História Stalker - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Got7, Jackson, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Momo, Naeyeon, Namjoon, Taehyung, Twice, Yoongi, Yugyeom
Visualizações 43
Palavras 6.037
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Fluffy, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 7 - Preto Branco


Fanfic / Fanfiction Stalker - Capítulo 7 - Preto Branco

Mais tarde, às onze horas da noite, escutei um carro estacionar na garagem. Até então, eu já estava cansada de tanto chorar, pensando no que se passava comigo, olhando durante todo esse tempo o gotejar da torneira. Eu contei todas as gotas durante as duas primeiras horas – setecentas e oitenta e duas – mas depois de um tempo desisti e só fiquei sentada lá, com frio e sozinha, dentro da banheira, apenas esperando que algo acontecesse.

Instantaneamente eu percebi que o veículo que acabara de estacionar era da minha mãe, e saí do banheiro. Sentei-me no balcão da cozinha, fingindo que estava fazendo meu dever, já que eu não queria que ela se preocupasse, e comecei a tirar os materiais da mochila que eu tinha acabado de guardar. Eu não podia vê-la por trás da pequena parede que separava nossa cozinha da entrada, mas eu pude ouvir o som dela atrapalhada com as bolsas de compra.

“Lia!” Eu a escutei me chamar, e eu respondi.

“O que, mãe?”

“Você pode vir me ajudar com as sacolas? Acho que eu peguei muitas de uma vez só para evitar ficar voltando ao carro.” Revirei meus olhos, caminhando com pesar até a entrada. Ela sorriu quando me viu. “Era isso o que eu dizia à Younha. Você fica mais linda a cada dia que se passa.”

Fiquei ruborizada e sorri. “Toda mãe diz isso.”

Ela balançou a cabeça, se aproximando de mim. “Eu digo isso porque sou sua mãe, mas mesmo que não fosse, continuaria te achando linda. Vem dar um abraço na sua mãe, senti saudades.”

Fui então abraçá-la, senti o cheiro de seu perfume, e como sentia falta disso. Quando me afastei peguei duas das cinco sacolas que ela carregava, e ela sorriu grata.

“Viu o que eu fiz? Peguei sacolas demais. O jovenzinho da loja tentou me convencer dizendo que daria para colocar tudo em apenas três sacolas, mas eu insisti dizendo ‘Cinco sacolas, mocinho’, e então ele me obedeceu. Obedeceu mesmo; tenho certeza que ele me faria bons netinhos. Leve isso em consideração quando for àquela loja; ele é um bom pretendente.”

Girei meus olhos novamente quando fui para a cozinha, ignorando o que ela estava falando.

Minha mãe era o tipo de mulher que não aparentava ter a idade que, na verdade, tinha, algumas pessoas, de vez em quando, chegavam a acreditar que nós duas éramos irmãs. Seu cabelo lhe chegava até os ombros, negro. Ela sempre usava rímel preto e sombra marrom, que realçavam os seus olhos cor chocolate, batom vermelho vivo nos lábios, e por mais que eu tentasse lhe dizer que ela ficava melhor com a boca numa cor neutra, ela não me escutava. Ela agora está com quase cinquenta anos. Papai era dez anos mais novo que ela, mas ficou ao seu lado até eu completar meus seis anos, quando sofreu um acidente de carro e morreu.

Ela também dizia que eu deveria me casar com o Taehyung – o bom garoto que ela tinha acabado de mencionar.

“Ah, e ele é a coisinha mais fofa! Eu sei o tipo de cara que você gosta, e ele faz seu tipo, ah e se faz!” Ela riu, colocando uma mão sobre seu peito. “Eu conheço o pai dele, o Sr. Kim, muito bem. Nós poderíamos arranjar alguma coisa, se você quiser.”

Eu ri. “Não, mãe, obrigada. Eu conheço o Taehyung, e confie em mim, você não vai querer que sua filha se case com ele.”

Minha mãe me olhou descrente. “Taehyung? Aquele docinho que eu encontrei na loja é o mesmo Taehyung chatinho que você vive falando?” ‘vive falando’ foi um exagero – eu apenas mencionei seu nome algumas vezes quando eu o encontrei pela primeira vez, e contava a ela algumas histórias pelo telefone, quando ela me ligava.

“É, é ele.” Eu afirmei, começando a guardar na geladeira e nos armários os alimentos que ela havia comprado. Ela ficou boquiaberta e se inclinou sobre o balcão.

“Oh, Meu Deus, tá brincando! Ah! Eu vou ligar pra Inha agora mesmo! Ela vai ficar chocada... ela me disse que ele te trataria bem, sabia?! Essa foi a primeira e última vez que eu passei lá.”

Minha mãe, se você não percebeu ainda, é meio excêntrica. Ela gosta de falar – até mesmo dormindo – mas ela gosta mais ainda de tentar procurar um par romântico para mim. Além disso, de vez em quando, ela é meio imatura, ao contrário de mim, ela sempre diz que eu tenho a mentalidade de meu pai. E acho que está certa.

“Bem, obrigada por ficar me esperando acordada, querida. Agora você deveria dormir, já é tarde.”

Eu balancei minha cabeça. “Não, mãe, eu não estava te esperando. Eu estava fazendo meus deveres.” Mentira.

Ela se engasgou. “Você poderia ter me deixado um pouco feliz! Eu gostaria de ouvir você dizendo que ficou acordada até tarde só para me ver. Ah, bem, vai dormir, você tem que descansar.” Eu sorri, caminhei até meu quarto, porém, antes que eu pudesse ir, ela segurou meu braço, me fazendo parar. Virei para olhá-la, ela segurou meu rosto entre suas mãos, sorrindo levemente para mim. “Olha para você, a cada dia que se passa se parece mais com o seu pai.” Percebi que seus olhos estavam úmidos, e ela então me beijou na testa e me deu tapinhas nas costas. “Agora vá dormir, tá?”

“Tá, mãe.”

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Eu não dormi. A chuva não parava de cair lá fora, com força batendo no vidro de minha janela, me deixando de olhos bem abertos. Geralmente, eu gostava de tempestades assim – raios cortando o céu, nuvens negras cobrindo a visão das estrelas – mas agora, eu estava aterrorizada. Sozinha em meu quarto, com o som dos trovões em meus ouvidos, será que minha mãe ouviria se alguém quebrasse a janela do meu quarto, e me arrastasse enquanto eu gritava? Ela tem um sono pesado, então provavelmente continuaria dormindo tranquilamente, e somente esta ideia já me deixava mais nervosa ainda.

Quando mais um raio iluminou o céu, eu finalmente desisti. Sentei-me, ignorando o fato de meu quarto estar envolvido em trevas e de eu sempre ter tido medo do escuro, e me levantei da cama, correndo para minha escrivaninha com uma velocidade que eu desconhecia possuir. Jogando-me sobre a fria cadeira de madeira, abri meu laptop e o liguei.

Eu precisava de algo para distrair minha mente – qualquer coisa.

Abri então o navegador, e digitei o nome do jornal de nossa cidade em um site de busca. A página carregou rapidamente, e então cliquei na primeira opção.

O site do jornal de nossa cidade era complicado e primitivo, mas consegui navegar tranquilamente. Depois de ler um artigo sobre algumas histórias envolvendo uma fazendo que teria feito experiências com cogumelos e três vacas, cliquei no link ‘Arquivo de Artigos’. Uma lista com vários links separados por datas, desde 1999 apareceu, então cliquei nos artigos do ano passado.

Uma nova lista surgiu, desta vez com o título dos artigos, e só um deles tratava de um assunto sério; Assassinato na Cidade. Comecei a ler o artigo, anotando algumas coisas de vez em quando.

Eu entendi a essência da situação como um todo, combinando o que eu já sabia com o que eu estava acabando de descobrir. Eu já sabia que duas pessoas haviam sido espancadas, Jungkook foi declarado culpado, e uma garota publicou um artigo sobre isso e foi assassinada. Era só isso o que eu sabia. Então, combinei isso com o que acabara de descobrir; Momo Hirai, uma estudante do primeiro ano naquela época, foi designada a cuidar do jornal de nossa escola devido à sua impecável habilidade de escrita e de encontrar evidências em fatos que ninguém havia considerado, e geralmente encontrava a verdade. Depois que dois garotos de minha escola foram agredidos fisicamente – eu ainda não sei quem são – ela tomou a liberdade de escrever sobre isso, já que ninguém tinha coragem de tocar nesse tópico, e baseou todo seu artigo em um rumor que ela tinha ouvido, ou era isso o que eu pensava. Ela então deve ter inventado algumas evidências e publicado. Na semana seguinte, ela foi, primeiramente, também espancada.

O artigo dizia que ‘evidências do suspeito não tinham sido encontradas, já que a Srta. Hirai não fez queixa imediata do ocorrido à polícia. A polícia poderia ter pedido para que ela descrevesse o rosto do atacante, porém, a Srta. Hirai não conseguiu olhar o suspeito com clareza.’ Mais tarde, em outro artigo, a polícia dizia ter encontrado o possível culpado, de acordo com as agressões físicas que haviam ocorrido na semana anterior, mas não tinham provas para acusá-lo. Com a falta de evidências e Momo se negando a falar com qualquer um do sexo masculino, o caso ficou inconcluso.

O seguinte artigo era uma descrição simples de como a mãe de Momo se sentia após a morte de sua filha, e implorando para que o caso continuasse em aberto. Mas, já que a polícia não tinha provas, o caso se manteve fechado.

Eu grunhi, massageando minha testa com irritação. Pelo menos agora eu sabia um pouco mais sobre o que havia acontecido. Mas ainda, sem saber quem eram as duas pessoas que haviam sido agredidas, ou o que o artigo de Momo Hirai dizia, não cheguei a nenhuma conclusão.

Espera um pouco... O artigo! Eu poderia entrar no site do jornal da escola e ler o artigo! É claro!

Ansiosamente, eu cliquei no botão da página inicial e esperei carregar. O que pareceu levar segundos antes, agora parecia levar horas. Quando carregou, cliquei em meus favoritos e entrei no site da escola, e então para a página do jornal – Wolf Times; que original – então descobri que já fazia um tempo que não era atualizado. No topo havia um link vermelho escarlate, escrito ‘O artigo final de Momo Hirai! Leia Aqui!

Cliquei no link e fui até a página de seu artigo; fiquei absolutamente chocada com o que vi.

No título, preto em negrito, se lia ‘Atacante encontrado – Hora da vingança’. Eu li, ficando mais e mais assustada à medida que lia.

Como vocês todos sabem, semana passada Jung Armand Lee e JongWoon Kim foram, por sem nenhuma aparente razão, agredidos fisicamente. Logo após Jung ser atacado, JongWoon foi similarmente agredido. Quando foi encontrado, assim como Jung, ele tinha ferimentos em suas costas – feitos aparentemente com o punho – e cortes cobrindo seu rosto e mãos.’

Eu pisquei, tentando entender por que alguém machucaria uma pessoa tão brutalmente. Eu também gravei os nomes - Jung Armand Lee e JongWoon Kim – e fiz uma nota mental para descobrir quem eles eram. Continuei.

A polícia diz que ainda não há um suspeito, mas todos nós deveríamos saber exatamente quem cometeu o crime, e eu, Hirai Momo, jornalista chefe do Wolf Times, descobri o culpado. Mesmo sendo extremamente perigoso para mim, eu me sinto na obrigação de deixar todos cientes do caráter brutal dessa pessoa.

Muitos de vocês o conhecem como o misterioso, mas ainda assim, possuidor de uma beleza fascinante, entretanto, já é hora de vocês conhecerem a verdadeira personalidade de Jeon Jungkook.’

Antes que você ignore a mim e a esse artigo, pense; vocês já notaram a fixação de Jungkook por mãos e costas? Isso não corresponde exatamente aos locais onde estavam os ferimentos de Lee e Kim? E não é apenas isso, depois de ter pesquisado um pouco, descobri que Jungkook tem um histórico familiar com um pai violento – crianças psicologicamente afetadas não se tornam jovens psicologicamente afetados?

Quando conversei com amigos íntimos dele, descobri que nenhum deles sabia o que ele fazia depois das 11PM muito menos onde ele se encontrava na Quinta-Feira e no Domingo. Quando eu o questionei sobre isso, ele negou tudo, dizendo que ou estava dormindo ou estudando – mas na realidade, o quanto podemos confiar nisso?

Além do mais, nem Lee nem Kim conseguiram ver o rosto do atacante, apenas disseram que ele tinha cabelo preto. Nenhum deles nega que o atacante poderia ter sido mesmo Jungkook – mesmo Kim tendo certa ligação com o amigo de Jungkook, Yugyeom.

Juntando todos estes fatos, é óbvio que Jungkook pode ser o culpado pelos ataques.

Este foi mais um artigo de Momo Hirai – Obrigada por ler.’

Tentei absorver o que havia lido, mas nada parecia fazer sentido. Até mesmo as anotações que eu havia feito, pareciam incoerentes e bagunçadas. Jungkook misterioso e fascinante? Pai violento? Esse artigo havia sido tão mal feito, e mesmo assim ela conseguiu fazer com que todos da escola acreditassem nela? E se o paradeiro dele não fosse ‘confiável’, o que um adolescente faz numa noite? Festas, talvez? E a descrição de ‘cabelo preto’? Essa descrição se encaixava com praticamente todos os garotos de minha escola, não apenas Jungkook. Foi ridículo o fato de ela ter presumido que, já que nem Jung nem JongWoon sabiam quem era o agressor, então Jungkook deveria ser o culpado.

Irritada, eu peguei o livro estudantil, que continha fotos dos alunos, do ano passado. Eu não precisava pegá-lo – Nayeon era minha única amiga – mas eles disseram que eu tinha direito já que eu havia pagado junto com a mensalidade. Folheei as páginas, e girei meus olhos, quase todos os garotos tinham cabelo preto. O que a Momo estava fumando?

Voltando minha atenção ao website mais uma vez, procurei por um e-mail, ou qualquer modo de contato. Não havia e-mail, mas encontrei sua página no Weibo. Antes que eu pudesse começar a ler, houve uma batida na porta.

Eu pulei, desligando meu laptop e me virando rapidamente. Minha mãe entrou, bocejando.

“O que foi, mãe?” Eu a questionei, lhe dando um sorriso.

Ela encolheu os ombros. “Eu escutei barulhos aqui no seu quarto – tá tudo bem, Lia?”

Deixei uma risada escapar e acenei com a cabeça. “Aham, eu não estava conseguindo dormir, então resolvi olhar o livro escolar do ano passado.”

Minha mãe instantaneamente pareceu animada, correndo em minha direção. “Oh~! Me mostre seus amigos!”

Suspirei, procurando as páginas com os alunos de minha série. Encontrei a foto de Hoseok primeiro. “Este é o Hoseok.” Eu disse apontando. “Ele é bem legal.”

Minha mãe riu baixinho. “Ele é bonitinho.” Ela passou os olhos pela outra página. “Ah, ali! Aquele é o filho lindinho dos Kim! Ele não é uma gracinha?”

Olhei então para a foto de Taehyung. “Mãe, esse é o Taehyung. Eu já te falei isso.”

“Bem, desculpe – eu só esperava que você estivesse se confundido. Ele não parece ser tão chatinho quanto você fala.” Ela olhou ao redor do meu quarto, e para meu relógio. “Ah, querida, já são quatro da manhã; vá dormir. Você vai precisar acordar daqui a três horas pra se aprontar para a escola.”

Franzi minha testa. “Você não vai me acordar?”

Ela sacudiu a cabeça negando, e riu. “Ah, querida, não. Preciso voltar para Seul; Younha acabou de me ligar, há uma emergência e eu preciso voltar.”

Eu suspirei irritada ao ouvir isso. “Mas você acabou de voltar.” Não pude esconder a tristeza em minha voz, apesar de ter tentado.

“Ah, eu sei.” Ela traçou com os dedos meu queixo, e apesar de ela estar sorrindo, pude ver cansaço em seus olhos. “Mas eu preciso ir para poder te sustentar como uma boa mãe deveria.” Vendo meu olhar, ela adicionou. “Nós vamos fazer algo especial quando eu voltar está bem?”

Olhei para seu rosto cansado, e apesar de não querer concordar, aceitei sua decisão. Ela estava dando o melhor de si, e eu tinha que respeitar isso.

“Ok.” Eu disse. “Quando você vai voltar?”

Ela suspirou, passando uma mão por seu cabelo. “Eu... não sei ainda, querida. Semana que vem, talvez.” Quando eu não respondi nada, ela tentou de novo. “Tá tudo bem?” Eu respondi que sim com a cabeça, não querendo falar. Ela sorriu levemente, massageando minhas orelhas. “Ok. Eu tenho que ir agora. Seu almoço está na geladeira, pronto para você levar para a escola.”

Com isso, ela deixou meu quarto. Eu a escutei caminhando pela casa, fazendo ruídos, tentando encontrar as chaves do carro. Ela andou por cada canto da casa, antes de eu a escutar exclamar um ‘Oh!’, e pegar seu casaco. Seis minutos mais tarde, ela se já tinha partido.

Eu não queria admitir, mas estava aterrorizada por ter de ficar sozinha.

Eu não estava bem.

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Cheguei à escola mais cedo do que no dia anterior, achei melhor me arrumar logo do que voltar para a cama; eu não ia conseguir dormir mesmo. Minha mente estava um caos, confusa, tentando entender a complexa história dessa escola, o que se tornou meu hobby favorito. Eu não tinha certeza de que horas eram, mas o céu ainda estava escuro; não podia ser mais que 5:30.

Eu rezei para que hoje fosse um dos dias de ensaio da banda, então a escola já estaria aberta. Felizmente, estava, e eu agradecidamente aceitei o calor reconfortante que a escola me dava em seu interior, e corri para fugir da sinistra sensação de estar sendo observada. Porém, assim que entrei na escola, o sentimento apenas se intensificou. Olhei à minha volta, tentando procurar a pessoa que estava com seus olhos sobre mim. Mas os corredores estavam vazios, a única pessoa que se encontrava ali era eu mesma.

Corri para meu armário, e, assim que cheguei lá – segundo andar, terceiro corredor – o sentimento desapareceu completamente.

“Hey!” Levantei minha cabeça rapidamente, encontrando Jungkook sorrindo e caminhando em minha direção. Notei que ele estava vestido similarmente ao dia anterior, com uma calça negra, uma jaqueta preta cheia de bolsos, touca preta, camisa vermelha, e luvas, com a ponta dos dedos em aberto, também vermelhas. E, como sempre, carregava consigo sua mochila, onde notei haver uma grande quantidade de chaveiros e amuletos pendurados no zíper – um que me chamou a atenção era uma miniatura do Iron Man.

Em pensar que eu antes havia ignorado todos os avisos e advertências sobre ele, agora tudo parecia óbvio. Como pude ignorar o que estava mais claro e simples que preto e branco? Apesar disso, sorri, acenando educadamente para ele enquanto se aproximava.

“Você chegou mais cedo hoje.” Ele comentou, se apoiando com as costas no armário ao meu lado. Eu concordei, fingindo meu melhor sorriso, o que deve ter parecido horrível. Ele franziu a testa, e imediatamente eu senti sua mão em minhas costas. “Qual o problema?”

Tentei pensar em dizer a ele de uma maneira cautelosa que eu estava pesquisando sobre os incidentes do ano passado, mas desisti. Não tinha problema mentir, tinha? Dizendo ‘nada’ não machucaria seus sentimentos, né?

“Nada.” Eu menti, lhe dando outro falso sorriso, mas dessa vez pareceu óbvio demais.

Sua testa se franziu ainda mais; ele pareceu absolutamente ofendido. “Você não quer mais andar comigo, não é?”

Fiquei alarmada com esta afirmação dele, e balancei a cabeça freneticamente. “Não, não! Não é isso!” Ele me olhou com olhos descrentes, como se estivesse dizendo que ele iria embora se eu quisesse. “É só que” – ele olhou para o chão e balançou a cabeça, se preparando para ir – “Minha mãe voltou ontem à noite pela primeira vez em três semanas, e depois de cinco horas recebeu um telefonema dizendo que ela teria de voltar para trabalhar em outra cidade imediatamente.” Eu suspirei. “Isso é estressante.”

Ele me olhou, parecia agora estar com pena. “Isso deve ser chato.”

Eu concordei com a cabeça. “Eu costumava gostar disso, mas não aguento mais ficar em casa sozinha; é horrível.” Isso não era mentira – Eu adorava ficar em casa sozinha, eu me sentia independente, mas agora era amedrontador.

Ele me deu um olhar que não pude reconhecer. “Você mora sozinha? E o seu pai?”

Eu pisquei. Meu pai? Acho que a maioria aqui ainda tem seus pais; a pergunta dele foi comum, mas ele me pegou de surpresa.

“Na verdade,” Eu comecei; tentando manter meu tom de voz tranquilo, mostrando que eu não queria que ninguém sentisse pena de mim. “Meu pai morreu quando eu tinha seis anos.”

Ele agora havia sido pego de surpresa, aparentemente não esperava essa resposta. “Lamento.” Ele murmurou, olhando para tudo quanto é lado, menos para mim. Girei meus olhos.

“Acredite em mim, não precisa se lamentar. Já faz tanto tempo que eu já me acostumei com sua ausência.” Ele concordou, mas ainda tinha aquele olhar de tristeza no rosto. Eu suspirei, e apoiei uma mão em minha cintura. “Não precisa ter pena de mim, sabe. Eu não fiquei a vida inteira chorando ou algo do tipo.”

“Hmm.”

Notei que as pessoas estavam começando a chegar à escola, de repente o sentimento de estar sendo observada reapareceu. Olhei em volta, um pouco rápido demais, e procurei na pequena multidão alguém que estivesse me olhando. Ninguém estava.

“Você está bem?” Jungkook perguntou, olhos cheios de preocupação, e de alguma forma, isso fez com que o terror que eu sentia desaparecesse.

Eu engoli em seco, respirando duas vezes – um, dois – antes de responder.

“Aham. Tudo bem.”

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O resto do dia se passou sem mais nada de interessante; depois da aula de Ed.Física – e uma conversa desconfortável com o espião do Jimin, Hoseok – fui para a aula de Culinária, onde fizemos a leitura de um livro em vez de uma experiência perigosa para Jin e/ou para minha roupa. Durante a aula vaga que temos na sexta, eu caminhei, surpreendentemente, com a Nayeon, que estava mais amigável do que de costume. Ela se desculpou por seu comportamento, assim como pelo comportamento de Jackson e Namjoon, explicando que Jungkook era um assustador assassino convicto que eu deveria ficar afastada. Eu lhe disse que não havia nenhuma evidência conectando Jungkook ao assassinato, e que ele era, muito menos, convicto. Ela então desistiu, me dizendo para eu fazer o que eu quisesse. Jimin, que queria suas anotações de Ciências de volta, interrompeu nossa conversa temporariamente, então eu lhe disse que o entregaria na hora do almoço.

Na hora do almoço, Jimin veio e pegou suas anotações, e então me perguntou de novo por que eu não o havia escutado. Eu disse a ele a mesma coisa que disse à Nayeon, ele pareceu muito surpreso ao ver o quão informada eu já estava.

Na aula de Música eu fiquei conversando com Yoongi e, de novo, com a câmera-ambulante-particular-do-Jimin, também chamado de Hoseok.

A noite terminou tranquilamente também. Depois de ficar boas três horas na loja com Taehyung, contando para ele sobre o plano de minha mãe em nos juntar – ele riu e disse que era bonito demais para mim – eu fui para casa, e passei a noite tentando terminar as imensas tarefas de Ciências, e consegui, mas já eram mais de onze da noite.

Acordei na manhã seguinte, cansada por minha noite mal dormida, e esperei que algo acontecesse.

Nada aconteceu.

Na noite passada, Nayeon havia me ligado perguntando se não podia dormir na minha casa no dia seguinte, eu não tive coragem de dizer não, então concordei.

Tive de me preparar para uma noite que seria, sem dúvidas, cheia de elogios ao Jackson.

Que pena que eu não tenho idade o suficiente para beber.

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Minha campainha tocou, eu rapidamente pulei do meu lugar no sofá – onde eu estava tentando terminar o trabalho de Música – e corri para a porta. Arrumei minha roupa, sabendo que Nayeon criticaria minha aparência desarrumada, e me preparei esperando os gritinhos e o abraço super exagerado dela.

Mas não era Nayeon.

“Taehyung?” Eu perguntei, pareceu ter soado como se eu estivesse desapontada, mas acredite em mim, eu não estava. Eu preferiria passar a noite falando besteiras com o Taehyung do que ficar falando, ou melhor, ouvindo a Nayeon falar de garotos. Além do mais, digamos que a companhia do Taehyung era bem mais interessante, se é que me entende.

Ele sorriu, acenando para mim. “Heey, meu pai pediu para deixar isso aqui; ele acha que você não jantou ainda. Acho que é porque sua mãe fica telefonando lá pra casa.”

Ergui minha sobrancelha e olhei peculiarmente para a sacola marrom, e acenei para que ele entrasse. “Minha mãe anda ligando para sua casa?”

Ele disse que sim, um olhar tranquilo estampado em sua face. “Aham, meu pai disse que ela está preocupada com você.”

“Ah tá, já entendi tudo.” Eu murmurei e franzi minha testa. “Mas porque ela telefonaria pro seu pai?”

Taehyung encolheu os ombros. “Eu sei lá. Acho que eles eram amigos nos tempos de escola.”

Eu o olhei confusa. “É sério?”

“Aham.”

“Bem, então...” Lembrei de algo, e lhe dei um olhar maldoso e um meio sorriso. “Isso deve fazer parte do plano para nos juntar.”

Ele riu com gosto. “Como se eu fosse querer te namorar algum dia... Você é esquisita.”

Revirei meus olhos. “Você é tão amável.” A campainha então, mais uma vez, tocou, e eu grunhi. Taehyung me olhou com uma interrogação em sua face, e eu murmurei apenas uma palavra que o faria entender completamente o meu desânimo. “Nayeon...”

Taehyung riu, deu uma piscadela e correu para a porta. “Deixa que eu atendo, não se preocupe.”

Pressentindo que isso não seria uma boa coisa, corri para me esconder atrás da pequena parede que separava a entrada da cozinha.

“Oi, gracinha.” Ele disse assim que abriu a porta. Eu o imaginei apoiado na porta, sobrancelha arqueada de um modo sugestivo e sexy.

Eu escutei a voz de Nayeon. “Hm... Onde está a Lia e quem é você?”

Correção; provavelmente o Taehyung já deveria estar em cima dela. “Shhh, você não precisa da Lia agora, docinho. Eu estou aqui pra te fazer companhia.” Houve uma pequena pausa, e eu estava morrendo de curiosidade para ver a reação dela. “E eu posso ser quem você quiser que eu seja.”

Não deu pra aguentar; acabei caindo na gargalhada, dobrei a parede para ver Taehyung a olhando intensamente. Ela parecia petrificada, sem dúvida porque Taehyung é tão sexy quanto uma pantera – e assustador quanto uma também.

“Lia, quem é esse cara?”

Ri, batendo de brincadeira no braço de Taehyung. “Taehyung. Falando nisso, você já deveria ir, TaeTae. Obrigada pela janta.”

“A qualquer hora, Lili. Estarei sempre a seu dispor.” Ele riu, bagunçando meu cabelo, fazendo uma breve reverência e indo embora. A porta se fechou com força atrás dele, e Nayeon – com sua mochila rosa – levantou uma sobrancelha.

“Janta?”

Meus olhos se arregalaram ao perceber o que ela insinuava.

“Não, não é o que você está pensando!” Eu quase gritei, sacudindo minhas mãos na minha frente. “Não, não, não! O Taehyung só trouxe o meu jantar porque minha mãe ligou para o pai dele. Eles são tipo uma segunda família pra mim.”

Ela me olhou, aquele olhar de descrença agora se misturava ao de sarcasmo. Ela caminhou até a sacola marrom, abriu, e deu um sorriso. “Eu posso ver por que.” Ela tirou um pacote de biscoitos salgados, um pequeno pote com molho de queijo, soda, e uma bolsa cheia de saches de catchup. “Isso aqui é um convite para se tornar obesa.”

Eu ri. “Típico do Taehyung; provavelmente foi ele mesmo quem preparou isso.” Eu cheguei mais perto, tentando ver se não havia algo a mais na bolsa. “Mais alguma coisa?”

“Hm...” Nayeon olhou dentro, e balançou a cabeça negando. “Só isso.” E então ela pegou uma caixa do chiclete sabor Menta com Morango de Amora e Framboesa. Eu dei um gritinho, pegando a caixinha e esfregando em meu rosto. “Uh... o que é isso?” Ela perguntou parecendo meio preocupada.

“Isto,” Eu declarei, rasgando o plástico que envolvia a caixa, abrindo-a e tirando um pequeno quadradinho rosado de dentro. “É o melhor chiclete que já foi inventado.” Eu joguei um para ela, sorrindo. “Isso é feito em pequenas quantidades, então não é encontrado em qualquer lugar. É uma raridade.”

Ela cheirou, e então jogou um em sua boca. Ficou pálida, e rapidamente correu para a cozinha para cuspir na lixeira. “Que desperdício.” Eu disse depois de deixar escapar um som de ‘tsc’.

Quando ela voltou ainda parecia meio mal. “Que sabor era aquilo?”

Eu sorri, lendo em voz alta o que estava na caixinha. “Menta com Morango de Amora e Framboesa,” Vendo-a ficar pálida de novo, eu ri. “Talvez seja uma sabor para paladares mais apurados.”

Ela concordou, massageando seu estômago. “Menta e frutas vermelhas nunca deveriam se misturar.”

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Sentamos em minha cama, Nayeon sorrindo como uma idiota enquanto ouvia a música de Jackson. Eu admito, era boa, mas repito; muito bobinha, não tinha muito poder. Quando a música terminou, ela se virou, juntando as mãos em um estalo.

“Dá pra acreditar que eu tô namorando ele?”

Girei meus olhos. “Dá pra acreditar que eu sou a única da escola que não namorou ele?”

Ela se mostrou ofendida. “Hey, fique sabendo que o Jackson gosta de mim!” Quando eu acenei concordando – mas sem acreditar nela – ela adicionou, “Ele é como um sonho.”

Eu balancei minha cabeça negativamente. “Song Joong Ki,” Eu levantei meu dedo para enfatizar, apontando para ela. “É como um sonho. Jackson é apenas um adolescente um pouquinho mais atrativo que os outros e que consegue ganhar um monte de garotas só porque é popular.”

Ela fez cara de deboche para mim. “Mas você disse que ele é atrativo.”

Minha vez de fazer cara de deboche. “Mas eu disse que o Song Joong Ki é mais.”

“Song Joong Ki é uma celebridade. Não o temos a nosso alcance.”

“Isso não o deixa menos bonito.”

“Claro, qualquer um com um monte de plásticas fica bonito.”

Eu franzi a testa. “Hey! Ele não tem plásticas!”

“Tá, quando você quiser ter uma conversa decente comigo, é só me chamar.” Ela disse me dando tapinhas no joelho e se virando, eu apenas ri.

“Eu digo o mesmo.”

Um pequeno silêncio se seguiu enquanto Nayeon começava a viajar no mundo dos sonhos, antes de, de repente, pular, batendo palmas. “Ah! Então, se você conhece os Kingkas, qual você acha o melhor?”

Eu grunhi. “Nenhum.”

“Nãoo, assim não vale.” Ela balançou o dedo para mim. “Em questão de beleza, quem é o melhor?”

Com um suspiro, eu finalmente disse. “Yugyeom, eu acho.”

Ela suspirou, e olhou para mim seriamente. “Hey,” Sua voz agora baixa, quase um sussurro. “Não diga a ninguém, mas eu não sou muito afim do Jackson.”

Ajeitei-me na cama, pois acho que não tinha escutado muito bem. “Como é que é?”

Ela repetiu. “É, eu não gosto muito dele.”

“En-então porque você tá saindo com ele?” Eu não queria gaguejar, mas isso é algo que acontece comigo quando eu fico nervosa, ofendida, ou com raiva. Hoje o caso era o último. Modo raivoso.

“Porque,” Ela suspirou mais uma vez, de novo começando a viajar em seu mundo de sonhos. “Eu espero que eu pareça uma boa namorada aos olhos dos outros, então o Namjoon vai se interessar por mim e pedir para ficar com ele.”

Eu estava chocada. Sem palavras. Já tinha ouvido sobre garotas desse tipo, mas nunca pensei que Nayeon fosse uma delas. Brincar com os sentimentos dos outros era algo que me enojava, e eu estava me segurando para não brigar com ela.

“Vamos dormir.” Eu disse friamente. “Estou cansada.”

Era mentira, mas Nayeon concordou, se acomodando entre as cobertas e eu fiz o mesmo. Ela dormiu rapidamente, e logo estava roncando em meus ouvidos. Eu só continuei pensando na mesma coisa, de novo e de novo. Eu nunca me importei com isso antes, então porque me preocupar agora? Não era meu problema certo? Tenho certeza que ele já fez o mesmo com várias outras garotas muitas vezes.

Mordi minha língua, me sentindo frustrada.

Eu queria contar a verdade para o Jackson.

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No dia seguinte, Nayeon dormiu até meio-dia, e eu me levantei às oito para preparar o café da manhã. Quando ela se levantou, ela teve de ir embora rapidamente. Jackson havia telefonado chamando-a para tomar café com ele, ou algo assim. Ela se desculpou, me deu um abraço, e voou para sua casa.

E eu fiquei entediada, tentando finalizar o projeto de Música. Minha internet estava com problemas, então eu não poderia continuar com minha pesquisa, e estava muito frio para caminhar até a loja e ficar passando o tempo com o Taehyung.

Então, me sentei no banheiro, meu refúgio, e fiz uma lista cronológica dos acontecimentos que estavam ocorrendo desde a semana passada. Eu incluí tanto a situação Jungkook/assassinato, quanto ao fato de eu estar sendo seguida. Percebendo que seria muito difícil fazer a lista como queria, comecei a escrever então o que eu sabia sobre como era se sentir observada.

Eu me sentia observada na aula de Ed. Física, assim como nos corredores da escola pela manhã, deveria haver uma conexão, certo?

Eu peguei então um dos 12 livros de psicologia que minha mãe tinha, e procurei por paranóia. Não me senti nem um pouco confortável depois que li a descrição – Paranóia é uma psicose que se caracteriza pelo desenvolvimento de um delírio crônico lúcido e sistemático, dotado de uma lógica interna própria, não estando associado a alucinações. – eu também descobri que paranóia vem de uma palavra grega que significa loucura. Ótimo, Lia. Você está louca. Lia louca.

Ah! Eu também descobri que eu posso ser esquizofrênica ou bipolar. Legal, não?

Depois de ler mais sobre paranóia, percebi que não era o meu caso.

Eu desisti e comecei a procurar por desencadeadores deste sentimento, simplesmente porque eu vi na TV que algumas coisas podem desencadear certas emoções em determinadas situações; bem, espero que Hollywood não esteja tentando me enganar.

Pensei que poderia ser solidão – eu geralmente estava sozinha quando me sentia insegura – mas risquei essa possibilidade quando me lembrei da multidão do lado de fora da escola, além do mais, na aula de Ed. Física, que fica lotada de gente, eu continuava me sentindo observada.

Em seguida, eu pensei que fosse a luminosidade, já que geralmente era no escuro que eu me sentia insegura, mas também risquei essa possibilidade, eu me sentia bem na aula de Ciências, e essa era a sala mais escura de toda a escola. Então pensei que poderia ser a luz, mas isso também não fazia sentido. Eu me sentia insegura na quadra de Ed.Física, e era repleta de luz, mas a sala de Culinária e Música também são claras, e eu me sentia segura nelas.

Então comecei a estudar as pessoas; Hoseok estava em todas as minhas aulas. Taehyung não estava em nenhuma, mas tinha aula vaga durante minha aula de Ed. Física, ou foi o que eu ouvi falar. Jungkook estava em minha aula de Ed.Física e em mais nenhuma outra, mas não poderia ser ele. Lembrei-me de Sexta de manhã quando a sensação de insegurança desapareceu quando o vi – se ele poderia me acalmar daquela maneira, definitivamente não era ele.

Eu grunhi, passando minhas mãos entre meus cabelos com frustração.

E em casa então? Eu estava me sentindo cada vez mais e mais insegura a cada dia que se passava. Desde que me agarraram enquanto eu voltava para casa, eu senti que, definitivamente, a pessoa que me seguia andava pelos arredores, esperando me encontrar sozinha.

Comecei a girar meu lápis entre os dedos, irritada; e o deixei cair sobre meu caderno quando um pensamento veio à minha mente. Eu não estava sempre sozinha quando eu me sentia observada. Mas, a pessoa que me seguia costumava ser muito mais agressiva quando não havia ninguém por perto; ele até mesmo olhou em meus olhos através da janela aquela noite.

O incessante bater do meu lápis sobre o caderno não parou, pelo contrário, só aumentou. Eu me lembrava daquela noite claramente, a chuva, escorrendo pela janela. A visão distorcida de seu rosto e da expressão calma com que estava decorado. Eu imaginei quantas vezes ele já deve ter olhado através das janelas de minha casa sem que eu o visse. À noite, se minhas luzes estivessem acesas, eu não conseguiria ver o lado de fora com facilidade. Durante o dia, o sol ficava em uma posição que quase me cegava, então eu não poderia vê-lo me observar.

Eu parei, olhos arregalados.

As aulas de Ed.Física eram feitas no ginásio, onde haviam grandes janelas de vidro através das quais os raios de sol atravessavam e brilhavam intensamente, limitando minha visão. Porém não limitavam de, seja lá quem for, que estivesse lá fora.


Notas Finais


Perdoem-me se encontrarem algum erro! Tô mega gripada e não tenho dormido direito, então pode ser que eu tenha dado alguma escorregada nesse capítulo. ;P (Espero que não)
Como sempre, muuuuuito obrigada pelos comentários, pelas favoritadas, por tudo! <3
Inté mais! o/
Saranghae~


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