escondida, pra justificar uma pegadinha. Apesar de duvidar muito que os dois tinham se unido pra pregar uma peça nela. E, aliás, o que ela tinha ido fazer lá? Voltou a encará-lo, em sua frente. Era Archer, sem dúvida. Aquele corpo, ela reconhecia até com os olhos fechados. Ele veio do quarto, provavelmente, então só tava com uma calça de moletom. Isso sim era estranho, já que era um hábito do Shirou. Mas o peitoral era todinho do Archer. A pele morena e o cabelo claro, a ponto de estar branco também. Só não era arrepiado como o dele, e sim caía pela testa. Como o do Shirou... Deus, o que está acontecendo aqui?!

- Shiiiii... você não vai voltar? – uma voz mole surgiu pelo corredor. Rin entrou em pânico. Esticou o pescoço por trás de Archer pra encontrar a camiseta que devia ser a dele, cobrindo uma outra mulher, que vinha toda descabelada, pisando na ponta do pé.

O ciúme a comeu por dentro.

- Que porra é essa, Archer?! – gritou no impulso, apontando a aparição, que parou antes mesmo de invadir a sala.

Ele a olhou sem entender nadinha. Olhou pra moça, que também não gostou nada.

- Archer? Seu nome não é Shirou? – ela perguntou um tanto brava. – Você tem namorada?

- Meu nome é Shirou e ela não é minha namorada. – ele respondeu contrariado. – Você pode me esperar lá no quarto, fazendo favor? – era quase uma ordem. A moça girou nos calcanhares, dando uma bufada de leve.

Uma bufada muito menor que a de Rin.

- Eu não sou sua namorada, Archer?! – gritou com ele, com os olhos marejados.

- Tohsaka, o que você tá arrumando?! Por que você tá me chamando de Archer? E desde quando você acha que é minha namorada?! – foi a vez dele gritar, impaciente.

Rin se deixou levar pelas lágrimas.

- A gente se conhece há dez anos... – murmurou chorando.

- A gente se conhece há muito mais tempo que isso. – ele corrigiu na hora, chamando atenção de Rin. – Mas faz uns dez anos que eu não te vejo...

Ela estacou. As lágrimas secaram na hora.

- O quê? – perguntou em choque.

- É isso que você ouviu. Desde o colégio, desde a Guerra. Eu nunca mais vi você. Depois, eu fui viajar, você também... pra Londres, você foi não é? – perguntou de modo honesto.

Rin não sabia nem como começar a juntar as peças desse quebra-cabeças macabro.

- Archer... – balançou a cabeça, rapidamente. – Shirou, eu vou fazer uma pergunta, não se ofenda com o que eu vou te perguntar agora, por favor.

Ele deu uma risada gostosa, daquelas de Shirou Emiya.

- Dificilmente eu vou me ofender. Conheço a acidez de Rin Tohsaka. Sei o quanto você pode ser malvada. – era muito estranho ver o namorado falar as palavras do amigo. Respirou fundo e continuou.

- Você tá vivo? – e esperou a resposta, ansiosa.

Ele arregalou os olhos. Era uma pergunta estranha.

- Acho que sim. Até onde eu sei, estou. Mas se quiser perguntar pra menina lá no meu quarto... – Rin deu uma rosnada e ele parou com a brincadeira. – Tohsaka, você tá com ciúme de mim, ou é impressão minha?

Ela começou a rir da loucura.

- Eu não sei nem o que te responder... em algum lugar, algum mundo paralelo, ao qual eu pertenço, eu sou sua namorada. – e se abaixou pra ele, como se contasse um segredo. – Eu acho que eu sou do futuro.

De novo, ele arregalou os olhos.

- Você? Minha namorada? – e deu risada. – Sério, que você deu uma chance pra mim?

Rin ponderou as palavras. Não deu uma chance pro Shirou. Deu uma chance pro Archer.

- Você é o amor da minha vida, Archer... – murmurou baixinho.

- Mas eu não sou esse Archer... por que você tá me chamando de Archer, Tohsaka? – estava impaciente.

Ela girou nos calcanhares, confusa, andando de um lado pro outro. Sentiu um início de crise de pânico se instalar em seu peito.

- Eu não sei... eu não sei... O que eu tô fazendo aqui? Você não é o Archer. Você não é Shirou. Que merda tá acontecendo nessa porra?! – se deixou levar pelo desespero.

Ele não sabia bem como reagir, até porque, em partes, ela estava certa. Definitivamente, não era o tal Archer. Mas era o Shirou, até onde sabia. Fez o que podia. Pegou um copo com água e ofereceu.

- Água, esquisito? – ela resmungou, torcendo o nariz. – O meu Shirou teria me oferecido um Macallan.

Ele se sentiu levemente ofendido. Tomou a água da mão dela e pegou dois copos pequenos.

- Batendo forte, logo cedo? – ironizou. – Pelo visto, o “seu” Shirou tem mais grana que eu. – colocou uma garrafa de tequila em cima do balcão. – É o que eu tenho. Vai ter que servir.

Rin fez uma careta pequena mas deu risada.

- Melhor que água. – e serviu os dois copinhos. Mandou a primeira dose pro peito e colocou outra. Tinha os olhos profundos desse Shirou/Archer acompanhando seu movimento. – Não me olha assim, que agora que eu tô entendendo que você não é o meu Archer.

- E por que eu não posso te olhar? – era uma pergunta simples, mas os traços da malícia do arqueiro já apareciam em meio a doçura de Shirou.

- Poder pode. Mas se ficar me olhando desse jeito, eu esqueço que você é o Shirou e assumo de vez que você é o Archer. – deu um suspiro profundo. – Ainda mais se eu for ficar presa nesse... mundo.

Ele tomou a primeira dose. Dessa vez, foram os olhos azuis-esverdeados que acompanharam seu movimento.

- Sabe, Tohsaka... se eu tiver que ser esse Archer pra ter esse olhar só pra mim, eu não ligo de ser ele não. – disse todo mansinho, debruçado no balcão se inclinando pra chegar mais perto de Rin.

Ela deu um sorriso de canto. Era o mesmo. Mas tava longe de ser o mesmo. Enfiou a mão pelos cabelos dele, arrepiando. Tirou tudo da testa e jogou pra cima, bagunçando como eram os de Archer. Estavam com os rostos muito próximos. Foi impossível não seguir com a ponta do dedo, explorando pedaço por pedaço daquela face que era tão linda. O nariz, tão perfeito, tão fino e alongado. O lábio fino, levemente ressecado, mas ainda assim, macio e convidativo. O maxilar forte, com traço de homem. Ele era feito pra tentação. Inteiro moldado pra se perder.

Mas tinha alguma coisa errada.

- Eu vou embora. – disse se levantando.

Ele deu a volta no balcão e a puxou pelo braço, prendendo-a contra o corpo.

- Pro futuro? – perguntou com a voz rouca, no ouvido de Rin, que se estremeceu demais. Era o Archer, com certeza. – Você volta pra me visitar?

- Você já tem visita te esperando lá no quarto. – disse com uma risadinha.

Ele fez uma cara contraída, de brincadeira.

- Droga! Me dá dois minutos... você me deve isso. Dois minutos em troca de vinte anos.

“Vinte anos”.

- Eu preciso ir. – ela ficou séria. Nem sabia pra onde ia, só precisava sair dali. Se desvencilhou dos braços fortes e convidativos desse Archer/Shirou e fugiu, antes que ele a alcançasse de novo.

Vinte anos. Pelo que ele disse, esperou por vinte anos. Então, não era ela quem era do futuro. Ela estava no futuro. Em um futuro, onde não via Shirou há vinte anos. Mas... o Shirou de quem ficou afastada foi... Archer! Tinha acabado de ver o Archer! Ainda no quintal, olhou pra porta da sala e o viu parado, todo delicioso a olhando com os olhos estreitos e o sorriso de canto. Ele ainda não tinha se tornado o Archer.

Que porra tá acontecendo?!

Saiu dali, antes que a cabeça explodisse e voasse miolo pra todo lado. Atravessou o portão e procurou de que modo tinha vindo até ali, carro, moto. Só se lembrava de estar lá.

- Você entendeu, não é? – essa voz. Essa maldita voz rouca, sibilada. Cerrou os dentes, pronta pra atacar o filho da puta.

- O que você tá fazendo aqui, Kirei? Veio assistir o momento em que eu enlouqueço de vez? Por que, se eu tô vendo e falando com gente morta, é porque eu fiquei doida, certo? – a acidez no tom de voz dela era absurda.

Ele deu uma risada sarcástica. Estava encostado no muro, mais descontraído do que esteve a vida inteira. As mãos no bolso da calça, o pé encostado na parede.

- Rin, querida... Você é tão inteligente e tão boba, tem horas. – ironizou. – Você não enlouqueceu. Eu só quis te ajudar a traçar um plano pro seu pedido, só isso.

- Que plano, Kirei?! Que pedido?! Você tá morto, seu bosta! – gritou com ele.

- Ah, tenha dó menina chata! Eu não sou o Kirei Kotomine! – falou, impaciente e se desencostou do muro, andando até ela, que recuou os mesmos passos que ele andou. – Vamos lá, Rin. Última chance de me mostrar o porquê eu gosto tanto de você, a ponto de te ajudar com o pedido. Quem sou eu? – e a encarou com os olhos malucos.

Ela congelou. Começou a notar certas peculiaridades. Por exemplo, a cor do lugar. Era tudo de um amarelado estranho, como se o sol estivesse se pondo. Mas já fazia um tempo que estava ali e ficava do mesmo jeito. Na casa, Archer tinha dito que ainda era cedo. Não fazia mesmo sentido pra estar daquela forma. Era uma ilusão. Uma projeção. “Me ajudar com o pedido”. Gostar a ponto de ajudar com o pedido. O único que poderia criar essa ilusão pra ajudar com o pedido e se travestir de Kirei Kotomine seria...

- O Graal? – perguntou vacilando. Ainda não tinha muita certeza da resposta.

Ele começou a bater palmas.

- Parabéns, querida! É por isso que você é meu cavalinho preferido! – disse de modo arrogante. Mas Rin nem se sentiu ofendida. Se sentiu insegura, por estar dentro de uma redoma, sozinha, à mercê da vontade do Graal. – Não precisa ter medo, Rin. Eu não vou fazer nada com você, não se preocupe. Eu só fiz isso tudo aqui, porque eu sei que você está com problemas com o pedido.

Ela se armou da segurança que tinha.

- E por que está me ajudando? Você sabe que o que eu quero é libertar os Espíritos Heróicos, não é? – perguntou desconfiada.

Ele deu de ombros, com desdém.

- Tenho mais do que preciso. – respondeu sem se importar. – Em essência, preciso de apenas sete a cada Guerra e tem Espírito demais. Sem contar que o seu pedido se resume a libertar os que queiram ser libertados e, minha querida, não se engane, tem muitos que adoram essa vida de invocações. – o tom de ironia era irritante.

- E por que isso aqui? – apontou pro lugar.

- Ah, isso aqui... Eu quis te dar uma ideia. Eu sei que você está obcecada com essa escolha, entre a vida de um ou outro Shirou Emiya, mas eu quis te mostrar que há a possibilidade de manter os dois. – disse como se estivesse dando um presentão. – Quer dizer, você terá que fazer o sacríficio de escolher um, mas não abre mão da vida de nenhum.

Os olhos de Rin se iluminaram. Ela não conseguiu esconder o sorriso.

- E eu vou poder fazer os dois pedidos? – estava quase chorando.

- Não. – respondeu firme. – Só te mostrei que, caso escolha pedir pelo Arqueiro, não precisará abrir mão do seu amigo.

- Mas... então, ficou na mesma? Ou eu liberto um Espírito, ou todos? – perguntou, desanimada.

Ele resmungou alguma coisa.

- Você é uma garotinha muito mimada, Rin. Nem agradeceu a ajuda que eu te dei. – respondeu ofendido e virou de costas, se afastando dela.

- Que ajuda?! Você só me confundiu mais! – ela berrou.

- Ah, é?! Então se vira sozinha! Até mais, querida! – e estalou os dedos.

-------

Rin acordou com um pulo na cama.

Tinha sido um sonho. Uma porra de um sonho. Mas... não tinha sido um sonho.

No susto, Archer se remexeu ao seu lado e se sentou pra saber o que tinha acontecido.

- O que foi, menina? – perguntou sonolento, com os olhos mais estreitos que o normal. Dessa vez, não por malícia. Por sono interrompido. Rin o olhou com os olhos arregalados. Levou a mão imediatamente até o rosto dele, conferindo se era ele mesmo, se era real. Ele notou que tinha algo de errado. – Rin, o que foi? – já estava desperto. E assustado.

- Archer... onde você morava antes de fazer o pacto? – perguntou vacilando, meio robótica, como se não quisesse perder o fio da meada.

- Na minha casa. – respondeu no automático. – Na casa do Emiya. Na casa do meu pai. Por quê? – ficou confuso.

Ela se ajeitou na cama, pra ficar de frente com ele.

- Quanto tempo se passou entre você me ver a última vez e você fazer o pacto? – perguntou afobada.

Ele não entendeu nada.

- Do que você tá falando, Rin?

- Responde, Archer. – era um tom de ordem, mas era quase uma súplica. Ele deu um suspiro profundo.

- Não sei ao certo... eu te vi algumas vezes depois da Guerra, ainda no colégio. Depois você foi pra Londres e eu fui viajar. – os olhos de Rin se arregalaram ainda mais. – O que tá acontecendo, amor?

- Archer, é sério. Quanto tempo? Vinte anos? – ela perguntou mais incisiva.

Ele pensou um pouco.

- Vinte anos. – respondeu assustado. – Como você sabe disso?

Ela entrou em choque.

- Porque eu acabei de te conhecer. – respondeu olhando pro nada. – Não foi um sonho. Eu viajei pro futuro. O Graal me levou pro futuro, pra te conhecer.

Archer procurou os olhos dela. Levantou o rosto de Rin até ela o encarar de novo.

- Oi? – não fazia o menor sentido.

- Ele me disse que era pra me ajudar a formular o pedido, mas eu não entendo o que isso quer dizer... – devaneou sozinha, voltando a pensar no nada. – Você ainda não tinha feito o pacto, pelo que eu entendi. Ainda não era o Archer. Era o Shirou. – olhou pra ele, esperançosa. – Você lembra de me encontrar um dia? Uma manhã? Eu cheguei na sua casa, você tava com uma menina... Você tava com uma menina! – e deu um tapão nele, que se defendeu rindo.

- Ei, vai devagar, isso era normal. – falou dando risada. – Eu não tinha namorada. Mas não, eu não lembro de você. A primeira vez que eu te reencontrei foi aqui, na sua casa, há dez anos.

- Pensa Archer! – disse, impaciente. – Você quis me beijar!

- Ah, eu não duvido! Eu sempre quis te beijar. Estranho eu não querer te levar pra cama... – ironizou.

- Você quis... – ela deu uma risadinha e ele piscou. – Nós tomamos tequila! – gritou.

Os olhos de Archer se arregalaram.

- Puta que pariu... – ele resmungou, lembrando de alguma coisa.

- Você lembrou de mim? – Rin perguntou animada. Ele negou com a cabeça.

- Não, menina. Você não tava lá. – ele respondeu sério. – Eu ouvi alguém me chamar, deixei alguém me esperando no quarto e saí, pra ver quem era. Cheguei na sala, mas não tinha ninguém. – a expressão dele era intensa. – Eu lembro que eu fiquei um tempo ali, sozinho, esperando alguma coisa acontecer. Peguei um copo de água, mas achei água uma coisa idiota demais, então eu tomei tequila. Fiquei encostado no balcão, me sentindo analisado por alguma coisa, até ter a nítida sensação de que estava perdendo a melhor oportunidade da minha vida. Parei na porta da sala, fiquei olhando pro quintal, mas não tinha nada. Voltei pro quarto, mandei aquela moça embora e fui arrumar alguma coisa pra fazer. Isso foi em um domingo. Na sexta-feira da outra semana, eu fiz o pacto.

- Eu fiz isso tudo com você. – Rin respondeu. – Menos a última parte, de tirar a menina e a do pacto. Até porque, eu teria arrancado ela de lá pelos cabelos. – brincou. – E você achou água idiota, porque eu falei que era.

- Ah, falou né? Pediu o quê? Um uísque? – ele rebateu rindo.

- Bingo. Mas você não tinha. – Rin deu risada.

- Ei, não me julgue. Eu era um homem de poucas posses. – se fez de ofendido. – E você não me deu nem um beijo? – perguntou manhoso.

Rin se desmanchou.

- Não... mas você disse que eu devia à você dois minutos pra se livrar da menina em troca de vinte anos de espera.

- Eu não falei isso... Que constrangedor! – estava envergonhado. – Eu implorei mesmo? E nem assim você me deu uma colher de chá?

- Eu quase dei... – ela fez charminho. – Mas quando você falou “vinte anos”, eu percebi que tinha alguma coisa errada. E tinha mesmo. Archer, era o Graal, ele falou comigo. Disse que fez isso pra me mostrar que tem uma forma de manter você e o Shirou. Que eu não preciso escolher entre um ou outro. – ainda estava confusa, não tinha conseguido entender o teor disso.

- Isso é óbvio, Rin. – ela o olhou pra entender de onde vinha essa tranquilidade toda. – Ele te levou pra minha última semana antes de fazer o pacto. É alguma coisa relacionada à isso. Que se eu não tivesse feito o pacto, eu não me tornaria um Espírito Heroico.

- E ele propõe que eu te impeça? – ela perguntou confusa.

- Isso eu já não sei. Até porque, foi uma decisão que eu tomei meio que de última hora. – Archer também estava confuso.

- Mas, de qualquer maneira, isso não muda muita coisa... – o tom dela era desanimado. – Porque eu precisaria de dois pedidos. Um pra te impedir de fazer o pacto e um pra libertar os Espíritos Heroicos.

- Três. – ele corrigiu. – Se fizer só esses, a gente não fica junto do mesmo jeito. Precisaria de um terceiro, onde a gente pudesse se encontrar.

Era muita confusão. Muita. Rin se deixou cair de volta entre os travesseiros.

- Era uma mistura engraçada... – falou, olhando o teto. – De Archer com Shirou. Você me chamando de Tohsaka é impagável.

Ele deu uma risadinha.

- Menina, se você soubesse o tanto que eu te amei nessa vida, não ficava rindo do meu nervoso ao te encontrar. – Rin notou um certo rubor na face de Archer, mas achou melhor não comentar.

- Me deu um desespero, amor... Quando eu entendi que aquele não era você. Que eu não ia poder me perder nos braços dele, do mesmo jeito que eu faço com você...

Ele se ajeitou por cima dela, a encarando profundamente. Rin passou os braços em volta do seu pescoço, achando tão confortável aquelas duas tempestades que a olhavam.

- Em qualquer lugar, qualquer mundo, qualquer linha do tempo, eu sei lá... eu sempre vou ser seu, Rin. Você sempre vai poder se perder nos meus braços e eu sempre vou estar lá pra te amar.

E ela sabia que era verdade. Nos minutos em que ficou com aquele início de Archer, ela sentiu a mesma coisa. Ele já era o mesmo. Já era dela. Já estavam conectados. Por mais que mal se conhecessem e por mais que mal tivessem ficado juntos, ela sabia que era o certo.

Talvez fosse uma opção. Ao invés de tentar manter os dois Shirous aqui, buscar aquele lá.

Algo a se pensar.



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