História Tensão - Intersexual - Capítulo 12


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Palavras 4.694
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Saga
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Heeey pessoas, como estao? Espero que bem, por que sexta-feira foi... A MERDA!
Entao peço desculpas, eu queria postar, mas deu maior rolo com a policia, que eu nao estava entendendo nada, é sério... Nem queiram saber da treta toda, é tudo muito fodido!

Capítulo 12 - Tensidade! - 12


Jogo Perigoso!

O clima do meio da manhã no Central Park estava agradável, embora mais frio do que o normal para a segunda semana de agosto. Camila abriu uma pequena manta sob a sombra de uma das árvores de bordo. Pondo a mochila ao seu lado, pegou dois sanduíches, duas garrafas d'água e seu romance favorito, O morro dos ventos uivantes. Só faltava Zayn.

Olhou para o relógio. Ele já estava vinte minutos atrasado. Com a cidade zumbindo com seu barulho diário e incessante – até mesmo na paz serena do parque – ela resolveu telefonar para ele e descobrir por que estava demorando tanto.

Malik atendeu ao primeiro toque, uma pitada de culpa na voz:

– Por favor, não fique zangada comigo. – Surpresa com a forma como ele atendeu, ela ficou calada. – Mila, você está aí?

– Sim, estou aqui, mas você não. Onde está?

– Estou em Nova Jersey, mas...

– Em Nova Jersey? Zayn, eu estou sentada no Central Park!

– Camila, será que você pode me deixar explicar?

– Tudo bem, Malik, explique.

– Você se lembra do magnata japonês do qual falei, que estava interessado em investir na Morgan & Buckingham? – Ele fez uma pausa, aguardando a resposta dela, mas não obteve nenhuma. – O Takatsuki Yamamoto?

– Vá direto ao assunto.

– Que merda, Camila, estou tentando. – Ela suspirou e ele prosseguiu. – Ele chegou do Japão ontem à noite e só vai passar dois dias aqui. Pediu para conversar comigo, pessoalmente. Meu chefe me ligou de manhã cedo e me mandou vir para cá. – Enquanto Camila esperava, Malik respondeu a uma pergunta feita por alguém que se encontrava ao fundo. – Gata, tenho que desligar. Desculpe, mas esta conta é muito importante. – Mais uma vez, Cabello ficou calada. – Por favor – suspirou ele. – A gente combina de novo outro dia.

– Eu sei. É só que pedi folga e estava mesmo ansiosa para...

– Camila, pare de tentar fazer com que eu me sinta culpado – disse Zayn num tom irritado. – Isso é importante para mim. Eu chego à sua casa no máximo às seis. – E, com isso, ele desligou.

Depois de se recuperar do choque por Malik ter desligado na sua cara, Cabello ficou de pé e, com relutância, começou arrumar os apetrechos do que deveria ter sido um encontro romântico.

Guardava a manta na mochila, quando ouviu alguém chamar seu nome ao longe. Antes mesmo de se virar para ver quem era, um formigamento familiar foi subindo por sua espinha. Já sabia. Quando enfim se virou, Lauren vinha atravessando o parque, correndo e sorrindo, com os sobrinhos ao lado.

A mochila escorregou pelos dedos de Camila enquanto ela estudava os trajes informais: uma camiseta branca de gola em V, um short jeans curto e um boné azul dos Yankees. Conforme ela se aproximava, Cabello tentava pôr os pensamentos em ordem.

Não era só o fato de a presença de Lauren pulsar dentro dela. Não era porque o perfume dela lhe embriagava os sentidos, ardendo em sua mente e importunando todos os seus sonhos. Não era nem mesmo aquele maldito beijo.

Era o charme resoluto, a autoconfiança ousada, a atração insana e a inegável dominância que ela exalava por todos os poros. Todas essas coisas formavam um coquetel letal, que assustava e fascinava Camila. Era como se, toda vez que elas se encontravam, ocorresse um paradoxo distorcido: por mais que sentisse necessidade de fugir, Cabello também sentia-se inegavelmente atraída por Jauregui. De repente, sentiu que a eletricidade no ar aumentava. Uma espécie de tensão parecia pressionar seus pulmões, deixando-a sem ar. Para piorar tudo, a visão dela a inundou de lembranças do último encontro, duas semanas antes.

Respire, Camila...

– Cami-mi-mi! – gritou Tracy, correndo para ela.

Ajoelhando-se para abraçá-la, Cabello ergueu o olhar para Lauren.

– O que estão fazendo por aqui? – perguntou, da maneira mais casual que pôde, considerando as circunstâncias.

Jauregui se curvou para a frente, apoiando as mãos sobre as coxas, tentando recuperar o fôlego. Em seguida se aprumou e sorriu.

– Estou de babá e decidi trazer estes dois pirralhos para jogar futebol.

Tommy passou os braços pelas pernas de Camila.

– A tia Lern também levou a gente para dar pão pros patinhos.

Lauren passou a mão pelos cabelos de Tommy.

– É verdade. Foi um verdadeiro banquete para o Donald e a Margarida.

– Que legal – disse Cabello. – Magnata dos negócios e babá num único pacote.

– Pode acrescentar isso ao meu currículo. – Jauregui riu.

– Não consigo acreditar que vocês me viram aqui.

– Bem, na verdade, eu não vi. Foram eles – informou Lauren.

– A tia Lóren mandou a gente dizer que viu você primeiro, Cami-mi-mi – confessou Tracy enrolando um dedinho nos cabelos de Camila. – Mas foi ela que viu e que falou pra gente dar um oi.

Erguendo uma das sobrancelhas, Cabello observou o rosto da Jauregui ganhar um leve tom rubro.

– Usando crianças para contar uma mentirinha, hein?

Lauren balançou a cabeça e sorriu.

– Droga, você me pegou. Pode acrescentar isso ao meu currículo também. O que está fazendo aqui?

– Zayn vinha me encontrar, mas teve que ir a Nova Jersey. – Ela ergueu a mochila do chão. – Na verdade, eu estava me preparando para ir embora.

Tracy fez beicinho.

– Você pode ficar e jogar futebol com a gente, Cami-mi-mi?

– Hum – respondeu ela, voltando a olhar para Jauregui. – Acho que não. Talvez outro dia...

Tracy franziu a testa.

– Não vai precisar aguentar a tortura de passar muito tempo comigo – informou Lauren, com um sorriso malandro. – Chris e Melanie devem chegar em dez minutos para buscar as crianças.

Cabello sorriu timidamente, quase a desafiando.

– Tudo bem, então. Acho que consigo aguentar quinze minutos de desgosto. – Ela pôs a mochila no chão. – Você aguenta?

– Hum, eu aguento, e muito bem. Você sabe jogar futebol?

– Eu aprendo rápido.

– Sou uma ótima professora.

Jauregui deixou cair a bola e deu um chute ágil. Tracy e Tommy correram atrás dela.

– E estar perto de você não é tortura, Lauren – disse Camila, correndo atrás das crianças. Jauregui a alcançou.

– Certo, você deixou claro que é só desgosto. Mas não se preocupe, vou mesmo tomar isso como um elogio. – Cabello apenas balançou a cabeça e riu.

Durante os quinze minutos seguintes, embora tenha jogado um pouquinho, Lauren passou quase todo o tempo de fora, só olhando Camila brincar com as crianças. Sentada a uma mesa de piquenique, seus sentidos sempre vacilavam quando se tratava de Camila. O olhar dela passeou pelo corpo da Cabello, decidindo-se, por fim, pousar no rosto, admirando aquele sorriso. Ela ouvia as risadas dela enquanto tentava registrar o modo como os sobrinhos se agarravam a Camila. Crianças possuem um senso aguçado sobre as auras das pessoas, por isso o comportamento dos dois só servia para confirmar o que o coração de Lauren já sabia: que apresença de Camila era magnética. Consumia a todos, engolindo-os por inteiro, sem deixar espaço para arrependimentos.

Enquanto Cabello corria com as crianças, ela observava os cabelos ondulados balançando, o sol de verão criando uma auréola castanho-dourada. O desejo que sentia por ela serpenteava pelos ossos, atingindo a medula. Desde a primeira vez que pusera os olhos nela, Camila causava sensações estranhas em seu peito sempre que a encarava. Jauregui sentiu um embrulho no estômago e se deu conta de que poderia se afundar ainda mais caso Cabello a fitasse daquele jeito com muita frequência.

A mente dela rejeitou os próprios sentimentos, ciente de que nada podia fazer para satisfazer seu desejo. A única coisa de que Lauren tinha certeza era que suas emoções estavam presas num emaranhado de proporções épicas. Ficar perto de Camila era o máximo da dor autoinfligida, mas ela estava disposta a aguentar por um único motivo: ser agraciada pela presença dela.

Jauregui foi arrancada de seus pensamentos ao ouvir Chirs chamar seu nome. Depois que ela e Cabello abraçaram as crianças e se despediram de Chirs e de Melanie, Lauren foi com ela juntar suas coisas.

– Sra. Jauregui, é sempre um prazer – disse Camila com um sorriso, estendendo a mão.

Lauren não a aceitou porque sabia que, se a tocasse, não seria capaz de resistir ao desejo de puxá-la para si. Passando a mão pelos cabelos, deu um passinho para trás. Cabello pôs a mochila no ombro. Jauregui sentiu as palavras presas na garganta.

– Espere, é só isso? Vai me largar aqui sozinha assim?

– Você já está bem grandinha. Acho que é capaz de encontrar alguma coisa para ocupar sua tarde.

Lauren riu por um instante, mas logo ficou séria.

– É que achei que esta podia ser uma oportunidade para eu me redimir.

– Se redimir? Por quê?

– Pelo meu comportamento da última vez em que nos vimos. Desculpe se a deixei desconfortável, mas... – Ela baixou a voz e a fitou nos olhos. – Não estou me desculpando pela forma como me sinto em relação a você, Cabello. São meus sentimentos e não tenho como negá-los. Mas eu realmente só preciso ser sua amiga.

Camila engoliu em seco, nervosa.

– Lauren, já conversamos sobre isso e... – começou, a voz tão baixa quanto a dela. Interrompendo-a, Jauregui chegou mais perto.

– Eu prometo, juro por Deus, que dessa vez não vou dizer nada que a deixe desconfortável. Eu só queria falar como me sinto, mas agora chega. – Ela deu um passo atrás, sem desviar os olhos dela. – Você me enlouquece por algum motivo que não consigo entender e não sei se algum dia compreenderei. Só sei que acho você a mulher mais impressionante... – Ela respirou fundo. – Sei lá. Tem alguma coisa em você que... a torna diferente de qualquer outra mulher que já conheci. E por causa de tudo isso, eu me disponho a colocar meus sentimentos de lado só para ser sua amiga.

Só para estar perto de você, pensou.

O coração da Cabello falhou e seu estômago revirou, numa sensação perturbadoramente agradável, enquanto ela avaliava o rosto da Jauregui. Emoções verdadeiras rodopiavam por trás daqueles olhos e alguma coisa, lá no fundo, lhe dizia que ela estava sendo sincera.

– Muito bem, vamos tentar de novo. Quer que eu fique aqui com você mais um pouco?

Lauren respirou fundo, enchendo os pulmões, o nó em seu peito se desfazendo ao se dar conta de que estivera prendendo a respiração enquanto aguardava a resposta dela.

– Você gosta de beisebol, não gosta?

– Como sabe disso?

– Naquela noite em que descobri que você se chamava Camila, e não Molly... Antes de você chegar à boate, Malik me contou que a namorada dele era fanática por beisebol.

– Quer que eu jogue beisebol com você? – perguntou ela, franzindo as sobrancelhas.

– Você pode visitar todos os pontos turísticos mais espetaculares que Nova York tem a oferecer, mas não conhece a cidade de verdade até ir a um jogo dos Yankees. – Ela sorriu. – Era para Troy ir ao jogo comigo hoje, à uma da tarde, mas ele cancelou de última hora. – Jauregui sacou ingressos do bolso traseiro e os exibiu. – Tenho entradas para a temporada inteira, mas ia ser uma pena desperdiçar estas daqui.

– Você quer que eu vá a um jogo dos Yankees com você?

– Quero.

– Não sei – disse Cabello, olhando para o chão e de novo para ela. – Talvez isso seja um pouco de mais.

Lauren abriu um sorriso lento, os olhos verdes cintilando com malícia.

– Imagino que num estádio com mais cinquenta mil pessoas eu consiga me controlar e não tentar atacá-la.

Camila fez uma cara pensativa.

– É verdade. Mas eu não sou fã dos Yankees. Vou torcer para o adversário. Será que você conseguiria aguentar isso?

Com os olhos arregalados, Jauregui pôs uma das mãos sobre o peito, como se ela tivesse acabado de ferir seu coração.

– Hum, continue falando assim e talvez encontre um jeito de fazer com que eu não a admire tanto. Sou uma torcedora fanática dos Yankees, Srta. Cabello. Mas está bem, acho que aguento me sentar ao lado de uma não fã que eu mesmo levei ao estádio.

Camila balançou a cabeça e riu.

– Está certo, vou considerar esse passeio amigável, mas sob uma condição.

– Qualquer coisa – disse Lauren, pegando a mochila dela.

– Espere, você nem sabe o que é.

Jauregui pôs a mão nas costas da Cabello e começou a conduzi-la para fora do parque.

–Não tem problema. Seja o que for, estou certa de que consigo lidar.

Camila parou de repente e riu.

– Ou você me ouve ou não vou a lugar algum, Lauren Jauregui. Está me entendendo?

– Sou toda ouvidos.

– Isto, por exemplo. – Ela indicou a mão em suas costas. Lauren sorriu e a retirou. – Nada de me tocar, nada de me despir com os olhos e nada de fazer isso... essa coisa maldita e idiota que você faz com a boca quando morde os lábios.

– O fato de eu morder o lábio a incomoda tanto assim?

Só porque me deixa louca de tesão... – Pensou Cabello

– Sim. É irritante.

Jauregui arrastou o lábio inferior lentamente por entre os dentes, terminando com um estalar voluptuoso.

– Bem, o mesmo vale para você então.

Camila inclinou a cabeça e deixou escapar um suspiro.

– Espertinha. Você já me avisou sobre chamar qualquer tipo de atenção para meus lábios. – Ela cobriu a boca com a mão, abafando o restante das palavras. – Está melhor assim? – Lauren assentiu e riu. – Só que eu não fico olhando para você como se quisesse arrancar suas roupas, nem a tocando.

Jauregui deu de ombros.

– Já que estamos sendo sinceras, você não faz ideia de quanto eu adoraria que você me tocasse.

– Viu só, é exatamente disso que estou falando – disse Cabello, afastando a mão da boca.

Camila deu meia-volta para ir embora. Deixando escapar uma gargalhada sonora e rouca, Jauregui correu até ela e a segurou delicadamente pelo cotovelo. Cabello olhou para a mão dela. Lauren a soltou depressa e sorriu.

– Camila, só estou brincando. Ora, vamos, são só piadas... Eu sou assim mesmo.

Cabello ergueu uma das sobrancelhas, incapaz de se manter séria diante dela, com aquele sorriso inocente e infantil. Sabia que ela era tudo, menos daquele jeito.

– Se quer que eu vá com você hoje, controle suas mãos, Jauregui. Entendeu? Ou então eu vou lhe dar uma lição.

– Opa! Sexo violento! – Jauregui deu um sorriso torto. Cabello suspirou. – No entanto, eu não passo de uma serva diante do seu desejo de que eu aja como uma 'cavalheira'. – Ela fez uma reverência brincalhona. – Agora vamos. Temos que pegar a linha quatro.

– Espere, nós vamos de ônibus?

– Não. É a linha quatro do metrô.

– Ah, eu achei que fôssemos de carro.

– De jeito nenhum. – Lauren pegou a mochila das mãos dela e a atirou sobre o próprio ombro. – Vamos fazer isso ao estilo de Nova York, baby.

Apesar da surpresa por estar de fato passando o dia com a Jauregui, Camila a seguiu. Duas quadras adiante, pegaram o metrô. Considerando que ela viajou cercada por um casal de adolescentes que se amassava como se estivesse numa festa de amigos, um sujeito usando vestido florido que falava sozinho enquanto comia comida chinesa com as mãos e um enorme grupo de torcedores agressivos berrando "Dá-lhe, Yankees", Cabello ficou mais do que satisfeita quando enfim chegaram ao estádio.

Uma vez lá, as duas foram comer. Cabello pediu um cachorro-quente e uma garrafa d'água e Lauren escolheu um pacote de amendoim e uma cerveja. Ela lhe mostrou seus lugares, bem atrás da última base. Jauregui parecia uma criança numa loja de doces e Camila achou bonitinho que uma mulher com tanto poder ficasse tão animada com um jogo de beisebol.

Lauren olhou para o relógio enquanto o estádio ia enchendo.

– Ainda temos um tempinho. O jogo vai começar daqui a meia hora.

Cabello assentiu e olhou para o celular, notando que tinha perdido uma ligação de Zayn.
Ela se remexeu no assento e pensou na encrenca em que havia se metido. Ponderou se devia ou não contar a Malik onde estava, mas antes que pudesse se aprofundar demais em seu dilema, Jauregui falou:

– Vamos brincar de vinte perguntas enquanto esperamos o jogo começar. – Ela enfiou um amendoim na boca. – Eu começo.

– De jeito nenhum, você começou da última vez. Eu começo.

Lauren riu.

– Você não perde tempo, não é?

– Geralmente não.

– Está certo, me parece justo. Pergunte alguma coisa.

Os pensamentos de Camila vagaram pelo que queria perguntar a ela, embora não soubesse se deveria. Ainda assim, era sua vez de se permitir ser dominada pela curiosidade.

– Quero saber por que você e sua noiva terminaram.

A expressão da Jauregui se fechou enquanto ela olhava para as arquibancadas. Cabello notou o verde brilhante dos olhos mudando como se uma nuvem tivesse passado pelo céu – e naquele momento se arrependeu por ter tocado no assunto.

Lauren se inclinou para a frente, pôs a cerveja no chão e olhou outra vez para Camila.

– Hum, a primeira pergunta que lhe fiz da última vez em que jogamos foi sobre seu sabor de sorvete favorito. Pelo visto, você está indo direto na jugular.

– Me desculpe, eu não devia ter perguntado – sussurrou ela, baixando o olhar.

– Não, tudo bem. Eu só não esperava isso logo de cara. Mas me sinto confortável em conversar com você.

Cabello ergueu a cabeça de súbito.

– Mesmo?

– Pois é, por algum motivo, eu me sinto, sim. – Respirando fundo, ela se recostou e hesitou por alguns segundos. – Ela me abandonou porque a Jauregui Industries estava indo à falência. Meu pai ofereceu recursos para mim e para Chris a fim de mantê-la aberta. Mas nós, os Jaureguis, temos certa tendência à teimosia e recusamos a ajuda dele, pois sabíamos que conseguiríamos colocá-la nos eixos outra vez, sozinhos. – Ela passou a mão pelos cabelos. – Eu expliquei tudo para ela, disse que teríamos que reduzir um pouco os custos até eu reerguer a empresa. Ela argumentou que eu devia aceitar o dinheiro do meu pai e me chamou de louca por achar que conseguiríamos nos recuperar sem a ajuda dele. Mas Chris e eu estávamos firmes na decisão de não aceitar o dinheiro. Depois que ficamos noivas, ela passou a morar comigo, na minha cobertura. Um dia, voltei para casa depois do trabalho e encontrei uma carta, escrita com uma letra linda, dizendo que ela não podia correr o risco de não viver a vida que eu tinha oferecido até então. – Ela pegou a cerveja, tomou um gole e suspirou. – Cinco anos juntas e o adeus veio numa carta.

Camila buscou os olhos dela e viu a sua dor.

– Você a amava – sussurrou. Lauren deu de ombros.

– É, ela partiu meu coração. Achei que ela me amasse pela mulher que eu era, sem o glamour e sem o dinheiro. Quero dizer, quando a gente se conheceu, eu estava no meu último ano da faculdade, ainda não era tão bem-sucedida. Ela traiu a esperança que eu tinha no amor quando foi embora. – Ela apertou os lábios. – Não me entenda mal. Hoje, quando olho para trás, sei que não fomos feitas uma para a outra. Em primeiro lugar porque ela se preocupava demais com a maneira como os outros nos viam, e isso podia querer dizer qualquer coisa: dos carros que dirigíamos às festas que frequentávamos. Ela não era assim quando nos conhecemos; a mudança foi gradual. Nossa maior diferença foi que ela sempre deixou claro que nunca ia querer ter filhos. Eu a amava o bastante para cogitar uma vida sem crianças, mas, como eu disse, analisando tudo, não teria valido a pena abrir mão de ter uma família por ela.

Cabello abriu um leve sorriso.

– Você quer ter filhos?

– Um monte, todos enfiados bonitinhos numa minivan – admitiu ela.

– Lauren Jauregui numa minivan?

– Sem dúvida – respondeu ela, pegando a cerveja. – Uma bem maneira, verde-floresta.

Camila observou-a de rabo de olho ajeitando o boné de beisebol, um pouco chocada com tudo o que ela acabara de lhe confessar. Começou a compreender a necessidade dela de preencher seus vazios.

– Você nunca mais a viu depois disso?

– Vi, sim. Recentemente, para dizer a verdade.

– E como foi? – perguntou ela, relutante.

– Foi... interessante. Eu a encontrei por acaso numa festa. Ela falou um monte de merda, disse que estava contente pela empresa estar indo tão bem. Admitiu que sentia minha falta e que ainda me amava, e depois confessou que me abandonar foi o maior erro de sua vida. – Ela enfiou mais um amendoim na boca e sorriu. – Já pode imaginar aonde estou querendo chegar com isso, certo?

– Posso. Agora que você está bem de grana outra vez, ela a quer de volta.

– Na mosca. Eu sabia que você era esperta. – Ela bebericou um gole da cerveja. – Além do mais, o nome dela é Lucy e o meu, é claro, é Lauren, dois L's. Eu acho que era um aviso, ou algo assim, de que estava destinado a não funcionar.

Embora ela tivesse dado uma risadinha, Cabello percebeu a dor que ainda havia em seus olhos e resolveu deixar o assunto de lado.

– Recebi o convite que você mandou para mim e para o Zayn.

– Eu ia mesmo lhe perguntar isso – respondeu Jauregui, acenando para um dos vendedores de cerveja. Pediu mais uma e se virou para Camila. – Achei que poderia lhe interessar, considerando... bem, você sabe.

– Sim e obrigada pelo convite, mas o que sua mãe faz, exatamente?

– Ela sabe que é abençoada por ser uma sobrevivente, então montou uma organização para captar recursos para mulheres que sofrem de câncer de mama; que estão no meio da luta ou em remissão, e familiares de mulheres que morreram da doença.  As doações coletadas no evento beneficente são divididas entre o financiamento de tratamentos emprogresso, extras ou, infelizmente, para gastos com funerais.

Cabello soltou a respiração.

– O gesto dela é lindo.

– É, sim. Este vai ser o décimo ano desde que ela fundou a organização. O evento sempre acontece em outubro, durante o mês de conscientização e combate ao câncer de mama. É bastante espetacular, também. Black-tie, champanhe e todos os ricaços de Nova York reunidos por uma noite para gastar o dinheiro com alguma coisa além de uma bosta de um cruzeiro para as ilhas Fiji ou um carro novo. – Camila riu.

"O termo "Black Tie" indica que o anfitrião espera que todos vistam smokings com gravata preta, não importando os modelos. De maneira geral a maioria se veste igual optando pelo modelo tradicional (paletó de 1 botão) e uma minoria que usa modelos utrapassados e até mesmo se vestem em desacordo com o que foi solicitado."

– Bem, nós com certeza estaremos lá.

– Fico feliz por isso.

Sem uma única nuvem no céu, a cerimônia de abertura começou e, logo depois, o jogo estava a toda. Um estalo do taco ruidoso, atirando a bola para fora do campo, já deixou os Yankees animadíssimos. Durante toda a partida, Lauren chamou uma atenção indesejada para Camila, fazendo com que os torcedores dos Yankees que estivessem próximos o suficiente para ouvi-la soubessem que Cabello estava torcendo para o time mais fraco, os Baltimore Orioles. Pessoas à sua volta a vaiavam toda vez que os Orioles faziam um ponto. E então ela dava uma cotovelada brincalhona na Jauregui, prometendo pensar numa forma de retaliação. Ainda com fome e mais relaxada com a situação como um todo, Camila pediu um pretzel e decidiu tomar uma cerveja com ela. Ao final da sétima entrada, o jogo estava empatado, quatro-quatro, com todas as bases lotadas e os Yankees rebatendo. Lauren deu um sorriso malandro para a Cabello e esfregou as mãos.

– Seus passarinhos estão prestes a perder.

– Você parece bastante confiante em relação a isso. – Ela riu. – Eu não teria tanta certeza assim.

Os olhos da Jauregui se concentraram no canto daquela linda boca, onde havia uma manchinha de mostarda. Sem pensar, ela levou a mão até o lábio de Camila e o limpou com o polegar. Sobressaltada com o gesto inesperado, Cabello se encolheu.

– É que... tinha mostarda no seu lábio – justificou-se ela. Controlando o enorme desejo de lamber o dedo, Lauren usou um guardanapo.

– Você desrespeitou a regra do "não me toque" – reclamou Camila, arfando, ignorando o que o corpo lutava tanto para negar. Por mais breve que tivesse sido, o toque fora insanamente gostoso, o que era muito, muito ruim. Jauregui fitou os lábios dela e, em seguida, voltou aos olhos.

– Eu poderia ter deixado aí.

– Ou ter me avisado, espertinha.

Lauren deu um sorriso tão contagiante que Cabello não conseguiu evitar espelhá-lo.

– Pelo visto vou ter que cumprir a promessa e lhe dar uma lição por não jogar limpo.

Jauregui arqueou uma das sobrancelhas em sinal de incredulidade.

– Não que eu seja contra demonstrações públicas de afeto, sobretudo vindas de você, mas como pretende fazer uma coisa dessas num estádio lotado?

Camila abriu um sorriso malvado e inclinou o corpo para a frente, cutucando o ombro de uma mulher na fileira diante delas. Ela e a amiga que a acompanhava se viraram.

– Lamento incomodar – disse Cabello à loura. – Minha amiga aqui gostaria de lhe dar o telefone dela. Achou você muito bonita, mas não teve coragem de abordá-la. Você tem namorado?

Lauren sorriu, balançou a cabeça e só faltou enterrar o rosto nas mãos de tanta vergonha. A mulher e a amiga riram.

– Eu tenho, mas posso terminar o namoro por ela.

– Bem, não faz diferença. O fato de você ter namorado não é um problema para a minha amiga aqui – replicou Camila, fria. – Tem papel e caneta? –A mulher vasculhou a bolsa, sacou uma caneta e arrancou um pedaço do talão de cheques. Entregou os dois a Cabello, que os passou para a Jauregui. – Tome aqui, companheira. Anote os números para a moça bonita. – Camila riu e a cutucou com o cotovelo. – E deixe de ser tão tímida com as mulheres.

Exibindo seu sorriso cheio de covinhas, Lauren rabiscou depressa e devolveu o papel à loura. Ela deu uma olhada rápida e sorriu.

– Lauren, é? É um nome bonito para combinar com esse seu rostinho. Com certeza vou ligar. – Jauregui assentiu e Cabello riu.

– Você não tem escrúpulos – sussurrou Lauren, atirando uma casca de amendoim na cabeça de Camila.

Rindo, ela tirou a casquinha dos cabelos.

– Eu avisei.

Depois de muitas cascas de amendoim, o jogo terminou com os Yankees vencendo por três pontos. Durante toda a viagem de metrô de volta para Manhattan, Jauregui demonstrou grande orgulho em lhe recordar o placar. Também confessou que o número que rabiscara para a mulher era falso. Em sua defesa, alegou que não curtia mais louras. Balançando a cabeça, Cabello riu e a repreendeu. Lauren a acompanhou no táxi para se certificar de que Camila chegaria bem em casa.

Pedindo ao motorista que mantivesse o taxímetro ligado, saltou com ela para levá-la à entrada do prédio. Mais uma vez, Cabello lhe estendeu a mão.

– Foi um prazer passar o dia com você, Lauren.

– Posso apertar sua mão? Não quero desrespeitar mais regras.

– Pode, sim.

Jauregui apertou a mão dela, sentindo a mesma onda de calor que lhe invadia toda vez que tinha a oportunidade de tocá-la. Sentindo-se como uma entidade cheia de malícia – egoísta e desejosa – ela a soltou, por fim.

– O prazer foi todo meu.

Respirando bem fundo, Camila a observou caminhar de volta ao táxi e partir. Enquanto subia de elevador, a cabeça foi ficando agradavelmente confusa, pensando naquele dia maravilhoso. Tentou se acalmar, ciente de que não devia ter passado a tarde com Lauren de forma alguma. O saldo era infernal, mas a libertação era doce, de uma forma perturbadora.

Havia aprendido coisas a respeito dela que jamais imaginara serem possíveis. Algo se mexeu em seu peito, um desejo aumentado por Lauren misturado à dor pelo que ela havia sofrido.

Em um esforço para tirá-la da cabeça, Cabello se concentrou na ideia de que Zayn devia estar à sua espera. Para seu alívio, ele estava confortavelmente esparramado no sofá quando ela entrou em casa. Durante a hora seguinte, ele a encheu de detalhes sobre como havia conseguido uma das maiores contas que a firma conquistara nos últimos dez anos.

Depois de ponderar se devia ou não lhe contar sobre o dia com a Jauregui, Camila decidiu não fazê-lo, afinal não queria estragar a alegria de Malik. Agora só faltava convencer a si mesma de que esse era o real motivo para manter o encontro em segredo. Então resolveu a discussão que incendiava sua mente da forma mais simples que pôde: ele não perguntou sobre o seu dia, então ela não contou.  


Notas Finais


E ai... Alguém aceita ir ao jogo dos Yankees comigo? :)

Até logo!


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