História Trato Feito - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Em Família
Personagens Clara Fernandes, Francisca Proença Fernandes, Helena Fernandes Machado, Marina Meirelles, Personagens Originais, Verônica Saldanha
Tags Clarina, Em Família, Giovanna Antonelli, Romance, Tainá Müller
Visualizações 178
Palavras 2.548
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mais um cap super tranquilo, amoroso e sem quaisquer tipo de discussão. Não é mesmo? Até o próximo cambada. Ps: antes iria ter um flashback, mas não achei necessário ser sobre a primeira "conversa" com a Chica, afinal não tem muito o que mostrar.

Capítulo 17 - Tornado


Sinto o vento suave e gelado no rosto, vento esse que não atrapalha em nada esse momento. Apesar dele causar um pouco de frio, a mão que segura a minha já causa calor o suficiente. Goiânia fica tão linda à noite, muito mais do que já é.

Noto que há vários casais sentados a nossa volta, por incrível que pareça ainda acho diferente a sensação de não estar sozinha dessa vez. A fotógrafa parece fazer exatamente o que sua câmera faz, mas com os próprios olhos. O jeito que o olhar dela consegue me intimidar, é inexplicável!

- D-da pra parar?

- Com?

- Esse olhar! Você com esses olhos negros e esse óculos, chega a dar arrepios!

- Jura? - um sorriso discreto surge em seus lábios.

- Sim...

Estamos em um restaurante antigo aqui de Goiânia que foi reformado aparentemente, nas mesinhas da área externa. Apesar de estar tudo ótimo, não posso negar que minha mente sempre volta à algumas horas atrás e provavelmente a Marina notou isso. Minha vontade é ligar pra minha mãe agora mesmo, afinal ela tava me procurando então... Talvez, só talvez queira me escutar.

- Marina? Desculpa, mas..

- Eu sei. Você tá avoada, entendo que esteja pensando nela. Se você quiser, podemos voltar.

- Eu quem te chamei e... Acho que só tô adiando sentir o peso disso tudo. Posso estar brincando e tudo mais, mas eu não paro de pensar no que houve. - a mesma faz carinho na minha mão, enquanto parece procurar algo no celular. - O que tá fazendo?

- Pedindo um Uber.

- O quê?! Não, não precisamos ir agora, nem terminamos de comer! Aliás, o prato principal nem chegou.

- Clara, eu quero e muito ficar, mas você sabe muito bem que adiar não vai ajudar a situação. Sua mãe tava te procurando, provavelmente ela tá mais irritada ainda agora, sem contar a existência do Carlos Eduardo. Querendo ou não, temos que por uma conclusão nessa história.

Depois de escutar tais palavras meu coração dispara, ela tá certa no que diz. Mas mesmo assim meu único instinto é fugir da situação, como sempre. Porém, entre ficar nervosa adiando e ficar nervosa encarando de frente, é óbvio o que prefiro.

- Tem razão. Só me dá um segundo, vou tentar ligar pra ela, saber onde ela tá ao menos... Obrigada por entender, não queria ficar assim... É nosso primeiro encontro de verdade e eu nem se quer consigo falar direito!

- É nosso primeiro encontro sim, mas não o último. E eu entendo sim, sempre vou te entender.

5 anos atrás

Pov's Clara

É, acabou. Definitivamente. Não sei o que sentir, na verdade não sinto nada, só um vazio. Acabo de sair da escola, ainda tô no carro da minha mãe com meu primo. Ainda sinto o gosto da boca dela... Mas provavelmente eu nunca mais vou sentir. Por que eu não discordei da Flávia? Ela é uma idiota.

Uns dias atrás eu ia falar com a Marina, mas a Flávia me puxou pra um canto e disse pra eu ficar longe. Disse que a Meirelles tava me odiando e ficando com ela, obviamente eu duvidei disso. Então ela soltou a seguinte frase:

"Pode não estar comigo, mas não vai ficar contigo também"

Depois falou o quanto ela tá melhor sem mim, sem alguém covarde. Ela tá certa, eu não sou uma pessoa que a Marina pode confiar. De qualquer forma, no entanto, hoje nos beijamos. Mas... Como eu disse, meu primo tá aqui. Ele entrou pra essa escola nesses últimos dias, e como eu tava (e continuo) muito mal e ele não tem amigos, ficamos andando juntos. Ele não chegou a ver nosso beijo, mas assim que Flávia o viu, falou pra Marina que era meu namorado.

Eu travei! Travei como sempre faço, eu poderia dizer algo, mas a aspirante a fotógrafa parece melhor sem mim. Parece mais livre pra seguir o sonho de ter uma carreira. Bom... Cá estou eu, não falei nada, apenas entrei nesse carro junto com ele.

Ponho a mão no meu bolso e sinto algo sólido nele, puxo e... O anel. Que ela me deu. Mas que merda! Não posso pôr fora algo tão valioso, mas não quero ter que olhar pra ele de novo, muito menos que minha mãe veja. Bom... Tenho um lugar pra ele ficar, a mesma gaveta em que guardo fotos nossas.

Encarar esse sol que compõe uma tarde linda acaba comigo, só me faz lembrar mais ainda de nossos momentos. Momentos que se foram.

Marina, espero que não esqueça do que prometemos. Jamais vou esquecer de nós.

Agora

Pov's Marina

Olho pra esquerda, aquele garoto tá me encarando com... Medo? Achei que já era pra ter entendido que não vou bater nele. Assim que o mesmo nota meu olhar, finge que não sabe de nada. Se esse muleque pretende se tornar segurança oficial do hotel, deveria repensar.

Por falar em segurança, eu tô meio que fazendo esse trabalho agora. Mãe da Clara não atendeu ela, então ela subiu pros quartos pra procurar. Enquanto isso eu fico aqui em baixo cuidando pra ver se ela ou o Carlos Eduardo aparecem.

Sinto meu corpo tremer, fazem uns cinco minutos que ela subiu, pode ser pouco, mas ela foi de elevador. Ou não encontrou a dona Chica e tá tentando ligar, ou nesse momento estão discutindo. Se eu for considerar que ela encontrou, me resta esperar o dito cujo aparecer.

Minha cabeça tá maluca... Lembranças tanto de agora, quanto de anos atrás tão voltando. Não quero lembrar dos momentos ruins, mas a situação toda me lembra eles. Me lembra de como perdi ela uma vez, de como fez falta. Ao mesmo tempo em que dói, trás felicidade pelo fato de que agora, ela tá enfrentando todos por nós.

- Você por aqui? E ainda sem bancar carrapato e ficar grudada na minha namorada? - eu não preciso explicar quem é, começa com de e termina com mônio.

- Cadu eu não tô afim de brigar, beleza? E ela não é tua namorada.

- Muito menos tua! Nem vai ser, dona Chica já me ligou contando o que houve. Ela não aprova essa merda toda!

- Aposto que ela vai desaprovar bem mais o fato de tu ter forçado um beijo da Clara! Ou ameaçado nós duas, ou machucado ela! Cala a boca e vem comigo, okay?!

- Ir contigo onde?

- Onde mais seria? Não quer tanto ir contra nós? Então vamos ter uma conversa e ver quem fica com quem. É pra Clara estar com a Chica lá em cima, vamos encontrar as duas. - ele demora um pouco a responder, mas concorda por fim.

Assim que o elevador é desocupado, entramos. O silêncio e tensão é palpável. Minha vontade é socar esse imbecil, ao mesmo tempo em que acho ele simplesmente um muleque. Dentre mil opções, resolvo usar o pingo de bondade que me resta perante a ele.

- Olha... Cara, por que você não desencana? Não tem que ser assim, não é mais fácil ter uma amizade com ela, do que ser odiado?

- E não é mais fácil parar de tentar destruir um casal?

- O quê? Cadu, sinceramente, você não tem mais cinco anos. Para de fingir que não sente que ela realmente gosta de mim! Não é como se você perdesse algo, é melhor ser amigo de alguém que você gosta, do que ter um relacionamento infeliz.

- Quer saber? Eu sei muito bem que a Clara tá pirando e tudo mais. Não aceito isso, e como não posso evitar que fiquem juntas, vou dificultar ao máximo! Quero ver até onde vai essa maluquice dela, mas não fique achando que vai demorar muito tempo até acabar.

- É inacreditável o quanto você é infantil e mimadinho. Eu tentei ser legal, mas quer saber? Vai se ferrar Cadu, quando você ver que a vida não é do jeito que quer, vai ser tarde demais.

Assim que termino de falar, saímos do elevador e damos de cara com ninguém menos que Chica e Clara. Eu e a Fernandes mais nova trocamos olhares igualmente nervosos. Um silêncio paira durante uns segundos, ficando extremamente incômodo.

- An... Bom, vamos ficar parados aqui?! - Chica se pronuncia.

- Não, mãe. Pra onde a senhora quer ir? - o sarcasmo na voz da morena é notável, o que me dá certo medo da mãe dela estourar.

- Já que pelo jeito minha opinião não vale nada, vamos pro meu quarto mesmo! - engulo em seco o comentário de Chica enquanto seguimos pro local estabelecido. Nesse meio tempo os lugares trocaram, Clara veio pro meu lado e Cadu pro da Chica. Assim que chegamos, Clara senta na ponta de um dos sofás e eu um tanto afastada. Enquanto a senhora cuja expressão não é de felicidade, senta na poltrona ao lado do outro sofá onde o traste ficou. O que me agonia é que os sofás estão de frente, então esse merda fica encarando descaradamente a Fernandes.

- Quanto tempo, não é Clara?

- Apesar de eu não ter saudades, sim, quanto tempo Cadu.

- Isso é jeito de falar com o homem que você se comprometeu?!

- Me comprometi sim mãe, mas isso foi no passado.

- Que passado Clara?? O de uns dias atrás? - sinto a tensão aumentar, melhor eu acalmar os ânimos.

- Dona Chica, eu..

- Pra você é Francisca.

- Francisca... Tenho total respeito pela senhora, peço que entenda a situação.

- Que situação? Se for pra eu entender, me explica como e por que seduziu minha filha! O porque de estragar, por enquanto, um futuro casamento! - a agressividade da mesma me espanta e ao mesmo tempo irrita, mas preciso manter a calma pra tudo não ir por água abaixo.

- Mãe, isso não é jeito de falar com as pessoas!

- Clara! Ela é tua mãe, não deve dar sermão nela! - Cadu se pronuncia, até parece alguém sábio.

- Obrigada Cadu, mas não precisa disso, já entendi que minha filha tem tido péssimas influências.

Ela me ofendeu?!

- Desculpe, mas... Como é?

- Sim, você mesma. Tô decepcionada, achei que você tinha um bom coração e boas intenções! Realmente tinha gostado de você e não ligo se gosta de... M-mulheres, só não influencie a Clara.

- Desculpa dona Chi... Francisca, mas eu não influenciei ninguém. A Clara não é uma criança, faz as coisas porque quer! Minhas intenções são boas, eu gosto da sua filha e..

- Marina você e todos aqui sabem muito bem que ela não gosta desse tipo de coisa, só tá querendo chamar atenção! E conseguiu atenção, mas você acha mesmo que isso vai continuar depois que o show acabar?! Você quem sempre ficou na volta desde que apareceu! Sempre perseguindo a minha namorada!

Olho pra Clara e noto o quão nervosa e irritada a mesma se encontra, seu rosto tá vermelho e parece quente... Não que eu não esteja assim, sinto minhas mãos tremerem e meu cérebro borbulhar de tanta raiva.

- JA CHEGA! Eu NÃO sou nada tua, não mais. Chega de palhaçada Carlos Eduardo, não banca o bonzão. Acha que vou ser feliz com ele mãe? Pois eu prefiro sim ficar com uma mulher que me trata bem, do que um traste que me agarrou a força! Sim, seu queridinho fez isso quando tentei terminar. E quer saber? Quem tava lá pra ajudar era a Marina, quem sempre esteve ali foi ela.

- Você fez isso Cadu?! Tô abismada, mas... Como pôde? Eu não entendo!

- Eu tava descontrolado, desculpa se decepcionei a senhora, a Clara sabe que eu jamais faria por querer! - não aguento mais, não mais. Ouvir esse mimado escroto falar.

- Cala a boca. - consigo dizer apenas isso, não quero ser grossa na frente da mãe dela. Apesar de que... Foi grosso de qualquer forma.

- O quê?!

- Isso mesmo, cala a droga da boca. Você é um idiota, mimado que acha que tudo tem que ser do teu jeito. Acha que o bistrô tem que ir pro teu nome, acha que tem que ter a Clara pra si pra pegar o dinheiro da mãe dela, acha que pode... Agredir uma mulher! Eu juro, tentei ser simpática, educada e tudo mais justamente por você, dona Chica, estar aqui... Mas, sinceramente, vai se foder Cadu.

Pov's Clara

- Como é que é?!

Suspiro enquanto encaro o chão, a confusão tá feita. Cada vez mais alguém estoura com tudo isso! Minha raiva é indescritível, principalmente por esse idiota ainda estar tendo direito de fala. Nem ligo mais se minha mãe aceita ou não, ligo pro respeito que mereço!

- Isso mesmo Cadu. Cala a boca, beleza? Esse assunto deixou de envolver você no momento em que você abriu a boca. - Marina retruca novamente, desvio o olhar pra minha mãe, que encara a fotógrafa espantada. No final das contas, o que menos tá importando é como eu me sinto. Todo mundo me interrompendo, gritando feito animais. Não culpo a Marina, afinal ela também foi ofendida.

- Mãe? Esquece o Cadu, foca em mim, sua filha. A senhora vai mesmo fazer isso? Não tentar baixar a guarda, nem se quer dar uma chance e tentar entender o meu lado? Logo eu que sempre estive com a senhora?

- Eu tento entender Clara, mas apenas chego a conclusão de que a Marina não é boa pra você! Carlos Eduardo... Você perdeu pontos comigo, muitos aliás, de fato minha filha não estaria assim com você sem motivo. Mas Clara, você sabe que só tá curiosa! Só não quero que se exponha com uma mulher por puro impulso! Você sabe como as pessoas são.

- E como elas são mãe?

- ... Você sabe, todos sabemos.

- Como? - ela se recusa a dizer, porque sabe que é uma dessas pessoas.

- P-preconceituosas...

O silêncio característico de antes volta. Meu coração não consegue se acalmar, tudo isso só piora! Sinto meus olhos se encherem d'água, mas não é hora pra fraquejar. Marina se aproxima de mim, dando um sorriso de leve, fofa... Quer me acalmar. Sorrio de volta.

- M-mãe... É isso, eu e Marina estamos juntas, a senhora querendo ou não. Cadu, não temos mais nada, absolutamente nada, e espero que você entenda isso definitivamente. Cansei de discutir, além disso... A senhora já deixou claro o que pensa mais cedo. Entendi que não vai me aceitar, que tá decepcionada. Peço desculpas por ter simplesmente saído daqui aquela hora, foi covardia, mas cá estamos nós e... É isso. Apenas peço que entenda que eu amo a Marina.

- Clara, você não sabe o que é am..

- Não sei? Pois eu sei que a senhora amava o papai, assim como eu. Se ele estivesse aqui... Ia te acalmar e ajudar, como sempre. Só peço que... Tente, sabe? Tente entender.

Me levanto, indo até ela e dando um beijo em sua bochecha, apesar mesma relutar um pouco. Tentei falar calmamente, me sinto machucada com as palavras que ela disse hoje... Além disso, lembrei do pai e isso me deixa emotiva sempre.

- Te amo. Descansa, amanhã é nosso último dia aqui antes de voltar pro Rio. Boa noite... Já são onze horas.

- T-também te amo, mas isso não muda minha opinião. - apesar dela responder desviando o olhar, fico feliz por ter respondido de qualquer forma. Marina levanta me olhando preocupada.

- Vamos? - pergunto já me dirigindo à porta.

- Vamos.

- Clara se você sair por essa porta com essa mulher, não tenha certeza se vai poder entrar novamente na minha casa no Rio.

- ... Eu entendi mãe. Até mais.


Notas Finais


Até mais! Um beijo ❤️


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...