História Teoria do Caos - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Colegial, Comedia, Física, Fluffy, Namjin, Sope, Taekook, Vkook, Yoonseok
Visualizações 1.903
Palavras 4.659
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


❁ OI GENTE, eu juro que vinha antes, mas eu fiquei me sentindo mal por não ter respondido os comentários :( Eu ia terminar de responder todos, mas muitos leitores pediram para eu agilizar a postagem, então vim aqui para enviar o capítulo. Espero que me perdoem pela demora, o ENEM está a praticamente um mês de distância e eu to me sentindo tão pressionada que vocês não tem noção hehe

❁ Ainda assim, queria agradecer cada comentário e cada favorito. Eu fico com vontade de chorar quando eu leio o que vocês dizem sobre TDC (seja crítica construtiva ou elogio).

❁ Vocês são os melhores leitores do mundo, não se esqueçam disso :)<3

❁ CAPÍTULO EDITADO (20/10/2017)

Capítulo 10 - IX. Pseudo psicólogo-cupido


Fanfic / Fanfiction Teoria do Caos - Capítulo 10 - IX. Pseudo psicólogo-cupido

E PENSAR QUE, POR um momento, eu realmente me deixei acreditar que teria o quarto só para mim pelo restante dos meus dias como um universitário autossuficiente e responsável.

Aquela foi a primeira frase que eu escutei quando, após uma noite inteira enclausurado dentro da Biblioteca de Appleview — desfrutando da inigualável presença de Jung Hoseok durante a madrugada inteira, cabe ressaltar —, adentrei em meu dormitório aquela manhã. No minuto em que girei a maçaneta desgastada e passei os olhos de maneira corriqueira pelo quarto (ainda disposto da maneira em que eu o havia organizado e apenas com um ou dois pertences largados pelo assoalho), esperei ser recebido por um caloroso “Yoongi, onde você passou a noite?” ou, no mínimo, um “Onde estão as minhas anotações de psicologia, seu mini capeta da organização?”. (Esta última, por mais inacreditável que pudesse aparentar, era a que Seokjin mais proferia quando estava com pressa e preguiça; o que, se fôssemos ser sinceros, sintetizava com precisão seu dia a dia dentro daquela faculdade). Ao contrário do que eu esperava, no entanto, tudo que encontrei dentro de nosso dormitório às oito e quarenta e três daquela manhã ociosa foi um Jin levemente exasperado largado sobre sua cama, acompanhado de um intrometido Taehyung que vestia um claro olhar de desinteresse em suas feições, as páginas de uma revista sobre Pokémon sendo passadas por si de maneira tão preguiçosa que deixaria até mesmo um tartaruga manca usando pára-quedas com inveja.

Eu teria ficado indignado se não estivesse tão confuso pela cena que se desenrolava diante de meus olhos.

— Autossuficiente? Responsável? — inquiri. Tudo bem, tudo bem, talvez aquela tivesse sido a parte no discurso de Jin que houvesse, de fato, capturado minha atenção — Jin, você dificilmente consegue levantar todas as manhãs sem que eu esteja por perto. E isso porque sequer começamos a falar sobre sua falta de controle no que se refere à economia de dinheiro e despesas com itens do Super Mario Bros.

— Hoje eu consegui me levantar sem sua ajuda, muito obrigado — disse convencido, colocando a língua para fora de maneira tão madura quanto uma criança de cinco anos de idade.

— Você apenas separou essas gorduras do edredom porque eu quase pus a porta à baixo, Seokjin. — A voz de barítono de Taehyung preencheu o cômodo rapidamente, mas nem sequer por um segundo o acastanhado se atreveu a desviar os olhos da revista.

— Não que seja da minha conta, mas porque você quase destruiu a porta do nosso quarto e violou o artigo III do Código do Estudante? — questionei.

Aquilo pareceu ter tirado o foco de Taehyung da revista pela primeira vez, tendo em mente que o garoto desviou seu olhar e piscou em minha direção duas vezes.

— Você realmente leu o Código do Estudante?

— Mas é claro. — Franzi as sobrancelhas, desconcertado. — É importante que saibamos como lidar em situações adversas na faculdade. Por exemplo, o que você faria caso houvesse um ataque de leão da montanha nas imediações de Appleview?

Ele sequer precisou desperdiçar um segundo pensamento no assunto antes de responder confiante.

— Eu ofereceria Jin como sacrifício e correria, obviamente.

O quê?!

— Desculpe, Seokjin, mas antes um psicólogo que sequer consegue encontrar motivação o suficiente para levantar da cama, quanto mais cuidar de pacientes, do que eu, futuro Leonardo DiCaprio asiático. — Deu de ombros, como se tudo aquilo realmente fizesse o mais perfeito sentido em seu raciocínio deturpado — Com exceção de que eu teria mais Oscars, claro. — Tratou de acrescentar.

— E pensar que são desses amigos que eu falo para meus pais quando eles perguntam como vão as coisas na faculdade. — O futuro psicólogo balançou a cabeça, ainda atônito — Taehyung, às vezes você me faz entender porque certas pessoas tornam-se torturadores.

Nosso amigo levou uma das mãos ao peito em falso lisonjeio.

— Obrigado, hyung.

— Eu vou matar você.

Vendo que aquilo já estava indo longe demais — afinal, meus dois amigos estavam levando as típicas provocações matinais a um nível completamente novo —, decidi intervir naquela briguinha trivial, posicionando-me entre Jin e Taehyung de maneira imponente. Eles não tentariam cometer um crime hediondo contra o outro caso houvesse uma pessoa inocente no meio — ou pelo menos era isso que eu esperava.

— Vocês dois podem se matar à vontade, mas apenas quando eu souber por que o Taehyung quase arrombou nossa porta — disse, e meu tom não abria espaço para discussões.

— Porque o alarme de incêndio foi acionado e toda a faculdade entrou em um tumulto sem proporções. — Taehyung estalou sua língua, colocando a revista de lado enquanto cruzava os braços sobre o peito e contava sua história. Ao olhar para o mais velho, seu olhar passou de pura indiferença para um misto de preocupação e fúria pulsante. — Eu iria me aproveitar da situação para dar uma de herói e, milagrosamente, salvar Jeongguk, no entanto, eu tinha que me lembrar que o imprestável do Jin não acordaria nem se todo o elenco de RuPaul’s fizesse um desfile na sua cama. — Ele suspirou — E a toupeira realmente havia conseguido entrar em coma durante toda a comoção do lado de fora do quarto de vocês e não acordou. Achei que era meu dever, como um amigo com, no mínimo, um cerne de decência, vir acordá-lo e avisar que iria morrer.

Por um momento, pensei que Jin fosse se debulhar em lágrimas.

Awwn. Você não veio me salvar, apenas dizer que eu ia morrer carbonizado, mas, ainda assim, awwn. — Ele bateu palmas, ao passo em que eu me lembrava do que havia acontecido nessa manhã e sentia minhas bochechas arderem levemente, provavelmente adquirindo um tom rubro que não lhes era característico.

— Oh, sim, desculpem por isso — murmurei, coçando o topo da minha cabeça em desconcerto — um tique nervoso que eu havia obtido na infância e nunca havia conseguido me livrar de fato, apenas amenizar com a passagem dos anos.

As sobrancelhas altivas de Taehyung se estreitaram.

— Desculpas pelo quê?

— Ter acionado o alarme de incêndio — admiti sem rodeios.

Pelo olhar que Tae lançou em minha direção — o mesmo olhar que poderia fazer Roma queimar pela segunda vez, destruir incontáveis outros impérios e lhe escalpar vivo —, pude ter plena certeza de que, se não morresse naquele instante, certamente viveria para todo o sempre.

— Espere, foi você que ligou essa coisa maldita e quase fez com que eu fosse pisoteado durante a aula de expressão corporal? — Cada palavra saiu como um sibilo, e eu podia jurar que, por um mísero instante, suas pupilas adquiriram o mesmo formato de fenda de uma cascavel.

(Ou talvez eu apenas estivesse, de fato, com muito medo de ver Taehyung liberar sua fúria no mundo do mesmo jeito que a caixa de Pandora havia feito – senão pior).

— Mas Tae, você acabou de me dizer que empurrou dois garotos no chão para se salvar e ainda derrubou acidentalmente o projeto do semestre do Norton. — Jin quebrou o “momento ameaçador” de Taehyung e fez aspas nada discretas no ar, claramente induzido a um estado catatônico em decorrência da falta de sono.

—  Como eu ia dizendo: foi você que ligou essa coisa maldita e quase fez com que eu fosse pisoteado durante a aula de expressão corporal? — repetiu, como se Jin sequer tivesse se dado ao trabalho de abrir a boca. (Não que aquilo fosse algo que não fizéssemos; “ignorar Jin” havia, inclusive, ganhado um espaço na minha lista de afazeres diários).

— Bom, não exatamente eu, mas o Hoseok — expliquei, tomando a cadeira um pouco desgastada de frente para a escrivaninha que Jin e eu havíamos adquirido em uma loja de penhores por três cupons de desconto em uma loja de sutiãs — não me perguntem como conseguimos aquilo — e um litro de ketchup.

(Até hoje algo me dizia que o pentagrama desenhado embaixo da mesma e algumas cartas que definitivamente não eram de Tarot que encontramos na segunda gaveta explicavam o motivo do móvel ter sido vendido por tão pouco e com tanta urgência. Ainda assim, tanto eu quanto Jin preferíamos ignorar esse fato — afinal de contas, não era como se aquele pentagrama pudesse invocar algo pior do que Kim Taehyung em nossas vidas).

— Porque caralhos o Hoseok fez isso?

Meu rosto ardeu ainda mais.

— Talvez porque ele não quisesse que eu tivesse meus horários bagunçados por causa da nossa pequena desventura ontem à noite. Acionando o alarme, todas as aulas seriam canceladas. Não que eu esteja de acordo com o que ele fez, mas—

— “Pequena desventura”? — Os olhos de Tae se arregalaram tanto que pareciam dois pratos. — Jin, você ouviu isso? Nosso pequeno Yoongi finalmente se tornou um homenzinho!

— Quem esse Hoseok pensa que é para tirar a inocência da minha criança dessa maneira?! — Jin levantou-se da cama em um sobressalto, esquecendo-se momentaneamente da sua estatura elevada e batendo a testa com toda a força do mundo no pequeno lustre de led de nosso dormitório.

Enquanto meus dois amigos se comportavam como se o Apocalipse houvesse acabado de ser anunciado por demônios enviados das profundezas do Inferno, eu apenas encarei a cena sem entender muito bem o que estava acontecendo.

— Do que vocês dois estão falando? — perguntei.

Seokjin, que estava dividido entre ter um mini ataque de pânico e massagear sua testa dolorida, me encarou como se eu houvesse acabado de perguntar se comeríamos criancinhas para o café da manhã.

— Do que estamos falando?! Estamos falando da sua pequena “desventura” — Ele fez, mais uma vez, aspas violentas com os dedos — Estamos falando de você ter feito o mesmo que fazemos quando decidimos ir ao banheiro e colocar para fora o número dois, com a significativa diferença que, dessa vez, o vetor da tal ação foi entrando e não saindo.

Espera um momento, eles pensavam que eu e o Hoseok tínhamos—

— Mas ele pode ser o ativo, Jin — Taehyung cortou meus pensamentos e pareceu contemplar a possibilidade, ao passo em que Seokjin apenas lhe lançava um olhar morto e soltava:

— Olha bem para a cara do Yoongi, Taehyung — O projeto de psicólogo disse com um ceticismo paupável, como se aquilo demandasse toda a atenção e análise que um pudesse possuir. — Você acha mesmo que essa criatura tem cara de ativo? Em um universo alternativo Min Yoongi tem “passivo” tatuado em sua testa em letras garrafais.

— Ei! — gritei indignado, mas, por mais que tentasse, não consegui controlar o calor que agora descia de minhas bochechas e se irradiava por cada centímetro de epiderme em meu corpo. Nariz, orelhas, pescoço: tudo queimava intensamente, como se meu corpo estivesse cheio de centenas de milhares de minúsculos fogos de artifícios explodindo simultaneamente, atribuindo à minha pele um tom carmesim que jamais houvera experienciado. — Hoseok e eu não transamos.

Taehyung finalmente pareceu recobrar a consciência, as feições tomadas por puro pânico sendo lentamente transformadas em um alívio indescritível. Seus ombros relaxaram, a postura tornou-se menos tensa e os punhos foram afrouxando o aperto que fazia com que suas juntas adquirissem um tom esbranquiçado feito osso.

— Não?

— Não! — repeti.

— Graças a Deus, eu ainda não estava pronto para ter “a conversa”. — Jin, que até então estava apenas boquiaberto, admitiu, afundando em sua cama logo em seguida.

Eu estava no meio de uma crise, mas, ainda assim, parte de mim não conseguiu evitar estremecer ao notar a leve ondulação que se formou sob a colcha da cama, consequência do peso de Seokjin sobre ela. Esforcei-me ao máximo para ignorar a situação e, limpando a garganta, proferi:

— Eu sei o que é sexo, Jin.

— Não! Você não sabe! Você é meu filho de três anos e não tem nenhum conhecimento sobre essas coisas impuras!

— Você pode até saber como é sexo tradicional, mas não entre dois homens. — Taehyung ignorou Jin por completo — não que aquilo fosse alguma novidade — e comentou maliciosamente, seu lado “pai de meia idade preocupado” sendo facilmente substituído pelo usual “ninfomaníaco diabólico” que todos conhecíamos e amávamos. Naquele instante, porém, eu preferia que a figura paterna continuasse — era a primeira vez que eu ficava tão constrangido com um assunto tão simples quanto reprodução. Nem mesmo na oitava série, quando o professor de Educação Sexual deu uma aula impiedosamente longa sobre o assunto (com direito a discursos sobre como “vocês todos irão pegar AIDs e morrer” e bichinhos de balão sendo feitos com os preservativos) eu havia me sentido tão desconcertado quanto agora — Se quiser eu posso te emprestar meu exemplar do Kama Sutra pra você aprender algumas posições e—

— TAEHYUNG! — Jin censurou o acastanhado, mortificado.

Nosso amigo, contudo, não se deixou ser intimidado e arqueou uma sobrancelha na direção do mais velho.

— O que foi? Yoongi já tem vinte e um anos, o pau dele só não deve estar cheio de teias de aranha à essa altura porque esse imbecil tem um transtorno obsessivo compulsivo. — Apontou para mim acusadoramente — Já está na hora dele ter um pouco de ação.

— Eu fico pasmo com a audácia que vocês têm em falar de mim como se eu não estivesse presente no cômodo — retorqui, incrédulo.

— Os adultos estão conversando agora, Yoongi, vá jogar Transformice ou algo do tipo — Jin fez sinal com a mão para que eu me afastasse, gesticulando em direção ao notebook largado em cima da escrivaninha.

Ok, esse era o meu limite. Eu já estava exausto de toda aquela conversa ridícula sobre os meus órgãos sexuais sem que eu, dono dos tais órgãos, tivesse sequer o direito a ser incluído na mesma.

— Será que dá para vocês pararem com esse drama desenfreado? — explodi — Hoseok e eu acabamos presos na biblioteca porque fomos estúpidos. Eu tive um ataque de pânico, ele me deu um beijo para me tirar daquele estado de desespero, nós dois jogamos Pedra, Papel, Tesoura, Lagarto, Spock a noite inteira e, hoje de manhã, ele acionou o alarme de incêndio para me ajudar. Nada demais aconteceu. Será que eu posso obter minhas oito horas de sono diárias agora? Obrigado.

Os dois se calaram por alguns segundos, embora eu pudesse ver que Jin parecia estar escolhendo bem as palavras. Arriscando um olhar em minha direção, ele travou seus olhos  nos meus, logo então murmurando:

— O Hoseok lhe beijou?

Santa merda.

— Será que essa foi a única parte dentre tudo que eu mencionei que você absorveu, Jin? — Esbocei uma careta, soltando um suspiro estarrecido logo em seguida.

— Eu também ouvi algo sobre Pedra, Papel, Tesoura, Lagarto, Spock durante a noite inteira e, sinceramente, Hoseok tem que gostar muito de você para se sujeitar a isso. — Taehyung arqueou uma sobrancelha, sempre zombeteiro.

Se é que aquilo era biologicamente possível, senti o sangue correr com ainda mais força na área que abrangia minhas bochechas.

— Ele não gosta de mim. Dificilmente somos amigos — disse, mas a incerteza em minha voz era perceptível até mesmo para mim — A única coisa que nos une são as aulas de física, nada mais.

— Claro. — Taehyung rolou os olhos.

— O que foi?

— Como assim “o que foi”? — Jin franziu o cenho — Nem mesmo você pode ser tão lento, Yoongi.

Eu não estou entendendo! — pigarreei, e minha voz acabou se elevando duas oitavas na última palavra.

— Ai meu Deus, você pode ser tão lento. — Taehyung soltou uma risada quase maníaca, como se tudo aquilo fosse divertidíssimo para si.

— Eu estou ficando cansado de vocês dois falando em códigos, como se eu fosse algum tipo de marmota que não conseguisse compreen—

— Yoongi, você está apaixonado pelo Hoseok. — Taehyung disparou sem rodeios, fazendo com que eu ficasse estático em meu lugar.

— O quê?! — A ideia me parecia tão absurda quanto acreditar na existência do Coelhinho da Páscoa ou do Papai Noel. — Será que vocês não perceberam que tudo que nós fazemos é discutir? Isso sem falar que somos polos completamente opostos!

Taehyung por fim suspirou, como se não tivesse uma resposta plausível para o que fora apresentado no momento.

— Bom, na falta de uma solução para esse impasse, creio que devemos perguntar o significado dessa relação um tanto exótica entre você e o Hoseok à única pessoa que consegue compreender os sentimentos e pensamentos mais obscuros do subconsciente de um indivíduo — disse filosoficamente — Sabe, alguém que possa realmente entender o que se passa na mente humana.

— E quem seria essa pessoa? — questionei.

Pelo canto do meu olho, observei enquanto Jin levava uma de suas mãos à sua boca, tentando esconder a surpresa. Por um momento imaginei se meu amigo choraria lágrimas de emoção ali mesmo, pronto para fazer seus longos anos estudando — e procrastinando — valerem a pena.

— Você não precisava ter sido assim tão gentil, Tae, eu irei ajudar com certeza.

O acastanhado encarou Jin com olhos mortos, perigosamente sério.

— Espera, você acha que eu estou falando de você? — Ele fez uma careta, como se alguém houvesse acabado de lhe oferecer algo amargo — Você é um péssimo psicólogo, Seokjin. Eu estava falando do Google, sua marmota.

❁❁❁

O Google, diferentemente do que nós esperávamos — e por “nós” estou excluindo Jin do grupo, afinal, estando com o orgulho ferido, o estudante de psicologia só faltou nos defenestrar do quarto —, não nos proveu as informações que esperávamos. Eu havia feito três quizzes (“Você é gay?”, “Como Saber Se Quero Promover Meu Inimigo Mortal a Crush” e “O Amor Está No Ar Ou Você Que Tem Problemas No Nariz?”) (honestamente, eu ainda não sabia o que Taehyung poderia ter esperado com esses links) e nenhum deles havia conseguido responder às minhas perguntas de maneira que me agradasse. Um deles, inclusive, havia dito que eu morreria sozinho com quinze papagaios caolhos. Por um momento eu não soube se deveria me sentir ofendido por ter sido xingado por um dos quizzes de Taehyung ou se deveria me perguntar como a resposta conseguira ser tão específica.

Assim sendo, apenas acabei desistindo da teoria de que gostava de Hoseok, embora ela não me fosse de todo estranha. Tae, no entanto, recusou-se a dar o braço a torcer e continuava a procurar pelo Google de maneira quase febril, mesmo quando eu e Jin já havíamos desistido e estávamos na décima oitava partida de Uno.

Seokjin havia realizado a proeza de desafiar as leis da probabilidade e havia, de maneira espetacular, perdido todas as partidas que disputamos.

— Finalmente! — Taehyung exclamou após o que pareceram ser séculos, o rosto dominado por uma expressão da mais pura euforia. Eu tentei erguer meus olhos e enxergar o que dizia na tela do computador, mas não consegui.

— O que foi? — questionei — Achou um site capaz de pôr um fim em nossa discussão e expulsar vocês do meu dormitório para que possa dormir?

— Ah, ainda não. — Ele balançou a cabeça em um sinal de negação — Mas veja pelo lado bom, tem um cara vendendo jogos de Pokémon no Ebay por metade do preço, e eu acho que vou comprar alguns. O frete é grátis!

Tae! — repreendi.

Meu amigo jogou as mãos para cima, um sinal universal de “tudo bem, eu irei focar nos seus problemas ao invés de gastar meu tempo com coisas que de fato me interessam”.

— Tudo bem, tudo bem, eu posso comprar os jogos depois. — Taehyung revirou os olhos, tornando mais uma vez sua atenção para a pequena tela do notebook — Aha! Agora, sim, isso é interessante…

Um frio se apoderou da minha barriga, e foi preciso que controlasse cada fibra de meu ser para que não empurrasse Taehyung dali e tomasse posse do aparelho naquele exato segundo.

— O que?

— Tem um cara aqui em um fórum que jura que pode te transformar em um centauro.

Jin, que parecia ter atingido seu limite diário de “merdas que o Taehyung diz/faz”, tirou o notebook da fonte de energia, levantando-se logo em seguida e encarando Taehyung com uma carranca que fazia com que um vinco se formasse em sua testa.

— Ok, pode desligar essa merda, quem vai tomar controle dessa situação agora sou eu.

— E o que você planeja fazer, Jin? — Taehyung, que estava extremamente contrariado com o fato de que o nosso humilde notebook de bateria viciada havia sido desligado assim tão de repente da tomada, perguntou. Eu quase conseguia sentir a pontada de sarcasmo no final de cada sílaba, como se fosse o silvo de uma serpente.

— Ora, eu vou analisá-lo! — disse como se fosse óbvio.

— Será que existe a opção “Min Yoongi vai dormir e descobre que, na verdade, estava com as taxas hormonais desreguladas, chegando à conclusão de que não estava nem um pouco apaixonado por Jung Hoseok”? — arrisquei, as pálpebras quase se fechando violentamente devido ao sono.

— Não. — Os garotos disseram em uníssono.

— Tudo bem, não está mais aqui o gênio quem falou.

Tae rolou os olhos, ao passo em que Jin apenas voltou a sentar perto de mim e encarou-me por um longo período. Utilizei aquele tempo para observar meu amigo também. Jin, em decorrência das noites mal dormidas devido a iminência de uma prova de psicologia que se aproximava, possuía manchas levemente arroxeadas embaixo de seus olhos; a pele, sempre com um tom ideal de bronzeado, estava um pouco pálida; e os olhos profundamente castanhos encontravam-se escondidos por debaixo de uma lente azul límpida. Ainda que aparentasse estar tão cansado como eu, o futuro psicólogo não desistiu e permitiu um largo sorriso brotar em seus lábios de maneira preguiçosa — quase como se fosse o próprio Gato de Cheshire.

Aquele era o mesmo sorriso que ele exibia quando conseguia resolver um problema até então tido como um possível ou decidíamos almoçar kimchi — o que nunca significava coisa muito boa da parte de Seokjin. Até porque:

a) Toda vez que meu colega de fato solucionava algo difícil, eu era forçado a aturar o ego de Seokjin por tempo indeterminado (e uma grande parte de mim acreditava que, naquela tarde, os dois egos gigantescos de Jin e Taehyung não conseguiriam coexistir em paz dentro daquele minúsculo dormitório de faculdade).

e b) Quando o almoço acontecia de ser kimchi, eu nunca conseguia comer mais de algumas garfadas antes de ter minha refeição atacada por um Jin insaciável.

De um jeito ou de outro, Kim Seokjin havia me ensinado a não esperar coisas boas de seus sorrisos dignos do papel de Pennywise, de It — muito para o meu azar, ele havia acabado de lançar um em minha direção.

— Yoongi, eu irei lhe fazer algumas perguntas e você vai me responder honestamente, certo?

— Será que você poderia parar de sorrir para mim feito um palhaço que mora em um bueiro e mata criancinhas inocentes e relativamente burras?

— Eu falei que você não deveria ter deixado ele ver o filme do palhaço. — Taehyung pigarreou ao lado, recostando-se de conta a parede.

Jin o ignorou, assumindo uma posição muito parecida com a do Doutor House e que talvez tenha sido influenciada pelas maratonas intermináveis do seriado de médico que via quando deveria estar com a cara enfiada nos livros.

— O que você acha do Hoseok? — perguntou, como se fosse o homem mais sábio do mundo — ou, pelo menos, o homem mais sábio dentro daquele dormitório minúsculo.

— Irritante. Caótico. Desorganizado. Razoavelmente divertido.

— Com que frequência ele está em seus pensamentos? — Meu amigo prosseguiu.

Franzi as sobrancelhas.

— Não é como se eu pensasse nele constantemente. — Tentei explicar — É só que, toda vez que minha mente começa a divagar, estranhamente eu me sinto sendo atraído pelas suas feições de novo e de novo.

Jin fez uma pausa, balançou a cabeça e tornou a perguntar:

— O que você sentiu ao passar a noite inteira com ele?

Eu me remexi em meu lugar, irrequieto. A verdade é que ficar preso naquela biblioteca não havia sido nem um pouco ruim como eu achava que poderia ser — honestamente, eu esperava que os planetas fossem se desalinhar ou o Sol explodisse com toda sua força em direção a Terra pela simples aproximação de nós dois; como nada a não ser um alarme de incêndio sendo acionado havia acontecido, acreditei que deveria ser um bom sinal.

Talvez todo o mal agouro que vinha me perseguindo estivesse, gradativamente, se esvaindo. Ou talvez eu já houvesse me tornado um com o caos de Hoseok, de modo que a teoria que me lembrava tanto o garoto não me afetasse mais tanto assim.

— Não foi de todo ruim — assumi após alguns minutos em silêncio.

— Isso quer dizer que você sente como se fosse a metade dele? Que Hoseok é sua alma gêmea predestinada e vocês dois dividem o mesmo ser? Que vocês darão o nome de seu primogênito de Taehyung? — Meu amigo, que subitamente encontrou-se interessado no “teste” de Jim, perguntou de maneira eufórica.

Taehyung estava errado por diversos motivos (e eu não estava falando apenas do fato de que ele queria que meu primogênito fosse nomeado por sua causa). O principal deles, ou o único o qual valia a pena mencionar, era que quando eu estava com Hoseok eu não me sentia como a outra metade de alguém.

Eu me sentia como mais do que eu já era.

Pisquei duas vezes, sem entender de onde aquele pensamento completamente irracional havia surgido. Antes que pudesse reorganizar minha mente e descobrir o que tinha dado errado em meu lobo frontal para que pudesse transmitir uma constatação tão errônea, no entanto, Jin acabou por me interromper:

— Meu diagnóstico é: você está apaixonado, Min Yoongi, sinto muito — disse prontamente, por um breve momento quase se esquecendo de minha fobia e levando uma de suas mãos ao meu ombro. Para minha sorte, o estudante de psicologia pareceu ter recordado de algo fundamental acerca de minha personalidade — acredito que nenhum psicólogo digno iria esquecer um traço tão marcante de seu único paciente, mas, ainda assim, deixei passar — e pausou sua mão no ar no meio da trajetória. Ele tossiu para encobrir a falha — Mas veja pelo lado bom, Yoongi: eu posso me tornar o seu pseudo psicólogo-cupido de agora em diante!

Ele estava tão alegre com minha sentença de morte — vulgo “amor” — que tive vontade de estrangulá-lo inúmeras vezes.

— Isso aqui foi uma grande perda de tempo, eu não estou apaixonado por Jung Hoseok — disse decididamente, fazendo com que o olhar de êxtase que dominava Seokjin vacilasse por um segundo.

— Por favor, Yoongi, todos nós sabemos que você gosta dele. — Foi Taehyung quem argumentou, irritado com alguma coisa — Algo mudou dentro de você. Além do mais, não é como se fôssemos cegos e não conseguíssemos ver esse olhar que você tem toda vez que falamos dele.

— Que olhar? — questionei — Você sempre diz que eu pareço ridiculamente estúpido, então como é que consegue sequer diferenciar? Seu argumento é inválido.

— Sua vida é inválida — rebateu de maneira mordaz.

— Gente! Esqueçam isso de olhar! – Jin teimou, balançando suas mãos no ar a fim de ser mais uma vez o foco da conversa — Eu sou um psicólogo e eu estou dizendo que você está apaixonado. Aceite isso, Min Yoongi.

— Você sequer se formou ainda, Jin — suspirei — Não é um psicólogo.

— Não sou um psicólogo ainda — frisou —, mas irei me formar em um ano! — O sorriso em seu rosto surgiu novamente, mas dessa vez aparentava ser mais letal e destruidor que a própria bola de demolição daquele clipe da Miley Cyrus — E outra, quem vai te ajudar caso você decida virar o próximo Romeu e morrer por amor?

Eu girei minha cabeça em sua direção lentamente. Será que eu tinha escutado certo e Seokjin havia, de fato, dito “morrer”? Oh, não. Como se já não fosse castigo o suficiente estar apaixonado por Jung Hoseok — em teoria —, eu agora também teria de lidar — em teoria — com as alterações que esse cabeça descolorida faria — mais uma vez, em teoria — em meu encéfalo?

Eu certamente não estou preparado para isso! Onde será que posso apertar para voltar para a época em que minha única grande preocupação era manter Jin fora de sua cama e não deixar Taehyung matar ninguém antes de se formar?

Um milhão de pensamentos perpassaram meu cérebro dentro daquele pequeno intervalo de tempo em que levei para digerir a notícia — e, ainda que houvessem inúmeras coisas que gostaria de dizer, a única que acabou deixando meus lábios naquela fatídica tarde sem aula foi:

— Espera, amor leva ao suicídio? Oh meu Deus, onde eu fui me meter?


Notas Finais


❁ Gente, o capítulo foi um tanto filler, mas espero que tenham gostado (ele será essencial lá na frente!!!)

❁ UM BEIJO BEM GRANDE DA KIARA, PERDOEM OS ERROS EU NÃO REVISEI DESSA VEZ D:

Encontre-me nas redes sociais!
Twitter: twitter.com/yoonsxeok
Grupo do WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/1thmuXfBLM1K5e3anVUKQB
CuriousCat: https://curiouscat.me/joshuahxng
xx kiara

p.s.: manos, eu citei "It" porque eu vi, mas, cara, eu não sei nem pq entrei nessa sala de cinema. eu tenho fobia de palhaços e chorei duas vezes T.T


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...