História Subarashii - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Big Bang
Personagens G-Dragon, Jungkook, V
Tags Jungkook, Komatsu Nana, Taehyung, Taekook
Visualizações 11
Palavras 1.213
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Essa história é um pouco diferente.

Está centralizada sob o olhar da personagem Nana, que enfrenta problemas de auto-estima, distúrbios alimentares e depressão. Mas também será narrada a história de Taehyung, que descobriu-se apaixonado por Jungkook em um país e em um contexto extremamente preconceituoso.

Não é totalmente taekook, já que há outras histórias contadas ao mesmo tempo. Foi por isso mesmo que a quis escrever: por ser diferente das demais.

Capítulo 1 - Ossos


Rostos.

O rosto de sua mãe era uma lembrança nítida em sua mente, porém, se lhe pedissem para descrever seu próprio rosto, ela não seria capaz de fazê-lo. Porque, apesar de estar estampado em várias revistas pelo país, em celulares e talvez em algum holofote perdido, ela não se lembrava exatamente como era. Os detalhes vinham se perdendo em sua mente confusa.

Porque ela havia quebrado todos os espelhos que existiam em sua casa.

E quanto mais tempo ela permanecia jogada na cama ou no chão, menos ela conseguia se lembrar de si mesma. Menos seu rosto lhe era familiar, menos seu corpo lhe importava, e menos o mundo brilhava e fazia barulho. Quanto mais tempo ela permanecia deitada, menos ela queria se levantar. E tudo parecia encolher. As coisas ao redor começavam a diminuir, como se tivessem tomado uma poção “beba-me” da Alice, ou até a sumir, como se estivessem sendo cobertas pela capa de invisibilidade do Harry Potter. Ou talvez fosse ela quem estivesse diminuindo, ficando tão pequena ao ponto de ser insignificante. Mas, mesmo que não estivesse pequena, ela ainda seria insignificante.

Havia mais ou menos uma hora que seu telefone estava tocando e ela não conseguia escutá-lo.

Estava deitada ali no chão desde quando? Não conseguia lembrar. O céu estava azul. A última vez que notou algo ao redor, ele estava escuro.

 

Quando alguém bateu na porta, percebeu que era hora de levantar dali. Ela tentou, mas seus braços estavam fracos. A última vez que ela comera…? Não sabia. Talvez anteontem? A vez que comeu uma bolacha e vomitou-a porque ia engordar… será que tinha sido anteontem? Ou talvez antes, ainda, na… que dia era hoje, mesmo?

A porta fez barulho de novo, e, então, como ninguém foi até lá para abri-la, alguém resolveu abrir por si mesmo. Ah! Olhe aquele rosto ali… Era de sua mãe?

Mãe…

— Nana! — berrou e correu até a filha. — Meu amor, o que houve?

 

Sua mãe era boa. Bem diferente de Nana. Ela sabia cozinhar, limpar a casa, amar o marido e a filha. Sua mãe sabia cantar canções bonitas, rir com delicadeza e se vestir bem. Já Nana… o que sabia? Nada? Nem amar ela sabia? Achava que não.

Sua mãe lhe deu um banho e trocou sua roupa, que parecia ter sido usada por dias. Sentou-a na cama e penteou seus cabelos úmidos. Fez a filha comer bolachas de água e sal e tomar chá.

— Nana, há quantos dias está sem comer?

— Não estou sem comer.

— Nana.

— Não sei.

— Há quantos dias está deitada?

— Não sei.

— Você não se comunicava comigo há quatro dias. Está deitada no chão há quatro dias?

— Não.

— Não?

— Não sei.

Um suspiro. E definitivamente não é de Nana, porque ela já não suspira mais. Na verdade, ela não emite muitos sons e é por isso que sua mãe acha que está mais do que na hora de interromper a carreira de modelo e procurar um psiquiatra. Alguém que faça-a parar de quebrar os espelhos ao jogar balanças contra eles. Alguém que faça-a comer e engordar um pouco, porque seus ossos estão começando a dar aflição.

A mãe de Nana não sabe que as modelos diziam que sua filha estava gordinha. Não sabe que seu agente disse que ela precisava perder uns quilinhos para os ângulos na foto saírem melhores. Não sabe que o último cara que fez fotos com ela foi um babaca nojento que tentou passar a mão em seu corpo. Não sabe que Nana chorou por três dias inteiros e já vinha chorando há muito tempo. Não sabe que ela não quer desistir de tudo aquilo, porque, afinal, um dia tudo aquilo fora seu sonho. Ser modelo. Nana só não sabia que coisas ruins viriam incrustadas em seus sonhos, sujando-os e fazendo-os brilhar menos. E ela não pode desistir das coisas que um dia sonhou.

Nana suspirava muito antes. Costumava fazer esse som quando tudo ficava difícil e todo mundo a pressionava. Fazia isso quando tinha mil coisas a cumprir no dia; quando seu agente ligava e passava a agenda da semana, fazendo-a se perguntar onde estava o horário para o almoço e o lanche da tarde. O que ela ia comer? Nada, porque ela era modelo, e modelos não comem. Modelos são magras e se alimentam de luz! Boba, quando ela ia aprender?

Agora Nana não suspira mais. Ela prefere ficar em silêncio enquanto se deita no chão e não pensa em nada, para não chorar e não se machucar mais do que já está machucada. Ela não gosta de pensar. Pensamentos machucam, fazem-na se sentir mal. Lembram-na de que ela está acima do peso e feia. Um lixo. Nana é um lixo. Daqueles que se joga no lixão e se esquece para entrar em decomposição. Mas sua decomposição nunca chega. Está demorando muito e ela tem medo de que os urubus comecem a rondá-la, porque, depois, eles descerão e farão seu lanchinho. Nana não quer virar comida de urubu. Socorro!

As outras modelos e as pessoas malvadas da internet dizem que Nana é um lixo, e lixos não pedem socorro, só esperam os urubus em silêncio. Ela admite que, quando se olha no espelho, também se acha assim. Foi por isso que a outra Nana, a Nana que só ela vê, disse que devia quebrar todos os espelhos da casa: para não se sentir mais desse jeito tão detestável. Então ela quebrou. Com a balança, aquela coisa feia que queima os pés quando ela pisa e vê os números que não gosta.

Nana acha que está ficando louca. Acha mesmo. Biruta, daquelas que precisa ser internada num hospício com camisa de força! Sua cabeça dói quando pensa nisso e é por isso que não gosta de pensar.

Ai…

Dói tanto que Nana se deita na cama, sem terminar as bolachas. Ela não se lembra mais de que sua mãe está ali, sentada com ela. Parece mais é que sumiu com a capa de invisibilidade do Harry. E nem percebe quando a mãe começa a lhe fazer carinho. Muito menos consegue ver as lágrimas que escorrem sem parar no rosto da mamãe.

Ela só consegue se imaginar. Seu rosto não é visível, porque não se lembra dele — deve ser redondo como uma bolacha e feio —, mas seu corpo é bem nítido. Está gorda. Ugh, quanta gordura. Ela precisa parar de comer. Ah, não… Ela comeu uma bolacha agorinha! Precisa vomitar antes que seu corpo absorva aquelas gorduras! Só que Nana não consegue nem mexer a mão. Ela está cansada. Não, não é cansaço. É fraqueza. Está tão fraca que parece que vai morrer.

Morrer. Ela não vê a hora disso acontecer.

É, talvez ela esteja cansada.

De viver, é isso?

Cansada de viver.

De repente, pensa: onde foram parar seus amigos? Onde foram parar seus sorrisos? Seus sorrisos… sorrisos? Ela sorria? Faz tanto tempo que ela não faz isso que sua mente está apagando as lembranças que fizeram-na sorrir um dia. Mentira. Não estão não. Ainda há uma enxurrada de lembranças, todas sobre a mesma pessoa, que fazem-na sorrir e chorar com dor no coração. Uma dor que aperta e queima. Uma dor que ela sabe que jamais irá curar.

Ah… olha. Uma lágrima. Duas, três, sete, dez e tudo fica escuro.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...