História Ultraviolence - Norminah - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Arielle Hamilton, Ashlee Hamilton, Dinah Jane, Normani Kordei, Norminah
Visualizações 74
Palavras 4.320
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Espero que gostem do capítulo.

Capítulo 6 - Chapter Six


Normani observou uma infinidade de emoções rodopiarem nos olhos acinzentados de Dinah. As pupilas dos olhos dela estavam levemente dilatadas, o que fazia seus olhos parecerem enormes em seu rosto delicado. Dinah era magra, e talvez magra demais, porque as maçãs de seu rosto não eram nada carnudas. Ela tinha ombros estreitos e suas clavículas eram bastante pronunciadas, com um grande vão dentro delas.

Normani conseguia pegar Dinah pelos pulsos com apenas o polegar e o indicador, e ela sentia seu corpo frágil. Era como se ela fosse quebrar, a menos que fosse tratada com o maior cuidado possível. E, ainda assim, ela era espantosamente linda. Dinah não era o tipo de mulher por quem ela normalmente ficaria atraída, mas Normani percebeu que, de fato, sentia algo por ela. Só de pensar em outro homem causando mal a Dinah, isso deixava-a furiosa, o que ia além do fato de que, para ela, nenhuma mulher deveria ser agredida por um homem. Isso tinha se tornado algo pessoal para ela. Era como se Dinah fosse sua esposa e ela tivesse sido agredida por outro homem. Normani não gostava da ideia de que Dinah pudesse, de alguma maneira, ainda se sentir culpada pelo assassino estar à solta, atrás de novas vítimas, e só Deus sabe quantas vítimas existiram e que ninguém nunca ficou sabendo ou que nunca foram descobertas. Se pudesse fazer alguma coisa, Normani iria dar um jeito para Dinah parar de assumir aquela culpa idiota pelo fato de um homem escapar da polícia, dentre as dezenas que ela ajudou a prender. Ela parou por um momento, com uma expressão séria, enquanto pensava no compromisso que desejava assumir. Sim, a negra devia muito a loira e iria garantir a segurança dela, garantiria que ninguém jamais a machucaria novamente. Mas como se comprometeria com a difícil tarefa de tirar o sentimento de culpa dos ombros dela?

Era presunção e arrogância da parte dela achar que conseguiria acabar com a dor e com o arrependimento de Dinah. Mas se Normani pudesse dar a ela um mínimo de paz de espírito ou qualquer coisa melhor que o inferno diário em que ela vivia, então ela moveria montanhas para tornar isso possível.

O rosto de Normani ficou sério novamente quando ela analisou o sangue seco e o hematoma que tinham se formado ao redor da boca de Dinah. Ela soltou as mãos da outra e as apoiou com cuidado no colo, antes de ficar em pé. Normani, então, fez um sinal com o dedo.

— Não se mexa, eu volto em um instante. — O medo instantâneo que viu surgir no olhar de Dinah deixou Normani irada novamente com o desgraçado que estava infernizando a vida dela pelos últimos dezoito meses. — Não vou sair do quarto. — Ela disse carinhosamente. — Só vou até o banheiro pegar uma toalha quente para limpar o sangue e ver direito esse machucado.

Ela levou a mão ao rosto, com uma expressão intrigada, como se tivesse esquecido que estava machucada. Dinah se encolheu de dor ao pressionar o hematoma com mais força do que deveria, então Normani pegou e abaixou a mão dela, em uma ordem silenciosa para que ela parasse de se tocar e se machucar ainda mais.

Normani foi rapidamente até o banheiro e ligou a torneira, deixando que a água esquentasse antes de encharcar e torcer uma toalha na pia. Dinah pareceu ficar aliviada quando ela saiu do banheiro, como se ela estivesse mesmo achando que Normani iria sumir. A negra detestava ver o medo nos olhos da outra e queria fazê-lo desaparecer, da mesma maneira como iria limpar a mancha de sangue em seu rosto. Mas Normani sabia que iria levar tempo até Dinah confiar nela, não importava o que ela dissesse para tentar reconfortá-la.

Então, de repente tinha ficado importante que Dinah confiasse nela, embora não soubesse exatamente por quê. Talvez fosse porque Normani acreditava que ela tinha a obrigação de quitar absolutamente todas as suas dívidas, não importava o preço. E a loira já tinha sofrido demais por causa das ações dela um ano antes. Não havia como reparar completamente o que tinha feito, mas ela poderia ao menos pagar parcialmente a dívida que ela e sua família tinham com Dinah. Só que aquele não era o único motivo para ela estar lá, a centenas de quilômetros longe da família, longe da irmã que ainda precisava demais de apoio emocional. Arielle ainda estava completamente vulnerável. Ela era apenas uma sombra da pessoa que já havia sido um dia, alguém confiante e cheia de vida e energia. Aquele desgraçado tinha roubado tudo de Arielle, e Normani temia que ela jamais voltasse a ser a pessoa que era. Só aquilo já era motivo suficiente para a negra querer matar o sequestrador, sem mencionar que duas mulheres tinham sofrido nas mãos dele. Da mesma maneira que não desistiu quando estava procurando pela loira, ela não iria desistir de encontrar o sequestrador da irmã e levá-lo à justiça. Normani gostaria de matar o desgraçado com as próprias mãos, e não sentiria o menor remorso fazendo isso. Mas a morte era uma saída fácil demais para aquele louco. Ela queria vê-lo vivendo no inferno atrás das grades todo dia, por muito tempo.

A moça então se ajoelhou novamente diante de Dinah, que tinha ficado completamente parada enquanto ela estava no banheiro. Normani começou a limpar gentilmente o sangue seco incrustado no rosto dela e deixou escapar um palavrão quando ela visivelmente se contraiu de dor.

— Me desculpe, não queria machucar você. — Ela meneou a cabeça.

— Tudo bem, você não me machucou.

Dinah estava mentindo, mas Normani não quis discutir. Ela chegou a ver a dor nos olhos dela por um breve instante, e fez questão de ser mais cuidadosa ao remover o restante do sangue. Quando terminou, a negra endireitou as costas e segurou o queixo da outra, inclinando a cabeça dela na direção da luz, para que pudesse avaliar melhor o hematoma.

— Não está tão ruim assim. — Ela disse. — Se você tivesse quebrado a mandíbula, o queixo estaria bem mais inchado. Mas ainda assim é bom ter cuidado. Se continuar doendo me avise, porque vamos fazer uma radiografia.

Dinah ficou corada e desviou o olhar, cheio de vergonha.

— Não tenho como pagar a radiografia. — Ela disse em voz baixa. — Não tenho plano de saúde e já faz tempo que não trabalho... desde que ele apareceu. Ele me tirou tudo, tirou minha casa, meu trabalho, minha paz. Desde que me liguei de forma irreversível a ele, não tive um único dia de paz. Ele me tirou... tudo. Eu só tinha mais alguns dólares, mas nem isso tenho agora. Precisei deixar para trás minha bolsa e meus documentos quando saí correndo do hotel. Agora estou sem nada. E estar sem documentos é como se eu nem existisse. Parece até que ele já conseguiu o que mais queria, que é me matar.

Normani ficou carrancuda e foi tomada por uma fúria assassina. Não era só por tudo o que o homem havia feito com Dinah – persegui-la, caçá-la como um animal e ameaçar matá-la –, mas também pelo que tinha feito antes com ela.

— Você jamais vai ter que se preocupar com dinheiro – ou com plano de saúde – de novo. — Normani se surpreendeu por ter conseguido dizer as palavras sem soar furiosa, porque sua mandíbula estava completamente cerrada de tanta raiva. Dinah olhou surpresa para ela, com o rosto levemente ruborizado.

— Não preciso de sua caridade, Normani. Você não me deve nada. Eu vou me virar, sempre me virei.

Normani explodiu antes que pudesse se controlar.

— Acontece que você não precisa de porcaria nenhuma de caridade. Você tem noção do quanto você poderia cobrar pelo que faz? A família das vítimas pagaria qualquer valor para encontrar a pessoa desaparecida.

Dinah ficou com os olhos arregalados de espanto.

— Eu jamais poderia fazer isso! Seria o mesmo que fazer chantagem. ‘Ei, eu vou encontrar seu filho, esposa, mãe, qualquer ente querido, mas ah, olha só, meus serviços não são baratos!’ Você tem noção de como isso seria... mercenário... da minha parte? Eu não ia conseguir me olhar no espelho se aceitasse dinheiro que vem da violência e da morte. Pensar nisso me dá nojo! Então você acaba sofrendo em silêncio, sozinha, sem ninguém para consolar você, enquanto as vítimas vão lá ficar junto da família e das pessoas queridas? Quem é que você tem, Dinah? Quem é que vai levantar você, quando você desaba e fica arrasada? Eu sei que dinheiro não é a solução para tudo, mas com certeza torna a vida mais fácil. E qualquer coisa é melhor do que ficar lutando pela vida sem dinheiro, tendo que fugir o tempo todo de algum demente assassino que quer acabar com você aos poucos, pedaço por pedaço, até não sobrar mais nada, até você não ter mais nenhuma saída.

Dinah olhou atônita para Normani, dizendo sem palavras que a outra tinha tocado fundo nela. Normani estava arrependida por ter sido tão direta. Suas palavras machucaram Dinah e a lembraram de forma bastante clara como sua situação era grave. E a negra viu algo nos olhos dela que a deixou com vontade de enfiar a cabeça na parede.

Ela viu derrota.

Ela viu Dinah desistindo e aceitando que não havia esperança de mudar sua situação. Que droga, aquela não tinha sido a intenção dela! Normani simplesmente queria deixar claro que ela não estava mais sozinha. Agora ela podia contar com alguém. Estar derrotada era não ter mais esperanças, e Dinah precisava de esperança mais do que nunca. Normani queria dar a ela um porto seguro.

Qual foi a palavra que ela disse? Ela queria um refúgio. Normani, com toda a certeza, iria conseguir qualquer coisa de que ela precisasse. E quanto a não querer saber da “caridade” dela, bem, Dinah ia precisar aceitar isso, porque não havia a menor chance de a negra deixar ao acaso qualquer elemento da segurança, bem-estar e ajuda financeira de que ela tanto precisava. Quer gostasse ou não, agora ela estava completamente sob os cuidados e proteção dela. E isso significava estar sob os cuidados em todas as áreas de sua vida, não apenas no bem-estar físico.

Normani queria que Dinah confiasse nela, que acreditasse que ela iria cumprir sua promessa. Porque uma vez que ela assumisse um compromisso, sempre cumpria com sua palavra. Iria levar algum tempo até ela poder confiar totalmente na negra, até acreditar que ela não iria traí-la. Isso era algo que não aconteceria da noite para o dia, mas Normani estava decidida a ganhar, aos poucos, a preciosa confiança de Dinah.

Normani queria ser alguém com que ela pudesse contar, talvez a única pessoa que não a desapontasse na vida. Ela iria se odiar se acabasse se tornando mais uma na lista de pessoas que a decepcionaram, e que foram diminuindo cada vez mais a capacidade de ela confiar em outro ser humano. Isso tudo iria mudar, começando naquele momento.

[...]

Normani tinha deixado o piloto de prontidão porque, assim que decidissem o que fazer, ela não estava disposta a ficar ali nem por um segundo a mais, com Dinah vulnerável a um ataque. Mas só porque ela estava decidida a assumir o controle não significava que ela não a manteria informada sobre os planos. É verdade que Normani não iria aceitar um não como resposta, mas, por respeito a Dinah, ela saberia quais seriam os próximos passos, especialmente porque a loira tinha medo do desconhecido, e Normani sabia que ela ainda estava em dúvida se ela realmente seria capaz de protegê-la. Dinah não tinha como saber que ela estava disposta a usar todos os recursos disponíveis – independentemente do custo – para poder garantir a segurança total dela.

— Você ficou com alguma coisa sua? — Normani perguntou com tato, sabendo que Dinah era orgulhosa e poderia ficar envergonhada por sua situação atual. Mesmo assim, ela ficou ruborizada, e novamente seus olhos se encheram de vergonha.

— Não. — Ela sussurrou. — Tudo o que eu tinha estava no quarto do hotel, e eu larguei minha bolsa quando corri porque não queria nada que pudesse me atrapalhar enquanto eu fugia.

— Isso foi inteligente. — Normani falou com sinceridade. — Você fez a coisa certa, pode ter certeza. Nada é mais importante que a sua vida. — Ela ficou obviamente espantada com a afirmação da negra, que segurou os palavrões que estava morrendo de vontade de dizer. Dinah reagiu como se fosse a primeira vez em que alguém deu importância à sua vida. Será que as pessoas que ela já tinha ajudado demonstraram gratidão? Será que elas, como Normani, não faziam ideia do que Dinah passava toda vez que entrava na mente doentia de um assassino? Como é que Dinah pôde chegar a acreditar que sua vida não valia nada? — Já que você não precisa fazer nenhuma mala, a gente vai sair daqui mais rápido.

Normani disse com naturalidade. E novamente, a expressão da loira ficou confusa.

— Aonde estamos indo?

— Para casa, Dinah. Eu vou levar você para casa.

Os olhos de Dinah eram só tristeza e sofrimento.

— Eu não tenho uma casa para ir.

— Você tem uma agora. Eu vou levar você para minha casa, que vai ser a sua casa agora. A segurança lá é bem forte desde que Arielle foi raptada. Antes do sequestro dela, eu achava que a gente tinha um padrão alto de segurança, mas obviamente eu falhei nisso. Minha empresa contrata os melhores homens que o dinheiro pode pagar. Eles não são baratos, mas valem cada centavo para manter minha família – e agora você – em segurança.

Dinah olhou para a negra cheia de espanto.

— Quando liguei para você pedindo ajuda eu não esperava por isso, Normani. Com certeza, não achei que você fosse me levar para sua casa. Só imaginei que você podia me dar algum tipo de proteção.

— E é exatamente isso o que eu pretendo fazer. — Ela disse calmamente. — Sua segurança estará garantida na minha casa. Lá é o lugar mais seguro para você ficar. Provavelmente, minha casa é mais protegida que o Fort Knox.

Ela sorriu quando disse isso, torcendo para que seu exagero melhorasse o humor de Dinah e quem sabe tirasse um pouco daquela tristeza quase imutável no olhar dela. Claro que Normani estava exagerando só um pouco, porque, para uma pessoa normal, o nível de segurança deles era considerado extremo, mas ele preferia morrer a deixar alguém invadir sua casa ou raptar um dos membros da família novamente.

Como recompensa, Normani viu um pequeno sorriso no rosto de Dinah e ficou fascinada pela covinha que apareceu em uma de suas bochechas. Ela jamais tinha visto Dinah sorrir. Mesmo o menor dos sorrisos já foi capaz de transformar suas feições completamente e varrer para longe o cansaço permanente por trás do rosto dela. De repente, ela parecia ser jovem e ter a idade que Normani de fato sabia que ela tinha.

Mas que motivos ela teria tido para sorrir naquele um ano e meio que passou? Ou mesmo antes disso, já que ela estava sempre mergulhando em mentes cheias de maldade desde os 16 anos? Será que ela foi uma adolescente triste, como é triste hoje?

É bem difícil manter o bom humor e conseguir sorrir quando você sabe que sua vida está em risco todo dia, a cada segundo. Normani adicionou isso à lista de coisas que se comprometeu a fazer por Dinah. Ela queria vê-la sorrir novamente, queria que fosse capaz de rir e levar a vida de forma alegre, em vez de somente sobreviver aos dias. A vida normalmente tem seus altos e baixos, mas a de Dinah parecia feita só de baixos e nenhum ponto alto para equilibrar. Poucas pessoas seriam capazes de sobreviver a uma vida assim, e no pouco tempo que a negra teve de convivência com ela, foi capaz de perceber que a moça era uma sobrevivente. Ela era muito mais durona do que ela acreditava. Uma pessoa normal já teria sucumbido há muito tempo às pressões de tudo pelo que ela passou. Ou então teria desistido e facilitado as coisas para o assassino, aceitando que a morte era inevitável. Não importava o que Dinah falasse ou mesmo pensasse, Normani sabia que ela era incapaz de desistir.

Então, o sorriso dela sumiu e deu lugar à preocupação.

— Não posso ficar com você lá para sempre, não posso me esconder para sempre. Eu me recuso a viver a vida assim. Prefiro morrer do que acordar todo dia pensando se vai ser meu último pôr do sol. Isso não é jeito de viver.

Cada palavra dela estava carregada de tristeza. O sofrimento emocional dela estava bem claro, como se ela carregasse uma placa enorme avisando a todo o mundo sobre esse fato. Isso fazia Normani querer abraçá-la e reconfortá-la, ela queria poder oferecer algum tipo de alívio. Mas ela parecia extremamente receosa de ser tocada, e Normani não queria que ela ficasse desconfortável perto dela. Mas ela certamente queria saber se a loira a temia. Ela ficaria arrasada se Dinah achasse que ela poderia machucá-la de alguma maneira.

— Dinah, por que você tem medo que eu toque em você? — Ela perguntou gentilmente.

Ela manteve de propósito um tom de voz cauteloso e mais curioso, para não soar como se estivesse na defensiva e parecer que estava brava por ela ter demonstrado medo dela. Deus sabia que ela tinha motivos suficientes para temer todos a sua volta.

— Eu não gosto de ser tocada por ninguém. É uma reação instintiva evitar o contato com outros, porque, quando alguém me toca, eu vejo seus piores segredos. Eu vejo e sinto todo o mal que há nessa pessoa. Nunca vejo o lado bom, só o que há de pior. Se eu pudesse sentir nos outros a alegria, o amor, e quem sabe uma felicidade verdadeira, pelo menos alguma coisa positiva, então isso equilibraria as coisas e talvez eu pudesse lidar melhor com o lado sombrio que existe na alma das pessoas. Mas meu dom é a pior forma de maldição que existe, porque só consigo ver o mal que as pessoas tentam esconder.

Normani ficou com a expressão preocupada e se sentiu desconfortável.

— E quando eu toquei você? O que você sentiu?

Ele sabia que seu tom de voz mostrou que estava na defensiva, apesar de sua determinação para não soar dessa forma. Mas saber que alguém era capaz de captar coisas que ninguém mais conseguia deixava Normani desconcertada. Ela não queria que Dinah tivesse acesso a seus pensamentos. Ela era impiedosa quando se tratava da proteção de sua família e era igualmente impiedosa no mundo dos negócios. Em ambos os casos, poderia ser malvista pela loira.

— Eu não consigo ler as mentes. — Ela disse abatida, como se de fato tivesse lido a mente da negra, apesar de negar. — É difícil explicar. Não é como se eu captasse o pensamento exato, é mais uma coisa que eu sinto, não que eu sei. Eu consigo ver coisas, eventos, ações, mas não chego a realmente ler o pensamento das pessoas. Posso captar as emoções, mas só as negativas, nunca as boas. Talvez eu conseguisse lidar melhor com isso se fosse capaz de sentir a bondade nas pessoas. Talvez aí eu não fosse tão cética em relação à humanidade e pessimista em relação à nossa capacidade de fazer o mal, ou no mínimo de não sermos bons o suficiente. E se isso faz você se sentir melhor, ou ao menos achar que não o estou julgando, eu não captei nenhuma maldade em você, nada de ruim. Somente... determinação. E isso não é uma qualidade ruim, pelo menos não para mim. Mas até aí o que eu acho de você não deve ter a menor importância. Eu não sou ninguém para você e o que eu acho não deve nem passar pelos seus ouvidos.

Normani fechou a cara, porque a opinião de Dinah importava sim para ela. E talvez não devesse importar, mas para a mia velha subitamente tudo se tornava importante, por saber que a loira achava que ela era uma boa pessoa, apesar de seus pensamentos. E que, no fim, talvez ela fosse capaz de confiar nela.

— Seu dom não é infalível, então. Eu não sou uma bora mulher, Dinah. Na verdade, eu sou bem capaz de matar e machucar alguém sem hesitação, se eu achar que essa pessoa está ameaçando alguém importante para mim.

— Mas você não percebe? — Dinah perguntou com uma voz suave. — Proteger alguém do mal não é o mal em si. Você não se torna mal por querer castigar aqueles que representam uma ameaça verdadeira à sua família. Tudo o que captei de você foi uma firmeza inabalável, e eu não preciso entrar na sua cabeça para ver isso. Está bem claro no seu rosto e no seu olhar. Ninguém precisa ter o meu dom – ou maldição, melhor dizendo – para perceber o quanto você é decidida.

— Mas você disse que conseguia captar violência. E meus pensamentos com certeza são violentos.

Dinah sorriu, e aquele segundo sorriso que ganhou dela foi capaz de fazer Normani perder a respiração. Ela conseguiu vislumbrar como era a verdadeira Dinah Jane antigamente, antes de sua maldição arrastá-la para um caminho sem volta.

— O que eu capto é a verdadeira natureza das pessoas. Apesar de você ter pensamentos violentos, como vingança, represália e até assassinato, eles não fazem parte de sua essência verdadeira. Acho que poderíamos dizer que meu dom revela o verdadeiro coração da pessoa. Alguns são maus por natureza, outros são bons, mesmo que possam se desviar de sua natureza em certas circunstâncias. Mas eu consigo olhar através da fachada e chegar ao fundo da alma das pessoas, e a alma nunca muda, apesar de nossas ações e palavras às vezes indicarem outra coisa. A alma permanece constante. Algumas pessoas conseguem resistir à sua própria natureza, já outras acabam se entregando mais facilmente à escuridão que existe dentro de si e até a deixam assumir o controle.

Ouvir Dinah explicar aquele dom inacreditável com a naturalidade de quem comenta a previsão meteorológica era espantoso para a mais velha. Não era como se ela não acreditasse no dom dela, mas Normani nunca percebeu a verdadeira extensão das habilidades da loira. Por desconhecimento, ela tinha assumido que era uma coisa simples, em que ela tocasse em um objeto da vítima e passasse a ser capaz de rastrear o caminho. Ela jamais tinha cogitado que as habilidades de Dinah pudessem ir tão longe e fossem tão profundas, quase em um sentido espiritual. Porque somente Deus supostamente conheceria o verdadeiro coração e alma de uma pessoa e poderia julgar suas intenções. Normani agora conseguia entender por que Dinah levava uma vida tão solitária. Ela compreendia por que ela era reclusa e evitava o contato com as demais pessoas. Como é que ela seria capaz de se proteger de outra forma? Se as pessoas descobrissem como o dom dela era poderoso, ela estaria em perigo constante. As pessoas são capazes de matar para silenciar a verdade sobre si mesmas. Não foi à toa que o pouco que ela conseguiu descobrir sobre a moça era muito baseado em rumores.

Normani chegou a considerar Dinah egoísta, na época em que estava em uma busca frenética tentando encontrá-la para poder salvar Arielle. Ela a considerou egoísta por se esconder e se recusar a ajudar as pessoas que tentavam encontrar um ente querido. Meu Deus, como ela tinha sido babaca! Agora que sabia o preço que a loira tinha de pagar toda vez que rastreava uma vítima, ela nem conseguia imaginar a razão de ela ter feito aquilo por tanto tempo. Mas agora que ela sabia que seu toque não causava mal a outra, ela a puxou cuidadosamente para junto de si, atenta para qualquer sinal de que ela não rejeitasse o movimento. Mas ela não resistiu, e em vez disso se derreteu toda em seu abraço, e até colocou seu rosto no peito de Normani, encaixando a cabeça confortavelmente sob o queixo dela.

A respiração de Dinah ficou acelerada, e seu peito se movia agitadamente enquanto estava encostado em Normani. Ela a afastou de si rapidamente, achando que poderia estar causando mais um ataque de pânico nela, mas o que ela viu a deixou mais assustada ainda. Ela estava chorando! Era um choro silencioso, de soluços pesados e de partir o coração. As lágrimas rolavam pelo rosto dela, deixando-a encharcada. Era como se a última barreira tivesse sido superada, e algo tão simples como um abraço reconfortante tivesse resolvido o problema.

— Eu nem sei mais se não estou louca. Estou me sentindo... acabada. — Ela disse, com as lágrimas caindo mais e mais enquanto ela falava. — Não sei se alguém vai conseguir me ajudar, nem se deveria. O homem que está me perseguindo é um completo sociopata. Ele não pensa em nada além de matar qualquer um que ele acredite ser um obstáculo ao seu objetivo final. Qualquer pessoa ao meu redor vai correr perigo. E não vou deixar sua irmã passar por aquele inferno de novo, não por minha causa.

— Você esqueceu que ela escapou daquele inferno por sua causa? — Normani perguntou calmamente. Dinah ficou em silêncio e não respondeu à pergunta dela, mas ela não tinha como negar que era verdade. — E qual é o objetivo final dele, Dinah? Você disse que ele iria matar qualquer um que estivesse no caminho.

Embora tivesse uma ideia de qual seria a resposta, ela queria ouvir a confirmação da boca da moça. Apesar de ela saber a resposta e de essa ter sido uma pergunta boba.

— Eu. — Ela sussurrou. — O objetivo final dele sou eu. E enquanto ele não me pegar, várias outras mulheres vão sofrer coisas pavorosas por minha causa. Como é que eu posso pensar em me salvar sabendo que outras mulheres vão morrer para que eu fique livre dele? Como vai ficar minha consciência com isso? Ele não vai parar de torturar e matar outras vítimas inocentes enquanto não atingir o objetivo final: me matar.


Notas Finais


Estou revisando Yours Again, para colocar finalizada.


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