História Take Me To Church - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 9
Palavras 1.061
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura! :D

Capítulo 2 - Capítulo Dois


Os lábios de Ruzgar eram macios e logo sua língua explorou minha boca, suas mãos fortes passavam pelas minhas costas enquanto minhas mãos estavam em sua nuca, acariciando seu cabelo escuro e macio.

Meu coração parecia retumbar dentro de meu peito.

O meu maior sonho estava acontecendo, eu estava me sentindo em êxtase.

O beijo estava sendo de maneira tão carinhosa que eu me esquecera de tudo.

Não havia inquisição.

Não havia igreja.

Não havia mais nada além de Ruzgar e eu.

Se o corpo dele fosse um lugar, ali seria meu paraíso, pela eternidade.

Quando o ar nos faltou, Ruzgar quebrou o beijo. Olhei em seu rosto, seus olhos castanhos continham um brilho intenso, mas esse brilho desapareceu em instantes, e ele se afastou de maneira brusca.

- Eu não deveria ter feito isso! – Ele escondeu suas mãos em seu rosto. Fiquei parado, sem saber o que fazer. – Isso foi um erro.

Aquilo despedaçou meu coração.

- Erro? – Quase gritei – Você não tinha achado que era um erro quando me beijou!

Ruzgar se aproximou, colocando um dedo em meus lábios, aquele gesto fez meu coração se aquecer. Seus olhos castanhos estavam atentos, olhando para todos os lados. Como era possível? Em um momento meu coração parecia estar quebrado em milhares de pedaços e no outro, ele parecia ter vida novamente.

- Fale baixo! – Ele sussurrou – Alguém pode estar por aqui.

Ele se afastou retirando o dedo de meus lábios.

Eu queria chorar, mas não faria isso na frente de Ruzgar.

Não queria demonstrar minha dor.

Ele sempre seria minha maior fraqueza.

Maldito coração! Maldita vida!

- Eu não deveria ter te beijado, Sevilin! – Aquilo foi como um soco em meu estômago.

Não pude segurar quando algumas lágrimas saíram de meus olhos.

- Se não deveria ter me beijado, então, por que me beijou? – Sussurrei com a voz entrecortada pelo choro – Eu te odeio!

Senti vontade de me bater. Eu não o odiava, muito pelo contrário, só o amava cada vez mais e isso é um problema.

Um soluço escapou de meus lábios e mais lágrimas saíram de meus olhos.

Então era assim que as pessoas se sentiam quando sofriam por amor?

Será que quando minha mãe se suicidou meu pai havia chorado, assim como eu estou chorando nesse momento?

Talvez não.

A dor da perda não se compara a dor de amar alguém que esteja vivo, mas que não se pode ficar com ela.

Senti vontade de morrer.

Talvez a morte não seja dolorosa quanto o amor.

Eu sempre morreria um pouco por amá-lo demais, talvez esse seja o preço.

Senti braços fortes me abraçarem, e meu coração bateu de forma dolorida dentro do peito. Como eu poderia amar alguém que me fazia sofrer?

Encostei minha cabeça em seu peito e me permiti chorar, sua camiseta branca, com certeza ficaria manchada pelas minhas lágrimas.

- Eu te beijei porque te amo, Sevilin! – Ruzgar sussurrou em meu ouvido – Mas não podemos ficar juntos.

Toda a dor e tristeza sumiram de meu coração quando ele disse que me amava. Levantei meu rosto para olhá-lo, seus olhos castanhos brilhavam mas ainda sim, estavam tristes.

- Eu também amo você, Ruzgar – Confessei.

- Eu sabia que você estava mentindo quando disse que me odeia. – Ele sorriu – É melhor irmos embora, Sevilin.

- O que seremos de agora em diante? – Perguntei, franzindo a sobrancelha.

- Eu não sei, acho melhor esquecermos. – Ele citou, crispando os lábios.

Senti um aperto em meu peito e a vontade de chorar voltou, mas consegui segurar.

Andamos em silêncio, até chegarmos ao pequeno vilarejo.

Ele não fazia menção de conversar e muito menos eu.

- Quer que eu te acompanhe até sua casa? – Ruzgar me encarou. Seus olhos estavam brilhando e aquilo fez meu coração se aquecer.

- C-Claro! – Gaguejei como se fosse um idiota.

Talvez eu realmente seja.

- Então... Como está sua família? – Perguntei tentando aplacar o silêncio perturbador que havia se instalado novamente.

- Bem, até! – Ele me lançou um sorriso sincero. Aquilo fez meu coração falhar duas batidas, eu amava quando Ruzgar sorria. Pra falar bem a verdade, eu o amo de qualquer jeito, sorrindo ou não. – Está entregue!

Olhei para a pequena casa de madeira, e depois voltei a olhar para Ruzgar.

- Obrigado! – Proferi com a voz falhando.

- Não há de que, Sevilin! – Ele me lançou uma piscadela – Boa noite!

E saiu, sem esperar que eu me despedisse.

Fiquei o olhando, até sumir de vista.

Ruzgar ainda me levaria à loucura.

Entrei na pequena casa de madeira, e fui direto para a cozinha, encontrando meu pai sentado à mesa, parecia pensativo. Será que estaria pensando em mamãe?

- Oh, Sevilin! – Ouvi a voz de meu pai aliviada – Onde você esteve?

- Ah, estive com Ruzgar! – Respondi me lembrando do beijo que ele havia me dado.

- Ah, Ruzgar! – Ele falou de maneira maravilhada – Ele é um menino de ouro.

Olhei para os olhos escuros de meu pai que estavam sendo iluminados pela luz da vela que havia na mesa, e lhe lancei um sorriso fraco.

- Ele é sim!

- Logo mais ele arranjará uma namorada incrível! – Papai sorriu de maneira alegre. Aquilo me fez ficar com um nó na garganta.

Ele disse mais cedo que me amava, mas será mesmo?

Se ele me amasse, não pediria para esquecer o beijo que ele havia me dado.

Talvez Ruzgar fosse feito para se casar com uma mulher. Uma mulher que fosse bonita, que tivesse seios fartos e cintura fina.

Talvez Ruzgar não fosse feito para ficar comigo. Um garoto pateta e idiota que não serve para nada.

- Claro, papai! – Fingi um sorriso tentando segurar o choro que se instalava em meus olhos – Eu vou pro quarto.

- Aconteceu algo, Sevilin? – Meu pai perguntou franzindo a sobrancelha.

- Não, eu... – Passei a mão por meus cabelos, que deveriam estar totalmente desalinhados – Eu estou apenas cansado.

Não era totalmente mentira, eu estava me sentindo cansado.

Talvez fosse o cansaço emocional.

- Vá se deitar, filho! – Ele me lançou um sorriso gentil.

Dei uma pequena reverência com a cabeça e fui para o quarto, tranquei a porta de madeira com uma tábua e me sentei no chão, começando a chorar baixinho.

Talvez isso fosse o amor. Chorar baixinho e ter uma guerra dentro de si a todo instante.

Isso talvez vá passar, só não sei quando.


Notas Finais


Espero que tenham gostado!


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