História The Heretics - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Crime, Drama, Ficção, Guerra, Hereges, Igreja Católica, Revolução, Romance, Sangue, Suspense
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Palavras 1.483
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo V


Fanfic / Fanfiction The Heretics - Capítulo 5 - Capítulo V

New York, 30 de janeiro de 2034. Terça-Feira. 12:22. Condomínio Residencial São Bento.

Kiro estava no banho, lavando o sangue do corpo. Sua cabeça estava fixada na cena em que vira no quartel, das civis que foram salvas da execução. Como pode um ser humano torturar outro com tamanha frieza?, pensa ele.

Kiro sabia que Khowz passara por processo semelhante durante a adolescência, e que durante a guerra da Rússia contra a Igreja ele foi usado como cobaia para experimentos genéticos e biológicos, que afetaram seu metabolismo e seu DNA de forma radical.

Aquelas pessoas olharam para Khowz com toda a esperança do mundo quando ele apareceu. Logo, ela foi se apagando quando perceberam que Khowz não ia ajudar. Seu meio-irmão era um homem frio. Mais frio que os padres.

O jovem nipo-americano, enquanto se ensaboava, pensava apenas naquelas três pessoas. Outrora houvera outro naquela situação.

No dia em que seu pai, Yoki Ushuki, chegou com Khowz, na época um garotinho de oito anos, estava chovendo muito, e ele só era esperado para dali a uma semana.

Ele estava brincando na sala, enquanto sua mãe assistia à televisão, quando a porta de repente se escancarou e seu pai adentrou o aposento com um garoto adormecido nos braços. Ele estava muito machucado: havia marcas arroxeadas em seu rosto e braços, sua testa estava enfaixada e sua respiração, sufocada.

- O que é isso, Yoki? - perguntou sua mãe, Jacelyn Ushuki. Ela era americana. Possuía cabelos cor de mel, olhos verdes e traços suaves, que faziam-na parecer mais nova.

Kiro saíra mais ao seu pai. Tinham os mesmos olhos puxados, o mesmo cabelo negro e liso como seda. Ambos possuíam os mesmos traços bem definidos.

- Depois explico, amor - disse seu pai, com calma. - Me ajude a levá-lo lá pra cima. Prepare a cama do Kiro pra ele.

- Papai, onde eu vou dormir? - perguntou o garotinho que era.

- Filho, essa noite você vai ter que dormir conosco - respondeu seu pai, enquanto levava o garoto até o andar de cima.

Essa recordação traz um sorriso em seu rosto. Como ele odiara Khowz naquele momento! Até o fim daquela semana o garoto não saíra do seu quarto. Ele apenas dormia!

Então, um dia, ele estava deitado no sofá, assistindo ao seu programa favorito, quando escuta passos vindos da escada. Ele estava sozinho em casa, pois seus pais tinham ido ao mercado.

Kiro viu Khowz, parado na escada, encarando-o com uma expressão assustada no olhar. Ele percebeu que o garoto arrancara a faixa da cabeça. Ele sorriu, tentando tranquilizá-lo, mas só recebeu uma encarada vazia de volta.

- Oi - disse ele, a voz um pouco trêmula. Aquele garoto o assustava. - Você tá bem?

O garoto apenas o encarava, com uma expressão vazia no olhar.

- Você não entende o que eu falo, entende? - perguntou Kiro.

Khowz não respondeu nada. Ele apenas subiu novamente as escadas.

No chuveiro, uma batida na porta o faz voltar à realidade. Uma voz mal-humorada segue a batida:

- Sai daí logo, porra! - a voz de Lexor era inconfundível.

- Pera aí - responde Kiro, se enrolando na toalha.

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New York, 31 de janeiro de 2034. Terça-Feira. 02:58. Condomínio Residencial São Bento.

Hannah estava deitada em sua cama, olhando para o teto e escutando as respirações regulares de Annah e de Jessica. Sua cabeça estava cheia de pensamentos sobre a invasão ocorrida, principalmente sobre o estado daquelas três pessoas.

Hannah já vira muitos horrores na vida, mas a tortura que o pessoal da Inquisição infligia sobre seus prisioneiros era algo que ela não conseguia se acostumar.

Com um suspiro, ela joga suas cobertas para o lado e se levanta. Silenciosamente, caminha até o seu armário e pega, com cuidado, um casaco. As calças de seu pijama bastariam para esquentar suas pernas.

Hannah sai do quarto, fechando a porta cuidadosamente e se dirige ao telhado. O vento frio soprava forte, fazendo-a se arrepiar e estremecer. Nevava um pouco, a neve caindo conferindo um decoro especial à noite.

O telhado era um quadrado largo, de onde se podia ver grande parte da cidade. Havia uma mureta baixa para a segurança do residente.

Sentado na mureta, estava Khowz, encarando a cidade.

- Vem cá - chama ele, quebrando o silêncio e a assustando. - Olha como a cidade tá bonita hoje.

- Como você sabia que era eu? - pergunta ela.

- Agora eu sei - responde ele, virando a cabeça para encará-la. - Vem cá ver.

Hannah se aproxima da mureta. Khowz sentava-se nela, como se não houvesse uma queda de 30 metros até o chão, no caso dele se assustar com algo ou escorregar ao tentar sair dali.

A vista era realmente maravilhosa. A neve caía sobre a cidade e a cobria como um véu branco. A iluminação era como uma aura branca, e fazia a paisagem parecer mágica.

- Linda, não? - diz Khowz, com sua voz baixa e calma.

- Sim - concorda ela, ainda olhando a paisagem.

- Me ajuda a dormir, quando não consigo - diz ele, parecendo distante.

- Pesadelos? - pergunta ela.

- Alguns - ele dá de ombros. - Fantasmas do passado.

- Ah, sim - diz ela, agora olhando para ele. - Não quer falar sobre?

Seu olhar continuava encarando a cidade adormecida que se estendia diante dele. Havia uma tristeza velada em seu olhar.

- Melhor não - diz ele. - Existem portas que é melhor deixar fechadas.

- Tá, não vou tocar no assunto - diz Hannah.

- Imagino que os acontecimentos da manhã te assombrem - diz ele. - Tô errado?

- Não.

- Você, e os outros, me julgam por aquilo - diz ele, simplesmente - Não precisa negar. Deixa eu te dizer, se nós tivéssemos levado ela com a gente, ia dar merda. Ninguém ia sair de lá.

“Elas iam morrer de qualquer jeito. Nem mesmo o poderoso Deus podia fazer algo pra evitar aquilo. Aqueles maníacos iam matar elas de qualquer jeito mesmo.”

- Eu sei - diz Hannah. - Pensei a mesma coisa. Mas ainda não consigo tirar aquelas imagens da minha cabeça.

- Com o tempo, a gente aprende a ignorá-las - diz Khowz. - Na Rússia, eu era assim também. Tudo mudou na segunda semana de combate.

- O que aconteceu? - pergunta Hannah, curiosa. Um vento fraco sopra, fazendo-a estremecer.

- Quer entrar? - pergunta ele. Ela faz que não com a cabeça. - Estávamos no norte da Sibéria, em busca de abrigo para passarmos. Éramos 22, mais o comandante, um tenente do Exército Popular.

“Caminhávamos havia três dias, porque nossos veículos foram destruídos nos combates, e tínhamos que chegar numa pequena vila setenta quilômetros a leste. Nossa comida tava acabando e a munição do pessoal também. Ao anoitecer, chegamos na tal vila. Só restavam cinzas e sangue. Havia corpos por enterrar por todos os lados, azuis e encolhidos por causa do frio. Alguns haviam sido atacados por lobos ou corvos. A neve estava vermelha, e no centro da vila havia três cruzes. Eram estacas, onde estavam empaladas cabeças de crianças. Uma placa havia sido deixada ao lado das cruzes. ‘Esse é o futuro dos hereges’, dizia. Eu tinha 13 anos quando vi aquilo.”

Ele faz uma pausa.

- Três dias depois, encontramos os soldados inimigos fazendo a mesma coisa em outra vila. Foi ali que comecei a gostar de matar esses vermes. Alguns dizem que foi crueldade em excesso. Você conhece o que aconteceu ali. Os Treze Mártires.

Hannah assente. Os Treze Mártires foram treze soldados da Ordem dos Guerreiros da Paz que foram crucificados de cabeça para baixo, nus, expostos ao rigor do tempo e dos predadores noturnos. Seu martírio, alguns diziam, tinha durado dois dias. Khowz dizia que foram apenas algumas horas, por causa do frio.

Mas uma pausa se segue.

- Fora esse, houveram mais alguns horrores que testemunhei por lá - diz ele. - Em todo lugar tem um pouco - ele aponta para um terraço de um prédio mais baixo. - Ontem, tavam queimando alguns hereges ali. Gente comum de outra religião, só isso.

- Por isso, devemos acabar com essa tirania de uma vez - diz ela. - E, também, ajudar as pessoas.

Ele olha para ela.

- Sim, devemos. Mas precisamos saber quando ajudar as pessoas, e quando isso vai ser uma idiotice. É melhor você ir dormir. Amanhã, vamos atrás daquele filho da puta de novo.

- Tá, boa noite, Khowz - diz ela, com a voz suave.

Ela estava com a mão na porta quando ele a chama.

- Hannah.

- Sim? - pergunta ela, curiosa.

- Espero que agora você entenda o meu comportamento em relação aos nossos inimigos.

- Entendo sim - diz ela. - Obrigada por me esclarecer.

Quando ela se vira para fechar a porta, ele estava novamente olhando para o horizonte.



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