História Trono De Sangue - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias Austin Mahone, Becky G, Cole Sprouse
Personagens Austin Mahone, Becky G, Personagens Originais
Tags Becky G, Drama, Luta, Magia, Romance, Sobrenatural, Suspense
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Palavras 5.143
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Você quer capítulo grande @? Então toma. Pra vocês não reclamarem por minha demora. Aliás, desculpe pela demora 😆

Capítulo 16 - A Chama Ou A Estrela


4 DIAS DEPOIS

POV’s Rebbeca Gomez

Gabriel não me acompanha mais.

Eu já conheço o caminho, então não há necessidade dele me acompanhar. Desde ontem eu percorro o caminho das minhas aulas sozinha. Não é tão agradável quanto eu pensei que seria. Gabriel me fazia rir e me distraia, não me deixando pensar na merda de vida que tenho agora. Mesmo com todo o luxo, roupas chiques e quarto confortável. Criadas que só não me dão banho porque eu digo que prefiro fazer sozinha. Nada disso muda o fato de que minha vida antes era bem melhor. Não adianta nada ter uma vida de luxo se você se sente solitário. Não há nada pior do que conviver com pessoas que você não confia. O fato de ter que ficar em alerta o tempo inteiro é cansativo. Não saber se as pessoas estão sendo falsas com você. Ver o desprezo nos olhos deles; eu não sou bem-vinda neste lugar e eu sei disso. Eu não pertenço a isso.

Nos últimos dias eu não vi ninguém da família Real além de Elize. Que acabou virando minha companheira nos últimos dias. A única pessoa que me passa segurança, pois é menor e mais vulnerável do que eu. Também tem o fato de que ela é apenas uma criança e sua inocência continua intacta. Pelo menos, é o que eu acho quando a vejo com sua boneca nos braços e um sorriso nos lábios. Também há um brilho em seus olhos, diferente do resto de sua família.

- E desse lado fica o jardim – diz Elize, abraçando sua boneca com um braço enquanto aponta para o imenso jardim abaixo de nós.

Estamos em uma varanda, um andar acima do jardim imenso e maravilhoso. A explosão de cores foi um choque aos meus olhos que estão acostumados com o branco e dourado do Palácio. Há flores de todas as cores misturadas em um só lugar. Mas, por incrível que pareça, não é uma mistura desarmoniosa. Dá pra ver que, quem quer seja que tenha planejado o jardim, pensou muito bem em um jeito de misturar as cores de forma que não ficasse desarmonioso. Dá pra perceber que houve planejamento, pois as cores se complementam de forma incrível.

- Estamos muito perto, não dá pra ver daqui – conclui Elize, agarrando minha mão e me puxando até que estivéssemos correndo até o elevador.

- Não dá pra ver o que? – pergunto, não entendendo nada.

- Você vai ver – responde ela animada, enquanto aperta o botão do elevador ansiosamente.

Quando as portas se abrem, ela agarra minha mão novamente e me arrasta até a varanda. Só então percebo que estamos dois andares acima.

- Olha! – diz Elize e quando olho para baixo, paraliso.

Escuto uma risada de Elize ao ver minha reação, mas estou tão em choque que não consigo nem olhar para ela.

- E então, o que achou? – pergunta ela depois de alguns segundos, parecendo realmente curiosa sobre a minha opinião.

Essa é a diferença entre ela e o resto das pessoas daqui. Ela não esconde suas emoções e é sempre sincera. Tanto nas palavras quanto nas expressões. Como agora, seus olhos brilham em expectativa e o tom de sua voz ao fazer a pergunta é de pura e sincera curiosidade. E é por esse motivo que me sinto tão a vontade com ela.

- É ... surreal – respondo com a voz falhando, ainda em choque.

E eu fui completamente sincera em minha resposta.

O jardim parece menor daqui de cima, mas também é muito mais magnifico. As flores de várias tonalidades diferentes formam uma imensa chama. Sim, uma chama. O símbolo da Nação do Fogo. O mesmo símbolo que está no chão e nas portas da Sala do Trono e também no anel que todos os membros da família Real usam. O símbolo que os Soldados Reais carregam em seu uniforme.

O símbolo que escraviza milhões e os deixa morrer de fome ou doença é um jardim magnífico feito por flores belas de cores vibrantes que fica bem no coração do Palácio.

É uma pena que o símbolo não tenha um significado tão belo quando o jardim.

O símbolo da Guarda Noturna – uma meia lua com uma estrela no meio – vêm a minha mente e eu a imagino ali, no lugar da chama.

Será que este seria o significado certo? Um jardim magnífico representaria a Guarda Noturna? Seria ela o Jardim do Éden em meio ao inferno? A salvação? Ou será apenas outro inferno desconhecido?

É melhor lutar contra aquilo que você conhece ao lado daquilo que você desconhece? O inimigo do meu inimigo é meu amigo, certo? Mas quando o inimigo em comum for destruído, também será destruída a amizade. O que pode gerar uma inimizade e o mais fraco acabará destruído.

E no caso, o mais fraco sou eu.

Eu devo dizer não? Devo apenas assistir, ou devo escolher um lado? E se eu escolher o lado que coloca em risco todos que amo mas ao mesmo tempo pode salvar milhões? E se eu escolher o lado errado mas com a garantia de que aqueles que amo estarão a salvo? Estarei sendo egoísta?

É claro que estou!

Mas, qual ser humano não é? Qual ser humano trocaria a vida daqueles que ama pela vida de pessoas desconhecidas? Somos todos egoístas.

E se eu apenas assistir a essa guerra? Eu não preciso escolher um lado, preciso? Mas não seria errado? Eu não me sentiria culpada ao saber que poderia estar ajudando ao invés de ser uma inútil?

É claro que sim! Eu já me sinto uma inútil.

Mas minha família está bem agora. Eles recebem dinheiro suficiente para viver bem e sem ter que trabalhar. Não quero colocá-los em risco. Não quero tirar a felicidade deles depois de uma vida inteira de sofrimento.

Mas também não quero que a morte de Anna seja em vão.

O que eu faço? Essa é a pergunta que me persegue a dois dias. O fantasma que atormenta meus sonhos quando estou dormindo e meus pensamentos quanto estou acordada.

Há alguns dias atrás eu estava decidida de que faria parte da Guarda Noturna se tivesse a oportunidade. Mas, quando parei para analisar os prós e contras, percebi que não é uma decisão a ser tomada facilmente. Não quando o que tenho a perder são aqueles que amo.

Ajudar a Guarda pode resultar no destronamento do Rei e a abolição do sistema que maltrata milhões de pessoas. Mas também pode resultar na derrota da mesma, e eu verei o Rei cortar a cabeça de cada membro da minha família antes de ter a minha própria cortada por traição.

Por outro lado, ajudar o Rei resulta na certeza de que minha família terá proteção e uma vida justa. Entretanto não sei até que ponto ele iria para protegê-los caso a Guarda resolva atacá-los a fim de me atingir, já que sou quase oficialmente parte da família Real. Sem contar o fato de que, se a Guarda Noturna vencer o Rei, eu e minha família não estaremos seguros. Também tem o fato de que, ajudando o Rei, eu irei contra meus próprios princípios. Pois sempre jurei a mim mesma fazer de tudo ao meu alcance para acabar com ele.

Mas isso foi antes de minha família estar envolvida.

O que eu faço?

Tenho três opções: Ficar ao lado da Guarda Noturna.

Ficar ao lado do Rei.

Ou deixar as coisas como estão; não ficando do lado de ninguém.

Rebbeca sua burra! A terceira opção não existe. Estou apenas tentando criar uma via de escape.

Eu não posso fazer isso pelo simples fato de que; se eu não escolher um lado a Guarda irá pensar que eu estou do lado do Rei, pois sou noiva do Príncipe. E o Rei irá pensar que estou do lado da Guarda, já que ele perceberá minha ausência de posição quanto a isso. Resumindo; eu estaria no meio do fogo cruzado e acabaria recebendo o ódio de ambos ao mesmo tempo.

Eu tenho que escolher um lado. E o prazo está acabando.

O que eu faço?

Se eles, pelo menos, tivessem me dado mais tempo.

- ... E então eu vou cortar o seu braço pra fazer um ritual que a Clezia me ensinou.

- O quê? - as palavras voam da minha boca automaticamente.

- Finalmente! – exclama Elize, jogando as mãos pra cima em sinal de impaciência. – Estou a horas aqui falando e você não escutou uma única palavra. Em que mundo você estava, afinal?

- Eu... Me desculpe. – digo, com sinceridade.

Levar bronca de uma criança é realmente desconcertante.

Elize exageradamente solta o ar alto o suficiente para que seja ouvido.

- Tudo bem! – diz ela, abrindo um sorriso. – Eu estava dizendo que o James volta amanhã.

Ela provavelmente não sabe, mas toda vez que fala de seu irmão seus olhos brilham. E isso me faz sorrir. Ela me faz lembrar de Sasha, minha irmã mais nova. Ambas têm o mesmo brilho nos olhos.

O brilho da inocência. O brilho de quem nunca presenciou as coisas ruins que o mundo tem a oferecer. Acho que, todos nós tivemos esse mesmo brilho nos olhos. Mas ele se apaga a medida que tomamos conhecimento que a vida não é o conto de fadas que pensamos ser, ou que nos fizeram acreditar que era.

- Ah! – digo, sem o menor interesse no Príncipe. E ela percebe. 

- Você gosta dele?

Suas palavras me pegam de surpresa. Por essa eu não esperava.

O que eu digo? Não! Na verdade, eu o odeio. Assim como odeio o resto de sua família.

Eu não posso dizer isso. Ela não sabe a verdade por trás do nosso relacionamento de fachada. Afinal, ela é só uma criança. Apesar de, as vezes, parecer mais adulta do que eu.

- Eu...

- Finalmente te encontrei. – uma voz atrás de mim me interrompe, e eu olho para trás aliviada e agradecida e vejo Gabriel um tanto quanto nervoso.

- Estou há, pelo menos, meia hora te esperando na Sala de Treino – ele olha diretamente para mim.

Meus olhos se arregalam. Oh, Deus! Eu me esqueci completamente da aula.

- Me desculpe, eu me esqueci – digo, abrindo um sorriso.

Gabriel semicerra os olhos.

- Não mente pra mim. Sei que estava fugindo da aula.

- Eu não... – começo, mas sou interrompida por Elize.

- Ela não está mentindo – diz ela, me surpreendendo. Gabriel a olha espantado, como se só agora tivesse notado a presença dela. – Fui eu quem a chamei para passear comigo e ela acabou perdendo a hora, me desculpe.

- Elize – diz Gabriel, ainda espantado. – Eu não percebi sua presença, me desculpe. – completa ele, curvando o tronco levemente e abaixando a cabeça. Uma reverência clara de submissão. A reverência que todos devem fazer à um membro da família Real.

- Por que você não faz a reverência pra mim? – pergunto cruzando os braços em falsa irritação.

- Você não é da família Real ainda – Elize responde por Gabriel. Não notando que é brincadeira.

- Isso mesmo – diz Gabriel com um pequeno sorriso. – Na verdade você é quem deveria se reverenciar perante minha presença, pois sou um Blackwell, neto do Rei.

- Grande coisa. Continua não sendo um membro Real. – debocho.

Na verdade ele é, só que não diretamente. Somente William, Aurora, James e Elize são membros Reais. Como Gabriel é filho de um filho de William que não foi nomeado Príncipe, ele não faz parte da família Real. Mas continua sendo um Blackwell, e isso é sim grande coisa. Mas ele não terá o prazer me ouvir afirmar isso.

Ele apenas revira os olhos e se vira, começando a caminhar.

- Eu preciso ir – digo à Elize, que acena com a cabeça.

- Nos vemos amanhã, então? Você não conheceu nem metade do Palácio ainda. 

Amanhã!

- Claro – respondo e logo me apresso para alcançar Gabriel.

Elize se tornou minha guia durante os últimos dias. Ela raramente encontra alguém disponível para passar o tempo e eu também não tenho companhia durante meu tempo livre. Foi Aurora quem nos apresentou uma a outra e achou uma boa ideia passarmos nosso tempo livre juntas. De inicio eu não gostei nem um pouco disso, pois Elize é uma Blackwell e, por mais que eu conviva com eles agora, faço o possível para evitá-los o máximo que posso. Mas no fim das contas, mesmo sendo uma Blackwell, ela ainda é uma criança e não tem maturidade o suficiente para aprender a ser como eles. Então eu acabei mudando de ideia sobre gostar de passar o tempo com ela.

Foi então que ela teve a ideia de ser minha guia e me mostrar o Palácio inteiro.

- Eu não aguento mais. – digo, ofegante.

Gabriel me encara e parece um tanto quanto decepcionado. É praticamente impossível ler a expressão dele, pois geralmente ele não tem nenhuma. Ele sabe esconder suas emoções muito bem. Eu só consigo saber quando ele quer que eu saiba. Como agora.

- Eu realmente pensei que você era melhor nisso – diz ele. – Vamos parar por hoje. Você parece derrotada o suficiente.

Eu pego a garrafa de água ao meu lado e viro na boca, a secando de uma vez.

Assim que minhas aulas de etiqueta terminaram, as de luta começaram. E Gabriel é meu professor, pois, segundo Aurora, ele é o melhor do Palácio depois de William e James.

- Porque pensou que eu era melhor? – pergunto, confusa.

- Não é óbvio? – retruca ele, me olhando como se eu fosse idiota.

E eu retribui o olhar com uma expressão ainda mais confusa. Fazendo ele soltar o ar em alto e bom som antes de responder.

- Você é a vencedora da Arena, Rebbeca.

Dãã”. É a palavra não dita que circula no ar ao nosso redor.

- Mas eu só tive um adversário – retruco, engolindo seco.

Eu não gosto das lembranças desse dia. Venho tentando afasta-las da minha memória, mas sem sucesso. Constantemente a cena de Anna sendo morta me assombra. Como um loop infinito. 

- Um adversário com duas vezes seu tamanho e quatro vezes sua força – diz Gabriel, parecendo incrédulo. – Eu vi você na Arena, Beca. Aquilo foi totalmente diferente disso. – ele aponta pra mim e depois pra ele. Indicando a luta que acabamos de ter.

Ou melhor; a surra que acabei de levar.

- Eu sei – respiro fundo e me sento no chão acolchoado, com ele me acompanhando. – Para ser sincera, eu não me lembro muito da luta, mas eu me lembro de me sentir diferente. Eu não sei, é como se eu não fosse eu mesma, entende? – ele acena com a cabeça enquanto me encara sério. – É como se eu tivesse me transformado em outra pessoa, ou como se algo me possuísse. Mas não era eu mesma e, ao mesmo tempo, era. Eu estava consciente dos meus atos, mas ao mesmo tempo, não parecia eu quem os controlava. Foi apenas por um breve momento.

- No momento em que você realmente lutou – concluí ele e eu concordo com a cabeça. – Sinceramente, eu não sou do tipo que acredita em possessão ou alguma coisa do tipo. Então, minha conclusão lógica para o que você descreveu e que você agiu por impulso num momento de adrenalina. Todos nós fazemos coisas que jamais imaginamos sermos capazes quando estamos sob pressão ou quando a adrenalina nos toma.

- É, deve ter sido isso.

Ou eu quero muito acreditar que foi realmente isso e que não tem nada a ver com as coisas estranhas que aconteceram depois que toquei aquela espada na praça.

- Então isso quer dizer que vou ter que ficar sob pressão ou com a adrenalina alta para conseguir te dar uma surra? – brinco. 

- Não custa nada tentar, não é? – responde se levantando. – Mas, diferente do cara na Arena eu sei lutar e você vai precisar de muito mais do que aquilo para me vencer. – ele sorri convencido antes de se virar e ir em direção a porta. No meio do caminho, ele fala: - Nos vemos amanhã – e então estou sozinha na sala.

Amanhã! Para ele, um dia como qualquer outro. Mas para mim, o dia que tomarei a decisão que mudará meu futuro. Positivamente ou negativamente; isso eu só descobrirei quando for tarde de mais para voltar atrás.

O que eu faço?

Quando chego ao meu quarto, estou exausta. A aula com Gabriel acabou comigo. Tudo dói. Mas é só o segundo dia. Mais tortura está a minha espera.

Tomo um banho rápido e deito na cama. Sempre que fecho os olhos a imagem da minha família surge diante de mim, e dessa vez não é diferente. É doloroso não poder vê-los mais. Eu, na verdade, cheguei a pedir William para vê-los mas ele disse um não que cortou meu coração ainda mais.

Eu só espero que eles estejam bem.  

***

Quando amanhece, eu já estou de pé quando as criadas chegam. Hoje só vieram Luci e Karli. Na verdade não há necessidade delas me arrumarem e eu já disse isso a elas, mas elas sempre insistem que são as ordens e que não podem fazer nada quanto a isso.

Assim que Luci entra no quarto, nossos olhares se encontram. Eu estou ansiosa e nervosa, por isso levantei cedo hoje. A noite não foi uma das melhores, na verdade, nunca mais consegui ter uma noite boa desde que vim pra cá. Mas a noite passada foi a pior.

Mesmo dormindo minha consciência não me deixa em paz. O peso é grande de mais para simplesmente deixar pra lá nem que seja por algumas horas.

Estou com olheiras horríveis, que logo são camufladas por Karli e sua maquiagem, que sempre faz milagre.

E enquanto ela arruma meu cabelo e maquiagem, ela percebe minha ansiedade, mas não pergunta nada. Não porque não quer e sim porque não pode.

Criados não são amigos, eles estão ali apenas para lhe servir. São estritamente proibidos de fazer perguntas sobre assuntos que não lhe convém.” Me lembro das palavras de Sara. Mas eu não as enxergo assim e nunca enxergarei. Por mais que eles queiram eu nunca serei como eles.

Com o passar dos dias eu me tornei mais próxima delas. No início, relutaram e acharam estranho o fato de eu querer me relacionar com elas, já que aqui elas são tratadas como parte da mobília. Não somos exatamente confidentes, mas conversamos mais abertamente. Contudo, ainda assim, elas se sentem relutantes em perguntar assuntos pessoais meus, como Karli nesse momento.

Mas mesmo se ela perguntar eu não posso dizer a verdade. Porque ela não faz parte. Somente Luci sabe porque estou assim, somente ela faz parte. E é por esse motivo que acredito que a Guarda Noturna têm grandes chances; Luci é uma deles e trabalha no Palácio. Sem contar o fato de que ela sabe de muita coisa. Muitos segredos foram escutados por aquelas ouvidos e aqueles olhos já presenciaram muita coisa. Por ser criada, eles não se preocupam. Como são vistos como inofensivos, eles acabam os tratando como parte da mobília e não se importam com o que ouvem ou veem. E esse é o grande erro deles. 

Criados são ótimos espiões porque não precisam fazer nada para conseguir informações. São as informações que chegam até eles e não o contrário.

- Senhorita, qual brinco gostaria de usar hoje? – Pergunta Luci, e quando me viro para ver os brincos, paraliso.

Luci me olha nos olhos enquanto segura dois pares de brinco na minha frente. Um é o desenho de uma chama com rubis. O outro é uma estrela pendurada por uma corrente fina de diamantes.

A chama para NÃO ou a estrela para SIM.

FLASHBACK ON

Estou sentada de frente para o espelho observando o trabalho impecável de Karli, enquanto a mesma está ocupada arrumando a bagunça que havia feito com os produtos.

- Ficou maravilhoso, Karli. Muito obrigada! – digo, com a mesma se virando para mim com um sorriso.

- Obrigada, senhorita! Não precisa agradecer, estou apenas fazendo meu trabalho.

- A senhorita precisa de algo mais? – pergunta Luci, arrumando uma mecha do cabelo extremamente liso e preto que havia soltado do penteado.

- Não! E, por favor, não me chame de senhorita. Já pedi isso milhões de vezes.

- Desculpe, senhorita! É o protocolo. – reviro os olhos para sua resposta.

Normalmente eu diria: foda-se o protocolo. Mas eu não tenho intimidade com elas. Somente com Anna eu podia falar o que pensava. Somente com ela eu podia ser quem eu realmente sou.

- Já que não precisa mais de nós, estamos indo, senhorita. – diz Karli, com seu belo sorriso.

- Tudo bem! Obrigada, meninas.

Karli é a primeira a se encaminhar para a porta e quando Luci passa por mim ela coloca algo na minha mão discretamente, sem nem mesmo me olhar e se junta à Karli, logo me deixando sozinha no quarto.

Eu rapidamente olho o que ela me deu e percebo que é um papel. Um papel pequeno com letras escritas a punho.

“Junte-se à nós. Lhe daremos dois dias pensar e então no terceiro dia, você escolherá a chama para NÃO ou a estrela para SIM.

PS: Por favor, destrua está mensagem assim que terminar de ler.

                                                    GN.”

Abaixo da assinatura havia uma meia lua com uma estrela no meio. As iniciais GN só podem significar uma coisa: Guarda Noturna.

Eu fico parada olhando para o papel por no mínimo dez minutos.

Isso está acontecendo, está realmente acontecendo. Eles me querem do lado deles. Eles sabem que eu não estou aqui por escolha própria.

Assim que término de ler pela décima vez, vou até a cômoda e pego um isqueiro, coloco fogo no papel e assisto as palavras serem consumidas pelas chamas. O que, na verdade, é meio irônico. O pensamento me faz rir francamente enquanto pego o cinzeiro com as cinzas do papel e vou até o banheiro, jogando as cinzas no vaso sanitário e dando descarga. Apagando todo e qualquer rastro de sua existência.

FLASHBACK OFF

Eu olho para Luci uma última vez antes de escolher o par de brincos e colocá-los. Quando me olho no espelho vejo os diamantes brilharem como as estrelas na imensidão da noite.

- Esses brincos ficaram lindos na Senhorita – diz Karli com um sorriso sincero. – Não é infantil como a maioria dos brincos de estrelas.

- Verdade! – concordo. – Obrigada, Karli.

A estrela para SIM.

- A Senhorita precisa de algo mais?

- Não! Obrigada meninas – abro um sorriso agradecido para ambas.

- É um prazer, Senhorita. Então, vamos Luci?

- Sim, claro. Eu vou só pegar as minhas agulhas.

- Te espero no corredor, então. – diz Karli saindo do quarto.

Mas Luci não pega nenhuma agulha. Ela apenas tira algo do bolso e coloca na minha mão.

- Coloque no ouvido quando tiver certeza de que ninguém irá aparecer – murmura e logo vai embora, me deixando sozinha no quarto.

Eu respiro fundo antes de abrir a mão e ver um pequeno dispositivo. Olho para o relógio holograma na minha cômoda e vejo que ainda tenho mais 10 minutos antes do horário do café da manhã. Será que é tempo suficiente?

Estou curiosa e ansiosa de mais para esperar mais tempo. Coloco o dispositivo no ouvido e três segundos depois eu ouço uma voz feminina.

- Olá Rebbeca Marie Gomez! Se está ouvindo esta mensagem significa que aceitou nossa proposta. Estamos felizes em tê-la do nosso lado. Agora lhe daremos sua missão como integrante da Guarda Noturna. Não se preocupe, é algo muito fácil para você, pois está comprometida com o Príncipe, e isso lhes torna próximos. Sabemos que é uma relação de fachada. Mas isso não significa que ambos não possam se relacionar. Você terá que se tornar alguém muito próxima sentimentalmente do Príncipe. Melhor dizendo, você terá que fingir sentimentalismo.

“Em outras palavras queremos que você construa um relacionamento com James Blackwell. Faça-o acreditar que você o ama e tenha certeza de que ele sinta o mesmo por você. Por quê? Porque precisamos que ele confie em você o suficiente para lhe contar os planos do Rei contra a Guarda Noturna. Tudo e qualquer coisa. Você saberá em breve como passará as informações coletadas para nós. Estamos contando com você, Rebbeca.

Por favor, entregue o dispositivo para a mesma pessoa que o deu a você.”

E então a mensagem acaba. Mas eu estou perplexa de mais para me mover ou se quer raciocinar normalmente.

A minha missão é enganar o Príncipe e coletar informações. É isso mesmo que eu ouvi?

Eu preciso fazê-lo acreditar que eu o amo. É isso mesmo que eu ouvi?

Uma missão fácil pra mim. É isso mesmo que eu ouvi? Eu vou ter que enganar uma pessoa treinada a vida inteira para saber quando alguém está o enganando. Onde isso é fácil? É praticamente impossível.

Como eu vou fingir que amo alguém que eu odeio? Não fui treinada pra isso.

Na pior das hipóteses eu vou acabar morta por causa dessa missão.

Maldita hora que eu fui dizer sim.


POV’S TERCEIRA PESSOA


James encara seu pai e seu tio à sua frente na Sala do Trono. Ele acaba de relatar os acontecimentos na base da Tropa e a feição de ambos não está nada elegante. Ara e Aurora também estão presentes e recebem a notícia da mesma forma que os Reis.

- Precisamos esmaga-los de uma vez por todas – diz Ara, furiosa. – Eles se infiltraram na Tropa. Isso já foi longe de mais.

- Acalme-se Ara – resmunga Jackson. – Você precisa aprender a controlar seu temperamento ou isso só te levará a ruína.

Pelo que James conhece de Ara, o comentário de seu pai apenas a irritou mais ainda.

- Não subestime seu inimigo somente porque você é imortal – continua Jackson. – Imortalidade não necessariamente significa invulnerabilidade. Você tem muito a aprender antes de sentar num trono e governar uma nação.

Ara apenas ri pelo nariz e concorda com a cabeça. Ela não é orgulhosa o suficiente para concordar. Assim como James, ela tem plena consciência de que precisa de mais alguns anos de aprendizado antes de governar uma nação.

- Eles são grandes. – admite William, pensativo.

Pelo que James conhece de seu pai, ele está construindo uma teia de ideias e estratégias em sua mente desde o momento em que ele terminou de relatar os acontecimentos.

- Para serem capazes de se infiltrarem na Tropa, não restam dúvidas – comenta Jackson. – Temos um inimigo digno de atenção.

- Desde o ataque à Addon já tínhamos a confirmação de que mereciam atenção. Eles não são como os outros revolucionários. Dessa vez é diferente.

- Seja lá qual for o plano deles, têm uma falha grave – diz Ara. – Não podem nos matar sem a Espada.

- Que está no meio de uma praça pública – retruca Aurora.

- Mas não pode ser retirada se não for por alguém de sangue Blackwell – Ara relembra.

- Por que ela está lá mesmo? – pergunta James, pela primeira vez entrando na discussão. – No meio da praça pública de uma Cidade Baixa?

O termo Cidade Baixa é usado para descrever as cidades pobres. Onde moram a escória.

- Clezia nos ajudou a concretizar nosso objetivo e em troca nos fez prometer que faríamos isso a cada dez anos. – explica Jackson, e quando vê que outra pergunta será feita por Ara, logo acrescenta: - Não pergunte o motivo, nós também não sabemos.

Com “nós” ele se refere a ele e William. Que utilizaram a ajuda de Clezia para controlar parte do mundo e ter uma grande influência na outra parte. James já ouviu essa história mais de vinte vezes.

Vocês saberão o motivo quando chegar a hora”. Essa havia sido a resposta dela para eles, segundo seu pai – que adorava contar a história de como conquistou o poder que possui hoje para James, quando ele era criança.

Clezia sempre foi uma pessoa independente e nem um pouco solidária. Ela não faz favores. Se você quer que ela faça algo para você, então você precisa fazer ou ter algo que ela queira. Se você não tem como pagar pelo serviço, então ficará sem ele. Mesmo que sua vida dependa disso. E se você lhe promete algo e não cumpre, é melhor arrancar seu próprio coração antes que ela te encontre. Mas se você joga segundo suas regras, não há o que temer.

- De qualquer forma precisamos fazer algo. Se eles se infiltraram na Tropa, também já podem estar aqui – diz William.

- Você quer dizer aquela baixo nível que está para se casar com James? – pergunta Ara, e a raiva em sua voz é nítida.

James apenas revira os olhos.

- Não! Nós fizemos o teste com ela antes de deixá-la ficar. Ela não mentiu quando disse que não tinha ligação com eles. – responde William, ainda pensativo.

- Por que a trouxe para o Palácio mesmo? O Senhor poderia apenas ter se livrado dela.

Mais uma vez, James revira os olhos para as palavras de Ara.

- Não que seja da sua conta, mas eu já estava para falar que qualquer forma – diz William. – Quando ela estava lutando na arena, em um certo momento, seu olhar e a forma de lutar eram exatamente iguais aos de Natalie. Isso nos incomodou, então achamos melhor mantê-la por perto para podermos ficar de olho nela – ele olha para Jackson, que concorda levemente com a cabeça.

James se lembra disso, do momento em que ela estava lutando e seu pai e seu tio pareciam ter visto um fantasma. Então foi por isso que ficaram daquele jeito.

- Pode ser apenas imaginação nossa, mas é melhor mantê-la por perto. – diz Jackson.

Dessa vez é Ara quem revira os olhos. E James sabe exatamente o que ela está pensando. Provavelmente é algo como “bando de velho louco.”

- Como tenho assuntos mais urgentes para resolver, ela ficará por sua conta, James. – diz William, olhando diretamente para o filho.

Ah, claro! Pensou James. É sempre assim.

- Quero que se aproxime dela, finja que gosta dela ou coisa do tipo. Você sabe bem como fazer isso. Aprenda suas manias e hábitos. Descubra seus medos, sonhos, o que ela odeia comer e o que gosta. Qual sua cor favorita e o que acontece em seus sonhos quando dorme. Eu quero saber tudo, sem deixar passar nada.

- Sim, Senhor – responde James.

- A tour de vocês por Dukan será anunciada ainda hoje. Uma ótima oportunidade para você. – anuncia Aurora, sorrindo.

James acena com a cabeça.

- Posso ir? – pergunta ele, muito cansado para ficar ali por mais tempo.

- Sim! – responde o Rei. – Vá ver sua irmã, ela ficou o tempo inteiro no meu pé desde que você saiu, perguntando se você já havia chegado.

James abre um pequeno sorriso ao se lembrar de Elize e se retira do cômodo, indo em direção ao quarto da irmã. Ele também havia sentido saudade.  


Notas Finais


Esse é o maior capítulo que já escrevi na vida. Deu um trabalho que vocês nem imaginam. Então não custa nada vocês deixarem um comentário, ne? Love you


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