História Stranger Feelings - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Stranger Things
Tags Fillie
Visualizações 428
Palavras 4.095
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi gente <3
muito obrigada por todos o favoritos e comentários!
espero que gostem
boa leitura!

Capítulo 3 - Capitulo 3


 

A descoberta de que eu estava com o celular de Finn levou por completo o meu sono e me vi revirando na cama, sem conseguir dormir. Pela decima vez peguei o aparelho nas mãos, ele realmente era do mesmo modelo que o meu, mas fora isso, não tinha nada a ver, nossas cases eram muito diferentes. Será que ele pensaria que fiz isso de proposito só para falar com ele depois do que houve? Será que ele tinha levado o meu celular ou o deixado na casa de Caleb? Droga. Porque esse tipo de merda acontecia comigo?

Me virei para encarar o teto e pensei sobre o que fazer. Eu poderia ligar para Finn pela manhã e combinar de nos encontrarmos para desfazer a troca. É, era isso que eu ia fazer. O melhor era fingir que aquele beijo no armário nunca tinha acontecido e pronto. Mesmo que tivesse sido um beijo muito, muito bom. Não. Tinha sido um beijo normal, só isso. Nada de beijo muito, muito bom.

O celular de Finn vibrou me fazendo pular na cama, sobressaltada. Peguei-o e passei o dedo pela tela. Como eu não sabia a senha de desbloqueio eu apenas conseguia ver que era uma notificação do aplicativo de conversa com o nome de Jack. Deslizei a notificação para o lado e observei a foto de Finn na tela de proteção. Era uma foto engraçada, em que ele fazia uma careta. Comecei imaginar imediatamente o que ele estaria fazendo agora, se estaria dormindo ou rolando na cama assim como eu. Será que ele tinha gostado do beijo?

Balancei a cabeça para afastar o pensamento. Se ele gostou ou não, isso não interessa. Pelo amor de Deus, não é como se eu nunca tivesse beijado ele na vida. Foram inúmeros beijos no set, muitos e muitos takes até que ficasse perfeito, então não era novidade. Ou pelo menos não deviria ser.

Sinto vontade de falar com alguém e me lembro de Sadie dizendo que depois conversaríamos. Penso em mandar uma mensagem para ela, mas como estou sem celular, desisto de buscar o tablet no quarto de Ava apenas para isso. Amanhã ligo para ela e quando pegar meu celular de volta posso marcar de encontrá-la e depois que eu contar o que houve naquele armário e ela concordar comigo que não significa nada, minha vida finalmente vai volta ao normal. Com esse pensamento fecho os olhos determinada a finalmente dormir.

 

Eu estava deitada confortavelmente. O colchão era macio em minhas costas e meu corpo estava envolvido em um edredom fofo. Se não fosse pela maldita claridade que atingia os meus olhos eu poderia permanecer com eles fechados por horas, sem sequer me levantar da cama hoje. Claridade? Eu não tinha fechado as cortinas ontem antes de dormir? Provavelmente eu tinha me esquecido depois de pensar tanto sobre o celular de Finn.

O celular de Finn.

Sentei-me na cama de repente e estiquei minha mão em direção ao celular que, em sincronia com meus movimentos, começou a tocar. Afastei minha mão bruscamente, assustada pelo som estridente. Mas ao ler Millie na tela e o peguei. Alguém estava me ligando do meu celular?

Imediatamente atendi.

- Por favor, me diz que é você que está ai, Millie. – Ouvi a voz de Finn do outro lado da linha.

- Sou eu. – Sussurrei aliviada.

- Por que pegou o meu celular? – Ele despejou.

- Eu não peguei por querer, tá legal? – Me defendi. – Eu estava com pressa e peguei sem querer, pensando que era o meu.

- Sua case é vermelha, Millie. – Ele disse como se fosse obvio e eu pude senti-lo revirar os olhos.

Então a ficha foi caindo aos poucos. Como diabos ele tinha conseguido ligar para o celular dele do meu celular? Ele precisaria ter descoberto minha senha de desbloqueio e desbloqueado o meu aparelho. Não, impossível.

- Finn. – Eu comecei com a voz calma. – Como você conseguiu me ligar do meu celular?

- Bom, eu digitei meu número e apertei o telefoninho que fica no canto esquerdo, aí então você atendeu. – Ele respondeu sarcástico.

Mas eu estava muito chocada para ser agressiva.

- Você descobriu a minha senha de desbloqueio? – Perguntei, já sentindo o sangue sendo drenado do meu rosto.

- Sério, Millie? – Ele resmungou, o sarcasmo ainda presente em sua voz. – É o dia do seu aniversário. Não chegou nem perto de ser um desafio.

Droga. Se Finn tinha desbloqueado meu celular isso queria dizer que ele tinha acesso a todas as minhas redes sociais e mensagens. Deus. Ele tinha acesso as mensagens de Jacob. Pior. Ele tinha acesso ao grupo das minhas amigas, no qual todas me provocavam pelo fato de eu beija-lo na série. Pior ainda. Ele tinha acesso as minhas fotos bregas.

Ah Deus, eu queria morrer.

- Finn. – Eu disse tentando ser calma com ele. – Será que nós não podemos nos encontrar agora pra desfazer isso?

- Bem que você gostaria. – Ele disse em uma risada.

Quis manda-lo catar coquinho, mas me mantive calma, sabendo que agora ele tinha muito poder sobre mim nas mãos.

- E por que não podemos?

Ele suspirou.

- Estou no aeroporto. Vou pra Paris com Caleb e Gaten, você se esqueceu? – Ele explicou calmamente. – Temos aquele evento de Stranger Things.

- Porcaria. – Soltei exasperada.

Finn riu ainda mais alto.

- Calma, garota. Eu volto na segunda. Você só precisa ficar dois dias sem celular, você sobrevive.

- Que horas seu voo sai? – Perguntei em uma última esperança. – Eu poderia ir aí rapidinho.

- Daqui a dez minutos. – Ele respondeu. – Você levaria pelo menos quarenta pra chegar até aqui.

Cobri meu rosto com a mão livre sentindo desespero.

- Eu te odeio, Finn Wolfhard. – Sussurrei, me sentindo chateada por ele estar tão calmo com a situação. Mas também, ele poderia usar o meu celular o quanto quisesse. Aliás, ele poderia arruinar a minha vida se quisesse.

- Ei, foi você que fez a burrada. – Ele se defendeu. – E não faça tanto drama, são só dois dias sem falar com seu namorado. Por falar nisso, ele te desejou um ótimo dia e perguntou como foi o almoço com o pessoal do elenco. Devo responder?

Eu ia matar Finn. Eu ia jogar uma praga pra que o avião dele caísse no meio do oceano ou pra que a torre Eiffel caísse na cabeça dele.

Senti minhas bochechas quentes.

- Para de ler minhas mensagens! – Gritei.

- Sadie quer saber o que houve, porque você ficou estranha depois do desafio. – Ele continuou.

- Eu te odeio, te odeio mais que tudo! – Vociferei.

- Ok, Millie, já vi que você não é uma pessoas de manhãs. Eu preciso ir, quando voltar eu te ligo e nós desfazemos a troca.

Sentindo que ele estava prestes a desligar eu me acalmei, por algum motivo eu não queria que ele desligasse ainda, queria apenas que ele continuasse falando, mesmo que fosse para discutirmos.

- Espera, Finn. – Comecei. – Me liga amanhã?

A linha ficou em silencio do outro lado e eu me xinguei mentalmente. Que merda de pedido era esse?

- Ligo. – Ele concordou.

- Ok, então. Boa viagem.

- Obrigado, Mills.

Quando eu estava prestes a desligar, ainda pude ouvi-lo me chamar mais uma vez.

- Sim? – Respondi depressa.

- Não fica brava. – Ele começou e então riu. – Mas Maddie está te chamando para uma festa do pijama amanhã. Disse pra você levar Sadie.

Revirei os olhos para o “não fica brava”.

- Ok, Finn. Mas não vou te agradecer por essa informação.

- Não achei que você iria. – Ele sussurrou e então desligou.

A manhã passou rapidamente. Como eu não tinha nada para fazer relacionado a trabalho, aproveitei o tempo livre para estudar e ficar com os meus irmãos. Eu adorava brincar com Ava, me lembrava da minha própria infância. Ela agora estava na fase das Barbies, então passamos horas trocando roupas nas bonecas, fingindo que elas estavam em um desfile de moda. Foi divertido. As horas passaram tão depressa que eu quase nem senti falta do meu celular. Foi somente depois do jantar que eu me deitei no sofá para assistir series com Charlie que me lembrei que meu celular estava com Finn.

Será que ele estava xeretando minhas coisas?

Não que eu tivesse algo realmente grave a esconder, mas era vergonhoso. Fora que eu não tinha a menor ideia do que Sadie ou Maddie podiam me mandar por mensagens. Poderia ser qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Era melhor eu mandar um direct a elas e também a Jacob avisando que eu estava temporariamente sem celular ou redes sociais. Me levantei e busquei o tablet no quarto de Ava. Ao entrar no Instagram haviam muitas notificações de fãs, muitas marcações em fotos e vídeos. Me distrai por alguns minutos assistindo várias edições de cenas de Mileven que os fãs haviam feito da nova temporada, dei like em algumas fotos e quando finalmente abri o direct meu coração quase veio a boca. Finn tinha respondido mensagens de Jacob.

Abri rapidamente a conversa. Jacob tinha me mandado um coração por uma história que eu tinha postado de mim e Sadie na casa de Caleb. Depois ele tinha mandado “você está a cada dia mais linda, Millie”. Corei ao pensar em Finn lendo isso. Depois tinha uma resposta “Ei, Millie não pode te responder agora” . Bom, até ai tudo bem, tinha sido até um favor que ele tivesse dito isso a Jacob, pelo menos ele não me mandaria mais mensagens enquanto meu celular estivesse com Finn. Mas a conversa continuou.

“Se você não é Millie, quem é você?” Jacob mandou.

“Finn” Finn respondeu simplesmente e então: “quer deixar recado? Acho que ela não vai poder te responder por um bom tempo”

“Finn Wolfhard? Porque está no Instagram da Millie?” Jacob perguntou.

“Eu e Millie somos assim, compartilhamos algumas coisas de vez em quando”

E era isso, a conversa acabava assim.

Eu ia matar Finn Wolfhard. Quem ele achava que era para responder meus directs no Instagram? Ainda mais sabendo que eu teria acesso a isso se quisesse. Eu mesma poderia ter respondido Jacob, ele não precisava ter feito aquilo e com certeza não precisava ter falado aquilo sobre “compartilharmos coisas”, até porque não era verdade. Tá bom, talvez um pouco.

- O que está te deixando tão irritada? – Charlie perguntou de repente, desviando sua atenção da TV e olhando para mim.

- Nada. – Sussurrei, deixando o tablet de lado e pegando o balde de pipoca em suas mãos.

Amanhã eu resolveria essa história com Finn. Mudaria minha senha do Instagram e daria um jeito de desabilita-lo do meu celular se isso fosse possível. Também ligaria para Jacob de algum celular emprestado e explicaria a ele o que houve. Isso era o que eu faria, uma decisão madura e responsável.

E então o celular de Finn vibrou sob o sofá, me fazendo pega-lo automaticamente. O nome de Iris brilhou na tela acompanhado do símbolo do aplicativo de conversas. Iris tinha mandado uma mensagem a Finn?

Eu não entendi muito bem o porquê, mas senti vontade de jogar o maldito celular na parede. Uma raiva tão grande se apoderou de mim que eu me levantei de repente, assustando Charlie

- Desgraçado! – Esbravejei com o celular na mão.

Ele lia as minhas mensagens, respondia meus directs e com certeza tinha visto minhas fotos estranhas, mas eu sequer consigo desbloquear o celular dele. Sinto vontade de fazer com ele o que ele fez comigo, de dizer a Iris que Finn não pode responder porque nós “compartilhamos coisas”.

- Woa, Millie. O que houve? – Charlie perguntou confuso.

Eu voltei a me sentar no sofá. Todos esses sentimentos são comuns, não são? Eu só estou com raiva por causa do que Finn disse a Jacob e por isso agora sinto vontade de fazer o mesmo com Iris, não é? Claro que é. Isso é apenas raiva e não ciu...

Nem ouso terminar de pensar na possibilidade.

- Charlie. – Digo baixo dessa vez. – Como faço para descobrir a senha de alguém?

 Ele parece pensar sobre isso. Passo o dedo pela tela do celular de Finn pela milésima vez e encaro o espaço para a maldita senha dele.

- Acho que uma senha é uma coisa muito pessoal. Mas a maioria das pessoas usa coisas obvias para não se esquecer, como datas de aniversários ou nome de animais de estimação. – Charlie diz e então dá de ombros, voltando sua atenção para a TV.

Minha primeira tentativa é o aniversário de Finn. Digito 231202. Senha incorreta. Tento novamente 23122002. Senha incorreta. A senha não é o aniversário, mas sendo sincera comigo mesma, nunca pensei que seria. Aniversário é óbvio e óbvio é uma coisa que Finn não é.
Tento então do irmão, da mãe, datas relacionadas a Stranger Things, como datas de estreias, data de premiações, mas nada surte nenhum efeito.

Continuo tentando até que chega a hora de ir para a cama, então coloco o meu pijama, escovo os dentes e me deito, mas o sono não vem. Pego o celular de Finn mas uma vez, tentando pensar em algo que pudesse ser importante para ele a ponto dele colocar como senha. Um pensamento me vem à mente e meu estômago dói diante desse ideia, mas mesmo fazendo uma careta eu tento. Pesquiso no Google o aniversario de Iris e digito rapidamente. Senha incorreta. Involuntariamente solto um suspiro de alívio. Mas então me vejo na mesma, o celular continua bloqueado.

Deixo o celular de lado e olho para o teto frustrada. Eu nunca vou conseguir descobrir a senha dele. Finn é sempre um grande ponto de interrogação na minha vida. Eu nunca sei o que pensar ou sentir quanto a ele, nunca sei o que dizer quando ele está próximo demais e nunca sei como lidar com ele. Não sei ao menos se ele me considera uma amiga ou apenas uma garota irritante que ele atura.

Antes éramos próximos. Quando gravamos a primeira temporada de Stranger Things nos ríamos e conversávamos, era bom estar com ele, ele era meu amigo. Mas depois do sucesso da série, as pessoas começaram a nos ver como um par romântico. Surgiram as piadinhas entre o pessoal do elenco, as perguntas sobre o beijo nas entrevistas e era tudo tão vergonhoso. Eu tinha tido meu primeiro beijo em frente a uma câmera e milhares de pessoas assistiram. Nem eu, nem Finn estávamos preparados para a repercussão disso. Ele sempre corando e gaguejando nas entrevistas ao falar sobre o beijo e eu falando sem parar, tentando parecer mais segura do que eu realmente estava. Éramos apenas crianças envergonhadas.

A pressão que isso trouxe a nossa amizade foi quase insuportável. Eu me lembro que me ressenti na época, quando ele se afastou. Doeu perder a companhia dele, porque éramos quase tão próximos quanto eu sou de Noah. Mas eu entendi, Finn sempre foi tímido e os fãs estavam simplesmente o empurrando para mim, então ele se afastou. Não era culpa de ninguém, apenas foi como as coisas aconteceram. E agora eu não fazia a menor ideia de em que posição colocá-lo na minha vida. Na maioria das vezes eu optava pela de amigo, mas em dias como esse, em que ele estava xeretando minhas coisas particulares, eu pensava seriamente em considera-lo meu inimigo mortal.

Empurrando o celular de qualquer modo para deixo do meu travesseiro, eu fecho os olhos. Melhor dormir e esquecer essa ideia de tentar descobrir a senha de acesso de Finn. Ele sempre foi muito além da compreensão para mim, eu nunca poderia descobrir algo tão íntimo.

 

Quando acordo na manhã seguinte e decido ligar para Sadie. Conto a ela sobre a festa do pijama na casa da Maddie e ela concorda que devemos ir. Por isso ao entardecer ela aparece em casa. Durante todo dia eu procurei esquecer minha falta de celular, assim como esquecer o aparelho de Finn que ainda estava embaixo do meu travesseiro, mas ao arrumar minha bolsa para a casa de Maddie eu simplesmente pego o celular e o jogo entre minhas roupas. Não digo nada a Sadie sobre isso e ela também não parece notar.

Charlie nos deixa na casa de Maddie as sete da noite. Maddie, Lilia e Kenzie parecem felizes em nos ver. É agradável estar com elas. Nós assistimos a comedias românticas e comemos muitas besteiras. Quando o último filme acaba, subimos para o quarto de Maddie, me jogo na cama dela assim que entramos. Sadie ri e se joga ao meu lado. Maddie e Lilia se sentam no chão, Kenzie resmungando algo sobre pintar as unhas de azul. Estamos rindo e conversando sobre besteiras quando Sadie de repente se vira para mim.

- E então, quando você pretende me contar?

Me viro confusa para ela.

- Contar o que?

- Qual é, Millie. – Ela revira os olhos. – O que aconteceu dentro daquele armário?

Sinto minhas bochechas ficando quentes. Maddie desvia a sua atenção das unhas de Kenzie que estava pintando e também me encara.

- Que armário?

Tenho vontade de matar Sadie.

- Nenhum. – Tento soar indiferente.

- Se não tivesse acontecido nada, você não estaria me ignorando. – Sadie continua. – Te mandei mensagens durante toda a tarde ontem e você se quer me respondeu.

Droga. Eu deveria ter pedido a Finn para pelo menos responder Sadie.

- Me desculpe, Sadie. Eu não estou com o meu celular. – Conto a ela.

- Alguém pode me contar a história do armário? – Maddie pede ainda distraída pela nossa história.

 - Foi só uma brincadeira idiota. – Esclareço para ela. – Sete minutos no céu. Coisa de criança.

Maddie concorda com a cabeça e volta a pintar a unha de Kenzie. Quando acho que me livrei das perguntas, ela diz casualmente:

- Então, com quem você foi para o céu?

E então todas elas se voltaram para mim, as sobrancelhas arqueadas em expectativa. Me sinto corar. Droga.

- Conte a elas. – Sadie riu.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa um som alto e estridente começou, o som de um celular tocando. Maddie olhou para Kenzie.

- É o seu?

Kenzie mostrou o aparelho silencioso a ela, negando. Nós nos entreolhamos, tentando entender de quem era o celular. Até que Sadie pegou minha bolsa e encostou ao lado do rosto.

- Vem da sua bolsa, Millie.

Finn.

Corri até a minha bolsa e despejei todas as roupas sobre a cama de Maddie atrás do maldito aparelho, até que ele caiu sobre a cama. As garotas se aproximaram com curiosidade e ao ver meu nome no visor, me encararam confusas. Mas eu não tinha tempo para explicar, apenas deslizei meu dedo pela tela do celular e atendi.

- Ei. – Suspirei.

- Ei. – Ele respondeu do outro lado da linha.

Senti um estranho arrepio ao ouvir a voz dele e tive que admitir, mesmo que apenas para mim mesma, que estive esperando essa ligação durante todo o dia.

- Quem é, Millie? – Lilia perguntou com curiosidade.

- Você está na casa da Maddie? – Finn perguntou quando ouviu a voz dela. – Quer que eu te ligue depois?

- Não. – Eu disse rápido demais.

Maddie, Sadie, Kenzie e Lilia de repente estavam em volta de mim com risadinhas, tentando desvendar quem era a pessoa misteriosa. Ouvi Sadie sussurrar “Finn” e rir. Imediatamente me afastei, não querendo que ele ouvisse as provocações que elas começariam. Elas tentaram me seguir, mas eu fui mais rápida e entrei no banheiro do corredor.

- Você esta fugindo? – Finn perguntou depois de alguns segundos.

- Um pouco. – Respondi sorrindo. – Elas querem saber com quem estou falando.

- E é um segredo? – Ele perguntou e eu podia ouvir o sorriso em sua voz também.

- Não é um segredo. Apenas é divertido não dizer.

- Ok, então. – Ele concordou. – Millie, eu preciso te contar uma coisa.

- Pode dizer. – Eu respondi rápido e com curiosidade.

- Eu meio que respondi um direct de Jacob ontem. – Ele sussurrou e eu poderia dizer que ele estava sem-graça como se estivesse arrependido de ter agido por impulso.

Revirei os olhos.

- Você meio que respondeu? Você totalmente respondeu!

- Ei, não precisa ficar bravinha.

- Não estou bravinha. – Respondi. – E por falar em direct, a sua namorada está te mandando mensagens. Talvez seja melhor dizer a ela que o celular não está com você.

 Eu estava falando sobre Iris e me senti mal assim que as palavras saíram da minha boca. Eu não sabia se Finn estava ou não com ela, mas também não queria saber.

- Do que exatamente você está falando, Millie?

- Sobre as mensagens da sua namorada.

- Eu não tenho uma namorada, Brown. – Ele respondeu e eu soube que ele estava falando sério. Finn nunca me chamava pelo sobrenome a não ser que estivesse falando realmente sério.

- Iris. – Eu sussurrei, sabendo que deveria dar uma explicação a ele.

- Iris não é minha namorada. – Ele respondeu. – Ela é minha amiga.

- Como eu? – Não consegui me evitar de perguntar.

- Não, não como você. – Ele sussurrou.

E eu não soube o que isso queria dizer. Isso significava que ele não me via como uma amiga ou que eu era mais amiga dele do que ela?

Ele pigarreou quando o silencio se tornou desconfortável.

- Ainda está aí?

- Estou. – Respondi e então. - Finn?

- Sim?

- Me diga uma data importante pra você. – O que eu queria realmente dizer era “me dê uma dica para sua senha?”

Finn riu, ou melhor, gargalhou, pegando o significado nas entrelinhas.

- Você quer descobrir a minha senha? – Perguntou retoricamente. – Bom, você não vai conseguir.

- Por favor, Finnie. – Implorei. – Uma dica?

- Aniversario. – Ele disse simplesmente.

- Não, não é. – Retruquei.

- Você tentou não, é? – Ele perguntou, rindo.

Revirei os olhos.

- Você está me enrolando, Wolfhard.

- MILLIE. – A voz de Maddie soou do outro lado da porta.  – Você morreu ai? – E então as risadinhas recomeçam.

- Acho que você tem que ir. – Finn sussurrou.

- Acho que sim. – Concordei, mas por algum motivo eu não queria desligar.

- Então, tchau.

- Tchau – Sussurrei.

Mas antes que eu pudesse desligar Finn disse:

- Posso te ligar amanhã?

Um sorriso enorme apareceu no meu rosto.

- Claro que sim.

- Então, até amanhã, Mills.

- Até, Finnie.

Mesmo depois de termos desligado permaneci no banheiro, encostada contra a porta com um sorriso enorme nos meus lábios. Foi só quando ouvi outra batida na porta que despertei do transe. Sai do banheiro e dei de cara com quatro rostos sorridentes e expectantes.

- E então? – Sadie perguntou. – Era Finn não era?

Senti minhas bochechas corarem ao me dar conta do que elas estavam pensando sobre essa ligação.

- Eu estou com o celular dele. Peguei sem querer quando estávamos na casa de Caleb e ele acabou ficando com o meu. Por isso ele me ligou e nada mais. Podem ir tirando esses sorrisos sacanas do rosto. – Expliquei tudo de uma vez com o dedo apontando para cada uma delas.

Mas me ignorando completamente, Sadie se virou para Kenzie, Lilia e Maddie.

- Eu não disse a vocês. Millie e Finn tem essa coisa estranha, entre tapas e beijos.

Revirei os olhos.

- Cala a boca, Sadie.

- Estão vendo, ela fica toda corada e nervosinha. – Sadie apontou.

- Eu acho que ela gosta dele. – Maddie riu, concordando.

- Ei, eu ainda estou aqui. – Gritei.

Depois nos voltamos ao quarto e eu tentei ao máximo desvia-las do assunto Finn. Acabamos conversando sobre garotos, mas permaneci calada a maior parte do tempo, apenas ouvindo-as contar sobre suas experiências enquanto riamos. Na hora de dormir, eu coloquei meu saco de dormir ao lado do de Sadie. As garotas pareceram dormir instantaneamente assim que deitamos, mas eu ainda permaneci acordada ouvindo o ressonar tranquilo de Sadie ao meu lado.

Eu não conseguia parar de pensar sobre Finn. Porque ele se ofereceu para me ligar amanhã? Seria apenas porque estávamos com os celulares trocados ou ele ansiava por ouvir minha voz tanto quanto eu ansiava por ouvir a dele?

E sobre o que ele tinha falado sobre a senha ser o aniversario era obviamente mentira. Eu tinha tentado o aniversário dele de dois modos diferente e em nenhuma o celular tinha desbloqueado. Puxo o celular que estava debaixo do meu travesseiro e tento mais uma vez, mas nada. Então, quando estou quase desistindo, irritada, digito minha senha de desbloqueio 190204 por puro costume e surpreendentemente o celular desbloqueia. Sinto meus olhos se arregalarem enquanto meu coração quase vem a boca. A senha de Finn era o meu aniversário?

 



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