História Two Ghosts (Malec) - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Magnus Bane, Personagens Originais, Raphael Santiago, Simon Lewis
Tags Divórcio, Malec, Superação, Traição, Violência Doméstica
Visualizações 228
Palavras 3.909
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


HEROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU, OLHA SÓ QUEM RETORNOU APÓS TANTO, TANO TEMPO, HEIN? HAHA!

Músicas do capítulo:

— It's You, Henry
— I Love You Boy, Suzy
— You Belong To My World, Roy Kim
— Come To Me, Lee Jong Suk
— Today I Miss You, Davichi
— Maze, Kim Na Young

P.S: troquei o dia com Beyond de novo porque Two Ghosts é mais fácil de escrever e editar; Beyond leva um tempinho, tipo Armor.

Enjoy it.

Capítulo 6 - Don't Let The Flowers Melt


Fanfic / Fanfiction Two Ghosts (Malec) - Capítulo 6 - Don't Let The Flowers Melt

6

↷ ∂σท'τ ℓєτ τнє ƒℓσωєrs мєℓτ ↶​​

 

Nós dois fomos feridos, temos ɑlgumɑs cicɑtrizes

Mɑs isso não importɑ ɑgorɑ, estɑmos olhɑndo pɑrɑ ɑs estrelɑs

— Daughtry, "̶H̶i̶g̶h̶ ̶A̶b̶o̶v̶e̶ ̶T̶h̶e̶ ̶G̶r̶o̶u̶n̶d̶ "

 

Os dias transcorreram como as águas dos rios na calmaria permanente, em meio às trocas de cores do céu e os laços de corações apaixonados. Magnus, após mais um ensaio com a banda, pendurou o estojo da guitarra no ombro e saiu porta afora. Parou rente à calçada, sob uma proteção com o letreiro do bar, e observou o cair da chuva que crescia em disparada. Ele retirou o celular do bolso quando este tocou alto, soando quase como o grito de um felino ao se comparar com os pingos do aguaceiro que escorriam rua abaixo.

Na tela brilhou a letra ‘K’, e Magnus atendeu com um suspiro. Um quadrado sorriso se formou em seus lábios e ele cruzou os braços, fazendo com que a jaqueta de couro ficasse engruvinhada perto dos cotovelos.

— Fala, docinho.

A voz de Magnus soou extremamente familiar para Keith e este, do outro lado da linha, sorriu. A amizade que ambos construíram foi o porto seguro de Keith desde o início; era Magnus quem o acalentava em seus braços e o acalmava com o seu jeito “homenzarrão” e sincero de ser. Era em Magnus que ele sempre encontrara forças para não desistir da vida graças a tudo o que Russell fizera a sua família. E, também, graças a Magnus ele conhecera Duncan e seu pai — após tanto tempo — encontrara motivos para observar o jardim sem que seja pela janela da casa.

— Não me chame assim! — Keith exclamou, mas o sorriso em seu rosto não desapareceu.

Magnus inclinou a cabeça para trás e estendeu uma das mãos, deixando que os pingos da bátega percorressem seus dedos até chegarem aos pulsos fechados em tatuagens. Lembranças vívidas resurgiram e Magnus tentou conter uma risadinha, seu coração batendo rapidamente como o de um adolescente descobrindo o primeiro amor. Ele sabia que precisava conversar com Keith o mais rápido possível, mas não podia resistir à ideia de ter um romance juvenil com Alec. Não conseguia resistir à ideia de dar a ele agora tudo o que deveria ter vivido quando fora obrigado a se casar.

Alec já havia vivido um amor impossível, mas Magnus daria a ele um amor de verão, como uma comédia romântica sob os dramas do cotidiano. Daria a ele a felicidade simples de ter alguém ao seu lado em todos os momentos.

— Só me diz logo o que quer, Keith — ele soltou uma risada sonora e Keith não conseguiu deixar de se perguntar internamente porque Magnus estava tão feliz.

— Não vou dizer por telefone — ele mesmo, esquecendo-se da felicidade momentânea de Magnus, sentiu seu coração retumbar dentro do peito e suspirou. — Quero marcar um jantar hoje lá em casa. E você vai. Ponto final.

— Quando foi que nossa relação se tornou tão abusiva? — Magnus revirou os olhos. — Eu não tenho direito de escolha?

— Absolutamente não.

Certo, Magnus não conseguiu conter o sorriso. Agora que conhecia Alec, sabia bem de quem Keith havia puxado aquele temperamento.

— Mas nós vivemos em um país livre...

— Magnus — ele demonstrou impaciência e Magnus não aguentou, começando a gargalhar enquanto encostava o corpo na parede do estabelecimento. — Você faz isso de propósito, não é?

— A culpa não é minha se a sua paciência é igual a menos zero.

Em certos momentos, Magnus agia como uma criança arteira; embora sempre muito divertido, eram raras as vezes em que soltava gracejos tão naturalmente. Seu jeito descontraído era, na verdade, uma forma de esconder as cicatrizes que a vida já havia lhe deixado. No entanto, Keith percebeu que aquilo parecia diferente. Magnus parecia diferente. A felicidade irradiava dele como o calor irradia do sol.

— Você está bem? — Keith perguntou sem conter-se mais. — Por que está agindo assim?

Ah, claro. O radar que seu melhor amigo — quando realmente te conhece e se importa com você — tem. Magnus desgostava desse lado de Keith boa parte do tempo, principalmente por ser incapaz de esconder coisas dele.

— Assim como? — Uma boa tentativa é agir como idiota. Sempre funciona.

— Eu sei que você não é idiota, Magnus.

Certo, nem sempre.

— Tá legal. — Magnus respondeu. — Eu vou contar para você. Quando for a hora. Agora eu tenho que ir. Até mais.

Desligou tão rápido que não pode deixar de achar-se um adolescente no ensino médio. Não fazia tanto tempo desde que estivera naquela idade, mas não esperava viver aquela adrenalina tão cedo novamente.

Durante as horas seguintes, tudo o que Magnus fez foi vegetar. Isso acontecia com frequência sempre que as aulas eram canceladas ou as férias chegavam; mesmo gostando de barulho e festas, ele sempre acabava daquela forma: jogado no sofá como se viver fosse cansativo demais. Afinal de contas, é sim. Viver é infinitamente cansativo. Ainda mais, para Magnus, quando Alec não está por perto.

Seu apartamento ficou afogado em sombras até que Camille, perto da hora do jantar, passou pela porta de entrada e o jogou no chão, falando com a voz estridente que ele precisava se arrumar para se encontrar com o amor de sua vida. Foi uma cena engraçada, e tornou-se mais cômica ao que Magnus se lembrou de que estivera com aquela mulher em um relacionamento sério por muito tempo. Mas ali estavam eles, como antes de tentarem algo mais profundo. Magnus agradecia pelo comportamento maduro de Camille — diferente das pessoas com quem esteve antes — e pela sua maneira feliz e contagiante de enxergar a vida. Era uma amizade que Magnus desejava levar por muito, muito tempo.

— Por que você está jogando as minhas roupas no chão?

— Eu não vou deixar você ir com suas botas e calças de couro nesse jantar, Magnus.

— Pensei que você gostasse do meu estilo — ele reclamou e sentou-se na beirada da cama, pisando no chão como se estivesse pisando em campo minado.

— Eu acho que combina com você e mostra toda a excentricidade e a rebeldia, mas não tem absolutamente nada a ver com esse tipo de evento. — Camille puxou um cabide do fundo do closet, sorrindo para as peças. — Eu sabia que você ainda tinha isso!

— Você por acaso está pensando em me vestir com uma camisa social? — ele arregalou os olhos. — Não, nunca!

— Por que todo esse drama? — Camille fez com que ele ficasse de pé e estendeu a camisa diante do peito, sorrindo em seguida. — Alec não vale esse pequeno esforço?

Magnus suspirou, sua pele se arrepiando e os batimentos aumentando apenas com a citação do nome.

— Você acha que ele vai gostar? — olhou-se no espelho e fez uma breve careta, arrancando uma risada divertida de Camille.

Ele gosta de você — disse ela em resposta e apoiou a mão no ombro dele, fazendo um leve afago. — E o que você vai vestir não vai alterar isso.

— Então por que preciso sair do habitual?

— Porque você o ama — ela deu de ombros. — Agora, vamos lá. Está na hora de se arrumar.

Mais tarde, Magnus estava vestindo uma calça jeans clara e uma camisa social branca dobrada até os cotovelos. Não havia maquiagem em seu rosto e suas tatuagens estavam à mostra, também aparecendo através do tecido que marcava o peito. Havia ganhado aquelas peças do pai meses antes, mas nunca as havia usado. Eram tão simples e significavam muito, mas por não terem nada a ver com o homem no qual havia se tornado, Magnus as deixou no fundo do armário. No entanto, ali estava ele, vestindo-se como um outro alguém porque pela primeira vez em muito tempo estava disposto a se esforçar por alguém. A mostrar-se mais do que um guitarrista e um estudante com pensamentos além do seu tempo. Ele queria mostrar que era um homem digno de amar Alec e de ser amado de volta; que era digno daquela família linda e dos dias de felicidade.

— Não pense que isso não é ser você — disse Camille atrás dele, a voz suave. — Sei o que suas roupas significam Magnus. Sei que são sua proteção, que as usa, assim como o seu jeito e porte, para manter os outros afastados. Mas não precisa desses apetrechos essa noite. Deixe Alec ver o segundo lado da moeda.

— Eu não sei se isso... Se ele relacionamento vai dar certo — ele disse com um suspiro. — Eu nunca... Eu nunca me senti tão inseguro antes, Mille.

Camille deitou o rosto nas costas dele e o abraçou pela cintura, apertado.

— Nós dois sabemos o quanto estar apaixonado é assustador e, ao mesmo tempo, refrescante. Então não pense demais, não hesite. Você sempre foi direto e corajoso, apenas continue assim. Mostre ao Alec o homem maravilhoso que você é e que a vida, por mais obstáculos que possua, não é uma corrida impossível de ganhar.

Magnus fechou os olhos brevemente e sorriu.

— O que eu seria sem você?

— Nada, meu querido. — Camille colocou-se ao lado dele e cruzou aos braços. — Sem mim você não seria nada.

E ambos riram porque sabiam que era verdade. Era mais que isso. Era recíproco. 

Enquanto Alec subia as escadas após preparar o jantar com a ajuda animada de June, seu coração seguia o ritmo das passadas dos degraus. Ele ficou nervoso após, sem mais nem menos, Keith avisar sobre um jantar. Incluindo ainda o fato de que ele havia convidado Magnus. E Alec não sabia como se sentir agora. Não sabia como encará-lo após o beijo sob aquelas estrelas artificiais — mas não menos lindas — e, também, não fazia ideia de como daria início a conversa da qual queria fugir: sua tentativa de suicídio.

Entrou no quarto e fechou a porta, caminhando para a janela como se a noite ter caído após um longo dia refletisse sua ansiedade. Ocupou-se em mover-se de um lado para o outro, torcendo os dedos e mordendo os lábios. Se pensasse com cuidado, ainda era capaz de sentir o gosto da boca de Magnus e o seu toque sobre sua pele. Nunca imaginara que um dia se entregaria a algo tão intenso; mesmo que já tenha amado antes, aquele amor era diferente. Magnus era diferente.

E ele estava começando a admitir para si mesmo que, em poucos dias, Magnus vinha ganhando seu coração. Pouco a pouco ele ia se entregando, temendo o momento quem Magnus perceberia todos os problemas que o rodeavam e que, então, partiria sem olhar para trás. E a ideia de Magnus deixá-lo foi tão dolorosa que Alec levou a mão ao coração e se contraiu, apoiando-se na parede.

Não acreditava que Magnus era como Russell. Deus, não. Mas não podia deixar de temer, de pensar em tudo o que já ouvira e em todos os maus tratos que enfrentou. Alec sabia que não era fácil sair do poço no qual estava, mas aceitou tentar, se esforçar. No entanto, ainda era uma escalada difícil. As pedras são escorregadias e os fleches de luz são raros. Ele ainda, por mais que tentasse, tinha ataques de pânico, passava por momentos em que conversar com alguém era aterrorizador. Manter os olhos abaixados e não falar eram características que foram impostas a ele após o fim dos primeiros anos de casamento até a recente separação. São hábitos ruins, ensinamentos sujos, que ele buscava se desfazer.

Russell havia ido embora, mas o estrago que ele havia feito parecia que jamais seria capaz de ser reparado.

 — Papa? — June entrou no quarto enquanto Alec encarava o vazio com os olhos vermelhos e perdidos.

— Oi, meu amor.

Seu sorriso foi falho, as batidas de seu coração também. Um pensamento mínimo de um amor começando a nascer deixou de ser uma alegria após levá-lo de volta para a parte obscura de sua mente. Ele ainda era capaz de sentir os golpes duros de Russell contra ele: os chutes, os socos, os puxões de cabelo... os estupros. Mas para Alec nada nunca doera tanto quanto as palavras. Aquelas benditas palavras. Porque mais do que ações, palavras são capazes de destruir um ser humano. Alec estava destruído.

E ninguém sabe o quão difícil é se levantar quando não se tem mais esperanças. Ninguém que nunca tenha estado no nível mais baixo sabe como é chorar sem motivo algum porque, de repente, sua mente te levou a um caminho triste e tudo o que você pode fazer é gritar por ajuda, quando, na verdade, para as pessoas é como se você estivesse sussurrando.

Ninguém se importa com o seu estado. As perguntas do dia a dia estão ali por conveniência, não porque há empatia. Poucas pessoas realmente estarão ao seu lado. Para elas, peça uma mão. Desde que não se esqueça de também pedir uma a si mesmo.

— Por que os seus olhos estão assim, papa? — June olhou para Alec com um semblante triste. Alec pensou estar olhando para Isabelle criança, tão protetora e cheia de energia. Seu peito doeu e tremeu. Ele sentiu como se fosse desabar. Em momentos como aquele, ele precisava tanto de sua irmã que chegava a ser desesperador. — Você quer chorar?

— N-Não, não.

June estendeu a mão para ele que apenas um segundo depois entrelaçou a sua. Ela guiou-o até a cama e deixou que se sentasse, então olhou-o diretamente. Seus olhos negros brilhando como a noite infinita. June era aquela nascida na noite infinita. Aquela que mantinha Alec perto da irmã e do cunhado mesmo que eles não estivessem mais por perto.

— Você pode chorar, papa. — June contraiu os lábios e suspirou. Acima de seu lábio havia uma pequena pinta, exatamente no mesmo lugar da de sua mãe. Alec sentia-se triste sempre que lembrava que um acidente fatal separara aquela família tão bonita. Quase todos os acontecimentos são injustos, ele havia aprendido. — Se você se sentir bobo fazendo isso, eu posso virar de costas e não olhar.

Alec soltou uma risadinha.

— Você faria isso por mim?

— Você sangrou por mim, papa, por que eu não faria o mínimo de volta? — a seriedade na voz deixou Alec surpreso. Sua respiração se desgovernou e ele sentiu um nó subindo na garganta. — Se você chorar, vai se sentir melhor. Porque cada gotinha de lágrima é como um pedacinho da dor indo embora. E caso isso não funcione, eu vou segurar a sua mão. E a mamãe também vai.

Desceram elas então, infinitas pelo rosto pálido, encontrando-se no queixo. Alec fechou os olhos e entregou-se àquilo. E June segurou sua mão. E Alec, querendo profundamente acreditar naquilo, sentiu que Isabelle fazia o mesmo. Eu sinto sua falta, Iz. O pensamento veio e se foi, mas naquele torpor intenso, quando uma brisa entrou no cômodo e as cortinas balançaram, Alec jurou ter escutado algo. Eu sempre vou estar ao seu lado. A voz dela soou distante e ele imaginou que estivesse alucinando, mas não se importou. Era o acalento de que precisava.

Alec ergueu as mãos de June e beijou-as levemente, abrindo um sorriso mínimo. Como ele pôde pensar em desistir e deixar ela para trás? Como pôde pensar em deixar os seus filhos? Como pôde pensar em deixar Magnus logo agora que havia o encontrado? Como pôde pensar em desistir de si mesmo antes de tentar de fato se reerguer?

— Desculpe June — ele abraçou-a apertado, os soluços saindo em disparada. — Por favor, me desculpe.

— Ninguém precisa ser forte o tempo todo — ela respondeu baixinho. — Foi o que eu ouvi em algum lugar. Mas não se esqueça de que você pode cair, mas não continuar no chão. Levante-se por si mesmo, levante-se pela vida. Levante-se pelo o amor ou pela esperança. Seja qual for o motivo, apenas levante-se.

Alec acariciou os cabelos dela, negros como petróleo e mais intensos que a tempestade. Os fios grossos estavam soltos como sempre, passando das costas e chegando à cintura em ondas lindas. Alec se sentiu em casa.

— Você é muito nova para ter tanta maturidade assim.

— Eu assisto muita TV. — June respondeu. — Além disso, minha geração é extremamente mais evoluída que as anteriores.

— Você tem razão — ele deu uma risadinha.

June se afastou brevemente, olhando-o. Ela secou as lágrimas com as mãos pequeninas e assoprou o rosto do pai com cuidado. Era o que Alec costumava fazer quando ela chorava e aquilo, de alguma forma, sempre a acalmou.

— Os convidados irão chegar daqui a pouco — ela disse. — Magnus vai vir, não é?

— Pensei que tivesse detestado ele.

— Não tenho apreço, mas é muito mais suportável do que os outros amigos do Keith.

Alec cerrou os olhos.

— Sei, sei.

Depois de se arrumar com as coordenadas de June, Alec seguiu para fora do quarto com o coração nos pés. Após se recuperar do momento de fraqueza, voltou a pensar em todos os bons sentimentos que ele causara em si e os suspiros apaixonados foram incapazes de serem contidos. Quando chegou no andar debaixo, estacou na beirada do último degrau. Com roupas muito diferentes das usuais, Magnus estava parado de costas para ele. As tatuagens eram extremamente visíveis e a definição de seu corpo — que deixou Alec com as bochechas vermelhas — aparecia através da roupa. Pela lateral, Alec pôde ver que ele ainda estava com os piercings, no entanto não havia maquiagem alguma. E o rosto limpo dele era tão bonito quanto o decorado.

Naquele segundo, como um imã, seus olhares se encontraram e o ar faltou. Não só para Alec, mas também para Magnus que precisou se segurar para não agarrá-lo em seus braços. Os lábios de Alec formigaram com a lembrança do beijo ressurgindo novamente e sua respiração trancou, deixando-o ali encarando Magnus em um dos momentos mais estranhos da sua vida. Mas, apesar de tudo, era um estranho bom. Um estranho que aquecia sua barriga e o fazia querer sorrir sem motivo.

Magnus foi o primeiro a se mover, aproximando-se de Alec com um gesto receoso adorável.

— Oi.

Alec sentiu seus lábios tremerem, um sorriso querendo surgir.

— Oi, Magnus.

Não fizeram o menor progresso. Continuaram se encarando em meio às nuvens de ar quente. Alec quis estender a mão e tocá-lo, quis que Magnus o abraçasse e quis beijá-lo. Mas não fez nada disso. Quando Duncan chegou, Keith pediu para que todos fossem para a sala de jantar comer. E Magnus, piscando para acordar, indicou o caminho para Alec com um sorriso e discretamente apoiou uma das mãos na base da coluna dele, guiando-o mesmo que não houvesse necessidade. Alec sentiu-se tremer e o sentimento surgiu de novo, ainda maior.

O jantar transcorreu sem nada inconveniente, apesar dos intensos olhares que Magnus e Alec trocavam. June divertiu a todos com o seu mau humor e inteligência, tornando-se o centro das atenções. Mas ao que todos voltaram a se reunir à sala, com Lyla e seu noivo preparando os drinques e Heath conversando baixinho com a namorada, a voz de Keith entoou pelo espaço e todos o olharam.

— Eu e Duncan vamos nos casar!

Como de acordo com a personalidade de Keith, o anúncio saiu rápido e sem enrolações. Alec se levantou em meio à gritaria e felicitações, e abraçou-o apertado e apoiou a decisão embora Keith fosse muito jovem. Acariciou os cabelos de maneira paternal e sorriu, fazendo o mesmo com Duncan. Magnus, diferente de Alec, já agiu de maneira mais brusca e ergueu Keith do chão, jogando-o para cima enquanto ria. A cena aqueceu o coração de Alec; aqueles risos, todas aquelas pessoas felizes, seus filhos podendo levar quem amavam para a casa sem o medo de Russell estar lá... Era tudo o que ele desejou um dia.

— Eu estou feliz — ele disse para ninguém em particular quando saiu na varanda e encarou o céu. — Apesar dos contratempos e do que ainda virá, eu estou feliz.

Minutos depois sentiu braços grandes e quentes rodearem sua cintura. O cheiro característico de Magnus o deixou zonzo e abriu um sorriso em seus lábios. Um beijo suave foi depositado em sua bochecha. As nuvens haviam avançado no céu e as estrelas surgiram. Naquela luz, Alec sentiu como se tivesse voltado ao dia em que ele e Magnus haviam se beijado. Aquela chama quente acenou de dentro e o fez recostar-se no tronco de Magnus, dando abertura para um carinho que precisasse muito.

— Eu senti sua falta. — Magnus sussurrou suavemente.

Alec apoiou as mãos sobre as de Magnus e roçou os cílios uns nos outros, virando-se para olhá-lo de lado.

— Eu gostei desse Magnus — respondeu com uma risadinha. — Na verdade, eu gostei de todos os Magnus que conheci até agora.

— Há alguma coisa para não gostar? — ele brincou, mas por dentro estava nervoso. Extremamente nervoso.

Alec revirou os olhos e riu.

— Não, eu acho que não.

Então eles ficaram em silêncio. A rua estava vazia e as outras casas iluminavam os jardins com suas luzes acesas. O tempo estava ameno ali, com toda aquela imensidão diante deles. Magnus já tivera muito em sua vida, mas nada se comparava a ter Alec em seus braços. Nada se comparava a, finalmente, ser capaz de externar o amor que nutriu sem saber durante tanto tempo. E era por isso que precisava falar, precisava urgentemente falar, mas não sabia como.

Um tempo transcorreu enquanto ele apenas abraçava Alec e o sentia fazer desenhos aleatórios com a ponta do dedo em suas mãos. Após tanto pensar ele se decidiu e respirou de forma profunda.

— Alexander — chamou.

— O que foi? — Alec não olhou para ele, mas sua voz soou gentil como sempre.

— Posso te fazer um pedido?

— Claro.

Magnus apertou-o no abraço e colou seu rosto ao dele, deixando as bochechas unidas. Sua respiração quente se chocou contra a pele de Alec e o fez desejar fechar os olhos e descansar. Ele sentia que podia descansar nos braços de Magnus.

— Eu só tenho um desejo — ele disse com a voz mansa e calma, seu sotaque lento e aconchegante causando arrepios em Alec. — Tudo o que eu desejo é fazer você feliz. Cuidar de você enquanto te ajudo a cuidar da sua família. Eu posso?

Segundos. Incontáveis segundos foram aqueles que Alec permaneceu em silêncio. Magnus nunca se sentira daquela forma antes e quando estava quase desejando não ter dito nada, Alec se virou e olhou-o com os olhos aguados. O desespero cresceu, mas não durou muito ao que Alec tocou seu rosto com a palma fria da mão e acariciou.

— Você é mesmo real? — perguntou baixinho. — Eu tenho medo de acordar e descobrir que isso tudo é um sonho.

Magnus beijou a mão dele com carinho.

— Eu sou real. Nós dois somos reais. Isso tudo é real.

Alec sorriu com a resposta. Um sorriso grande e brilhante, um que Magnus desejava sempre ver. Que ele lutaria para sempre ver.

— Você não precisa me pedir permissão para isso — disse ele. — É o que vem fazendo desde que entrou na minha casa e molhou todo o meu carpete.

Magnus riu.

— Mas eu tenho uma condição.

— Qual é? — Magnus voltou a abraçá-lo ao perguntar.

— Nós dois nos faremos felizes. Nós dois cuidaremos um do outro. Nós dois iremos cuidar da minha família e receberemos o mesmo em troca.

— Isso parece justo para mim — disse Magnus.

Alec sorriu mais uma vez. Então ele se ergueu um pouco e colou seus lábios levemente nos de Magnus. O mínimo toque percorreu ambos os corpos como chamas crescendo e se multiplicando. Era amor, afinal.

— Ah, eu também senti sua falta — disse Alec contra a boca de Magnus.

Magnus assentiu para aquilo, sentindo seu coração aquecer. Abraçou Alec ainda mais, apertando-o contra seu corpo. Talvez ele também estivesse com medo de tudo aquilo ser um sonho.


Notas Finais


*Desculpem pelos errinhos que sempre escapam!

Agora que toda essa tensão do Enem acabou, eu voltei pra terminar de vez todas essas histórias que tenho pra terminar! Vou seguir os horários que já foram divulgados e seguir o baile. Bora então!

Espero mesmo que tenham gostado e que estejam apreciando o desenvolvimento de cada personagem. Como eu acho que já disse antes, é uma história de amor, um romance, é um conto bem simples apesar dos sofrimentos e realidades expostas no decorrer dos capítulos. E eu espero mesmo de coração que vocês sejam capazes de entender os ensinamentos que tento passar com as histórias que escrevo. Porque não importa o quanto uma obra é simples, ela sempre vai ter algo pra nos ensinar, não importa o quão bobo isso seja.

Até loguinho!

XOXO


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