História Sobre as Asas de um Anjo - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Palavras 1.408
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Capítulo 8


Levi passou a mão na testa, sentindo-se completamente perdido, não conseguia prestar atenção em nada, estava no mundo da lua. Não sabia como explicaria a situação para Naomi. Quando todas as aulas terminaram, o cego pegou suas coisas, enquanto caminhava até a saída segurando com força sua bengala. No meio do caminho, uma leve dor de cabeça passou por si, mas ele respirou fundo e continuou andando.

Enquanto caminhava ainda um pouco atribulado, pode ouvir a doce voz de Naomi o chamando, o fazendo se virar ao sentir a mão dela pegar a sua. Quando ele a cumprimentou, a puxou para mais perto, se abaixando para beijá-la delicadamente. Ainda não conseguia acreditar no fato dela ser tão pequena, mesmo que já fosse uma adulta. Quando ela deu uma leve risada ao se afastarem, ele pensou em como uma mulher tão frágil e delicada, havia conseguido passar por tanta coisa sozinha.

Quando ela começou o puxar para algum lugar novamente, ele estalou a língua confuso, e logo depois perguntou o que a mesma estava aprontando.

— Vou fazer uma revanche, da última vez você me arrastou até a sua casa. É a hora de dar o troco!

Ele gargalhou diante da resposta dela, mas a seguiu sem reclamar, mesmo que estivesse nervoso por dentro.

...

Ambos já estavam sentados no sofá creme da casa da pequena, que encarava o homem que ela tanto gostava. A rota até a sua casa, foi cheia de sorrisos e carícias, mas o cego não era muito bom em disfarçar o que realmente sentia. Embora esboçasse um sorriso leve, sua postura estava bem alinhada e atenta, como se estivesse com medo de algo ou de alguém.

Quando ele finalmente relaxou, ela se aproximou mais dele e deu um beijo em seus lábios doces. Não gostava de vê-lo daquele jeito, então tentou acalmá-lo. Quando ela se aninhou em seu peito, Levi pegou uma mecha do cabelo castanho da baixinha e começou a enrolar aquilo no dedo, parecendo se divertir com aquilo.

Depois de um tempo daquele jeito, ela olhou para os olhos sem vida do veterano, desejando que ele pudesse olhá-la cheio de carinho, mas sabia que isso jamais aconteceria.

— O que houve querida? — Ele perguntou exibindo um sorriso de canto — Posso sentir seu olhar sobre mim... isso é meio estranho.

— Nada, é que... espera, você realmente me chamou de querida?

Ele ficou quieto por um tempo, e logo perguntou se podia chamá-la daquele jeito, a fazendo soltar um "você que sabe", enquanto fazia carinho na cabeça dele.

— Você é cheirosa — ele afirmou quando cheirou o pescoço da pequena. — Que perfume você usa querida?

— Sério que vai me chamar assim?

— Não, só queria ver sua reação — ela conseguia sentir a respiração dele em seu pescoço. — Mas se bem que, você é minha querida!

Ao terminar de sussurrar isso no ouvido da mesma, a beijou com mais intensidade, e quando se separaram, Naomi deu seu máximo para reunir coragem para perguntar o que mais queria saber:

 — Ei, sobre o que você viu hoje de manhã... foi muito ruim?

Nisso, o cego a abraçou com mais força, como se novamente quisesse protegê-la de alguma coisa.

— Se realmente tiver acontecido, sim, é horrível — ele baixou a cabeça, e procurou o rosto dela com a mão, para que pudesse acariciar sua bochecha. — Eu vou te contar tudo, prometo. Mas... se eu estiver errado, me leve ao hospital novamente, pois acho que estou ficando louco.

Ele se soltou dela, levantando rapidamente, começando a andar em círculos. Ela cruzou os braços, esperando ansiosamente ele voltar a falar.

— O seu pai morreu né? — Quando ele perguntou isso, ela arregalou os olhos, sem acreditar no que acabara de ouvir — E foi te salvando, não foi?

Ela sentiu seus olhos se encherem de lágrimas, detestava lembrar daquele dia. Quando ela começou a protestar, ele pediu para que ela o deixasse terminar. E mesmo que isso a machucasse, ela concordou e voltou a se sentar.

— fazia pouco tempo que você tinha completado quinze anos — o homem continuou. — Você e seu pai foram fechar a papelaria que pertencia a ele, e quando vocês terminaram de trancar tudo, um homem armado chegou apontando a arma para sua cabeça. Ele mandou seu pai dar todo o dinheiro que tinha, e se ele não fizesse isso, te mataria. Ele obedeceu, fez tudo certinho, implorou para que ele te deixasse em paz, mas o maldito quis atirar mesmo assim, mas seu pai não deixou. Ele tentou parar o cara, e no fim, quem levou o tiro foi ele. Não conseguiram pegar o cara que fez isso.

Naomi colocou as mãos no rosto completamente assustada. Não tinha como ele saber daquilo tudo, não o conhecia na época. Ficou com medo, medo dele e medo de si mesma. Medo de seu passado. Chorando, ela perguntou como ele sabia de tudo isso. Quando ele se aproximou e segurou suas mãos, ela o empurrou, o fazendo se afastar triste.

— Naomi, eu não sei como, mas... eu estava lá, sempre estive.

— Não, você não estava! — Ela elevou a voz, e se encostou na parede — Eu estava sozinha, vendo meu pai morto no chão, e tudo por minha culpa, porque eu não soube me defender! Ninguém nos ajudou, todos fugiram, não se importaram com papai, apenas... apenas nos abandonaram, como todo mundo faz.

Sua voz falhava enquanto gritava, não gostava de lembrar daquilo, detestava ser a culpada por tudo ter acontecido. Levi coçou a cabeça respirando rapidamente, ele também estava nervoso, dava para perceber.

— Eu estava lá, eu te abracei, sempre cuidei de você. Sei exatamente onde você nasceu, a data do seu aniversário. Sei todos os seu medos — o cego socou a parede mais próxima, sentindo raiva de si mesmo. — Eu realmente não sei de onde veio tudo isso, apenas chegou do nada em minha mente. Queria saber o que está acontecendo, mas... eu não tenho controle de nada. Sou apenas um pedaço de carne que não faz a mínima ideia do que é, ou do que foi no passado. Acredite, estou tão assustado quanto você.

A morena se aproximou dele tremendo, não conseguia imaginar aquele homem forte, tão perdido; querendo machuca-la. De algum modo, ela sabia do fundo do coração, que ele jamais lhe faria mal. Ela o abraçou e segurou sua blusa. E se surpreendeu ao perceber que ele também estava tremendo.

— Eu estou com tanto medo, não sei se devo confiar em você...

Ele engoliu seco e a apertou com força, como se nunca mais fosse soltá-la, e voltou a falar:

— Depois que seu pai morreu, você passou a morar com sua avó em um sítio. Logo depois que seu pai foi enterrado, você foi até um grande carvalho que tinha perto do curral. Você adorava aquela árvore, ela era grande e majestosa, fazia você se lembrar que tinham coisas bem maiores que você. Quando você se sentou e apoiou as costas naquele tronco, começou a chorar e implorar por ajuda, estava se sentindo sozinha e cheia de fardos. De algum jeito, eu estava lá, cuidando de você. Quando te abracei, você se acalmou um pouco, e pensou no que seria dali para frente. Era apenas uma garota, que quase não tinha mais família.

Naomi lembrava claramente daquele dia, nunca se sentiu tão pior, como aquela vez. Estava tão assustada em pensar em uma vida sem o seu pai, queria que ela tivesse morrido, e não ele. Sentia um peso tão grande em suas costas, que não queria mais saber de viver. Mas logo se acalmou, soube que nada acontecia sem um propósito. Sentiu que seu pai odiaria vê-la daquele jeito, então deu seu máximo para seguir em frente. Naquele carvalho, prometeu a si mesma, que seria a filha que seu pai sempre sonhou que ela fosse. Mas ela nunca havia comentado isso com ninguém. Quando ela apontou esse fato, ele prometeu que descobriria o que tinha acontecido. A beijou delicadamente, e depois disso foi embora, a deixando sozinha com seus pensamentos.

Quando ele chegou na porta de sua casa, bateu na porta esperando por Carmem. Tinha uma coisa que ele havia visto na visão, mas que não contou a Naomi. Não podia contar, precisava protege-la a qualquer custo. Mas antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, um peso tomou conta de seu corpo, o mundo girou a sua volta.

E quando a senhora abriu a porta, arregalou os olhos ao ver seu sobrinho, desmaiado no chão, mais pálido do que nunca.



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