História Stepfather - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Visualizações 31
Palavras 1.879
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Escolar, Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Estupro, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oiiiii. Finalmente consigo postar. Espero que estejam gostando da fic.

Capítulo 8 - Tenso


Fanfic / Fanfiction Stepfather - Capítulo 8 - Tenso

Acordo de repente, confuso. Meu quarto está escuro, e mamãe dorme ao meu lado, sua respiração suave e regular. Ela realmente dormiu comigo? Não faz isso desde os meus três anos. Eu me apoio em um dos cotovelos e passo a mão no cabelo dela, lembrando do sonho que tive.


Sim, um sonho e não um pesadelo.


Essa noite foi desconcertante. Recebi muitas informações sobre meu pai e seu passado. Mesmo desejando ao máximo ficar relaxado, minha cabeça está a mil: Ray, papai, mamãe… e sei que não vou conseguir pegar no sono de novo. Eu me levanto, fecho a porta do quarto e vou até a cozinha. Estou com fome.


Preparo um sanduíche para mim e outro para mamãe. Sentado a mesa, tento organizar meus pensamentos, mas acabo me auto rodeando de perguntas: onde Ray está nesse momento? Será que a polícia descobriu mais alguma coisa? O que vai acontecer quando eu voltar a escola?


Connor surge em minha mente.


Que saco.


Porque me preocupo com o que ele pensa? Nós nunca nos importamos um com o outro de verdade. Aquele dia foi o mais próximo que cheguei de conversar com ele.


Lembro do que disse naquela manhã:


Eu não preciso bater em ninguém para mostrar que sou um homem”


“Decidi que não seria igual ao meu pai”


Esse garoto também é cheio de problemas. Queria poder aceitá-lo como amigo sem nenhuma dúvida, mas, toda vez que penso em como ele me tratava e do fato de ter mudado do dia para noite, fico receoso.


Verifico a hora no relógio. Já passa das seis e meia. Mamãe sempre acordava antes das seis. Ela deve estar cheia de coisas na cabeça que acabaram cansando-a.


Um breve movimento que percebo com o canto dos olhos atrai minha atenção, e me viro de imediato, notando meu pai se aproximar com passos hesitantes.


-Você devia estar dormindo. - murmurou, sentando-se na cadeira ao meu lado.


-Não estou com sono. - digo sem encará-lo. - a porta não estava trancada?


-Sua mãe me deu a cópia da chave, por medidas de segurança.


-Ah.


O silêncio se estende entre nós. Coço o queixo, me questionando se devo ou não mencionar o que a mamãe me contou.


-Quer conversar? - pergunta interrompendo meus pensamentos.


Dou de ombros.


-Você está bem?


-É claro que não. - respondo rápido e ríspido.


-Pode falar comigo.


Olho para ele e percebo seu olhar ansioso.


-Eu… tenho muita coisa na cabeça.


-Eu também. Isso incomoda, não é?


-Muito.


-Escuta, se você se isolar por causa do que aconteceu, vai ser muito doloroso. Acredite em mim, eu sei.


Agora.


-Pai, a mamãe contou sobre… você… e... sobre o seu tio. - fechei os olhos desejando não ter sido muito direto.


-Ah. - ele desvia o olhar por alguns segundos,  então suspira alto. - bom, eu não tive um  começo de vida fácil.


-Eu só… queria saber como você superou tudo isso, entende?


Papai sorri para mim.


-Entendo. Você se sente usado, sujo e negligenciado. Parece que não vai conseguir ser quem você era depois do abuso.


Sinto um aperto no coração e vontade de chorar, mas não, ainda não. Meu pai parece descrever  perfeitamente sobre o que sinto. Como se tentasse por meus sentimentos e pensamentos em ordem.


-Acho que nunca vou voltar a ser quem eu era.


-É, não vai, eu também não voltei, mas aprendi a recomeçar.


-Como? - olhei com ansiedade para ele.


-Bom, não dá para esquecer, mas não podemos deixar que isso tome conta da nossa vida. Precisamos ser fortes para reescrever nossa história.


-Mas dói tanto aqui. - agarro o lado esquerdo.do peito.


-Eu sei, você está corroído por dentro. Mas, mesmo com essa dor, você é um garoto muito forte e vai superar isso.


-Como sabe? - notei minha voz ficar embargada, mas continuei sem dar importância. - você superou, mas não somos iguais.


Percebendo que eu estava prestes a chorar, papai levantou e, de supetão, me abraçou forte e aconchegante. Estremeci com o contado tão repentino, mas, naquele momento eu sabia, era o meu papai.



-Meu menino, você tem mais força do que imagina. Não tenha medo, eu sempre vou estar aqui para te ajudar.


Deixei-me debulhar em lágrimas e escondi o rosto no ombro do meu pai. Não sabia o quanto eu sentia falta desse afeto. Ele tem razão, posso superar isso. Não estou sozinho, na verdade, nunca estive.


-Está tudo bem? - ouço minha mãe aparecer atrás da gente.


Papai me libera do abraço e vai até ela. Mamãe está usando um vestido de mangas compridas. Sei que ela só usa vestido quando se sente bem com alguma pessoa com a qual esteja se relacionando.


Sua expressão permanece preocupada por alguns segundos, mas se suaviza assim que papai sussurra algo que não consigo ouvir. Ela o abraça e sinto uma enorme felicidade em meu peito. Será que eles voltaram?


-Mãe, fiz um sanduíche para você. - falo apontando para seu prato.


-Obrigada, meu amor.


Mamãe se senta à mesa e papai também. Um do lado do outro, próximos de mim. Era tudo o que eu queria nesse momento. Meus pais juntos.


/**/


-Tenho que trabalhar hoje. - minha mãe fala encarando o celular do qual acabará de receber uma ligação.


Depois do almoço, nós três fizemos praticamente tudo junto. Desde lavar, secar e guardar a louça até jogos de tabuleiro - os meus preferidos - sentados no chão da sala. É estranho pensar que precisava ocorrer uma tragédia para que ficássemos tão próximos. Parece que a maior intenção dos meus pais é me fazer esquecer o estupro, e realmente esta funcionando. Não pensei em Ray, no abuso ou em qualquer outra coisa parecida durante os jogos. Me sinto deveras seguro com meus pais.


-O que? - papai indaga.


-Meu chefe falou que não posso faltar hoje a noite. - seu tom estava aborrecido. - é uma cirurgia e precisam da minha ajuda.


Meu pai suspirou e voltou o olhar para mim. Encaro seu rosto tentando ver por trás de sua expressão indecifrável.


-Se algo acontecer, não vou saber usar aquilo. - ele falou para minha mãe.


-Se algo acontecer, eu sei que pode protege-lo. - ela respondeu sorrindo.


Sei que estão falando de mim, mas o que querem dizer com “aquilo”? Os dois conversam como se eu não estivesse aqui. Não é a primeira vez que fazem isso… Lembro da briga deles antes da separação, e balanço cabeça espantando a memória.


-Que horas você vai? - papai pergunta.


-Às oito e meia.


-Entendo. - seu tom fica deprimido.


Que droga! Qual é o problema afinal?


-Mãe, pai. - chamei e os dois olharam para mim. - o que tem de mal se a mamãe trabalhar só hoje?


Mamãe sorriu e se abaixou ao meu lado no chão da sala.


-Pense um pouco, Nath. Com Ray foragido e outros bandidos envolvidos nisso, qualquer momento de descuido pode ser perigoso.


-Ah. - disse apenas.


-Mas não se preocupe. - ela olha para meu pai. - todos vamos ficar bem.



/**/


Olho para o relógio, ele marca nove e quinze da noite. Não faz muito que mamãe foi fazer plantão.  É irónico pensar que fiquei sozinho de novo em casa com um homem. Mas, dessa vez, tenho certeza de que vou ficar bem.


Papai esta tentando cozinhar algo. Nunca imaginei que ele se complicaria tanto na hora de cortar os legumes. Estou sentado a mesa apenas observando e segurando a risada.


-Quando foi a última vez que cozinhou? - perguntei sem disfarçar a graça.


-A últimas vez foi quando cozinhei para sua mãe que estava doente.


-Ah. Ela gostou?


-Ela vomitou. - ele solta uma risada contagiante.


Esse é outro momento pai e filho do qual senti muita falta. Uma vontade surpreendente de saber mais sobre a infância dos meus pais me alcança e, evitando trazer-lhe más lembranças, decido perguntar.


-Como a mamãe era?


-Aii! - ele grita e solta a faca com violência sobre a pia. - droga! Que dor.


Percebo um fiapo de sangue escorrer da ponta do dedo indicador dele e me sinto péssimo por achar graça de seu desespero.


-Pai, tem curativos em cima da geladeira. - falo.


-Obrigado. - seu tom parece aborrecido, mas sei que está achando graça de seu próprio descuido.


Papai pega um band aid e ajeita no dedo. Ele olha para os legumes cortados pela metade sobre o balcão e parece cogitar algo.


-Sabe cortar legumes? - pergunta sem olhar para mim.


-Sei. - rio.


-Faça isso, por favor. Eu vou cuidar do resto da sopa.


-Tudo bem.


Pego a faca, posiciono uma cenoura no balcão e lembro das aulas que a mamãe me deu. “Corte delicadamente em rodelas nem muito finas nem muito grossas” ela falava. Sorrio com a lembrança e começo a cortar.


-Você tinha feito uma pergunta antes? - meu pai indaga.


-Sim, queria saber como a mamãe era.


-Ah, entendo. - ele faz uma pausa. - bom, sua mãe era… Muito idiota.


-Que? - não era bem isso que eu esperava.


-Ela não era muito boa nos estudos, sempre tentava chamar atenção e tinha um fetiche por canetas.


-Canetas?


-Ela colecionava canetas. Só que quando as minhas começaram a sumir, eu iniciei uma discussão com ela e, por um tempo, implicamos  um com o outro.


Papai acrescenta caldo de galinha na panela com água sobre o fogão e começa a mexer, ficando levemente distante.


-Pai, você e a mamãe se amam?


Ele suspira.


-É complicado, Nath. Nós somos muito diferente.


-Mas o amor vence as diferenças, não é?


-Talvez.


Minha vez de suspirar. Porque essa relação é tão complicada?


-Vocês se separaram por minha culpa? - perguntei deprimido.


-O que? É claro que não, Nath. - responde surpreso.


-É que vocês dois pareciam tão felizes antes…


-Você foi o melhor presente que já recebemos.É uma bênção.


-Mas então porque se separaram?


-É coisa de adulto, você não entende.


-Não, não mesmo. Se os dois se amam, porque não ficam juntos? - noto que minha voz alterou e murmuro um pedido de desculpas.


-Escuta, tanto sua mãe quanto eu queremos o melhor um para o outro.


-Mas como vou saber que vocês se amam?


Ele vira um olhar sério para mim.


-Porque nós temos você.


Sinto uma pontada no peito e respiro fundo. Fiquei tanto tempo me culpando pelo divórcio dos meus pais, e agora ouço que a prova do amor deles é justamente eu. Sorrio alegremente por dentro e volto minha concentração para os legumes.


-Eu te amo, meu filho, e amo sua mãe também.


-Obrigado, pai.


/**/


Depois de comermos a sopa - que estava surpreendentemente deliciosa - limpamos tudo e fomos para a cama. Mesmo estando acostumado com isso, detesto dormir cedo. Para mim 22:00 é cedo, mas sei que para meu pai já é muito tarde. Não ousei reclamar, afinal sei que ele estava muito cansado.


Fico na cama olhando o teto no escuro e me pergunto  a que horas mamãe voltará. Estou preocupado por causa dos riscos que ela pode estar correndo lá fora. Peço a Deus que a proteja.


Me reviro na cama de um lado para o outro, abro e fecho os olhos, tento até contar carneirinhos, mas não consigo dormir. Sinto uma premonição, um tipo de desconforto e ansiedade. Droga! Estou com medo de Ray novamente.


Não quero mesmo ficar pensando nisso. Lembrar dos seus toques é como ter um pesadelo acordado. Acho que prefiro dormir e enfrentar os maus sonhos na minha mente do que sofrer com lembranças dolorosas.


Deitado sobre as cobertas, permaneço com os olhos fechados, aguardando o sono. Mas, de repente, sinto algo agarrar minhas mãos e impossibilitar o movimento dos meus braços. Abro os olhos em desespero, pronto para gritar, mas uma mão fecha minha boca.


-Quieto agora, garotinho. - essa voz… Ray!















Notas Finais


Comentem suas opiniões. Bjs e que Deus abençoe...


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