História Telas em Branco - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jungkook
Tags Automutilação, Drama, Falsidades, Hopekook, Outros, Pinturas
Visualizações 16
Palavras 1.126
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Linguagem Imprópria, Mutilação
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura ♥♥♥

Capítulo 1 - Capítulo Único - O vermelho do meu sangue


Se lembra da vez em que viu meus braços, o dia que descobriu sobre meus cortes? Lembra como ficou horrorizado e furioso pela quantidade deles? Eu sinto em dizer, mas aqueles eram apenas alguns dos vários que eu possuía pelo meu corpo. Eles eram – e ainda são – os traços mais bem trabalhos que eu já fiz, a maior e mais complexa obra de arte criada por mim. O meu mais doloroso rascunho. Eles foram a minha rota de fuga, minha válvula de escape, a única coisa que me distraia quando o mundo fazia de tudo para perturbar ainda mais a minha alma. Eu não lembro quando começou, só sei que depois nunca mais consegui parar. O sangue escorrendo pelo meu pulso que se assemelhava tanto ao vermelho das minhas tintas preferidas, as veias doloridas e que saltavam toda vez que eu as apertava, a anestésica sensação de dormência e a ardência característica e tão conhecida por mim... Eles me acalmavam de uma forma tão surreal, que eu não consigo nem mesmo encontrar palavras para descrever.

Chegava a ser melhor do que pintar em telas branca e retangulares.

O que me magoou, me deixou triste de verdade, foi você ter ficado tão decepcionado com a minha obra-prima. Você sempre foi aquele que elogiou a minha facilidade em pintar, o meu talento para tal. Sempre comprando tintas e mais tintas, dos mais diferentes tipos e cores para mim. Até mesmo divulgava as minhas pinturas, pois dizia que queria me ver feliz e para isso faria de tudo – mesmo que no fundo, você soubesse que sentia ódio de mim e essa era a sua forma de esconder o tal sentimento.

Por que sempre fazia de tudo para me por um sorriso verdadeiramente alegre no rosto, sendo que até o seu era falso?

A máscara alegre que usava, os sorrisos falso que encobriam a tristeza dos olhos misteriosos e que possuíam enigmas complicados e impossíveis de se desifrar. Tudo tão falso, tão irritantemente superficial que chegava a ser enjoativo. Você sorria, mas queria chorar. Gargalhava, mas queria estar gritando pela dor que carregava na alma. Vivia sua adolescência livre, leve e solto, mas a única coisa em que pensava era na morte.

Eu vi seus poemas, suas músicas... Acha mesmo que não enxerguei os significados por trás de cada palavra?

Me xingava pelos meus cortes, me dava sermões pelas incontáveis vezes que me salvou nas baladas onde me encontrava bêbedo e fedendo a maconha, mas a verdade era que você me invejava. Enquanto você mantinha aparências, vivia como um perfeito boneco, em um mundo de fantasia e gentileza falsificada, em uma família carregada de imperfeições que poucos percebiam, eu não me importava com o que terceiros iriam pensar.

Eu nunca me importar com nada foi a faísca que faltava para a sua bomba explodir, Hobie.

Enquanto você tinha que analisar tudo, vendo qual reação se encaixava melhor naquela situação, eu estava pouco me fodendo para o mundo inteiro. Você nunca soube como interpretar o meu lado da maneira correta. Mesmo que fossemos amigos de longa data por culpa dos nossos pais, você sempre julgou minha maneira de pensar. Sempre sentiu raiva da minha forma de ver o mundo, mesmo que negasse isso a todos os deuses do universo.

Sabe por que não me importava com nada, com opiniões ou idéias que levantavam a meu respeito? Eu não tinha motivo para tal. Minha família era tão imperfeita quanto a sua; meu pai traia minha mãe com todas as empregadas da casa, e ela, como sempre, descontava a sua frustração na bebida. Meu irmão? Outro perdido nesse mundo. Saia antes do amanhecer e voltava bem depois do anoitecer, fedendo a bebidas, drogas e sexo – enquanto eu opitava pelos cortes, ele se distraia de uma maneira mais comum aos olhos dessa sociedade imunda. Minha família era como a sua, vivia em uma mentira sem fim; a fachada da perfeição era tudo que lhes importava, e eu apenas mantinha-me longe do espetáculo pela segurança do meu caráter – que mesmo sendo pouco e meio assombrado por inseguranças, ainda assim existia. Seu erro era me julgar, quando na verdade eu era uma versão paralela e mais machucada de você mesmo.

Sempre vivemos em mundos iguais, mas de maneiras totalmente opostas. Enquanto você era o perfeito e fútil garoto falso, eu era o artísta que não ligava para nada, que só queria expressar sua arte da maneira mais significativa possível.

Nossa vida sempre foi como um jogo onde ambos apostavamos tudo; com personagens iguais, armas idênticas e habilidades e potenciais altos. Mesmo que essa partida – mais conhecida como vida – acabe de uma maneira desagradável e dolorosa para nós dois, isso não nos irá importar, certo? Iremos encarar a morte como mais um desafio a ser vencido, mais uma missão a ser comprida e mais uma recompensa a ser recebida. No seu caso, ela vai ser uma rota de escape, seu porto seguro vai estar lá; seu tesouro mais precioso vai ser ela, pois irá se ver livre de toda a pressão que te rodeia, vai te livrar dessa máscara e das aparências que carrega a uma eternidade. Para mim, ela vai ser o ápice da minha obra; o ponto mais alto que as minhas habilidades artísticas poderiam atingir ao completar o desenho que se espalha pelo meu corpo, assim, dando um ponto final a essa vida cheia de vírgulas que não acabam mais.

No final de tudo, quando a morte chegar para nós, ela será apenas a conclusão do nosso velho e tantas vezes refeito rascunho. Ela pode ser colorida de qualquer maneira, no fim ela voltará a ser preta, branca e cinzenta. Então, para que continuar vivendo em um mundo de ilusão e falsidade, mentiras e máscaras mau feitas? Seja você mesmo, Hobie, esqueça todas essas baboseiras e viva como quiser. Não deixe o universo pintar sua obra com cores morbidas e amargas, pinte-a de cores chamativas e elegantes enquanto ainda pode, antes que tudo se torne triste como o cinza, assombroso como o preto e sem vida e inútil como o branco. Pois quando nosso tempo aqui acabar, a tela escurecer e um grande 'game over' aparecer para nós, não terá como voltar no tempo para reparar os erros e imperfeições da pintura já seca.

Cada um tem de escolher uma cor, um motivo específico que lhe dê esperanças pra continuar lutando, que lhe mostre que ainda vale a pena. Eu escolhi o vermelho do meu sangue – pois ele me mostra que se ainda está ali, passeando por todo o meu corpo através das minhas incontáveis veias e artérias, é porque ainda estou vivo, é a prova de que ainda luto e sobrevivo a esse doloroso caminho cheio de farpas e espinhos.

Mas e você, Hyung, qual cor vai tonalizar a sua tela em branco?


Notas Finais


Eu não tenho o que falar.


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