História Suffocating — Jikook (Yoonseok) - Capítulo 5


Escrita por: ~ e ~Lyssu

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Jikook, Jikook Writers, Kookmin, Longfic, Menção Vhope, Sobi, Sope, Vmon, Yaoi, Yoonmin, Yoonseok
Visualizações 179
Palavras 5.399
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Almost romantic.


Hey bolinhos, como estão?

Outubro e novembro tem sido uma correria aaa

Mês passado teve a situação tensa com a MNET x Armys, esse mês já teve comeback do Super Junior, Monsta X e Exid (coisa que acabou comigo), teve aquela bomba Jikook que ainda não superei! Estou no chão com o quão Jikook pode surpreender.

Demorei com a att de Suffocating por causa de bloqueios, peço desculpas e espero que gostem.~ c:

Capítulo 5 - This is a little like hell


Fanfic / Fanfiction Suffocating — Jikook (Yoonseok) - Capítulo 5 - This is a little like hell

É minha deixa novamente, mas antes de dar continuidade à esse lado da história, tenho certeza de que muitos estão confusos com o que houve entre mim e Jungkook naquele - não tão - fatídico dia, por isso irei contar primeiro.

[…]

Depois que o nervosismo e confusão do momento se dissipou, não havia mais a mesma tensão, as lágrimas de Jungkook foram cessando aos poucos e então que notei ainda estar em seus braços. O quarto estava silencioso, não de uma forma incomoda, mas ainda sim, estranha. Tentei me desvencilhar daquela situação algumas vezes, mas Jungkook estava me abraçando de uma forma.. Como posso dizer? Inocente. Ou pelo menos refletia algum tipo de inocência, como se estivesse se sentindo seguro, estava colocando seu peso sobre mim e esquecendo do mundo. E depois de inúmeras tentivas e alguns minutos de reflexão, desisti de tentar.

Não é como se eu estivesse odiando estar sem seus braços..

O lado constrangedor é que eu estava gostando.

Passaram-se​ anos desde que Jungkook havia partido, deixando amargura e dores para trás, comigo. Realmente não entendo o motivo dele voltar e sequer penso que entendendo vá mudar algo.

Nossa relação antes de acabar não era perfeita, estava na medida certa; das brigas até as conciliações silenciosas, tudo estava ótimo. Talvez Jungkook esteja certo e eu não entenda os motivos dele, mas também não foi fácil para mim.. Nada foi fácil para nenhum de nós dois. Eu queria poder mostrar para ele como me senti nesses anos todos, mostrar como doeu e como me afetou, e ao mesmo tempo não quero. Não quero que ele sinta o que senti ou saiba como fiquei frágil.

Ele sabe algumas coisas de mim e já me monopolizou sem minha permissão.

Esse aspecto stalker¹ protetivo dele é até fofo, com um quê doentio. Não é nada saudável, mas é adorável. Na verdade eu nem sei no que diabos estou pensando, quer dizer.. Ele foi um babaca comigo e voltou sem mais nem menos para me observar de longe, muitas coisas poderiam ter sido menos ruins ano passado se ele tivesse aparecido logo.

Estão vendo? A situação é problemática e me deixa confuso. Eu não gosto disso, essa sensação de não saber o que fazer ou o que pensar sobre isso.. A única coisa que penso agora é que talvez, estar nos braços de Jungkook de forma tão exposta seja um deslize.

Eu deveria mesmo permitir que ele seja tão invasivo?

É tão confuso o fato dele ter me descartado como lixo, ter sumido do mapa e agora, pelo que pareceu uma eternidade após, aparecer como algum tipo de stalker maníaco com coragem suficiente para me pedir confiança.. Parece loucura para mim.

Talvez muitos de vocês devam estar achando que eu deveria ir embora ou cobrar merecidas respostas como um louco e acreditem, também acho que seria o lógico, porém.. algo não me deixa fazer isso.

Ainda não vivi tempo o suficiente a para aprender a controlar as coisas que sinto, então vergonhosamente esse algo se chama amor, ou no popular: falta de vergonha na cara. Só sei que simplesmente não quero deixar de sentir isso, a incrível sensação de ter o peso e calor dele me cobrindo novamente.

É constrangedor admitir que mesmo depois de tanto tempo, no fundo, eu queria tê-lo de volta.

Sei que sou fraco e insensato, Jeon Jungkook foi uma péssima pessoa, agiu como se eu fosse insignificante e mesmo assim é inevitável.. É inevitável não querer as coisas de volta, como eram. Nunca vou entender o que há de errado comigo para continuar amando uma pessoa tão pobre de tudo como ele, não entendo o porquê de tentar ver nele algo bom.

Meu coração é doente demais.

Ou esperançoso demais.

Talvez, não conseguir sair dos braços dele seja um efeito “pós avalanche”. Sempre que lembro da repentina avalanche de medos que me soterrou quando Jungkook se foi, de toda aquela pressão sufocante, das malditas memórias ou da saudade que nunca cessava, eu acabava pensando “Se ele voltasse eu faria diferente, não iria perdê-lo novamente”, e eu realmente não quero perder. Por mais que tudo esteja uma grande perda de tempo agora, eu não estaria sendo honesto se dissesse aqui que não me importo.

Existem muitas coisas que Jungkook sabe sobre mim, algumas até contra a minha vontade, mas um fato que ele não sabe sobre​ mim, é que bem antes de me tornar dependente químico eu já havia me tornado dependente dele.

Meu maior problema agora é que levei muito tempo para aceitar a ideia de que ele não iria voltar, e justamente quando me conformo, ele volta.

Ficar submerso nessa reflexão toda é aterrorizante. Desencadeia crises existenciais atrás de crises existenciais, e dai a usual vontade de usar meus remédios como consequência. Meus tormentos pessoais são um verdadeiro gatilho, é sempre quando penso demais nas coisas que sinto o chão debaixo dos meus pés se desfazendo.

Honestamente, não dá para atribuir meus fracassos ao vigor das circunstâncias. Eu fui o arquiteto da minha própria ruína, não o Jungkook.

De todas as vezes em que arruinei meu presente com um passado sem futuro, 80% dos motivos não era relacionado ao Jeon, então ele nada mais é que um efeito colateral.

Uma consequência.


Ainda estou da mesma forma patética desde que comecei a narrar; Jungkook por cima de mim, me abraçando enquanto meus sentimentos travam uma batalha com a minha consciência. Preciso me desvencilhar disso.

Jeo.. Jungkook? — Sussurrei afastando com cuidado os fios de cabelos bagunçados do mais novo afim de conseguir chamar sua atenção.

Jungkook não me respondeu, sequer reagiu ao meu toque, na verdade, apenas pareceu ainda mais aconchegado e foi então que notei que ele havia adormecido.. em cima de mim. Abri um leve sorriso sem entender o motivo direito. Por instantes a situação pareceu engraçada.

Depois de tudo, ele dormiu?!? 

Me remexi fazendo um pouco de força, jogando o corpo do outro para o lado e me levantando devagar. Suspirei aliviado e espreguiçei, voltando meu olhar para a forma como o mais novo dormia, mas logo desviei minha atenção para o quarto; escaneei por completo o cômodo, parando minha atenção na bolsa aberta e cheia dos meus remédios no canto do quarto.

Doentio e tentador.

Doentio pelo fato de Jungkook ter aquilo tudo, o que me causa um certo calafrio. Nunca iria consiguir pensar nele me stalkeando, pelo menos não de forma tão assustadora. Jungkook pode até não ser um traficante de orgãos ou um serial killer² estuprador, mas com toda certeza não é de confiança.

E por outro lado é tentador pelo fato de ser meu vício. Talvez não seja tão simples para vocês entenderem como a sensação entorpecente desses remédios é, ou como isso desperta uma dependência abrupta.

Me sinto confuso por sentir tantas necessidades de uma só vez. Havia tanto tempo que eu me sentia morto por dentro e agora é como se eu estivesse levando contínuos choques de realidade.

Fiquei inerte em pensamentos, olhando aqueles remédios de longe por um bom tempo, até levar um breve susto com uma risada nasal ecoando atrás de mim. Me virei bruscamente, me deparando com Jungkook sonolento sentado na cama, me observando.

Me pergunto quanto tempo ele esteve ali, me encarando.

Pode pegar, sei que você quer eles.. Não vou implicar se quiser usar. — Disse sorrindo minimamente de canto, fazendo um sinal positivo com a cabeça. Suspirei exausto em resposta, sem forças para me frustrar mais com a cara de pau do outro.

Por que você esta aqui, Jungkook? — Cruzei os braços encarando ele. — Você não voltou só porquê sentiu saudades.

— Jimin, para começo de conversa eu nem queria ter ido. — Retrucou se levantando e tirando a camisa. — Acha que eu queria tudo que aconteceu?

— Por que está tirando a roupa? — Indaguei mas fui ignorado.

— Jimin, eu teria ficado aqui com você se eu tivesse tido alguma escolha. — Estalou os dedos e jogou a blusa na cabeceira da cama. — E achei que você iria ficar feliz em me ver de novo também.

— Seu problema sempre foi 'achar' demais mesmo. — Murmurei em um tom descontente com a possível ironia que senti fluir dele.

Bom, você escreveu que sentia minha falta de 10 em 10 linhas no seu diário como se fosse um mantra, isso por acaso se encaixa em psicologia reversa? —  Brincou sorrindo sarcástico. Revirei os olhos e respirei fundo em resposta.

Deus.. eu odeio tanto você. — Resmunguei frustrado.

Ok, não diz isso.. — Pediu quase numa súplica e se aproximou, parando na minha frente. — Eu tenho que começar a prestar atenção nas coisas que eu digo, não quero aborrecer você. — Deslizou as mãos com leveza pelos meus ombros. — Eu realmente não queria ter ido e estou feliz por você estar aqui.

— Está perto demais.. — Afastei o outro com a mão. — Você invadiu minha privacidade.. Sabe como isso me faz sentir impotente? Não tem a menor graça, Jungkook.

— E não é para ter! Eu sou um idiota, ta legal? — Respondeu se aproximando novamente. — Eu não olhei seu diário para fins fúteis, só li para saber se você estava tendo alguma ideia.. precipitada.

— Suicídio? — Encarei o outro e o afastei de novo. — Achou que eu tentaria isso de novo?

— Ah Jimin, nós podemos não falar disso agora? Estamos juntos depois de anos e por deus, como senti sua falta. — Suspirou pesado e novamente se aproximou, segurou na minha cintura e me encostou na parede. — Por que não nos acertamos? É tudo que precisamos agora.

Senti o pequeno impacto das minhas costas na parede e encarei o chão por alguns segundos sem reação. Não respondi a pequena provocação do mais novo em me por contra a parede e ele também não continuou, ficamos apenas nos encarando em silêncio. Ponderei sobre as duas opções; acertar tudo e me entregar, ou cobrar todas as respostas aqui e agora. A segunda opção seria a plausível se Jungkook não fosse meio covarde. Sei que ele não vai abrir o jogo nem forçando a barra, então me resta só a primeira opção, mas não sei se eu devo.

Jungkook.. — Murmurei desviando a minha atenção para qualquer outro ponto. — Você acha mesmo que daria certo fazer isso? Digo.. Tentar de novo depois desse tempo todo.

— E por que não daria? Você me ama, eu amo você.. Não é isso que importa? — Acariciou meu rosto com a ponta dos dedos. Lhe encarei um pouco incerto.

As coisas não são tão simples assim, Jungkook.. Muitas coisas aconteceram nos últimos anos, somos pessoas diferentes demais agora, não sabemos mais nada um do outro.

— Podemos nos redescobrir juntos.

Ah, você é irritantemente insistente.. — Suspirei ouvindo um pequeno riso sair do outro.

Amor não deve ser campo de batalha onde ego e orgulho brincam de ser o mais forte. — Suspirou tais palavras numa seriedade que me surpreendeu. 

— Uau.. Isso foi muito bonito, Jungkook. — Encarei o outro sem ter muito o que dizer. Ele está certo.. 

Gostou? Meu avô me dizia isso e.. —  O mais novo sorriu convencido e cruzei os braços em reprovação. — Tá, tá. Ninguém me disse, mas é o melhor argumento que tenho para convencer você.

— Jungkook-ah, você é um péssimo mentiroso. — Respondi dando o braço a torcer já me lamentando por dentro. — Tá, digamos que eu esteja inclinado a aceitar.. o que eu ganho topando essa loucura?

— Mm.. Essa é uma pergunta com uma resposta extensa, Hyung, mas posso adiantar que terá muito amor, carinho, comida e o melhor de mim. — Respondeu sorrindo minimamente de canto, me puxando mais para sí.

Ah, é uma proposta tentadora.. — Senti meu rosto esquentando e apertei os dedos com nervoso.

Jimin, nós dois queremos isso, não precisamos fazer nenhum joguinho aqui.. — Sussurrou deslizando as mãos pela minha cintura, me puxando mais para si, praticamente colocando nosso corpos. — Você aceita namorar comigo?

Engoli a seco com a proximidade. Não existia mais nenhum espaço entre nós além de desejos e pensamentos confusos; era possível sentir a respiração quente do mais novo se chocando contra a minha pele enquanto suas mãos firmes me seguravam. Sei que não precisamos de joguinhos, é só que.. 

Ah, dane-se.

Eu aceito.. Por mais que eu sinta que vou me arrepender disso depois. — Abracei o maior antes mesmo dele responder e afundei meu rosto na altura do seu peitoral. Senti tanta falta de poder fazer isso que mal consigo formular o que posso dizer a seguir.

Você não vai, eu não vou deixar você se arrepender disso. — Sussurrou baixinho e retribuiu com força o abraço, beijando minha cabeça. Senti o coração do mais novo acelerar e instintivamente o meu acelerou também. — Eu amo muito você, Jimin.

Me arrepiei ouvindo a voz rouca do outro proferir as 3 palavrinhas mais perigosas que já conheci. A ficha de que ele voltou ainda não caiu, na verdade, ainda sinto que posso acordar a qualquer momento.

Inacreditável que há algumas horas eu estava fazendo uma das maiores merdas que já fiz na vida; perdido longe de casa, sozinho, com frio, com fome, sem esperanças, e aceitar uma carona inverteu o jogo na marra. Agora estou reatando meu namoro de anos atrás com meu ex namorado babaca que na verdade não é um babaca.

Eu não sei o que pensar mais.

Jeon Jungkook sempre foi uma doença, uma que me mantinha vivo, pois assim que o perdi vi subitamente as vontades, os sonhos, os momentos.. tudo se esvaindo, como se a vida fosse uma cortina de fumaça. Quando ele se foi, minha vontade de respirar se foi junto.

Eu me senti morto.

Lembro de acordar a contragosto todos os dias nas usuais manhãs de aspecto cinza, lembro de como eu sentia falta das marcas que ele deixava no meu corpo durante as noites de amor turbulentas que tínhamos, dos carinhos que vinham depois e principalmente do cheiro dele que sempre impregnava minha sanidade.

Tudo com ele era mais simples, mais fácil, menos doloroso; se a vida inúmeras vezes me quebrava, Jungkook inúmeras me consertava.


— Eu senti tanto a sua falta.. — Murmurei ainda pressionando meu rosto contra o mais novo, aspirando seu cheiro enquanto o deixava me envolver em um abraço que por mim nunca mais teria fim.

Eu quase enlouqueci sem você por perto.. — O timbre rouco do mais novo parecia harmonizar com meu coração, me fazendo arrepiar em resposta. — Sabe do que mais senti falta esses anos todos?

Neguei com a cabeça e um sorriso nasal saiu do outro. Me arrepiei com a sensação gostosa de ouvir as risadas dele tão de perto em resposta. Jungkook afastou um pouco e me encarou bem de perto, sorrindo minimamente de canto. Senti meu rosto corar violentamente e tentei desviar o olhar, mas ele segurou meu rosto com a mão se forma gentil, atraindo meu olhar para si novamente..

Foi de poder olhar nos teus olhos.. São tão bonitos, principalmente quando você sorri. — Acariciou meu rosto e aproximou tomando meus lábios num beijo calmo. Senti meu coração se aquecer no peito e retribui o beijo, puxando o outro para mais perto.

É estranho ignorar tudo que aconteceu nos últimos anos de forma tão rápida para viver o agora. Há algumas horas atrás eu estava muito ferrado e agora estou reatando meu namoro, tudo de forma improvável.

Talvez seja errado só a parte de ignorar tudo para viver o agora, mas o que fazer quando não se quer estar certo?


Jungkook… — Murmurei ainda mais baixo o nome do outro. Existem muitas coisas que eu gostaria de dizer, mas a necessidade de tê-lo dobra de tamanho a cada segundo, mesmo já estando em contato consigo. — Por favor.

— Eu sei.. Também sinto o mesmo. — Respondeu me envolveu ainda mais em seu abraço, me guiando devagar até a cama.

O mais novo me deitou com carinho, se deitou ao meu lado em seguida e me puxou para si, me abraçando. Ficamos deitados juntinhos, de conchinha. Jungkook me sufocou com seu amor confortante por um longo tempo e depois tirou meu fôlego com seus beijos famintos.

Não precisou de palavras para ele entender do que precisávamos, foi como se estivéssemos realmente compartilhando do mesmo desejo involuntário um pelo outro.

Eu sei que a vida é assim, inconstante.

Acredito que todo mundo se sente perdido as vezes, sente que nada está dando certo, como se estivéssemos sendo caçados pela ideia de que estamos desperdiçando a vida, e basta apenas pensarmos um pouco no futuro ou nos nossos sonhos que bate aquela vontade expansiva de gritar até perder a voz, correr para longe e chorar. 

Bate aquela vontade de fugir da realidade.

Eu sei exatamente como isso funciona, já estive submerso nesse cotidiano de incertezas milhares de vezes. O melhor a se fazer é não ceder e não forçar a barra. Nada nunca funciona direito sob pressão, falo por experiência própria.

Ter ficado sem Jungkook me fazia ver tristeza até nos lugares mais bonitos, eu me cobrava muito por isso e olha onde parei; desempregado, viciado, sem futuro.. Foram longos anos assim.

Estou me sentindo até aliviado demais agora que acabou, mesmo que a ficha ainda não tenha caído completamente.. Jungkook voltou, e por mais que seja de forma repentina, um simples beijo dele consegue me fazer ver beleza até em um singelo quarto escuro, onde me encontro deitado ao seu lado em uma cama de casal simples, sendo entorpecido por um amor incoerentemente necessitado.

Enquanto ele estiver aqui, ao meu lado, sinto que tudo vai ficar bem.

[…]

• Jungkook •

Despertei a contragosto pela ausência do calor alheio em mim. Jimin deve ter me achado um idiota por ter dormido, mas não consegui evitar, sentir o calor dele estava intercalando sensações tão únicas.. Sensações que só ele consegue me proporcionar, então acabei perdendo a noção com a realidade e adormeci.

Eu nem me recordo bem sobre o que eu estava pensando antes de me render a imensidão dos meus desejos por Jimin, sendo sincero, achei que assim que abrisse meus olhos, iria ver que ele havia ido embora, que havia fugido do monstro que eu sou.

Eu não iria culpar ele por isso, em seu lugar eu também fugiria.

Porém, ele não fez.

Assim que finalmente reuni coragem para encarar a realidade aparte do que eu já havia criado na minha cabeça, abri devagar os olhos e Jimin ainda estava aqui, de pé no centro do quarto, observando a bolsa de remédios idiotas com um olhar perdido e confuso.

”Como pode ser tão bonito com tão pouco?” Foi a primeira coisa que pensei quando meus olhos focaram nele.

Me levantei devagar em silêncio e me sentei na beirada da cama, observando o mais velho perdido em sí próprio. Jimin estava tão concentrado que sequer me notou, enquanto isso admirei em segredo cada detalhe do seu corpo.

Por instantes, enquanto observava o menor, percebi que demoramos tempo demais para estarmos juntos, talvez nem se nos entregássemos à infinitude de nossos atos de uma só vez agora, conseguiríamos saciar todas as nossas vontades. É frustrante que tenhamos passado por tudo sozinhos.

Imagino que ainda sou odiável aos olhos da maioria de vocês e entendo isso perfeitamente, algumas merdas que fiz são do tipo irreparáveis, também me odeio por ter feito tanto mal a Jimin e sei que não sou bem vindo para entrar em sua vida de novo.

Mas, mesmo sabendo que ele merece algo melhor.. não sei se consigo.

Não é tão simples abdicar desse tipo de coisa, basta olhar para o mais velho que meu coração se derrete por inteiro..

Não existe uma culpa nessa nossa história, jamais imaginamos um fim assim, e sei que o mínimo agora seria me afastar de Jimin, deixar que ele viva sua vida sem pedras como eu em seu caminho, mas acho que não consigo.. Ter Jimin tão perto me faz querer apenas estar com ele, independentemente se é o certo ou não.. Jimin também não iria concordar que nos afastássemos de verdade, mesmo que seja menor agora, ele também me ama.

É injusto pensar que o melhor agora seria não ficarmos juntos, não fomos nós que planejamos essa vida, tudo que aconteceu foi de maneira tão inconsistente e inconstante que até assusta.. Se tivesse sido do nosso jeito, tudo seria diferente.

Sempre que penso em como me apaixonei por Jimin, de como fiz planos atrás de planos e mesmo que diante de tantas boas intenções tudo tenha ficado arruinado, eu sinto vontade de chorar.

Eu já vivo praticamente atormentado pensando o tempo inteiro em como seriam as coisas se nada tivesse dado errado da forma que deu.. Jimin e eu provavelmente teríamos nos casados, estaríamos morando em uma casa confortável perto do centro e talvez teríamos até filhos.

Jimin seria um pai incrível e ter filhos com ele seria ainda mais incrível.

É realmente injusto que as coisas tenham ido pelo caminho errado..

Naquela época, eu era o tipo de pessoa relaxada, o tipo de pessoa que tentava não surtar, o tipo de pessoa que tentava a lógica primeiro e mesmo que houvessem muitos problemas, fazia esforço para isso não deixar subir a cabeça. Antes de tudo desabar eu era assim pois parecia que a vida nunca iria mudar, ainda mais de maneira tão drástica. Acho que foi só quando tive que abrir mão da única coisa que me fazia querer sobreviver, que percebi que a vida não era tão simples.

Levou um certo tempo para eu finalmente formular na minha cabeça que às vezes ganhamos coisas e pessoas, e às vezes perdemos.

Vocês também vão perder pessoas em suas vidas, dai vão perceber que não importa quanto tempo vocês tenham passado com elas ou quantas vezes disseram ou fizeram coisas boas para elas, sempre vai parecer que foi insuficiente.

Após ter tido que abandonar Jimin, acabei completamente sozinho, isolado, vazio e perdido, e cada vez que eu tentava ser positivo, eu ia me afogando em pesares que não iriam trazer nada do que perdi de volta, não iriam me levar até o mais velho.

Mas não importava de qualquer modo, eu continuava surtando.

Quantos dias haviam se passado dessa forma?” Eu me perguntava isso tantas vezes enquanto me questionava sobre onde Jimin estava que por vezes pensei estar louco.

Eu não sei se vocês sabem como é triste ver tudo indo tão bem, se sentir amado e completo num dia, e no outro, perder tudo tão rápido que mal consegue se dar conta do porquê. 

Felizmente, nada disso importa mais, Jimin está aqui, eu estou aqui com ele e não vou abrir mão de nada, não vou deixar qualquer oportunidade de acertar as coisas ir para o ralo.

Fiquei tão perdido em meus pensamentos enquanto observava Jimin que só me despertei quando ouvi um suspiro saindo dele.. Jimin já estava suspirando enquanto observava a bolsa de remédios, talvez por vontade de usá-los, ou pensando em como consegui eles.

Complexo de tão adorável.

Se for pela vontade de usar, me pergunto o quão forte ele consegue ser para resistir a pegar os comprimidos. Pelo que conheço dele, sei que é inteligente, provavelmente deve estar na defensiva por estar em um lugar estranho e distante de casa, então não vai arriscar tomar iniciativas sem se sentir seguro antes.

Me desculpem pelo comentário inapropriado, mas ele é uma gracinha.. Parece um cachorrinho olhando a vitrine de um açougue.

Não consegui evitar de rir. Jimin deu um pequeno - enorme - baque e automaticamente lançou um olhar surpreso em minha direção.

Tivemos uma conversa curta e atordoante.

Ainda não posso contar para ele todos os motivos pelo qual fui embora ou a forma como voltei e fiz as coisas, sei que ele não está emocionalmente estável, falar sobre tudo seria um problema e não é disso que precisamos agora.

Me aproximei do mais velho e tentei soar mais sério, afinal, ele ficou um tanto frustrado com minhas falhas tentivas de deixar o clima menos pesado, na verdade reconheço que fui inconveniente, não tem como a tensão diminuir, é nosso primeiro reencontro em anos e nem aconteceu da melhor forma.

Depois de me aproximar e tentar soar menos idiota, cheguei a pensar por instantes que não iria conseguir uma chance com Jimin. Por mais que ele também goste de mim, a verdade é que nem só de amor uma relação vive e sinceramente, que motivos ele teria para aceitar namorar comigo? Na cabeça dele eu o descartei, eu não gostava dele e só queria sexo. Não o culpo por pensar desse modo, a culpa é minha. Se eu não tivesse sido tão covarde e burro, teria contado a verdade desde o início e teria evitado magoá-lo desse modo.. Independentemente se minhas intenções foram boas, não posso justificar.

Tentei me aproximar diversas vezes, mas em todas Jimin me afastou. Ele estava incerto e magoado, dava para ver em seus olhos que não queria se machucar ou nem fazer escolhas ruins, isso me assustou. Eu quero fazer dele o homem mais feliz e pleno do mundo, mas não posso dar certeza de que isso vai acontecer.

Depois que tomei a impulsiva atitude de encostar Jimin na parede, engoli a seco. As chances dele preferir ir embora eram altas, e eu iria respeitar isso.

Quando quando Jimin cedeu e se soltou um pouco, ficou claro que ele queria tanto quanto eu acertar as coisas, ainda nítido que ele estava um pouco confuso também, mas não era uma confusão ruim, ele provavelmente estava medindo as consequências.

Me aproximei novamente do mais velho e dessa vez ele não me afastou e nem fez menção de que ia. Pela primeira vez desde que nos reencontramos, Jimin sorriu.. Sorriu de forma meiga, com as bochechas coradas e uma timidez palpável.

Era quase irresistível a forma como ele me olhava. Respirei fundo e pedi ele em namoro de uma vez.

Por instantes meu coração gelou. Pensei em tantas respostas que ele poderia me dar, pensei nele se negando e indo embora..

Mas ele aceitou o pedido.

Jimin aceitou e inacreditável tomou a atitude de me abraçar.

Quando senti o mais velho em meus braços de forma espontânea, Fiquei perplexo, por segundos eu não soube o quanto podia me aproximar dele, sequer consegui pensar no que dizer.. Automaticamente me senti em nível novo, senti meu peito se encher de amor. Era adorável a forma como ele estava se sentindo tímido, forçando o rosto contra mim sem conseguir dizer algo.

Retribui o abraço e segurei ele firme. Imaginar que Jimin consegue me perdoar tão facilmente mesmo após tudo que fiz me faz pensar​ novamente que demorei demais para aliviar suas dores.

Jimin parecia tão frágil que quando conseguiu dizer algo, saiu incompleto, mas captei o que ele queria.

Sei que ainda não posso chamar nossa situação de “Águas passadas”, são coisas demais para varrer para baixo do tapete, mas por enquanto, quero apenas me afogar nessa imensidão que é amar Park Jimin.

Guiei o mais velho até a cama e então ficamos ali, deitados pelo resto do dia e noite, aproveitando a respiração um do outro. Estávamos imersos em um desejo necessitado que parecia ter vindo de outras vidas de tão grande.

Depois que Jimin descansou - ele parecia exausto - e comeu algo, fizemos um acordo incomum.

O mais velho me disse que poderíamos tentar de novo, mas apenas se eu lhe mostrasse quem eram as pessoas que estavam o seguindo para mim. Eu hesitei a princípio mas acabei cedendo, tanto pelo fato de que poderia ter ele de novo para mim apenas com isso, quanto pelo fato de que ele tem todo o direito de saber pelo menos uma parte da história.

Dito e feito.

Na manhã seguinte, manhã essa que pareceu a melhor que tivemos em séculos, levei Jimin e lhe mostrei tudo exatamente como havia pedido, respondi a maioria das perguntas que ele me fez e levei alguns sermões.

O dia parecia nunca acabar, mas não foi ruim. Depois de conversamos sobre tantas coisas sobre nós, decidimos parar em uma sorveteria, foi a primeira coisa mais "namorados" que fizemos desde que começamos a namorar. Quando o dia chegou ao final, Jimin quis passar em casa para pegar algumas coisas.

Algo que esqueci de mencionar foi que Jimin aceitou morar comigo.

Existe um infinito de vontades que foram reprimidas por tanto tempo que provavelmente não iríamos conseguir ficar longe um do outro, literalmente.

De qualquer modo, foi tudo bem automático, ele entrou e fez uma mala simples, deixou um bilhete na geladeira e quando me dei conta já estávamos no meu carro, indo para casa. Jimin se ajeitou no banco, ligou o rádio e colocou I'll be good — Jaymes Young para tocar. Ele estava cantando baixinho.

“I'll be good, I'll be good and I'll love the world, like I should”

(Eu serei bom, eu vou ser bom e vou amar o mundo, como deveria.)

“Yeah, I'll be good, I'll be good.. For all of the times that I never could”

(Sim, eu serei bom, eu vou ser bom.. Por todas as vezes que nunca pude ser.)

A voz de Jimin parecia distante, mas não era algo triste, ele estava com sono. Apesar de não ter sido puxado, o dia foi cansativo. O mas velho não esperou chegarmos em casa e acabou adormecendo. Ele estava dormindo de forma tão adorável que eu nem sabia se prestava atenção na estrada ou nele.

Não demorou tanto para chegarmos, Jimin acordou a contragosto quando estacionei. Saimos do carro e eu levei as coisas para ele. Assim que chegamos no apartamento, nos deparamos com Hoseok. Jimin pareceu extremamente tímido, não saiu das minhas costas. Adorável.

Hoseok queria conversar comigo, parecia bem sério então o levei para o quarto enquanto Jimin ficou na sala me esperando.

Depois de me sentar na cama, Hoseok me disse coisas que, sinceramente, me deu vontade de soca-lo. Conversamos a respeito de forma hostil, não pude evitar me exaltar as vezes.

Eu conheço Yoongi a muito tempo, saber o que Hoseok andava fazendo com ele me tirou a fala. Yoongi não merecia esse tipo de tratamento. Eu nunca imaginei que Hoseok fosse capaz de ser tão irresponsável, imprudente e baixo.

[...]

• Jimin •

Bati na porta algumas vezes, mas nenhuma resposta veio do outro lado e novamente um choro abafado seguido de vidro se quebrando ecoou. 

— O que diabos está acontecendo? — Murmurei encarando a porta.

Engoli a seco avaliando a situação. Por mais não seja da minha conta, alguém pode estar precisando de ajuda e não posso não fazer nada. É estranho porque não tenho intimidade ainda, mas tomei coragem e abri a porta.

Me deparei com uma situação difícil.

Aquela mesma pessoa que foi rude no banheiro agora estava deploravelmente jogado no chão, provavelmente bêbado - julgando pelas duas garrafas de vodka vazias ao seu lado - e chorando. Haviam porta-retratos quebrados por todo o quarto e algumas roupas mal colocadas em duas malas grandes sobre a cama. Respirei fundo afim de manter a calma, surtar não iria resolver nada.

Agora entendo porquê Jungkook parece tão exaltado lá no quarto com aquele cara.

Fechei a porta e me aproximei devagar. A iluminação do quarto estava baixa, eu tentei não soar tão nervoso, mas a tentiva saiu pela culatra com o pequeno assustei que levei quando finalmente consegui enxergar o outro por completo. Ele estava sangrando, seus pulsos pareciam torneiras.

Puta merda!” Foi a primeira coisa que exclamei.

Pensei em ir chamar Jungkook, mas antes que eu conseguísse tomar uma inciativa senti as mãos frias do outro segurar em meu braço. Seus olhos refletiam dores de partir o coração.

Fiquei sem reação.

Por favor.. Não me deixa aqui sozinho. — Disse em uma voz falha. Ele não sabia se gesticulava ou se chorava.

Sem muita explicação senti um aperto repentino no peito. Ele parecia assustado e confuso demais.

Mas você está sangrando, se não tratar disso logo pode ser grave! — Me abaixei tentando fazer ele me soltar. — Eu preciso chamar o Jungk.. — Fui interrompido por um beijo inesperado.

Minha mente ficou em branco.

O que pensar? Estou sendo beijado a força por um sociopata mirim, bêbado e sangrando.

Eu.. Eu não preciso deles.. — Afastou o beijo murmurando. — Você pode cuidar de mim. — Respondeu soltando meu braço devagar.

Bêbado e impulsivo.. O pior tipo de pessoa para se lidar. Aonde eu fui me meter?

Eu ainda estava atônito. Acabei não expressando nenhuma reação negativa ou positiva. O que eu poderia fazer? Encarei tudo como um desafio, engoli a seco, tirei minha blusa e enrolei no braço do outro com força para estancar o sangue.

Às vezes parece que os problemas são feitos de metal e eu sou um ímã de neodímio.

Sempre atraindo ou sendo atraído para as piores situações.

[…]


Notas Finais


Espero que tenham gostado aaaa me deixem saber o que acharam.

Perdoem erros de pt, eu não revisei o cap.

Stalker¹: palavra inglesa que significa "perseguidor". É aplicada a alguém que importuna de forma insistente e obsessiva uma outra pessoa.

Serial Killer²: Assassino em série, é o tipo de criminoso de perfil psicopatológico que comete crimes com uma certa frequência, geralmente seguindo um modus operandi.


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