História The Last Few Bricks - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Pink Floyd
Personagens David Gilmour, Nick Mason, Personagens Originais, Richard Wright, Roger Waters, Syd Barrett
Tags Drama, Pink Floyd, Romance
Visualizações 3
Palavras 4.098
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Chapter IX


      Londres, 1 de Fevereiro de 1980

       Sophie Pov

       O que eu havia acabado de vivenciar? Estava, de fato, um pouco, mas não muito, chocada e assustada, o que eu poderia fazer em relação a isso? Acabei gerando uma briga enorme com perguntas nas quais fora obrigada a perguntar, porém o comportamento de Roger havia sido um tanto inoportuno partindo do princípio de que havia dito posteriormente que não era algo completamente obrigatório. Agora não sabia o que fazer já que tinha apenas sete respostas de no mínimo quatorze perguntas, o pior de tudo é que eu teria de falar sobre isso com meu chefe...

       Se tinha algo no qual realmente me apavorava era o fato de que tinha pouquíssimo tempo para organizar tudo e que meu chefe provavelmente iria propositalmente diminuir o tempo para me colocar mais pressão, quero dizer, mais do que já estava me sentindo, sequer sabia o que dizer ao homem desagradável por trás daqueles suspensórios, dizer quem sabe que não havia devido ao elevado ego e desinteresse de Roger Waters e suas discussões constantes com David Gilmour?

       Quando finalmente consegui raciocinar o que havia acontecido, me vi já dentro de meu carrinho amarelo, apoiada no volante com uma expressão de choque em meu rosto, minhas mãos presas ao volante, estava mentalmente surtando, aquilo que era uma vantagem já que tudo ocorria apenas em minha mente, porém como desvantagem, qualquer um que chegasse a olhar através de minha janela fechada, poderia ver a transparência na qual carregara e utilizava indevidamente por mostrar tudo que pensava e sentia, sendo ela a menor coisa que fosse.

       Com minhas mãos trêmulas, dei partida no carro e comecei a dirigir em velocidade baixa, já estava completamente escuro devido à chuva e o nevoeiro. Agora imagine dirigir em tais condições mentais em meio a esta tempestade, seria algo relativamente perigoso! Pelo menos não tinha faltado em nenhuma das aulas de direção. Se tinha algo que eu odiava era dirigir em dias chuvosos, principalmente porque o caminho para a Melody Maker era um tanto quanto lotado, eventualmente lerdo, era um horror. Meu maior ódio, não só ódio, era algo digno de repúdio, era aquela avenida, lugar mais asqueroso impossível.

       Já dentro da Melody Maker, comecei a estranhar o fato de que estava completamente escuro. Os elevadores não funcionavam, porém era possível ouvir as passos no andar de cima, eram rápidos e fortes, algo realmente relevante deve ter acontecido quando estive fora. O que estava acontecendo? Era o que me faltava eles estarem assim apenas por causa de uma forte tempestade, foi apenas uma queda de energia.

       Calmamente com minha bolsa no ombro e um walkman na mão, comecei a subir os quatro andares de escadas com os fones no ouvido para finalmente chegar ao andar onde trabalhava junto com os outros redatores que mais pareciam crianças com medo do escuro. Não que eu não tinha medo do escuro, era uma questão de pavor mesmo, um pavor no qual carregara desde pequena. Fobias a parte que tinha de esconder apenas com o intuito de parecer profissional. O que era engraçado de se pensar era o fato de que uma grande empresa não tinha a opção de não ficar no escuro, luzes de emergência, quem sabe velas servem para isso.

       Acabei chegando extremamente ofegante no quarto andar, se tinha algo que não era totalmente acostumada era subir inúmeros lances de escadas, era um ótimo exercício paras as pernas, porém preferia minha vida de sedentária. Por todos os lados os editores davam seus pulos para poder continuar seus trabalhos mesmo sem energia, sendo com velas ou lanternas, já outros estavam indo para casa terminar lá, caso estivessem com energia. Estava reconsiderando ir trabalhar em casa também, mesmo não sabendo o que teria de fazer já que minha entrevista foi para os ares.

       Tudo que eu fiz fora bater na porta da sala de meu chefe e tirar meus fones de ouvido, sempre rezando para que ele tivesse piedade de minha situação, ou que no mínimo ele pudesse marcar outra entrevista para mim, ela poderia ser feita em dois dias, David e Nick amanhã, Richard e Roger na quarta. De preferência tudo na parte da manhã para que então depois eu pudesse me organizar e já começar a preparar tudo, se tinha algo que eu odiava era ter que fazer tudo às pressas como estava fazendo agora, ainda mais quando se tratava de algo tão grandioso assim.

- Entre... – A voz ecoou do outro lado da sala.

       Assim que abri a porta, ela segunda vez no dia fui recebida com um forte cheiro de cigarro, aquele no qual acabou impregnando mais uma vez minha roupa e meus cabelos, se tinha algo que eu duvidava era que ele apenas estava fumando cigarros naquela sala, parecia-me um cheiro mais forte do que apenas um mero cigarro de nicotina, porém já havia sentido este cheiro outras vezes durante meus meses de trabalho, apenas me recusava aceitar que era mesmo o que eu estava pensando. Para minha surpresa, ao entrar na sala, acabei me deparando com o senhor Coleman conversando com um rapaz, ambos riam e fumavam, desfrutando de uma boa conversa, aquilo que eu não esperava era quem era o convidado presente em sua sala.

- Senhorita Turner, minha cara, o que deseja? – O senhor pergunta, reclinando-se em sua cadeira.

- Bem... Eu... Como posso lhe dizer... – Digo, colocando meus cabelos atrás das orelhas.

- Sophie, nos encontramos de novo – O rapaz loiro diz, se virando com um sorriso estampado no rosto.

       Mais uma vez meus palpites estavam certos, portanto, a questão na qual me deixara extremamente curiosa era o que David estava fazendo aqui e como ele havia chegado tão rápido aqui. Era o que me faltava ele ter decidido contar logo ao meu chefe pessoalmente o desastre no qual fora minha entrevista, estaria perdida se ele fizesse isso, porém não era isso que seu sorriso um tanto maroto indicava, ainda mais quando seguido de uma piscadinha com seu olho esquerdo.

- Estava dizendo ao seu chefe o quão maravilhosa foi a entrevista, infelizmente não tivemos tempo o suficiente para termina-la, tantas perguntas esplêndidas porém um pequeno tempo para responde-las, ainda mais depois do imprevisto que surgiu para Roger, não é mesmo? – Novamente ele sorri, passando a mão em seus cabelos.

       Naquele momento me senti tão pressionada como nunca, mal conseguia olhar para eles, se tinha algo no qual eu odiava era ter de mentir, ainda mais para aquele que paga meu salário, o que aconteceria comigo caso ele descobrisse a verdade sobre a entrevista? Seria demitida e iria para meu novo trabalho com fama de mentirosa, conseguia até ouvir em minha mente vozes nas quais imitavam os comentários nos quais teria de ouvir. “Como você ousa ter mentido para mim mocinha? Tem noção do que isso me causou? Onde já se viu uma jornalista séria como você mentir para seu próprio chefe? Vou ligar agora para o rapaz no qual a indiquei para que ele não a contrate e irei a difamar para toda a cidade, assim você não terá com o que trabalhar, sua grande mentirosa”. Pensar nisso começou a me fazer suar frio, porém já era tarde demais, havia me perdido tanto em meus pensamentos pessimistas que quando percebi, havia dito as seguintes palavras tão devagar que até parecia uma estátua programada para dizer tais coisas, se é que isso era possível.

- É mesmo uma pena, Senhor Gilmour, não culpo Roger pelo imprevisto, ele parecia disperso com algo em específico então não podíamos apenas mantê-lo encarcerado dentro de sua casa durante a entrevista, mas se este for o caso podemos marcar entrevistas separadas entre cada um dos membros, desde que seja antes de quarta à tarde pois, é quando eu tenho de entregar tudo para ser publicado na quinta de manhã.

- Ótimo, para mim está perfeito, no caso, porque esperar? Podemos começar a minha logo hoje, se não se sentir incomodada, é claro, até porque, presumo que uma moça tão ocupada não deve estar disponível – David diz, voltando seus olhos azuis para o Senhor Coleman.

- Por mim tudo bem, desde que seja feito logo, marcarei outras duas amanhã e outra na quarta logo cedo, lhe mandarei um fax com as informações e os horários.

- Tudo bem, obrigada Senhor Coleman e a propósito, estou disponível sim, desde que seja antes das quatro horas, pois eu tenho outras coisas a fazer, podemos começar agora, porém não aqui já que estamos sem energia e está chovendo um horror – Digo, piscando bem devagarinho enquanto tentava assimilar tudo o que estava acontecendo, algo que era quase impossível quando se tinha vozes na cabeça lhe dizendo como tudo aquilo tinha total chance de não só dar errado, mas como também tinha a probabilidade de dar certo e acabar saindo um total fiasco no qual poderia mais uma vez me prejudicar, ou até mesmo me colocar direto no olho da rua.

- Que tal em sua casa? Estando lá você já vai poder deixar tudo pronto para quando for editar, não só isso, mas como também poderá já se preparar devidamente para aquilo que tem de fazer às quatro horas – David pergunta, se levantando vagarosamente da cadeira, olhando fixamente em meus olhos como se os comesse apenas de olhar neles.

- Por mim tudo bem, agora se me dão licença, vou pegar minhas coisas em minha mesa, pode me esperar na garagem, Senhor Gilmour, é algo bem rapidinho – Respondo, saindo de lá ainda um pouco assustada e confusa com tudo aquilo que estava acontecendo, era tudo muito improvável e até mesmo muito instável para alguém que conseguia ver os dois lados da moeda de uma só vez.

       O que estava acontecendo comigo hoje, parecia que todos meus transtornos psíquicos decidiram me atacar diretamente tudo de uma vez justo em um momento tão importante e decisivo de minha vida. Custava saber o que eles houveram reservado para mim esta tarde, ainda mais quando passaria metade dela com alguém no qual me sentia totalmente desconfortável perto, ou pior, o que minha mãe falaria ao ver eu entrando em casa com um homem no qual ela nunca viu na vida? Era capaz dela achar que eu estava namorando ele escondido dela, porque eu fui concordar em fazer a entrevista logo em minha casa?

       Após quase meia hora presos em um trânsito no qual apenas me dava mais vontade de cometer suicídio em cada minuto que se passava, finalmente conseguimos chegar em minha casa, aquela que eu realmente esperava que não estivesse com visitas, era tudo que me faltava alguém me perguntando se eu finalmente havia encontrado alguém para mim depois de tanto tempo. Claro que eu havia encontrado, mas ele não se chamava David Gilmour e praticamente me odeia por ser a psiquiatra de seu melhor amigo e esposa, ou no caso ex esposa. O que era uma pena, eles formavam o belo casal, contanto, o grande porém de tudo isso era, estava feliz porque ele estava solteiro, significava que alguma hora ele iria buscar alguém para ficar ao seu lado, mesmo não sendo eu a escolhida. No caso, acho que ele iria mesmo era demorar a encontrar alguém sendo tão grosseiro assim como ele foi com todos nós hoje durante a entrevista.

       Mais uma vez tudo aquilo que eu menos desejara aconteceu, no mesmo momento no qual eu abri a porta de casa tentando me equilibrar com minha bolsa no ombro, a caixa de minha máquina de datilografia e inúmeras chaves na mão, coloquei o pé direito dentro de casa logo seguida por David e encontrei sentados no sofá recitando sutilmente versículos Torá, minha mãe e meu tio enquanto tomavam uma xícara de café e Elise tinha seus poucos cabelos acariciados, não sabia se achava aquilo fofo por ser um momento entre irmãos. Ou triste ao ver o que estava acontecendo já que ele houvera deixado seu posto de rabino por algumas horas para apenas ter a chance de pregar a religião da família com sua irmã doente.

- Sophie, querida, é você? – Elise pergunta, limpando suas lágrimas gentilmente com suas mãos um pouco trêmulas.

- Sim, mãe, sou eu – Respondo, trancando a porta, ainda tentando me equilibrar com tanta coisa em minhas mãos.

       O senhor arrumou seu pequeno quipá e se levantou, no minuto que ele se virou para mim, teve seus olhos azuis arregalados diante a surpresa de ver alguém ao meu lado, e esse alguém ser um homem, já que aparentemente eu era a vergonha da família, a única que tinha trinta anos nas costas e sequer houvera namorado uma vez que fosse. Tudo bem, era algo extremamente vergonhoso para mim o título que carregara na família por não ser casada com a idade que estava.

       Tradições familiares, o ato de transmitir lendas, fatos, doutrinas, costumes, hábitos, por um longo período de tempos, porém pode-se dizer que é a tradição é a cultura de uma família, como um conjunto de padrões de comportamento, independentemente do nível financeiro, todas as famílias tem suas tradições, suas heranças culturais nas quais são transmitidas de geração em geração.

       Felizmente ou até mesmo infelizmente, a tradição de minha família era algo aparentemente muito simples, os homens tinham de trabalhar logo cedo para ter seu próprio sustento e as moças tinham de casar-se cedo e montar sua família, ambos carregando sempre as regras da religião judaica. Ao contrário de meu irmão neste requisito, eu não acabei seguindo a tradição, por isso acabo sendo um tanto marginalizada dentro dela, contanto que contava os segundos para que meu tio comentasse algo sobre David para que eu pudesse o responder sobre, caso fosse outra pessoa seria algo até acessível, já havia mentido uma vez no dia, porque não mentir novamente?

       Porém era quase impossível usá-lo com tal situação, minha cabeça basicamente não aceitava, no caso, minha cabeça aceitava poucas coisas, transtornos psíquicos não são fáceis de se lidar, muito menos corações partidos...

- Sophie, quanto tempo – O senhor sorri, passando sua mão pela sua barba – Você parece mais magra, e cortou os cabelos, está bonita, menina – Ele ri, voltando seu olhar para Gilmour, aparentando estar um tanto confuso em relação ao que estava acontecendo entre nós – Aparentemente você encontrou alguém, não é mesmo...?

- Não, ele não é nada meu, ele é casado -  Digo, mostrando a aliança na mão de David – E além do mais, eu vou entrevistar ele, para o meu trabalho.

- Não é o que parece – Ele ri novamente – Vocês formariam um belo casal.

       Naquele momento eu respirei extremamente fundo, quase deixando minha máquina de datilografia cair. Agora eu estava realmente irritada, nós não formávamos um belo casal, nós não éramos namorados ou casados, eu não queria me relacionar com ele pelo simples fato de que não ia muito com sua cara.

- Me desculpe tio, mas eu não amo ele, não formamos um belo casal, apenas eu e uma pessoa formamos um belo casal e essa pessoa está se divorciando de minha melhor amiga no momento, agora se nos dá licença, temos muito o que fazer, a propósito, ele e o amor da minha vida são da mesma banda, só que a loira presente entre nós não é tão bom como ele!

       Dito isso eu puxei David pelo braço até meu quarto, batendo a porta com tudo logo em seguida. No caso, era o que eu achava que tinha feito ou dito, mas na verdade, eu estava apenas parada no meio da sala com inúmeras coisas em minhas mãos, David tentava segurar minha mão, já Elise e meu tio me observavam com uma cara de desprezo.

       O que estava acontecendo comigo hoje? Escutava constantemente vozes em minha mente, nunca estava presente mentalmente, apenas fisicamente, e não era nem problema com as medicações, havia tomado meu remédio hoje cedo antes de ir para a entrevista, a não ser que elas estejam realmente parando de fazer efeito, será que esta semana poderia ficar pior quanto minha segunda feira?

- Sophie? – David diz, estalando seus dedos próximo de meu ouvido esquerdo – Está tudo bem?

- Está sim – Respondo como se houvesse acordado de um transe – Vamos, temos muito trabalho para fazer.

       Sem dizer mais nada, guiei David até o andar de cima onde ficavam os quartos, sabia que ele estava no mínimo arrumado já que havia o arrumado na noite anterior e que minha mãe teria arrumado minha cama mesmo sabendo que não precisava, até porque não poderia fazer muito esforço. Assim que abri a porta, revelei meu quarto todo branco e de piso de madeira escura com enormes janelas também em branco cujo as cortinas balançavam devido a força do vento. Apontei para uma poltrona preta na qual ele poderia se sentar, colocando em seguida minhas coisas em cima da mesa, aquilo que me fez soltar um suspiro de alívio após carregar tanto peso de uma vez só.

       Sem perder muito tempo, já abri a caixa da máquina na qual ainda estava com papel, tirei meu gravador de minha bolsa e coloquei simetricamente ao lado da máquina e deixei tudo pronto, logo em seguida ele se sentou sobre a poltrona de um modo confortável, cruzando uma de suas pernas.

- O que acabou de acontecer lá embaixo? – Ele pergunta, pegando um maços de cigarros em seu bolso.

- Na minha família nós seguimos o judaísmo, meu tio é rabino, como costume da família, todas as moças tem de se casar cedo e não podem trabalhar que não em casa, sou o próprio hermafroditismo cerebral da casa pelo fato de que nunca segui nenhuma das tradições que não a de seguir a religião, mas eu ter travado no tempo é algo sem explicação - Respondo, o entregando um cinzeiro de vidro todo adornado e colorido.

- Tudo bem... Eu acho...? O que é hermafroditismo cerebral? – Ele pergunta novamente, um pouco confuso e com seus olhos azuis parcialmente cerrados, acendendo seu cigarro.

- É uma condição psicológica e física, mas isso não vem ao caso no momento – Digo, me sentando em minha cadeira giratória preta, arrumando o papel na máquina.

- Tudo bem, acho que agora podemos começar, ou no caso continuar – Ele sorri, soltando a fumaça de seu cigarro.

- Bem, como eu já tenho o que eu preciso sobre a primeira parte de sua entrevista, vou perguntar sobre o disco mesmo, então vamos começar – Digo, ligando o gravadorzinho - Fale-me sobre a nova obra prima, The Wall.

- The Wall foi concebido como um álbum, um filme e um show, a dinâmica entre uma banda ao vivo e a audiência foi apenas um dos muitos temas dos conceitos, mas o que era tão inteligente sobre a ideia de Roger era que o show próprio era um comentário sobre o tema, a banda viu um potencial dramático assim que ele a apresentou, embora nós não antecipamos o quão complicado pode ser para manter o tempo enquanto uma torre de tijolos, cada uma pesando cerca de nove quilos cada um e entrando em colapso com uma plataforma de proteção a sessenta centímetros acima de nossa cabeças.

- E como foi a apresentação de tal conceito? – Pergunto, fazendo algumas anotações para prevenir qualquer erro do gravador.

- A primeira vez que eu ouvi sobre isso foi em uma reunião de banda em algum momento após o tour do Animals, chamado para discutir novos projetos, Roger trouxe duas demos, dos quais se tornou The Wall, o outro se tornou intitulado Pros and Cons of Hitch Hiking, parecia mais forte musicalmente, era uma ideia menos interessante. Construir um muro entre nós e a plateia foi uma metáfora impressionante para a intimidade que perdemos como uma banda de estádio. E embora eu acredite que ainda entregamos à maioria dos fãs, apesar do ruído e das condições, a perda de controle sobre o nosso meio ambiente definitivamente me incomodou, é obviamente que conseguiu Roger muito mais.

- E como foram as gravações do álbum? Foram algo simples e prazeroso ou algo complicado e cansativo? – Pergunto, começando a ficar um pouco cansada de ter de escrever tudo o que ele falava, porém fazendo apenas por prevenção já que o gravador vivia falhando.

- Os planos de Roger exigiam um cronograma tão rígido que ele mesmo movia seu home-studio ao lado do nosso espaço de gravação, a demo teve que ser transformada em um álbum, o álbum em um show e o show em um filme, todos os ao mesmo tempo para as próximas apresentações ao vivo, tomei o papel de diretor musical, escolhendo e ensaiando os músicos extras, mantendo-os atualizados, já para as gravações, troquei entre produzir e escrever e tocar e cantar.

- Nos quesitos líricos do álbum, como foi o processo evolutivo das letras desde a demo até a versão final?

- Várias faixas da demo original foram descartadas, pedaços inteiros foram alterados e o original Young Lust só sobreviveu em seu refrão, se Bob Ezrin, o coprodutor do álbum, ou não gostava de algo e discutiu com força com Roger, ele simplesmente iria ao lado e trabalharia nisso, uma vez que ele concordou em reescrever algo, ou para escrever novo material, ele poderia ser incrivelmente eficaz e rápido, um exemplo é Nobody Home, era uma música completamente nova que ele escreveu durante a noite.

- E tem alguma criação sua em todo esse processo criativo? – Pergunto, virando o verso da folha para continuar as anotações, um pouco surpresa com o comportamento um tanto duvidoso de Roger durante as gravações do álbum.

- Além de Young Lust, meus próprios créditos de escrita foram confinados a Run Like Hell e Comfotably Numb, ambos originalmente foram destinados a um álbum solo no qual eu estive sem o ano anterior, eles são o ponto alto musical de The Wall, mas então eu pensaria isso, não seria? – Ele ri, jogando seus cabelos para trás.

- E como será a apresentação do álbum durante a turnê? Aquela que por sinal começa essa semana nos Estados Unidos.

- A apresentação visual do preço resultou de discussão e colaboração semelhantes, mudando consideravelmente à medida que avançamos, o esquema original de Roger tinha sido conduzir o público a distração ao realizar grande parte da segunda metade sem ser visto por trás do muro, nós trabalhamos maneiras de manter o muro mais ou menos intacta, dando aos fãs algo para olhar, as animações de Gerald Scarfe, uma sequência de Roger em um conjunto de uma sala que se dobrou do muro e meu próprio momento em Comfortably Numb que acabamos de idealizar e ensaiar semana passada.

- Qual sua opinião sobre o álbum e a apresentação em si com base nos preparativos e em tudo que aconteceu nesse meio tempo? – Pergunto, estralando meus dedos rapidamente para voltar a escrever, rezando para que nenhum dos outros dois falassem tanto quanto ele estava falando agora.

- Eu não posso dizer que será a minha maneira preferida de tocar, nem The Wall é meu trabalho favorito do Floyd, aquele que por sinal é o Wish You Were Here, existem algumas seções mais fracas, Vera Lynn, Bring The Boys Back Home, por exemplo, mas quando é bom, é muito bom, e os shows serão fantásticos por direito próprio, para avaliar o fenômeno corretamente, você deve mudar seu foco, vai ser mais uma experiência teatral como musical, o álbum foi bem estruturado e a tecnologia necessária para produzir esse tipo de teatro limitou ainda mais a nossa flexibilidade musical, dando-nos ainda menos espaço de improvisação e espontaneidade ao tocar ao vivo, que é algo que nós da banda sentimos uma certa falta.

- Algo mais no qual você gostaria de acrescentar para que possamos fechar a entrevista? – Digo, suspirando diante do alivio no qual estava sentindo agora ao ver que aquela era a última pergunta que tinha de fazer para fechar a entrevista com ele.

- Tivemos alguns bons momentos durante a gravação. Roger e eu lutamos por dentes e por unhas sobre detalhes que não tenho certeza de que eu possa ouvir agora. Passei mais de um ano da minha vida trabalhando no The Wall e, para as melhores partes, valeu a pena.

- Tudo bem, obrigada pela sua participação, a revista se der tudo certo será lançada na quinta-feira, agora sinta-se à vontade para ir embora, eu tenho muito o que fazer para ser entregue em muito pouco tempo, sem contar que não terei a tarde para fazer devido ao meu outro trabalho, agora tenha um bom dia, ainda mais agora que a chuva está diminuindo, não vai demorar muito para chegar em casa – Digo, abrindo a porta para ele.  



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