História The X-Question. - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Monsta X
Personagens Hyung Won, I'M, Joo Heon, Ki Hyun, Min Hyuk, Personagens Originais, Show Nu, Won Ho
Tags Hyungwon, Kpop, Monstax, Wonho
Visualizações 42
Palavras 8.012
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Hentai, Luta, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Esse capítulo ficou longo demaissss então eu resolvi postar ele logo antes que ficasse com 10.000 palavras kkkkkk
Nem preciso explicar o por quê da demora né? Uma coisa chamada escola. Mas vamos lá.
Boa leitura 💗

Capítulo 15 - Rendimento.


Fanfic / Fanfiction The X-Question. - Capítulo 15 - Rendimento.

NARRADOR*

Ambos se encaravam fixamente, sem dizer palavra; Hyungwon olhava a mulher em sua frente com incredulidade, já Alex o fitava em desafio, esperando que dissesse algo.

-Eu sei que se lembra.-Ela fala séria, para que ele não tentasse dizer algo contra.

Hyungwon perdera a coragem; ele a encarava sem ter ideia do que dizer.

Tudo que ele conseguia pensar era que nunca, nem em um milhão de anos, ele esperaria uma coisa dessas.

-Hyungwon! Vamos!-Wonho chama no andar de baixo, assustando-o.

Ele olha hesitante para a garota em resposta.

-Eles estão te chamando.-Alex segura o corrimão ao seu lado, mantendo a pose desafiante.

Hyungwon a observa por mais um momento, ainda sem acreditar no que acontecera, mas logo teve que dar alguma reação, e saiu descendo as escadas num rompante, em direção à porta da casa.

Ele queria fugir, o mais rápido possível para longe dali, para poder organizar seus pensamentos e compreender o que havia acontecido.

Os dois o esperavam, e logo notaram a expressão desnorteada do amigo, que parecia ter visto um fantasma.

-O que houve?-Minhyuk pergunta franzindo as sobrancelhas.

-Vamos.-É tudo que ele responde enquanto conduzia os outros dois para fora.

Wonho dá de ombros indicando que deveriam deixar para lá, e eles saem porta afora depois de se despedirem das anfitriãs.

Encostada na parede do corredor, Alex esfrega as têmporas estressada. Agira por um impulso mais que repentino, quase afrontoso de o fazer parar de fingir. Isso a irritara, essa sua dissimulação, quando ao mesmo tempo tentava ficar bem com ela.

Se ele queria fazer as pazes, podia ir tirando o cavalinho da chuva!, ela pensa irritada.

A garota desce as escadas, indo até a janela e afastando um pouco a cortina, querendo vê-los partirem, mas chegara tarde.

-Alex...o que você fez?-Sohye chega por trás da amiga, a assustando. Como sempre, ela sabia quando a amiga portava uma atitude suspeita e desconfiava no mesmo momento de que algo havia acontecido.

A outra nega com a cabeça, não querendo falar sobre o assunto.

-Eu te conto depois, estou morrendo de dor de cabeça.-Alex responde fazendo uma careta, e Sohye assente sem dar tanta importância.

-Bom, eu vou ir dormir com o pestinha, tem remédio pra dor de cabeça no armário da cozinha. Boa noite.-Sohye se despede subindo as escadas, sua voz sumindo pouco a pouco enquanto desaparecia no corredor.

-Obrigado. Boa noite!-Alex exclama fazendo uma concha, para que a amiga a escutasse.

A garota caminha até o outro aposento e pega um copo d’água cheio e o remédio para dor de cabeça que achara onde Sohye dissera, tomando tudo de uma vez.

-Ah!-Alex exclama respirando fundo após engolir, e olha ao redor um pouco perdida.

Ela lembra da sensação ainda fresca na memória. Fechando os olhos, leva os dedos até os lábios, suspirando.

Por que as coisas não são mais fáceis?, ela pensa deprimida.

Com uma sensação de abalo, ela apaga as luzes e se dirige para o quarto, onde troca de roupa e se deita de costas na cama, encarando o teto.

Dois sentimentos se dividiam em seu interior; o primeiro era de apreensão: se Hyungwon se ofendera com seu gesto e não quisesse nunca mais a ver. Isso seria uma lástima terrível.

Por outro lado, Alex sentia também uma sensação abrasadora de orgulho pelo que fizera; se ele a magoara por querer, que mal teria um mísero beijo para retribuir o favor? Ela pensou, depois de muita reflexão, que nada era mais justo para lhe causar a mesma sensação que ela sentira.

Mas o que a incomodava de verdade era não saber como seria quando se encontrassem novamente—o que seria inevitável graças ao lançamento do mv dali alguns dias.

E isso era outra coisa para se preocupar.

CINCO DIAS DEPOIS DO OCORRIDO*

Alex*

Aqui estou eu. Sentada na sala de espera do saguão da recepção da Starship. Morrendo de vergonha.

O motivo? Fui barrada de entrar.

Como sempre eu achei que teria passe livre para entrar e sair da Starship graças aos contatos que tinha, mas aparentemente não era a mesma visão da recepcionista classuda que me atendera. Sem um crachá eu não passava, ponto.

Eu estava aqui hoje com o intuito de participar da reunião sobre o mv que fora lançado há menos de poucas horas. Nem eu mesma havia o assistido ainda—além de ter acordado atrasada para sair, não tinha internet para verificar, e até agora, não tivera tempo por conta da correria.

Tinha uma entrevista de emprego marcada de manhã—num escritório de advocacia oportunamente perto dali—que tive que abandonar e vir para cá devido à ligação repentina de Jin, o manager dos meninos. Ele apenas comunicara monossilábico que deveria estar na empresa às nove horas.

Dou uma encarada mal-humorada à mulher franzina novamente, que mexia no computador continuamente apertando o teclado, mas me perguntava se ela realmente escrevia algo.

Olho a hora no celular: 9:17.

Porcaria.

Sohye não me atendia e eu me recusava terminantemente a ligar para Hyungwon.

Desde aquele dia ele não tentara mais falar comigo, o que me deixara nervosa e impaciente. Eu fizera aquilo justamente para obter alguma reação ou resposta dele. Seu silêncio me desconcertava ao ponto de querer jogar o celular para longe toda vez que o olhava.

Suspiro pensando no que faria. Ligar para um dos meninos? Tentar subir correndo os elevadores? Bater na recepcionista?

A terceira era tentadora, visto que qualquer tentativa minha de conversação com àquela mulher fora falha—ela se recusara veementemente a escutar qualquer um dos meus argumentos. Mas não queria incomodar os garotos, era um detalhe idiota e podia ser visto como falta de peito para lidar com problemas. Eu ainda continuava com a ideia de não queimar minha imagem com os garotos.

Estalo a língua indo para os contatos e procurando o número de Wonho, mas fora desnecessário, já que ele me ligou no mesmo momento.

-Alô?-Atendo no primeiro toque, aliviada e surpresa pela coincidência.

-Alex! Onde está?-A voz de Wonho era urgente, o que me deixou nervosa na hora.

-Estou aqui na recepção. Não me deixaram subir por não ter Identificação.-Explico sentindo alívio por contar minha injustiça.

-Ah, a recepcionista deve ser nova. Pode deixar, eu vou resolver isso. Estamos no quinto andar, na sala do Jin hyung.-Ele informa em tom profissional, e assinto mesmo ele não vendo.

-Sim, eu subo num minuto.-Respondo me levantando, vendo que a mulher me encarava ao ouvir o que eu falava ao telefone. Ela parecia já saber que errara, pois mantinha uma expressão de encabulamento disfarçada pelo orgulho.

-Ok.-Wonho desliga, e no mesmo momento o telefone da recepção toca.

Me aproximo lentamente escutando partes da conversa da mulher:

-...entendido, não irá acontecer de novo! Perdão...! Sim!-Ela desliga, me encarando por debaixo daqueles óculos meia-lua com um suspiro bem disfarçado.-Mil desculpas senhorita, eu estava apenas seguindo as regras. Não ira se repetir!-Ela se curva em desculpas e dispenso com um abano, sorrindo forçadamente. Suas desculpas foram tão superficiais que me deixou sem graça.

-Não foi nada.

Enquanto o elevador se fecha e começa a subir, me encaro no espelho com um misto de frustração e satisfação.

Estava frustrada pois a entrevista estava indo bem, e provavelmente teria sido contratada se não fosse àquela ligação. E também satisfeita, porque tinha conseguido—e sem a ajuda de Sohye—me deixar com um aspecto adulto e levemente sensual com meu look.

A calça social preta realçava meus quadris estreitos e a cintura, me deixando elegante, e a blusa de mangas finas cinza deixava à mostra minha clavícula e o pescoço. O cabelo fora cuidadosamente penteado para trás de modo que ficasse sem nem um fio para fora, diferente do costume, que era deixá-los soltos e rebeldes.

Eu só esperava que não pedissem que dançássemos hoje, pois seria um desastre. E não estava com os sapatos certos para isso.

Quando as portas se abrem, caminho lentamente até à última porta do corredor, sem escutar um pio.

Eu devia estar me apressando, mas a expectativa do que teria atrás daquela porta me deixou tensa, especulando como estaria a atmosfera.

Minha mente começou a traçar razões para eu estar ali, e que listei mentalmente nessa janela de segundos até chegar à porta:

1-O mv fora uma tragédia e todos odiaram; mais especificamente, me odiaram.

2-Fora tudo um engano e eu não faria parte do vídeo, pois seria inapropriado.

3-Hyungwon contara sobre o beijo à todos e eu estava indo até lá para assinar uma ordem de restrição e/ou processo de assédio sexual.

4-Descobriram sobre meu fumo e teria quebra de contrato porque seria má influência para os meninos.

Dentre todas a mais possível para mim seria a primeira, já que não assistira o mv ainda e pelo tom de voz sério de Wonho era algo de extrema importância. E para melhorar, me atrasara.

Fosse só isso, mas não.

Tinha ainda Hyungwon.

Eu não fazia ideia de como iria agir com ele ali depois do que fizera. Sozinha, pensando com meus botões, eu sentira que fora corajosa e agira bem; agora, prestes a o ver numa sala cheia de gente, não sentia nada além de embaraço.

Por quê eu fiz aquilo?, penso segurando a ponte do nariz, respirando fundo.

A porta estava ali na minha frente, agora não tinha escapatória.

Balanço a cabeça e me repreendo por ser tão medrosa, segurando a maçaneta e batendo com os nós dos dedos.

Mais silêncio.

Podia ser meu nervosismo, mas eu sentia que se passou mais tempo que o necessário para responderem um “entre” abafado.

Entro e fecho a porta suavemente, me virando para encarar as pessoas sentadas à mesa.

-Olá, bom dia.-Me curvo educadamente cumprimentando todos ali, percebendo que haviam muitas pessoas que nunca tinha visto.

Na mesa, estavam Jin, Shownu, Wonho e outros quatro homens que desconhecia. De pé e encostados na parede, estavam Hyungwon, Minhyuk, I.M, Kihyun e Jooheon.

Todos me olhavam em um meio-termo de seriedade e atenção. Era como se estivessem esperando que eu fizesse alguma coisa, algo como um sentimento de expectativa assombrava a sala.

Todos respondem ao meu cumprimento e evitei estrategicamente Hyungwon enquanto os olhava.

Jin se levantou e caminhou até mim dando um aceno aos outros homens enquanto me esquadrinhava polidamente até seu lugar.

-Senhores, esta é a Alex, que participou do mv do Monsta X. Alex, estes são os produtores executivos e diretores da Starship.-Jin começou a dizer seus nomes à mim, mas logo que escutei as palavras “diretores” e “produtores executivos” meu espírito saiu do meu corpo e era só minha casca ali, sorrindo palidamente à eles enquanto apertávamos as mãos.

Eu só conseguia pensar que o que quer que eu tenha feito, era algo muito grande e sério para àqueles homens estarem ali comigo.

-Ouvimos falar de você, Alex.-Um deles começa logo que me sento.

-Sim, a garota do Brasil que dança muito bem.-O outro ao lado completa me dando um sorriso simpático.

-Oh...muito bem é demais. Só bem já é suficiente. Não acreditem neles!-Brinco acenando para os garotos, que dão risada.

-Mas não precisamos, já vimos com nossos próprios olhos seu talento senhorita.-O terceiro homem interrompe, me dando um olhar de seriedade. Isso me fez indagar se era sarcasmo ou sinceridade.

O que ele queria dizer?

Olhei para Jin esperando uma resposta ou reação, mas ele me fitava também.

-Bom...espero que não tenha decepcionado os senhores.-Respondo acenando formalmente.

-Você assistiu ao mv Alex?-Jooheon questiona chamando a minha atenção. Ele estava sério também; mantinha as mãos juntas em cima da mesa sem nenhum traço de humor.

O observo um momento notando esses detalhes antes de responder.

-Não, ainda não tive oportunidade. Tive um compromisso logo cedo antes de vir pra cá e não pude assistir.-Explico piscando. A atmosfera se transformara de novo, densa como neblina.

Eu estava confusa. Primeiro me elogiam pelo meu talento mas depois ficam esquisitos e com gestos ambíguos.

Todos os meninos estavam no mesmo humor, até o energético Minhyuk e o brincalhão Jooheon estavam com cara de enterro.

Depois que respondo, todos se entreolham um pouco perdidos até que Jin toma a dianteira:

-Bom, antes de tudo você precisa assistir então.-Ele decreta pegando seu celular do bolso, dando alguns cliques para colocar o mv.

Pude notar que Hyungwon me olhava, mesmo sem o olhar de volta. Eu sentia seus olhos queimando em mim, o que me fez ficar de cabeça baixa e quieta o tempo inteiro.

Aquela situação era opressora.

Jin me entrega o celular e eu dou o play enquanto respirava fundo silenciosamente. Sabia que eles estariam para ver minha reação, por isso, tentei manter a calma.

O mv começava num parque, numa tarde ensolarada com pessoas andando de mãos dadas, jovens andando de skate ou jogando bola para passar o tempo. Os meninos estavam sentados numa fonte conversando descontraídos e dando risada.

Nessa parte, quando Hyungwon apareceu meu coração se contraiu no peito de uma forma nada delicada. Como sempre, ele estava tão lindo que doía o fundo da minha alma.

E então, era eu ali.

Minha personagem passava pelos garotos distraída, com um livro numa mão e uma maçã na outra, sem nem os notar. Ela anda até o banco debaixo de uma árvore e se senta, continuando a ler.

Uma brisa joga meu cabelo para trás e deixa a cena mais épica, pois nesse momento a personagem olha direto para os meninos.

O câmera corta para as reações de cada um dos membros; abrindo a boca exageradamente (no caso de Jooheon e Minhyuk, o que ficou icônico), ficando paralisados (como Kihyun, Shownu e I.M) e olhando de baixo para cima de um jeito sugestivo (como Wonho). Somente Hyungwon (olhem só) teve uma reação diferente; ele pisca e se torna tímido, desviando o olhar.

Foi tão inimaginável eu estar ali, me vendo num mv com eles, que mal consegui pensar em mais nada, apenas continuei a assistir quase sem piscar.

Ela não chega a ligar para eles e continua a ler, dando uma mordida na maçã. Foi aí que começou as partes que ensaiamos, onde cada um dos meninos tenta conquistar a garota e falham miseravelmente.

Eu me segurei para não rir, pois queria mostrar seriedade, mas não contive um sorrisinho na parte em que Hyungwon amarra meus sapatos.

Foi aí que percebi uma coisa curiosa; o diretor não cortou a parte do nosso erro, e nossas risadas desajeitadas por isso foi colocada no mv. Era uma parte muito espontânea, e nós dois nos olhávamos e continuávamos a cena mesmo tendo errado.

O mais engraçado é que dava pra ver nossa química, e mesmo tendo errado, na última parte conseguimos nos concentrar e ficarmos com o humor certo para a cena.

In Love era uma música descontraída, alegre, me fazia lembrar da primeira vez que me apaixonei, aquele sentimento bobo de adoração entre suspiros e sonhos acordados. O mv nos dava essa sensação adolescente, o que eu adorei.

Quando acaba, respiro fundo e entrego o celular de volta nas mãos de Jin.

-E então?-Jin me questiona enquanto se sentava de novo.

-Eu...amei. De verdade, foi o melhor mv que eu já vi...e não é porque eu estou nele.-Acrescento em tom sério, e Minhyuk solta uma risadinha como uma tosse, disfarçando.

-Bom...certo, eu acho que você percebeu porquê de pedirmos para que visse o mv.-Jin continua em tom misterioso. Os garotos assentiam a cada frase sua, e imitavam sua pose séria, o que me intrigava.

Por que não diziam logo o que queriam?

-Sim. Queria que eu dissesse minha opinião. Por quê?-Questiono cruzando as mãos, cansada do suspense.

-Alex, você tem que entender...-Jin não consegue terminar, sua voz baixando até se calar. Ele não parecia conseguir se exprimir.

-Entender o quê...?-Pressiono balançando a cabeça.

O que era tão difícil de entender e tão grave que necessitava de uma reunião?

-É difícil Alexandra.-Um dos executivos fala tomando a dianteira, e o olho confusa.

-O que é difícil?—Olho dos homens à Jin, e então aos garotos, esperando uma resposta. Estavam todos quietos olhando para o chão.—Me digam! Eu aguento!—Olho diretamente para Hyungwon, quase aos prantos. Ele era o que parecia mais afetado pelo meu tom urgente.

Por quê toda aquela pressão? Esse suspense?

O mesmo pareceu sentir meu olhar e levantou a cabeça, mantendo-o firmemente e retribuindo com calma, serenidade, me dando segurança. Não tinha certeza, mas parecia ter visto ele piscar de leve antes de desviar o olhar.

Assinto respirando fundo silenciosamente, me acalmando.

-Certo. O que aconteceu para que me chamassem nessa reunião? O que quer que seja, eu aguento a notícia. Então, por favor, me digam.-Peço pausadamente, olhando para cada um deles.

Jin e os outros continuavam na defensiva, mas Minhyuk estava meio vermelho, como se segurasse o ar por muito tempo e fosse explodir.

De repente ele bate na mesa assustando à todos.

-Ah, já chega! Eu não aguento mais isso! Contem logo à ela ou eu conto!-Ele grita estressado, se virando depois para pentear o cabelo, que desalinhara em seu momento de loucura explosiva.

Engulo em seco surpresa.

Se antes eu estava nervosa que fosse algo ruim, pela sua reação agora eu estava sem esperanças.

Meu coração batia forte e meu estômago estava frio, como se houvesse uma pedra de gelo enterrada lá dentro.

Jin observou Minhyuk parecendo um pouco chocado com a atitude repentina, mas logo se recuperou. Ele assente botando ambas as mãos na mesa, servindo de apoio.

-Ok...Alex, bem vinda à Starship.

Franzi o cenho e encarei Jin com seriedade.

-Como é?-Meu tom deve ter saído mais agressivo do que queria, mas fez Jooheon segurar a risada.

Aquilo certamente era uma piada com a minha cara, e eu odiava que me fizessem de boba.

Jin sorria amplamente, parecendo satisfeito com a minha reação.

-Chegamos à conclusão de que você é um talento que não queremos fora da nossa empresa. Isso, se quiser trabalhar conosco. A decisão é sua.-Ele explica calmamente.

Fecho ainda mais a expressão. Só podia ser piada.

-Ainda não entendi.-Respondo defensiva.

-O mv recebeu muitas reações positivas do público, e mais atenção do que esperávamos. E isso num espaço curto de tempo. Está sendo um sucesso.-Um dos homens de terno fala acenando positivamente.

-Graças à você, Alex.-I.M se pronuncia, sorrindo.

Estava paralisada, até que olhei para os garotos, e os vejo sorrindo na minha direção.

Me levanto da cadeira, zonza com tanta informação.

-Vocês...isso é brincadeira. Não podem estar falando sério.-Balanço a cabeça desacreditada.

-Eu disse que ela ia ficar assim!-Minhyuk acusa vindo até mim, me dando um abraço.—Shh...Alex, desculpe. Queríamos fazer uma surpresa.-Ele se explica em meio à risadas e os meninos se aproximam, afirmando.

-Desculpe Alex!

-Não faremos de novo!

-Não tem graça sabia? Eu estava quase chorando!-Abraço Minhyuk de volta, sentindo meu rosto molhar.

-Ah!—Os meninos gritam e se juntam ao abraço, com dó de mim, proferindo frases de apoio.

Quando conseguiram me acalmar, todos me pediram desculpas pela pegadinha e disseram que fora ideia de Jooheon e Minhyuk, que se desculparam mais profundamente que os outros.

Depois das explicações, veio os assuntos mais sérios. Jin disse que não deveria me preocupar com a entrevista de emprego, que poderia começar o estágio na Starship no dia seguinte, e que teria um ótimo tutor. Segundo ele, um dos melhores professores de dança e coreógrafos do país.

Eu iria treinar para me tornar uma coreógrafa profissional. O que era simplesmente meu sonho.

-Alex...você está feliz não está?-Jooheon pergunta me observando com um sorriso.

Estávamos saindo da sala de reuniões e indo para o elevador, depois de tudo acertado. Eu iria para casa e morrer de felicidade, mas os garotos tinham treino até tarde.

Meu sorriso estava tão grande que se podia ver até de trás.

Me encosto na parede do corredor enquanto esperávamos. Fecho os olhos sonhadora.

-Estou. Muito. Muito mesmo.-Respondo abraçando meus braços, suspirando.-Obrigado por tudo.-Me viro para eles, sorrindo carinhosa.-Vocês foram a melhor coisa que já me aconteceu.

Os garotos pareceram muito afetados pela minha fala, muito surpresos, especialmente Kihyun e Shownu. Eles ficaram vermelhos.

Hyungwon, antes de qualquer um deles, fez uma reverência e sorriu à mim.

-Você é muito gentil Alex. Podemos dizer o mesmo.

Coro assentindo, não esperando por essa.

-Ficamos muito felizes de poder estar com você. Agora ainda mais, nos veremos todos os dias.-Wonho também faz uma reverência, e os garotos o seguem.

-Será um prazer trabalhar com você Alex. Espero que tenhamos bons momentos juntos.-Kihyun fala.

-Yo, Alex, você sabe que mora no nosso coração.-Jooheon chama minha atenção fazendo um rap, nos fazendo rir.

-Em tão pouco tempo nos tornamos amigos, e eu agradeço por ter aparecido.-I.M acena e sorrio agradecendo.

-Alex, somos agradecidos pela sua amizade.-Minhyuk pisca.

-E esperamos que a tenhamos por muitos anos.-Shownu finaliza.

-Eu vou chorar de novo desse jeito!-Tampo o rosto e os meninos gritam, se desculpando.

O elevador chega e entramos, nos espremendo. Os meninos batiam papo animadamente, mas eu ficara quieta, apenas sentindo a atmosfera de felicidade, tentando gravar esse momento para sempre na minha memória, e absorver o máximo que podia.

Respiro fundo com os olhos fechados, sorrindo. Era uma sensação maravilhosa.

Hyungwon veio para perto de mim e ficou do meu lado, com as mãos juntas à frente do corpo, em guarda. Ele parecia feliz também, mas resguardava seu sorriso para si mesmo.

Sorri com esse gesto, e resolvi o provocar para ver se estávamos bem mesmo como parecia:

-Você parece um segurança de boate parado nessa pose.-Comento divertida, em meio às conversas paralelas dos meninos.

Hyungwon sorri feliz com a comparação. Nos fitamos pelo espelho do elevador com graça.

-Mesmo? Que pena. Estava mirando mais em um guarda-costas.-Ele faz um barulho com a bochecha, e eu dou risada.

-Guarda-costas de quem exatamente?-Questiono entrando na onda.

Ele se vira de frente para mim, me olhando de cima. Parecia satisfeito que eu tivesse lhe feito essa pergunta.

-De uma linda mulher. Quem mais?-Ele retorque dando de ombros, se virando para a frente.

Sua voz grave tão perto do meu ouvido, proferida com tanta seriedade me deu calafrios no corpo inteiro.

O fito sem fala, vermelha. O ego inchando junto com um sorriso discreto que foi para o chão.

Olhando alguns segundos depois para a sua imagem no espelho, pude ver que ele ficou satisfeito com a minha reação.

Hyungwon ria silencioso para os seus pés.

Amaldiçoado seja, que homem lindo, penso interiormente com tristeza.

Ao saírem, todos se despediram com animação um “até amanhã” certeiro.

Fito minha imagem no espelho do elevador até ele se abrir e, antes de sair, paro um momento para apreciar por um último segundo aquele sentimento de felicidade.

Eu não fazia ideia do que me esperava, mas o que quer que fosse eu sabia que seria o que eu desejei a vida toda que me acontecesse. E eu iria aproveitar cada gota daquilo.

...

Alguns dias depois~

-Trouxe guarda-chuva?-Hoseok, meu colega de trabalho temporário pergunta enquanto observávamos o céu cinza claro se tornar mais escuro.

Estávamos sentados nas mesas ao ar livre de um café alguns quarteirões da empresa, no nosso horário de descanso. E devia dizer, bem merecido.

Uma brisa forte joga meu cabelo no rosto desajeitadamente, e faço uma careta abrindo a boca para o tirar.

-Ai...não. Estamos ferrados. Quanto tempo daqui até a empresa?-Questiono olhando para o chão considerativa.

Hoseok suspira arrumando seu cabelo loiro platinado. Ele era tão mais feminino e arrumado que eu me sentia um homem perto dele. Feminino de aparência, pois sua personalidade transbordava masculinidade de um jeito que eu não sabia explicar, apesar da arrogância, ele era uma boa companhia. Me ajudava muito durante meu estágio nesses dias, desde que me conheceu.

-Vai me fazer pegar chuva Alex. Imperdoável.-Ele me olha de cima e morde a bochecha, irritado.

Choi Hoseok era dançarino profissional, temporariamente na Starship, já que seria transferido para outra empresa dali alguns dias. Ele não me contou o motivo, mas sempre que tocava no assunto ele ficava mais mal humorado, então deixava pra lá.

-Ah...perdão majestade, esqueci que você é intocável.-Faço um gesto de reverência e o empurro para o lado.

Hoseok estala a língua.

-Calada. São quinze minutos a pé até a Starship, respondendo a sua pergunta. Então vamos logo.-Ele se levanta terminando seu cappuccino e o sigo fazendo o mesmo.

-Mas me diga, Hoseok.—começo enquanto acelerávamos o passo pelas ruas de Seul, o céu escurecendo cada vez mais—quando Sung está de bom humor? Alguma vez já viu?—Questiono curiosa sobre o nosso professor de dança e coreógrafo famoso, que sempre era visto com uma carranca e com manias esquisitas na hora de comer. Por exemplo, ele deixava de comer uma carne se não estivesse no ponto perfeito e se as folhas da salada não fossem múltiplas de dois. Coisas assim.

Hoseok olha para o céu pensativo e contorce a boca.

-Rum. Ainda não presenciei esse milagre. Espero que um dia, antes do apocalipse de preferência, possamos ver.—ele responde rindo seco.

-Vejamos...acho que quarta-feira eu o vi dando uma risadinha quando me viu cair. Juro que vi a boca dele levantar um pouquinho!—Exclamo animada quando Hoseok riu.

-Fala do seu tombo maravilhoso? Até eu ri. Mas Sung não, ele não tem energia vital para isso. Está morto por dentro.—olho com um franzir-sobrancelhas para ele, que dá de ombros não ligando para sua opinião forte.

-De qualquer forma, foi engraçado. Até eu teria rido se não fosse embaraçoso. Mas Sung riu sim, disso eu tenho certeza.—afirmo confiante e Hoseok funga.

-Isso foi antes ou depois dele te dar aquele sermão merecido?

Estapeio seu braço de leve.

-Ei! O chão estava escorregadio, o que eu podia fazer? Acidentes acontecem.

Hoseok me para e fita meus olhos com severidade. Tinha horas que nossa diferença de idade era alastradora, e ele parecia décadas mais experiente e sábio do que eu. Exatamente como era agora.

-Isso não é brincadeira de criança Alex, eles podem te mandar embora a qualquer hora só por chegar atrasada. Incontrolável ou não, a culpa será sua, então preste mais atenção.—ele desvia o olhar e volta a andar, e o sigo cabisbaixa.

Eu só conseguia pensar que o filha da mãe estava certo, que eu tinha sorte de Sung não ter dado um chilique ou algo do tipo para que me tirassem do seu tutoreamento. Sua decisão era a que  contava, e já ouvi sobre casos onde sua palavra foi a última e mesmo tendo talento e sendo importante, alguns dançarinos foram mandados embora por sua causa.

-É...vou continuar sendo a pupila do Sung e você vai embora daqui uns dias. Não sei como vou aguentar sozinha.—Chuto uma pedrinha do chão melancólica e Hoseok me fita com cara de quem não liga.

-Sério? Não vai estar sozinha. Tem muita gente aprendendo com o Sung na Starship.

-É. Mas ninguém sequer me dá bom dia tirando você.—Suspiro lembrando dos meus outros colegas robozinhos que entravam e saíam da sala sem dar uma palavra com ninguém.

-Eu não te dou bom dia.—Ele responde esquivo.

-Você me entendeu!—o olho irritada e ele assente satisfeito com a minha raiva.—Aliás, não sei por quê sou sua amiga. Nem bom dia me dá. Seu mal-criado. 

-Eu sei. Porque...—Hoseok tira sua blusa de frio e a coloca bruscamente no topo da minha cabeça, a tampando—eu sou um ótimo amigo.

No mesmo segundo em que ia retrucar senti uma gota de chuva cair certeira no meu nariz, e entendi o porque daquilo.

Olhei para o caminho que ainda faltava e praguejei mentalmente pensando no nosso instrutor. Na bronca que ele nos daria na verdade.

-Corre Hoseok!

...

Roupas pingando. Sapatos esguichando, fazendo aquele barulho irritante enquanto andávamos até o elevador.

Desnecessário dizer que nosso humor estava nas nuvens. Já tínhamos desistido de não receber um pitão de Sung, então não tínhamos pressa.

Hoseok estava mais ensopado que eu, já que teve que me dar a sua blusa. Ele mexia no celular que guardara seguramente dentro da mochila, a única coisa seca ali.

Lembrando disso, apertei o botão do nosso andar e peguei meu celular para checar as mensagens.

Depois do dia da reunião, Hyungwon voltou a falar comigo normalmente pelo celular, e chegou inclusive a mencionar de conversarmos sobre o incidente na casa de Sohye.

O problema era que fazia dias que nos desencontrávamos. Ou ele tinha compromissos, ou eu tinha que ficar até mais tarde na empresa, ou então ambas as coisas. Nem os meninos eu encontrava mais lá dentro, mesmo que estivéssemos na mesma agência, não significava consequentemente vê-los.

Infelizmente, foi o que me aconteceu durante esses dias. Acho que apenas uma vez vi Shownu de relance enquanto tirava uma pausa para ir ao banheiro, mas logo ele sumiu novamente e tive que voltar ao treino.

Antes das portas se abrirem dei uma olhada nas minhas mensagens, e senti aquela pontada característica me avisar de antemão que teria uma dele.

Minha previsão estava certa.

“Alex...parece até que estamos nos evitando. Quero falar logo com você antes que a minha coragem vire cinzas...Sei que seu treino está sendo duro, então não te culpo por andar ocupada. Infelizmente o meu também está sendo, então por favor não me culpe. Durma e coma bem, descanse, ficará mais fácil depois de um tempo. E não se intimide com o Sung hyung, eu sei que ele pode ser maldoso às vezes, mas ele é o melhor. Nos veremos em breve, XoXo.”

Senti minhas forças renovadas depois de ler sua mensagem; meu coração inflou de uma alegria que não estava habituada, e quis poder abraçá-lo agora mesmo.

Ia respondê-lo quando senti Hoseok me dar uma cotovelada no braço.

-Ai...-Me virei para ele ressentida mas vi sua expressão e me calei.

-Perfeito. Não podem entrar assim.-Sung estava parado no corredor de braços cruzados, e não nos olhava enquanto falava. Ele encarava seus pés vidrado.—E agora, o que farei...?

Ele me dava calafrios às vezes.

Sung devia ter no máximo trinta e poucos anos, tinha cabelos pretos até os ombros e era de uma aparência feroz. Extremamente belo, mas não parecia ligar muito para isso.

Suas roupas marcavam o quadril estreito e sua expressão era de eterno tédio, ou de desprezo pela vida alheia. Era uma pessoa difícil de decifrar.

Todos os dias ele ia com um visual diferente. Hoje ele estava com o cabelo preso pela metade deixando algumas mechas soltas e usava roupas inteiramente pretas, que lhe davam um ar mais sombrio que o habitual.

-Nos perdoe senhor, saímos no nosso horário para ir ao café mas acabamos pegando chuva.—Explico fazendo uma reverência respeitosa e Hoseok segue meu gesto.

-Sim, viemos o mais rápido mas não pudemos evitar a chuva. Sentimos muito.

-...íamos começar antes mas eu não posso continuar a coreografia sem os dois dançarinos da front line. Por isso estou aqui. Esperando faz dez minutos enquanto os outros estão aquecendo.—Sung continua sem nos dar ouvidos, com ar de maluquice. Ele sempre falava baixo, mas com certa ameaça implícita. Um típico passivo-agressivo. Nos fazia prestar atenção e sempre escutar o que dizia apesar da altura de sua voz.

Hoseok e eu nos fitamos por um segundo, ambos pensando o mesmo. “o que esse cara vai fazer com a gente?”.

-Senhor nós realmente não queríam...

-Entrem.—Sung nos dá as costas andando até a sala e nos fazendo sinal para o seguirmos. O que é claro que obedecemos rapidamente.

Quando entramos na sala, com os pés esguichando e fazendo poças e tudo mais, Sung chamou com o dedo uma das dançarinas robôs com o indicador e nos apontou.

-Está vendo esses dois? Arranje com alguém roupas secas para eles vestirem e traga rápido.—Ele manda se virando para olhar ao redor.

A menina, Jiang se não me engano, nos deu um pequeno olhar observativo pela nossa situação e saiu de lá prontamente.

-Enquanto isso, vamos ir do começo. Não quero ninguém caindo dessa vez.—Sung coloca a música para tocar e bate palmas para nos chamar.

Tirei meu casaco, os tênis encharcados e as meias no mesmo momento, sabendo que agora ele estava testando se merecíamos ou não ficar ali. Era o castigo por termos nos atrasado.

O convívio com ele há quase um mês o observando atentamente me fez mais esperta para esses detalhes de sua personalidade difícil.

Os outros três dançarinos se posicionaram e Hoseok seguiu meu exemplo, assim ficando mais leve para dançar. Seu rosto estava tensionado de concentração enquanto fazíamos o mesmo, já decorada nossa posição.

Sung se senta de pernas cruzadas perto da porta com uma água e nos faz sinal para prosseguirmos, seus olhos nos analisando criticamente, cada passo, cada expressão...e cada tombo.

Aquele dia eu quase chorei na frente de todos depois de seu sermão. Não, não fora gritos e nem xingamentos. Como eu disse, passivo-agressivo.

Lembro de suas palavras exatas: “Sabe, Alexandra, tombar desse jeito não é sua culpa. Foi um acidente. Acontece. Mas se imagine num palco com milhares de pessoas te assistindo. Se você cai assim, estraga toda a apresentação, nunca mais terá o respeito de seus colegas, você vira piada. E sabe o que pensarão de toda a perfomance e do seu suposto talento? Que não passa de lixo. Todo seu suor e treinamento fora para nada. Um deslize e isso tudo te acontece, então passa a ser sua responsabilidade o que desencadeará. Se torna mais que um acidente. Eu vou fingir que não vi isso para o seu próprio bem. De novo, desde o começo.”

Esvazio minha mente e respiro fundo focando nos passos de dança memorizados. Nada agora podia tirar minha atenção.

Estávamos ensaiando uma coreografia nova, com alguns passos perigosos. Hoseok e o outro dançarino faziam acrobacias, desde pequenos golpes de luta até saltos mortais. Eu sabia alguns golpes e saltos, mas não me atrevia a tentar coisas assim na frente de um perfeccionista como Sung.

Enquanto dançava, não tirei um segundo para pensar ou fazer nada que não fosse relacionado à dançar bem. Bem não, não era suficiente, tinha que ser perfeito.

Por causa da roupa molhada, eu e Hoseok sujamos praticamente a sala toda com os respingos, mas não erramos nenhum passo. Fiquei apreensiva pela parte de Hoseok, já que estava molhado, mas ele conseguiu apesar de tudo.

Quando acabamos, soltei um único suspiro de alívio inaudível. Sung como sempre estava impassível, mas não reclamou de nada também.

Jiang voltou à tempo com as roupas secas antes de continuarmos a treinar, então pudemos tirar as roupas molhadas que começavam a nos dar narizes fungantes e um resfriado.

O resto da tarde e da noite se passou como todos os dias, cansativo e produtivo, mas sem incidentes. Eu e Hoseok ficamos aliviados, porém eu sentia que não tinha acabado.

Eu estava certa.

Na hora de ir embora, ia pegar minhas coisas quando Sung chamou a atenção de todos e anunciou calmamente:

-Por hoje é só. Descansem bem e até amanhã. Isso é para quem não se atrasou. Para quem se atrasou e molhou a sala, quero que fiquem e treinem a coreografia de amanhã até mais tarde e arrumem essa bagunça. Se não fizerem isso não precisam mais vir. Eu saberei se não o fizerem.—e com um olhar penetrante para nós dois, ele e os dançarinos nos deixaram sozinhos na sala.

...

-Só mais essa vez e vamos nos mandar. Eu não vou virar a noite aqui.—Hoseok avisa enquanto descansávamos no chão, suados e sem ar.

-Afir...mativo.—Respondo entre goles de água, exausta.

Já deviam ser mais de meia noite e nós dois ali. Mas eu não era ingênua; eu sabia que tinha dias em que os meninos passavam a madrugada toda treinando. Era essa a vida que eu ia levar.

-Uh...—Me levanto sentindo uma pontada nas costas, me alongando.—Ele quer nos testar ao limite.

-Bom, não vamos deixar barato para o carrasco. Ele vai ter trabalho pra te tirar daqui.—Hoseok bate com as mãos me assustando, animado.

-Se você diz...

Estávamos no meio da coreografia quando escutamos uma batida leve na porta.

Hoseok foi até o som para pausar e eu andei até a porta, a abrindo e levando um susto.

-Hyungwon.—Falo penteando o cabelo para fora do rosto, ciente de que estava desarrumada.

Apesar disso ele me olhava com um sorriso feliz. Ele próprio estava com uma aparência cansada, parecia ter acabado de sair do treino também.

-Oi Alex.—Ele desvia o olhar para Hoseok, dando um aceno.—Atrapalho?

-Oi hyung, não, já estávamos indo embora. Na verdade eu vou ir chamar um táxi, já volto.—Hoseok nos dá um olhar sugestivo quase desrespeitoso e sai porta afora antes de qualquer reação.

-Sutil.—Falo fechando a porta, ainda ofegante.

Hyungwon senta no chão, respirando fundo.

-Estou quebrado. Amanhã vai ser nosso último ensaio antes do comeback, Alex.—Ele me olha e vejo seus olhos pesados pelo cansaço, seu cabelo ligeiramente bagunçado e sua expressão sonolenta. Me perguntava por quê ele tirara tempo para vir me ver se estava tão exausto assim.—Sente-se aqui.—Ele pede dando um tapinha no chão ao seu lado.

Obedeço e me sento com as pernas estendidas, soltando um suspiro.

-Vai dar tudo certo. Vocês tem muito talento, vão ser reconhecidos. Todo esse suor e cansaço...—Levo meus dedos até uma mecha mais rebelde de seu cabelo e a coloco no lugar—vai valer a pena.

Hyungwon me observa nesse ato com calma, sorrindo no final.

-Você roubou o que eu ia te dizer.

Dou risada junto com ele.

-Aish...desculpe.

-Vou ter que te motivar de outra forma...—Ele fala mexendo em um fio desalinhado da minha calça moletom.

O olho curiosa pela fala sugestiva, e ele percebe isso.

Hyungwon e eu nos encaramos desafiantes e, sob a pose séria, ambos sorríamos levemente. Ele parecia ter perdido a vergonha que tinha antes comigo; até mesmo sua postura estava mais relaxada que o normal. Ou então se devia ao fato dele estar fisicamente exausto pelo exercício assim como eu.

Mas o que quer que fosse, o fato era que ele estava diferente de antes. De um modo bom.

Hyungwon sorri e larga o fio, ficando sério de verdade. Ele estava prestes a falar algo importante, e eu tentei me concentrar em seu rosto, mas meus olhos escorregaram para um detalhe importuno que me fez corar.

-Antes que diga qualquer coisa eu queria avisar que o zíper da sua calça está aberto.—Falo apontando para o local sagrado, segurando a risada.

-O quê...? Ah!—Hyungwon ri envergonhado. Ele se levanta e fecha o zíper, então tampa o rosto sem saber o que fazer. Eu só sabia rir de sua expressão.—Alex! Você tirou a minha seriedade!

Ele estava vermelho e parecia tímido, ao mesmo tempo que estava irritado.

Me levantei e tirei suas mãos do rosto, tentando o acalmar, mas ele continuava com vergonha.

-Hyungwon!—Sopro seu rosto de repente e ele pisca surpreso.

Pude ver um misto de surpresa e recordação em seus olhos enquanto me fitava. Estávamos realmente próximos, podia sentir o calor do seu corpo pois o meu estava frio. Sua boca estava entreaberta pela surpresa, e não consegui não olhar para ela.

Mordi o lábio me controlando para não agir impulsivamente.

-Oh...não vai me beijar não é?-Ele pergunta enquanto eu ainda segurava suas mãos. Apesar da sua fala, ele não tirou minhas mãos e nem se afastou; do contrário, Hyungwon aproximou seu rosto do meu, me fitando relaxado.

Franzo o cenho e solto seus pulsos, me afastando.

-Está pensando que eu sou fácil assim?—Questiono arrumando minha roupa, sem o fitar. Era melhor assim, pois evitava tentação.

Hyungwon ri.

-Ah...ok, você está me distraindo. Sente-se, por favor. Eu vou te dizer umas coisas.—Ele fala ne puxando pela mão e me conduzindo até um puff jogado ali perto.

-Estou curiosa pra saber.—Respondo apoiando o rosto nas mãos, esperando.

Hyungwon reagiu a isso comprimindo os lábios e se virando de costas.

-Vai falar de costas?—Questiono divertida e ele estala a língua.

-Alex, está me desconcentrando de novo!—Ele reclama e eu me calo, sorrindo.

Ele respira fundo uma vez e se vira para mim.

Hyungwon estava sério, sem nenhum traço de humor. Na verdade eu até me assustei um pouco, ele parecia...emocionado. Claro que ele era um ator, sabia fingir, mas aquilo parecia muito intenso. Seu olhar parecia dizer coisas.

Ele se aproxima lentamente, me fitando o tempo todo, e dobra um joelho em minha frente, pegando minhas mãos nas suas.

Por um momento achei que ele ia me pedir em casamento e quase enfartei.

-Primeiro e antes de tudo, eu sei que lhe devo desculpas pelo meu comportamento durante o tempo que nos conhecemos. Eu deveria ter sido um homem quando fui um garoto indeciso e medroso. Eu não sou assim, e gostaria que me perdoasse.—Hyungwon me olha de baixo esperando uma resposta. Percebi que ele parecia ansioso, como se não soubesse o que realmente eu iria decidir.

Talvez não fosse o caso dele, mas para mim era óbvio.

-É claro que eu o perdoo.—Respondo apertando suas mãos, sorrindo.

Ele sorri levemente com a minha resposta mas depois volta à máscara séria.

-Obrigado.—Ele acena com a cabeça e molha os lábios, se concentrando.—Eu sei que deveria ter dito antes, mas se eu demorei foi porque estava reunindo coragem para lhe dizer estas palavras, Alex. Desde o momento em que te vi pensei que era a menina mais linda que já conheci. Não por nenhuma característica física específica, mas por seu todo, cada pequena parte sua, de sua personalidade, o modo como faz as coisas e como fala...eu pensei: “o que ela tem de especial que me atrai tanto?”.—Hyungwon falava agora olhando reflexivo para o chão, como se pensasse alto, o que me fez sorrir.

-E agora sabe o que é?—Pergunto entretida e lisonjeada. Ele nunca tinha sido tão aberto assim comigo.

Hyungwon levanta o olhar e balança a cabeça, sem sorrir.

-Ainda não faço ideia. Mas como não posso e nem quero mudar meus sentimentos por você, decidi que deveríamos ficar juntos, se sentir o mesmo que eu.—Hyungwon se aproxima mais e passa seus dedos pelas minhas mãos, num gesto de carinho.—Porque estou apaixonado por você.

Mordo o lábio sentindo algo dentro de mim derreter e evaporar. Devia ser meu coração.

O olho sem saber o que fazer, mas Hyungwon esperava respirando fundo, parecendo se acalmar. Seus olhos observavam minha reação com cautela, como se tivesse medo de me assustar.

Tiro minhas mãos das dele, recebendo um olhar confuso de sua parte, mas logo as pus em seu rosto, o segurando perto.

-Você já deveria saber o quanto sou apaixonada por você.—Falo sorrindo.

Hyungwon suspira e fecha os olhos, sorrindo.

Deixo meus dedos escorregarem de seu rosto mas ele os pega de novo e nos fitamos longamente. Senti um bolo se formar na minha barriga de antecipação.

Hyungwon de repente se levanta e me estende a mão, sorrindo:

-Quer dançar?

Assinto e me deixo ser guiada até a caixa de som, onde Hyungwon imediatamente começou a vasculhar por alguma música lenta.

-Ah...essa serve.—Ele vê que o observava e pisca animado, colocando para tocar. Não sabia o nome da música, mas devia ser dos anos 80 ou 90.

-Que bom gosto.—Elogio divertida enquanto ele me levava até o meio da sala.

-Obrigado.—Hyungwon responde baixinho, satisfeito. Ele se aproximou de mim e colocou sua mão na minha cintura e segurou a direita perto do rosto. Imediatamente coloquei minha mão esquerda em seu ombro, e começamos a nos mover.

-Como foi seu dia, Alex?—Hyungwon pergunta após um tempo, enquanto nos movíamos lentamente junto com a música.

-No geral foi muito bom. Só que eu acabei pegando chuva quando eu o e Hoseok fomos tomar café, e o Sung nos fez dançar molhados e depois na hora de ir embora tivemos que ficar aqui e treinar como castigo.—Faço uma careta de desgosto e ele sorri.

-Hum...interessante. Nem pergunto se tem uma má impressão de Sung. Apesar dos seus métodos, querendo ou não ele é o melhor no ramo.—Hyungwon contrapõe considerativo, com o tom de voz de alguém que fala com uma criança com cuidado.—Tenha paciência com ele por enquanto. Vai melhorar.

Encostei meu rosto em seu ombro, e nos aproximamos mais.

-Não me entenda mal, ele é um gênio. Mas às vezes parece alguém que está prestes a ter um ataque psicótico.

Hyungwon ri e coloca o queixo apoiado no topo da minha cabeça.

-Mas ele é assim mesmo, já tive aulas com ele. Uma vez um amigo e eu chegamos atrasados porque sem querer eu tinha esquecido minha carteira no restaurante onde almoçamos. Adivinha o que ele fez?—Olho curiosa para Hyungwon e ele levanta as sobrancelhas para dar ênfase.—Nos fez pagar a comida de todos os nossos dançarinos colegas que ficaram nos esperando por uma semana. Quase falimos.

-Por quê quase?—Questiono me deixando ser balançada suavemente por ele. Hyungwon parecia se lembrar daquilo como algo bom, pois sorria olhando para frente enquanto recordava.

-Ah...sem ele saber os nossos colegas nos pagavam de volta no outro dia.—Ele responde maroto e damos risada.

De repente a porta se abre e Hoseok aparece, irritado:

-Ei! Estou te esperando já faz dez minutos! O táxi está esperando, vamos Alex!—Ele me chama já se virando, mas é interrompido por Hyungwon.

-Pode deixar, eu levo a Alex.—Ele fala de forma autoritária à Hoseok, não de uma forma ciumenta—Hyungwon e Hoseok eram velhos conhecidos e gostavam um do outro—, mas daquela forma que uma pessoa mais velha fala à alguém mais novo na Coréia.

Hoseok virou nos calcanhares e olhou desconfiado de mim para Hyungwon, sem se atrever a contestá-lo, mas ao mesmo tempo verificando se eu queria o mesmo.

-Obrigado Hoseok, mas eu vou voltar com ele. Nos vemos amanhã.—Lhe dou um aceno que o fez entender.

-Ok, até amanhã. Nos veremos em breve hyung.

-Claro, até.

Hoseok sai fechando a porta e ficamos sozinhos novamente. A música tinha acabado e, de novo, nos fitávamos em silêncio esperando por algo que não sabíamos se ia acontecer.

Hyungwon suspira e passa as mãos pelo meu cabelo.

-Então...vamos?

-Hum, sim. Acho que eu estou precisando muito de um banho.—Respondo cheirando meu cabelo, e sentindo vergonha de estar nesse estado perto dele.-É, preciso mesmo.

Hyungwon ri e começa a fechar a sala. Peguei meus pertences e ele os dele, tomando o cuidado de se cobrir com o boné e um óculos antes de sairmos da Starship.

-Hum...Alex, eu acho que à essa hora vai ser difícil encontrar um táxi por aqui.—Hyungwon comenta logo que atravessamos as portas da frente, recebendo um jato de ar frio que nos fez tremer.

O olho sarcástica.

-E como é que diz ao Hoseok que vai me levar embora então?

Hyungwon parecia embaraçado pela situação.

-Oh...eu...—Ele para de falar dando uma risada nervosa, coçando a nuca.—Ah...sinto muito. Podemos ir à pé. Não fica tão longe daqui não é?—Ele emenda rapidamente querendo dar uma solução viável, não querendo me desanimar.

O fito entretida com seu desespero.

-Mas eu estou muito cansada!—Comento com a voz arrastada, me encostando na parede fazendo drama.

Infelizmente, Hyungwon entendeu isso no sentido literal e coçou a nuca de novo tentando pensar em outra coisa.

-Pelo amor...—Pego sua mão e começo a andar em direção ao centro, o arrastando.—Se você vai ser meu namorado tem que entender quando eu estou brincando!—Reclamo paciente entrelaçando nossas mãos enquanto o guiava.

Hyungwon estancou e me virei para o encarar.

-O quê?—Pergunto confusa.

Ele me olhava surpreso e piscava em silêncio.

De repente me toquei do que tinha feito.

-Ah...esquece. Eu...acho que entendi errado.—Conserto soltando sua mão, vermelha de vergonha. Coloco as mãos nos bolsos desviando o olhar.—Bom, é melhor irmos en...

-Alex.—Hyungwon me interrompe puxando sua máscara e o óculos. O fito esperando.—Não seja boba, você não entendeu errado. É só que...para mim, é emocionante ser seu namorado.—Ele confessa me dando um sorriso gentil.

Precisei de um segundo para digerir aquilo. Então éramos mesmo oficialmente namorados?

-...bom...não sei o que te dizer. Não esperava por essa.—Também confesso assobiando e Hyungwon ri.

-Por quê?—Ele questiona enquanto voltávamos a andar, e ele juntou nossas mãos novamente.

-Eu só estava brincando na verdade, não sabia que queria dizer mesmo aquilo.—Respondo sincera.—Além do mais você não foi muito claro no pedido.—Acrescento categórica e, de novo, Hyungwon parou.

-Ah é? Então vamos resolver isso.—Ele fala se virando de frente para mim, pegando minhas mãos nas suas formalmente.—Alex, você aceita ser minha namorada?



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