História Tempus Fugit - Capítulo 8


Escrita por: ß

Postado
Categorias Naruto
Personagens Boruto Uzumaki, Himawari Uzumaki, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Personagens Originais, Rock Lee, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, TenTen Mitsashi, Toneri Otsutsuki
Tags Nejiten
Visualizações 164
Palavras 2.461
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


desculpa ai a demora, mas a vida tá corrida :v

Capítulo 8 - "Está tudo bem..."


Como um observador externo das próprias lembranças, ele espreitava as imagens que, como um filme, corriam apressadas por sua mente. O sentimento de vazio passava a receber a companhia da nostalgia e um pouco de impotência. As engrenagens do mundo continuaram a girar enquanto esteve morto, e ver tudo aquilo lembrava-o do que escolheu perder e deixar para trás.

Se morrer fora uma escolha sua, seria injusto zangar-se com quem optou pela vida.

Ser obrigado a observar novamente o sorriso apaixonado nos lábios de Shino enquanto ele prestava atenção em Tenten, amargava-lhe a boca. É claro que a kunoichi seguiria em frente — e ele tentava continuamente a se obrigar a ficar feliz por isso — mas não poderia negar a si mesmo que seu sangue entrava em ebulição somente em imaginar os dois juntos.

Logo; porém, a lembrança incômoda passou a se dissipar, dando lugar à nostálgica sensação de treinar uma vez mais com o extinto time nove. Aquilo representou, para o Hyuuga, não somente reviver o passado, mas recordar-se de que fazia parte daquele mundo. Por mais que tentasse aceitar que o mundo não era mais dele, sua existência fazia ainda parte dali.

Então, a voz de Tenten ecoou em sua mente:

 

“O Neji que eu conhecia e amava se sacrificaria pelos seus amigos. Isso faz parte de quem você é”.

 

Subitamente Neji abriu os olhos, passando a encarar a loira em sua frente. Ino manteve uma das mão em sua testa por alguns segundos, até abrir também seus olhos e trocar um rápido olhar com o shinobi. Ela apertou os lábios, esboçando a sombra de um sorriso empático. O moreno abaixou ligeiramente a cabeça, agarrando o tecido da roupa entre os dedos, a fim de controlar o sentimento conflitante que crescia dentro de si.

— Neji?

Ele levantou o rosto, encarando o olhar preocupado da Yamanaka.

— Se você quiser conversar…

Neji suspirou, relaxando os músculos dos ombros. O mundo deveria ser mesmo outro, para estar em frente à uma Yamanaka Ino preparada para lhe dar conselhos.

— Não é como se isso fosse resolver algo. — Ele disse, levantando-se da poltrona, onde esteve sentado nas últimas duas horas, e seguindo para a saída da sala. Ino abriu a boca algumas vezes, mas sua voz perdeu-se na garganta, incapaz de pensar em algo que pudesse aliviar as angústias do Hyuuga.

Ino sem fala era, sem dúvidas, um dos sinais dos estragos da passagem do tempo, Neji pensou.

Diante suas próprias observações, ele sentiu os músculos da face relaxarem. Apesar de tudo, das coisas que não tinha o poder de mudar, existiam pessoas ao seu lado, que desejavam seu bem. Ele, então, esboçou um curto, e quase imperceptível, sorriso à Yamanaka.

— Eu volto para a próxima sessão. — Disse e, com um aceno de cabeça, deixou a sala do Departamento de Inteligência.

Ino cruzou os braços, soltando um suspiro pesado enquanto observava o Hyuuga deixar o local. Ainda havia muito a ser feito, e não fazia ideia de como poderia ajudá-lo.

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Assim que deixou o prédio da Inteligência, o Hyuuga diminuiu seu ritmo, passando a observar com mais atenção seu entorno. As mudanças na Vila da Folha eram gritantes, alguns lugares sequer se pareciam com a imagem de suas lembranças. Ele bufou, frustrado, e balançou a cabeça, decidido a focar em qualquer outra coisa. Não tinha o que fazer além de aceitar, ficar remoendo o passado e presente não lhe parecia uma boa opção.

Era irônico como se via obrigado a voltar para o ponto de sua adolescência, em que simplesmente tinha que aceitar o destino como algo imutável.

O Naruto de treze anos provavelmente teria uma síncope se descobrisse o que o futuro os reservava.

Ele manteve-se em sua caminhada, pensando se teria uma forma, em sua atual situação, de convencer o Nanadaime Hokage a colocá-lo de volta ao quadro de shinobis disponíveis para missões. Precisava redescobrir-se e, no momento, a única coisa da qual tinha certeza era de sua natureza como ninja.

Ainda discorria mentalmente formas de argumentar com Naruto quando uma risada chamou sua atenção. Erguendo o rosto, que baixara sem perceber, reconhecendo Meiji logo à frente, de costas para onde estava. Em uma roda, com mais duas pessoas, ela mantinha uma conversa tranquila. Se não estava enganado, aqueles outros dois adolescentes eram os mesmos que vira há poucos dias.

Suspirou, relaxando os ombros.

A situação, em um todo, soava ilógica para sua mente de gênio.

Ela deveria ser o ponto de sobrecarga de seus sentidos, aquilo que terminaria por deixá-lo à beira do desespero. Meiji era o que de mais novo existia, ela era o desconhecido. Uma prova materializada do tempo e do que lhe assombrava. O tempo se foi, ele não tenderia para outro sentido, pois é de trajetória retilínea, sem retornos.

Para sua íntima surpresa; contudo, Meiji era a parte boa de tudo.

Tenten estava certa, amá-la era natural. A única coisa natural que lhe aconteceu desde que abrira os olhos.

— Ultimamente, quando a olho, me sinto velha.

Ele virou instintivamente o rosto, assim que escutou a voz da ex-companheira de equipe soar ao seu lado. Tenten mantinha os olhos fixos na filha e, imitando seu gesto, ele voltou a encará-la.

Desejava poder ter a mesma sensação, de olhar sua pequena Meiji e se dar conta  de como ela cresceu rápido. Sentir saudade de embalá-la no colo, de ser acordado de madrugada por conta de medos infantis. Não teria como sentir falta de tempos nos quais não vivenciara, mas, certamente, seu peito apertava.

— Queria me sentir assim. — Ele confessou, mantendo a voz baixa.

— Hey, não fique assim. — Neji sentiu os pêlos da nuca se arrepiarem quando ela tocou em seu braço, fazendo um leve afago. — Você está aqui agora, é isso que importa.

Antes que pudesse pensar em respondê-la, seus olhos perolados se estreitaram, fixos ainda na figura de sua filha. E na mão insolente de um moleque sobre seus ombros. O Hyuuga tensionou o maxilar, sentindo-se, de repente, irritado.

Tenten, que notou a mudança brusca na expressão do amigo, levou uma das mãos à boca, abafando uma risada.

— Aquele menino é o Iwabe-kun, ex-colega de academia da Meiji. — Disse, soltando uma risada no meio do processo. — Você não precisa se preocupar com ele, pode ter certeza.

Neji cruzou os braços, mantendo o olhar sobre o grupo de três adolescentes logo a frente. Iwabe, que pareceu sentir sobre si uma força ameaçadora, logo encontrou os olhos claros do Hyuuga e tirou imediatamente a mão do ombro da colega, afastando-se alguns passos. Meiji, que estranhou a atitude — e a expressão de assombro — do amigo, virou o rosto para trás e, finalmente, encontrou seus pais parados, lado a lado, a alguns metros de distância.

— Oi, mãe, pai! — Ela abanou, alegre, ignorando a carranca de seu progenitor.

Tenten abanou de volta para a filha, ainda rindo.

Iwabe era, definitivamente, o menor dos problemas de Neji, ela pensou.

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Caminhando calmamente, um dos professores da Academia aproveitava o pequeno horário de intervalo, que tinha no meio da tarde, antes de retornar para lecionar as duas últimas aulas do dia. Entendia o tédio dos alunos, História Ninja poderia ser interessante na mesma proporção que, às vezes, era maçante.

Ele espreguiçou-se, sentindo algumas articulações estalarem. Com trinta e poucos, já sentia a velhice chegar. Talvez devesse reservar algumas horas do dia para voltar a treinar, como antigamente. Kiba certamente o ajudaria. Voltando para seu trajeto, ele desfocou a mente do início de seu sedentarismo, tentando voltar a concentrar-se na aula que daria dali alguns minutos. Deveria relembrar o início da Aldeia da Folha, junto da história do primeiro Hokage. Queria poder falar de Uchiha Madara, mas, aparentemente, ser um traidor te faz ser riscado da parte boa da história.

Senjuu Hashirama, possivelmente, estaria triste em algum canto do Paraíso. Só o que ele queria era fazer as pazes com seu amigo, mas nem a história o ajudava.

Shino virava a esquina, próximo ao prédio da Academia, quando parou abruptamente de caminhar. Seus olhos, escondidos atrás dos óculos, caíram sobre a figura de Tenten ao lado de Neji. Ela mantinha o rosto erguido para olhá-lo enquanto conversavam sobre algo que ele não conseguiria escutar.

Ele quem incentivara Tenten a procurar Neji, certo? Não tinha com o que se preocupar, eles estavam reatando uma amizade ainda mais antiga quanto a que tinha com Hinata e Kiba. Antes de qualquer coisa, foram companheiros de equipe, melhores amigos. Um romance e uma filha eram só detalhes no meio daquela história, algo superado.

Era isso, não tinha com o que se preocupar.

Respirou fundo, seguindo seu caminho para a Academia e repetindo-se mentalmente, a fim de se convencer, de que estava tudo bem.

 

Após dar uma última conferida na massa fofinha do bolo que preparava, Hinata fechou a porta de seu forno elétrico e o desligou. Deixaria a massa mais alguns minutos, terminando de cozinhar no próprio calor, enquanto procurava os ingredientes para preparar a cobertura. Seria bom guardar um pedaço para Naruto antes que os filhos comessem tudo.

Algumas pessoas falavam que sua atual situação, uma ex-kunoichi que, agora, se dedicava à casa e à família, era retrógrada. Ela; porém, não poderia estar mais satisfeita. Estava vivendo a vida que escolhera viver, ao lado do homem que amava, cuidando de seus bens mais preciosos. Retrógrado era viver uma vida que não era sua, acreditava.

Ela procurava a receita da calda de amoras, que aprendera com Sakura, quando a campainha de sua casa soou, anunciando um visitante. Do andar de cima, Himawari gritou um “eu atendo” e, antes que pudesse respondê-la, escutou a porta da frente sendo aberta. Poucos segundos depois, uma voz familiar soou na entrada de sua cozinha.

— Acho que cheguei em boa hora.

A Uzumaki sorriu, virando-se para cumprimentar sua visitante.

— Tenten!

A kunoichi das armas curvou levemente a cabeça, em um cumprimento informal. Após Hinata falar que prepararia um chá, Tenten foi até a mesa de jantar, puxando uma cadeira para sentar-se.

— Como você está? — Hinata perguntou, colocando a chaleira sobre a boca do fogão. — Não veio mais aqui depois daquele dia… — Disse, referindo-se a quando Konohamaru entrou abruptamente em sua casa, anunciando que encontrara Neji em frente aos portões de Konoha.

— Estou bem. — Tenten crispou os lábios antes de se forçar a relaxar a expressão. — Desculpe ter sumido, eu precisei de um tempo para entender o que estava acontecendo.

— Não se preocupe, eu entendo. — Hinata manteve o sorriso empático, como era seu costume. Ela apoiou-se no balcão da pia, aguardando a água esquentar para preparar o chá. — O Boruto me disse que ele e a Mei-chan têm treinado juntos.

A Mitsashi balançou positivamente a cabeça, confirmando a informação.

— Eu fico feliz que eles estejam conseguindo ter uma relação. — Hinata confessou enquanto procurava algumas ervas. Decerto, Tenten estava abalada com os acontecimentos; mas, acima de tudo, Neji era seu primo, e ela se sentia culpada por sua morte. Vê-lo vivo e conhecendo a filha era a realização da maioria de seus desejos mais íntimos. — Mas como você está com isso?

— Eu tô dividida, Hinata. — A kunoichi suspirou, levando uma das mãos aos cabelos e ajeitando alguns fios, que escapavam de seus coques. — No começo eu fiquei muito brava, achando que era alguém tentando usar o Neji para nos fazer algum mal. Agora, eu não sei mais o que pensar. É claro que estou feliz pela minha filha, mas… sei lá.

Hinata franziu o cenho enquanto colocava a água quente dentro de duas canecas. Dava para entender a confusão de Tenten, não estaria diferente; contudo, ela — Hinata — era uma romântica incorrigível. Se a situação fosse com Naruto, não conseguiria sentir outra coisa além de gratidão pela segunda chance que o universo estava lhe dando.

Porém era fácil falar em hipóteses.

— Você já conversou com o Neji-nii-san? — Ela perguntou por fim, colocando uma caneca em frente à amiga e puxando uma cadeira para sentar-se também.

— Sim… — Respondeu, abaixando o olhar para o chá, onde os pequenos galhos de alecrim flutuavam. — O levei lá em casa, falei sobre a Meiji, conversamos… ele me pediu desculpas pelas escolhas dele.

Hinata mordeu os lábios, sentindo-se, mais uma vez, culpada. Se tivesse sido mais forte na guerra, talvez nada daquilo estivesse acontecendo. Era como se Neji houvesse sacrificado a própria felicidade pela sua.

— Eu não tenho mais o que fazer. — Desabafou, a Mitsashi. Ela permaneceu com o olhar fixo em sua caneca, deixando-se levar pela conversa. Sabia que poderia ser sincera com Hinata, afinal ela vinha lhe escutando há quinze anos. — O tempo passou, nós não somos mais os mesmos.

— Tenten-chan… você… — A princesa dos Hyuuga sentiu a voz trancar na garganta, aflita. Sua natureza sensível fazia-lhe quase sentir no próprio coração a angústia da amiga. Não tinha, realmente, o que pudesse ser feito. Por mais irônico que soasse naquela situação, eles precisavam dar tempo ao tempo. Inspirando fundo, a fim de controlar o marejar em seus olhos perolados, Hinata prosseguiu. — Você… ainda sente o mesmo pelo Neji-nii-san?

Tenten esboçou um curto sorriso cansado, demorando-se um pouco mais nos galhinhos de alecrim, antes de levantar o rosto.

— Eu nunca vou deixar de amar o Neji, Hinata. — Confessou, com o coração apertado. — Mas eu estou com o Shino agora.

A Uzumaki manteve-se calada, apenas observando a kunoichi em sua frente, incerta do que falar. Ficara tão feliz quando Tenten e Shino começaram a se encontrar, o peso da culpa deixava seus ombros, pois acreditava que a amiga estava finalmente seguindo em frente. Que egoísmo de sua parte, pensava. A felicidade que sentia pelos amigos era, talvez, apenas o alívio do próprio remorso. Com seu primo de volta, o que realmente sentia?

Hinata desviou dos próprios pensamentos ao escutar o barulho do arrastar da cadeira, vendo, então, Tenten se levantar.

— Obrigada por me escutar, Hina. — Disse, tocando de leve o ombro da amiga. — Eu precisava desabafar sobre isso.

— Tenten…

— Não se preocupe comigo! — Tenten adiantou-se, forçando um sorriso. O que poderia fazer? Sentar em um canto e chorar não fazia seu estilo. — Eu estou bem, só precisava tirar isso de dentro de mim. Agora eu preciso ir, deixei a loja sozinha.

— Tudo bem… — Hinata assentiu. — Quando precisar…

— Eu sei que posso contar com você! — Ela piscou um dos olhos, tentando levantar o próprio astral.

Dando um último tchau para a amiga, e despedindo-se também da pequena Himawari, Tenten deixou a residência dos Uzumakis, pronta para dar continuidade ao seu dia. Ao ver o céu ganhar tons alaranjados, em um anúncio ao final da tarde, ela inspirou fundo, sentindo uma brisa leve acariciar suas bochechas.

Colocou-se a caminhar, em retorno à sua loja, sabendo que restara apenas o tempo para fechá-la. Com a paz, não tinha clientes constantes.

Enquanto seguia seu caminho, repetia-se diversas vezes, para si mesma, que estava tudo bem.


Notas Finais


midisgurpen pela demora, gente! Estou em processo de mudança de emprego + atolada de betagem pra fazer @_@. Como eu trabalho de segunda a segunda, não tenho tempo nos finais de semana também. Acabei demorando horrores pra conseguir sentar e escrever esse cap. Vou tentar não demorar mais tanto assim XD
Beijos!


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