História The Hate Before The Love - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Red Velvet
Personagens Irene, Joy, Seulgi, Wendy, Yeri
Tags Red Velvet, Seulrene
Visualizações 83
Palavras 2.780
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bom, era para eu dizer isso no terceiro, mas agora...no sexto rsrs, eu digo que esse é o último capítulo !!

Boa leitura !

Capítulo 6 - É apenas um amor.


Eu subo as escadas rapidamente, fechando a porta do quarto atrás de mim. Jogo minha mochila no chão e logo depois me atiro em cima da cama, respirando fundo.

Levo os dois braços em cima dos olhos, fechando-os e colocando meus pensamentos em ordem. Após alguns segundos, eu me sento rapidamente na cama e fito o diário que descansa em cima de minha mesa de estudo.

Passo as mãos lentamente por cima da capa do objeto, olhos fixados em minhas unhas que estavam pintadas na cor de esmalte favorita de minha avó, assim como meu dedo indicador que carregava o anel que ela me deu de presente.

Suspirando levemente e piscando os olhos para espantar as lágrimas, eu procuro uma data específica em meu diário.

09 de julho, 2014.

Querido diário,

Ontem eu e minha avó ajudamos muitas pessoas, isso me deixa feliz. Um garotinho me deu um pirulito depois que eu tratei seus machucados, foi muito fofo.

Hoje eu e vovó pegamos um voo da África até a Europa, ela queria reencontrar uma velha amiga.

Nós duas esperávamos sua amiga sentadas pacientemente em um parque londrino, tomando sorvete.

De repente, duas senhoras que aparentavam a idade de minha avó se aproximam de nós, de mãos dadas.

Minha avó se levanta rapidamente com um olhar desconfiado mas ainda sim recebe sua amiga e a outra senhora com um sorriso simpático.

Ela ordena que eu fique sentada ali enquanto as três conversavam. Eu observo de longe enquanto as senhoras contam algo para minha avó, e logo depois se olham com sorrisos no rosto. Eu abro um sorriso involuntariamente, mas que rapidamente se desfaz quando eu testemunho a desaprovação de minha avó, ela balança a cabeça como se não acreditasse e faz uma expressão de nojo.

As duas senhoras ficam ali espantadas enquanto minha avó caminha rapidamente até mim, puxando meu braço e nos guiando para longe dali.

Eu respiro fundo, contendo minhas lágrimas e viro a página do diário.

10 de julho, 2014.

Querido diário,

Eu finalmente compreendi o que aconteceu ontem no parque, vovó me contou...

Sua amiga estava apaixonada pela outra mulher mas como elas eram mais velhas, a relação entre elas não era aceita em nossa sociedade. Elas se mudaram para a Europa, onde seriam mais bem aceitas.

Eu fiquei muito feliz pelas duas, mas minha avó me repreendeu furiosamente, dizendo que eu não deveria.

Segundo ela, aquela era uma relação baseada em pecado e Deus condenava.

Eu não conheço Deus pessoalmente, mas por que ele condenaria o amor ?

Minha avó responde que o problema não era o amor, mas sim o amor entre dois do mesmo gênero.

Ela disse que é uma abominação e ela cortaria laços com qualquer pessoa que o praticasse.

Então...isso significa que o amor que sinto por Joohyun é sujo e errado ?

Não conseguindo mais ler nenhuma palavra de minha versão mais nova, eu fecho o diário com força, deixando as lágrimas finalmente se libertarem.

De todas as pessoas de quem eu procuro aprovação, minha avó é a única que condena o amor que eu sinto, por que ? Por que logo ela, a mais importante ?

Eu enxugo rapidamente meu rosto, controlando meu choro. Tomo um banho rápido e troco o uniforme de escola, vestindo uma roupa confortável e um moletom por cima da blusa.

Eu jogo o capuz em cima de minha cabeça para que meus pais não notem meus olhos vermelhos e saio de casa rapidamente.

--------//--------

“Oi, vovó. Como a senhora está ?” Eu cumprimento entrando no quarto da clínica.

“Ah, minha netinha preferida !” Os olhos da mulher se acendem e ela tenta se sentar, com muita dificuldade.

“Ei, não se esforce vovó !” Eu digo correndo até ela e ajudando-a a se sentar.

“Você sabe muito bem cuidar de alguém doente, quem te ensinou ?” Ela brinca com um fraco sorriso nos lábios.

“Eu tive a melhor professora de todas” Eu digo me sentando na cama, ao lado dela. Eu pego a mão da idosa que tremia e levo até meus lábios, beijando levemente. Ela me lança um sorriso feliz, e eu retribuo na hora.

“Eu preciso te contar uma coisa vovó...” Eu digo com os olhos lacrimejantes.

“Então conte logo querida, porque eu não acho que me resta muito tempo aqui nesse mundo !” A mulher diz dando uma risada rouca e eu faço o mesmo, franzindo o cenho enquanto preparo o que vou dizer.

“Sabe vovó...eu deveria ter te contado isso muito tempo atrás, mas sempre tive medo e sempre achei que eu estava com defeito ou algo do tipo” Eu começo e minha avó me olha confusa.

“Eu deixei de passar momentos felizes ao lado da garota que eu amo pois a senhora disse que era errado. Como você odiava tanto esse tipo de relação eu achei que o certo a se fazer era odiar a pessoa que estava me arrastando para algo errado” A máquina ao lado que cronometrava o batimento cardíaco de minha avó acelera um pouco com minhas palavras.

“Você vê...eu era uma adolescente confusa na época, eu não entendia direito porque era errado mas eu acreditei porque a senhora disse que era. Mas agora eu percebo vovó, quem estava errada todo esse tempo era a senhora” A mulher aperta a minha mão com certa força.

“Eu estou quase perdendo a garota que eu amo por causa de algumas palavras que a senhora disse para mim alguns anos atrás, que ficaram cravadas na minha mente e coração. Mas eu não vou deixar isso acontecer, daqui a alguns minutos quando eu confessar para ela tudo o que sinto eu quero estar com a consciência limpa, é por isso que eu vim até aqui contar para a senhora” Eu passo o braço rapidamente por cima de meus olhos, enxugando-os.

“Eu sinto muito se sou uma decepção para a senhora, mas sinto mais ainda pelo fato de a senhora achar que a orientação sexual de uma pessoa define seu caráter” Eu termino com os olhos fixados no anel que ela me deu.

A mulher respira profundamente, balançando a cabeça aos poucos.

“Ah, minha neta querida...” Ela diz dando leves tapas em nossas mãos juntas.

“Eu sinto muito que aquelas palavras que proferi em um momento de raiva te prejudicaram tanto assim, meu bem. Sabe...eu cresci com valores totalmente diferentes dos seus minha querida, e vou levá-los para o túmulo comigo” Ela diz sorrindo levemente.

“Não é nessa altura do campeonato que eu vou mudar de opinião, eu continuo achando que é errado. Mas eu sou de uma geração ultrapassada querida...muita coisa que é errado para mim é certo para você, eu tenho dificuldade em aceitar mas é assim que as coisas são !” A mulher exclama arqueando as sobrancelhas em sinal de frustração.

“Eu não concordo daquela relação de minha amiga com outra mulher e também não darei minha benção para a sua, se é para isso que você veio aqui” Ela pausa por um segundo procurando alguma objeção em meu rosto mas eu deixo-a prosseguir.

“Mas coloque isso em sua cabeça, minha neta : você não é uma decepção para mim, pelo contrário, você é meu maior orgulho ! Eu não tenho vergonha de falar para toda a família que você é minha favorita. Quando eu disse que queria cortar relação com pessoas como você, há anos atrás, foi um momento de raiva” As palavras de minha avó me deixam um pouco mais tranquilas.

“Sabe Seulgi, eu tenho um Deus e tenho fé nele. Mas tenho plena consciência que minha mente pecadora nunca irá compreender todos os seus planos. Eu não sei qual o plano dele fazendo pessoas como você, mas como uma boa fiel eu confio nele. Você não deve deixar de lado sua felicidade porque alguém a julga imprópria, ela é sua afinal de contas ! Nem mesmo se a pessoa que acha errado sou eu, sua amada avó” Minha avó mal termina o que dizia e eu já envolvo-a em um abraço apertado.

“Eu te amo vovó !” Sussurro contra a roupa hospitalar que ela usava.

“Eu também amo você querida. Agora pare de fazer meu coração acelerar assim, você já me quer morta ?” A idosa brinca, logo depois tossindo violentamente.

“Acho melhor a senhora descansar agora vovó !” Eu aconselho deixando um leve beijo em sua testa.

Eu chamo uma enfermeira para prepará-la para dormir, entregando-lhe um comprimido e um pouco de água. Minha avó resmunga enquanto se deita novamente na cama.

“Descansar, descansar...daqui a pouco eu morro de tanto fazer isso ! Vocês jovens estão subestimando esse camarada aqui !” Ela resmunga apontando o dedo para o seu coração. Eu assisto tudo rindo da cena, juntamente com a enfermeira.

Me sento na cadeira em frente a cama de minha avó, vigiando-a enquanto a mesma adormece serenamente. Longos minutos mais tarde, meus olhos caem sobre o relógio na mesa de canto, marcando sete da noite. Eu deixo um último beijo na testa de minha avó antes de partir.

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Eu paro em frente a casa, tirando o capuz da cabeça e ajeitando meu cabelo um pouco. Enquanto caminho até a varanda da frente percebo pela janela que apenas uma luz fraca iluminava o quarto, provavelmente do abajur.

Eu paro no meio do caminho quando estou prestes a tocar a campainha, respirando fundo. Finalmente, eu toco uma vez e dou um passo para trás, esperando impacientemente.

Escuto passos descalços descendo as escadas e logo depois caminhando até a porta. E depois, nada.

Eu franzo o cenho e bato na porta mais duas vezes, achando que fui ignorada.

“O que você quer Seulgi ?” Escuto a voz de Irene do outro lado da porta. Me aproximo do vidro ao lado da porta e vejo que ela está com as costas apoiadas na porta.

“Será que...q-que eu posso tentar me redimir ?” Eu questiono, a ansiedade em minha voz me traindo.

A garota fica em silêncio por um longo tempo. Eu suspiro e dou dois passos para trás, começando a me retirar, quando escuto a porta sendo destrancada.

Me viro de volta rapidamente e sinto meu coração se acelerar quando eu a vejo. O cabelo preso de qualquer jeito e um moletom que era quase o seu dobro. Eu abro um grande sorriso e caminho de volta até a porta, ficando frente a frente com ela.

Irene cruza os braços enquanto espera que eu diga alguma coisa. Começo a enrolar meus dedos e solto um suspiro trêmulo, tentando falar alguma coisa. “E-eu...” Eu paro antes mesmo de começar e ela arqueia as sobrancelhas, como se mostrasse impaciência.

Em um rápido movimento eu pego a maçaneta da porta e fecho-a, deixando ela do lado de dentro e eu de fora. “Eu não acho que consigo dizer olhando nos seus olhos...” Confesso pressionando a testa na madeira da porta.

“Espera, me dá um segundo” Eu peço tentando controlar meu coração.

“Escuta Seulgi-“

“Eu acho que meu coração vai explodir toda vez que você sorri e seus olhos tomam uma forma que parece uma lua crescente, ou toda vez que você tem que dizer algo para a turma toda e fica olhando para os pés porque é muito tímida” Eu paro por um segundo esperando a reação.

“Continua...” Escuto ela sussurrar do outro lado da porta.

“Quando você está concentrada no seu livro, suas expressões mudam levemente de acordo com a cena e é muito fofo, ou quando você puxa a manga da sua blusa e leva até o nariz para sentir o cheiro ou se proteger do frio” Eu listo com um sorriso nos lábios e os olhos fechados.

“As vezes quando você teve um dia puxado com reuniões do conselho escolar você sai da sala e puxa a gravata e depois abre os primeiros botões do uniforme, deixando sua clavícula a mostra e é uma das visões mais sexys desse mundo. Toda vez que você deixa seu lado tímido de lado e se anima demais com alguma coisa, você começa a falar no seu dialeto e eu tenho vontade de te pegar nos meus braços e te sufocar de tanto beijar” Escuto Irene rindo do outro lado e logo depois fungando, indicando que ela estava chorando.

“Eu quero conhecer cada pedaço de você Joohyun. Cada parte do seu corpo, do seu coração, sua vida, seus sonhos...tudo. Porque você não me completa, você simplesmente me transborda” A cada confissão que eu fazia era um peso tirado de minhas costas, mas também fazia meu coração ficar mais frenético.

“Por que você demorou todo esse tempo ?” Ela pergunta.

“Me perdoa. Eu queria tanto te dizer a verdade mas...tinha algo, ou melhor, alguém me impedindo” Eu digo e ela fica em silêncio, entendo como permissão para continuar.

“Lembra que eu te contei da minha avó ? Bom, a viagem que eu fiz com ela não foi somente flores. Eu descobri que minha avó é homofóbica, testemunhei ela dizendo palavras de condenação contra nós e isso ferrou com meu psicológico”.

“Porque desde que eu era uma criancinha ela foi o meu maior modelo como mulher e pessoa, eu sempre buscava ela por conselhos, eu queria ser como ela quando crescesse. Quando eu descobri que ela odiava pessoas como eu...meu mundo desmoronou” Eu relembro as memórias dolorosas.

“E-eu tinha só 14 anos e não sabia que quem estava errada era ela e não eu. Então eu pensei que...já que minha avó odeia amor entre duas pessoas do mesmo gênero, eu vou começar a te odiar por fazer minha avó me odiar. Parece que não deu certo...” Eu digo com uma risada abafada.

“Por mais que eu sempre aparentei te odiar no fundo eu sempre...e-eu sempre...” Fecho os olhos fortemente tentando dizer as palavras pela primeira vez.

“Você sempre...” Ela me motiva a dizer.

“Eu sempre te amei” Provavelmente este foi o suspiro mais alto que exalei toda a minha vida.

Eu permaneço com os olhos fechados enquanto espero a resposta dela que parece demorar uma eternidade. “Eu posso abrir a porta agora ?” Ela pergunta com uma leve risada.

“Por favor” Eu respondo ainda com os olhos fechados. Escuto a porta se abrir lentamente e meu coração se acelera.

“Você não vai abrir os olhos ?” Ela questiona dando risada. Eu abro apenas um olho dramaticamente e ela ri mais ainda. Abro o outro e mostro um sorriso igual ao dela.

A garota puxa minhas duas mãos e eu percebo como as suas tremem levemente.

Levanto minha mão e acaricio seu rosto como se fosse uma pedra preciosa e delicada, meus olhos apreciando cada feição de seu rosto. Pela primeira vez naquela noite eu tomo coragem de olhar no fundo de seus olhos, que carregavam um brilho tão lindo como a lua acima de nós.

Eu sinto a mão de Irene deslizar por minha cintura e seus dedos descansarem dentro do bolso de trás de minha calça. Ela sorri descaradamente enquanto se aproxima levemente e eu fecho os olhos por instinto.

Os lábios de Irene se encontram com os meus levemente, fazendo meu corpo se arrepiar. Todas as coisas boas que eu senti no nosso beijo da festa se repetiu, mas agora não existia mais medo, hesitação ou insegurança.

Meus dedos descansam em sua nuca e eu aprofundo mais nossos rostos. Uma sensação eletrizante percorre minha espinha quando ela passa a língua por cima de meus lábios e logo depois invade minha boca.

Segurando seu rosto com ambas minhas mãos, eu deixo nossas bocas se encontrarem por mais alguns segundos antes de me afastar levemente. Irene sorri ainda com os olhos fechados e passa seus dois braços em volta de minha cintura, deitando o rosto em meu ombro.

Eu levo meus braços em volta de seu pescoço e descanso meu rosto no topo de sua cabeça, inalando o cheiro de seu cabelo.

“Se eu pudesse voltar no tempo eu lhe daria todo o tempo do mundo para você se resolver com sua avó sem te julgar mal” Ela sussurra contra o tecido de meu moletom.

“Se eu pudesse voltar no tempo eu te amaria do jeito que você merece desde o começo” Eu digo com meus lábios roçando em sua testa.

Ficamos abraçadas ali por mais alguns minutos, e eu não reclamaria se ficássemos assim a noite toda.

“Sabe...eu acabei de reparar em algo” Ela diz descansando o queixo no meu peito e olhando para mim.

“Hm...o que é ?” Questiono olhando levemente para baixo, beijando seu nariz.

“Eu não preciso mais me preocupar em ficar no seu time adversário na queimada” Ela diz com uma risada infantil.

“Aish !” Eu exclamo, movendo nossos corpos de um lado para o outro enquanto Irene dá gargalhada.


Notas Finais


Eu queria agradecer a todo mundo que leu, favoritou, comentou ou mostrou qualquer tipo de interesse pela história, muito obrigada !!

Espero que vocês tenham gostado do final e até a próxima !!


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