História Sweater Weather - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Harry Potter, Luna Lovegood
Tags Drarry, Harry Potter
Visualizações 119
Palavras 4.126
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


ATENÇÃO: FANFIC CRIADA SEM FINS LUCRATIVOS - PLÁGIO É CRIME - CENAS DE SEXO HOMOSSEXUAL - CENAS DE SEXO HETEROSSEXUAL - INFORMAÇÕES MÍNIMAS ALTERADAS PARA MELHOR DESENVOLVIMENTO DA HISTÓRIA - HARRY POTTER PERTENCE A J.K. ROWLING E SEUS ASSOCIADOS.

Capítulo 4 - Capítulo 4


 

CAPÍTULO 4

 

(I'll wait a minute while you try to compensate.)

 

“Draco!”Blaise gritou atravessando o corredor, tentando acompanhar os passos do menino. “Draco, espera!” Ele esbarrou em uma menina pequena, certamente do segundo ano e se desculpou rapidamente, correndo para alcançar os passos de Draco, que apesar de não estar correndo, andava como se o diabo estivesse atrás dele.

“Me deixa sozinho!” Draco respondeu fazendo a curva e começando a descer as escadas para o quarto andar.

Blaise suspirou, mas não parou de seguir Draco. Ele havia saído correndo pelo portal da sala comunal, corado e com os olhos fervendo de raiva, Blaise estava esperando do outro lado do corredor e apenas viu um relance do que era Harry Potter e Hermione Granger encarando Draco. Ele tentou alcançar o loiro logo na saída, mas seus dedos passaram pelas robes de Draco como se o tecido fosse feito de fumaça. Ele pensou em mandar Hersel, seu morcego atrás de Pansy, mas Blaise sabia que se desviasse os olhos um segundo de Draco, o perderia.

“O que aconteceu?” Ele gritou sobre o murmurinho da multidão que estava mudando de salas, pelo o que ele se recordava eles tinham aula de Poções agora e Draco estava indo pra direção contrária do laboratório.

Blaise não lembrava de quando seus sentimentos por Draco havia mudado tanto, quando eles haviam começado a transar, Blaise sabia que Draco não queria nada além de uma forma de queimar as frustrações, mas agora Blaise estava correndo atrás do menino, como se ele se preocupasse. E no fundo ele sabia que ele se preocupava.

E isso não podia acontecer.

 

--

 

O estômago de Draco estava girando tanto quanto as pás de um ventilador. Ele escutava a voz de Blaise, mas seu cérebro só conseguia se concentrar em uma coisa, sair correndo dali o mais rápido possível. Seu coração estava batendo rápido desde que ele havia visto Theodore tão perto de Harry. Ele sentiu seus batimentos cardíacos no fundo da sua garganta e ele sabia que a qualquer momento ele iria vomitar. Ele sabia que sair correndo não era uma das coisas mais adultas a se fazer, mas ele não queria nem imaginar o que teria acontecido se Granger não tivesse interrompido. Ele não entendia o que estava acontecendo, ele tinha despejado todas as suas fraquezas em Potter, suas inseguranças e seu desejo de ter morrido na sala precisa, ele não entendia o que estava acontecendo com o próprio corpo, por isso ao invés de enfrentar tudo isso, Draco saiu correndo pelas escadarias, atravessou o hall de entrada e se jogou nas escadas de pedra que levavam até os portões de Hogwarts, ele sabia que assim que saísse pelos portões Mcgonagall seria avisada e viria atrás dele, mas no momento ele somente queria sumir, tirar Potter da cabeça o mais rápido possível.

Claro, ele não tinha a menor idéia de onde estava indo. Não poderia chegar perto de Hogsmeade, era o último lugar onde ele queria ir, mas não existiam muitos lugares para se esconder quando o assunto era o arredores de Hogwarts. Mesmo contrariado, Draco correu em direção a Hogsmeade, fazendo seu caminho rápido até a casa dos gritos. Atravessou a neve espessa e chegou até o portão. Draco lembrou da primeira vez que teve muito medo da Casa dos Gritos, havia sido no quarto ano, durante uma das viagens a Hogsmeade, Draco havia sido arrastado, e ele lembrava muito bem da parte do arrastar, até perto da estrutura, ele tremeu de medo enquanto Granger ria e Wesley parecia se mijar de medo. Draco então notou, quando já estava na proteção de sua sala comunal, que a pessoa invisível deveria ter sido Potter, óbvio que tinha sido ele e nos confinamentos do seu quarto, Draco riu. Agora, depois de tanto tempo passando por Hogsmeade, a Casa dos Gritos não parecia tão assustadora, na realidade, Draco pensava que morar em uma casa daquelas deveria ser muito aconchegante e silencioso.

Ele passou pelas cercas caídas e cobertas de neve e atravessou o terreno com cuidado, abraçou-se ainda mais nas robes e afastou o cabelo que caía sobre seus olhos. Ele precisava cortar o cabelo com urgência, daqui a pouco ele teria que prendê-lo e ele não queria ficar ainda mais parecido com, enfim, seu próprio pai.  

Draco não queria pensar no próprio pai, preso em Azkaban, a quilômetros da terra e ainda mais quilômetros acima do mar, rodeado por dementadores frios e calculistas, não queria pensar sobre seu pai encolhido e sozinho, perdido nos próprios pensamentos e Draco com toda certeza não queria pensar na forma como ele estava se sentindo exatamente daquele jeito. Pequeno, sozinho, encolhido e perdido nos próprios pensamentos. E a culpa, como Draco percebeu pela primeira vez, não era de Potter.

De certa forma, era sim.

Draco grunhiu e chutou a porta de entrada, a neve caiu e ele se irritou, pegando a varinha dos bolsos e abrindo a porta congelada com o Bombarda. Ele não podia fazer feitiços violentos, o que tornava toda a experiência de estar sozinho na Casa dos Gritos ainda pior, mas Draco não ligava. Apenas concordaria se alguém o seguisse e o assassinasse, afinal ele não servia para mais nada além de ser um corpo frio. Ao mesmo tempo, Draco queria, literalmente, matar todo mundo, queria que todos sumissem, queria ter o mundo só para ele, e ele se assustava com a forma grosseira com a qual ele pensava aquilo, como se o mundo devesse algo para ele. Ele realmente se sentia injustiçado.

Draco era um homem egoísta, havia aprendido a ser desse jeito, havia aprendido a ser assim quando era pequeno. Quando raras vezes seu pai deixava que Narcissa recebesse sua irmã, Andrômeda em casa e Draco brincava com sua prima. Ele adorava Tonks, realmente adorava, mas seu pai não deixava a menina chegar perto dele, dizia e suspirava no ouvido de um então menino de quatro anos de idade que o que era dele, era dele, que ele não poderia dividir com ninguém. Ele ficava triste, chorava, corria para sua mãe, para então sofrer a ira de seu pai.

Draco vestia uma pose perfeita na escola, escondia cicatrizes e roxos, escondia tremores e intimidava os outros como Lucius o intimidava.

Draco não queria ser tão egoísta, mas ele havia sido mimado quando criança, nenhum direito lhe havia sido negado, mas ele no final não ligava. No mundo em que ele vivia, ser egoísta era única forma de estar vivo, era única forma de sobreviver, então alguns anos depois da primeira surra que o deixou de cama, Draco entendeu que quanto mais ele agisse como seu pai, menos ele apanharia. Então foi isso que ele fez.

E então, claro, Draco descobriu que era queer.

Era uma brincadeira tola, ele lembrava ainda. Uma garra de firewhiskey no sexto ano, a pressão de matar Dumbledore fervendo em sua pele como a Marca Negra, a memória ainda fresca do beijo de Theodore na cabeça. Ele se viu beijando Pansy, que também não ligava muito para quem ela estava beijando. Ele, na época, já havia fodido Pansy diversas vezes, não havia nada de diferente. Mas Pansy não queria a foda comum. Uma das mãos de Pansy estavam em suas calças, a outra buscava algo ao lado de Draco que ele não conseguia ver. O quarto das meninas estava deserto, como todo sábado e Pansy aproveitava bem.

Draco se inclinou sobre a menina, puxando a saia para cima, houve um dia que Draco havia ficado abismado com o fato de Pansy sempre ir a festas sem roupa de baixo, mas após diversas vezes, ele entendeu que realmente era mais fácil.

Ele estava quase com os lábios sobre seu alvo quando de canto de olho ele viu o que Pansy estava procurando. Era Blaise, que normalmente somente se levantava e ia para o quarto, mas dessa vez havia ficado e olhava para Draco com uma lascívia que ele não sabia entender. Por algum motivo ao invés de Draco se sentir estranho ou até insultado ele se esticou, endireitando a coluna e travando os olhos nos olhos escuros de Blaise. Pansy apenas riu, sentando na almofada e abrindo a braguilha da calça de Draco.

Era a primeira vez que ele notava Blaise desse jeito e aparentemente, era a primeira vez que Blaise se sentia daquela forma também. Toda aquela merda de Sangue Puro era algo que estava marcado em suas mentes, então quando os lábios de Draco se encostaram nos lábios de Blaise, as coisas começaram a fazer sentido.

Mais tarde naquela noite, quando Draco gozava pela segunda vez, agarrado no corpo suado de Blaise ele prometeu a si mesmo que jamais se negaria esse prazer. E ele não o fez.

Ele morria de medo, claro. Mas Blaise sabia o que fazia, com as mãos, com a boca e principalmente com o pau.

Uma risada gostosa soou pela entrada da Casa dos Gritos. Draco amava Blaise.

As escadas estavam gastas, por algum motivo que Draco não ligava realmente. Ele subiu por elas e chegou onde queria.

Draco transfigurou um sofá velho em uma poltrona confortável e se sentou perto da janela, observando a gigante e branca paisagem lá fora.

Ele se perdeu nos pensamentos sobre a guerra, se perdeu nos pensamentos sobre seu pai e sua mãe, sobre Blaise e Pansy e por fim deixou que seus pensamentos o levassem até Harry Potter.

Obvio.

Draco estava lá por acaso, tinha acabado de sair de terminar a tarefa de Astronomia e tinha decidido que tiraria uma hora para passear na Floresta, talvez sequestrar Lovegood dos chatíssimos alunos da Corvinal, mas assim que saiu pelo retrato percebeu que Theodore estava perto demais e não era dele. Harry Potter.  

Obvio.

Ele não havia escutado a conversa direito, mas também não estava muito interessado.

Draco abraçou as próprias pernas, não querendo acreditar que ele estava com ciúmes de Theodore, ele sabia que ainda tinha sentimentos pelo menino, mas desse jeito? A ponto de sentir ciúmes?

Draco suspirou audivelmente na solidão da casa, agradecendo que todas as robes de Hogwarts eram enfeitiçadas contra frio intenso. Harry Potter sempre havia sido uma constante na vida de Draco, mesmo quando as coisas estavam caindo aos pedaços, mesmo quando a cabeça de Draco se enchia de dúvidas, ele tinha a certeza que Potter estaria lá firme e forte em seus pensamentos.

E para piorar, Draco carregava as marcas na pele dessa constante, ele levantou as mãos devagar, traçando a cicatriz fina que cruzava seu rosto, se perguntando se Potter saberia o que tinha causado aquilo.

Um piado chamou a atenção de Draco na rua, por entre o vidro quebrado e sujo, ele viu o momento que um passarinho pousou em um cercado e se aprumou.  

Draco desejava ser um passarinho. Voar para longe de tudo sem se preocupar com os outros, voar e voar, livre.

Mas as únicas asas que Draco tinha, eram as asas de repúdio e de rancor que somente o pesavam.

“Foi aqui que eu descobri o resto da minha vida.” Uma voz disse e Draco pulou do sofá, trazendo a varinha para a frente do rosto, as primeiras sílabas de “protego” já saindo de seus lábios.

“O que diabos você está fazendo aqui, Potter.” Draco sibilou, apontando a varinha para Harry. “Melhor, como você me achou?”

“Eu segui você, é claro.” É claro. Ele disse como se não fosse nada, como se fosse a coisa mais obvia do mundo. Mas Draco sabia exatamente como Harry o havia encontrado. Ele encarou Harry, que estava apoiado casualmente no corrimão da escada, olhando em volta para a casa meio destruída.

“O Mapa.” Draco estudou os olhos de Harry, que se arregalaram em sua direção.

“Como você-”

“Eu sou o diabo¹.” Draco disse se sentando novamente e olhando para a neve caindo lá fora, o passarinho ainda estava lá, mexendo as asas de vez em quando. “Eu sei de tudo.”

“Peter Pet-”

“As vezes, Potter, eu acho que lhe foge a informação de que meu nome tem um Black no meio.” Draco o cortou novamente. Rindo quando Harry entrou em seu campo de visão. O menino tirou a varinha do bolso de trás da calça jeans e transfigurou a poltrona de Draco em um sofá. Draco revirou os olhos e fingiu não sentir o calor do corpo do menino ao seu lado.

Ele não podia negar que eles haviam tido um momento na sala comunal.

Momento esse que Draco ainda não havia entendido. Era um calor estranho, como um pequeno sol em seu estômago, que cada vez que ele decidia que não iria falar a verdade para Potter, ficava cada vez maior e quando ele pediu desculpas, os olhos verdes fundos e sinceros, esse calor se espalhou pelo corpo de Draco como uma praga.  

“Continua não fazendo sentido.” Harry disse, se sentando ao lado de Draco, mais perto do que o necessário.

“Minha mãe e seu padrinho eram… Colegas? Eu acho.” Draco respondeu abraçando os joelhos novamente. Harry por algum motivo havia sentado com as pernas abertas, a lateral de suas coxas alinhadas com as coxas de Draco.

“Sirius contou sobre Narcissa.” Harry disse conjurando madeira seca de algum lugar e fazendo ela flutuar a alguns metros do sofá. “Se importa?” Ele perguntou para Draco, finalmente olhando para o menino encolhido ao seu lado. Draco apenas balançou a cabeça negativamente e a madeira começou a pegar fogo, aquecendo quase que instantaneamente a sala e que eles estavam.

Um silêncio gostoso encheu o coração de Draco, ele observava a chama crepitando no ar, o barulho de madeira queimando. Ele se sentia sozinho, mas acompanhado e isso não parecia tão solitário em sua cabeça. Harry vestia aquele horrendo suéter com um “H” costurado na frente. O menino parecia relaxado, confortável, como se não estivesse na presença de um cara que havia tentado matá-lo. No final, Draco também estava na mesma posição.  

“Eu estava preocupado com você.” Harry disse baixinho, como se fosse um segredo que ele não queria nem que o próprio Draco soubesse. Mas ao invés de atirar uma resposta sarcástica, Draco fechou os olhos e recostou o pescoço no encosto do sofá. Ele começou a sentir aquele calor estranho no estômago e se deixou levar. Mesmo com um pé atrás, sobre o que poderia acontecer se ele baixasse a guarda tanto, Draco abaixou, se preparou para o pior.

“Eu não ficaria.” Respondeu passando a língua nos lábios rachados pelo frio.

“Você saiu correndo. Achei que estivesse passando mal, ou algo assim.” Harry riu.

“Seu bafo estava horrível, Potter.” Draco riu e a risada alta de Harry seguiu a sua no silêncio da casa.

“Eu sabia que não deveria ter comido aquelas tortas de alho.” Draco abriu os olhos e se virou para Harry incrédulo.

“Nunca, nunca, coma as tortas de alho.” Draco respondeu sorrindo e franzindo o cenho para o gosto horrível que subiu pela sua garganta somente em lembrar das infames tortas.

“Anotado.” Harry sorriu para Draco.

Draco notou que assim como o seu, o cabelo de Harry estava muito comprido, ele agora o prendia em um coque, apesar do esforço do menino em manter todas as mechas dentro do elástico marrom, alguns cachos escapavam pelo lado do seu rosto. Draco achou aquilo extremamente fofo.

“Eu acho que falei demais.” Draco disse, traçando a estampa branca do sofá com o dedo indicador. “Na realidade nunca falei tanto sobre isso.”

“Você realmente pensa em morrer?” Harry perguntou, parecendo relaxar ainda mais no sofá, o calor do corpo tão próximo ao seu não parecia mais incomodar Draco.

“Você não?”

Harry se virou, o reflexo do fogo em seus óculos escondia o seu olhar, Draco se viu buscando pelo esverdeado, mas desistiu e se deixou levar pelas chamas que dançavam.

“Eu morri.” Ele respondeu, imitando os movimentos de Draco no sofá. “Sua mãe deve ter lhe contado sobre isso.

“Ela deve ter comentado algo.” Harry começou a puxar a linha do estampado com a unha, um ato de nervosismo que Draco conhecia bem. Ansiedade.

“Foi uma merda.” Ele finalmente disse, tirando os óculos do rosto e esfregando os olhos com os punhos. “Eu nem falei com Ron ou Hermione. Eu simplesmente aceitei o fato de que eu tinha que morrer.” Draco sabia da história, Narcissa havia contado, Lucius como sempre tentou negar, dizendo que Harry havia covardemente pedido para que Voldemort acabasse com sua vida, mas Draco conhecia Potter, sabia que ele nunca faria algo assim. “Todos falam como eu salvei o mundo e coisa e tal, mas no final, eu fui apenas mais um covarde.”

“Caminhar para a morte não é um ato de covardia.” Draco disse ao lembrar do corredor estreito da própria casa, corredor com paredes escuras, manchadas de sangue, era a primeira vez que ele pisava em casa depois do fiasco na torre de astronomia, Bella havia dito que Voldemort estaria furioso com ele. Draco mesmo assim colocou sua melhor roupa e andou pelo corredor que levava até o hall de entrada. Naquela noite ele sentiu na pele tantos cruciatus que no final, ele foi obrigado a ser arrastado de volta para o próprio quarto.

Harry se virou para Draco e ele sentiu o menino traçando os olhos pelo seu rosto, parando na amarga cicatriz que por pouco não desfigurava sua boca. Draco passou novamente a língua nos lábios rachados e os olhos de Harry seguiram o movimento, suas pupilas dilatadas, a respiração forte e entrecortada. Draco sabia o que era aquilo, já havia visto em filmes, lido em livros, presenciado. Aquela sede que não se podia curar, aquela ânsia que não passava, quase como um imã.

Devagar e com medo, Potter se virou, seus joelhos agora encostavam nas coxas de Draco, o óculos haviam voltado para a frente dos seus olhos, Draco relutantemente levantou as mãos trêmulas e levantou os óculos de Harry, os apoiando no embaraço de seus cabelos, seu dedo indicador desceu pela cicatriz, a lateral de seu rosto, brincaram com uma mecha de cabelo que relutava em ficar atrás da orelha do menino, seu dedão passou pelo lábio inferior de Harry, que parecia tremer.

Tudo parecia muito em câmera lenta, não sabia se era ele quem estava se movendo, ou Harry, não sabia qual dos dois havia se inclinado mais, mas quando percebeu, Draco já estava encostando o nariz gelado na bochecha de Harry, que fechou os olhos e sorriu, como se aquele gesto fosse uma das coisas mais comuns do mundo para os dois, como se eles não tivessem jogado xingamentos e impropérios um ao outro durante anos.

Mais tarde, no conforto de sua cama, Draco deixaria que o medo tomasse conta de si, deixaria que sua voz escapasse em forma de choro. Mas no momento ele queria aproveitar o calor das mãos de Harry que subiam pelos seus braços cobertos, a umidade dos lábios na sua maçã do rosto, os dedos curiosos que atravessavam o colar de sua camisa e tocavam devagar a pele macia de seu pescoço. Draco fechou os olhos também, beijando delicadamente o rosto de seu maior inimigo.

Naquele momento, Draco não queria mais nada além de se sentir um pouco mais vivo, e se a pessoa que o trazia essa paz era Harry Potter, ele não podia fazer nada.

O sol, o calor no estômago de Draco, aumentou, mas dessa vez ele não teve vontade de correr ou de se esconder, ele queria se jogar naquela piscina e se deixar afundar. Afogar naquele sentimento que o abraçava.

Draco abriu os olhos, o colarinho do suéter puído, a pele arrepiada do pescoço moreno, uma cicatriz pequena. Ele se afastou, tomando o rosto de Harry entre as mãos, os olhos do menino não se abriram, Draco imaginou que talvez fosse essa mesma expressão que aflorou em seu rosto quando Nott o beijou.

Devagar ele inclinou o rosto, seus lábios arrastando devagar nos lábios entreabertos de Harry, quando eles se encostaram completamente, Draco jurou que ouviu Harry gemer baixinho. Tomando aquilo como incentivo, ele o beijou mais profundamente, sentindo o corpo de Harry tensionar quando as mãos pálidas encontraram o elástico que prendia o seu cabelo e o arrebentou com dedos hábeis, logo os cachos de Harry caíram ao redor dos dois rostos, que se moviam sincronizadamente, como uma cortina espessa que os separava do mundo lá fora. Draco voltou as mãos para o rosto de Harry e acariciou sua bochecha corada. O menino pareceu relaxar e relaxou ainda mais quando Draco se inclinou para trás, se deitando parcialmente no sofá, que não era tão grande assim, os lábios ainda conectados. Harry abraçou a cintura de Draco, o trazendo para mais perto, tomando iniciativa e se deitando sobre o corpo esguio de Draco. Ele pensou em dizer que Potter era mais pesado do que pensava, mas então a língua do menino estava na sua e nada mais importava.

Potter beijava como fazia qualquer coisa. Preguiçosamente, tomando seu tempo, lutando contra qualquer força de Draco para tomar o controle. Era a primeira vez que Draco beijava alguém tão devagar. Ele sentia todo o peso do outro contra ele, ouvia o barulho excitante quando os lábios se separavam para então se juntarem novamente em um movimento quase ensaiado, línguas que até então nunca nem pensaram em sentir aquele gosto. Potter tinha gosto de brisa de verão, cheirava como um edredom que havia ficado muito tempo no sol, emanava conforto e um calor que Draco não queria largar. Sem notar, Draco estava sorrindo no beijo, coisa que fez Harry se apoiar nos cotovelos ao lado da cabeça de Draco e se afastar um pouco.

“O que foi?” Ele perguntou, lábios molhados e vermelhos por causa da fricção.

“Eu acho engraçado.” Draco respondeu sinceramente, tirando os óculos do topo da cabeça de Harry e passando os dedos nos mesmos cabelos, notando como era bonito os cachos pretos contra sua pele branca e sem vida.

“O que?” Harry se inclinou no toque de Draco e não percebeu quando o menino colocou seus óculos no chão.

“Nós. Aqui.” Ele se inclinou para cima, tomando os lábios de Harry mais uma vez entre os seus. Um pouco mais agressivamente, testando até onde Potter iria, ele mordeu o lábio superior do menino suavemente, novamente aquele som saiu de Harry, um gemido baixinho.

Draco se sentiu viciado. Suas mãos agarraram a cintura de Harry, friccionando seus corpos mais ainda, ouvindo mais daqueles sons, devagar ele levantou o suéter de Harry e arranhou a pele quente por debaixo da roupa, o corpo de Harry tencionou e ele se afastou um pouco, olhos fechados, parecendo se concentrar em alguma coisa.

“Não comece coisas que você não vai terminar, Malfoy.” Ele disse simplesmente respirando fundo.

Na realidade, do fundo do coração, Draco não sabia o que estava fazendo, claro que ele havia dormido com Blaise uma quantidade grande de vezes e ele sabia o que fazer com outro homem. Mas naquele momento tudo era muito novo para Harry, ele não sabia como se comportar, não sabia se deveria fazer a mesma coisa que fazia com outros homens, ou se apenas o beijava.

Havia algo na voz de Harry, porém, que fez com que Draco levantasse os quadris e afastasse as pernas, deixando que Harry se encaixasse entre elas, movimento esse que mostrou para Harry exatamente como que Draco queria terminar aquilo.

Um som gutural saiu dos lábios de Harry e menino se arrastou ainda mais entre as pernas de Draco, sentindo que o problema que enfrentava nas calças não era platônico.

“Você quer isso?” Draco perguntou, beijando o pescoço de Harry com lascívia. Deixou que sua língua passasse por aquela pele gostosa, sentindo o gosto salgado do suor do menino que parecia tremer. Uma das mãos de Harry dançaram na perna de Draco, dedos curiosos agarraram a parte de trás de sua coxa e ele levantou a perna de Draco, a encaixando ao redor de sua cintura, Harry o beijou novamente, dessa vez o beijo foi mais selvagem, mais profundo e intenso, como se eles finalmente tivessem achado o que queriam. “Pegue, Potter, é seu.”

Para a surpresa de Draco, Harry se afastou, quase se sentando, tirou o suéter horrendo pela cabeça, expondo a pele morena e deliciosa que Draco queria se afogar. O menino respirava fundo, o peito musculoso subindo e descendo com dificuldade. Harry olhava para Draco com a mesma intensidade de um prisioneiro tendo sua última refeição antes do Beijo. Draco se sentiu desejado e esse desejo despertou algo nele que a muito tempo estava adormecida, uma vontade que ele se negava a tempo, uma vontade que ele tinha mas que sabia que demoraria muito para ter. Mas naquele momento ali estava ele, aquela vontade insana cavando sua pele, implorando para ser libertada.

A vontade de amar e de se deixar ser amado.

 

 


Notas Finais


¹Um quote de American Horror Story Asylum.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...